Os políticos têm hoje uma longa noite para se entender quando ao que Cavaco disse. Especialmente tendo em consideração as diversas interpretações das principais agências internacionais, parece que ninguém quer entender Cavaco.
A decisão apresentada constitui claramente um cartão vermelho ao PS, que já se manifestou contra a proposta de Cavaco. Não se dignam de apresentar qualquer justificação, bastando-lhes imaginar que a conversão das últimas sondagens em mandatos lhes seria favorável. Apenas desejam chegar ao poder, por desgaste da coligação CDS-PSD, mas não se espera do PS uma mudança de política, sabendo-se que nos Governos de Mário Soares o partido foi o rosto da austeridade.
O CDS levou cartão amarelo! Tinha ganho poder no interior da coligação à custa de manobras palacianas, pelo que Cavaco fez bem ao travar Portas. Se este só com uma pasta de cada vez já enrolou o país em tantos casos (desaparecimento de documentos, submarinos,...) então como super-ministro dificilmente se imagina até onde iria o seu poder destrutivo.
Claramente, o PSD é o partido beneficiado com a sua proposta. Com um “Governo de Salvação Nacional” PS-PSD-CDS, cuja primeira missão é realizar eleições, imediatamente depois de a Troika sair do país (!), Cavaco está a situar o PSD na pole position, porque anulará os ganhos da oposição (do PS, e mesmo do CDS!) resultantes do desgaste do Governo. Mais, vangloriar-se-ão de terem evitado um segundo resgate... porque facilmente reverterão igualmente como mérito seu a almofada do “programa cautelar”. Assim, o PSD será o partido em melhores condições nas eleições de Junho de 2014. Podemos dizer que o PSD teve um cartão laranja, porque afinal Cavaco é seu!
É triste viver em democracia, quando as alternativas se limitam ao PS e ao PSD...
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quinta-feira, 11 de julho de 2013
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Estará Portugal a acordar?
Há uma teoria das rãs que diz que aquela que foi metida numa panela com água a ferver, saltou da panela e salvou-se. Outra rã que entrou com a água morna deixou-se ficar, entretanto a água foi continuando a ser aquecida, ela não reagiu, e ficou cozida.
A distribuição do rendimento pelos factores produtivos (trabalho/capital) é hoje mais desfavorável ao trabalho do que chegou a ser durante o Estado Novo, desde 1980 para cá todas as políticas têm agravado o fosso entre os mais ricos mais pobres - descontando alguns anos de benesses justificadas pelas eleições - mas é relativamente raro falar-se do assunto.
Entretanto a declaração patética de Cavaco Silva deu origem a uma petição pela sua demissão, em jeito de brincadeira, que está a ser levada a sério por muitos. De sábado até hoje já ultrapassou os 5.500 subscritores.
Cavaco está a queixar-se de tomar xarope, enquanto o povo já anda a supositórios ;)
A distribuição do rendimento pelos factores produtivos (trabalho/capital) é hoje mais desfavorável ao trabalho do que chegou a ser durante o Estado Novo, desde 1980 para cá todas as políticas têm agravado o fosso entre os mais ricos mais pobres - descontando alguns anos de benesses justificadas pelas eleições - mas é relativamente raro falar-se do assunto.
Entretanto a declaração patética de Cavaco Silva deu origem a uma petição pela sua demissão, em jeito de brincadeira, que está a ser levada a sério por muitos. De sábado até hoje já ultrapassou os 5.500 subscritores.
Cavaco está a queixar-se de tomar xarope, enquanto o povo já anda a supositórios ;)
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Demonstrando a insanidade do modelo de avaliação de desempenho pelo absurdo
Muitos colegas preocupam-se legitimamente com taxas de sucesso do alunos, que depois são perversamente utilizadas para avaliar o trabalho dos professores.
Santana Castilho desenvolveu a analogia avaliando os juízes pelos criminosos recuperados e imaginado-os a fixar objectivos do tipo: número de arguidos a julgar, percentagem a condenar e contingente a inocentar. Também os médicos suportariam a verificação de todos os diagnósticos, todas as estratégias terapêuticas e todas as prescrições feitas a todos os doentes e fixariam objectivos.
Este artigo é muito mais abrangente, pois para observar que Cavaco Silva só abriu a boca quando a escola privada foi beliscada, sumariando o processo de destruição da escola pública a que este tem dado o seu aval.
Santana Castilho desenvolveu a analogia avaliando os juízes pelos criminosos recuperados e imaginado-os a fixar objectivos do tipo: número de arguidos a julgar, percentagem a condenar e contingente a inocentar. Também os médicos suportariam a verificação de todos os diagnósticos, todas as estratégias terapêuticas e todas as prescrições feitas a todos os doentes e fixariam objectivos.
Este artigo é muito mais abrangente, pois para observar que Cavaco Silva só abriu a boca quando a escola privada foi beliscada, sumariando o processo de destruição da escola pública a que este tem dado o seu aval.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Cavaco venceu com apenas 23% dos sufrágios
A política nunca foi tão desinteressante quanto nestas eleições. Que interesse poderíamos ter em votar sabendo que Sócrates, embora apoiasse formalmente Manuel Alegre numa coligação contra-natura com o Bloco de Esquerda, certamente preferia a vitória de Cavaco?
