Recuemos a 2009. Naquela época, o computador de secretária — o famoso desktop, com a sua torre pesada, uma floresta de cabos por trás e um monitor que ocupava metade da mesa — era o rei incontestado das casas. Nada menos do que 58% dos utilizadores dependiam desse trambolho cinzento para ver os e-mails ou abrir uma página Web que demorava segundos a carregar. Os computadores portáteis (46%) e os primeiros netbooks (lembram-se dessas miniaturas lentas?) tentavam ganhar terreno, enquanto os smartphones eram uma excentricidade de nicho, usados por uns modestos 23% da população móvel. Navegar na internet era um acto estático: exigia sentarmo-nos numa cadeira específica da casa.
Dezassete anos depois, o panorama de 2026 decretou a extinção em massa destes dinossauros de secretária. O desktop foi empurrado para as margens da história, restando a uns escassos 15% de utilizadores, a maioria profissionais de nicho ou entusiastas de jogos pesados.
Quem herdou a terra? A mobilidade total. O computador portátil fixou-se nuns saudáveis 78%, tornando-se a ferramenta de trabalho padrão. Mas o verdadeiro rolo compressor foi o smartphone, que hoje regista uma penetração absurda de 94%. O telemóvel deixou de ser um acessório para passar a ser, essencialmente, o nosso primeiro e principal computador.
A grande ironia desta mudança de hardware reflecte-se directamente na nossa rotina doméstica. Em 2009, quando a internet morava no ecrã fixo da secretária, apenas 42% das pessoas acediam várias vezes ao dia. Em 2026, com o computador enfiado no bolso das calças e levado para todo o lado (inclusive para a mesa de cabeceira ou para o sofá), o "Sempre Ligado" atingiu uns brutais 92% de presença constante.
Libertámo-nos dos cabos e da secretária, mas ficámos irremediavelmente presos ao ecrã que trazemos na palma da mão.
