terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Recursos digitais e tecnologias na Educação: Propaganda e realidade

Os professores são inundados com produtos tecnológicos novos que disputam o mercado também na área da Educação. A Escola não poderá abster-se dos novos produtos, mas estes terão de ser avaliados criticamente. A oferta da nova tecnologia faz-nos crer que os nossos alunos já são “aprendentes digitais”, mas um incidente no final do último período alertou-me para o papel que compete à Escola
na perspectiva de Philippe Perrenoud: compete-lhe dotar os indivíduos com capacidade para entender as regras do jogo que lhes permita traçarem o seu próprio caminho, o que apenas poderão fazer com segurança se dominarem os recursos intelectuais clássicos que “fazem a diferença”: a lógica natural, o conhecimento da escrita e da leitura. Nas mensagens multimedia a escrita e a leitura continuam a ser importantes. O inglês é hoje língua franca, e de nada valerá a tradução do Google para ler o clipe abaixo.





Depois deste brainstorming, vamos lá ao incidente. Durante o 1º período estive a leccionar o Módulo 5 de Economia a uma turma do 11º ano dos Cursos Profissionais. Usaram o meu Blogue de Economia em todas as aulas desde que passaram a ter computadores disponíveis (1). Além de lhes ter dito, obviamente, na apresentação do Módulo, está escrito desde o início que se trata do Módulo 5. No final foi necessário fazer a avaliação, e apenas recorri ao papel porque não há computadores para todos os alunos. Quando lhes distribui umas folhas com a matéria da unidade como preparação para o teste é que eles repararam tratar-se do Módulo 5, dizendo-me que eu me tinha enganado, pois o ano passado só terão dado 2 módulos!

Sinto que relativamente aos meus posts também não os têm lido. Fazem-me perguntas, do género "o que é que isto quer dizer?", e aproveitam as minhas respostas para escreverem alguma coisa. As notas que tenho escrito a sugerir correcções aos seus posts também raramente têm sido consideradas. A forma de conseguir fazer mais trabalho é chegar a uma aula com postura dirigista e ditar-lhes as respostas. Mas que interesse tem esse tipo de "trabalho"? Se depois de explicada a matéria, são incapazes de fazer a síntese, que se pode fazer?


Concluindo, certamente que os nossos alunos são grandes consumidores de entretimento digital, mas isso não vêm só facilitar a utilização de recursos digitais nas aulas, mas também criar dificuldades. A primeira dificuldade que sinto é a de os convencer de que estão numa aula, pois a tentação de abrirem a janela do browser no hi5 ou no msn é enorme, e então ficam os blogues por fazer... e eu passo-me como me passaria BG! (2)

Resultados da avaliação: Se fosse exigente em função de critérios pré-estabelecidos, reprovaria a turma inteira. Tendo em consideração que este período terá sido uma fase de adaptação a uma nova metodologia o cenário melhora.

________________
(1) O atraso de mês e meio na utilização dos computadores relativamente ao início das aulas será um dos factores a ter em consideração na desculpabilização dos alunos. Aprendi que estes ficam desorientados quando têm pela frente muitos posts cuja matéria já foi dada ;) Preferem mesmo que lhes seja dada matéria nos primeiros 45 minutos, para escreverem no blogue enquanto está fresca, nos restantes 45 ;)
(2) BG significa Before Google, Antes do Google.

Difamação na Internet


Este Natal já recebi mais de uma dezena de mails, iguais a este, a difamarem MST, atribuindo-lhe a expressão: "Os professores são os inúteis mais bem pagos deste país". Tenho respondido individualmente a cada um, solicitando-lhes a indicação da fonte. É o mínimo que qualquer professor exige de um aluno num trabalho de pesquisa. Porém, na Internet parece imperar a lei da selva, desresponsabilizando-se todos por fazerem simplesmente forward de mails de outros.

Como ninguém me indicou a fonte, digo-lhos eu a conclusão a que cheguei. Neste caso alguém inventou essa frase numa carta aberta dirigida a MST, e isso foi copiado por toda a Internet, sem que se tenha averiguado sequer se a dita Ana Maria Gomes existe ;)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Capitalismo, dinheiro e ética


Gostava de ter a lucidez demonstrada por Miguel Sousa Tavares, sábado após sábado. Terminou 2008 com chave de ouro num artigo em que nem a Economia, enquanto "ciência", escapa às suas críticas pela crise financeira, porque se deixou vender ao espírito "laissez faire, laissez passer" sem necessidade de qualquer demonstração. Realmente, nunca se refere explicitamente à Ciência Económica, mas explicando a crise económica com recurso a valores políticos e éticos anula a validade da análise económica.

  • Isto não é apenas uma crise económica, nem o resultado das aventuras criminosas de algumas ovelhas tresmalhadas do rebanho. Isto é, sobretudo, o resultado de uma crise de valores - políticos, sim, mas também éticos. É o resultado de o Estado se ter demitido do seu papel de vigilância e controlo dos poderosos e de a sociedade se ter dispensado de questionar a origem dessas súbitas e espantosas fortunas que cresceram debaixo dos nossos pés.
    Dantes, era necessário justificar socialmente a origem do dinheiro e nem mesmo os novos-ricos legítimos eram bem aceites; hoje, é o dinheiro que, por si só, justifica tudo.
    EXPRESSO, 27/DEZ/2007 - Continuar a ler...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Novamente o Natal!


Pode ser alegria e magia
Pode ser seca e esperança
Resta ir vivendo cada dia
Enquanto o Mundo pula e avança!


Que criança trocaria hoje o seu Pai Natal pelo meu antigo Menino Jesus?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O princípio do fim para Manuela Ferreira Leite


Sócrates bem pode agradecer a Manuela Ferreira Leite a "escolha" de Pedro Santana Lopes para a Câmara Municipal de Lisboa. Esta só conseguiu manter boa imagem enquanto se remeteu ao silêncio. Cada vez que falou disse asneira, agora suicidou-se. Recorda-se que MFL chegou à presidência do PSD em representação da "boa moeda" que tinha sido expulsa pela "má moeda" chefiada precisamente por PSL na teoria cavaquista criada por analogia com a Lei de Gresham. Assim, o crescimento de um significa necessariamente a morte de outro. Com MFL em campanha nas legislativas em simultâneo com PSL nas autárquicas, certamente que MFL será abafada a após a confirmação do mau resultado eleitoral do PSD será afastada da liderança, deixando vago o lugar para o barão seguinte.

Não deixará nenhumas saudades. Da sua formação em Economia e da sua experiência em contabilidade pública não surgiu nenhuma proposta interessante. Mantinha sobre Sócrates a vantagem da integridade ética, mas passou-se completamente vendendo a alma ao Demónio da demagogia para tentar ganhar Lisboa. Paz à sua alma! Muito obrigado pelo seu contributo para o anedotário nacional.

domingo, 21 de dezembro de 2008

A anedota que defende o modelo de avaliação imposto por Milu


A professora que defende o modelo de avaliação imposto pela Ministra, foi recebida com mais doze patetas, fazendo-se porta-voz de uma "minoria silenciosa", porque "era preciso dar espaço às pessoas submersas na onda". Segundo a publicidade do EXPRESSO (20/DEZ/2008) - encomendada por Milu (?) - Armandina Soares gostará tanto de ser professora que "aos 65 anos não há nela qualquer sinal de cansaço" e contrariando a onda "quer continuar a ser professora até aos 70".

Fica aqui o convite para Armandina Soares explicar porque é que se eternizou como Presidente do Conselho Executivo na sua escola, uma vez que exercendo essas funções deixou de ter o nobre privilégio de ser professora... Ou será que gosta mesmo é de ser professora sem alunos? ;)

Em termos de trabalho, a implementação da avaliação do desempenho na sua escola está a zero, porque tem tido outras prioridades ;) Se forçar a barra terá de abandonar a cadeira confortável onde se sentou como PCE, visto mais que quase todos os docentes terão subscrito uma moção a pedir a suspensão desde modelo de avaliação, e mais de 90% terão aderido à última greve.

Esta amiga de Milu defende que o modelo de avaliação do DR 2/2008 seja imposto aos seus colegas, o que faz parte das suas funções, mas não tem conseguido. Entretanto, pensando em si, mantêm-se livre deste "monstro" exercendo as funções de PCE...

Rabiscou o Manifesto pela Avaliação de Desempenho Docente. O Ministério da Educação diz que recebeu um grupo de professores e educadores, omitindo qualquer ordem de grandeza, certamente para que os incautos possam pensar que o grupo excedia a dúzia ;)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Manual de Ferramentas da Web 2.0


Toda a gente atribui aos utilizadores de hoje um papel mais activo na construção da rede, contrapondo-se a interacção entre os utilizadores da Web 2.0 à sua passividade perante o repositório da Web 1.0. A verdade porém é que a partir daqui não há consensos, e o número 2 permite avançar sem necessidade de problematizar o conceito, até porque certamente seria uma discussão inglória, visto que a Web 2.0 é uma realidade dinâmica em construção, a Internet a evoluir pela sua webização.