Porquê? Cavaco é fixe para Sócrates por duas razões: 1. No primeiro mandato não vetou nenhum diploma, e no segundo deverá seguir sensivelmente o mesmo padrão; 2. Estando um Presidente do PSD em Belém mais facilmente ele vence as legislativas, porque o eleitorado aplica a teoria da separação dos poderes pelas duas cores: rosa e laranja.
Até o modernaço Cartão do Cidadão me ajudou, mas desta vez venci as eleições, porque me senti bastante confortável ao lado da imensa maioria sem pachorra para votar em eleições que não oferecem nenhuma alternativa.
Já agora convém retirar destas eleições a vitória do Facebook, pois a imprensa tradicional sempre promoveu "os dois principais candidatos", mas se o Partido Comunista tivesse oferecido os seus votos a Fernando Nobre teria sido este o segundo.
Como apenas votaram 4.489.904 votantes, correspondendo a 46,6% dos inscritos (9.629.630), se calcular a percentagem de votos de Cavaco (2.230.104) relativamente aos inscritos, este obteve 23%!!! Com esta percentagem, se frequentasse o ensino unificado estaria reprovado ;)
Fonte: http://www.presidenciais.mj.pt/
Porquê? Cavaco é fixe para Sócrates por duas razões: 1. No primeiro mandato não vetou nenhum diploma, e no segundo deverá seguir sensivelmente o mesmo padrão; 2. Estando um Presidente do PSD em Belém mais facilmente ele vence as legislativas, porque o eleitorado aplica a teoria da separação dos poderes pelas duas cores: rosa e laranja.
Até o modernaço Cartão do Cidadão me ajudou, mas desta vez venci as eleições, porque me senti bastante confortável ao lado da imensa maioria sem pachorra para votar em eleições que não oferecem nenhuma alternativa.
Já agora convém retirar destas eleições a vitória do Facebook, pois a imprensa tradicional sempre promoveu "os dois principais candidatos", mas se o Partido Comunista tivesse oferecido os seus votos a Fernando Nobre teria sido este o segundo.
Como apenas votaram 4.489.904 votantes, correspondendo a 46,6% dos inscritos (9.629.630), se calcular a percentagem de votos de Cavaco (2.230.104) relativamente aos inscritos, este obteve 23%!!! Com esta percentagem, se frequentasse o ensino unificado estaria reprovado ;)
Fonte: http://www.presidenciais.mj.pt/
sábado, 15 de janeiro de 2011
Cavaco ganhou com uma folga miserável para um presidente em exercício
Nenhum presidente em exercício foi forçado uma segunda volta para obter expressivamente o seu segundo mandato. Cavaco Silva considerou que a sondagem do EXPRESSO/SIC/RR não lhe oferecia uma margem de conforto suficiente e lembrou-se então que os funcionários públicos também votam:
- Estou nesta campanha para falar a todos os portugueses: empresários e trabalhadores, comerciantes e agricultores, pescadores, funcionários públicos, que tão duramente foram atingidos nesta crise, enquanto outros com maiores rendimentos e que não foram chamados a dar o seu contributo.
Cavaco Silva, A Bola, 14-01-2011
É puro eleitoralismo, pois quanto o Governo diz mata o Presidente sempre tem respondido esfola. É o único PR que nunca travou um acto legislativo do Governo (conferir Ricardo Costa, EXPRESSO), e certamente que a redução dos vencimentos dos funcionários públicos foi um dos seus brilhantes conselhos.
domingo, 31 de outubro de 2010
Grécia 2 - Portugal 0, Maior Desenvolvimento Humano e Maior Produto Interno
No segundo Governo de Cavaco Silva, este afirmou que Portugal ultrapassou a Grécia no desenvolvimento económico. Foi uma notícia que encheu o país de esperança num processo de convergência com a União Europeia, mas depressa nos passou o sonho visto que a nossa economia diverge da UE desde 2000.
O gráfico abaixo, de fonte segura, mostra bem que a Grécia ultrapassou Portugal, quer em termos do Índice de Desenvolvimento Humano, quer em termos do Produto Interno Bruto per capita.
Não podia deixar de o publicar, depois da recandidatura de Cavaco Silva ter sido lançada sem nenhuma ideia para o país.
Eu gostaria de não ter perdido a ocasião de ancorar a economia portuguesa à europeia na década em que Cavaco Silva governou (1985-95). Não dá para explicar neste post como transformou em dívida pública os fundos comunitários que jorravam.
Do Cavaco Presidente só me recordo de encenações estúpidas. Fez uma encenação diabólica para o Estatuto dos Açores, mas a montanha pariu um rato porque já não me recordo da "gravidade" da situação. Nas escutas não percebi porque não resolveu o assunto com a polícia. Se acompanhou a situação económica do país não notei nada.
Bye.
O gráfico abaixo, de fonte segura, mostra bem que a Grécia ultrapassou Portugal, quer em termos do Índice de Desenvolvimento Humano, quer em termos do Produto Interno Bruto per capita.
