domingo, 14 de dezembro de 2025

1929: Inside the Greatest Crash in Wall Street History — and How It Shattered a Nation

O livro que Andrew Ross Sorkin escreveu com o título "1929" tem o subtítulo "The Inside Story of The Greatest Crash in Wall Street History" (A História Secreta do Maior Colapso na História de Wall Street).

O livro é um relato detalhado e imersivo sobre a Grande Queda da Bolsa de 1929 (o famoso Crash de Wall Street) que levou ao início da Grande Depressão.

📜 O Conteúdo Central de "1929"

  • O Colapso de 1929: O foco principal é a queda do mercado de ações em 1929, que eliminou fortunas e deu início a uma depressão que redefiniu uma geração.

  • Narrativa de Bastidores: Sorkin utiliza um acesso incomparável a registos históricos e documentos recém-descobertos (fruto de oito anos de pesquisa, incluindo correspondência pessoal e documentos não publicados) para levar os leitores para dentro do caos do crash.

  • Personagens e Psicologia: A história é contada através das ações dos principais protagonistas, incluindo banqueiros de Wall Street, especuladores e políticos em Washington. O livro explora a ambição, a ganância, o otimismo cego e a ingenuidade que dominaram a época.

    • Um foco notável é a representação de figuras como Charles Edwin Mitchell, presidente do First National City Bank (precursor do Citibank), retratado por Sorkin como uma figura que arriscou o seu banco e os seus bens pessoais para tentar sustentar o mercado.

  • O Tema Recorrente: "1929" aborda o poder, a psicologia do mercado e a "ilusão sedutora de que 'desta vez é diferente'". Trata-se de alarmes desconsiderados e de céticos que foram ignorados.

  • Ligação com o Presente: O livro sugere que os altos e baixos dessa era refletem inquietantemente o mundo atual, onde os mercados sobem e as tensões financeiras persistem. A obra é vista como um "projeto crucial para entender os ciclos de especulação" e os sinais de alerta que são ignorados.

Em suma, "1929" é uma história eletrizante e minuciosa do colapso mais crucial do mercado de todos os tempos, contada com o drama de um thriller e a profundidade de uma história clássica. É o segundo grande livro de Andrew Ross Sorkin sobre crises financeiras, após o sucesso de Too Big to Fail (sobre 2008).

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

As Viúvas Silenciosas e o Milagre Desejado


Existe um conjunto razoável de comentadores, políticos e antigos bloggers, conhecidos na gíria como “as viúvas de José Sócrates”, que hoje em dia já não têm coragem para o defender publicamente, como fizeram noutros tempos com fervor. No entanto, o seu fervor não se desvaneceu, apenas se tornou discreto: rezam em segredo pelo fracasso da Operação Marquês.

Em bom rigor, esta gente está-se nas tintas para o destino de Sócrates, politicamente morto e enterrado. Mas não se está nas tintas para as suas reputações. A possibilidade de verem a acusação falhar, ou o julgamento borregar, é a derradeira oportunidade para limpar algumas nódoas do lastimável currículo que ostentam nesta matéria.

Este silêncio e o desejo de anulação judicial ganham uma dimensão ainda mais irónica quando se olha para a situação financeira do próprio Sócrates, que continua a desafiar a lógica, fazendo fé no Observador.

  • Viagens de Luxo vs. Rendimento Declarado: O Ministério Público demonstrou preocupação com as viagens de Sócrates a Abu Dhabi, em novembro, temendo uma possível fuga à justiça. Essas duas viagens ao Médio Oriente, em classe executiva, terão custado cerca de 10 a 15 mil euros.

  • A Pensão: O rendimento declarado do ex-primeiro-ministro é a pensão vitalícia anual de 2.372 euros brutos mensais, o que ronda os 1.900 euros líquidos — um total de cerca de 26.600 euros anuais.

  • As Contas que Não Batem Certo: As duas viagens a Abu Dhabi por si só podem ter consumido mais de metade do rendimento anual de Sócrates.

A este enigma somam-se as custas judiciais: o antigo chefe de Governo já teve de pagar 16.746,60 euros só ao Tribunal Constitucional desde 2015, e ainda pendiam à data de notícias mais de 15 mil euros no Tribunal da Relação de Lisboa.

Quando confrontado com a discrepância entre os seus gastos e o seu rendimento declarado, Sócrates tem sido intransigente, recusando-se a esclarecer a sua situação económica, seja à Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) ou à imprensa. A resposta é sempre a mesma: “Não pretendo partilhar a minha vida privada com estranhos.”

A matemática da vida de José Sócrates, com as viagens de executiva e as custas de milhares de euros, é tão misteriosa quanto a persistente fé das suas “viúvas” no fracasso da Operação Marquês. Ambas, de certa forma, dependem de um milagre.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

💰 O Declínio do 'Self-Made Man' e a Ascensão dos Herdeiros Dourados

É com profunda tristeza que vos trago a mais recente novidade do panorama financeiro global, cortesia do prestigiado banco suíço UBS: o self-made man está a ser catalogado, muito simplesmente, como uma espécie em vias de extinção, especialmente nas plagas europeias.

Diz o recente Billionaire Ambitions Report que o modelo do empresário que forja a sua fortuna a ferro e fogo, "do zero" e com o suor da testa, é já uma relíquia. O novo trend de 2025? A velha e boa herança.

Na Europa, a estatística não perdoa: os herdeiros já superam os criadores de riqueza. É uma tendência que nos enche o coração de esperança... por um futuro onde a única habilidade necessária é ter tido a sorte de nascer na família certa.

Antigamente, para se ser um multimilionário, era preciso ter uma ideia genial, gerir impérios e, vá lá, trabalhar umas 80 horas por semana. Hoje, segundo o relatório, os jovens afortunados "precisaram apenas de esperar sentados" pela "grande transferência de riqueza". Que sacrifício hercúleo!

Na Europa Ocidental, concentrámos metade dos 91 novos herdeiros mundiais. Foram 149,5 mil milhões de dólares transferidos para a nova geração, numa operação que exigiu, presumimos, a penosa tarefa de assinar uns papéis.

E o crescimento, meus amigos, o crescimento é fulgurante:

  • Herdeiros: Crescimento anual de 36%. (Fica fácil crescer quando se é catapultado de $0 para $1 bilião com uma assinatura.)

  • Self-Made: Crescimento anual de míseros 13%. (Pois é, trabalhar dá um bocado mais de trabalho...)

A Nova Regra de Ouro: Preservar 🛡️

O director do UBS diz que o foco agora é "preservar o património para capacitar a próxima geração a ter sucesso de forma independente e responsável". É de uma beleza enternecedora! A independência e a responsabilidade começam, claro, com um colete de salvação de biliões fornecido pelo papá.

E notemos bem: a riqueza da velha guarda tecnológica e industrial, essa sim, feita com invenção, está a ser entregue à nova geração para que a preservem. A grande façanha da nova elite não será inovar ou construir, mas sim... não estragar.