Neste contexto, merece ser destacado o Manual de Ferramentas da Web 2.0 para Professores       Backup

Para abrir o apetite tomei a liberdade de copiar a Tabela 1 da obra, que recorre a sites conhecidos para distinguir a Web 2.0 da Web 1.0.



Já agora, os parágrafos seguintes.

  • A Web passa a ser encarada como uma plataforma, na qual tudo está facilmente
    acessível e em que publicar online deixa de exigir a criação de páginas Web
    e de saber alojá-las num servidor. A facilidade em publicar conteúdos e em
    comentar os “posts” fez com que as redes sociais se desenvolvessem online.
    Postar e comentar passaram a ser duas realidades complementares, que muito
    têm contribuído para desenvolver o espírito crítico e para aumentar o nível de
    interacção social online. O Hi5, o MySpace, o Linkedin, o Facebook, o Ning,
    entre outros, facilitam e, de certo modo, estimulam o processo de interacção
    social e de aprendizagem.

    Escrever online é estimulante para os professores e para os alunos. Além disso,
    muitos dos alunos passam a ser muito mais empenhados e responsáveis pelas
    suas publicações (Richardson, 2006). Neste momento, os agentes educativos
    podem, com toda a facilidade, escrever online no blogue, gravar um assunto no
    podcast ou disponibilizar um filme no YouTube. O ambiente de trabalho deixa
    de estar no computador pessoal do professor e passa a estar online, sempre
    acessível, a partir de qualquer lugar do planeta com acesso à Internet. Nunca
    mais o professor corre o risco de se esquecer de trazer alguma coisa para a aula,

    porque a um clique pode aceder aos seus favoritos no Delicious, aos seus textos,
    gráficos ou apresentações no Google Docs, às suas imagens no Flickr ou no
    Picasa, aos seus vídeos no YouTube.




Outras ferramentas

Diário vindo do futuro, de um aluno que hoje tem 11 anos e está a viver as reformas do nosso sistema de ensino


29 de Junho de 2009
paçei o 5º anuh. A p*ta da stora de mat, k é a nossa dt, n m kria deixar paçar pk eu tnh nega a td menus a ginástica, pk jogo bem há bola, e o crl... mas a gaija f*deu-se puke a ministra da idukaxão mandou dizer ao ppl k penxam q mandam aí nas xkolas masé pabaixarem os kornos k tds os socios com menos de 12 anus teiem de paçar... axu bem.

29 de Junho de 2010
passei o 6º anuh. ainda bem q ainda n fiz 13 anus, q ódpx podia n passar, qesta cena de passar com buéda negas é só até aos 12... f*da-se, fiquei buéda f*dido na m*rda deste ano, e ó c*ralho, o pan*leiro do stor d educassão física deu-me a m*rda do 2... assim tive nega a tudo... ainda bem q a ministra da iduqaxão é porreira, ela é q é uma sócia sbem: a xqola n serve pa nada, é uma seca. tive q aprender que os K's se escrevem Q, qomo em "xqola" e não "xkola", e que "passar" não é qom Ç... a xqola é porreira só pa qurtir qas damas qd gente se balda...

29 de Junho de 2011
Passei o 7º ano. Exte anuh ia chumbando pq tive nega a qase td menos a área de projetuh, mas aqela cena tb é facil, n se fax nd... Exte anuh a dt disse-me q eu passava pq tinha aprendido qas fraxex qomexam qom letra maiúscula e pq m abituei a exqrever qom Q em vez de K, tipuh agora ja xei xqrever "eu qomo qogumelos qom quentruhs" em vez de "eu komo kogumelos kom kuentruhs". É fixolas, pode xer qum dia venha a ser um gamela famôzo...

29 de Junho de 2013
Passei o 9º ano. Foi buéda fácil, pqu a prof paxou-me logo. Fui ao quadro xqurever uma sena em qu dezia tipuh "aquela janela", e eu exqurevi "aqela janela", pqu dixeram-me qu n se xkqureve "akela", é quom Q e não quom K. Mas a profs desatinou quomiguh e dixe qu eu tnh qu pôr o U à frente do Q... Pur ixu exte anuh aprendi qu o Q leva U à frente. No próximuh anuh é o 10º, vou pá sequndária...

29 de Junho de 2014
Aquabei o 10º ano. Não foi muituh difícil só tive que aprendermos a não exqureverem quom aberviaturas purque nem todas as palavras xe puderam aberviar mas ixtu foi uma bequa para o quompliquado purque quom esta sena do QU em vex de K e das aberviaturas exqueceram-me de quomo é que se faxião os verbuhs nos tempuhs e nas pexoas, ou lá o que é... Mas a prof disse tass bem que no prócimo anuh a gente vê ixu.

29 de Junho de 2015
Passou o 11º ano. Foi mais fácil que o 10º. Aprendi que as frases devem ser mais qurtax. E aprendi também que "ano" não esqureve "anuh". Axo que no prócimo ano vai ser mais difícil. Purque a xeguir é a faquldade.

29 de Junho de 2016
Acabou o 12º. Fiquei buéda confuso porque tive de aprender a diferenxa entre usar o QU e o C, tipo "esCrever" e não "esQUrever". Quando eu usava o K era buéda mais fácil... A prof de português é buéda religiosa e anda a ouvir vozes de deus, porque dixe-me que eu não merexia passar, mas "xão ordens lá de xima"...

29 de Junho de 2017
Já fiz o primeiro ano da faculdade. Estou em ingenharia cevil na universidade lusófona. Tive um stor buéda mal iducado que me disse que eu era um ignorante porque às vezes escrevia com X em vez de CH, S ou C. Mas o meu pai veio cá com uma moca de rio maior e chegou-lhe a rôpa ao pelo. E depois fomos fazer queixa do gajo e a ministra despediu-o porque o gajo, não sei quê, parece que quis vir estragar aqui um muro nosso. Mas não sei essas senas. O meu pai é que me explicou uma cena qualquer de "danos murais"... O que é bom é que a ministra da iducação continua a mandar aqui nestes sócios da faculdade para eles não levantarem a garimpa contra nós.

29 de Junho de 2019
Acabei a minha licenciatura porque a ministra da iducação disse que tinhamos que passar sempre mesmo que não tivessemos notas, para não ficarmos astigmatizados. Acho que é uma cena que dá nos olhos quando se estuda muito. Agora vou fazer um mestrado e disseram-me que, quando acabar, vou ficar mestre. Eu quero ser de Kung-Fu.

29 de Junho de 2021
Já sou mestre. Afinal não sou de Kung Fu, sou de engenharia cevil. Os meus profs disseram que eu não devia estar em mestrado porque ainda não estava preparado, mas eu disse que o meu pai tinha uma moca de rio maior e que era amigo da ministra e já tinha mandado um bacano da laia deles para a rua e eles calaram-se. Agora vou fazer um doutoramento, porque a ministra da iducação diz que se não deixarem um aluno fazer o doutoramento só por causa das notas, ele fica com a auto-estima em baixo e isso perjudica a aprendizajem.

29 de Junho de 2023
Sou doutor. O meu orientador da tese ficou muito satisfeito porque eu já não dou erros ortográficos: ao longo destes dois anos, aprendi a escrever "engenharia civil" em vez de "ingenharia cevil" e também porque aprendi que a ministra é da "educação" e não da "iducação", mas lê-se assim. Entretantos casei. A minha dama chama-se Sónia e os pais dela ficaram muito felizes por ela ir casar com um doutor em engenharia civil. Ela não sabe ler nem escrever: só fez até ao 2º ano da licenciatura e depois foi trabalhar para o Minipreço. Já tá grávida.

29 de Outubro de 2023
Nasceu o meu filho! Chamei-lhe Júnior porque ele é mais novo que eu.

29 de Agosto de 2029
O Júnior vai fazer 6 anos daqui a 2 meses. Devia entrar para a escola este ano, mas estive a pensar muito bem e não o vou pôr na escola. Ele não precisa daquilo para nada, aprende em casa. Eu ensino-lhe a ler, que sou doutor, e a mãe ensina-lhe a fazer contas, que é caixa no Minipreço. A escola não vale nada. Acho que o sistema de ensino hoje em dia é uma m*rda. No meu tempo é que era bom.


Recebido por mail.

A utilização da avaliação de professores na propaganda política


  • O primeiro-ministro, José Sócrates, lamentou hoje que o Executivo tivesse ficado sozinho a lutar pela aplicação do processo de avaliação dos professores. "O Governo tem sido deixado sozinho nesta batalha apenas por ter defendido que quer um melhor sistema de ensino público para o país", afirmou o primeiro-ministro na conferência do “Diário Económico” sobre "Como crescer em tempo de crise".
    PÚBLICO, 19.12.2008


Que tal tentar perceber por que razão o Governo ficou sozinho, e tirar daí as consequências?