Não podia deixar de o publicar, depois da recandidatura de Cavaco Silva ter sido lançada sem nenhuma ideia para o país.
Eu gostaria de não ter perdido a ocasião de ancorar a economia portuguesa à europeia na década em que Cavaco Silva governou (1985-95). Não dá para explicar neste post como transformou em dívida pública os fundos comunitários que jorravam.
Do Cavaco Presidente só me recordo de encenações estúpidas. Fez uma encenação diabólica para o Estatuto dos Açores, mas a montanha pariu um rato porque já não me recordo da "gravidade" da situação. Nas escutas não percebi porque não resolveu o assunto com a polícia. Se acompanhou a situação económica do país não notei nada.
Bye.
domingo, 24 de outubro de 2010
Se não é de Portugal, então deve ser da União Europeia
- Foram tomadas medidas draconianas esta semana em Portugal, pelo Governo "Socialista" (em tudo menos no nome) de José Sócrates. Mais um caso de um outro governo de centro-direita pedindo ao povo Português para fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria.
E não é porque eles serem portugueses. Vá o leitor ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socioeconómicos, e vai descobrir que doze por cento da população é portuguesa, oriunda de um povo que construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka.
Esta semana, o Primeiro-Ministro Sócrates lançou uma nova onda dos seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por académicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contacto com o mundo real, um esteio na classe política elitista Português no Partido Social Democrata (PSD) e Partido Socialista (PS), gangorras de má gestão política que têm assolado o país desde a Revolução de Abril de 1974.
O objectivo? Para reduzir o défice. Porquê? Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE?
Não, não é. O maravilhoso sistema em que a União Europeia se deixou sugar, é aquele em que as Agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and Poor's, baseadas nos Estados Unidos da América (onde havia de ser?) virtual e fisicamente, controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.
Com amigos como estes organismos e ainda Bruxelas, quem precisa de inimigos?
Sejamos honestos. A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por uma França tremente e com medo, apavorada com a Alemanha depois das suas tropas invadiram o seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. A França tem a agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para a sua indústria.
E Portugal? Olhem para as marcas de automóveis novos conduzidos pelos motoristas particulares para transportar exércitos de "assessores" (estes parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de qual país eles vêm? Não, não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são os Mercedes e BMWs. Topo-de-gama, é claro.
Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD (Partido Social Democrata da direita) e PS (Socialista, do centro direita), têm sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo esgoto abaixo, destruindo a sua agricultura (agricultores portugueses são pagos para não produzir!!) e a sua indústria (desapareceu!!) e sua pesca (arrastões espanhóis em águas lusas!!), a troco de quê? O que é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza numa base sustentável?
Aníbal Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que despejaram biliões de euros através das suas mãos a partir dos fundos-estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque ele é considerado "sério" e "honesto" (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é!!) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.
A sua "política de betão" foi bem concebida, mas como sempre, mal planeada, o resultado de uma inapta, descoordenada e, às vezes inexistente localização no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo. Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.
O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegarem ao litoral ainda mais rapidamente. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam.
Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou-se em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram organizadas caçadas ao javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Cavaco Silva ficaram a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Cavaco Silva ficou a observar enquanto o Governo perdia o controlo. Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político.
E ele é um dos melhores. Depois de Aníbal Cavaco Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo excelente diplomata, mas abominável primeiro-ministro José Durão Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da UE,que criou mais problemas com o seu discurso do que com os que resolveu, passou a batata quente para Pedro Santana Lopes (PSD), que não tinha qualquer hipótese ou capacidade para governar e não viu a armadilha, acabando por resultar nos dois sinistros mandatos de horror ou de horrores de José Sócrates que foi um Ministro do Ambiente competente, mas...
As medidas de austeridade apresentadas por este... senhor..., são o resultado da sua própria inépcia na corrida para enfrentar o período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projectos de educação).
E, assim como seus antecessores, José Sócrates, demonstra falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente são contra-producentes. O Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários públicos, cujos salários vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:
Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%).
Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%).
Concordo com o sacrifício (1%).
Um por cento. Quanto ao aumento dos impostos, a reacção imediata será que a economia encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas, que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afectará a criação de postos de trabalho, e enviará a economia de volta à recessão. O mentalmente avançado idiota que sonhou com esses esquemas que ficaram num pedaço de papel é onde vão permanecer. É verdade que as medidas são um sinal claro para as agências de rating, que o Governo de Portugal está disposto a tomar medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.
Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um retorno do Governo de Portugal para o PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado em votar nas suas excelentes ideias e propostas concretas. No caso do PCP, são melhores salários, maior produtividade, diversificação da economia e basicamente, respeito pelas pessoas que têm suportado estas loucuras por décadas. Um excelente produto sem um bom departamento de vendas.
Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, enviou os interesses de Portugal para o ralo, pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos. Esses traidores estão a levar cada vez mais portugueses a questionarem se não deveriam ter sido assimilados há séculos pela Espanha.