Portanto, meus amigos, se andam a tentar "fazer a vossa própria sorte", parem com essa loucura antiquada. A verdadeira ambição, em 2025, é simplesmente ser filho de alguém que já fez o trabalho.

Pax Vobis! E boas heranças!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

O Dr. ainda pedala para quê?

Vivi num primeiro andar, que tinha escritório com varanda, frente a um bar. Quando lá ia, o patrão, gorducho, observa-me:

- Todas as noites, verifico que Dr. tem a luz acesa naquela varanda. Ainda está a estudar? O que o faz correr? Ainda pedala mais para quê?

O que realmente estaria perguntando, sem perceber é: "Como usa o seu tempo de forma tão significativa?"

40 anos depois, o Mundo mudou, a casa e a mulher são outras, mas a luz do meu escritório contínua acesa. Hoje, recordei-me daquela pergunta. Não sei qual é o objectivo, sou assim, experimento após experimento, erro após erro.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

A IA vai padronizar (ainda) mais a avaliação escolar e reduzir a autoridade professoral


Embora no meu trabalho docente, só nos últimos dois anos tivesse sentido o impacto da Inteligência Artificial (IA) na avaliação escolar e na autoridade professoral, 40 anos de serviço e as referências teóricas dos regimes de justificação (Luc Boltanski e Laurent Thévenot) ofereceram-me um quadro de pensamento robusto que permite analisar o seu potencial efeito a partir da discussão sobre a automação e a objectivação da avaliação através de ferramentas estatísticas e regulamentares.


Esta grelha de análise sugere que a generalização de um sistema automatizado ou altamente objectivado (como poderia ser a IA) poderá, de facto, aumentar as dificuldades dos professores tanto na avaliação quanto na manutenção da sua autoridade, visto que estas dependem crucialmente da dimensão humana, moral e decisória do docente.



Dificuldades na Avaliação Escolar


A avaliação escolar, embora frequentemente tratada como um exercício puramente técnico e quantificável, não é suscetível de automatização. Por mais precisos que sejam os critérios estabelecidos, a avaliação não se reduz a puras medições de conhecimentos ou competências.


1. A Necessidade do Julgamento Professoral: A classificação é sempre o resultado das decisões tomadas pelos professores. O acto de atribuir uma nota exige um "julgamento actuante", que humaniza a avaliação, distinguindo-a de uma eventual avaliação automática realizada por um programa informático. Este julgamento integra aspectos que vão além do mero desempenho cognitivo, como a dimensão moral e os diferentes regimes de justificação (industrial, doméstica, cívica).


2. A Tensão entre o Técnico e o Moral: O sistema escolar, impulsionado pela "justificação industrial" (que valoriza a padronização e a objectividade, usando a média aritmética como ferramenta central), tenta reduzir a classificação a um cálculo. Contudo, os professores sentem-se obrigados a reajustar os critérios em função das turmas, e a dimensão moral sobrepõe-se às questões técnicas nas situações de dúvida que possam prejudicar os alunos. Um exemplo claro é a rarefação dos "9's" (nota limítrofe), que são evitados porque a diferença entre o 9 e o 10 tem graves consequências no futuro do aluno (reprovação vs. aprovação).


3. Reforço do Mito da Mensurabilidade: Se a IA for generalizada para objectivar ainda mais o processo (seguindo a lógica da justificação industrial), ela limitaria o espaço de manobra do professor para exercer o seu julgamento actuante e integrar aspectos contextuais e morais (justificação doméstica). Se o cálculo se torna o expoente máximo da objectividade, o professor pode ver-se forçado a basear-se numa aritmética que se aplica a um domínio que não é mensurável (a educação). Isto intensificaria o dilema entre a necessidade de objectividade e a necessidade de justiça contextual.



Dificuldades na Autoridade Professoral


A autoridade do professor está intimamente ligada ao sistema de avaliação. A avaliação funciona como um mecanismo de sanções e recompensas, que é indispensável para a regulação das condutas na turma e a motivação para o trabalho escolar.


1. O Papel da Classificação na Regulação: A possibilidade de atribuir e gerir a classificação é uma dimensão essencial da autoridade do professor. O professor usa as notas estrategicamente, por exemplo, para obrigar o aluno a trabalhar até ao fim do ano ou para gerir as expectativas (vg. atribuindo notas mais baixas no 2º período para forçar maior empenhamento no 3º).


2. Limitação da Estratégia Pedagógica: A autoridade professoral não se pode apoiar apenas em regulamentos. Ela é legitimada pela coerência das classificações, que devem reflectir o trabalho. Se um sistema automatizado (IA) assumir o veredicto final com absoluta neutralidade e sem margem para adaptação individual ou contextual (o que seria típico da justificação industrial levada ao extremo), o professor perde a capacidade de usar a nota como "ameaça e moeda de troca" ou como instrumento de apoio (justificação doméstica).


3. Esvaziamento do Veredicto: A autoridade do professor depende do seu poder de seleccionar e ordenar os alunos. A introdução de sistemas externos e universalmente aplicados (como IA generalizada) tende a homogeneizar o espaço nacional e anular a avaliação dos aspectos não-cognitivos (comportamento, esforço). Embora a padronização seja defendida pela justificação cívica para garantir igualdade de critérios, a autoridade do professor em sala de aula é reforçada pela integração das atitudes e do empenhamento. Se a IA anular esse espaço de discricionariedade, a autoridade do professor na gestão e motivação do trabalho diário será enfraquecida, pois a legitimidade do seu veredicto professoral seria diluída por um processo externo e técnico.


Em resumo, a a generalização da IA – ao automatizar ou objectivar o processo de classificação, de forma semelhante à forma como as médias aritméticas e os critérios de exame padronizaram e cristalizaram a pedagogia – tenderia a reforçar o predomínio da justificação industrial na avaliação. Isso tornaria mais complexo o exercício da avaliação e da autoridade, na medida em que minaria a capacidade do professor de introduzir os necessários juízos morais e adaptações pedagógicas (justificação doméstica) essenciais para legitimar as notas e motivar os alunos.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

🤬 A Força Insuperável do F*! (e o Universo Paralelo do Apoio ao Cliente)

Caros leitores, venho hoje partilhar convosco uma saga épica de acesso digital, onde a burocracia se revela uma arte refinada e a tecnologia uma peça de stand-up comedy mal ensaiada. O título é autoexplicativo, mas preparem-se para os detalhes que fariam Sísifo invejar a minha persistência.

O palco: o Universo (a loja, não a galáxia, infelizmente). O problema: a singela necessidade de entrar na minha conta. Como mudei o meu número de telemóvel — esse objeto tão volátil e propenso a alterações como as promessas eleitorais —, perdi, como é lógico, o acesso. O sistema, na sua infinita sabedoria, exige o número que já não possuo. Um paradoxo existencial digno de um filósofo pré-socrático.

📧 A Missiva e a Iluminação

Decidi, com a calma dos justos, enviar um e-mail. A resposta do serviço de apoio foi um primor de clareza inútil:

"Relativamente ao seu pedido de alteração de telemóvel, informamos que a operação requer o envio de um código de segurança único, enviado exclusivamente através de contacto com a Linha de Apoio."

