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sábado, 28 de fevereiro de 2026

O Nosso Admirável Talento para Ignorar o Óbvio


Versão ácida do artigo de Luisa Schmidt
EXPRESSO, 26/FEV/2026

O economista Nicholas Stern anda desde 2007 a prever que a inação perante o clima custa caro. Que falta de visão a dele! Nós, por cá, preferimos o modelo "pague depois e pague o triplo". É uma questão de estilo: porquê investir na prevenção se podemos hipotecar o futuro com toda a pompa e circunstância?

1. Uma Tradição de Surdez Seletiva

Não se pode dizer que não fomos avisados. Ribeiro Telles, esse "profeta da desgraça", já em 1967 — após as cheias de Lisboa — insistia em conceitos bizarros como "ordenamento". Teve até o desplante de criar a REN (Reserva Ecológica Nacional) nos anos 80, só para tentar impedir a construção de casas em leitos de cheia e arribas. Que mania a de querer travar o progresso de betão em cima de lama!

Claro que ignorámos com sucesso. De 2017 a 2024, entre fogos, tempestades como a "Leslie", secas e ondas de calor que despacharam quase 3.000 pessoas, mantivemo-nos firmes na nossa patologia crónica. Afinal, para quê ouvir a ciência (que nos avisa há 30 anos com projetos como o SIAM) quando podemos culpar a "fatalidade"?

2. O Triunfo do Betão sobre o Bom Senso

É verdadeiramente inspirador ver como chegámos a 2026 com milhares de casas estrategicamente plantadas em dunas, pântanos e encostas que se desfazem ao olhar para elas. Temos de tudo:

  • A Pobreza Criativa: Casas feitas como deu e onde deu.

  • A Arrogância de Elite: Projetos PIN (Projetos de Interesse Nacional — ou será de Inconsciência Nacional?), onde o imobiliário especulativo desafia as marés com uma confiança que o mar, infelizmente, não partilha.

E as nossas infraestruturas? Um luxo de fragilidade. Estradas, ferrovias e redes elétricas que parecem ter sido desenhadas para um clima que já não existe há décadas. Mas não se preocupem: a ministra já prometeu "reavaliar". E todos sabemos que uma reavaliação é o primeiro passo para um relatório que ficará guardado numa gaveta muito segura.

3. A Ciência é Ótima, mas a Gaveta é Melhor

Temos bons técnicos, o IPMA faz um trabalho hercúleo e há até autarquias — como Setúbal e Cascais — que cometeram a "excentricidade" de criar bacias de retenção e renaturalizar ribeiras. Resultou? Sim. Mas onde está a emoção de uma boa catástrofe se tudo estiver planeado?

Até temos uma Lei de Bases do Clima desde 2021. É um documento lindíssimo, cheio de rigor científico, que celebrará o seu 5.º aniversário de existência sem nunca ter incomodado a realidade da prática. É a nossa "Bela Adormecida" legislativa.

4. Recordando o Aviso de Fenómenos Extremos Recentes

E como esquecer o desfile de fenómenos que, com nomes mais ou menos poéticos, nos trouxeram à realidade? Da trágica herança de 2017 à fúria da tempestade "Leslie" em 2018, passando pela seca ruinosa de 2024 e pelas ondas de calor extremas que se seguiram, os danos não foram apenas estatísticas de jornal. Em 2026, com o "comboio de tempestades" Harry, Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo, Marta, foram telhados que decidiram emigrar, frentes de mar que "encolheram" até à sala de estar de condomínios de luxo e estradas que passaram a funcionar como canais navegáveis. Entre a destruição de infraestruturas públicas e o luto por vidas que a ciência disse que podiam ser poupadas, os danos são a prova viva de que a natureza não tem grande sentido de humor para a nossa inação. Uniram-nos na lama e na contemplação de milhões de euros a desfazerem-se como torrões de açúcar. Um espetáculo inesquecível, sem dúvida.

Conclusão: Nicholas Stern tinha razão, a fatura chegou e não aceita prestações. Este inverno, as águas e os ventos uniram-nos finalmente... no lodo. Agora, corre o boato de que há uma "rara concordância pública" sobre as causas do desastre. Quem sabe se, desta vez, em vez de reforçarmos apenas as promessas, não reforçamos mesmo as instituições? Seria uma novidade absoluta: tratar a proteção do ambiente como se fosse, de facto, uma questão de sobrevivência.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Repensando a Riqueza: Da Acumulação Ilimitada à Vida Boa

Já parou para pensar sobre o verdadeiro significado da riqueza? Aristóteles, há milhares de anos, já diferenciava a economia (uso da riqueza para a "Vida Boa") da crematística (busca pela riqueza em si). Será que essa distinção ainda é relevante hoje?