Defender que "o êxito económico do país está ligado ao desempenho do sistema educativo", esquecendo o sistema económico e político é chantagem.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Happy Christmas - War Is Over - Duas versões do Natal

A célebre canção de John Lennon apresenta duas versões muito vistas no YouTube. Uma a condizer com as mensagens típicas da quadra...



... outra a chamar a atenção para as vítimas das guerras...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Abaixo-assinado a exigir a suspensão do DR 2/2008 e a revisão do Estatuto da Carreira Docente


O abaixo-assinado a exigir a suspensão do modelo de avaliação proposto pelo ME e a revisão do Estatuto da Carreira Docente, assinala o fim do diálogo em a Ministra da Educação e a Plataforma Sindical.

Apelo à desobediência civil dos professores


A blogoesfera está a constituir-se como veículo de mobilização dos professores pelos seus objectivos profissionais, independentemente dos sindicatos que tradicionalmente os representam. O apelo directo à resistência passiva é complementado pelo levantamento de questões referentes ao (à falta de) carácter de José Sócrates e pela associação da teimosia de Milu aos interesses estritamente eleitorais do Partido Socialista.


Remiro Marques sugere que todos os professores se recusem a ser avaliados, como receita para estoirar com a avaliação burocrática sem cometer ilegalidades.

Paulo Guinote toca na ferida de José Sócrates, retirando ao tema a sua carga política quando o transfere para as idiossincrasias pessoais, visto que se trata, neste momento, de um mero desforço pessoal, usando para isso o aparato do Estado. José Sócrates gosta de banqueiros, de empresários, do homo tecnologicus, mas arrepanha-se-lhe tudo se lhe falarem de um professor, daqueles normais, pessoa com qualificação superior que dedicou a sua vida profissional a transmitir conhecimentos aos mais jovens, de formas mais ou menos convencionais, que tem brio no seu trabalho, que quer que os seus alunos se esforcem, que gosta de ver esse trabalho retribuído com os resultados desses mesmos alunos, mas sem truques estatísticos, que não recebe trabalhos por fax tecnológico em papel timbrado. Um modelo de professor que parecerá anacrónico. Detestável mesmo. Que urge extinguir. Castigar. eliminar.

Matias Alves associa esta reforma do ensino aos interesses eleitorais do Partido Socialista. Observa em resposta à pergunta - Quem beneficia com a reforma? - que esta não será do interesse dos alunos, nem dos professores, nem dos pais, nem para a administração educativa, nem para a sociedade, nem mesmo para o ME.

O Ministério da Educação também responde na Internet, através do seu site. Destaco o esclarecimento mais fantástico, que de uma penada terminou com professores avaliadores, inventando a investidura de um estatuto específico:

Mito 6 - Os professores avaliam-se uns aos outros.
A avaliação de desempenho docente é feita no interior da cada escola, sendo avaliadores os membros do órgão executivo e os professores coordenadores de departamento, que exercem funções de chefias intermédias. Não se trata, pois, de pares que se avaliam uns aos outros, mas de professores mais experientes, investidos de um estatuto específico, que lhes foi conferido pelo exercício de um poder hierárquico ou pela nomeação na categoria de professor titular.

Evidentemente que está na rede a Proposta apresentada pela Plataforma Sindical ao ME rejeitada por Milu porque o tamanho conta ;) visto que “cabe, basicamente, numa folha A4”.

O que irá acontecer não sei. Mas pode-se afirmar desde já que este conflito laboral ficará para a história da blogoesfera como o primeiro onde teve uma importância determinante na formação da opinião pública.

O papel da blogoesfera neste conflito não pode ser menosprezado, uma vez que foram os blogues que forçaram os sindicatos a convocar apressadamente a manifestação de 8 de Novembro, como então expliquei.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Aprender línguas de forma divertida


LiveMocha (lê-se LaiveMoka) é uma rede social divertida como qualquer outra, mas útil como nenhuma outra. Está organizada de forma a facilitar a aprendizagem de línguas pela Internet. Por exemplo, como sou falante nativo de português e desejo praticar o inglês, posso procurar nativos ingleses enquanto aluno. Para quem quiser iniciar-se na língua de Camões, no LiveMocha sou professor de português ;) Apresento abaixo a imagem de uma pesquisa de amigos que têm o inglês como língua nativa e estão a aprender português.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A utilidade do ensino secundário


A utilidade do ensino secundário ficou demonstrada com os "patins" dos "maiores de 23". O Governo até inventou o acesso ao 1º ano das Universidades (com falta de alunos?) sem qualquer escolaridade! Basta completarem 23 anos de idade... O problema vem depois de entrarem, pois dificilmente alguém sem o secundário teve uma experiência de vida enriquecedora, que substitua as aquisições de conhecimentos que se realizam no ensino secundário.


Por exemplo, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa estavam inscritos, no ano passado, 6585 estudantes. Destes, 12 entraram ao abrigo do regime "maiores de 23". Nenhum deles passou de ano. (PÚBLICO, 09.12.2008)

Que esperavam?

A alegria é contagiosa nas redes sociais


Segundo a CNN as redes sociais transmitem a alegria por contágio. Poderemos mesmo ficar mesmo mais satisfeitos com algumas realizações (de amigos) de amigos virtuais. Isto é, apesar de não conhecermos as pessoas, a ideia de que estarão mais felizes contribui para a nossa felicidade ;) A tristeza também se propaga na rede, mas não tão rapidamente quanto a alegria.

Pode partilhar comigo a experiência das redes sociais adicionando o meu perfil no Hi5.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Entendimento Professoral da Avaliação


Link para o Estudo


ENTENDIMENTO PROFESSORAL DA AVALIAÇÃO – EXPLICANDO O FUNCIONAMENTO DAS ESCOLAS E AS PRÁTICAS DE AVALIAÇÃO A PARTIR DO QUOTIDIANO ESCOLAR DO 12º ANO (RESUMO) - 2005


1. A COMPREENSÃO DA AVALIAÇÃO ESCOLAR TEM-SE ENCONTRADO LIMITADA PELAS PERSPECTIVAS DETERMINISTAS, CUJA IDEOLOGIA TOMA AS ESCOLAS COMO CAIXAS NEGRAS

Classificando os alunos a partir de conteúdos escolares que também são saberes sociais desigualmente repartidos segundo as classes sociais, o sistema de ensino toma por iguais jovens que o não são. Esta denegação das diferenças culturais é um corolário do arbítrio cultural próprio da cultura escolar que obtém a sua força de imposição e a sua legitimidade social da ignorância deste arbítrio (Merle, 2002:103). A teoria da reprodução social teve o mérito de chamar a atenção para este aspecto, mas propôs uma leitura determinista do sucesso escolar em função da origem social, que frequentemente não se observa. Contudo, na generalidade, os resultados escolares podem associar-se ao meio social de origem dos estudantes, e este quadro de análise deu origem a uma linguagem e a um código de leitura do real que não se pode desprezar. A coerência das suas estruturas ainda hoje impõe a ideologia da reprodução social como plataforma de referência cada vez que se discute o sucesso escolar.

No extremo oposto, ignorar as diferenças sociais permite ao sistema escolar transformar as desigualdades sociais em desigualdades escolares. Esta nobilitação pelos títulos escolares é consistente com a teoria dos dons e das aptidões. Esta naturalização das diferenças sociais dispensa toda a interrogação reflexiva e crítica sobre os fundamentos sociais das desigualdades de resultados segundo o meio social de origem, nomeadamente sobre a fraca eficácia do repertório pedagógico quando a cultura do professor e do aluno estão nos antípodas. A ideologia dos dons penaliza duplamente os menos afortunados. Efectivamente, permite um benefício social acrescido não negligenciável para os dominantes, proveniente dos alunos prejudicados pela sua incapacidade de obterem êxito no sistema instituído, em resultado da naturalização da sua posição de dominados na escola de hoje. A simplicidade com a qual se associam os resultados escolares às capacidades dos alunos, apresenta os agentes como beneficiários ou vítimas de um modelo tão determinista quanto a teoria da reprodução social. A irregularidade dos resultados escolares é um facto, suficientemente conhecido para questionar o determinismo da ideologia dos dons.

