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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Rita Lee no Divã de Durkheim: O Amor como Cimento Social (e o Sexo como Alerta Vermelho)

 Se Max Weber se preocupava com o sentido que cada um dá à sua "caipirinha", Émile Durkheim estaria no canto do bar, de bloco de notas na mão, a observar se o comportamento dos presentes não está a fazer desmoronar os alicerces da civilização ocidental.

Para o pai da sociologia francesa, a letra de Amor e Sexo não é uma confissão íntima; é um relatório sobre o estado da nossa Consciência Colectiva.

1. O Amor não é Sorte, é Disciplina!

Durkheim soltaria uma gargalhada ruidosa ao ouvir que "amor é sorte". Para ele, o amor é um Facto Social. É o "latifúndio", sim, mas no sentido de uma estrutura que a sociedade nos impõe para não morrermos de Anomia (aquele vazio existencial de quem não tem regras).

Quando a letra diz que o amor é "cristão" e "divino", Durkheim assente com a cabeça: a sociedade cria o Sagrado para se adorar a si própria. O amor é a "Solidariedade Mecânica" a tentar sobreviver — um conjunto de rituais (a "novela", o "teorema") que garante que não nos portamos como animais selvagens à hora do jantar.

2. O Sexo como "Efervescência Colectiva" (ou apenas Caos)

Onde Rita Lee vê "uma selva de epiléticos", Durkheim vê o perigo da desintegração. O sexo, enquanto "pagão" e "invasão", é a força que ameaça a coesão. No entanto, como bom sociólogo, ele reconheceria no "Carnaval" o momento da Efervescência Colectiva. É aquele breve instante em que a sociedade deixa a malta "invadir" as regras para que, na Quarta-feira de Cinzas, todos voltem obedientemente para o "latifúndio" do casamento. O sexo é o "profano" necessário para que o "sagrado" (o amor) pareça mais brilhante.

3. A Tirania da "Vontade"

"Sexo sem amor é vontade", diz a canção. Para Durkheim, isto é um diagnóstico clínico de uma sociedade doente. A "vontade" individual, sem o freio moral do grupo, é um poço sem fundo. Deixar o sexo ser apenas "vontade" é condenar o indivíduo a um desejo infinito que nunca se satisfaz. Para Durkheim, o sexo só é "do bom" se for devidamente enquadrado pela função social. Fora disso, é apenas "anomia" — e nós sabemos que, para Durkheim, a anomia acaba mal (leiam o livro dele sobre o Suicídio antes de pedirem a próxima rodada).

4. Bossa Nova vs. Carnaval: A Ordem das Coisas

O amor é "Bossa Nova" porque é harmonioso, previsível e mantém o tom da instituição. O sexo é "Carnaval" porque é a excepção ritualizada. Durkheim resumiria a canção assim: o Amor é a Solidariedade que nos obriga a ser "patéticos" (ou seja, previsíveis e sociais), enquanto o Sexo é a energia bruta que a sociedade tenta, a todo o custo, transformar em "dois" (um contrato funcional) para que não acabemos todos sozinhos a comer gelado no sofá.

5. O Amor Romântico como "Anomia" e Paixão Desregulada

Durkheim via o conceito de amor romântico a emergir, mas não o celebrava como os poetas. Para ele:

  • O Amor Romântico é um facto social da modernidade.

  • O Perigo é que ele seja demasiado "animal" (pulsional) e pouco "social" (regulado).

  • A Solução é o "Amor-Instituição": aquele que transforma a paixão inicial numa função social estável.

Portanto, se Durkheim ouvisse a Rita Lee dizer que "amor é para sempre", ele concordaria... mas acrescentaria que só é para sempre porque a Sociedade (através das leis e da moral) obriga a que assim seja, e não porque o "cupido" acertou no alvo.

Para o sociólogo francês, o amor romântico sem a disciplina social era apenas uma forma de "embriaguez colectiva" que passaria depressa, deixando o indivíduo isolado e anómico.


Da próxima vez que sentirem que o amor é "sorte", lembrem-se de Durkheim: é apenas a vossa Consciência Colectiva a sussurrar-vos ao ouvido para não destruírem a família tradicional. Nada existe de moral em viver por viver. A moralidade do acto reside na subordinação do indivíduo aos interesses da sociedade, começando pela sua família.

Uh-uh! Ai, a Coesão Social...

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Do Destino ao Deslize: Giddens explica porque é que a Rita Lee tinha razão

 Se achavam que a vossa vida amorosa era confusa, tentem lê-la à luz da sociologia de Anthony Giddens. No seu clássico The Transformation of Intimacy: Sexuality, Love and Eroticism in Modern Societies, Giddens basicamente diz-nos que o amor tradicional morreu e que agora estamos todos por nossa conta e risco. E a Rita Lee, que nunca precisou de um doutoramento em Cambridge para saber das coisas, já tinha feito o resumo da ópera em "Amor e Sexo".