Em um mundo obcecado pelo crescimento económico, muitas vezes esquecemos que a riqueza é apenas um meio para um fim: o bem-estar humano. Mas será que mais riqueza significa necessariamente mais felicidade? Um estudo recente, baseado em dados de diversos países, revela uma relação complexa entre rendimento e bem-estar, mostrando que, acima de um certo ponto, o aumento da riqueza não se traduz em melhorias significativas na qualidade de vida.

Este artigo explora a fundo essa questão, revisitando as ideias de Aristóteles e trazendo para o debate as contribuições de economistas contemporâneos como Amartya Sen. Sen convida-nos a repensar a própria noção de prosperidade, indo além da simples acumulação de bens materiais e focando nas capacidades que as pessoas precisam desenvolver para alcançar uma vida plena e feliz.

Quer saber mais sobre como a riqueza pode contribuir (ou não) para a sua "Vida Boa"? Descubra como repensar seus valores e prioridades, e como buscar uma prosperidade mais autêntica e significativa.

Leia o artigo completo aqui e junte-se a nós nesta importante reflexão! [Link para o artigo]

#riqueza #felicidade #bemestar #economia #aristoteles #amartyasen #vidaboa #prosperidade #consumo #desenvolvimento

domingo, 22 de setembro de 2019

Opinião honesta sobre as soluções para a escassez de alimentos no resto do mundo?


Uma pesquisa mundial foi realizada pela ONU. A única pergunta colocada foi: "Por favor, poderia dar sua opinião honesta sobre as soluções para a escassez de alimentos no resto do mundo?"

A pesquisa foi um enorme fracasso ...

Em África, eles não sabiam o que "comida" significava.

Na Europa Oriental, eles não sabiam o que "honesto" significava.

Na Europa Ocidental, eles não sabiam o que "escassez" significava.

Na China, eles não sabiam o que "opinião" significava.

No Oriente Médio, eles não sabiam o que "solução" significava.

Na América do Sul, eles não sabiam o que "por favor" significava.

E nos EUA eles não sabiam o que "o resto do mundo" significava.


Fonte: Hindu Mommy.

sábado, 23 de junho de 2012

Rio+20: Mais uma cimeira para inventar a roda!

O que Dilma Rousseff disse no encerramento da Rio+20:

  • O documento que aprovamos hoje não retrocede em relação ao que aprovámos em 1992! (03:30)
  • Lançámos as bases de uma agenda para o século XXI! (04:05)
  • Aplaudo os países em desenvolvimento que assumiram compromissos com o desenvolvimento sustentável, mesmo na ausência das necessárias contrapartidas prometidas pelos países desenvolvidos. O Brasil fará a sua parte! (06:10)
  • Cada um de nossos países pode e deve avançar em relação ao compromisso contido no documento aprovado. Todos os países precisam e devem avançar além do documento! Porém, nenhum país tem o direito de ficar aquém do documento! (07:00)
  • A Rio+20 é um ponto de partida! (07:20)
  • Iniciámos hoje aqui na Rio+20 uma caminhada! (07:40)


Não tive paciência para ouvir o resto, porque é evidente que esta cimeira foi um fracasso, que não serviu para nada, pois enquanto as potências andarem entretidas a discutir crises financeiras da banca, e agendas de crescimento e emprego como se os recursos naturais fossem ilimitados, o planeta vai aquecendo e provavelmente ainda um dia lamentarão ao S. Pedro que só havia uma Terra!

Na catástrofe ambiental estamos sempre no ponto de partida. As crises financeiras são para resolver logo na sexta-feira, antes que os mercados voltem a abrir!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Somos 7.000 milhões



De acordo com uma projecção das Nações Unidas, o planeta irá superar hoje a barreira dos 7 mil milhões de habitantes. Mesmo sendo uma estimativa (baseada nos mais recentes censos e registos de população, compilados pelas Nações Unidas desde os anos 50), a mesma tem o mérito de nos permitir reflectir sobre as oportunidades e os riscos que decorrem do rápido crescimento da população mundial.

Muito mudou desde o nascimento do habitante 6 mil milhões em 1999, que se convencionou simbolicamente ser o bósnio Adnan Nevic. Desde então, o mundo foi confrontado com a maior crise económica desde a Segunda Guerra Mundial, que ainda está longe de estar ultrapassada. Viu aumentar a ameaça do terrorismo e das alterações climáticas. Mas foi também testemunha do início da transição para a democracia de alguns regimes autocráticos, e da afirmação do poder económico e político de países emergentes como a China, a Rússia, a Índia e o Brasil.

