domingo, 25 de outubro de 2026

Não Havia Necessidade: Resolver a Crise da Habitação à Bastonada

Não havia necessidade… de tanto exagero! Afinal, quem diria que umas inocentes tendas de campismo armadas no Rossio e na Praça D. João I constituíam uma ameaça tão grave à soberania nacional?

Depois de dezenas de milhares de cidadãos terem descido pacificamente a Avenida da Liberdade e ocupado as praças em defesa do direito à habitação, as autoridades decidiram que o verdadeiro flagelo do país não era a especulação imobiliária ou a incompatibilidade entre as rendas e os salários, mas sim... a lona. Sim, foram precisas forças especializadas para lidar com um total de 171 estruturas de acampamento (117 em Lisboa e 54 no Porto).

E que demonstração de eficácia! Mobilizar cerca de 30 carrinhas do Corpo de Intervenção, com elementos armados com escudos, bastões, tasers, shotguns e acompanhados por cães, para desmantelar tendas a partir da uma da manhã é obra de uma subtileza incomparável. Segundo os dados oficiais da PSP, a operação fez apenas 11 feridos — incluindo três polícias, um deles alegadamente atingido por um canídeo de um manifestante — e resultou em 31 detidos por desobediência. Já os movimentos sociais e médicos no terreno pintam um cenário ligeiramente mais dramático, apontando para cerca de 60 feridos (com mais de 20 pessoas a necessitar de atendimento no Hospital de São José). Mas que importam os feridos quando a ordem pública e a circulação nas praças foram restabelecidas em escassos minutos?

Ora, é aqui que reside a verdadeira ironia. Não havia necessidade de criar políticas públicas de habitação sérias e compatíveis com os salários reais dos portugueses, quando se pode simplesmente resolver o problema com uma carga policial histórica que correu manifestantes de todas as gerações rua abaixo até ao Terreiro do Paço ou ao Martim Moniz. Para quê perder tempo a legislar sobre habitação acessível, se o Estado pode demonstrar a sua força com dezenas de agentes prontos a carregar sobre quem apenas entoava “O Povo Unido Jamais será vencido”?

Os manifestantes responderam com o mote “Mais casas, menos bastão”, mas a mensagem parece clara: enquanto as políticas habitacionais continuarem a falhar aos trabalhadores, o orçamento do Estado continuará a investir em equipamento de choque. Como os cidadãos prometeram voltar no dia seguinte, fica a certeza de que a única coisa que teima em não aparecer na praça pública é uma solução à altura da dignidade de quem procura uma casa para viver.


COMUNICADO DA ACAMPADA LISBOA

Na madrugada de hoje, 25 de Outubro, dezenas de manifestantes foram brutalmente agredidos pela polícia de intervenção. Destes, mais de 20 foram para o Hospital de São José e muitos outros foram assistidos no local pela equipa de cuidados da Acampada. Depois, fomos perseguidos durante horas pela baixa da cidade – Praça da Figueira, Martim Moniz, Rua da Palma, Mouraria, Intendente, Graça – com cães e balas de borracha, mostrando que o objectivo não era apenas tirar as nossas tendas do Rossio, mas sim encurralar-nos e fazer-nos sentir medo. Neste momento, encontram-se cerca de 30 pessoas detidas.

Depois de uma manifestação que reuniu milhares de pessoas em marcha, entre o Marquês de Pombal e a Praça do Rossio, a Acampada reergueu as suas infraestruturas, entre a montagem de mais de 100 tendas, programação cultural gratuita, realização de assembleia e cantina popular pronta a servir comida a quem viesse tomar o Rossio enquanto lugar simbólico de uma luta pelo acesso à habitação em Portugal.

Para muitas das pessoas que aderiram a esta forma de protesto e reivindicação, a tenda transcende já o carácter simbólico: trata-se da solução possível para a qual estamos a ser empurradxs quando deixamos de poder pagar a renda de uma casa ou de um quarto.

Os primeiros dias da semana passada mostraram uma capacidade de organização sem precedentes, tanto em Lisboa como no Porto e nas demais cidades que se juntaram às Acampadas através de outros processos reivindicativos: afinal a cidade pode voltar a pertencer-nos.

A polícia, a mando da classe e projecto político que orienta a sua acção, oficializou a violência deliberada sobre manifestantes pacíficos, na tentativa de impedir a continuidade das suas justas reivindicações. Mas isso apenas revela que essa mesma classe política e os seus lacaios têm medo. Perante isso, reafirmamos que cá continuaremos, a dar corpo a uma luta imprescindível pelo direito a ter um tecto.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Da acampada à aconchada: a revolução que não abdica do xixi e da cama

Manifestantes acampados em forma de conchinha na Praça do Rossio sob o olhar das autoridades A revolução em formato aconchegado: protesto ao relento na Praça do Rossio.

