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sábado, 6 de dezembro de 2008

II Memorando de Entendimento: Um diálogo de surdos


Mário Nogueira já tinha ficado refém de Milu quando assinou o I Memorando de Entendimento com ME em Abril de 2008, que oferecia à Ministra a tranquilidade que desejava na aplicação do modelo DR 2/2008, visto que este só seria objecto de revisão em Junho e Julho de 2009, segundo o ponto 5. do referido acordo:

  • 5. Durante os meses de Junho e Julho de 2009 terá lugar um processo negocial com as organizações sindicais, com vista à introdução de eventuais modificações ou alterações, que tomará em consideração a avaliação do modelo, os elementos obtidos até então no processo de acompanhamento, avaliação e monitorização de primeiro ciclo de aplicação, bem como as propostas sindicais.


Acontece que a educação não é um negócio entre o ME e os sindicatos, e como o modelo é mesmo irrealista, os professores manifestaram-se pela blogoesfera fora, forçaram os sindicatos a romper com o I Memorando de Entendimento, e a avançar para a discussão do novo Estatuto da Carreira Docente, que transformou o anterior tempo livre dos docentes em trabalho gratuito que lhes é exigido agora de vários modos (aulas de substituição, cargos, papelada...).

Com o II Memorando de Entendimento, os sindicatos ofereceram ao ME 10 dias de tréguas até dia 15, certamente à espera que se aproxime o final do período lectivo e a correspondente desmobilização. A justificação que a FENPROF apresenta no seu site é evidentemente excessiva. Diz que finalmente nessa reunião “tudo estará em cima da mesa, pela primeira vez”!

A melhor prova de que o ME continua com a mesma arrogância de sempre foi o mail com que nos brindou novamente, insistindo no “prosseguimento” em todas as escolas da avaliação do desempenho, quando todos sabemos que o processo se encontra de facto parado. Evidentemente que este Governo não mudará esta política, visto que até está a subir nas sondagens, pois fazer os professores trabalhar de borla agrada à populaça.



from DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt
to
date 5 December 2008 21:53
subject Esclarecimento - Avaliação de desempenho
mailed-by dgrhe.min-edu.pt


Esclarecimento

1 - Chegou hoje ao fim o processo de negociação das medidas tomadas pelo Governo no dia 20 de Novembro para facilitar a avaliação do desempenho dos professores.

2 - Os sindicatos neste processo não apresentaram qualquer alternativa ou pedido de negociação suplementar, pelo que o Ministério da Educação (ME) dá por concluídas as negociações, prosseguindo a aprovação dos respectivos instrumentos legais.

3 - O ME, mantendo a abertura de sempre, que já conduzira ao Memorando de Entendimento com a plataforma sindical (ver infra), respondeu positivamente à vontade dos sindicatos, expressa publicamente, de realização de uma reunião sem pré-condições, isto é, sem exigência de suspensão da avaliação até aqui colocada pelos sindicatos. Foi por isso agendada uma reunião para o dia 15 de Dezembro, com agenda aberta.

4 - Os sindicatos foram informados que o ME não suspenderá a avaliação de desempenho, que prossegue em todas as escolas nos termos em que tem vindo a ser desenvolvida.


Informação complementar

1 - "Uma avaliação séria melhorará a escola" - discurso da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, na Assembleia da República, em debate sobre a avaliação de desempenho, em http://www.min-edu.pt/np3/2923.html.

2 - Notas sobre um modelo de avaliação que protege os professores, em http://www.min-edu.pt/np3/np3/2905.html.

3 - Dossier Avaliação do Desempenho Docente, em http://www.min-edu.pt/np3/193.

4 - Memorando de Entendimento entre o Ministério da Educação e os sindicatos em http://www.min-edu.pt/np3/1900.html.


Lisboa, 05 de Dezembro de 2008.



Comparando o texto da FENPROF com o mail do ME, só me resta uma dúvida:

Falam a mesma língua?



Como pode estar tudo em aberto, mantendo o ME que não suspenderá a avaliação de desempenho, que prossegue em todas as escolas nos termos em que tem vindo a ser desenvolvida?



A verdade é que Milu ficou aliviada da pressão das greves... mas eu certamente não darei um cêntimo para o peditório da FENPROF.

Evidentemente que é absurdo permitir mudar e até substituir o modelo de avaliação do desempenho e ao mesmo tempo exigir a sua aplicação instantânea. Com a Ministra fragilizada, os sindicados poderiam fazer melhor que dar-lhe os trunfos da trégua.