A maldição Malthusiana e a Revolução Verde

O primeiro grande estudo sobre o crescimento da população foi publicado em 1798 pelo Reverendo inglês Thomas Malthus, um dos maiores economistas de sempre. Na obra “ Ensaio sobre o Princípio da População”, Malthus manifesta a sua preocupação com o crescimento populacional acelerado, num contexto de miséria da classe operária no Reino Unido. Baseado nas suas observações, defendeu que, na ausência de guerras, epidemias ou desastres naturais, a população iria crescer em progressão geométrica (ex. 2 – 4 – 8 – 16 – 32 – 64, etc.) a cada 25 anos, enquanto os meios de subsistência apenas cresceriam em progressão aritmética (ex. 2 – 4 – 6 – 8 – 10 – 12, etc.), sendo limitada pela extensão territorial. A natureza encarregar-se-ia de repor o equilíbrio, através do aumento da mortalidade decorrente de epidemias e da fome: «O poder da população é de tal forma superior ao poder da terra produzir a subsistência do Homem, que a morte prematura irá, de uma forma ou outra, visitar a raça humana». Para evitar tal destino, Malthus propunha que as pessoas só tivessem filhos se possuíssem terras cultiváveis para os alimentar.

Felizmente, o tempo não viria a dar razão a Malthus. Não só a população do planeta não duplicou a cada 25 anos, como a produção de alimentos conseguiu acomodar o crescimento da população, devido à inovação tecnológica e aos significativos aumentos de produtividade agrícola, em particular na 2ª metade do Século XX. A criação da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO, na sigla original), em 1945, traduziu o desejo de aumentar a produtividade das colheitas e eliminar a fome.

A população mundial cresceu de 2,5 para 6,6 mil milhões de pessoas desde 1950, tendo a produção agrícola anual subido de 1,1 para 2,7 toneladas por hectare. No mesmo período, a área cultivada cresceu cerca de 10%, a nível mundial.


O expressivo aumento da produção agrícola resultou da introdução de novos processos de cultivo (a partir de 1943 no México e com especial incidência na década de 1960 na Índia e no Paquistão), baseados em programas de pesquisa científica (biotecnologia e genética), que levaram à crescente utilização de pesticidas, fertilizantes (à base de nitrogénio sintético), novas formas de irrigação e novas gerações de sementes. O pai da chamada “Revolução Verde”, o norte-americano de ascendência norueguesa Norman Borlaug, foi mesmo agraciado em 1970 com o Prémio Nobel da Paz, pelo seu contributo para o combate à fome a nível mundial.

Para a rápida expansão da população mundial, que tem acrescentado 1.000 milhões de novos habitantes a cada 12 a 15 anos, foram igualmente decisivos a melhoria dos cuidados de saúde e o acesso a saneamento e água potável, que permitiram aumentar a esperança média de vida global de 48 anos em 1950 até perto dos 70 anos na actualidade. Também a mortalidade infantil (crianças até 5 anos) registou um retrocesso notável, de cerca 40% no final do século XIX para menos de 7% hoje (e menos de 1% na generalidade dos países desenvolvidos).

De acordo com as estimativas das Nações Unidas, a taxa de crescimento populacional das últimas décadas não se irá manter, devido ao progressivo acesso dos países emergentes a métodos modernos de planeamento familiar, o que deverá permitir a descida da taxa de fertilidade de 5 filhos por mulher (dos 15 aos 49 anos) em 1950, para 2,5 no período 2010-2015, até ser atingida a taxa de 2,1 que é considerada como taxa de substituição natural. No gráfico seguinte, está representado o cenário central, que assume que serão atingidos 10,1 mil milhões de habitantes em 2100, bem como dois cenários extremos de baixa e alta fertilidade, que implicam valores finais de 6,2 e 15,8 mil milhões, respectivamente.


Quais os principais desafios associados ao crescimento da população?

1. Mercados Emergentes: expansão da classe média e das cidades

De acordo com as Nações Unidas, 97% do actual crescimento populacional vem dos países emergentes, os quais já representam 80% da população mundial. Os jovens têm um peso significativo nestes países, já que 31% dos habitantes têm menos de 15 anos (o que compara com apenas 18% nos países desenvolvidos).