Eis a anatomia da nossa "modernidade reflexiva" (ou, como eu lhe chamo, o pânico de Domingo à tarde):

1. O Fim do "Destino" (Amor Romântico) vs. O "Esporte" (Amor Confluente)

Antigamente, o amor era um "livro" com princípio, meio e um "viveram felizes para sempre" obrigatório. Giddens chama-lhe Amor Romântico. A Rita chama-lhe "sorte". Hoje, entrámos na era do Amor Confluente. O amor agora é "esporte" e "escolha". Ou seja, a relação dura enquanto for útil, prazerosa e não nos der cabo dos nervos. É a democratização da intimidade: eu estou contigo enquanto fores "do bom", mas se a "vontade" passa, o contrato rescinde-se sem aviso prévio. É o amor com cláusula de rescisão.

2. A "Sexualidade Plástica" (Ou: O Sexo que Não Pede Licença)

Giddens fala da Sexualidade Plástica — uma sexualidade moldável, libertada da reprodução e das convenções, as populares amizades coloridas. A Rita diz que "Amor é um, sexo é dois / Sexo antes, amor depois". Isto é o auge da modernidade: primeiro testamos o motor ("sexo é animal"), e só depois decidimos se queremos assinar o contrato de arrendamento emocional ("amor demora"). Inverter a ordem dos factores não altera o produto, mas altera drasticamente a nossa saúde mental, não é verdade?

3. Amor como "Latifúndio": A Invasão Territorial

"Amor é latifúndio, sexo é invasão". Giddens explica que o amor romântico era colonizador — queríamos ser o dono da terra, do pensamento e da password do telemóvel do outro. Na "relação pura" de Giddens, tentamos ser autónomos, mas a verdade é que, no momento em que o "teorema" se torna sério, voltamos todos a querer cercar o terreno. Queremos ser modernos e "confluentes", mas no fundo ainda guardamos uma enxada no armário para defender o nosso latifúndio emocional.

4. A Novela vs. O Cinema

"Amor é novela, sexo é cinema".

  • A Novela (Giddens): É a narrativa biográfica, o quotidiano, a negociação constante de quem despeja o lixo. É lenta e, por vezes, tem episódios que podiam ser cortados.

  • O Cinema (A Vida Moderna): É o impacto, a montagem rápida, o efeito especial. É a sexualidade como espetáculo de curta duração.

Giddens diz que somos "indivíduos reflexivos". A Rita diz que o amor nos torna "patéticos". Eu diria que somos patéticos porque somos reflexivos: passamos tanto tempo a analisar o "teorema" e a decidir se a relação é "pura" ou "tóxica", que esquecemos que, no final do dia, somos apenas mamíferos a tentar conciliar a "bossa nova" com o "carnaval".

Portanto, da próxima vez que estiverem a questionar se o vosso namoro é uma "relação pura" ou apenas um "esporte" de Verão, lembrem-se: a sociologia explica, mas a Rita é que cura.

Uô-uô-u!

quarta-feira, 1 de abril de 2026

O Cérebro em Transe: Quando a Ciência Explica a Rita Lee

 Se sempre acharam que a vossa vida amorosa parecia uma "selva de epiléticos", parabéns: a antropologia dá-vos razão. Segundo Helen Fisher, a nossa maior autoridade em assuntos do coração (ou melhor, do núcleo caudado), a diferença entre o amor e o sexo não é apenas uma questão de etiqueta ou de preferência de fim-de-semana; é uma ditadura química da qual ninguém escapa.

Enquanto a Rita Lee nos avisava que "amor é um livro e sexo é esporte", a ciência estava ocupada a tirar radiografias ao cérebro para confirmar o óbvio. Aqui ficam as conclusões, para quem gosta de saber exactamente que hormona culpar no próximo jantar de Santo António:

1. O Sexo é apenas a Testosterona a fazer "Bumping"

Para Fisher, o sexo é aquele impulso animal, o "pagão", o "carnaval". É a testosterona a gritar por atenção. É o sistema mais democrático do corpo: não escolhe poetas, quer apenas resultados. É, literalmente, o "esporte" que a letra menciona, mas sem medalhas de ouro no final — apenas um aumento temporário na frequência cardíaca e, com sorte, um pequeno bónus de dopamina.

2. O Amor Romântico: Uma Obsessão com Nome de "Teorema"

Quando a letra diz que o "amor nos torna patéticos", Fisher assente vigorosamente com a cabeça. As ressonâncias magnéticas mostram que o cérebro apaixonado é indistinguível de um cérebro sob o efeito de cocaína. O córtex pré-frontal — aquela parte que nos impede de ligar ao ex às três da manhã — decide tirar férias, deixando a dopamina ao comando. Resultado? Tornamo-nos peritos em "teoremas" inúteis sobre o que ele(a) quis dizer com aquele emoji.

