sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cristalização da avaliação do desempenho docente


O ME publicou um post onde invoca várias razões para justificar o trabalho que fez no âmbito da avaliação do desempenho dos professores, e concluir que o que deve fazer agora é “prorrogar a vigência do actual regime transitório”, pois será necessário “um período transitório de consolidação da experiência em curso”.

O núcleo central do modelo economicista surge legitimado pela OCDE (1) e apresentado como temporário em duas linhas muito breves: “O estudo da OCDE apoia ainda expressamente a manutenção de quotas para as classificações superiores até à plena maturidade de uma cultura de avaliação”: Este aspecto que nunca poderá ser aceite pelos professores, será a alavanca da contestação.

Porém, outros aspectos são elucidativos da cristalização do modelo de avaliação, como os denominados “pontos fortes”, que já raramente são discutidos. Escolhi três desses aspectos para este post:

1. Retórica: É um sistema integral, que incide sobre a generalidade dos aspectos do trabalho dos docentes.

Na verdade os aspectos considerados são os mais fáceis de objectivar (observar, contar). O trabalho que faz a diferença entre os docentes, o trabalho criativo, não é observado sistematicamente.

2. Retórica: Inclui uma componente de avaliação por pares mais qualificados.

A partir de determinado momento, particularmente nos departamentos mais heterogéneos, os professores terão simplesmente qualificações diferentes, não sendo possível para os melhores a avaliação por pares mais qualificados.

3. Retórica: Estabelece a observação de aulas como factor fundamental para a avaliação da vertente pedagógica e do desenvolvimento profissional.

O que os avaliadores têm estado a observar em duas ou três aulas é a reacção das turmas e dos professores à sua presença. Uma observação séria exigiria a sua integração no grupo, e para contribuírem para o desenvolvimento profissional dos docentes deveriam ser capazes de lhes sugerir novas estratégias de inovação pedagógica.

A melhor fonte de cristalização é a prática. Daí que o maior brilharete do ME esteja neste parágrafo:

“A avaliação é hoje um dado adquirido em todas as escolas. Foi organizada por milhares de professores avaliadores que desenvolveram competências em procedimentos de avaliação. Participaram no processo de avaliação mais de 100.000 professores que entregaram os seus objectivos e que obterão a sua classificação até ao final do presente ano”.

Não temos elementos para confirmar os 100.000 professores, mas não há dúvida que se trata de propaganda porque se a referência contínua a ser o modelo “puro”, o DR 2/2008, que abortou sem nunca ter sido adoptado em qualquer escola, a estatística refere-se ao procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduzido aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação. Os elementos fáceis de contar ;)

A repetição da retórica, vezes sem conta, vai tornando aceitáveis uma série de coisas que anteriormente pareceriam estranhas. Este post foi escrito para que a retórica não torne indiscutível o que foi decidido arbitrariamente, discutindo racionalmente alguns aspectos que já pareciam aceitáveis a muitos.



Adenda




(1) O post do ME refere-se a estudos da OCDE e da Deloitte, mas curiosamente nunca apresenta links para os mesmos. Isto é, pede-nos simplesmente que acreditemos na sua interpretação. Precisavam de umas aulas minhas ;)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Registo de destaque no INTERATIC 2.0


O INTERATIC 2.0 é uma rede social que neste momento já ultrapassou os 1.000 professores interessados em aprender/partilhar o conhecimento com os colegas através da Internet. Este post destina-se a registar o destaque na página de abertura de um dos meus comentários:

  • Em destaque:
    "Não há mecanismos que permitam o reconhecimento do investimento na auto-formação. Mesmo quem tenha tido 18 créditos por equivalência de um Mestrado tem de continuar a frequentar as acções da tanga ao ritmo de 1 crédito por ano para o mercado continuar a funcionar. Eu nem exigiria ao ME um grande investimento, porque as ferramentas estão na Web, mas que abrissem os olhos aos trabalhos que também estão na Web." Prof. José Neto

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Google Chrome Operating System


Foi anunciado no Blogue Oficial do Google o Google Chrome OS, a designação do sistema operativo da Google que constitui a mais séria ameaça à hegemonia da MicroSoft.