Os salários médios dos países emergentes são ainda 7 vezes inferiores aos dos desenvolvidos, mas espera-se que a expansão da classe média nos emergentes seja exponencial. De acordo com um estudo da Goldman Sachs (1) «estamos no meio de uma explosão sem precedentes da “classe média mundial”, e o ritmo de crescimento só tenderá a intensificar-se». Até 2030, 2.000 milhões de pessoas poderão juntar-se à classe média, o que terá «implicações profundas nos hábitos de consumo, utilização de recursos e pressões políticas». O acesso à classe média, definida como a população com rendimentos anuais entre 6.000 e 30.000 dólares (em paridades de poder de compra), marca o fim de um padrão de consumo que se limita à subsistência, e o início de outro em que se torna possível a aquisição de bens como carne, telemóveis, televisores e frigoríficos, ou mesmo serviços financeiros.

Outra das maiores transformações das próximas décadas passa pela crescente urbanização. Estima-se que, até 2050, a população urbana deverá duplicar em todo o mundo, subindo o seu peso na população mundial de 50% para 70%, crescimento praticamente todo concentrado em países emergentes. Esta evolução implicará uma revolução nas suas infra-estruturas, nomeadamente nas principais redes de transportes, energia, água e comunicações.

2. Pressão sobre os recursos naturais

Terá o planeta capacidade para albergar mais 2.300 milhões de pessoas até 2050? De acordo com a FAO, a produção de alimentos terá que aumentar 70% face aos níveis actuais, mas o investimento actual em novas tecnologias agrícolas e alimentares é insuficiente para atingir tal objectivo. Entre 1950 e 2007, a produtividade agrícola cresceu 3,5 vezes, mas parece estar a estagnar.

A escassez de terrenos agrícolas cultiváveis é um dos factores de preocupação. Estima-se que existissem em 1950 cerca de 0,5 hectares de terrenos agrícolas por pessoa. Em 2010, este valor deverá ser menos de metade. Nos países emergentes, em particular, o processo de urbanização e industrialização desvia cada vez mais terrenos para a construção de cidades.

Por outro lado, 2.000 milhões de pessoas vivem em áreas com escassez de água potável, sendo a sua disponibilidade cada vez mais limitada a nível mundial. Espera-se um aumento do consumo de 50% até 2025 nos países emergentes, ano em que mais de metade dos países do mundo deverão ter falhas pontuais de água potável.

Também as condições climatéricas extremas tenderão a condicionar cada vez mais as colheitas agrícolas. Estima-se que o aquecimento global possa reduzir a produção agrícola em cerca de 15% até 2020.

3. Envelhecimento dos países desenvolvidos

Na medida que a esperança média de vida tem vindo a aumentar e o nível de natalidade a diminuir, em particular nos países desenvolvidos, a tendência para o envelhecimento da população parece irreversível. Estima-se que a população com idades superiores a 65 anos possa duplicar até 2060.

Já actualmente, mais de 80 países (cerca de 42% da população mundial) têm um nível de natalidade inferior à taxa de substituição natural (2,1 filhos por mulher). A tendência é mais marcada na Europa e no Japão, que poderão perder metade da sua população até 2100.

O caso português é particularmente gritante, já que temos a 2ª taxa de fertilidade mais baixa do mundo (1,3 filhos) estimada para o período 2010-2015, a par da Áustria e Malta, e apenas atrás da Bósnia-Herzegovina (1,1 filhos).

No cenário “médio” das Nações Unidas, a população portuguesa deverá começar a decrescer em 2014, perdendo cerca de 4 milhões de habitantes até 2100. No pior cenário, o ano de pico será já 2011, podendo perder 7 milhões de habitantes até 2100.


Desde logo, esta evolução tem repercussões sobre a procura de medicamentos e cuidados de saúde: estima-se que as pessoas com mais de 65 anos consomem em média 4 vezes mais medicamentos do que as mais novas.

Dado que uma pessoa com 65 anos pode hoje em dia esperar viver mais 19 anos, em média, aumentarão igualmente as oportunidades para empresas relacionadas com geriatria e turismo sénior, mas também as pressões financeiras para os sistemas de segurança social: em 2000, existiam 4 pessoas na vida activa por cada reformado com mais de 65 anos, nos países desenvolvidos. Em 2020, serão 2,7 pessoas activas por cada reformado.

A confirmarem-se estas previsões, poderá estar em causa o próprio modelo de vida ocidental.

Em conclusão...

Desde que Malthus apresentou a sua visão catastrofista em 1798, o mundo superou por 7 vezes a barreira de 1.000 milhões de novos habitantes, 5 das quais após a Segunda Guerra Mundial, num período em que novas descobertas científicas nas áreas de produtividade agrícola e cuidados de saúde permitiram ultrapassar a “maldição” do Reverendo inglês.