Hoje veremos a resposta que tem para isto o Teatro José Lúcio. Os professores precisam mesmo dos sindicatos para manterem até à vitória a luta pelos seus objectivos?

domingo, 9 de novembro de 2008

8 de Novembro/08 – Uma manifestação de 120.000 professores


Os sindicatos estavam aprisionados a um memorando de entendimento com o ME, que os forçava a irem-se mantendo calados enquanto decorresse a implementação do modelo de avaliação do desempenho, reservando-se a sua intervenção para a avaliação do próprio modelo, e eventual redefinição do seu desenho, para o aperfeiçoarem ;)

A Ministra da Educação recordou que umas das fontes de legitimação do modelo de avaliação resulta precisamente do referido acordo com os sindicatos.



A Ministra da Educação continua a dizer que a implementação do modelo de avaliação do desempenho decorre com normalidade nas escolas porque as lentes que usa não lhe permitem ver as realidades. Não lhe permitem ver a enorme sobrecarga de trabalho, o sofrimento, a desautorização, o esgotamento, a adulteração da missão do professor, os prejuízos para o ensino e as aprendizagens. Prefere acreditar no que relatam as “equipas de apoio às escolas” (bela ironia…), e nas brigadas de emergência, ou mesmo no que dizem ao telefone os conselhos executivos. (Terrear)

Porém os blogues - designadamente Ramiro Marques, Matias Alves, Paulo Guinote e Ilídio Trindade - não estavam aprisionados a qualquer acordo e puderam dar expressão ao descontentamento dos docentes, que teve o seu ponto mais alto com a marcação de uma manifestação pelos movimentos dos blogues (MUP e APEDE) para 15 de Novembro.

Para evitarem ser ultrapassados na sua especialidade – representação dos professores – os sindicatos não tiveram outro remédio senão denunciar o memorando de entendimento com o ME e convocar uma manifestação que esvaziasse de conteúdo a de 15 de Novembro. Assim nasceu a manifestação de dia 8 de Novembro, que os sindicatos organizaram cavalgando a onda dos blogues, para não ficarem desautorizados por estes. Os sindicatos convocaram a manifestação de dia 8 alegando que dia 15 já seria tarde! Apesar de ter nascido torta, terá juntado 120.000 professores, batendo a Marcha da Indignação. Será que no próximo sábado este número voltará a ser batido? A arrogância e ignorância que permitem à Ministra da Educação afirmar que não há mais nenhum modelo de avaliação do desempenho, merecem uma resposta à altura: ultrapassar no próximo dia 15 a manifestação de ontem.



Promotores da Manifestação de professores originalmente marcada e que continua a ser promovida para 15 de Novembro

domingo, 13 de abril de 2008

Memorando de Entendimento

Fica aqui arquivado o documento - Backup do Documento - assinado entre o ME e a FENPROF, que inventou o procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduzido aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação, quando obrigatória e desde que existisse oferta financiada nos termos legais.

ME e Sindicatos clamaram vitória, como se tivessem chegado a alguma coisa. Apenas compreendo que ambos os lados precisassem de salvar a face. O nome que deram ao documento indica bem que apenas se trata de uma declaração de princípios sobre banalidades.



Tendo em consideração esta "simplificação", o trabalho que eu tinha no tempo das "progressões automáticas" era estupidamente excessivo. Ver Relatório Crítico de Actividades - Julho de 1997.

É incrível como as pessoas mudam em função das situações e dos papéis que são chamados a desempenhar. Durão Barroso, passou de jovem maoísta eme-erre-pum-pum a servidor dos interesses americanos, e até descobriu a "utilidade" da Guerra contra o Iraque ;)



Milu, também passou pela escola eme-ele, tendo-se tornado recentemente o expoente máximo da defesa do neoliberalismo na educação. Ver testemunho do professor Raul Iturra e artigo sobre a agenda oculta para a educação.

O texto não representa nenhum acordo, porque o ME continua com a sua agenda, e os Sindicatos voltarão a exigir novas simplificações do DR nº 2/2008. Recorda-se que o Memorando o prevê a abertura de diversos "processos negociais". Neste sentido entenderam-se para uma breve trégua...

Portanto, neste caso, o título do PÚBLICO é enganador:



Paradoxalmente, a imagem transmitida para a opinião pública por ambas as partes é de satisfação com o "trabalho realizado". Só que as posições estavam (e continuam) extremadas... Seria a mesma coisa que no final de um jogo de futebol ganharam ambas as equipas ;)

Os Sindicatos já deixaram o aviso:

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...