Depois do alvoroço e das detenções da praça, a assembleia popular no Rossio deu uma lição magistral de dialéctica revolucionária. Percebeu-se, finalmente, que o derrube do capital e a exigência de habitação não exigem necessariamente o sacrifício de uma pneumonia ou o afrontamento do artigo do Código de Estrada que regula o ruído nocturno.

Passou-se, assim, da acampada à aconchada.

Perante a iminência da força pública e o aproximar da hora limite das 00h30, venceu a sensatez pátria: desarmaram-se as tendas, dobraram-se os duplos tectos com apuro técnico e decidiu-se protestar ao relento, bem juntinhos, no aconchego do colectivo. Criou-se até um novo slogan de intervenção socioafectiva — “polícia, alinha, vamos fazer conchinha” —, demonstrando que a luta de classes também se pode travar com ternura e cordão sanitário contra a brisa da madrugada.

A colaboração institucional atingiu o seu apogeu quando o camião da limpeza urbana entrou em cena. Em vez da barricada, optou-se pela cidadania exemplar: os manifestantes levantaram-se, contornaram a estátua de D. Pedro IV para deixar lavar o chão, e ainda se ofereceram para apanhar o lixo. Afinal, a revolução faz-se, mas com o chão limpo e sem estorvar os trabalhadores do município.

O senhor comandante da PSP delimitou as regras do jogo democrático: ruído zero, via circulável desimpedida para o trânsito e nada de privatizar a praça. Os cartazes ficaram, a Unidade Especial desmobilizou e o povo recolheu à conchinha. Como alguém bem lembrou da multidão a incentivar o deitar: “xixi, cama”.

A luta continua, sim senhora. Mas à portuguesa: sem desrespeitar os horários das limpezas, sem fazer barulho depois das duas da manhã e, acima de tudo, com o devido respeito pelo conforto de uma boa conchinha.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A geometria variável da lona: quando a tenda é legal... excepto se precisar de tecto

Ah, a bela e maleável geometria da lei portuguesa! É fascinante perceber como o Código da Tenda e o Regulamento do Espaço Público sofrem de uma admirável miopia dependendo de quem lá decide estender o colchonete.

Pois é, se farda a rigor — seja da PSP, da GNR ou dos bombeiros a marchar estoicamente por quarenta e tais dias —, a lona ganha automaticamente uma chancela constitucional de utilidade pública. Se a bandeira for a da restauração aflita em plena pandemia, ou os jovens da JSD preocupados com o tecto académico, a barraca é recebida com cordialidade democrática. Até a geopolítica mundial e a causa palestiniana conseguiram encontrar abrigo jurídico nos relvados universitários do Minho a Coimbra. E que dizer dos professores, que através do sindicato STOP montaram mais de trinta tendas no Rossio e no Largo do Carmo? Esses também mereceram a complacência dos calendários de protesto.

Mas cruzem-se os limites do pitoresco corporativo ou estudantil e o abismo abre-se: o cidadão comum, aquele que simplesmente se lembra de armar tenda porque o salário actual apenas lhe permite sonhar com a marquise de um T0, afinal comete um atentado à ordem pública. É obra de génio jurídico: o único acampamento verdadeiramente ilegal é, por pura ironia cósmica, aquele cujo tema é exactamente... a falta de habitação. Afinal, montar tenda na rua quando não se tem casa para onde ir é de uma ousadia imperdoável; as autoridades preferem claramente os desprovidos de abrigo por força maior aos desprovidos de tecto por protesto.

Diria Pierre Bourdieu que a tenda, afinal, é o mais subtil dos divisores de classe: convertida em capital simbólico institucional pelo habitus corporativo, a lona é saudada como exercício legítimo de cidadania; desprovida desse privilégio e erguida pela nua urgência da sobrevivência, converte-se instantaneamente no crime de expor, em praça pública, a violência das próprias condições de existência.

Inspirado na notícia da SIC Notícias.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

A Formulística do Milagre Imobiliário: Como Fazer Sobrar Casas e Faltar Tectos

Ilustração satírica sobre um adulto a trabalhar num portátil no seu quarto de infância enquanto analisa os preços da habitação O regresso forçado ao quarto de infância: quando a casa é um activo financeiro e o tecto um privilégio.

 Não há como não admirar a precisão matemática da nossa gestão nacional: Portugal consegue a façanha admirável de ter mais casas do que famílias e, simultaneamente, uma crise de habitação que faz a Idade Média parecer uma época de grande mobilidade imobiliária.