Que convidativo, o ditado português "Quem não está bem, que se mude". Certos, bem longe de Portugal, como todos os que podem estão a fazer. Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para um país maravilhoso, um povo fantástico e uma classe política abominável de centro direita.
Timothy Bancroft-Hinchey
Pravda.Ru
Versão no Pravda em Português | Versão no Pravda em Inglês
Aqui fica um excelente retrato de Portugal a partir do exterior. É esta a nossa imagem aos olhos da Pátria que serviu de modelo a muitas aventuras de inspiração socialista. É triste, em nenhum país do Mundo se conseguiu implementar uma organização social que funcionasse de acordo com os princípios teóricos marxistas, sem degenerar em regimes autoritários.
Esta imagem de Portugal por um jornal da ex-Super-Potência pareceu-me particularmente interessante como ponto de partida para reflexão sobre a nossa história recente.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
“Isto foi como um jogo de futebol em fim de campeonato em que tudo já está decidido. Não serve para nada”

Para os inocentes que ainda alimentassem dúvidas quanto ao "modelo de avaliação" dos docentes, o Governo terá tornado claro que a gestão de recursos humanos do Ministério da Educação está subordinada à política e às dotações do Ministério das Finanças, servindo o dito modelo apenas de funil para impedir a generalidade dos professores de atingir os escalões mais elevados impondo quotas administrativas.
A FENPROF reagiu com a expressão lapidar que escolhi para título deste post, (PÚBLICO, 23/DEZ/2009) mas a lógica da subordinação das remunerações de professores ao défice orçamental tem sido a política mais coerente deste Governo. Obviamente já recebeu as mais violentas manifestações de professores e fez o PS perder a maioria absoluta, mas particularmente num contexto de crise a insistência no funil pode tornar-se uma política populista. Leia-se Milu na versão Isabel Alçada:
- Durante a sua primeira audição na Comissão de Educação, a ministra referiu que o sistema a que estão sujeitos os professores vigora na restante administração pública e não é defensável, no actual momento de crise, uma profissão ter uma situação de benefício face às outras.
PÚBLICO, 21/DEZ/2009
Uma avaliação meritocrática aplicada ao Governo certamente começaria com a começaria com demissão do Primeiro-Ministro, que vai fintando tudo e todos, inclusivamente o sistema judicial, com as suas manobras políticas, recordou o Bloco de Esquerda.
Faz-se frequentemente a comparação entre a hierarquia militar e os professores para afirmar que nem todos poderão ser generais, alguns terão que ser soldados! De facto, quando se faz esta analogia está-se a fugir à explicação de duas situações muito diferentes. Admito que na estrutura militar baste um centro de comando, e qualquer outra opinião possa atrapalhar as operações. Na educação cada professor deverá ter como formação de base um Mestrado, precisamente para assegurar que é capaz de resolver os seus problemas com autonomia. Isto é, cada professor não é um mero executante, é um autêntico centro de comando!
Que interessa à populaça que cada professor seja necessariamente um investigador? Absolutamente nada. Recordo-me de uma "explicação" de Cavaco Silva para os professores ganharem pouco: são professoras que vivem com os maridos e escolheram o ensino para ter tempo disponível para as tarefas domésticas... Parecia mal se recebessem tanto quanto eles!
Do palhaço já não vale a pena falar. A "boa moeda" pensa assim. Que podemos fazer? Para já, os blogues de professores voltaram a actualizar-se...
Santana Castilho expressou o mau-estar dos docentes este Natal:
- (...) congelaram-se salários e pensões acima dos mil euros; congelaram-se as progressões nas carreiras e as admissões; agravaram-se drasticamente as condições de reforma; reduziram-se regalias sociais, ao mesmo tempo que se aumentaram os descontos para a ADSE e aposentação. Tudo porque foi dito, em tempo de alarme, que sem isso não reduziríamos o défice. Mas com isso os funcionários públicos terão perdido nos últimos anos oito por cento do seu anterior poder de compra e o défice subiu para números nunca dantes vistos. Será pois altura de baterem à porta do dinheiro, da corrupção, da especulação e das obras faraónicas sem retorno. Será altura de nos preocuparmos seriamente com o terço da população portuguesa que vive abaixo do limiar da pobreza e de reconhecermos que os cânones da globalização feroz e do capitalismo sem ética estão na origem de uma legião de desempregados que nunca tínhamos visto. Será altura de nos opormos à arrogância cultural e política que vem impedindo os nossos jovens de compreenderem a realidade que os escraviza e a hipocrisia do discurso da modernidade que os deixa sem futuro.
Santana Castilho, PÚBLICO, 23/DEZ/2009
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Para que a plebe saiba

Cavaco Silva interrompe as férias para falar hoje à noite ao país pela televisão
PÚBLICO, 31.07.2008
Cavaco nunca me enganou. Estranhei a comunicação ao país, mas nunca depositei qualquer esperança de que ela viesse a tocar em aspectos realmente importantes: crescente divergência de desenvolvimento relativamente à União Europeia, crescentes disparidades ao nível da repartição do rendimento, os privilégios dos políticos, a falta de ética com que os Ministros saltam para a administração dos grupos económicos... (Dica: Escrever "Para que a plebe saiba" num motor de pesquisa)
Quando os camionistas secaram as bombas de gasolina, fiquei uma semana sem me poder afastar de casa porque não podia abastecer.