O sistema começará por ficar disponível nos notebooks, mas a partir de 2010 devera ficar disponível para a generalidade dos consumidores, a tempo de rivalizar com o novo produto que a MicroSoft nos quer vender, o Windows 7.

Curioso o argumento da Google. Para as pessoas que vivem na web, o Google Chrome OS é uma tentativa de pensar como os sistemas operativos deveriam ser. Isto é, com o sistema operativo da Google funcionarão melhor as aplicações da Web ;) Este argumento faz lembrar o que o a MicroSoft utilizou para derrotar o Netscape. Então a MicroSoft disse-nos que o browser (navegador) deveria ser integrado no sistema operativo para funcionar melhor ;) O que nunca esperou foi que um motor de pesquisa se tornasse um browser concorrente, e agora quisesse fazer o seu próprio sistema operativo.

sábado, 4 de julho de 2009

Segundo o estudo da PJ o número de crianças vítimas de assédio sexual por ano é superior à população do país!


  • Se se falar “apenas” de assédio sexual de menores online – sem abuso físico, mas com referências explícitas a sexo, troca de fotos e vídeos com nudez, simulações de actos sexuais e exibições através de webcam - as cifras nacionais estimadas pela PJ sobem para 30 mil vítimas por dia, entre os 10 e os 15 anos. São 5% das crianças portuguesas nessa faixa etária.
    EXPRESSO


O título alarmista deste post baseia-se na operação de multiplicar:


30.000/dia x 365 = 10.950.000/ano
Maior que a População portuguesa (INE)


Contudo esta operação não é aplicável neste contexto, pois estaríamos a supor 30.000 novas vítimas por dia, o que não é o caso. Nesta área o mais frequente é a repetição dos abusos sobre a mesma vítima.

Independentemente da percentagem estimada, trata-se de um drama quando nos toca.



Acrescente-se que o EXPRESSO também revela dados do Crimes against Children Research Center (CCRC), segundo os quais apenas 1% dos adultos condenados por crimes contra crianças travaram conhecimento com a vítima on-line. Nada de alarmismos com a Internet, porque a maioria dos abusos provém dos familiares, vizinhos e "amigos"/conhecidos.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Mind this gap



Why don't look to Fins if they have better results?

Isto é um tweet ilustrado para Don Tapscott em resposta ao seu artigo Obama should look to Portugal on how to fix schools. Este gráfico está incluído no post Don Tapscott passou-se.

Fiquei muito ofendido com afirmações que foram feitas


  • "Excedi-me, pedi desculpa", afirmou Manuel Pinho, quando questionado pelos jornalistas sobre o que tinha acontecido minutos antes no plenário da Assembleia da República.

    O ministro explicou que o caso das minas de Aljustrel foi "muito difícil" e que se sentiu "ofendido" com as afirmações de ouviu.

    "Foi um caso muito difícil, foi um caso em que me envolvi muito, fiquei muito ofendido com afirmações que foram feitas", afirmou, salientando que o Governo "quer muito" resolver o caso das minas de Aljustrel.

    "Nós queremos muito resolver o caso das minas de Aljustrel, em Dezembro a situação era desesperada, foi resolvida. Felizmente, agora está lá o dobro do número de trabalhadores", enfatizou.
    SIC


É triste ver um ministro demitir-se por falta de comportamento. Supostamente são pagos para discutir política, mas o gesto evidencia falhas ao nível dos recursos verbais, e é sintomático do vazio político a que se chegou.



  • Eles não têm nada que fazer. Pelos vistos o Bernardino Soares insultou-o sobre a mulher ou sobre os mineiros de Aljustrel.

    Faz parte da cultura latina.

    É um gesto ordinário.

    Não têm stress nenhum. Têm um tédio enorme. São uns mongos que para ali estão eleitos através de uma lei eleitoral inadequada e não têm nada para fazer, de maneira que se insultam uns aos outros. Se se estivesse a debater o estado da Nação garanto-lhe que isto não acontecia.

    Há coisas muitíssimo mais graves, incluindo o primeiro-ministro.

    Maria Filomena Mónica



  • Por se encontrar num Parlamento, onde um deputado pode mandar outro "pró c...", Pinho deve ter pensado que um par de chifres não fazia importância nenhuma.