Nas escolas objecto de estudo, nenhuma das explicações acima apresentadas se mostrou dominante, apesar de em determinados momentos manifestarem a sua influência. Nas justificações recolhidas verificou-se o predomínio do discurso do trabalho, referido por Barrère como a linguagem comum dos professores, que lhes permite o diálogo com os colegas sem questionar os disfuncionamentos do sistema. Quando se definem estratégias de trabalho pedagógico, a nível do 12º ano, isso significa sempre a definição de metas a atingir no quadro de um ensino uniformizado. Neste ano de escolaridade é dominante a adopção de uma concepção do mundo que toma todos os indivíduos como igualmente capazes de atingirem os mesmos objectivos, desde que se esforcem o suficiente, impondo o ensino padronizado. Esta lógica prescreve um quadro de referências tão determinista quanto os pressupostos pela ideologia da reprodução social ou pela ideologia dos dons. O determinismo baseado no discurso do trabalho apresenta maior plasticidade que os anteriores, porque a integração deste novo factor na explicação do sucesso escolar permite transferi-lo para as acções individuais dos sujeitos. Se não atingem os resultados, a culpa é sua, porque não trabalharam o suficiente. Deste ponto de vista a teoria da reprodução social, pelo menos era mais simpática, porque desresponsabilizava as vítimas. Imputava as responsabilidades pelo insucesso escolar ao sistema, invocando por exemplo, o seu reduzido domínio sobre o repertório escolar. Esta explicação parece tão inócua, que frequentemente é tomada como “natural”. A teoria dos dons oferece uma explicação humilhante para os maus resultados, mas se combinada com a teoria da reprodução, observando hipocritamente que entre a classe superior se concentram os indivíduos mais dotados, acaba também por ser aceite com a mesma “naturalidade”. O discurso do trabalho é mais elaborado, penalizando duplamente os alunos pior sucedidos. Primeiro, por não atingirem os resultados, depois por supor que não se esforçaram o suficiente.

Quer a teoria da reprodução social, a teoria dos dons, ou o discurso do trabalho apresentam leituras simplistas da realidade. Nesse sentido são ideologias que não precisam de questionar o funcionamento efectivo das escolas, porque já transportam em si mesmas uma chave de interpretação que dispensa a reflexão sobre o quotidiano escolar. Estes discursos explicam sempre tudo do mesmo modo, independentemente do funcionamento interno das escolas, tomadas como caixas negras, cuja realidade é em si mesma irrelevante. Neste sentido, opõem-se inclusivamente ao desenvolvimento do próprio conhecimento científico, não oferecendo qualquer ponto de referência àqueles que pretendam efectivamente questionar o sistema de ensino e compreender como se constroem as classificações escolares.


2. A SOCIOLOGIA DA AVALIAÇÃO EXIGE A CONSTRUÇÃO DE MODELOS DE ENTENDIMENTO PROFESSORAL QUE EXPLICITEM UM ENQUADRAMENTO LEGÍTIMO PARA O EXERCÍCIO DA AUTORIDADE PROFESSORAL

Numa sociedade aberta, complexa e plural como a de hoje, nenhuma das lógicas deterministas mostra qualquer aderência à realidade, pois o modo como a escola define os conteúdos de ensino e as suas práticas pedagógicas são susceptíveis de influenciar as classificações, as trajectórias escolares, e a facilidade de acesso aos recursos na sociedade. Uma série de trabalhos têm mostrado que as desigualdades sociais resultam das práticas dos professores nas turmas. Certos professores são mais eficazes, fazendo progredir mais rapidamente os seus alunos (Merle, 2002:109). Impunha-se portanto, a observação do quotidiano escolar. Importava verificar como os professores conduzem as suas actividades no espaço das salas de aula, e como os alunos reagem. A perspectiva de Merle tem a vantagem de explicar a fabricação das classificações escolares em função das actividades profissionais dos docentes. Este autor observou que o simples exercício das suas funções, exige-lhes que utilizem as classificações escolares como mecanismo de sanções e de recompensas, mediante o qual afirmam e legitimam a sua autoridade professoral. Nesse processo de diálogo quotidianamente mantido entre os professores e as turmas, vai-se realizando uma avaliação informal que constitui a base da avaliação formal requerida administrativamente. Porém, sem a definição de limites claros ao exercício da sua autoridade, além da necessidade de reconhecimento da sua legitimidade, esta perspectiva não explicita nem sistematiza os diferentes princípios tomados como referência na legitimação da autoridade professoral.

Os regimes de justificação de Boltanski e Thévenot conferem à perspectiva de Merle um enquadramento que flexibiliza as explicações centradas no exercício da autoridade professoral. Esta maior plasticidade resulta do seu enriquecimento pela integração do julgamento actuante. Perante a fragilidade das correntes pedagógicas, evidenciada pela inexistência de uma área científica autónoma, as Ciências da Educação deixam vasto espaço aberto às considerações de senso comum, que serão dominantes nas diversas acções de julgamento. Estas conferem-lhes as capacidades necessárias para resolverem os imprevistos típicos do mundo escolar. A sua integração em modelos de entendimento professoral da avaliação, oferece um quadro de referência que permite predizer e simultaneamente legitimar as suas justificações. Assim, as decisões que tomam no exercício das suas funções, podem observar-se estruturadamente, partindo de princípios aceites como legítimos. Deste modo, a construção dos regimes de justificação constitui-se como uma gramática para a efectiva explicitação e compreensão das actividades docentes. Estas actividades foram interpretadas com recurso às referidas ferramentas conceptuais. É esta construção teórica que oferece robustez à análise, que de outro modo não passaria de um conjunto de justificações apresentadas a granel. Perspectivando as acções de julgamento dos professores, enquadradas pelos regimes de justificação, a compreensão das classificações obriga a uma profunda reflexão sobre o funcionamento da escola. É uma tarefa complexa, mas de outra forma não se ultrapassariam os determinismos: a teoria da reprodução social explicaria o infortúnio dos alunos de origem popular; a teoria dos dons enfatizaria o azar dos menos dotados; o discurso do trabalho abstrai-se das diferentes capacidades dos alunos e dos contextos em que vivem tornando o sucesso acessível a todos, mediante o necessário esforço. A Sociologia da Avaliação exige a construção de modelos que não reduzam a complexidade da realidade escolar a estereótipos.


3. AS PRÁTICAS DE AVALIAÇÃO COMO EMANAÇÃO DO QUOTIDIANO ESCOLAR

A justificação cívica valoriza os interesses comunitários, estabelecendo que os critérios de avaliação devem ser discutidos, definidos e alterados em grupo. Mesmo os professores que não concordem com as decisões tomadas, deverão adoptá-las, pois tiveram liberdade de expressar as suas ideias. Deverão subordinar-se às deliberações do grupo para garantir que a todos os alunos serão aplicados critérios idênticos.

A justificação inspirada privilegia a livre expressão das crianças, valorizando a sua criatividade. Esta perspectiva conduz a produções muito diferenciadas, às quais não será possível aplicar critérios comuns. Consequentemente, os critérios de avaliação uniformes apresentam-se mesmo como um obstáculo a uma avaliação séria, que apenas a revelação do aluno no espaço da aula permite realizar.

A avaliação escolar na perspectiva da justificação industrial será mais um problema técnico. Obtém-se a classificação final reagrupando as diversas parcelas anteriormente definidas como relevantes nos critérios de avaliação. A definição destas parcelas visa a adopção de regras uniformes para todos os alunos. A decomposição da avaliação em diversos parâmetros, segue a lógica que determinou a divisão do trabalho escolar em tarefas pedagógicas padronizadas. A padronização dos critérios de avaliação é fundamental para garantir que todos verão o seu desempenho avaliado do mesmo modo. Para o conseguir, os critérios de avaliação deverão ser fixados previamente, e cada professor dever-se-á limitar à sua rigorosa aplicação, após a apresentação dos mesmos no início do ano lectivo.

Partindo dos interesses dos alunos, a justificação doméstica estará sempre presente, estabelecendo que compete a cada professor a adequação dos critérios de avaliação aos seus alunos. Estas diferentes justificações podem cruzar-se de diferentes modos, baseando-se os professores em diferentes referências conforme a situação que pretendam legitimar.