A Madeira recebeu recentemente Cavaco Silva, que nem lhe disse que o seu "modelo de desenvolvimento" é o que mais está a contribuir para o endividamento do país.
Perante questões formais associadas ao Estatuto dos Açores resolveu dirigir-se ao país! Cavaco Silva perdeu uma excelente ocasião de ficar calado! Para se queixar de ter que ouvir os partidos mais vezes - e não abrir esse perigoso precedente - entendeu legítimo dar uma seca à Nação ;)
terça-feira, 10 de junho de 2008
A Raça de Cavaco
Se um aluno do secundário escrever alguma coisa sobre a raça portuguesa, a questão é anulada. É um conceito que não existe!
O Doutor Cavaco Silva diz exactamente o mesmo, com o sorrisinho de ignorante, e a plebe bate palmas.
Muito bem Senhor Doutor. Mas comece por ser exigente consigo mesmo, estudando a História de Portugal, para evitar palermices deste calibre.
Uma explicação para esta anedota é que estará a pensar nas centenas de milhar de imigrantes como causa do desemprego, esquecendo os milhões de emigrantes espalhados por esse Mundo fora, as Comunidades Portuguesas.
O Presidente da República recuperou "terminologia racista e segregadora do Estado Novo", porque se conformou com os valores do Estado Novo e nem sequer se insurgiu contra a Guerra Colonial.
O Doutor Cavaco Silva diz exactamente o mesmo, com o sorrisinho de ignorante, e a plebe bate palmas.
Muito bem Senhor Doutor. Mas comece por ser exigente consigo mesmo, estudando a História de Portugal, para evitar palermices deste calibre.
Uma explicação para esta anedota é que estará a pensar nas centenas de milhar de imigrantes como causa do desemprego, esquecendo os milhões de emigrantes espalhados por esse Mundo fora, as Comunidades Portuguesas.
O Presidente da República recuperou "terminologia racista e segregadora do Estado Novo", porque se conformou com os valores do Estado Novo e nem sequer se insurgiu contra a Guerra Colonial.
- "Sou o único político vítima do fascismo em Portugal. Nenhum outro líder político esteve na Guerra Colonial". Cavaco Silva, Primeiro-Ministro, Notícias Magazine, 10 de Setembro de 1995.
domingo, 4 de maio de 2008
MFL planeia aliviar o Estado da Saúde e da Educação
Extracto da entrevista de Manuela Ferreira Leite (MFL) ao EXPRESSO:
Sem dúvida que o PS tem promovido nas áreas da Saúde e da Educação políticas que o PSD poderá desenvolver... No caso de Maria de Lurdes Rodrigues, até seria inteligente invocar a procura de consensos alargados na sociedade e propor-lhe a continuidade como Ministra da Educação do PSD, de MFL. Não existem quaisquer barreiras ideológicas entre o PS e o PSD para que Milu seja impedida de continuar a sua obra: a destruição da escola pública, muito bem exposta no artigo "agenda oculta para a educação". O programa liberal do PSD, deixa logo à margem aqueles que não puderem pagar o acesso à saúde e à educação, dispensando o palavreado das "novas oportunidades" socialistas.
A propósito, recorda-se uma célebre afirmação de Cavaco Silva, o seu líder, sobre os funcionários públicos, que MFL certamente subscreverá:
Portanto, aliviar o Estado dos funcionários (ditos) excedentários certamente que não será uma tarefa fácil.
Post-Scriptum
A memória foi-me avivada por um mail que transcrevo abaixo.
"O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) emitiu ontem uma nota de imprensa em que considera "impróprias e injuriosas" as afirmações de Cavaco Silva, ao abordar a necessidade de diminuição de funcionários públicos, numa conferência proferida na passada quarta-feira, na Faculdade de Economia do Porto. "Como nos vamos livrar deles? Reformá-los não resolve, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e diminui as receitas de IRS. Só resta esperar que acabem por morrer", afirmou o antigo líder do PSD."
- publicado no Público, "Sindicato da Administração Pública Contesta Declarações de Cavaco" - no dia 2 de Março de 2002.
- Como é que aliviaria o peso do Estado?
Ideologicamente não tenho nada contra que certos sectores, desde que devidamente regulados e fiscalizados pelo Estado, possam estar no sector privado. Por exemplo, não há nenhum motivo para que o sector privado não tenha um papel decisivo na Saúde e na Educação. EXPRESSO/Assinatura, 03/MAIO/2008
Sem dúvida que o PS tem promovido nas áreas da Saúde e da Educação políticas que o PSD poderá desenvolver... No caso de Maria de Lurdes Rodrigues, até seria inteligente invocar a procura de consensos alargados na sociedade e propor-lhe a continuidade como Ministra da Educação do PSD, de MFL. Não existem quaisquer barreiras ideológicas entre o PS e o PSD para que Milu seja impedida de continuar a sua obra: a destruição da escola pública, muito bem exposta no artigo "agenda oculta para a educação". O programa liberal do PSD, deixa logo à margem aqueles que não puderem pagar o acesso à saúde e à educação, dispensando o palavreado das "novas oportunidades" socialistas.
