quarta-feira, 3 de março de 2021
Para que servem os links?
A escola deveria promover exemplarmente o fair use.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
A greve e o profissionalismo dos professores
Gostaria de testemunhar, que contrariamente ao que disse o Ministro, só mesmo o desenquadramento da classe, terá permitido que alguns professorecos tivessem assegurado a realização das provas em condições deploráveis.
Na minha Escola foi assim:
Direcção: 100% em greve exceptuando o Director.
Secretariado: 100% em greve excepto uma professoreca.
Coadjuvantes: 100% em greve.
Suplentes: Evidentemente, nem pensar.
Professores do ENES: 100% em greve.
Vigilantes: Somente com os professores da nossa escola não haveriam vigilantes suficientes, mas entraram 8 professorecas do 1º ciclo, que passaram recentemente a fazer parte do Agrupamento. Mesmo assim, logo no início, excluíram todos os estudantes com necessidades educativas especiais, e os alunos de PLNM... mandando à fava os pergaminhos de escola multicultural.
Traíram a classe:
- professorecas próximas da reforma, que não serão afectadas por nada que se venha a passar;
- professorecas QZP’s que não têm a menor esperança de continuar na Escola;
- professorecas infofóbicas, incapazes de agarrar num rato;
- professorecas que nunca conseguiram levantar-se de manhã, faltando a todas reuniões marcadas para as 08:30;
- professorecas com pó a colegas que as ultrapassaram nos concursos;
- professorecas que têm argumentado precisar de um horário à noite, porque não suportarão os alunos do turno diurno;
- professorecos que vão à Escola fazer umas horas para complementar o salário que recebem no seu atelier...
Com estes, Nuno Crato ganhou esta batalha, mas não chegará a lado nenhum! Note-se que exceptuando o Director, todas as chefias da escola fizeram greve.
Mesmo assim, realizaram-se 100% das provas de Português, o suficiente para Nuno Crato cantar a sua vitória e continuar a humilhar os docentes.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Registo triste
Eu sou do tempo em se nadava na Ribeira das Jardas em água limpa, uma água cristalina tão especial que foi utilizada na concepção e na publicidade de uma nova marca de cerveja: a Cergal.
Hoje, infelizmente, o "desenvolvimento" do Cacém roubou aos jovens a Ribeira de que eu desfrutei, mas o alargamento da escolaridade obrigatória também lhes rouba tempo, e acusa automaticamente as escolas que não foram criadas para serem mães a tempo inteiro.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Ranking de Escolas do Concelho de Sintra

Posições muito dispares nos rankings de escolas são habitualmente explicadas pela qualidade da "matéria-prima" ou origem social dos alunos. Porém, tomando apenas as escolas publicas do Concelho de Sintra, como se justifica que estas se distribuam ao longo da lista das 500 escolas secundárias que realizaram mais de 100 provas? (EXPRESSO)
Aparentemente, como as escolas são vizinhas pode argumentar-se que não se espera que variem significativamente as características da população escolar, havendo que atribuir a outros factores a oscilação das escolas entre a posição 87 e a 450! Numa análise mais aprofundada deveria observar-se que as escolas básicas e regiões do concelho de Sintra que funcionam como áreas de recrutamento dos alunos das escolas secundárias são diferentes. Certamente que as escolas que ocupam posições mais baixas no ranking vivem com uma população escolar mais heterogénea, vivendo muito mais intensamente a riqueza e a problemática da multiculturalidade que os rankings ignoram.

Por exemplo, choca-me a diferença de quase 150 posições entre duas escolas vizinhas, como são a Ferreira Dias e a Gama Barros. Ao nível do ensino, da preparação e da dedicação dos docentes não posso atribuir qualquer vantagem à FD. Esta tem a vantagem de ocupar geograficamente o centro de Agualva-Cacém, sendo a escola mais acessível à população escolar da freguesia, além de dispor ainda do acesso rápido através do comboio. A escola básica António Sérgio fornece-lhe os melhores alunos que são atraídos por esta centralidade, que se traduz todos dias numa poupança de tempo no percurso casa-escola. Os alunos menos bons da António Sérgio acabam por ir estudar na GB, que também recebe estudantes de S. Marcos, Cotão, Albarraque, etc.... reunindo uma diversidade muito maior de jovens, oriundos de zonas menos centrais, zonas mais carecidas. Se estes jovens gastassem a estudar só o tempo que demoram em viagem já teriam muito melhores resultados, mas o problema é que a deslocação basta para os deixar cansados...
