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domingo, 14 de dezembro de 2025

Too Big to Fail: Inside the Battle to save Wall Street

"Too Big to Fail" é um best-seller de não-ficção que oferece um relato detalhado e minuto a minuto dos bastidores da crise financeira de 2008, vista através dos olhos dos CEOs das maiores instituições de Wall Street e dos principais reguladores e decisores políticos em Washington.

📌 Foco Principal

O livro concentra-se no período que antecedeu a falência do banco de investimento Lehman Brothers em setembro de 2008 e nas semanas que se seguiram, quando o sistema financeiro global estava à beira do colapso.

🎬 A Trama e os Personagens

Sorkin, um colunista financeiro do The New York Times, utiliza acesso sem precedentes para recontar as reuniões tensas, as chamadas telefónicas frenéticas e as decisões de alto risco tomadas pelos principais intervenientes:

  • Henry "Hank" Paulson: O Secretário do Tesouro dos EUA, que liderou os esforços do governo para conter a crise.

  • Ben Bernanke: O Presidente da Reserva Federal (Fed), que trabalhou ao lado de Paulson para estabilizar o sistema.

  • Timothy Geithner: O Presidente do Federal Reserve Bank de Nova York.

  • Dick Fuld: O CEO do Lehman Brothers, cuja recusa em vender o banco a qualquer custo é um ponto central da narrativa.

  • CEOs de outros grandes bancos, como Goldman Sachs, Merrill Lynch, Morgan Stanley, e J.P. Morgan Chase.

📉 Os Pontos-Chave da Crise

  1. A Decisão do Lehman Brothers: O livro detalha as negociações frenéticas para encontrar um comprador para o Lehman Brothers. A decisão final de Washington de não resgatar o banco (deixando-o falir) é retratada como o momento que desencadeou o pânico total nos mercados.

  2. O Resgate da AIG: Em contraste com o Lehman, o governo considerou a seguradora AIG Too Big to Fail (Grande Demais para Quebrar) e realizou um resgate maciço para evitar um colapso ainda mais catastrófico.

  3. A Batalha para Estabilizar o Sistema: Sorkin narra os esforços desesperados para salvar outras instituições, como Merrill Lynch (vendida ao Bank of America) e Morgan Stanley, e a aprovação do TARP (Troubled Asset Relief Program) pelo Congresso, um programa de resgate de 700 mil milhões de dólares para comprar ativos tóxicos dos bancos.

  4. A Cultura de Wall Street: A obra expõe a arrogância, a competição e a desconfiança entre os líderes de Wall Street, muitos dos quais acreditavam que as suas instituições eram invulneráveis e que foram forçados a enfrentar a realidade de um colapso iminente.

💡 Conclusão

O livro é um thriller de não-ficção que não só relata a cronologia dos eventos, mas também explora o dilema moral e económico da intervenção governamental: o que acontece quando uma instituição financeira é tão grande e interligada que a sua falência ameaça toda a economia global? Sorkin oferece uma perspetiva privilegiada sobre o drama humano e as maquinações políticas nos bastidores da crise que redefiniu o capitalismo moderno.

1929: Inside the Greatest Crash in Wall Street History — and How It Shattered a Nation

O livro que Andrew Ross Sorkin escreveu com o título "1929" tem o subtítulo "The Inside Story of The Greatest Crash in Wall Street History" (A História Secreta do Maior Colapso na História de Wall Street).

O livro é um relato detalhado e imersivo sobre a Grande Queda da Bolsa de 1929 (o famoso Crash de Wall Street) que levou ao início da Grande Depressão.

📜 O Conteúdo Central de "1929"

  • O Colapso de 1929: O foco principal é a queda do mercado de ações em 1929, que eliminou fortunas e deu início a uma depressão que redefiniu uma geração.

  • Narrativa de Bastidores: Sorkin utiliza um acesso incomparável a registos históricos e documentos recém-descobertos (fruto de oito anos de pesquisa, incluindo correspondência pessoal e documentos não publicados) para levar os leitores para dentro do caos do crash.

  • Personagens e Psicologia: A história é contada através das ações dos principais protagonistas, incluindo banqueiros de Wall Street, especuladores e políticos em Washington. O livro explora a ambição, a ganância, o otimismo cego e a ingenuidade que dominaram a época.

    • Um foco notável é a representação de figuras como Charles Edwin Mitchell, presidente do First National City Bank (precursor do Citibank), retratado por Sorkin como uma figura que arriscou o seu banco e os seus bens pessoais para tentar sustentar o mercado.

  • O Tema Recorrente: "1929" aborda o poder, a psicologia do mercado e a "ilusão sedutora de que 'desta vez é diferente'". Trata-se de alarmes desconsiderados e de céticos que foram ignorados.

  • Ligação com o Presente: O livro sugere que os altos e baixos dessa era refletem inquietantemente o mundo atual, onde os mercados sobem e as tensões financeiras persistem. A obra é vista como um "projeto crucial para entender os ciclos de especulação" e os sinais de alerta que são ignorados.