Estima-se que a capacidade de produção agro-pecuária actual permita alimentar cerca de 9 mil milhões de pessoas. O facto de uma parte significativa da população mundial, em particular na África subsariana, ainda ser castigada com fome e falta de acesso a cuidados básicos de saúde, resulta sobretudo de problemas políticos e de uma deficiente distribuição da riqueza mundial.

Ainda assim, as Nações Unidas têm aproveitado o dia em que se assinala a chegada do habitante 7 mil milhões para chamar a atenção para os riscos do excesso de população, apelando ao reforço do investimento na saúde e educação dos cerca de 215 milhões de mulheres que ainda não têm acesso a métodos modernos de contracepção, apesar de o desejarem.

Não pondo em causa o princípio de que um crescimento sustentável da população permite diminuir a pressão sobre os recursos naturais do planeta, melhorando a qualidade global de vida, convém ter presente que a tendência de decréscimo da fertilidade pode ser difícil de inverter, como têm concluído diversos países desenvolvidos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Alterações climáticas


via chartsbin.com

Já não restam dúvidas entre a comunidade científica de que as alterações climáticas da Terra se devem ao padrão consumista da sociedade pós-industrial. As catástrofes climáticas são cada vez mais frequentes e afectam um número cada vez maior de pessoas.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento dedicou-lhe o Relatório de 2007/08, mas com a urgência da crise financeira de 2008 os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio foram esquecidos e todas as hipóteses de compromisso a nível global tem falhado: Rio de Janeiro, Quioto, Copenhaga...

A expressão Tsunami entrou para o vocabulário dos media em 2004, com a tragédia da Indonésia...


Em 2011 é apenas mais um vídeo sobre o Japão...


Alguém aprendeu alguma coisa?

Ligações

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Os Desastres Climáticos afectam cada vez mais pessoas

Os Desastres Climáticos afectam cada vez mais pessoas, crescendo as suas vítimas a um ritmo galopante no período documentado (1975-2004).

O risco climático constitui um facto para o mundo inteiro, mas a vulnerabilidade é muito diferente. Quase todas as vítimas tinham o "azar" de viver no Terceiro Mundo, pagando com as suas vidas pela ausência de estruturas características dos países industrializados.


Fonte: Relatório do PNUD 2007/08

Mesmo assim, o "nacionalismo Americano" primário já começou a manifestar-se contra a ajuda prestada ao Haiti, como se pode observar na imagem abaixo, retirada do FaceBook.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Alterações Climáticas - Temos o direito de escolher?

Temos o direito de escolher entre um futuro sustentável e o 2012?





Imagino que todos prefiram a primeira hipótese, mas os nossos líderes recentemente reunidos em Copenhaga não se comprometeram a arrefecer a actividade económica nem a uma distribuição mais equitativa da riqueza. A Terra continua como se fosse um veículo desgovernado a descer um desfiladeiro em direcção a um precipício. Evidentemente que antes de se fazer sentir o aquecimento do Planeta, em resultado da sobreindustrialização (...) já se teriam registado algumas catástrofes. Este registo apenas pretende sublinhar a contribuição das alterações climáticas parra a agudização das tragédias.

Este post destina-se a guardar links que recordem as catástrofes, cada vez mais frequentes e de maiores proporções, cujo impacto é sentido com maior gravidade nos países subdesenvolvidos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Na escola em 1969 e em 2009...



"Todos pensam em deixar um planeta melhor para os nossos filhos... Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro da própria casa e recebe o exemplo dos seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive...



Mail em circulação na Internet.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Carro eléctrico made in Entroncamento


Parceria entre o ISEL, a Autosil e uma empresa estrangeira aguardam subsídios no âmbito do QREN.
Faço votos que o carro português tenha melhor sorte que o computador português.

sábado, 31 de maio de 2008

O automóvel eléctrico está aí!

Chego a casa, estaciono o carro na garagem, e ligo-o ao carregador como se fosse um telemóvel! Quando sair, desligo-o, e nunca preciso de ir ao posto de abastecimento!

A tecnologia já existe!
A Tesla Motors é uma associada da General Motors, portanto quanto a garantias está tudo dito.
Se virem o vídeo abaixo correm o risco de ficar a sonhar com a máquina ;)


99.000 € não está ao alcance de todos, mas já há propostas mais acessíveis como os Green Vehicles.