Não se depreenda desde meu comentário que sou um fanático dos rankings. Por exemplo, certamente que alguma coisa correu mal porque a disciplina de Português discriminou as escolas num intervalo superior ao da Matemática, como se pode observar na tabela abaixo. Destaca-se a azul esta disciplina, em sinal de gratidão aos docentes de Matemática, o grupo disciplinar que contribuiu para uma melhor imagem da escola através dos rankings.

Que pode a escola fazer para melhorar a sua posição nos rankings de escolas?
Primeiro, temos de reconhecer que o problema fundamental deriva da composição da população escolar, muito diversa e oriunda de meios sociais dotados de escassos recursos cognitivos. Este aspecto é uma condicionante que não podemos mudar. Por mais planos para a Matemática ou para a Leitura que o ME trace para as escolas, a nossa desvantagem competitiva mantém-se, cristalizando a nossa posição no final da tabela como um problema estrutural.
E então perguntam-nos novamente o que poderá a escola fazer. Situações específicas exigem respostas pensadas à sua medida. Ficam algumas sugestões:
- A escola deveria adaptar melhor a sua oferta escolar aos interesses da população discente, designadamente prevendo mais turmas na área da informática;
- Conhecendo o problema central de muitos alunos, deveriam promover-se actividades que contribuíssem para a sua aprendizagem da língua, tanto na sala de aula como fora da sala de aula:
a) Na sala de aula. Os alunos geralmente desenrascam-se a falar, mas sentem grandes dificuldades em transpor as suas ideias para o papel. Creio que os problemas a português são de tal dimensão, que todos os professores deveriam esforçar-se por reforçar a componente escrita das aulas, ditando mais e falando menos…. Apesar de poder parecer um retrocesso em termos de estratégias pedagógicas, os nossos alunos precisam desesperadamente de aprender a escrever!
b) Fora da sala de aula. Deveria ser criada uma sala de convívio que poderia funcionar no refeitório durante quase todo o dia, pois este é utilizado para servir almoços durante escassas horas. Os professores que agora fazem substituições iriam dialogando com os estudantes, enriquecendo o seu vocabulário e assegurando a vigilância do espaço. As actuais aulas de substituição só servem para os alunos grunhirem entre si numa linguagem que a escola não tem interesse em promover, e portanto deveriam ser substituídas pela sala convívio.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Europa Pra Que Te Quero

Os meus alunos do curso profissional tiveram oportunidade de conversar com os candidatos ao Parlamento Europeu. Foi o chat possível dada a sua bagagem. Inicialmente dispararam algumas perguntas que já levavam engatadas, mas como não percebiam as respostas dos políticos, não conseguiam ripostar e só lhes restava disparar uma nova pergunta.
Fiz um post especial para esta aula centrado na perpetuação da pobreza em Portugal, apontando o cavaquismo como uma grande oportunidade perdida.
O chat entre os alunos e os candidatos ficou online aqui.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Os meus alunos não andam a brincar na Internet! Fazem tudo em papel!

- Os meus alunos não andam a brincar na Internet! - como com outros colegas - Fazem tudo em papel!
Ouvi esta indirecta numa reunião que tive hoje. Prefiro responder por aqui porque já desisti de querer convencer toda a gente das minhas ideias.
Se para a estimada colega, saber escrever no Word consiste em utilizar os 10 dedos sem mexer as mãos, e a eficiência se mede pelo número de batimentos - como aprendemos quando utilizávamos máquinas de escrever - imagino que deverá aprender a utilizar o rato antes de se aventurar pela Internet.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Amanhã temos de chegar a horas à aula de Chinês!