A lógica prevalecente no domínio da avaliação no 12º ano é a justificação industrial, mas sabe-se que no domínio educativo esta perspectiva encontra numerosas limitações. Efectivamente, no quotidiano do trabalho escolar, os professores nunca se limitarão a seguir procedimentos técnicos, tomando anotações das tarefas em espaços previamente definidos. No domínio da educação os critérios de avaliação são uma exigência da comunidade, que pretende limitar o arbítrio dos professores. Combinando a justificação industrial com a justificação cívica, podem observar-se os critérios de avaliação por disciplina como um compromisso que pretende subordinar o exercício da autoridade professoral aos interesses da comunidade. Para evitar excessivos condicionamentos, geralmente, estes documentos apresentam uma grande generalidade. Mesmo os que parecem mais prescritivos, indicando mais parâmetros a considerar, acabam sempre por oferecer aos professores grande margem de manobra, porque a definição formal dos parâmetros de avaliação se encontra muito distante da sua efectiva objectivação. Esta ocorrerá no próprio quotidiano escolar, no qual os professores são forçados a tomar múltiplas decisões, para conduzirem as aulas mantendo o interesse dos alunos. Por exemplo, independentemente do nível de conhecimentos das turmas, os professores sabem que precisam pelo menos de identificar um conjunto de alunos médios, ao qual se dirijam, e que expresse o resultado do seu trabalho, pois de outro modo não conseguiriam legitimar a sua autoridade professoral. Isto é, na prática, classificar significa estabelecer uma ordenação dos alunos que seja suficientemente coerente para lhes demonstrar que o seu trabalho é premiado, doseando com sabedoria as sanções e as recompensas. Uma avaliação excessivamente severa poderá desmotivá-los, se verificarem que nenhum consegue alcançar metas louváveis. Uma avaliação excessivamente indulgente, permitindo que atinjam os objectivos com muita facilidade, não será a mais indicada para exigir o seu empenhamento no trabalho ao ritmo desejado. Isto é, apesar dos pressupostos decorrentes da avaliação industrial proporem uma avaliação criterial, a legitimação da autoridade professoral exige que se considerem dimensões de carácter referencial. A justificação doméstica limita a severidade da justificação industrial, quando exige que determinado conjunto de alunos apresente sucesso escolar. Por exemplo, os professores não poderão atribuir mais de 50% de negativas sem se justificarem perante os Conselhos de Turma. As declarações que então produzem para as actas, evidenciam a sua submissão aos interesses da comunidade, cumprindo à administração das escolas verificar se os seus funcionários estarão a cumprir com zelo as funções que lhes foram confiadas.

Verifica-se a importância da justificação doméstica quando se observa que os professores não conseguem argumentar sustentadamente que a turma não atingiu os objectivos previamente estabelecidos. Admitem-se casos singulares de insucesso escolar, mas não o insucesso das turmas. Nesse momento surge a artilharia pedagógica, argumentando que os objectivos, as estratégias, as metodologias, etc., não se encontram adequados aos alunos, e responsabilizando os professores pela sua reformulação. Os recursos oferecidos pela pedagogia oferecem uma estrutura mínima que será particularmente útil aos que não possuem qualquer perspectiva sistémica das suas actividades. Porém os recursos pedagógicos serão insuficientes para revelarem a solução de cada situação. Chegados aqui, será o bom senso de cada professor que os irá ajudar a redefinir as suas tarefas. Não tomarão decisões arbitrárias, antes se apoiarão em diferentes referências que balizarão as suas acções de julgamento. Os professores diagnosticam os problemas, prescrevem as soluções, implementam os processos, organizam as tarefas, avaliam os alunos e auto-avaliam todas as suas actividades. É o julgamento actuante que lhes permitirá integrar cada problema na lógica proposta pelo sistema. Assim, desde que se sintam a respeitar as grandes referências, também se sentem legitimados para criar as mais diversas soluções. Logo, será impossível apresentar uma listagem exaustiva dos aspectos que terão em consideração na criação dos próprios critérios de avaliação, mas os que se apresentaram ao longo deste estudo serão suficientes para o leitor perceber a lógica de construção dos mesmos. Por exemplo, um professor pode argumentar que uma turma é mais fraca pelas mais diversas razões: as turmas de desporto não privilegiam tanto os aspectos intelectuais, as turmas dos cursos tecnológicos são mais fracas, o horário é mau por não lhes deixar tardes livres, muitos alunos fazem viagens longas, etc. O motivo mais frequentemente apontado para as turmas serem fracas já se sabe que é o desinteresse pelo trabalho, e a solução apontada por este discurso é a mudança de atitudes dos alunos. Perante a dificuldade desta mudança, poderão ser consideradas numerosas alternativas: os testes podem fazer-se mais frequentemente, poderão ser mais simples, mais parecidos com as fichas de trabalho, podem fazer-se mais trabalhos em grupo, pode mandar-se fazer mais trabalho em casa, etc. O que se observa é que qualquer das decisões tomadas têm consequências em termos de avaliação, isto é, mesmo as decisões aparentemente inócuas contribuem para a construção quotidiana dos critérios de avaliação. Mesmo sem tomar propositadamente qualquer decisão, o professor poderá cultivar uma maior proximidade ou uma maior distância relativamente aos alunos. A aplicação destes não é indiferente ao seu relacionamento com os professores, e portanto, também deste modo, estes estarão a contribuir para uma avaliação diferente.

Factores administrativos, como a necessidade de todos classificarem os alunos nos mesmos momentos, também os levam a privilegiar os testes como instrumento de avaliação, porque nenhum outro instrumento lhes permite recolher informação com maior rapidez e facilidade. Sabe-se que os testes permitem diferenciar os alunos com maior facilidade que outros instrumentos.

A organização curricular determina que quatro das disciplinas seleccionadas sejam anuais, enquanto as outras duas são trienais. Verificou-se que no final do 3º período os professores das disciplinas anuais passavam os 9’s a 10’s com maior facilidade que os seus colegas das trienais. Os professores destas disciplinas encontravam-se limitados pelo cálculo da média final quando decidiam as classificações. Equacioná-las desta forma levou-os inclusivamente a conceber uma “avaliação de ciclo”, formalmente inexistente. Isto é, no caso de acompanharem os alunos do 10º ao 12º ano, podem sentir-se legitimados a acertar no 12º ano a média final do secundário. Quando só conheceram os alunos no 12º ano, tomaram nota das suas classificações do 10º e do 11º nas reuniões do 1º período. Caso observem que os alunos têm uma “média perigosa” podem recomendar-lhes trabalho adicional.

A formação dos professores condiciona a facilidade com que desenvolvem as suas actividades. Professores com formação nas respectivas áreas disciplinares podem construir materiais adaptados aos alunos, que exploram e explicitam efectivamente os temas. Professores com défices de formação não constroem materiais, preferindo falar mais sobre os temas, utilizando mais frequentemente os manuais. O desinteresse destas aulas também se reflectirá nas classificações.

Os exames, principalmente nas MCN [1], condicionam as aulas durante todo o ano lectivo, impondo mais violentamente as estratégias tradicionais, porque a extensão dos programas não é compatível com estratégias mais participadas, na perspectiva da justificação industrial. Esta é combinada com a justificação doméstica, argumentando que desta maneira os alunos obterão melhores resultados nos exames, justificando a cristalização pedagógica no 12º ano. É no interesse dos próprios alunos que se justifica a sua formatação para os exames. O ritmo que é necessário impor nestas aulas, limita o desenvolvimento dos laços afectivos, mas a proximidade e manifestação de afectos observadas em situações de apoio individualizado, que se verificaram nestas disciplinas, contribuem para um melhor relacionamento. Nas MCN, trabalhar é mais frequentemente sinónimo de realizar trabalho escrito, circunstância indispensável ao surgimento de oportunidades de apoio individualizado. Os exames também serão um trabalho escrito, e a competição por melhores classificações leva o trabalho escolar a assemelhar-se muito às provas de exame, tomadas como modelo do que é necessário saber fazer. Nestas disciplinas, frequentemente, todos os testes têm a estrutura das provas de exame, e os professores esforçam-se por reproduzir durante todo o ano lectivo as circunstâncias que os estudantes encontrarão mais tarde, promovendo o seu treino. A transposição dos critérios de classificação das provas de exame para o quotidiano escolar é uma evidência, apesar de os professores de Biologia se terem manifestado contra este aspecto, invocando a sua excessiva severidade. Independentemente das disciplinas, pode observar-se que as provas de exame se constituem sempre como o grande modelo de referência dos testes que se realizam ao longo do ano lectivo, procurando apresentar uma estrutura idêntica, adaptando questões já saídas, ou mesmo colocando os alunos perante a reprodução das próprias provas de exame. Em todas as disciplinas surgiu abundante literatura que consiste na simples resolução de provas de exame. A utilização destes materiais é bem elucidativa dos processos de estudo privilegiados. Não adianta que alguns professores procurem resistir a esta “metodologia”, porque em casa os alunos terão liberdade para a adoptar, provando a sua eficácia, apesar das resistências pedagógicas. Isto é, os exames impõem por si próprios uma concepção do trabalho escolar, independente até das concepções dos professores. Portanto, os exames não são um mero instrumento de avaliação. Eles moldam as práticas do trabalho escolar, quer na sala de aula, quer fora da escola. Simultaneamente, os exames sugerem os próprios critérios de avaliação.