    Fernando Madrinha / EXPRESSO






@sirluso
Manuel Pinho ao pé do Tio Alberto João é um modelo de educação. Posso então concluir que o PS é mais educado que o PSD?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Don Tapscott passou-se


Lermos textos que sabemos não corresponderem à realidade não chega a ser novidade nenhuma. Entram directamente no grupo das anedotas e o assunto está arrumado.

O caso é diferente quando se trata de um autor que conhecemos e respeitamos. Se o vemos pintar um quadro que não corresponde minimamente à realidade, quando publica um artigo com aspectos falsos, outros muito mal esclarecidos, não adianta que a lógica seja boa e até concordemos com ela. Parece que o Mundo inteiro desabou sob a nossa cabeça. Sabes Don, o teu artigo era tão patético que na imprensa portuguesa só PÚBLICO o referiu. Obviamente o Jugular - o blogue onde escreve a namorada do Sócrates - já copiou o teu artigo. Não devem ter percebido nenhum coisa, mas copiaram.

Certamente que Don Tapscott, antes de aconselhar Obama a olhar para Portugal, deveria ter feito uma investigação mais cuidadosa, e deveria ter ouvido as pessoas que conhecem o tema, como o Prof. António Dias de Figueiredo. (VIDEO)

Don, espero que tenhas acordado com os comentários críticos que recebeste dos professores portugueses. É certo que também recebeste um ou outro comentário favorável, designadamente dos vendedores de software ;)

De nada serve a Internet e os computadores se os alunos não adquirirem competências para se movimentar nela. A utilização das redes faz apelo aos recursos intelectuais clássicos, aqueles que “fazem a diferença” em numerosas tarefas escolares:
  • A lógica natural, a capacidade de meter em relação, de deduzir, de inferir, de compreender as etapas de um processo, de representar o Mundo e as suas mediações, estabilizar os métodos e adaptá-los caso a caso, inovar e procurar ajuda cautelosamente, etc.;
  • O conhecimento da escrita e um mínimo de leitura: apesar da presença da imagem e de todos os tipos de gráficos ajudando a localizar-se no monitor, é necessário ler rápida e constantemente para navegar na rede e de um modo geral utilizar a informática, porque as informações tomam frequentemente a forma de textos. Hoje, podemos certamente pedir ao computador para ler em voz alta um texto digitalizado, mas demorará muito mais tempo, não permitindo a pesquisa selectiva, o copiar-colar, a pesquisa rápida; a curto prazo, a leitura não encontrará um verdadeiro substituto no audiovisual; Bentotila (1996) mostra que a iletracia condena a muitas exclusões, entre as quais a informática, a qual dá acesso às informações, aos empregos, às capacidades, à comunicação;
  • A capacidade de descodificar as informações audiovisuais, é fortemente solicitada pela multiplicação das mensagens multimédia.


Uma prática regular de informática e de redes pode contribuir para reforçar estas três competências, mas não pode criá-las, nem faze-las mudar de um modo impressionante. Do mesmo modo que elas são constituídas, elas funcionam como os activos principais ou os handicaps maiores em relação à informática e à telemática.
Um professor experiente em informática, com todos os seus alunos acedendo sem dificuldades técnicas à rede, observa, face aos recursos do cibermundo, desigualdades tão fortes como aquelas que constata frente às tarefas escolares mais tradicionais.

Poderão as tecnologias desenhar qualquer outra hierarquia? É pouco provável. Sem dúvida, a dimensão tecnológica pode atrair certos alunos desencorajados frente a um jornal ou a um livro e, inversamente, desencorajar certos alunos com facilidade no trabalho de papel e lápis. Exceptuando estas nuances, a Internet colocará em evidência as mesmas desigualdades que uma experiência científica para concluir, um texto a resumir ou comentar, uma argumentação a construir, uma pesquisa para um projecto a conduzir. Para encontrar uma informação sobre a soja transgénica, na biblioteca como na Internet, é necessário ter uma ideia da engenharia genética, saber onde procurar, depois compreender, seleccionar e condensar as informações encontradas.

A tecnologia não faz desaparecer as desigualdades frente às tarefas intelectuais. Algumas vezes, ela reforça-a, na razão da relativa abstracção das informações numéricas.