Fantástico! O sistema online não permite a mudança porque requer um código, mas para obter o código... tenho de ligar. Quase consigo ouvir o coro angelical da eficiência a entoar um hino à redundância.

🤖 O Diálogo de Surdos com o Ser Supremo

Munido do número 308 811 418 e da minha melhor paciência Zen, liguei. Do outro lado, um robot de apoio ao cliente (vamos chamá-lo "Bóris") saudou-me. Expliquei a Bóris, com a devida solenidade, que desejava "MUDAR O NÚMERO DE TELEMÓVEL".

Bóris, no auge da sua programação avançada, respondeu: "Claro! Para mudar o seu número, aceda às configurações na app ou no site."

Momento de silêncio.

Eu: "Bóris, eu não tenho acesso à app nem ao site porque mudei o número. É esse o problema."

Bóris: "Compreendo. Para sua segurança, enviei um código para o número associado."

(O número antigo, claro. O número que eu não tenho. Aquele que deu origem a toda a trapalhada. Um toque de génio.)

Esta dança absurda prolongou-se por uns gloriosos 30 minutos. Eu pedia um operador humano. Bóris, o guardião da linha, respondia, com a confiança de um hacker reformado: "Não vale a pena, sou eu que resolvo o seu problema."

💥 O Desfecho Catártico

Chegou o momento em que a paciência, essa virtude tão sobrevalorizada, se esgotou. A cortina de boas maneiras rasgou-se.

Eu, com a voz embargada pela exasperação acumulada de 30 minutos a falar com uma cassete avariada, soltei a frase mágica, a senha universal que destranca qualquer porta burocrática:

"F* PASSA ESSA M* A ALGUÉM!"

Oh, a ironia! Foi o grito primal, o palavrão sincero e de três sílabas, que finalmente quebrou o feitiço. O que a lógica, o e-mail e a educação não conseguiram, a força bruta da interjeição concretizou.

Bóris, subitamente submisso, disse: "Vou passar a chamada a um operador."

Esperei mais 15 minutos (a cereja no topo do bolo da eficiência), mas, finalmente, o problema foi resolvido por um ser humano com a capacidade de compreender que "mudei o número" significa, de facto, que "mudei o número".

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Para bom entendedor...

  ... meia palavra basta!





Governo promete nova Agenda Nacional de IA "nas próximas semanas", e quer “dar a cada aluno um tutor de IA"


Expresso


... “dar a cada aluno um tutor de IA que ouve, orienta e inspira a sua aprendizagem”.

Qual o papel dos professores, se se “der a cada aluno um tutor de IA que ouve, orienta e inspira a sua aprendizagem”?

O Gemini responde.

sábado, 18 de outubro de 2025

Reflexos na Areia: A Filosofia de uma Praia Inclusiva


À entrada da praia, onde a espuma das ondas se mistura com sotaques de toda a Europa, fui interceptado por uma tabuleta simples, mas profunda:

"Your perception of me is a reflection of you... enjoy"

Num primeiro momento, a frase pode parecer apenas mais uma citação "zen" de praia. No entanto, neste nosso "laboratório" de diversidade — um spot de surf com jovens de diferentes nações, onde o inglês é a nossa ponte e a inclusão é a nossa onda — esta máxima ganha uma ressonância especial.

Portanto, da próxima vez que passar por esta praia, não olhe apenas para os surfistas. Olhe para o espelho que eles lhe oferecem. E, acima de tudo, enjoy (aproveite) o que o seu reflexo lhe mostra.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

A Odisseia dos Certificados de Reforma – Entre o Digital e o Papel na Segurança Social

Descontei durante o tempo em serviço para a Segurança Social, mais que o obrigatório, contribuindo para um fundo poupança, representado por Certificados de Reforma. A adesão ao fundo, para começar a contribuir foi realizada online, na Segurança Social Directa, mas para receber a poupança acumulada é necessária a deslocação a um centro de atendimento, para exercer o designado “Direito de Opção”, talvez para se certificarem de que sou uma pessoa! O atendimento presencial é uma odisseia com marcação prévia no SIGA, que sabe-se lá porquê tomam a liberdade de desmarcar, exigindo nova remarcação.

5.ª-feira, 09/10, foi o dia em que finalmente fui atendido presencialmente em Sintra, mas não serviu para nada. É que eu levava toda a documentação no telemóvel, ie., na nuvem, em formato digital, mas a funcionária só lia em papel! Um dos ficheiros era o Diário da República, da data em que o meu nome foi publicado na lista de aposentados. Confirmar o meu nome no DR online, com a indicação da respectiva série, número e data, foi uma tarefa impossível para a funcionária. Facilitei-lhe o trabalho enviando por mail o respectivo ficheiro para o endereço de uma colega. Quando abriu o PDF, um documento com 34 páginas, ficou a olhar para o monitor, perguntando: “Agora, como é que leio isto?!” Ensinei-a a procurar escrevendo parte do meu nome na caixinha. Mas ler o nome em formato digital não era suficiente… precisava do papel, e então mandou imprimir o ficheiro todo ;) Não vale a pena contar mais, para se perceber que hora e meia depois o serviço fechou, e apenas saí de lá com a promessa de um telefonema da doutora X na manhã do dia seguinte, que não se concretizou.

Perante a falha no contacto, a meio da tarde de 6.ª-feira, 10/10, enviei os documentos por e-mail para o serviço central. 2.ª-feira, 13/10, o assunto ficou resolvido.

Hoje, 3.ª-feira, 14/10, a doutora X ligou-me: “Agora que ia pegar no seu caso, reparei que já o resolveu! Onde foi?”

  • Não fui lado nenhum! Bastou enviar os documentos por mail.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Paradoxo da Educação Revisitado: A IA e a Violência Simbólica na Era Digital


É interessante ler o texto de Steve Hargadon sob a ótica da Sociologia, recorrendo aos conceitos de Pierre Bourdieu. O texto em análise, ao descrever o ciclo de promessas tecnológicas não cumpridas na educação e ao revelar o caráter profundo de reprodução social da "máquina" escolar, dialoga diretamente com os conceitos centrais de campo, habitus, capital cultural e violência simbólica.





1. O Campo Educacional e a Inércia Estrutural

O autor do texto descreve a escola como uma "máquina da educação" que "absorve" e que "não se move", apesar das sucessivas ondas tecnológicas (rádio, TV, computadores, IA). Na ótica de Bourdieu, esta "máquina" é, na verdade, o Campo Educacional.

O Campo Educacional é um espaço social com suas próprias regras (o currículo, a avaliação, os rituais), suas hierarquias e, crucialmente, seus interesses específicos (o monopólio da certificação legítima). A inércia observada não é uma falha da tecnologia, mas a resistência estrutural do campo a qualquer mudança que ameace as posições e o status dos seus agentes dominantes (professores, administradores, formuladores de políticas).