A propósito, recorda-se uma célebre afirmação de Cavaco Silva, o seu líder, sobre os funcionários públicos, que MFL certamente subscreverá:
- "Como nos vamos livrar deles? Reformá-los não resolve, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e diminui as receitas de IRS. Só resta esperar que acabem por morrer".
Portanto, aliviar o Estado dos funcionários (ditos) excedentários certamente que não será uma tarefa fácil.
Post-Scriptum
A memória foi-me avivada por um mail que transcrevo abaixo.
"O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) emitiu ontem uma nota de imprensa em que considera "impróprias e injuriosas" as afirmações de Cavaco Silva, ao abordar a necessidade de diminuição de funcionários públicos, numa conferência proferida na passada quarta-feira, na Faculdade de Economia do Porto. "Como nos vamos livrar deles? Reformá-los não resolve, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e diminui as receitas de IRS. Só resta esperar que acabem por morrer", afirmou o antigo líder do PSD."
- publicado no Público, "Sindicato da Administração Pública Contesta Declarações de Cavaco" - no dia 2 de Março de 2002.
segunda-feira, 3 de março de 2008
União Nacional contra Maria de Lurdes Rodrigues

Não vou perder-me nos motivos que os professores têm para se mostrar indignados com a actuação da Ministra da Educação, apesar de pessoalmente ter até motivos adicionais aos que têm sido apontados. Não vale a pena bater mais numa senhora que já está a cair. Porém, importa reflectir sobre os motivos que terão levado à formação desta estranha “União Nacional” contra a Ministra, que inclui todos os sindicatos e partidos – incluindo sectores do PS – bem como uma serie de movimentos “espontâneos”. Como explicar esta unanimidade dos docentes que agora despertou, e que antes estava adormecida? Que bicho lhes mordeu que os pôs a mexer? Estão a maltratar o Deixa-Andar?
Evidentemente que o motivo que desencadeou a cadeia de manifestações que actualmente se vive foi o Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, que estipula como deverá decorrer o processo de avaliação dos professores. Em muitos pontos a Ministra falhou ou não foi hábil num processo delicado, onde as novidades iam surgindo de dia para dia, num trabalho feito em cima do joelho e ao sabor da inspiração de cada dia, oferecendo pretexto a uma assinalável indignação legítima dos professores. Eu tomo a liberdade de me incluir neste conjunto.
Agora quando vejo nos TeleJornais a “União Nacional” contra a Ministra, lembro-me de muitas coisas, ainda de forma desestruturada, mas que gostaria de deixar aqui registadas:
1. Cavaco Silva, enquanto professor de Economia Pública explicava no início dos anos 80 que os professores não precisavam de ser bem remunerados porque eram “professoras”, e se ganhassem melhor poriam em causa o poder dos maridos;
2. Os Licenciados foram aceitando salários mais baixos enquanto docentes, relativamente a outras profissões, porque dispunham de outras regalias, designadamente a ausência de um chefe para aturar e um horário de 22 horas lectivas semanais.
3. As escolas aceitaram todos os Licenciados desempregues até ao dia em que ficaram com as suas vagas preenchidas. A partir do momento em que ficaram "cheias", a sociedade portuguesa começou a conhecer o fenómeno de desemprego entre os Licenciados. A geração que encheu as escolas nunca conheceu o desemprego, mas isso não significa que seja mais competente, apenas teve a vantagem de viver noutra conjuntura económica e social, mas não o reconhece, e luta por direitos adquiridos que são uma miragem para os jovens.
4. Muitos professores colocados nas escolas, conseguem ter tempo para uma segunda actividade, o que é plenamente aceite pelos colegas por “a escola pagar mal”. Evidentemente que nunca têm tempo para ler um mal nem a Web. Alguns terão tido a primeira experiência com a Internet no Concurso para Professores Titulares...
5. A Ministra inventou a estupidez das aulas de substituição, nas quais se transformam os professores em cães de guarda para evitar que o rebanho se tresmalhe. Compreendo que queira segurança nas escolas e poupar dinheiro ao Ministério. Não compreendo que roube aos jovens tempo de convívio e que deixe subtilizados os centros de recursos que actualmente equipam as escolas.
A escola a tempo inteiro agrada às famílias que querem ter os filhos à guarda dos professores, mas traduz-se na sobrecarga destes, sem proveitos para os alunos.
6. A Ministra impôs uma sobrecarga de trabalho a todos, provavelmente na esperança de que aqueles que têm duplo ou triplo emprego abandonassem a escola. Não teve coragem para impedir as acumulações pelo simples controlo das declarações de IRS, e agora ouvirá os seus assobios no momento da saída.
7. A Ministra provavelmente mudou mais a escola em 3 anos que os seus colegas em 30. Tinha ideias fortes e incontestáveis: 1) a necessidade de criação de uma hierarquia; 2) a necessidade de avaliação dos docentes. Estes dois pontos podem parecer pouco, mas representam uma alteração radical da vida das escolas.