Se o problema é tirar os jovens das ruas e integrá-los no sistema escolar, deverão promover-se pedagogias diferenciadas adequadas, mas nunca deverão demitir-se os professores das suas responsabilidades a pretexto da sacrossanta Internet, para a qual o Don reivindica o papel central:

  • Teachers facing a classroom of kids with laptops need to learn that they are no longer the expert in their domain; the Internet is.
  • O professor face a uma turma com computadores portáteis precisa de aprender que já não é o perito nos seu domínio: é a Internet.


Don, sff. visita mais umas escolas e verás que fora do Hi5 e do MySpace os alunos nem sabem onde clicar! Este problema é particularmente grave com aqueles que queres tirar das ruas. São precisamente esses os que mais precisam do professor. Falaram 25 anos de experiência.

Sabes Don, não se pode ser perito em tudo! Para perceberes como funcionam as escolas, em vez de transpores os princípios da wikieconomia para educação, ainda por cima afectada pela paixão dos portáteis - as paixões são sempre irracionais - seria melhor que percebesses o entendimento professoral do quotidiano escolar, porque são os professores que definem as actividades a realizar nas escolas. O poder da Internet está no link ;)

  • A capacidade humana para gerar novas ideias e conhecimentos é a fonte da arte, da ciência, da inovação e do desenvolvimento económico. Sem ela, os indivíduos, as indústrias e as sociedades estagnam. (WIkinomics, 2006) Olá ;)




Se fosse eu a aconselhar Obama, dir-lhe-ia para consultar as estatísticas de PISA e ler o livro How Fins Learn Mathemathics and Science.



segunda-feira, 29 de junho de 2009

Medina Carreira: É a Economia estúpidos!



Medina Carreira foi um dos subscritores da reavialiação dos investimentos públicos, apresentado no post abaixo. Defende que o Estado deve criar um quadro normativo e promover a qualificação séria dos recursos humanos de modo que as empresas portuguesas possam exportar.

domingo, 28 de junho de 2009

Reavaliação do Investimento Público


O modelo de crescimento de Sócrates está posto em causa. Pretendia em simultâneo sustentar as empresas portuguesas, criar emprego e dotar o país de modernas infra-estruturas. Segundo MST, "na verdade, são três mentiras em um: as empresas portuguesas são parceiros menores de grandes consórcios internacionais, onde os espanhóis lideram quase sempre e a banca é que fica com a fatia de leão dos negócios que os contribuintes pagam; o emprego é aproveitado pelo submercado de trabalho dos brasileiros, africanos, romenos e moldavos, que, finda a empreitada, se vão embora; e temos modernos hospitais abandonados por falta de doentes, de médicos e de viabilidade, escolas encerradas porque não há alunos no interior, auto-estradas fabulosas e despovoadas como apenas vi no Novo México ou no Arizona".

Na mesma linha, foi lançado um Fórum de Discussão destinado a promover a reavaliação dos investimentos públicos. O documento apresenta um retrato negro da economia portuguesa:

  • Na última década a economia portuguesa teve o pior desempenho relativo dos últimos oitenta anos, o que a fez divergir das economias da União Europeia. O empobrecimento relativo do País vem criando uma situação de mal-estar social, estagnação dos níveis de vida e aumento do desemprego.
    É imperativo encontrar soluções, começando por compreender a componente estrutural da nossa crise, para além das actuais dificuldades conjunturais internacionais.
    O peso do investimento na economia portuguesa em proporção ao rendimento nacional tem sido elevado, mas o seu impacto no produto (eficiência marginal do capital) tem apresentado, desde 1999, uma tendência decrescente relativamente à UE.
    Continuar a ler o documento


Subscrevem o documento alguns nomes com crédito académico na Economia, entre outros que adquiriram apenas notoriedade na política: Álvaro Nascimento, Álvaro Santos Pereira, Arlindo Cunha, Augusto Mateus, Carlos Pereira da Silva, Daniel Bessa, Diogo Lucena, Eduardo Catroga, Fátima Barros, Francisco Sarsfield Cabral, Henrique Medina Carreira, Henrique Neto, João Duque, João Salgueiro, José Pedro Barosa, José Silva Lopes, José Soares da Fonseca, Luís Campos e Cunha, Luís Miguel Beleza, Luís Mira Amaral, Manuel Avelino de Jesus, Manuel Jacinto Nunes, Miguel Cadilhe, Pedro Santa Clara, Rui Moreira, Sérgio Rebelo, Vitor Bento e Alexandre Patrício Gouveia.