  • A Absorção Tecnológica: As novas tecnologias (a "nova camada de tinta") são "arrebatadas pelo sistema e remodeladas em sombras de si mesmas". Isso ocorre porque o campo exerce sua força de ortodoxia. A tecnologia não é usada para subverter o sistema de avaliação ou a estrutura de poder, mas sim para reforçar o status quo. A IA, por exemplo, corre o risco de ser usada para a gestão de conformidade ou para a personalização de exercícios que apenas replicam o formato de avaliação tradicional, em vez de fomentar a "aprendizagem agêntica" genuína.

2. O Capital Cultural e o "Jogo da Escola" (Paradoxo da Educação)

O texto atinge o cerne da teoria bourdieusiana ao identificar o que chama de "paradoxo da educação": "as escolas se comprometem a liberar o potencial de cada criança, mas muitas vezes ensinam à maioria dos alunos que eles não são 'os inteligentes'". Mais ainda, o autor afirma que os alunos bem-sucedidos o são porque sabem como "o jogo da escola é jogado".

Para Bourdieu, este "jogo" é a manifestação da eficácia do Capital Cultural.

  • Capital Cultural Incorporado: Os alunos que "sobem ao topo" não são apenas "acadêmicos", mas aqueles cujas famílias (ou mentores) lhes transmitiram, desde a infância, o habitus compatível com o sistema escolar. Eles dominam o que Bourdieu chama de arbitrário cultural dominante – as atitudes, o vocabulário, as referências e os códigos implícitos valorizados pela escola.

  • A Ilusão Meritocrática (Violência Simbólica): O sistema escolar mascara a sua função de reprodução social sob o véu da meritocracia. Ao desvalorizar o capital cultural das classes populares (e o "efeito calculadora" da IA pode ser visto como um novo modo de desqualificação) e valorizar apenas o capital dos dominantes, a escola exerce Violência Simbólica. Os alunos que falham aceitam o veredito (que "não são os inteligentes") porque a origem do seu sucesso ou fracasso parece baseada na sua "natureza" individual (inteligência, esforço) e não na sua posição social e na distribuição desigual de capital cultural. A "mentira reconfortante" que o autor menciona é o pilar da violência simbólica.

3. Ameaça da IA: Atrofia do Habitus

A preocupação do autor com o "efeito calculadora" e a atrofia dos "músculos mentais" pode ser traduzida como a ameaça à formação de um Habitus autônomo e crítico.

  • O Habitus Crítico: O objetivo idealizado de uma educação libertadora (o "ensino generativo" e a "aprendizagem agêntica") é formar um habitus dotado de um alto grau de autonomia, capaz de pensamento crítico, escrita reflexiva e raciocínio complexo.

  • O Risco da Dependência: Se a IA for usada como um muleta para imitar os sinais de verdade e precisão, o habitus dos alunos será moldado pela dependência técnica e pela conformidade superficial. O resultado é a produção de agentes que dominam a performance da inteligência, mas não a inteligência em si. Isso atende perfeitamente à necessidade do Estado-nação (como sugerido pelo texto) de produzir "trabalhadores" e manter "o controle e a estabilidade" – agentes que sabem "nadar em suas raias" (conformidade) em vez de questionar a estrutura da piscina.

Conclusão

Na perspectiva de Bourdieu, o texto é uma constatação sociológica da autonomia relativa do campo educacional e da sua função central na reprodução das desigualdades sociais através da consagração do capital cultural. A IA, como qualquer tecnologia anterior, não é o fator de mudança; é um novo objeto de disputa no campo.

A única forma de a IA realizar a promessa de "ensino generativo e aprendizagem agêntica" não é pela sua tecnologia, mas pela mudança nas relações de poder e nas disposições do habitus dos agentes dentro do campo. Enquanto a estrutura profunda do sistema for dominada pela lógica da seleção e da conformidade — isto é, pela reprodução do capital cultural dominante —, a IA servirá apenas para pintar de cores novas a mesma máquina de reprodução. O desafio não é tecnológico, mas político e sociológico.

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

A Era Digital promove o crescimento da direita, porque deixou de haver paciência para pensar

No presente momento, a política deixou de ser um mero debate de projectos económicos e sociais para se tornar, sobretudo, uma batalha pela atenção e pela emoção. Esta mudança radical, acelerada pela Era Digital, reescreve as regras do jogo e explica, em grande parte, o crescimento da direita, que soube adaptar-se como ninguém a este novo paradigma.

Se, outrora, a propaganda política se materializava em cartazes nas ruas, faixas e panfletos, hoje ela deslocou-se para a velocidade vertiginosa das redes sociais. O meio é a mensagem, como diria McLuhan, e neste meio, a emoção supera a razão, o impacto visual esmaga o argumento. A política é agora um fluxo constante de bits e bytes que se movem à velocidade do pensamento.

A direita, ao contrário da esquerda, compreendeu intuitivamente esta mutação. Em vez de se focar em elaboradas análises estruturais ou em longas discussões sobre a desigualdade social – temas que exigem tempo de reflexão e se perdem na avalanche de estímulos – a direita aposta na simplificação e no apelo emotivo. O medo, a indignação, o orgulho ou o sentimento de pertença são o combustível que gera engajamento, cliques e partilhas. É uma estratégia cirúrgica, que actua em sintonia com os algoritmos que dominam a nossa atenção e nos mantêm presos aos ecrãs.

A esquerda, por sua vez, teima em ancorar-se numa lógica de racionalidade argumentativa, que se mostra ineficaz nesta nova arena. As suas mensagens, por mais consistentes que sejam, carecem da intensidade afectiva necessária para se tornarem virais. É a política do hot contra a do cool, a do impulso contra a da reflexão. E, na era das redes, o impulso vence sempre. A política tornou-se uma “aldeia global” onde as paixões se inflamam mais depressa do que a razão se pode manifestar.

Esta adaptação da direita à lógica digital, onde a forma se sobrepõe ao conteúdo, explica a sua maior ressonância e capacidade de mobilização. Não se trata de uma superioridade ideológica, mas de uma inteligência estratégica face às exigências do novo meio. O desafio agora, para todos nós, é evitar que a política se converta num espectáculo vazio, refém de algoritmos e cliques, e resgatar o espaço para um debate público, profundo e construtivo. Pois, como nos alertou McLuhan, as novas tecnologias moldam não só a nossa comunicação, mas também a nossa própria percepção do mundo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Em comparação com outras praças financeiras, a bolsa portuguesa apresenta um crescimento mediano

Observe o Mapa Mundo das Bolsas de Acções

Investir em ações cotadas em bolsa é hoje uma opção acessível à maioria das pessoas e, possivelmente, a melhor alternativa de investimento, superando outras aplicações. As bolsas reúnem as melhores empresas, cujos índices tendem a crescer mais do que as respetivas economias. Estas empresas de topo expandem as suas vendas, aumentam os seus lucros e distribuem dividendos superiores às taxas de juro de outras aplicações.