Em suma, "1929" é uma história eletrizante e minuciosa do colapso mais crucial do mercado de todos os tempos, contada com o drama de um thriller e a profundidade de uma história clássica. É o segundo grande livro de Andrew Ross Sorkin sobre crises financeiras, após o sucesso de Too Big to Fail (sobre 2008).

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Pensões vitalícias de ex-políticos vão ser poupadas

A austeridade é só para a arraia-miúda, não para os políticos. Já sabíamos.

A justificação estúpida para para serem cortedas estas pensões.... é que são pagas "em 12 parcelas mensais, sem hipótese de se cortar nos subsídios".

Pensam que somos estúpidos? Não podiam criar uma taxa com efeito equivalente ao corte de 2 meses?

Medidas destas só fomentam e justificam a ira popular, que convinha evitar.

Realmente, atendendo ao modo 'Como os políticos enriquecem em Portugal', creio que já se fizeram pagar bem acima do que seria justo, e poderiam cortar-lhes integralmente os 12 meses.

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/pensoes-vitalicias-de-ex-politicos-vao-ser-poupadas=f681389#ixzz1b8CpKfps

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Banco Central Europeu - explicado como se fosse às crianças


QUE É O BCE?

- O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.


E DONDE VEIO O DINHEIRO DO BCE?

- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuíram com 30%.


E É MUITO, ESSE DINHEIRO?

- O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.


ENTÃO, SE O BCE É O BANCO DESTES ESTADOS PODE EMPRESTAR DINHEIRO A PORTUGAL, OU NÃO? COMO QUALQUER BANCO PODE EMPRESTAR DINHEIRO A UM OU OUTRO DOS SEUS ACCIONISTAS.

- Não, não pode.


PORQUÊ?!

- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.


ENTÃO, A QUEM PODE O BCE EMPRESTAR DINHEIRO?

- A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.


AH PERCEBO, ENTÃO PORTUGAL, OU A ALEMANHA, QUANDO PRECISA DE DINHEIRO EMPRESTADO NÃO VAI AO BCE, VAI AOS OUTROS BANCOS QUE POR SUA VEZ VÃO AO BCE.

- Pois.


MAS PARA QUÊ COMPLICAR? NÃO ERA MELHOR PORTUGAL OU A GRÉCIA OU A ALEMANHA IREM DIRECTAMENTE AO BCE?

- Bom... sim... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!


AGORA NÃO PERCEBI!!

- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.

MAS ISSO ASSIM É UM "NEGÓCIO DA CHINA"! SÓ PARA IREM A BRUXELAS BUSCAR O DINHEIRO!

- Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.


ISSO É UM VERDADEIRO ROUBO... COM ESSE DINHEIRO ESCUSAVA-SE ATÉ DE CORTAR NAS PENSÕES, NO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO OU DE NOS TIRAREM PARTE DO 13º MÊS.

As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada?


MAS QUEM É QUE MANDA NO BCE E PERMITE UM ESCÂNDALO DESTES?

- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.


ENTÃO, OS GOVERNOS DÃO O NOSSO DINHEIRO AO BCE PARA ELES EMPRESTAREM AOS BANCOS A 1%, PARA DEPOIS ESTES EMPRESTAREM A 5 E A 7% AOS GOVERNOS QUE SÃO DONOS DO BCE?

- Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6%, a 7 ou mais.


ENTÃO NÓS SOMOS OS DONOS DO DINHEIRO E NÃO PODEMOS PEDIR AO NOSSO PRÓPRIO BANCO!...

- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.


MAS, E OS NOSSOS GOVERNOS ACEITAM UMA COISA DESSAS?

- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.


MAS ENTÃO ELES NÃO ESTÃO LÁ ELEITOS POR NÓS?

- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século para cá. Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.


E ONDE O FORAM BUSCAR?

- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?...


MAS METERAM OS RESPONSÁVEIS NA CADEIA?

- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.


E ENTÃO COMO É? COMEMOS E CALAMOS?

- Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...


A publicação deste texto em vários blogues deixa claro que o modelo de funcionamento do sistema financeiro é em si mesmo a origem dos problemas... pelo que não deveremos contar com ele para "soluções"..

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Deolinda - Parva que sou!




Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

O êxito desta canção surpreendeu autores e interpretes. É referida este fim-de-semana em toda a imprensa, e tem sido republicada nos blogues e nas redes sociais. Conquistou imediatamente o público porque a juventude e amplos sectores dos adultos mais jovens se identificam com a letra, já considerada de intervenção. O grande problema de agora é que a Revolução já está feita! Mind This Gap mostra que quem  estudou pode votar com os pés.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Só Porto Rico e a Grécia terão um crescimento mais negativo que Portugal em 2011

Era difícil imaginar um cenário pior. Só duas economias do Mundo não se afastarão de Portugal, em termos da riqueza produzida, ou Produto Interno Bruto (PIB). A fonte desta previsão é o Economist Intelligence Unit, publicado no The Economist.