A receita é simples e baseia-se num equilíbrio magistral:

  1. A Casa como Obra de Arte Sem Uso: Para quê arrendar ou habitualmente ocupar um imóvel, correndo o risco de desgaste, quando se pode usá-lo como um activo financeiro que valoriza gloriosamente sozinho, fechado e a apanhar pó? É a magia do betão especulativo: quanto menos se usa, mais vale.

  2. A Lógica dos Doutos Legisladores: Quem melhor para desenhar a reforma da lei da habitação do que um conjunto de representantes que, por mero acaso, soma dezenas de milhões de euros em património e centenas de milhares em rendimentos prediais? Obviamente, trata-se de um altruísmo puro. Quem mais entenderia tão intimamente as dores do mercado do que os seus próprios senhorios? É reconfortante saber que as leis do espaço público e da propriedade são feitas com tanta "isenção".

  3. O Fantasma das Rendas do Século Passado: Décadas a congelar rendas para "proteger" o mercado garantiram que hoje o mercado de arrendamento seja uma espécie de mito urbano — algo de que os mais velhos ouvem falar e que os mais jovens nunca viram. O resultado? Uma juventude que, mesmo trabalhando a tempo inteiro, alcança a independência financeira por volta dos 45 anos, continuando no quarto da infância a contribuir para a coesão familiar forçada.

  4. Lisboa, a Capital da Vanguarda Social: No topo de tudo isto, a nossa capital ostenta com orgulho uma das menores quotas de habitação pública de todas as capitais europeias. Afinal, para quê gastar recursos em habitação pública quando se pode usar o Corpo de Intervenção da PSP às seis da manhã para remover tendas no Rossio? Problema resolvido: sem tendas na praça, deixa de haver crise na cidade. A ordem pública fica impecável e a estética urbana salva.

No fundo, é tudo uma questão de perspectiva. A bomba social não está a rebentar; está apenas a fazer o ruído natural de um mercado a "ajustar-se". E se não consegue pagar uma casa nem uma renda, lembre-se: a culpa é sua, que teima em querer morar dentro de um activo financeiro.

Grande Alerta de Imparcialidade e Futurologia Imobiliária! 🏠✨

Acalmem-se, jovens e inquilinos! A paciência acabou e a justiça social finalmente chegou ao mercado de arrendamento.

Com um Governo e uma maioria parlamentar que, entre eles, contam com um "modesto" património de 55,6 milhões de euros em imóveis, mais de 800 mil euros anuais em rendimentos prediais declarados e participações em dezenas de empresas do sector imobiliário, podemos ficar totalmente descansados: a reforma da lei da habitação está em mãos absolutamente insuspeitas e desinteressadas!

Com tanto conhecimento "de causa" e "no terreno", eis as medidas revolucionárias que certamente podemos esperar para resolver a crise das casas:

  1. Aumentos de Renda Cívicos e Ilimitados: Afinal, limitar rendas é tão ultrapassado! O mercado livre precisa de respirar. Se a renda subir 300%, encare isso como um incentivo pedagógico para trabalhar mais horas ou procurar um segundo (ou terceiro) emprego.

  2. Direitos dos Inquilinos? Um Luxo Desnecessário: Para quê tanta burocracia para despejar alguém ou ajustar preços? Menos direitos para quem vive na casa significa mais paz de espírito para quem cobra a renda ao fim do mês.

  3. Isenções Fiscais para Quem Mais Precisa (os Senhorios, claro!): Nada como garantir que quem declara mais de 100 mil euros por ano em rendas tenha uma folguinha nos impostos. Afinal, ser proprietário de dezenas de imóveis exige um sacrifício enorme que devia ser recompensado pela pátria!

  4. Ouvir as Ruas? Jamais! Como bem prometeu o Governo, o "grito das ruas" e as acampadas de jovens não vão perturbar este belo trabalho legislativo. Para quê ouvir quem procura casa quando se pode consultar pareceres de associações de proprietários onde os próprios líderes partidários são sócios?

Tudo pensado ao pormenor, com a máxima empatia de quem sabe perfeitamente o que é ter de escolher entre pagar a renda ou fazer compras no supermercado... ou talvez não! 🔑💸

Fonte: Público. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Salário, Pão, Habitação

Ah, mas que exagero! Afinal, quem precisa de se preocupar com detalhes banais como Salário, Pão e Habitação? É evidente que pagar 1500 euros de renda com um salário de 1100 euros é apenas um excelente exercício de poupança e criatividade para os jovens! Devem estar todos a viver no luxo e nem sabem!

Convém recordar que o problema não é novo... mas que se tem agravado. Recordou-me o Sérgio Godinho, que em 1974 cantava um hino da Revolução que ficou por cumprir, porque só existe Liberdade a sério depois de as necessidades básicas da população se encontrarem satisfeitas: “A paz, o pão, habitação, saúde, educação".