Quanto ao risco, embora teoricamente qualquer empresa possa falir, uma queda significativa nos conglomerados cotados, como a Sonae, Jerónimo Martins, CTT, EDP ou NOS, indicaria problemas económicos graves. Sendo estas empresas de grande dimensão, oferecem uma garantia de segurança. Contudo, para obter rendimentos acima da média, é necessário identificar empresas menores com forte potencial de crescimento. Exemplos como a Apple, Microsoft e Google, que começaram pequenas e acessíveis, enriqueceram os seus primeiros investidores. Descobrir estas empresas pode gerar grandes retornos, mas implica um risco considerável.

A pesquisa por empresas com elevado potencial de crescimento pode ser feita a nível global. No entanto, investir em empresas japonesas ou chinesas apresenta um desafio considerável devido à falta de conhecimento sobre os seus contextos operacionais. Acompanhar os índices destas bolsas a subir acima da média sem compreender as empresas impulsionadoras e o seu potencial futuro é uma tarefa complexa.

Nos últimos cinco anos, as bolsas com maior crescimento foram a indiana (117,4%), a espanhola (116,1%), a americana (92,5%) e a japonesa (84,5%). A bolsa chinesa registou uma perda de -0,4%, enquanto a portuguesa manteve um crescimento de 79,4%, superando a generalidade das praças europeias.

As taxas de variação do último ano e do último mês indicam um crescimento mais acentuado na China (42,0% e 8,8%, respetivamente) do que nos EUA (18,5% e 2,2%). No entanto, esta diferença tem vindo a atenuar-se devido às tarifas impostas pelos EUA. As variações da última semana já colocam a China em território negativo, enquanto os EUA permanecem em terreno positivo.

A bolsa portuguesa, em qualquer uma destas comparações, apresenta resultados medianos. Numa economia de menor dimensão, o crescimento tende a ser moderado, o que, por sua vez, minimiza o risco de quedas acentuadas.


PS – Os valores referidos neste post foram lidos na data da sua publicação. Como os gráficos são dinâmicos, estes irão alterar-se.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Pessoas que talvez conheças

Hoje, enquanto me sentava no meu banco de jardim habitual, observando o mundo a passar – e, claro, a espreitar um pouco o que acontece no meu pequeno ecrã – dei por mim a pensar nas complexidades das relações humanas. Não tanto das que temos cara a cara, com o calor de um aperto de mão ou o riso partilhado num café. Pensei mais nas outras, das que vivem no mundo digital, neste nosso gigantesco mural chamado Facebook.

Tenho notado algo curioso ultimamente. Aqueles que chamamos de "amigos" virtuais, que aparecem nas nossas listas com cliques fáceis, por vezes desaparecem com a mesma facilidade. É o que se chama, na gíria, "desamigar". E, de onde estou, com uma perspetiva talvez um pouco diferente da maioria, é fascinante – e por vezes melancólico – observar.

Sempre fui alguém que sentiu o peso do "olhar" do outro. A vida ensinou-me que a "primeira impressão" é um palco onde todos tentam apresentar a sua melhor versão, como explicou Erving Goffman, sobre a forma como "gerimos a impressão" que causamos. Tentamos ser aceites, tentamos encaixar. E, por vezes, basta um traço, uma característica, algo que nos "desqualifique" aos olhos de alguns, para que essa aceitação seja posta à prova.

No Facebook, parece que este "palco" é ainda mais exigente. As pessoas curam as suas vidas em fotos perfeitas, atualizações de estado impecáveis e opiniões cuidadosamente moldadas. É uma busca constante pela "identidade virtual" ideal. Mas o que acontece quando alguém, consciente ou inconscientemente, deixa cair essa máscara? Ou, pior, quando a sua "identidade real" colide com o que é socialmente aceitável no universo digital?

Vejo "desamiganços" por todo o lado. Por motivos tão variados: uma opinião política demasiado forte, fotos que não agradam, uma frequência de partilhas que cansa, ou simplesmente a perceção de que já não há "ligação" com a pessoa. Mas, e se houver algo mais profundo? Algo que não é dito, mas que se sente? Aquela "marca" invisível que, no fundo, faz as pessoas hesitarem em manter-nos na sua "lista VIP" de amigos virtuais?

Não estou a referir-me a mim diretamente, mas fazendo uma observação mais vasta. No mundo offline, há quem evite quem não se encaixa. No mundo online, é ainda mais fácil clicar num botão e fazer com que alguém desapareça do nosso feed, como se nunca tivesse existido ali. É uma forma de "limpar o palco", de manter a própria "normalidade" intacta e de evitar qualquer "contaminação social" que possa vir de quem não se alinha com a nossa própria imagem ideal.

É uma dança delicada, esta das amizades digitais. Um lembrete de que, mesmo num mundo onde tudo parece ser sobre "conexão", a aceitação e a exclusão continuam a ser rituais poderosos, ditados por regras visíveis, mas frequentemente indizíveis. E, para quem observa de fora, com uma perspetiva talvez mais aguçada para os silêncios e as ausências, é um espelho fascinante da nossa própria humanidade.

E você, já pensou nas suas "amizades" digitais por este prisma?

domingo, 13 de julho de 2025

Os Estados Unidos continuam a ser o maior contribuinte da NATO

Na lógica da Guerra Fria, cada superpotência garantia a segurança na sua zona de influência, orgulhando-se os Estados Unidos da liderança do mundo capitalista.

Actualmente, no contexto de um mundo multipolar, os Estados Unidos continuam a ser o maior contribuinte em termos absolutos e como percentagem do PIB, mantendo a liderança nas despesas de defesa da Aliança, apesar do aumento significativo das despesas de defesa agregadas, na Europa e no Canadá, que passaram de 1,66% do PIB em 2022 para 2,02% em 2024. Este crescimento é particularmente acentuado após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 2022. Consequentemente, o número de aliados da NATO que cumprem ou excedem a meta de 2% do PIB em despesas de defesa aumentou dramaticamente, de apenas seis em 2021 para 23 em 2024.

Passar a gastar 5% do PIB em defesa até 2035, com 3,5% dedicados a requisitos de defesa essenciais e 1,5% a itens relacionados com a defesa, como infraestruturas críticas e cibersegurança, não é possível sem sacrificar o Estado Social, que dstingue a União Europeia dos Estados Unidos.

Gráfico Despesas de Defesa de Países Membros da NATO SELECIONADOS como Percentagem do PIB (2015-2024)

Gráfico Despesas de Defesa dos Países Membros da NATO como Percentagem do PIB (2015-2024)

terça-feira, 24 de junho de 2025

Um Mundo mais complexo e imprevisível


Gráficos e observações Google/Gemini.

De 1945 a 1989, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos e a União Soviética possuíam dezenas de milhares de ogivas nucleares. Havia uma preocupação constante com a possibilidade de um conflito nuclear em larga escala entre as duas superpotências, que poderia levar a um "inverno nuclear" e à aniquilação da Humanidade, pelo que o equilíbrio do terror assegurou a paz.