Manifesto alternativo para a economia


Pode ler-se no manifesto que "o governo português deve exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise".

Os keynesianos já descobriram que não têm instrumentos suficientes para intervir nas economias. Por exemplo, quando argumentamos que o aumento da despesa pública para a construção de grandes empreendimentos, apenas reduz o desemprego dos ucranianos estamos a reconhecer a ineficácia da política orçamental.

Os monetaristas não terão tão cedo coragem para defender a sua fé no funcionamento dos mecanismos de mercado livre, enquanto não esquecermos a crise financeira de 2008.

Só faltava mesmo os trotskistas apanharem boleia da crise. Se a crise é global, a solução também deverá ser equacionada à escala global... Mas como nós vivemos na zona rica do Mundo, é melhor deixar o esforço de regulação - a revolução já não se usa ;) - confinado à União Europeia. Como Portugal é um país que parece incapaz de formar um Governo de jeito, talvez fosse melhor entregar a administração do país à Comissão Europeia!

É evidente que as linhas imediatamente acima foram escritas a brincar com os trotskistas. Mas se queriam ser tomados a sério não deveriam ter tanta fé no "esforço de regulação" que propõem, pois a verdade é que ninguém conhece a solução imprescindível para que a crise não se repita.





O debate deve ser centrado em prioridades: só com emprego se pode reconstruir a economia


Estamos a atravessar uma das mais severas crises económicas globais de sempre. Na sua origem está uma combinação letal de desigualdades, de especulação financeira, de mercados mal regulados e de escassa capacidade política. A contracção da procura é agora geral e o que parece racional para cada agente económico privado – como seja adiar investimentos porque o futuro é incerto, ou dificultar o acesso ao crédito, porque a confiança escasseia – tende a gerar um resultado global desastroso.

É por isso imprescindível definir claramente as prioridades. Em Portugal, como aliás por toda a Europa e por todo o mundo, o combate ao desemprego tem de ser o objectivo central da política económica. Uma taxa de desemprego de 10% é o sinal de uma economia falhada, que custa a Portugal cerca de 21 mil milhões de euros por ano – a capacidade de produção que é desperdiçada, mais a despesa em custos de protecção social. Em cada ano, perde-se assim mais do que o total das despesas previstas para todas as grandes obras públicas nos próximos quinze anos. O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática.

A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos. Recusamos qualquer política de facilidade ou qualquer repetição dos erros anteriores. É necessária uma nova política económica e financeira.

Nesse sentido, para além da intervenção reguladora no sistema financeiro, a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação.

Desta forma, os recursos públicos servirão não só para contrariar a quebra conjuntural da procura privada, mas também abrirão um caminho para o futuro: melhores infra-estruturas e capacidades humanas, um território mais coeso e competitivo, capaz de suportar iniciativas inovadoras na área da produção de bens transaccionáveis.

Dizemo-lo com clareza porque sabemos que as dúvidas, pertinentes ou não, acerca de alguns grandes projectos podem ser instrumentalizadas para defender que o investimento público nunca é mais do que um fardo incomportável que irá recair sobre as gerações vindouras. Trata-se naturalmente de uma opinião contestável e que reflecte uma escolha político-ideológica que ganharia em ser assumida como tal, em vez de se apresentar como uma sobranceira visão definitiva, destinada a impor à sociedade uma noção unilateral e pretensamente científica.

Ao contrário dos que pretendem limitar as opções, e em nome do direito ao debate e à expressão do contraditório, parece-nos claro que as economias não podem sair espontaneamente da crise sem causar devastação económica e sofrimento social evitáveis e um lastro negativo de destruição das capacidades humanas, por via do desemprego e da fragmentação social. Consideramos que é precisamente em nome das gerações vindouras que temos de exigir um esforço internacional para sair da crise e desenvolver uma política de pleno emprego. Uma economia e uma sociedade estagnadas não serão, certamente, fonte de oportunidades futuras.