Estamos numa fase difícil. Durante o primeiro e segundo períodos sempre se realizaram lanches à quarta-feira na minha escola, que fomentavam o convívio e mostravam a união na luta contra o modelo de avaliação. Estes lanches deixaram de se realizar neste período por falta de “clima”, visto que uns simpáticos resolveram tirar proveito da confusão para simular que estão a ser avaliados. Imaginem a disposição para o convívio que me deu ouvir um aluno a dirigir-se para os colegas com este aviso:
- Amanhã temos de chegar a horas à aula de Chinês(1), porque vêm assistir à aula da professora aqueles doutores!
Creio que os lanches das quartas-feiras são um barómetro seguro do estado da alma dos professores, porque a observação não poderia ser mais directa, nem o "tema" ser mais abrangente.
Ensinou-me a Sociologia a ser comedido nos comentários, para evitar conclusões precipitadas. Os blogues “especialistas em educação” afinam pelo diapasão da desmobilização, mas creio que estão a precipitar-se. Na minha opinião estão a fazer um compasso de espera, observando o que este simplex dá, porque no início do próprio ano ninguém aguentará novamente o modelo do DR 2/2008 com todos os itens.
A avaliação que está ser feita é uma farsa, que pode ser ensaiada para duas ou três aulas, que não são representativas das restantes. Quando o aluno se referiu à "aula da professora" enfatizou bem que se tratava de uma palhaçada! O avaliador vai simplesmente observar a reacção à sua presença, e tomará o espectáculo como aulas representativas de Chinês!
O mínimo exigível seria que os avaliadores conhecessem as armadilhas da observação participante! Mas isso seria se a observação directa fosse utilizada como técnica do método científico... Aqui encontra-se reduzida a componente de um processo administrativo, e naturalmente que não é suposto que os agentes conheçam as técnicas de investigação sociológica. Para quem é, bacalhau basta.
(1) Mudei o nome da disciplina para não identificar o/a colega.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Professores desportistas

Até aqui na minha escola tinha-se vivido um clima de tranquilidade, porque apesar das diatribes da Milu, sempre foi política do Conselho Executivo esperar para ver os problemas que a avaliação de desempenho está a levantar nas outras escolas, sem pressas, privilegiando a segurança. Têm acompanhado as reuniões dos Conselhos Executivos, e sabendo o que se passa nas outras escolas também têm mais referências para prosseguirem o seu caminho sem hesitações nem precipitações. Porém o ME impôs às escolas um impresso onde basta colocar uma cruz para solicitar aulas assistidas. Não interessa que a escola não tenha avançado nada em termos de avaliação do desempenho, não interessa que os professores nada tenham investido no seu processo de avaliação, não lhes é exigido nenhum portefólio, basta que coloquem uma X na respectiva quadrícula, e os avaliadores que se desenrasquem. Senti-me constrangido a escrever o post porque considero eticamente condenável estes colegas esquecerem os compromissos que tinham assumido por escrito, e tentarem aproveitar o desarme dos honestos precisamente para os ultrapassar. Espero que compreendam que este post não foi escrito contra ninguém em particular, apenas utilizo a escrita para libertar a minha mente de assuntos que me fazem passar. Uma vantagem de colocar os pensamentos por escrito está na arrumação das ideias, libertando-me para poder pensar naquilo que realmente me interessa. Escrevi no exercício do meu direito de expressão da opinião, como cidadão livre.
Chamo-lhes desportistas porque encaram o exercício da actividade docente desportivamente. Os desportos têm um carácter eminentemente lúdico, assumindo uma posição secundária relativamente à actividade principal para a generalidade das pessoas. Só os atletas profissionais são escravos do desporto, a maralha treina quando lhe apetece.
O que caracteriza fundamentalmente os professores desportistas é o seu descompromisso com a actividade. Podem estar a dar aulas este ano, mas isso não significa que continuem a leccionar no ano seguinte. Por exemplo, podem ir gerir um Hotel em Cabo Verde ou ficar aqui pela zona a vender apartamentos. O importante é que não se sentindo vinculados a longo prazo com a docência são incapazes de desenvolver um investimento que exija dispêndio de esforço durante um período de tempo relativamente prolongado, mas sentem-se livres para aproveitar qualquer janela de oportunidade.