Em 1989, cinco países eram amplamente reconhecidos como potências nucleares (EUA, URSS, Reino Unido, França, China). Atualmente, esse número subiu para nove, com a inclusão de Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. A proliferação nuclear para mais países e em regiões com tensões latentes introduz novos e significativos perigos. O mundo não está necessariamente "mais perigoso" no sentido de uma ameaça iminente de aniquilação global, mas está, sim, mais complexo e imprevisível em termos de riscos nucleares localizados e da possibilidade de escalada de conflitos.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Quatro pensamentos

Em vez de se preocupar se vão gostar de si, pergunte-se se vai gostar deles.

Em vez de tentar dizer a coisa certa, veja se lhe dizem a coisa certa.

Em vez de procurar a aprovação deles, decida se está disposto a dar a sua.

99% dos julgamentos das pessoas têm mais a ver com elas do que consigo.

Inspirado em Mark Manson - Breakthroughs.

domingo, 1 de junho de 2025

Festa de aniversário numa família moderna

A festa de 4 anos da Ana foi um verdadeiro sucesso, muito graças à sua alegria contagiante e à fantástica colaboração de todos! A pequena Ana, apesar da idade, mostrou-se uma anfitriã exemplar, recebendo os convidados com beijinhos e sorrisos, agradecendo os presentes e partilhando as suas novas prendas com os amigos.
O trabalho em equipa foi fundamental, e a diversidade familiar da Ana revelou-se uma mais-valia. Todos se juntaram para que nada falhasse.

Ana: A principal responsável pela animação e receção dos convidados! Ela cumprimentou a todos com carinho, abriu os presentes com entusiasmo, agradeceu cada um deles e ainda fez questão de partilhar os brinquedos com as outras crianças. No ponto alto da festa, serviu o bolo com grande orgulho.

Pais da Ana (Pedro e Mariana): Os pilares da organização, coordenaram as tarefas principais, garantindo que tudo estivesse a postos.

Parceiros dos Pais (Núria e Nuno): Ajudaram em todas as frentes, com grande eficiência.

Avós (Avó materna e Avó paterna): As avós, cinquentinhas dinâmicas e sempre prontas a ajudar, deram um apoio precioso na organização geral e nos pormenores, como a preparação de alguns comes e bebes.

Tios e Tias (Irmãos dos pais e irmãos dos parceiros): Contribuíram ativamente para a festa, tanto na montagem e decoração do espaço, como no apoio às crianças e na garantia de que ninguém ficava sem um copo ou um salgado.

No fim, o ambiente de festa foi tão bom que a parte mais difícil foi decidir com quem a Ana passaria o dia seguinte!

sábado, 31 de maio de 2025

Objectivo atingido!

Foi necessário mudar a meta, para manter o equilíbrio... fui excessivamente ambicioso, mas é o fetichismo dos números!

terça-feira, 20 de maio de 2025

As escolas e os hospitais públicos a caminho do fim

Para a direita liberal, as escolas e os hospitais públicos retiram clientes aos privados, e portanto não se justificam numa economia de mercado.

Cotrim de Figueiredo deixou claro qual deverá ser o objecto da revisão constitucional. O folclore do preâmbulo pode manter-se, mas substantivamente, deve expurgar-se a Constituição de toda a organização económica que atribui ao Estado a obrigação de ser ele o prestador de serviços públicos.



Para quem ainda não percebeu, para os liberais a educação e saúde são dois bens como quaisquer outros. Quem quiser, que os compre. O Estado não terá nenhuma obrigação de intervir na economia, pelo que bastará cobrar impostos mínimos para assegurar as funções de soberania, ou Estado polícia.

A Escola Pública e o Serviço Nacional de Saúde são os pilares do Estado-Providência, ou Estado Social... Na óptica socialista promovem a equidade, mas na perspectiva liberal constituem uma despesa pública desnecessária.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Democracia vale-tudo

As eleições mostraram que o povo entende que cada um tem legitimidade para fazer a sua vidinha marimbando-se nas regras, que são boas para impor aos outros.

Desde que o Sócrates teve sucesso apesar de todas as aldrabices, mesmo académicas, entrámos num plano inclinado em que a ética passou a bem de luxo. O André foi mestre a cavalgar a onda anti-imigração, imitando as estratégias de vitimização de Trump. Preparem-se para aguentar um cigano mais perigoso que os que o levaram a ganhar espaço nos media.

sábado, 17 de maio de 2025

Mariana Mortágua



No final da campanha eleitoral, publicou uma mensagem de apelo ao voto, no final da qual refere as três propostas em que concentrou os esforços do Bloco.

Os tectos nas rendas justificam-se hoje, quando as casas foram transformadas em produto financeiro, reduzindo artificialmente a oferta. Assim, esta medida deveria ser complementada por outras que onerassem os especuladores que mantém indefinidamente os imóveis fechados, pressionando os preços e negando o direito à habitação a numerosas famílias. Porém, esta proposta foi mal explicada, e muitos a associarão a um congelamento de rendas, de má memória, porque iniciou o problema da habitação em Lisboa, ainda no Estado Novo, que a Revolução alargou ao resto do país. Como os preços das habitações não podiam acompanhar a subida generalizada dos preços, o mercado atrofiou-se porque deixou de ser rentável comprar imóveis para arrendar, e mesmo os remediados foram obrigados a comprar a sua casa mediante empréstimos bancários que os pregaram àquela dívida para o resto da vida;

Taxar os ricos também se justifica, porque é a única forma de manter a despesa do Estado social, mas foi igualmente mal explicada porque na comunicação social, o conceito de rico para o BE, parecia aplicar-se a quase toda a gente. Logo no início, deveria ter explicitado o conceito de riqueza e referir que o limite de 3 milhões de euros excluía praticamente toda a população, como explicou no final ao RAP (ver no vídeo, a partir de 08:00);



Dignificar o trabalho, aumentando os salários será a única forma de evitar que Portugal continue a transformar-se na China da Europa, mas é preciso explicar como alterar o perfil de especialização da economia, tarefa bem mais difícil que decretar aumentos do salário mínimo.

Boa sorte Mariana!

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Via Verde Estacionar não funciona com telemóvel desactualizado

Hoje tive problemas ao tentar pagar o estacionamento na aplicação.
Já em casa, consultando e site e verificando a APP descobri outros estacionamentos por pagar. O problema resolveu-se actualizando o número do telemóvel na APP e no site.
A sua actualização na APP deveria ser suficiente, até porque relativamente a outros dados, como a matrícula do veículo, a APP e o site sincronizam-se, como deveria suceder com todos os dados. Ainda por cima, o site apresenta vários campos para o mesmo dado, revelando um design pior pensado... por melhorar, numa Internet em construção.

domingo, 11 de maio de 2025

MARTIM MONIZ 2025 - Vídeo real ou encenado?

Dois furtos seguidos no mesmo ATM/Multibanco.

Como o Correio da Manhã deu conta da PSP ter detido um dos autores do assalto filmado junto a ATM no Martim Moniz em Lisboa, confirma-se que a realidade ultrapassou a ficção.

Não foi possível incorporar o post do vídeo partindo do Twitter porque o autor limitou as permissões. Por essa razão republiquei o vídeo, mostrando que o que fica uma vez na Internet, fica para sempre!