3. O Amor que "Demora" (ou o Sossego da Ocitocina)

A canção diz que o "amor vem de nós e demora". Fisher chama-lhe Apego. É aqui que entram a ocitocina e a vasopressina, as hormonas da paz, da segurança e de quem já não precisa de fechar a porta da casa de banho. É o "amor do bem", aquele que sobrevive ao fim do "carnaval" e que, curiosamente, é o único que nos impede de mandar tudo às favas quando o "teorema" inicial se revela uma equação de segundo grau sem solução.

A Conclusão Prática: Se o sexo é "animal" e o amor é "divino", o ser humano é apenas um bípede confuso a tentar gerir três sistemas químicos que raramente concordam entre si. O sexo pode vir antes, o amor pode vir depois, e a amizade é o que resta quando a farmácia interna fecha para balanço.

Como diria a Rita: é isso, é aquilo e coisa e tal. A ciência explica o "tal", mas o "coisa" continua a ser por vossa conta e risco.

terça-feira, 31 de março de 2026

O Engate de Bar sob o Olhar de Max Weber: Uma Anatomia do Desejo

Se pensavam que a canção de Rita Lee - Amor e Sexo - era apenas uma ode à libertinagem tropical, desenganem-se. Estamos perante um tratado sociológico que faria o velho Max Weber largar o seu ascetismo protestante e pedir uma caipirinha.

Na verdade, o poema é o resumo perfeito da tragédia da modernidade: a tentativa desesperada de organizar o caos da carne em categorias arrumadinhas. Vamos à autópsia:

1. O Amor como Burocracia do Sentimento

Weber falou-nos do desencantamento do mundo, e nada é mais desencantado do que transformar a paixão num "livro" ou num "teorema". O amor aqui é a Gaiola de Ferro das emoções. É o "latifúndio" — tem escritura, tem cercas e, provavelmente, impostos a pagar. É o triunfo da racionalidade: transformamos o arrebatamento numa "novela" previsível, onde o guião é ditado pela tradição e pela ética cristã. É seguro, é rotineiro e, como diz a letra, torna-nos "patéticos".

2. O Sexo como a Última Fronteira do Irracional

Enquanto o amor se ocupa de construir o condomínio fechado da relação, o sexo é o Carisma em estado puro. Weber via no erotismo uma das poucas fugas à racionalidade técnica.

  • O sexo como "esporte" é a eficiência máxima;

  • Como "selva de epiléticos", é a suspensão total da lógica burocrática. É a "invasão" — não pede licença ao Estado, nem à Igreja, nem ao síndico do prédio. É o último reduto do Paganismo num mundo que insiste em colocar etiquetas em tudo.

3. A Ética do "Bom" contra a Ética do "Bem"

Aqui a ironia atinge o seu auge. O amor é "do bem" (orientado por valores, pela moral, pela eternidade que tanto cansa), enquanto o sexo é "do bom" (orientado por fins, pelo prazer pragmático, pela satisfação da "vontade"). O amor "demora", porque a burocracia do espírito nunca foi rápida. Já o sexo "vai embora", tal como uma transacção económica eficiente num mercado livre: satisfaz a procura e retira-se de cena antes que seja necessário discutir o pequeno-almoço.

Conclusão: Bossa Nova ou Carnaval?

A letra condena-nos a este "politeísmo de valores" weberiano. Passamos a vida a tentar decidir se queremos a ordem harmoniosa da Bossa Nova ou a anarquia suada do Carnaval.

No fundo, Weber explicaria que o drama humano é este: queremos a segurança do "latifúndio" no amor, mas não resistimos a uma boa "invasão" ao fim de semana. E, entre um teorema e uma fantasia, acabamos todos no mesmo sítio: a tentar perceber se o que sentimos é "vontade" ou apenas um erro de cálculo na nossa racionalidade instrumental.

Uh-uh! Ai, a Sociologia...

segunda-feira, 17 de março de 2008

A distribuição Normal: fazer amor, cumprir tarefas e fazer sexo

A distribuição Normal pode ter as mais diversas aplicações. A partir do momento em que se estabelecem três áreas sob a função de distribuição, podemos utilizar a nossa imaginação para a aplicar nos mais diversos campos. A aplicação mais divertida que li, relaciona o número de ocorrências com o grau de devassidão da relação sexual para distinguir fazer amor de cumprir tarefas e de fazer sexo.




Aos interessados neste tema proponho a leitura do site que serviu de inspiração, embora não o recomende a leitores sensíveis ;)
http://www.cocadaboa.com/arquivos/008777.php

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...