A paz, o pão, habitação, saúde e educação 
A paz, o pão, habitação, saúde e educação
♪ 
Viemos com o peso do passado e da semente 
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente 
E a sede de uma espera só se estanca na torrente 
E a sede de uma espera só se estanca na torrente 
Vivemos tantos anos a falar pela calada 
Só se pode querer tudo quando não se teve nada 
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada 
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada 
Ai, só há liberdade a sério quando houver 
A paz, o pão, habitação, saúde, educação 
Só há liberdade a sério quando houver 
Liberdade de mudar e decidir 
Quando pertencer ao povo o que o povo produzir 
E quando pertencer ao povo o que o povo produzir 
♪ 
Viemos com o peso do passado e da semente 
Esperar tantos anos, torna tudo mais urgente 
E a sede de uma espera só se estanca na torrente 
E a sede de uma espera só se estanca na torrente 
Vivemos tantos anos a falar pela calada 
Só se pode querer tudo quando não se teve nada 
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada 
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada 
Ai, só há liberdade a sério quando houver 
A paz, o pão, habitação, saúde, educação 
Só há liberdade a sério quando houver 
Liberdade de mudar e decidir 
Quando pertencer ao povo o que o povo produzir 
E quando pertencer ao povo o que o povo produzir 
♪ 
Viemos com o peso do passado e da semente 
Esperar tantos anos, torna tudo mais urgente 
E a sede de uma espera só se estanca na torrente 
E a sede de uma espera só se estanca na torrente 
Vivemos tantos anos a falar pela calada 
Só se pode querer tudo quando não se teve nada 
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada 
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada 
Ai, só há liberdade a sério quando houver 
A paz, o pão, habitação, saúde, educação 
Só há liberdade a sério quando houver 
Liberdade de mudar e decidir 
Quando pertencer ao povo o que o povo produzir 
E quando pertencer ao povo o que o povo produzir 
A paz, o pão, habitação, saúde, educação 
A paz, o pão, habitação, saúde, educação 
A paz, o pão, habitação, saúde, educação 
A paz, o pão, habitação, saúde, educação 
A paz, o pão, habitação, saúde, educação 
A paz, o pão, habitação...

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

O Dia em que Descobri que a Inteligência Artificial Sou Eu!

A Digi chegou, viu e conquistou, mas esqueceu-se de um pequeno detalhe para quem ainda gosta de ter a televisão aberta numa aba do browser enquanto finge que trabalha: não tem um portal Web Digi TV. Nada de nostv, meo tv ou vodafone tv. Para a Digi, se queremos ver televisão no computador, a resposta implícita parece ser «compre um smartphone maior».

Em 2025, revoltado com este deserto digital, lá andei a investigar. Descobri a extensão Fast IPTV para o Chrome, carreguei o link dos canais de sinal aberto em Portugal (https://m3upt.com/iptv) e voilà! Fiquei com o problema resolvido. Como bom cidadão da rede, partilhei a dádiva divina: escrevi um artigo no blogue intitulado «Ver TV no PC - Todos os canais de sinal aberto na Web» e lancei o link no Reddit para salvar a pátria.

Avançamos para hoje.

Num piscar de olhos, a maior parte dos canais da lista simplesmente evaporou-se. Fiquei reduzido à boa e velha RTP — o que é excelente se eu quiser rever o Preço Certo ou o telejornal de 1988, mas manifestamente insuficiente para a minha overdose de informação diária.

De volta ao ponto de partida, decidi recorrer à tecnologia de ponta. Fui bater à porta do Gemini, o supercomputador de Inteligência Artificial da Google, alimentado por biliões de parâmetros, redes neuronais avançadas e os servidores mais potentes do planeta. Formulei a pergunta com todo o rigor cívico: «Como ver canais de TV abertos no PC em Portugal?»

O Gemini pensou durante dois milissegundos, processou a sabedoria acumulada da humanidade e devolveu-me triunfante a solução perfeita: o link para o meu próprio blogue, via Reddit.

A grande revolução da Inteligência Artificial afinal é isto: um espelho digital de alcance global. O supercérebro da Google não sabe como ver a SIC ou a TVI no PC; o Gemini limita-se a ir ao Reddit ler o que eu próprio escrevi no ano passado para me dar como resposta aquilo que já sei que deixou de funcionar.

Moral da história: se a IA sou eu, acho que vou enviar as facturas da electricidade e da Internet para Silicon Valley. Quanto à televisão no PC... bem, se alguém descobrir a solução, faça o favor de publicar no Reddit. É que o Gemini precisa de aprender a resposta para me poder explicar mais tarde.

Não Havia Necessidade: Resolver a Crise da Habitação à Bastonada

Não havia necessidade… de tanto exagero! Afinal, quem diria que umas inocentes tendas de campismo armadas no Rossio e na Praça ...