O rápido crescimento dos preços do petróleo que sofremos na pele, veio obrigar a repensar mais seriamente esta alternativa, começando a tornar-se frequentes notícias sobre veículos eléctricos.

  • O deputado socialista Jorge Seguro defendeu hoje incentivos para a instalação de fábricas e projectos de automóveis eléctricos, bem como para os consumidores que optem por este tipo de veículos, porque "há mais vida para além do petróleo". Lusa, 30 de Maio de 2008


  • Apesar das anunciadas intenções da Nissan de vender veículos eléctricos nos EUA e no Japão, no final de 2010, a marca já passou às experiências em campo. Recorde-se que em Fevereiro de 2007 a Nissan Motor Co. Ltd. entregou à empresa de rent-a-car Kanagawa Toshi Kotsu Ltd. a sua, então, mais recente versão do X-Trail FCV com pilha de combustível, para ser utilizado como parte da sua frota de aluguer com condutor. Foi a primeira vez que esta modalidade de rent-a-car foi disponibilizada. Saliente-se que a aliança Renault/Nissan irá, numa primeira fase, comercializar de forma massiva automóveis eléctricos na Dinamarca e em Israel, em 2011. LusoMotores, 29 de Maio de 2008


A mudança não se faz sem resistência. Fica aqui o link para um ficheiro recebido por mail, em denúncia dos obstáculos impostos pelos interesses económicos.
Tem sido "inteligente" a estratégia dos produtores, não vendendo, mas simplesmente alugando os automóveis eléctricos. Isso permite-lhes recuperar toda a frota pela simples não renovação dos contratos de aluguer, com a vantagem de então poderem destruir todos os carros de uma só só vez.
O site Don't Crush mostra a consciência dos indivíduos na Web, contra este estado das coisas.

Será possível repetir a "façanha"?

Quem matou o automóvel eléctrico? Eis a 1ª parte de 11 de um excelente documentário no YouTube.



Para aprofundamento do tema convém ler o relatório da WWF.




  • Os sectores petrolífero e dos transportes encontram-se inextricavelmente ligados. Para sustermos qualquer mudança das alterações climáticas reversíveis, da destruição dos ecossistemas essenciais e das tensões geopolíticas, esta ligação tem de ser desfeita pela transição para um paradigma de transporte que é extremamente eficiente e simultaneamente compatível com a renovação sustentada da energia do futuro.
    PLLUGED IN – The End Of The Oil Age


Backup



Em português, podem ler-se notícias interessantes no site da ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DO VEÍCULO ELÉCTRICO.

Eis um veículo eléctrico português, desenvolvido pela Escola Superior de Tecnologia, de Viseu. Com 1 € faz 100 kms. Fantástico!



PS - Volkswagen reconhece que o futuro pertence ao automóvel eléctrico

terça-feira, 13 de maio de 2008

Multado por não consumir gasolina/gasóleo

Neste país tudo é possível.

  • "A Direcção-Geral das Alfândegas e Impostos fez um cálculo aos combustíveis fósseis que deixei de consumir por ter tornado a junta auto-suficiente através da produção de bio-combustível", disse Joaquim Casado. "Irei até aos últimos trâmites para não pagar um imposto que considero injusto".PÚBLICO, 09.05.2008


Pensavam que reciclar os óleos era uma atitude exemplar?
Ainda não perceberam que o Sol, quando nasce, não é para todos? A lógica das finanças é deixar instalar painéis solares agora, para multar depois ;)

quarta-feira, 19 de março de 2008

1945–2005: Dois Mundos Diferentes

60 anos depois, o Mundo não é mais o mesmo. A UNESCO apresenta alguns exemplos interessantes.

http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001420/142021e.pdf


A população mundial quase triplicou de 1945 para 2005.

A percentagem da população a viver nas cidades, que representava menos de 29% do total, está quase a tornar-se dominante.

Menos de metade das pessoas teriam competências para ler um texto, contra 81.7%.

A esperança de vida aumentou cerca de 20 anos, permitindo o convívio dos avós com os netos.

A democracia parlamentar impôs-se definitivamente como regime político.

A percentagem de mulheres nos parlamentos cresceu 5.3 vezes, mantendo-se longe da equidade em qualquer país.

A fertilidade decresceu, pois as mulheres descobriram outros papéis além de mães e donas de casa.

A taxa de mortalidade infantil decresceu espectacularmente de 226 por mil para 86 por mil, em larga medida graças ao desenvolvimento da medicina. Este indicador é mais expressivo que a esperança de vida devido à fragilidade das crianças.

A área florestada caiu de 50 milhões de km quadrados para 39.