Imagino que se verificasse o registo biográfico de um professor desportista, a sua assiduidade não seria exemplar, pois será conduzido pela lógica de respeitar os limites legais para o exercício da actividade. Esta lógica transpõe-se facilmente para acções de formação até obter os créditos suficientes para a mudança de escalão, baldando-se a umas sessões e chegando atrasado ou saindo mais cedo de outras, entre outras estratégias de desinvestimento. A procura de um maior nível de escolaridade na sua área disciplinar seria obviamente considerada uma perda de tempo pelos desportistas.
Os desportistas são bons conhecedores de bares, restaurantes, discotecas, cinemas e teatros. Têm boa cultura nestas áreas, mas pensam que a Contabilidade é Microeconomia! Falta-lhes paixão para estudarem Economia de modo a compreenderem como esta se organiza, e nunca conheceram nem irão conhecer nenhum autor de Micro, apesar de estarem no Grupo de Economia!
Imagino que todos os desportistas terão subscrito a moção a solicitar a suspensão do processo de avaliação, porque 175 dos 184 professores assinaram-no de livre vontade, significando estes números que alguns que porventura nem tenham ido à escola naquele dia perderam a oportunidade de manifestar a sua discordância. Todos os professores têm motivos fortes para discordar do modelo de avaliação. Os desportistas certamente preferiam um modelo mais light e não terão tido a menor dúvida.
A escola realizou uma assembleia-geral para os professores discutirem a avaliação e se possível, tomarem posições concertadas a nível de escola, quanto à não entrega dos Objectivos Individuais. Tive oportunidade de perceber a aflição dos professores contratados, mas evidentemente que não se ouviu nenhuma voz dos desportistas, porque estes não têm qualquer convicção.
Apreciei a coragem dos professores contratados que numa reunião autónoma discutiram a sua situação e concluíram que seria inaceitável qualquer forma de pactuar com o modelo de avaliação proposto.
Os desportistas são como os abutres. Podem aparecer no fim, dispostos a comer o que restar. Já sabem que têm de estar preparados para o falhanço do golpe porque a lógica "danoninho" já lhes foi explicada na reunião geral:
- Olha coleguinha, a tua aula foi MUITO BOA, mas faltou-te “um bocadinho assim” para chegares ao meu nível... e como eu só vou ter BOM, desculpa lá mas não podes ter melhor!
Uma das desportistas disse-me que não faria sentido nenhum não atribuir um 20 a Economia a um aluno só porque tive um 12 quando fui estudante! Recordaria a esta desportista “inteligente” que os meus alunos estão suficientemente distantes de mim para nunca virem a concorrer directamente comigo, o que me permite ser independente. Já os desportistas em muitos casos poderão vir a concorrer directamente com os seus avaliadores. Capito?
Outra coisa que será verdade para os desportistas: ganhar ou perder tudo é desporto. Como nunca investiram seriamente na profissão, mas estão apenas a aproveitar um buraco aberto no meio da bandalheira, a não obtenção do Excelente ou do Muito Bom nunca significará para si qualquer humilhação. Seja qual for o resultado ficarão tranquilos, porque tentaram a sua chance.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Professores da Gama Barros criaram um fundo de emergência para ajudar alunos carenciados

A escola sente a cise e tenta fazer o que pode.
- Os professores da Escola Gama Barros criaram um fundo de emergência para ajudar alunos carenciados da cidade Agualva-Cacém num momento em que circula na escola uma recolha de doacções para apoiar uma aluna em dificuldades económicas.
"Existem situações difíceis em algumas famílias e temos um fundo de emergência para ajudar, feito através de donativos, a maior parte de professores que são extremamente solidários, para acudir essas famílias", disse à agência Lusa, o professor Adérito Cunha.
Os "três D´s" (divórcio, doença e desemprego= potenciam, segundo o professor, as situações difíceis que algumas famílias de alunos da Gama Barros enfrentam em 2009.