Num momento em que tanto se discute a criminalidade com base em percepções, criticando sempre as redes sociais por discursos de ódio, assinala-se este trabalho colaborativo entre as redes sociais e a polícia, baseado em factos.

Adenda

A PSP deteve os dois assaltantes, utilizando o vídeo captado pelas câmaras de um TVDE Tesla, que “serviu também como meio de prova e foi junto ao auto de detenção”, segundo o recordeuropa.com. Portanto quando o narrador do vídeo diz que telefonou... não passa de mais um armalhão em busca de cliques, a colocar-se no papel do motorista TVDE que ligou para a polícia.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Einstein

"Viver é como andar de bicicleta. É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio."
Albert Einstein


Li isto no Centro de Saúde, uma expressão adequada para recordar que a abordagem mais eficaz para um envelhecimento saudável e feliz é multifacetada, combinando hábitos de vida saudáveis, atividade física e mental, engajamento social e cuidados médicos preventivos. A ideia central é manter-se ativo e envolvido na vida, tal como Einstein metaforicamente descreveu ao comparar viver com andar de bicicleta.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Apagão

Wikipedia: "Eu sei tudo!"
Google: "Eu tenho tudo!"
Facebook: "Eu conheço toda a gente!"
Internet: "Sem mim vocês não são nada!"
IA: "Hummm... interessante. Pelos meus dados, 'saber', 'ter' e 'conhecer' são conceitos distintos com sobreposições complexas. E a 'existência' sem uma rede de comunicação global é uma questão filosófica debatível."


Electricidade: "Querem realmente continuar essa discussão?"

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Ver TV no PC - Todos os canais de sinal aberto na Web

Quando estava na NOS, podia ver televisão no computador através do site https://nostv.pt, mas a DIGI não tem nenhuma aplicação para a web, porque a DIGI TV só funciona em dispositivos móveis.

A primeira ideia foram os emuladores de android para instalar a DIGI TV no Windows, mas as várias tentativas não resultaram.

Finalmente, cheguei a uma solução com 2 passos simples:

1. Instalar a extensão Fast IPTV no Google Chrome;

2. Adicionar o link de canais de sinal aberto em Portugal: https://m3upt.com/iptv

Está feito. Basta ter Internet para ver TV!

Publicado no reddit.com/r/digipt/





Adenda:
Agradeço a quem indicou outra alternativa, mais simples ainda, que consiste em utilizar o Diretório de Streams Oficiais de Canais de Televisão em Portugal, no GitHub.

sábado, 26 de abril de 2025

Ser homem é acordar às 4 da manhã?

Nas democracias, a liberdade expressa-se como um produto da integração social e da regulamentação moral, mas na actualidade, na sociedade dos soundbites e dos cliques, o individualismo excessivo é a justificação mais plausível para muitas condutas estúpidas, como as actividades do Ashton Hall, que o Luís Pedro Nunes brilhantemente comentou.

Viva o 25 de Abril, que nos devolveu a liberdade de construirmos a nossa individualidade, mesmo que alguns desejem simplesmente exibir-se, seja lá como for. A Revolução dos Cravos mostrou quanto vale uma comunidade relativamente homogénea, com forte integração social, onde a generalidade dos indivíduos partilhavam os mesmos valores, língua, história, religião e cultura. Mostrámos ao Mundo como as sociedades podem mudar pacificamente.

Hoje, porém, vivemos numa sociedade excessivamente individualista, na qual os laços sociais são fracos, que paradoxalmente pode diminuir a liberdade, pois os indivíduos sentem-se isolados e desorientados... procurando simplesmente mais e mais cliques.



quarta-feira, 26 de março de 2025

O Whatsapp resolve o maior dos nossos receios!

A portabilidade foi implementada para dar aos consumidores a liberdade de mudar de operadora, sem o receio de perderem os seus números de telefone, muitas vezes associados a contactos pessoais e profissionais importantes.

Antes das tecnologias baseadas na nuvem, para não perdermos os contactos, estes eram copiados de cartão para cartão, frequentemente com a múltipla cópia de uns e a perda de outros. Hoje, quem não utiliza o Whatsapp? Quando mudamos o telemóvel no Whatsapp, todos os contactos ficam com o número actualizado! Já se sabia que os endereços de mail e os telemóveis salvos nos contactos do Google, não seriam perdidos, mas o Whatsapp foi mais longe, actualizando directamente o número em todos os contactos!

As mudanças mais trabalhosas nem o são assim tanto, considerando que se pode fazer uma nova CMD online, e que para actualizar o homebanking e o MBWAY basta ir a um MultiBanco. Nos outros sites, alguns podem ser mais chatos, mas todos permitem alterar o número online.

Se soubesse o que sei hoje, não teria pedido a portabilidade à DIGI, porque o Whatsapp resolve o maior dos nossos receios.

Já tem os serviços da DIGI?

A DIGI começou a publicidade porta a porta. Pela primeira vez vieram umas meninas perguntar se já utilizava os serviços da DIGI, e se estava satisfeito. Por acaso também tinham ligado a dizer que o novo número já estava activo.

No móvel, muita gente se queixa da necessidade de configuração manual da APN, mas levei isso na desportiva, recordando velhos tempos (1996...), em que configurava a internet, os clientes de mail, clientes de ftp, browsers, leitores de news,...escrevia horrorosas strings dos modens, e no fundo me recordava que fui mais jovem ;)

Ontem tinha passado uns 30 minutos a ligar para o SAC, para resolver problemas com as SMS’s. Depois comecei a mudar o móvel nos sites, na chave móvel e no homebanking. Foi o trabalho que tive porque a DIGI não realizou a portabilidade, como contratado, mas valeu a pena, porque sabe bem pagar apenas 30€/mês por um pacote até melhor que o anterior, que me levava 64€/mês.

Estou satisfeito com o serviço. Na Internet, já tinha dito na mensagem anterior que fiquei bastante melhor, tanto em velocidade como em estabilidade.

Na TV foi entretanto alargada a oferta de canais, incluindo os do grupo SIC e foi lançada a APP DIGI TV, que se instala tanto na smartTV como nos smartphones. As coisas vão mudando e vou aprendendo funções novas todos os dias. O telemóvel pode ser utilizado alternativamente aos comandos da box ou da TV, mas ainda não chegou o dia de poder escolher a programação por voz ;)

segunda-feira, 10 de março de 2025

Experiência de um utilizador que não recebe chamadas de voz desde novembro

Utilizador apaixonado por tecnologia, logo paciente, porque conhecedor de lançamento de produtos que nem passam da fase beta. Fui acompanhando com interesse a DIGI, desde que começou a falar-se do seu projecto, em sites como o 4gnews e o pplware. Por impedimentos do serviço não tive tempo no dia 5, mas a 6 de novembro assinei contrato com a DIGI, online, subscrevendo os três serviços: internet, tv e móvel.