Outro aspecto que evidencia que a avaliação se constrói à medida dos resultados que se pretendem obter, é facilmente visível quando se reflecte sobre o efeito dos rankings de escolas no quotidiano escolar. As práticas de ensino ficaram mais severas em decorrência do mito dos 2 valores. Mais. O aumento da concorrência entre as escolas, permitiu ainda observar a transformação das actividades extra-curriculares em tempos lectivos. Utilizando as horas do crédito global da escola destinadas anteriormente a estas actividades, as escolas podem oferecer às turmas do 12º ano com determinadas disciplinas, mais um tempo semanal. No final do ano lectivo, este acréscimo de horas corresponde à criação de um 4º período às disciplinas privilegiadas. A invenção deste 4º período legitima-se na perspectiva industrial, designadamente pelo discurso do trabalho. Repete-se incansavelmente que para obterem notas mais elevadas, os alunos deverão trabalhar mais. É igualmente legítimo duvidar que a multiplicação das horas lectivas seja efectivamente do interesse dos alunos. Não seria desejável realizar um tipo de trabalho mais criativo, e inventar outro sistema de avaliação?



[1] No estudo consideraram-se as seis disciplinas do 12º ano com maior número de alunos, distinguindo dois grupos com relativa homogeneidade: MCN, Matemática e Ciências Naturais, integrando Matemática, Biologia e Química; Português B, Psicologia e IDES (Introdução ao Desenvolvimento Económico e Social) constituíam o grupo das HCS, Humanidades e Ciências Sociais.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Portugal é dos países mais corruptos

Portugal é dos países mais corruptos. 32º lugar a nível mundial! Bate praticamente todos os parceiros da União Europeia.


Fonte: www.transparency.org

Para memória
A mesma organização atribuiu a Portugal a 28ª posição do ranking em 2007, e a 26ª em 2006 e 2005. Conclusão: No país floresce a corrupção.

II Memorando de Entendimento: Um diálogo de surdos


Mário Nogueira já tinha ficado refém de Milu quando assinou o I Memorando de Entendimento com ME em Abril de 2008, que oferecia à Ministra a tranquilidade que desejava na aplicação do modelo DR 2/2008, visto que este só seria objecto de revisão em Junho e Julho de 2009, segundo o ponto 5. do referido acordo:

  • 5. Durante os meses de Junho e Julho de 2009 terá lugar um processo negocial com as organizações sindicais, com vista à introdução de eventuais modificações ou alterações, que tomará em consideração a avaliação do modelo, os elementos obtidos até então no processo de acompanhamento, avaliação e monitorização de primeiro ciclo de aplicação, bem como as propostas sindicais.


Acontece que a educação não é um negócio entre o ME e os sindicatos, e como o modelo é mesmo irrealista, os professores manifestaram-se pela blogoesfera fora, forçaram os sindicatos a romper com o I Memorando de Entendimento, e a avançar para a discussão do novo Estatuto da Carreira Docente, que transformou o anterior tempo livre dos docentes em trabalho gratuito que lhes é exigido agora de vários modos (aulas de substituição, cargos, papelada...).

Com o II Memorando de Entendimento, os sindicatos ofereceram ao ME 10 dias de tréguas até dia 15, certamente à espera que se aproxime o final do período lectivo e a correspondente desmobilização. A justificação que a FENPROF apresenta no seu site é evidentemente excessiva. Diz que finalmente nessa reunião “tudo estará em cima da mesa, pela primeira vez”!

A melhor prova de que o ME continua com a mesma arrogância de sempre foi o mail com que nos brindou novamente, insistindo no “prosseguimento” em todas as escolas da avaliação do desempenho, quando todos sabemos que o processo se encontra de facto parado. Evidentemente que este Governo não mudará esta política, visto que até está a subir nas sondagens, pois fazer os professores trabalhar de borla agrada à populaça.



from DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt
to
date 5 December 2008 21:53
subject Esclarecimento - Avaliação de desempenho
mailed-by dgrhe.min-edu.pt


Esclarecimento

1 - Chegou hoje ao fim o processo de negociação das medidas tomadas pelo Governo no dia 20 de Novembro para facilitar a avaliação do desempenho dos professores.

2 - Os sindicatos neste processo não apresentaram qualquer alternativa ou pedido de negociação suplementar, pelo que o Ministério da Educação (ME) dá por concluídas as negociações, prosseguindo a aprovação dos respectivos instrumentos legais.

3 - O ME, mantendo a abertura de sempre, que já conduzira ao Memorando de Entendimento com a plataforma sindical (ver infra), respondeu positivamente à vontade dos sindicatos, expressa publicamente, de realização de uma reunião sem pré-condições, isto é, sem exigência de suspensão da avaliação até aqui colocada pelos sindicatos. Foi por isso agendada uma reunião para o dia 15 de Dezembro, com agenda aberta.

4 - Os sindicatos foram informados que o ME não suspenderá a avaliação de desempenho, que prossegue em todas as escolas nos termos em que tem vindo a ser desenvolvida.


Informação complementar

1 - "Uma avaliação séria melhorará a escola" - discurso da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, na Assembleia da República, em debate sobre a avaliação de desempenho, em http://www.min-edu.pt/np3/2923.html.

2 - Notas sobre um modelo de avaliação que protege os professores, em http://www.min-edu.pt/np3/np3/2905.html.

3 - Dossier Avaliação do Desempenho Docente, em http://www.min-edu.pt/np3/193.

4 - Memorando de Entendimento entre o Ministério da Educação e os sindicatos em http://www.min-edu.pt/np3/1900.html.


Lisboa, 05 de Dezembro de 2008.



Comparando o texto da FENPROF com o mail do ME, só me resta uma dúvida:

Falam a mesma língua?



Como pode estar tudo em aberto, mantendo o ME que não suspenderá a avaliação de desempenho, que prossegue em todas as escolas nos termos em que tem vindo a ser desenvolvida?



A verdade é que Milu ficou aliviada da pressão das greves... mas eu certamente não darei um cêntimo para o peditório da FENPROF.

Evidentemente que é absurdo permitir mudar e até substituir o modelo de avaliação do desempenho e ao mesmo tempo exigir a sua aplicação instantânea. Com a Ministra fragilizada, os sindicados poderiam fazer melhor que dar-lhe os trunfos da trégua.

Hoje veremos a resposta que tem para isto o Teatro José Lúcio. Os professores precisam mesmo dos sindicatos para manterem até à vitória a luta pelos seus objectivos?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Erros de ortografia não contam para avaliação


  • Valeu tudo: tratar um sujeito como predicado, usar um "ç" em vez de dois "s", inventar palavras. O Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação deu ordens para que nas primeiras partes das provas de aferição de Língua Portuguesa do 4.º e 6.º anos, os erros de construção gráfica, grafia ou de uso de convenções gráficas não fossem considerados. E valeu tudo menos saber escrever em português. Isso não deu pontos.
    Ciberdúvidas / DN / Continuar a ler

Viagem pela língua portuguesa

A língua portuguesa apresenta alguma diversidade regional. Eis a lista de expressões cujo significado pode conferir no vídeo:

Acoutro dia fui de horário e vim de abelhinha
Alcagoita
Aloquete
Andar à porra e à massa
Apastorar-se
Borrachão
Borrona
Cajado
Chinesa
Correr a roupa
Cruzeta
Friza
Grezéus
Malga
Marafado
Morcão
Prego
Sertã
Texto
Trugalheiro


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Numa economia eficiente os mercados funcionam!


Numa economia eficiente os mercados funcionam! A falência das empresas ineficientes permite que se inicie o processo de "destruição criadora" que entrou na história da Economia pela descrição de Joseph Schumpeter. Sucintamente, será a oportunidade de os recursos se deslocarem para sectores de actividade onde serão mais produtivos, levando a economia para um ponto de maior eficiência.


Por cá o Governo pretende substituir-se aos mercados em todas as áreas. Na banca compreende-se que se evite o efeito psicológico que provocaria a falência de um banco. Agora, começando a pagar os salários da indústria automóvel, onde vamos parar?

  • Plano de apoio. O Governo assegura 80% dos salários dos trabalhadores do sector durante as paragens de produção para evitar despedimentos. Trata-se de uma medida inserida no Plano de Apoio ao Sector Automóvel, apresentado ontem pelo primeiro-ministro, e que custará 900 milhões de euros.
    Diário de Notícias, 04/DEZ/2008


Será preciso o país ir à falência?

Até a Suécia entrou em recessão, mas por lá ninguém inventou truques destes.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A história das coisas

Um vídeo interessante para associar o consumismo ao desenvolvimento sustentável.

Revogação do DR 2/2008, já!


Se o DR 2/2008 se revelou inviável na sua implementação, deverá terminar a suspensão da avaliação de desempenho. Revogue-se o DR 2/2008, e publique-se algo exequível.
Mais uma vez chamo a atenção para o modelo Finlandês.

Estão disponíveis para estender a aplicação deste regime transitório por mais algum tempo, para o próximo ano lectivo ou até mais, no sentido de criar confiança junto dos sindicatos, (...) desde que eles aceitem negociar e abdiquem de uma posição de tudo ou nada, e estarão dispostos a inventar qualquer coisa que transmita a sensação de que os professores foram avaliados PORQUE VOCÊS O IMPUSERAM. A única coisa que tem para defender, num modelo sem pés nem cabeça, é A VOSSA PATERNIDADE, por copy/paste desavergonhado do modelo chileno.