Entre as economias que mais crescem não se apresenta nenhuma locomotiva europeia, nem os Estados Unidos. Destacam-se por volta dos 9% China e Índia. Qatar, Gana e Mongólia ocupam as primeiras posições da tabela.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Crise Financeira

Os sujeitos económicos agiram racionalmente, tomando as melhores decisões para a satisfação das suas necessidades egoístas, mas do conjunto das suas acções não terá resultado uma utilização eficiente dos recursos, postulada por Adam Smith. Os mercados entraram em roda livre. Será necessário repensar a Economia.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A crise financeira de 2008



Segundo a Newsletter do ActivoBank7 a crise financeira iniciada no Verão de 2007 nos EUA, com origem no mercado de crédito imobiliário de alto risco (subprime), transformou-se em 2008 na maior crise económica mundial das últimas décadas, colocando um ponto final numa era pautada por excessos na concessão de crédito e pela reduzida intervenção dos Governos nos mercados financeiros.

As cotações nos mercados accionistas não pareciam caras no início do ano, tendo presente que nos 5 anos anteriores se haviam limitado a acompanhar a subida dos resultados das empresas, não se verificando a euforia habitualmente associada a “picos” de mercado, como a do final dos anos 90 com as acções tecnológicas do Nasdaq.

Depois de dois “sustos” no início de 2008, em Janeiro e em Março, o último dos quais associado à possível falência do banco de investimento Bear Stearns, a qual foi evitada pela intervenção da Reserva Federal norte-americana (Fed), os investidores interiorizaram que as instituições mais importantes para o sistema financeiro internacional seriam “demasiado grandes para falir”, e essa confiança renovada foi suficiente para que, em meados de Maio de 2008, os principais mercados accionistas estivessem muito próximos dos valores do início do ano.

Ainda que durante o Verão tivessem surgido crescentes preocupações quanto à sustentabilidade do crescimento económico global (o que implicou o início da quebra do preço da generalidade das matérias-primas), o momento chave do ano foi vivido no dia 15 de Setembro, data da falência do banco de investimento Lehman Brothers, a qual foi decisiva para eliminar por completo a confiança que os agentes económicos ainda tinham, com efeitos negativos imediatos nos níveis de consumo, investimento e produção.

O aumento exponencial da aversão ao risco levou a um processo sem precedentes de desalavancagem (venda de activos para liquidação de operações de crédito), tendo os mercados accionistas perdido cerca de um terço do seu valor em apenas 2 meses, com níveis de volatilidade sem precedentes. Os mercados de obrigações de empresas foram ainda mais afectados: aos preços actuais, os investidores antecipam uma recessão económica com uma magnitude apenas comparável à da Grande Depressão de 1929 a 1933.


Fonte: Bloomberg; ActivoBank7; data mais recente: 26 de Dezembro de 2008
Nota: MSCI World (mercados desenvolvidos), MSCI Emerging Markets (mercados emergentes)

Observando o gráfico, ainda não é certo que se tenha atingido o ponto mais baixo da recessão, não havendo qualquer consenso entre os analistas quanto ao possível momento de início de retoma de um novo ciclo de crescimento.


Referimos igualmente no início do ano que se esperava uma maior resiliência dos mercados emergentes face a anteriores crises económicas, uma vez que os mesmos estão actualmente menos dependentes das exportações para os países desenvolvidos e apresentam mesmo reservas cambiais de valor superior ao daqueles países.

Como podemos ver no gráfico acima representado, a performance dos mercados accionistas emergentes mostrou-se resiliente até meados de Julho, face aos seus congéneres desenvolvidos, mas tornou-se mais frágil a partir de então, num contexto de forte quebra dos preços das matérias-primas (das quais muitos são exportadores), de agravamento da crise económica global e sobretudo de extrema aversão ao risco e de fuga dos investidores estrangeiros, penalizando todos os mercados, sem grandes diferenças.

Afirmámos também que «o principal obstáculo à acção dos Bancos Centrais, pressionados pela necessidade de adoptar uma política monetária mais expansionista (redução de taxas de juro) é o ressurgimento de pressões inflacionistas, em especial devido ao aumento significativo dos preços da energia e dos bens alimentares.». Com efeito, o aumento dos preços das matérias-primas até Julho (quando o petróleo atingiu um máximo histórico nos 147 dólares) condicionou a actuação das autoridades monetárias. O Banco Central Europeu (BCE) optou mesmo por subir a sua taxa de referência em 0,25% no dia 9 de Julho, num cenário de abrandamento económico.

Desde o início de Outubro de 2008, temos assistido a uma intervenção coordenada dos Governos a nível global, nomeadamente através de medidas de recapitalização de instituições bancárias, de injecções massivas de liquidez nos mercados monetários e de garantia de empréstimos interbancários que, acompanhada da redução das taxas de juro de referência, permitiu já uma significativa descida das taxas de juro no mercado interbancário: as taxas Euribor a 3 e a 6 meses (as mais utilizadas nos contratos de crédito à habitação) desceram já cerca de 2,40% em relação aos máximos de Outubro, o que permitirá aliviar de forma significativa as prestações a partir do início de 2009.



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