Recordo-me no primeiro ano em me foram distribuídas tarefas na escola, as despachei o mais rapidamente que pude. Então deram-me mais trabalho, e fui avisado que se fosse demasiado rápido levaria uma nova dose. Assim me ensinaram que o trabalho na escola “não é para ser feito, é para ir fazendo”. Foi assim que me socializaram no funcionalismo, que nivela todos os professores e obviamente detesta a avaliação. É este espírito que eu vejo na “União Nacional”.
8. A Ministra precisava de um Primeiro-Ministro que a apoiasse contra as corporações profissionais, mas Sócrates não tem legitimidade para isso. Afinal ele nem concluiu a Licenciatura, e pelo menos do ponto de vista académico, importantíssimo para os professores, Sócrates está uns pontos abaixo deles. E como o seu objectivo prioritário é manter-se na chefia do Governo, certamente que sacrificará Maria de Lurdes Rodrigues, (2005-2008).
9. Um aspecto positivo da indignação manifestada é a comparação que os professores fazem entre os seus vencimentos e os de outros servidores de Estado muito melhor remunerados, como os políticos e os juízes. A Internet possibilita hoje o acesso à lista mensal dos aposentados e reformados, logo à entrada do site da Caixa Geral de Aposentações, tornando as desigualdades na repartição do rendimento ilegítimas mais difíceis de suportar, mais intoleráveis. E Portugal tem indicadores vergonhosos segundo os parâmetros europeus quando se observa a distribuição do rendimento, problema que não é acessório quando se debate a educação. As questões andam certamente correlacionadas, porque maior rendimento significa sempre maior liberdade de escolha, e procura-se sempre a qualidade, também na educação.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
SEDES - Uma referência
Quando a anomia reina, é importante poder contar com referências sólidas. Fica neste post um breve destaque para a última tomada de posição da SEDES:
A SEDES "escreve" bem à distância do debate político, mas convém não esquecer que se encontram lá reunidos quase todos os ex-Ministros das Finanças, talvez com alguma sede...
Vivemos numa democracia semi-parlamentar, com Presidente e Governo de cores diferentes, mas entendem-se tão bem que o seu relacionamento já entrou no anedotário nacional.
Quem diria que Cavaco Silva um dia extrapolou a Lei de Gresham da economia monetária para a política? Ele bem insinuou, agora está a explicar como os maus políticos expulsam os bons.
A SEDES "escreve" bem à distância do debate político, mas convém não esquecer que se encontram lá reunidos quase todos os ex-Ministros das Finanças, talvez com alguma sede...
Vivemos numa democracia semi-parlamentar, com Presidente e Governo de cores diferentes, mas entendem-se tão bem que o seu relacionamento já entrou no anedotário nacional.
Quem diria que Cavaco Silva um dia extrapolou a Lei de Gresham da economia monetária para a política? Ele bem insinuou, agora está a explicar como os maus políticos expulsam os bons.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Invocar a "ética da responsabilidade" para justificar as cambalhotas políticas
Independentemente da denominação - Tratado Constitucional ou Tratado de Lisboa - o seu objecto é mesmo: definir as regras de jogo do processo de integração europeia, pelo que a quebra da promessa de Sócrates seria sempre uma estória mal contada. A arrogância revela-se em todo o seu esplendor quando afirma que:
É como aqueles alunos que são tão bons, que não precisam de prestar provas ;) Neste caso admite hipocritamente, sem tibieza alguma, que os portugueses serão tão europeístas que nem vale a pena referendar o Tratado! Esta posição pública convive na sua mente com a sua convicção pessoal de que um referendo a um Tratado europeu poderia reflectir o desconforto do povo português perante as suas políticas governamentais de encerramento do país em nome do controlo da inflação e do défice orçamental. Portanto os riscos do não ganhar seriam mesmo sérios!
Então dá a volta ao texto, invocando a ética da responsabilidade.
Ele ainda irá referir-se a esta quebra de compromisso, um dia, elogiando-se a si mesmo. Dirá então que nos safou do risco do povo poder votar não.
Na minha humilde opinião, depois do não europeu em França, a opção por um referendo europeu passou a ser uma aventura perigosa em qualquer outro país. Toda a eurocracia aprendeu a lição francesa: o descontentamento com a conjuntura interna reflecte-se na construção do processo de integração europeia.
Mais...
É como aqueles alunos que são tão bons, que não precisam de prestar provas ;) Neste caso admite hipocritamente, sem tibieza alguma, que os portugueses serão tão europeístas que nem vale a pena referendar o Tratado! Esta posição pública convive na sua mente com a sua convicção pessoal de que um referendo a um Tratado europeu poderia reflectir o desconforto do povo português perante as suas políticas governamentais de encerramento do país em nome do controlo da inflação e do défice orçamental. Portanto os riscos do não ganhar seriam mesmo sérios!
Então dá a volta ao texto, invocando a ética da responsabilidade.
- A opção parlamentar sustenta-se na "ética da responsabilidade".