A pretexto dos desequilíbrios externos da economia portuguesa, dizem-nos que devemos esperar que a retoma venha de fora através de um aumento da procura dirigida às exportações. Propõe-se assim uma atitude passiva que corre o risco de se generalizar entre os governos, prolongando o colapso em curso das relações económicas internacionais, e mantendo em todo o caso a posição periférica da economia portuguesa.

Ora, é preciso não esquecer que as exportações de uns são sempre importações de outros. Por isso, temos de pensar sobre os nossos problemas no quadro europeu e global onde nos inserimos. A competitividade futura da economia portuguesa depende também da adopção, pelo menos à escala europeia, de mecanismos de correcção dos desequilíbrios comerciais sistemáticos de que temos sido vítimas.

Julgamos que não é possível neste momento enfrentar os problemas da economia portuguesa sem dar prioridade à resposta às dinâmicas recessivas de destruição de emprego. Esta intervenção, que passa pelo investimento público económica e socialmente útil, tem de se inscrever num movimento mais vasto de mudança das estruturas económicas que geraram a actual crise. Para isso, é indispensável uma nova abordagem da restrição orçamental europeia que seja contracíclica e que promova a convergência regional.

O governo português deve então exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise.

Por isso, como cidadãos de diversas sensibilidades, apelamos à opinião pública para que seja exigente na escolha de respostas a esta recessão, para evitar que o sofrimento social se prolongue.

Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Carlos Bastien, Economista, Professor Associado, ISEG; Jorge Bateira, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; Manuel Branco, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora; João Castro Caldas, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia; José Castro Caldas, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Luis Francisco Carvalho, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; João Pinto e Castro, Economista e Gestor; Ana Narciso Costa, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Costa, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Artur Cristóvão, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto; Paulo Areosa Feio, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública; Fátima Ferreiro, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL; Carlos Figueiredo, Economista; Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; André Freire, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE; João Galamba, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL; Jorge Gaspar, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa; Isabel Carvalho Guerra, Socióloga, Professora Catedrática; João Guerreiro, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; José Manuel Henriques, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; António Simões Lopes, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Margarida Chagas Lopes, Economista, Professora Auxiliar, ISEG; Raul Lopes, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL; Francisco Louçã, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Tiago Mata, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão; Manuel Belo Moreira, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia; Mário Murteira, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL; Vitor Neves, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; José Penedos, Gestor; Tiago Santos Pereira, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Adriano Pimpão, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; Alexandre Azevedo Pinto, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto; Margarida Proença, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho; José Reis, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Rodrigues, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; José Manuel Rolo, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais; António Romão, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL; Ana Cordeiro Santos, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais; Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Carlos Santos, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa; Pedro Nuno Santos, Economista; Mário Rui Silva, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto; Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE; Nuno Teles, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres; João Tolda, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador; Mário Vale, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa.

sábado, 27 de junho de 2009

Os objectivos das Novas Oportunidades


A imagem evidencia que todos temos temos competências... podem é não estar certificadas ;)



Luís Capucha, presidente da ANQ, foi claro ao explicitar os objectivos das Novas Oportunidades:

  • Certificar um milhão até 2010. (...) Até agora, foram certificados apenas 264.500 ao abrigo do Programa Novas Oportunidades. Ou seja, faltam 735.500. Irrealista? Não, garante o director da Agência Nacional para a Qualificação (ANQ), que acredita que é possível cumprir na íntegra e no prazo previsto uma das principais bandeiras políticas do primeiro-ministro. Mesmo que isso implique ter de certificar em 19 meses (de Junho deste ano a Dezembro do próximo) mais de 1200 pessoas por dia.
  • O objectivo não é ensinar, mas permitir que os adultos possam ver reconhecidos os conhecimentos que foram adquirindo ao longo da sua experiência profissional e de vida, esclarece o presidente da ANQ.
    EXPRESSO, 27/JUNHO/2009


Roberto Carneiro, que dirige a primeira avaliação externa do Programa Novas Oportunidades, já concluiu que o nível de satisfação dos inquiridos é “surpreendentemente alto”. “É como se as pessoas sentissem que estão a reparar um defeito de fabrico”. No caso, a falta de habilitações escolares.