O consumo anual de água triplicou. Isto é, cresceu sensivelmente ao ritmo da população.

O consumo anual de petróleo cresceu 8.5 vezes!
A população tornou-se mais consumista do outro negro. A maior justificação para o aquecimento global e alterações climáticas está aqui. É óbvio que este tipo de crescimento económico não pode continuar porque não é compatível com os recursos do planeta. É necessário impor um modelo de desenvolvimento sustentável, mas quem tem autoridade para isso?

O turismo massificou-se crescendo 32.3 vezes!


Estes indicadores são apenas médias, e uma vez que foram calculadas para o Mundo ocultam realidades muito distintas.



Isto é, para que a China atingisse o "nível de desenvolvimento" dos EUA seriam necessários 665 milhões de carros de passageiros só na China! E a Terra aguentaria? Quem tem legitimidade para impor limites ao crescimento industrial dos chineses?

terça-feira, 18 de março de 2008

A escassez da água potável



Quando confrontadas com este tema, uma das perguntas mais comuns que as pessoas fazem será, certamente, “mas o planeta não é composto maioritariamente de água? Fala-se em aquecimento global e o subir do nível das águas do mar, como poderá haver escassez de água?” De facto, cerca de 70% do planeta Terra está coberto de água, mas a percentagem passível de ser utilizada é muito menor, como podemos ver no gráfico seguinte:

Fonte: UNESCO, Seeking Alpha.

De toda a água presente no planeta, apenas 3% é doce. A restante, englobando os oceanos, golfos e mares, é salgada e, como tal, não pode ser consumida, nem tão pouco utilizável em agricultura. Olhando só para a água doce, dois terços desta está gelada nos pólos e inacessível para tratamento, deixando só um terço (ou 1% do total) acessível em aquíferos e nascentes.

Contudo, a poluição, os despejos de dejectos, fertilizantes e outros factores têm vindo a diminuir a quantidade de água potável. Muito embora a água seja, de certo modo, renovável, com o ciclo da água – ou ciclo hidrológico, no qual existe uma rotação contínua da água entre os oceanos, os continentes e a atmosfera através de evaporação e precipitação – nada garante que a potável na última passagem pelo ciclo, o seja novamente na próxima. Existem mais de 300 químicos diferentes utilizados em abundância por todo o mundo que contaminam os intervenientes no ciclo. Cada vez mais, para que a água seja utilizável, necessita ser minada, processada, empacotada e distribuída.

Estima-se, assim, que só cerca de 0,25% da água total seja actualmente potável. Fazendo uma analogia, se toda a água do planeta coubesse numa garrafa de 1,5 litros, então a água potável não encheria por completo uma colher de chá.



Contexto Social

Do ponto de vista social, assistimos ao crescimento da população mundial e à utilização da água a ritmos cada vez maiores. Desde 1950, a população mundial mais que duplicou e o consumo de água triplicou, mas apenas 20% tem água corrente e menos de um terço sequer acesso a água potável, facto agravado pelos custos bastante elevados das infra-estruturas necessárias à distribuição da água.

As Nações Unidas estimam que cerca de 50% de todas as camas de hospital a nível mundial estão ocupadas com doentes que padecem de enfermidades relacionadas com água contaminada, sendo que estas doenças representam 80% de todas as doenças em países subdesenvolvidos e cerca de 5 milhões de vidas por ano.

A sociedade moderna consome água a um nível bastante superior ao que o ciclo hidrológico a consegue reciclar, e quando tomamos em conta a industrialização dos países em vias de desenvolvimento, que envolvem consumos de água bastante superiores (não só pelas necessidades das indústrias como também pelo facto que o aumento da qualidade de vida representa maior utilização deste bem) facilmente concluímos que a tendência é que esta situação se agrave. Neste momento, mais de 1,1 biliões de pessoas não têm acesso a meios razoáveis de distribuição de água e prevê-se que este número ascenda a 2,3 biliões até 2025.

No gráfico seguinte podemos verificar a situação em 1995 e as estimativas para 2025, tomando por base a extracção de água (ajustada para o crescimento mundial previsto) em relação ao disponível na área.

Fonte: World Meteorological Organisation (WMO), Geneva, 1996; Global Environment Outlook 2000 (GEO), UNEP, Earthscan, London, 1999. http://maps.grida.no/go/graphic/freshwater-stress-1995-and-2025

Racionalidade Económica

A água é um bem de primeira necessidade para o consumo doméstico e para a indústria, e só existe uma quantidade finita deste recurso. Já podemos notar, hoje, o aumento que o preço da água tem vindo a sofrer, basta pensar que há uns anos em grande parte do mundo desenvolvido, a água era paga a uma preço fixo, independentemente do uso e, actualmente como sabemos, existem contadores em todos os domicílios. Mais ainda, se olharmos para o preço de uma garrafa de água mineral, dependendo do local de compra pode, muitas vezes, ser mais caro que o preço do litro do gasóleo.