Já se gabaram de ter avaliado professores o ano passado, apesar de terem adoptado um procedimento simplificado, que na prática correspondeu à aplicação do DR 11/98, que definia o modelo de avaliação anteriormente em vigor, e que nenhum Ministro se interessou por regulamentar, de modo a premiar o mérito daqueles que obtivessem menção de Bom ou de Muito Bom!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

DIA 3 DE DEZEMBRO, EM SINTRA

Os professores do concelho de Sintra, partindo das suas escolas, vão reunir-se no dia 3 de Dezembro, na Av. Heliodoro Salgado, às 11.30h, numa concentração/desfile de protesto, com percurso até à Câmara Municipal de Sintra (tendo já confirmada uma audiência com o Presidente da Câmara), em defesa da Escola Pública e de um ensino de qualidade! Os professores de Sintra (a exemplo de milhares de colegas por todo o país) reafirmam a sua firmeza e determinação na luta contra este modelo de avaliação e este ECD, na luta contra toda a poluição legislativa emanada do ME e as suas manobras de diversão ou intimidação, venham elas embrulhadas em supostas simplificações (umas após outras, logo, sem qualquer credibilidade, apenas demonstrando a total falência deste modelo de avaliação), em ameaças veladas de processos disciplinares ou outras punições, ou através de tentativas desesperadas de desmobilização e divisão da classe docente.

Dia 3 daremos de novo a resposta!

JUNTOS VENCEREMOS!

MUP

Sem avaliação, que podem os professores fazer?


Para quem não saiba, nas Novas Oportunidades os professores (ditos formadores) das diversas áreas não têm o direito/dever de avaliar os alunos (ditos formandos), apesar de estarem com estes 4 ou 5 horas por semana! Essa competência cabe ao Mediador (uma espécie de Director de Turma) que reúne com a Turma uma vez por mês, numa sessão chamada PRA, Portefólio Reflexivo de Aprendizagem. É na área de PRA que faz a avaliação destes alunos... uma vez por mês... com base nos elementos fornecidos pelos colegas ;)

Assim se fabrica o sucesso das Novas Oportunidades, que desde Novembro de 2006 até Novembro de 2008 tem uma média de 4000 adultos certificados por mês...

Quantos qualificados?

A avaliação será feita depois "caso a caso" pelo mercado. Evidentemente! É por isso que a passagem a contrato - dos funcionários públicos que frequentaram as Novas Oportunidades - "não será uma medida universal", esclareceu Sócrates. (PÚBLICO)

O sonho se Sócrates!


Com um país parado, como o que se antevê para amanhã em resultado da greve dos professores, e com uma imprensa que não controla, designadamente em resultado da explosão de sites na Internet - visitem o http://www.premiosprecariedade.net/ e votem! - certamente que José Sócrates já teve o sonho do seu amigo Hugo Chavez "para pôr o pais na ordem" ;)

Chavez pede que partido prepare emenda para permitir sua reeleição ilimitada

A chatice é que Portugal é membro na União Europeia, que impõe a adopção das regras de uma democracia formal. Senão poderia sentar-se à mesa com Manuela Ferreira Leite, que até propôs a suspensão da democracia, para realizar as reformas!!! Realizaram-se em Portugal algumas reformas durante a ditadura? Ou tudo o que se fez deveremos agradecer à democracia?




Adenda

Na minha escola, a greve de 3 de Dezembro teve uma adesão superior a 80%, segundo Manuel Sanches.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A dualidade de Maria de Lurdes Rodrigues


É elucidativa esta breve passagem do sociólogo Manuel Villaverde Cabral sobre o exercício do poder pela Ministra da Educação.

  • "Não se pode ser 'autoritário' com os professores", fazer deles "o bode expiatório do insucesso escolar", ser "'liberal' com os alunos e completamente 'populista' com as chamadas famílias - que, de forma geral, não são capazes nem fazem qualquer esforço para apoiar os filhos no processo de aprendizagem -, quando toda a gente sabe que, em qualquer sociedade, os alunos só têm êxito quando os pais entram com a sua quota-parte de esforço!"
    Manuel Villaverde Cabral, PÚBLICO, 01/DEZ/2008

sábado, 29 de novembro de 2008

Uma selecção de posts de 2008


Num blogue publicam-se muitos textos. Com a aproximação de Dezembro pensei em seleccionar alguns posts do ano numa apresentação PowerPoint.






http://www.effectmatrix.com/PowerPoint-Video-Converter/Free-PowerPoint-Video-Converter.htm

Que legitimidade tem Sócrates para impor este modelo de avaliação só aos professores?


  • Sócrates reafirmou que não está disposto “a esperar mais 30 anos” até que seja aplicado um modelo de avaliação dos professores e garantiu que esta questão não deve ser vista como um problema meramente sectorial, mas como um assunto que deve envolver todo o Governo.
    PÚBLICO, 29/NOV/2008


O que tem muito mais de 30 anos é a lógica do trabalho não remunerado. Passo a explicar. Como a maior parte do corpo docente são professoras, na perspectiva machista dos "educadores" estas nunca deveriam ganhar mais que os respectivos maridos para não lhes disputar o poder. Os professores sempre ganharam mal, mas até à entrada em vigor do novo ECD sentiam-se compensados pelo tempo livre, que foi convertido em trabalho gratuito, que se encontra agora no centro da contestação.

  • Motivos para a aderir às Greves. Não fazer greve significa concordar com:

    a) Coordenação de Departamento não remunerada;
    b) Aulas de apoio não remuneradas;
    c) Aulas de substituição não remuneradas;
    d) Direcção de Instalações não remunerada;
    e) Desenvolver actividades extracurriculares não remuneradas;
    f) Visitas de estudo não remuneradas;
    g) Reuniões fora de horas não remuneradas;
    h) Reuniões à noite, fora de horas;
    i) Ficar fechado na Escola horas sem fim, sem condições de trabalho, em vez de estar em casa a preparar as aulas;
    j) Estar na Escola à espera que um colega falte, como se os colegas cumpridores fossem os responsáveis pelos colegas faltistas (apontem uma outra profissão onde se passe o mesmo).
    k) Que a Sra. Ministra obrigue a trabalhar mais horas e o agradecimento passe apenas por um obrigado cínico no Parlamento;
    l) Que um colega de outra disciplina assista às nossas aulas;
    m) Que as notas dos alunos que não querem estudar te impeçam de progredir na carreira;
    n) Com o congelamento dos vencimentos e progressão na carreira;
    o) Que a maternidade, morte de um familiar próximo te impeça de progredir na carreira;
    p) Com o Estatuto do Aluno;
    q) Com a diminuição da autoridade dos PROFESSORES;
    r) Com os insultos e agressões por parte de alguns alunos e respectivos Encarregados de Educação;
    s) Com a destruição da Escola Pública;
    t) Com a divisão da carreira em duas: titular e não titular colocando Professores contra Professores;
    u) Com as cotas na progressão;
    v) Com os critérios que levaram à escolha dos professores titulares;
    w) Com o péssimo ambiente de trabalho que se está a instalar nas Escolas;
    x) Com o fim dos destacamentos;
    y) Com os concursos por três anos;
    z) Com o trabalho excessivo.
    aa) Com a permanência na Escola de 40 horas;
    bb) Que os Professores se substituam aos Pais e que os Pais só sirvam para procriar;
    cc) Que Professores tenham 10 Turmas, mais de 250 alunos e 1500 testes para corrigir por ano, para não falar dos trabalhos;
    dd) Que políticos aldrabões continuem a enriquecer com o trabalho alheio;
    ee) -------------------------------------------------------

    in DIA 3 - MENSAGEM QUE CIRCULA

Disparates da "Formação em Avaliação"


Há quem trate a avaliação de desempenho como uma "ciência", mas obviamente que não deixa por isso de inventar. Quando a solução proposta é manifestamente desadequada do contexto, então surge a contestação fundamentada. Foi o caso, na secundária de Camões ou Rainha D. Amélia, em Lisboa.

  • Dúvidas de que o modelo era “confuso e injusto” nunca teve Isabel le Gué. Mas a presidente do conselho executivo da secundária Rainha D. Amélia, em Coimbra, tentou aplicá-lo nos últimos meses na sua escola... até chegar à conclusão de que era inaplicável. Nesta escola, dita elitista e pouco contestatária, a lei era para cumprir e havia que simplificar. Os professores entregaram os objectivos individuais e até realizaram aulas assistidas. Porém, há 10 dias, na sequência de reuniões de departamento e da moção aprovada em assembleia geral, a escola suspendeu todos os procedimentos relacionados com a avaliação. E enviou um ofício a informar a tutela da decisão. “com a consciência de que as consequências são individuais”.