"Estes três factores são uma mistura explosiva e são insustentáveis para as famílias", garantiu Adérito Cunha, acrescentando que, do total de 1500 estudantes da escola, um terço já recebe apoio do Serviço de Acção Social Escolar (SASE).
Segundo o professor, tem havido um aumento gradual de alunos a solicitar refeições na escola, o que demonstra a debilidade financeira das famílias.
"Uma directora de turma colocou-me um problema muito difícil: uma aluna estava a faltar e a directora já tinha desenvolvido todos os mecanismos para ela vir à escola" mas veio-se a saber que "era porque não tinha roupa", disse.
JORNAL DE NOTÍCIAS, 10 / FEV / 2009
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
O sonho se Sócrates!

Com um país parado, como o que se antevê para amanhã em resultado da greve dos professores, e com uma imprensa que não controla, designadamente em resultado da explosão de sites na Internet - visitem o http://www.premiosprecariedade.net/ e votem! - certamente que José Sócrates já teve o sonho do seu amigo Hugo Chavez "para pôr o pais na ordem" ;)
Chavez pede que partido prepare emenda para permitir sua reeleição ilimitada
A chatice é que Portugal é membro na União Europeia, que impõe a adopção das regras de uma democracia formal. Senão poderia sentar-se à mesa com Manuela Ferreira Leite, que até propôs a suspensão da democracia, para realizar as reformas!!! Realizaram-se em Portugal algumas reformas durante a ditadura? Ou tudo o que se fez deveremos agradecer à democracia?
Adenda
Na minha escola, a greve de 3 de Dezembro teve uma adesão superior a 80%, segundo Manuel Sanches.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Carta Aberta do Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino ao Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação

Senhor Secretário de Estado
Não pode deixar de nos preocupar – enquanto inspectores da carreira técnica superior de inspecção da educação – a notícia inserta na página 9 do “Público” de hoje, 11 de Novembro, com o título “Governo não avança para já com processos disciplinares a quem recusar avaliação” – a serem autênticas as declarações que a agência “Lusa” lhe atribui, Senhor Secretário de Estado, e que o jornal transcreve. “O ministério da Educação não fará nada para aplicar esses processos [disciplinares] neste momento”, terá dito o Senhor. Mesmo que tenha dito apenas isto, é óbvio que o Senhor Secretário de Estado já disse demais. Ao dizê-lo, faz recair sobre os docentes, ao mesmo tempo, uma ameaça e uma chantagem – e infecta com um acriterioso critério de oportunidade um eventual desencadeamento da acção disciplinar. Como se lhes dissesse: «”neste momento” ainda não vos posso apanhar, mas não esperam pela demora…». Por que é que “neste momento” o Ministério não fará nada?… Porque entende que “neste momento” a acção não é oportuna. E pode a tutela reger-se, nesta matéria, por critérios de oportunidade?… A resposta é: sim, pode. E quais são eles? Bem, as coisas aqui complicam-se, porque a resposta fica eivada de uma fortíssima carga subjectiva, uma vez que, nesta matéria, não estão taxativamente definidos limites que impeçam um elevado grau de discricionariedade. Digamos que, no essencial, mais do que por condicionantes legais, são as condicionantes éticas que devem filtrar a oportunidade do recurso a critérios de oportunidade. E é neste domínio que devem ser apreciadas as suas declarações, Senhor Secretário de Estado. Mesmo na hipótese de comportamentos de docentes poderem configurar infracção dolosa da lei – nada impede que, por critérios de oportunidade ou outros, se decida não agir disciplinarmente sobre eles, agora ou em qualquer altura. A própria lei consagra essa possibilidade. Mas para tal os critérios têm de ser transparentes e publicitáveis, sob pena de – no caso ora em apreço – a oportunidade servir de biombo ao oportunismo e a discricionariedade servir para esconder a arbitrariedade. Em rigor, não estando nós dentro da sua cabeça, não sabemos por que é que o Senhor Secretário de Estado entende que este não é “o momento”, mas algo nos diz que este seu juízo de valor se relaciona com o facto de no passado dia 8 terem estado na rua 120.000 professores em protesto contra o Ministério da Educação…Por outro lado, quando e se “o momento” surgir, quem vai fazer o quê? Vão os Senhores Presidentes dos Conselhos Executivos, ou os Senhores Directores Regionais da Educação, ou a Senhora Ministra da Educação, instaurar processos disciplinares às centenas ou aos milhares?