Em defesa da opção agora anunciada pelo Governo, o primeiro-ministro lembrou ainda a este propósito o alerta recente do Presidente da República quando há poucos dias advogou que o Tratado de Lisboa "tem ainda um caminho a percorrer", caminho esse, acrescentou ainda Cavaco Silva, "que não está isento de riscos", pelo que fazer um referendo aqui em Portugal, defendeu ainda o Presidente da República, "teria implicações noutros países e é justo dizer que, no mínimo, agravaria os riscos de o tratado nunca entrar em vigor".
Ele ainda irá referir-se a esta quebra de compromisso, um dia, elogiando-se a si mesmo. Dirá então que nos safou do risco do povo poder votar não.
Na minha humilde opinião, depois do não europeu em França, a opção por um referendo europeu passou a ser uma aventura perigosa em qualquer outro país. Toda a eurocracia aprendeu a lição francesa: o descontentamento com a conjuntura interna reflecte-se na construção do processo de integração europeia.
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Desigualdades e subdesenvolvimento
"Não podemos deixar de nos inquietar perante as desigualdades na distribuição do rendimento que as estatísticas revelam", disse ontem à noite o Presidente, em mensagem transmitida pela RTP. As estatísticas revelam, por exemplo, que Portugal é o país da UE onde há mais desigualdade entre ricos e pobres. Cavaco Silva, 01-01-2008.
Não é novidade nenhuma, o estranho é o recado vir da direita para a esquerda ;) José Sócrates está a ultrapassar o PSD pela direita. E não sei porquê, este povo até gosta de levar nas ventas. Pela minha parte, apesar de não ser fumador, preparava-me para começar a fumar porque este fascismo higiénico me mete mais nojo que o aroma de uma fumaça ;)
Quando se tratava de proteger os não-fumadores do fumo passivo, obrigando à criação de áreas específicas para fumadores, o legislador não esteve com meias medidas e quis lá saber se os fumadores tinham ou não alguns direitos também. (MST, EXPRESSO Assinatura) A solução simplex do engenheiro farinha amparo foi proibir de fumar em todo o lado.
Para reduzir o défice orçamental e controlar a taxa de inflação também é conhecido o modelo simplex: reduzir a massa salarial da função pública, encerrar escolas e hospitais… Coragem para tocar nos senhores que enriquecem à pala do empobrecimento da generalidade da população não há. Como é possível a banca ir apresentando ano após ano lucros espectaculares numa economia em crise? Se eu percebesse o modelo do negócio não teria tempo para escrever blogues! Pois! Além da grande finança, os políticos também pertencem ao grupo dos intocáveis, pois as necessidades de eficácia também poderiam ser invocadas para justificar deputados mais especializados e menos numerosos. O Governo não tem coragem para reduzir o número de deputados de 230 para 100 porque se o número de lugares no Parlamento diminuísse, muitos históricos dos vários partidos, ex-ministros e secretários de Estado, figuras públicas, teriam de ficar de fora (José António Saraiva, 2007, Política à Portuguesa, Oficina do Livro).
A conformidade perante leis fundamentalistas é apenas um sinal de anuência com o subdesenvolvimento. A adesão ao modelo simplex apenas se justifica por ausência de alternativas no espaço político, anunciando que há que reinventar o debate o debate político!
Não é novidade nenhuma, o estranho é o recado vir da direita para a esquerda ;) José Sócrates está a ultrapassar o PSD pela direita. E não sei porquê, este povo até gosta de levar nas ventas. Pela minha parte, apesar de não ser fumador, preparava-me para começar a fumar porque este fascismo higiénico me mete mais nojo que o aroma de uma fumaça ;)
Quando se tratava de proteger os não-fumadores do fumo passivo, obrigando à criação de áreas específicas para fumadores, o legislador não esteve com meias medidas e quis lá saber se os fumadores tinham ou não alguns direitos também. (MST, EXPRESSO Assinatura) A solução simplex do engenheiro farinha amparo foi proibir de fumar em todo o lado.
Para reduzir o défice orçamental e controlar a taxa de inflação também é conhecido o modelo simplex: reduzir a massa salarial da função pública, encerrar escolas e hospitais… Coragem para tocar nos senhores que enriquecem à pala do empobrecimento da generalidade da população não há. Como é possível a banca ir apresentando ano após ano lucros espectaculares numa economia em crise? Se eu percebesse o modelo do negócio não teria tempo para escrever blogues! Pois! Além da grande finança, os políticos também pertencem ao grupo dos intocáveis, pois as necessidades de eficácia também poderiam ser invocadas para justificar deputados mais especializados e menos numerosos. O Governo não tem coragem para reduzir o número de deputados de 230 para 100 porque se o número de lugares no Parlamento diminuísse, muitos históricos dos vários partidos, ex-ministros e secretários de Estado, figuras públicas, teriam de ficar de fora (José António Saraiva, 2007, Política à Portuguesa, Oficina do Livro).
A conformidade perante leis fundamentalistas é apenas um sinal de anuência com o subdesenvolvimento. A adesão ao modelo simplex apenas se justifica por ausência de alternativas no espaço político, anunciando que há que reinventar o debate o debate político!
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