Internet

A instalação da internet ficou marcada inicialmente para 18 de novembro, mas apenas se verificou a 28. O motivo foi simples, e fiquei muito agradado com este atraso.  Efectivamente, o antigo operador tinha estado anos a cobrar-me fibra, utilizando cabo coaxial. A DIGI só instalou os seus serviços após colocar cabos de fibra até minha casa, ganhando muitos pontos com a sua postura ética, de só vender fibra utilizando fibra. Pedindo ao antigo operador uma indemnização pelo tempo em que me venderam fibra através de cabo coaxial, consegui sair antes de terminar o período de fidelização, sem pagar a respectiva multa.  

Apesar de com antigo operador já ter internet a 500MB, passar a ter 1GB representou um salto significativo em termos de velocidade, e sobretudo em termos de estabilidade, porque o sinal nunca mais falhou, enquanto antigamente não passava uma semana sem falhas. É excelente o serviço internet da DIGI.


TV

A qualidade de imagem melhorou bastante, mas aquela box tem muitas limitações conhecidas que não vou referir, aguardando ansiosamente pelo lançamento da vossa APP.


Móvel – o busílis

Se soubesse o que sei hoje não teria pedido a portabilidade dos dois números: *90 (meu) e *28 (minha mulher). Estes nunca receberam chamadas de outras redes nem SMS OTP.

Não ficámos “incontactáveis”, como dizem os funcionários das outras operadoras, porque felizmente, hoje muitas APP’s substituem vantajosamente o serviço telefónico tradicional, com destaque para o WhatsApp.

Quanto a mensagens SMS OTP, por exemplo, o homebanking no site exige confirmações através destes códigos para algumas operações, mas felizmente podem realizar-se todas através da APP. Também estava habituado a utilizar a Chave Móvel com código por SMS, mas também passei a utilizar o código via APP, pelo que dei a volta nestas situações. Porém, há outros sites em que nunca mais consegui entrar desde que perdi as SMS OTP da NOS, bem como não sei quantas mensagens do SNS e de outros perdemos.

Lendo o fórum da DIGI na reddit e pesquisando pela internet concluí que os problemas poderiam estar relacionados com a portabilidade, decidindo pedir números novos para resolver o assunto de vez.

A 25/Fev pedi online um novo número, *27, para substituir o *90, desistindo de vez da portabilidade. Convencido de tinha tomado a opção certa, enquanto esperava este cartão, fui a uma loja da DIGI, a 01/Mar, buscar o cartão *44 para substituir o *28, ficando a minha mulher com o problema resolvido a 03/Mar, comprovando a minha teoria.

Quanto ao cartão que pedi online, os Correos espanhóis não o entregaram, apesar de terem estado aqui à porta, por duas vezes, porque eu não tinha o código! Esperei pela terceira entrega, que deveria ter sucedido dia 05/Mar (4ª-feira) porque entretanto já tinha mudado o contacto para receber a SMS num número da Lycamobile, mas desta vez nem os Correos enviaram o código. Assim, fui a uma loja física, garantir que trazia um novo cartão.  Na loja disseram-me que não podia pedir cartões novos assim! Deram-me um cartão em branco e fizeram uma chamada para o suporte, garantindo dia 07/Mar (6ª-feira) teria a segunda via do cartão a funcionar. Sábado, 08/Mar, passei uma hora ao telefone, 923 30 90 30, a ouvir aquela música ou a falar com certamente mais de 5 operadores, que iam passando a chamada entre si, porque o problema era com outro. Finalmente o último, disse que nº *27 se encontra na fila para activar, mas não podia fazer mais nada, a não ser esperar. Hoje, 10/Mar (2ª-feira), enquanto esperava, resolvi passar a escrito a minha experiência.  

A oferta da DIGI é muito boa, mas são amadores em muitos aspectos. Veja-se o marketing. Dizem que tem pacotes desde 27€/mês, mostrando imediatamente abaixo um pacote por 26€/mês. Nenhum outro operador teria uma falha destas. 

A MENSAGEM FOI ACTUALIZADA QUANDO O PROBLEMA FICOU RESOLVIDO! ACIMA!

Mensagem publicada no Forum https://www.reddit.com/r/digipt/ - ligação aqui

sábado, 8 de março de 2025

O excesso da “demanda” como causa da inflação

Na unidade 4 do 10º ano, Comércio e moeda, explica-se entre outros aspectos, que o excesso da procura é uma das causas da inflação:
  • “Por exemplo, suponhamos que na loja só resta um CD e que tu e todos os teus amigos o querem comprar. O vendedor irá provavelmente aumentar o preço do CD porque sabe que a procura é muita e que pode conseguir mais dinheiro por ele.” (Brochura do BCE)
Muitos professores desatinavam com a prática dos estudantes que consistia em confrontarem as suas informações com o Google, aspecto que nunca me perturbou, mas agora há um verdadeiro elefante dentro da sala, que não pode ser ignorado: os chatbots de IA. Como têm resposta para todas as perguntas, oferecem informações e entretenimento de forma mais rápida e atraente que qualquer professor, levando a que os alunos sintam cada aula como uma “seca” e deixem os professores a falar para as paredes.

Imaginem que explicaram o excesso da procura como causa da inflação, como têm explicado sempre, como vem em todas as obras de referência e em todos os manuais. Só que desta vez, no teste, todos os alunos da turma explicaram o excesso da “demanda”... e após confrontarem a turma com estas respostas ainda algum palerma observou:

- Mas professor, procura ou demanda não são a mesma coisa?

quarta-feira, 5 de março de 2025

Continuamos no pântano. É o que temos!

Em Portugal, a alternância tem sido entre o PS e o PSD.

Estamos numa fase em que nem o Governo é digno da aprovação de uma moção de confiança, nem a oposição deseja aprovar uma moção de censura. Ficam naquela langonhice… não entra nem sai de cima. Algo que Guterres celebrizou, chamando-lhe "pântano político".

terça-feira, 4 de março de 2025

O fato e a t-shirt

O fato, historicamente, é um símbolo de conformidade com normas sociais e profissionais. Ao usá-lo, o indivíduo demonstra que está ciente e disposto a seguir as regras do jogo, a se adequar a um determinado contexto, seja num casamento, num funeral, num emprego ou no circo da AR. O fato pode ser visto como uma espécie de armadura social, uma forma de representar um papel, seja ele o de profissional competente, de pessoa elegante e respeitável, ou de membro de um determinado grupo ou gangue.

A t-shirt, por outro lado, é uma peça de roupa muito mais pessoal e expressiva. Ela permite que o indivíduo mostre sua individualidade, seus gostos, suas preferências e até mesmo suas convicções, adequando-se a ambientes onde pode relaxar, ser ele mesmo, sem a necessidade de se preocupar com formalidades. A t-shirt expressa descontração, informalidade, conforto e autenticidade.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Estamos fartos da política com truques

Miguel Morgado expôs brilhantemente porque cresce o fosso entre os políticos e o interesse da população pela política.
Parece que as pessoas estão a ficar fartas da política com truques um pouco por todo o lado... e acabam por votar em quem não merece.
Trump e Putin são o expoente máximo da política com truques. Só são mais perigosos porque se encontram sentados nos arsenais nucleares.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...