… Vamos nós, os Inspectores da Inspecção-Geral da Educação, instruir processos disciplinares às centenas ou aos milhares?… Isto é: vamos tentar resolver(!) pela via da acção disciplinar problemas que possuem a sua raiz claramente fora dela – correndo o risco de instrumentalizar e governamentalizar a Inspecção, sem honra nem glória para nenhuma das partes implicadas e, no limite, com prejuízos para todas elas? Não se pode pedir aos Inspectores da Inspecção-Geral da Educação que retirem do lume as castanhas que outros lá colocaram. Basta de alimentar fantasmas que Professores e Inspectores, e mesmo algumas tutelas, há muito lutam para que desapareçam, particularmente desde o 25 de Abril de 1974! O Senhor Secretário de Estado provavelmente desconhece – e para que o conhecesse bastava que lesse Camões – que uma lei não é justa porque é lei, mas porque é justa, e que o que há de mais permanente na lei é a sua permanente mudança, e que mesmo esta já não muda como “soía”, e que, se assim não fosse, o Código do saudoso Hamurabi continuaria em vigor; o Senhor Secretário de Estado, se alguma vez o soube, esqueceu tudo o que leu do sempre presente Henry David Thoreau e da sua “desobediência civil” O que há de doloroso em tudo isto – e ainda mais num Ministério da Educação – é que, no fundo, estamos confrontados com um problema de cultura, ou de falta dela. Perante isto, os critérios de oportunidade, ou as suas declarações, Senhor Secretário de Estado, ou a potencial instrumentalização e governamentalização da Inspecção – tornam-se, a prazo, questões irrelevantes. Mas temos também a obrigação de, no imediato, sabermos lidar com a circunstância, e de compreendermos a gravidade que ela assume. Não questionando a legitimidade dos governos no quadro do Estado de direito democrático, a verdade é que, exactamente por esse quadro, as Inspecções da Educação são inspecções do Estado e não do governo, e não podem deixar de funcionar sob o registo de autonomia legalmente consagrado. Citando aquele que foi o primeiro Inspector-Geral (da então Inspecção-Geral do Ensino), “a Inspecção, isto é, cada Inspector, está condenada/o a ser a consciência crítica do sistema”. Entre nós, Inspectores de todas as inspecções da educação, costumamos dizer que, não raramente, andamos “de mal com os homens por amor d’el-rei e de mal com el-rei por amor dos homens”. Uma exigência, Senhor Secretário de Estado: os Inspectores da educação querem ser parte da solução, não querem ser parte do problema. O Senhor Secretário de Estado e o Ministério da Educação – o que é que querem?…
Pel’A Direcção do S.I.E.E.
José Calçada
(Presidente)
Esta carta aberta chegou-me por mail. É elucidativa do caos que ME criou. Na minha escola, em 184 professores, 175 subscreveram a moção com vista à suspensão do modelo de avaliação. Admitindo que nas outras escolas a adesão foi semelhante, será impossível a Inspecção instruir qualquer processo ;) Portanto, o tiro da Ministra acertou-lhe nos pés.
Adenda
Conferir Manuel Sanches
O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)
Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...
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Quando estava na NOS, podia ver televisão no computador através do site https://nostv.pt , mas a DIGI não tem nenhuma aplicação para a web,...
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Hoje, enquanto me sentava no meu banco de jardim habitual, observando o mundo a passar – e, claro, a espreitar um pouco o que acontece no me...
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O “salário” de António Mexia permitiria pagar o salário mínimo a 532,6 pessoas, que ganhassem o salário mínimo nacional, que se encontra no...