    O “copo já estava cheio”(com o novo estatuto da carreira docente e a divisão da carreira em titulares e não-titulares) e a avaliação parecia ser a gota de água. Mas o verdadeiro transbordar aconteceu quando os professores avaliadores foram a acções de formação dadas pelo Ministério em que lhes disseram, por exemplo, que para um professor ter ‘Muito Bom’ não bastava que os alunos realizassem trabalhos para expor na escola, mas que era necessário quantificar o número e a satisfação dos visitantes da comunidade. “Quando a lei é complexa e ambígua dá margem para o disparate”, sublinha esta professora com 22 anos de ensino. Ou seja, o ridículo e o grave acontecem e não é sempre “porque as escolas complicam”, como acusou a ministra da Educação.

    Nesta escola, como na de Camões (cujos professores em reunião geral, no dia 5, aprovaram uma moção apelando à suspensão do processo), a maioria dos contactados pelo Expresso não são sindicalizados e as primeiras manifestações em que participaram na vida foram a de 8 de Março e as de Novembro.
    EXPRESSO (Assinatura) 29/Nov/2008

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Marketing Directo de Intimidação - 5


from DGRHE.MEducacao@dgrhe.min-edu.pt
to
date 28 November 2008 11:49
subject Avaliação de desempenho - Informação
mailed-by dgrhe.min-edu.pt



Ex.mo(a) Senhor(a) Professor(a)

Como forma de prestar uma informação em primeira-mão, e dado que alguns docentes não receberam o anexo constante de um email enviado anteriormente, transcreve-se no presente email a informação relativa às principais propostas sobre as condições de implementação do processo de avaliação de desempenho dos docentes.

A Direcção Geral de Recursos Humanos



Informação sobre a Avaliação de Desempenho dos Docentes

25 de Novembro de 2008

O Ministério da Educação esteve sempre disponível para dialogar com todos os professores, conselhos executivos, sindicatos, pais e demais parceiros sobre as reformas que empreendeu e, também, sobre a avaliação de desempenho dos professores. Prova disso é o memorando de entendimento que, em Abril do corrente ano, foi assinado com a plataforma de sindicatos, onde ficaram acordadas as condições de aplicação do modelo de avaliação neste primeiro ciclo avaliativo.

Interrompido que foi este acordo, mantemo-nos contudo fiéis ao nosso compromisso de
garantir a todos os professores as condições indispensáveis ao prosseguimento do
processo no corrente ano lectivo. Ouvidos todos os intervenientes e parceiros do sistema
educativo, identificámos um conjunto de problemas que se considera dificultarem a
concretização do processo de avaliação de desempenho dos professores,
designadamente:

(1) a insuficiência de avaliadores da mesma área disciplinar dos
avaliados;
(2) o excesso de burocracia;
(3) a sobrecarga de trabalho.

Com o objectivo de ultrapassar estes constrangimentos, decidimos avançar com um
conjunto de medidas, de aplicação imediata, que introduzem alterações importantes nas
condições de implantação do modelo.
As medidas são as seguintes:

1) Garantir que os professores, sempre que o requeiram, possam ser avaliados
por avaliadores da mesma área disciplinar

São alteradas as regras de delegação de competências, de modo a permitir que a
delegação recaia em professores titulares de outro departamento curricular ou em
professores nomeados em comissão de serviço como professores titulares, sem que
neste caso se apliquem os rácios a que esta solução está hoje sujeita. Em caso de
impossibilidade de recurso a qualquer destas soluções, poderão as competências ser
delegadas em professores titulares de outro agrupamento de escolas ou escola não
agrupada, neste caso com o apoio das Direcções Regionais de Educação.

2) Não considerar o parâmetro referente ao progresso dos resultados escolares e
à redução das taxas de abandono escolar

Esta medida decorre da percepção das dificuldades de ordem burocrática que a sua
utilização estava a introduzir nas escolas e da necessidade de maior consolidação
técnica identificada pelo Conselho Científico da Avaliação de Professores. Sendo assim,
as fichas de avaliação a preencher pelo presidente do conselho executivo não devem
contemplar este parâmetro. A possibilidade de acesso à classificação final máxima está
garantida mesmo com a eliminação deste parâmetro.

3) Promover a simplificação dos instrumentos de avaliação

O preenchimento das fichas de avaliação e auto-avaliação foi simplificado, uma vez que
é alargada a possibilidade de agregação de todos os itens e subparâmetros. Só é exigida
a avaliação e a classificação dos parâmetros. Serão também muito em breve
disponibilizadas orientações que promovam a simplificação dos instrumentos de registo
e indicadores de medida.

4) Dispensar, em caso de acordo, a realização de reuniões entre avaliador e
avaliado

Em caso de acordo, as reuniões para a atribuição da classificação final são tacitamente
dispensadas, podendo no entanto a sua realização ser solicitada quer pelo avaliador quer
pelo avaliado. Além disso, e embora não esteja prevista a realização de qualquer outra
entrevista, muitas escolas assumiram que a fixação de objectivos individuais implicava
o agendamento e a realização de uma reunião entre avaliador e avaliado. Assim sendo, e
com o objectivo de agilizar o processo, são introduzidas as seguintes regras:
- os objectivos são apresentados exclusivamente ao presidente do conselho
executivo ou director (ou dos membros da direcção executiva em quem a
competência tenha sido delegada);
- os objectivos são considerados tacitamente aceites se, no prazo de 10 dias, o
avaliador nada disser sobre os objectivos propostos.

5) Tornar voluntária a avaliação da componente científico-pedagógica

A avaliação desta componente, da responsabilidade do coordenador do departamento
curricular (ou dos professores titulares em quem a competência tenha sido delegada),
passa a ter carácter voluntário, sendo no entanto requisito necessário à obtenção das
classificações de "Muito Bom" e "Excelente".

6) Reduzir o número mínimo de aulas a observar

O número de aulas observadas, para os professores que optem por serem avaliados na
componente científico-pedagógica, é reduzido de três para duas, ficando a terceira
observação dependente de solicitação do professor avaliado.

7) Clarificar o regime de avaliação dos avaliadores

Os coordenadores de departamentos curriculares e todos os outros professores
avaliadores da componente científico-pedagógica são exclusivamente avaliados pelo
presidente do conselho executivo ou director, no seu desempenho profissional e
enquanto avaliadores. A avaliação dos membros das direcções executivas é efectuada
em moldes idênticos aos previstos no SIADAP 2, sistema de avaliação de desempenho
dos dirigentes da administração pública, depois de ouvido o Conselho das Escolas.

8) Alargar as acções de formação contínua consideradas na avaliação

No presente ciclo de avaliação, são consideradas as acções de formação contínua
acreditadas que não tenham sido utilizadas em anteriores avaliações, sendo utilizada a
menção de "bom" nos casos em que não exista classificação. Relembra-se que é ainda
possível o pedido de acreditação ao Conselho Científico de Formação Contínua pelo
avaliado de pós-graduações, mestrados e doutoramentos (ou de disciplinas dos mesmos)
que não estejam ainda acreditadas.

9) Melhoria das condições de trabalho para os avaliadores

São reforçadas e alargadas as compensações da sobrecarga de trabalho decorrente da
avaliação, como seja a possibilidade de remunerar, através do pagamento de horas
extraordinárias, o esforço suplementar que garanta que a avaliação se efectue por
docentes da mesma área disciplinar dos avaliados, sem que isso se traduza em alterações
substanciais aos horários das escolas.
Estas medidas constarão de alterações pontuais nos normativos abaixo indicados,
que seguirão em breve, acompanhados de orientações precisas sobre as condições
de prosseguimento da avaliação de desempenho docente:

--Decretos Regulamentares n.º 2 /2008, de 10 de Janeiro, e n.º 11/2008, de 23 de
Maio;
--Despacho n.º 20131/2008, de 30 de Julho - Avaliação de desempenho docente
percentagens de menções qualitativas de "Excelente" e "Muito Bom";
--Despacho n.º 7465/2008, de 13 de Março - Delegação de competências de
avaliador e nomeação em comissão de serviço;
--Despacho n.º 19117/2008, de 17 de Julho - Organização do Ano Lectivo
--Despacho n.º 16872/2008, de 23 de Junho - Aprovação das Fichas de Avaliação
do Desempenho.

Estamos convictos de que, com estas medidas, estarão criadas as condições para que o processo de avaliação decorra dentro da normalidade em todas as escolas.
Só assim será possível cumprir o compromisso que assumimos com a plataforma de
sindicatos em Abril de 2008: proceder, em Junho e Julho de 2009, ao balanço deste
primeiro ciclo de avaliação para que, com base nos elementos obtidos no respectivo
processo de acompanhamento e monitorização, possa ser identificada a necessidade de
introdução de modificações ou alterações ao modelo.

ME

DGRHE

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