Sabemos, por outro lado, que este bem é extremamente inelástico – a procura de água não será, naturalmente, afectada por ciclos económicos; não terão efeitos a inflação, as taxas de juros, o câmbio monetário nem o preço de produtos substitutos, que, como já vimos, simplesmente não existem. Muito embora os volumes utilizados pela indústria poderão aumentar e diminuir consoante a sua produção (consequente da maior ou menor procura pelos produtos finais aí preparados), certamente que a população não deixará de beber água. A procura da água está a ser e será impulsionada pelo crescimento populacional contraposto por uma maior escassez. E se existe alguma possibilidade de encontrar água potável de outra forma, nomeadamente através da dessalinização (processo físico-químico de retirada de sais da água), os custos associados e, de maior importância, a quantidade energética necessária para este processo é de tal ordem que estudos indicam que não será viável durante largos anos. Acrescente-se que menos de 50% da água completa o processo, resultando também uma grande quantidade de dejectos dos quais terão de se desfazer (com os custos monetários e ambientais associados a tal).

Os custos associados com a construção de infra-estruturas de tratamento e distribuição de água são muito elevados, criando barreiras à entrada de novas empresas, mas salientando também uma excelente oportunidade para investimento. Como exemplo, a EPA (Environmental Protection Agency – agência para a protecção do ambiente) dos EUA prevê que terá de ser gasto até $1 trilião nos próximos anos para renovar e remodelar a estrutura de distribuição no país, na medida em que boa parte desta tem mais de 20 anos.

Estima-se que o mercado global de tratamento e distribuição de água represente cerca de 240 mil milhões de euros, com crescimentos na ordem dos 4% a 6% nos países desenvolvidos e 10% a 15% nos países em desenvolvimento. O sector público não conseguirá acompanhar os volumes de investimento necessários, muitas vezes no âmbito local ou regional, para renovar e construir infra-estruturas, pelo que, cada vez mais, necessite de investimento privado e se assista, inclusive, à privatização de várias áreas do sector. A Lehman Brothers, estima que o número de pessoas em todo o mundo servidas por companhias de água detidas por investidores privados cresça 500% nos próximos 10 anos.

Assim, o potencial de crescimento das empresas relacionadas com a indústria global da água é elevado, não só para as directamente envolvidas, como companhias de tratamento, de distribuição urbana e de gestão da água, mas também para as que, indirectamente, fazem parte do processo sendo fornecedores das anteriores, como são os fabricantes de bombas, tubos, válvulas, filtros, instrumentação e construção de sistemas de água.



Em conclusão...

Todos os factores supracitados ajudam-nos a concluir que as palavras de W.H. Auden teriam, realmente, um significado profundo. Sendo um bem naturalmente escasso, e indubitavelmente essencial à preservação da vida, a água é, cada vez mais, um bem precioso, com potencial de procura em muito superior ao carvão, ouro, gás ou petróleo.

É necessário, neste momento e de futuro, um grande investimento privado para a concretização de enormes reestruturações, que aumentarão as redes de distribuição globalmente, assim como existe um potencial de crescimento elevado nos mercados, com o actual boom da população mundial e estimativas futuras.

Será o crescimento do sector sustentável? É uma pergunta aberta a debate, mas o facto permanece que a água tem características muito semelhantes às commodities, como o ouro e o petróleo, na sua procura crescente e oferta decrescente. E, tal como na famosa Febre do Ouro do século XIX, as maiores fortunas podem não vir necessariamente de quem encontrou o ouro, mas sim dos comerciantes na retaguarda, que vendiam as picaretas, panelas e restantes ferramentas...

Muita gente consegue viver sem amor, mas ninguém sobrevive sem água. Portanto face à sua procura crescente pode dizer-se que este investimento é dos que apresenta risco praticamente nulo, e rentabilidade garantida. No entanto não se nota entre os particulares qualquer interesse por este negócio, porque exige a construção de infra-estruras que apenas remunerarão o capital investido a longo prazo. No entanto é próprio equilíbrio da Terra que exige esse esforço de investimento. Então não pode deixar de se colocar a questão: permitirão as nossas economias de mercado o desenvolvimento sustentável do Planeta?

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...