Lamentável, criminoso,... é a extinção de cursos com as disciplinas ferramenta - Português, Matemática, Inglês, Informática, Economia, Biologia,... - afastando os jovens de 20 anos do conhecimento científico. Não levam nenhuma experiência de vida para certificar, e frequentam uma escola que nem lhes permite perceber se teriam alguma dificuldade num currículo "normal". Este será um efeito externo ao Programa que a sua avaliação externa certamente não contemplará.

His music will live forever


Em 1983 ainda não tinha sido inventada a palavra clip. Conhecíamos uma invenção recente que adaptava a música para passar em televisão, a que chamávamos telediscos. Michael Jackson conquistou o planeta com Thriller, associando de modo inédito a música e o cinema ao público que vê TV. Este foi o álbum mais vendido em todo o mundo.

É uma pena não termos acesso às suas músicas no seu canal no YouTube, pois o artista prefere que visitemos o seu site.

Obrigado por este clip espectacular que fazia saltar para as pistas das discotecas muitas raparigas que já estavam desanimadas.



Milu faz o pino para continuar no Governo: O fim das das quotas


O discurso de Milu sobre as quotas que conhecíamos até aqui era este:
  • A questão das quotas foi muito debatida.

    Como sabe, existem quotas em todos os sistemas de avaliação, em particular em Portugal, em toda a administração pública haverá quotas.

    A razão é para forçar a distinção.

    No anterior sistema de avaliação de professores, por exemplo, em que não havia quotas, todos os professores eram classificados com “suficiente”.

    Não se distinguia.

    As quotas são um mecanismo para obrigar a distinguir, a seleccionar, a escolher...

    Os professores não são todos iguais.


    Milu, antes das europeias de 2009


Dia 7 de Junho o PS perdeu as europeias, aproximam-se as legislativas... e até o estudo da Deloitte acabou por ser um tiro no pé. Leia-se.

  • A ministra da Educação admite que as quotas para as classificações de mérito atribuídas a docentes, que a tutela sempre disse serem fundamentais para garantir a diferenciação entre professores, podem afinal deixar de existir a prazo.

    Maria de Lurdes Rodrigues respondia a perguntas de jornalistas a propósito de um relatório da consultora Deloitte, onde se dá conta de que as quotas, para este efeito, são quase uma particularidade portuguesa.

    (...)

    No relatório da consultora Deloitte, que foi pedido pelo ME, compara-se as formas de avaliação dos docentes em Portugal, França, Inglaterra, Holanda e Polónia. “Considerando as características genéricas do modelo de avaliação, deverão destacar-se três componentes relevantes: a obrigatoriedade do processo, o avaliador e o sistema de quotização. Assim, os modelos dos diferentes países são obrigatórios, os avaliadores são elementos internos à escola (com excepção da França, em que o processo é externo e não obrigatório) e apenas em Portugal é contemplado um sistema de quotização/harmonização das avaliações”.
    Ler no PÚBLICO


Quantas vezes afirmou Milu que em pontos essenciais, estruturantes do modelo nunca cederia?

Os "votozinhos" contaram mesmo.

Se se sentisse constrangida por valores éticos, nunca teria tentado impor aos professores um modelo de avaliação burocrático-sádico apenas com o objectivo de contribuir para a contenção da despesa pública. Livre deste constrangimento, até pode fazer o pino somente para manter o seu emprego.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Neda: ícone de um novo Mundo


  • Para o Irão, os responsáveis pela morte de Neda, cuja morte filmada e divulgada na Internet a tornou símbolo dos actuais protestos anti-governo que agitam as ruas de Teerão, serão "grupos que querem criar divisões no povo" e planearam a sua morte para "acusar a República Islâmica de lidar sem piedade com a oposição", informou a agência noticiosa estatal do país (IRNA).
    MAIS


Os jornais, as rádios e as cadeias de televisão, em resultado da concorrência, reduziram os custos tão "racionalmente" que nenhum jornalista ficou destacado para cobrir as eleições no Irão. Felizmente, este campo de batalha abandonado pelos meios de comunicação social convencionais, foi ocupado pela Internet, que permitiu às pessoas expressarem-se pelas ferramentas da Web 2.0, designadamente utilizando o Facebook, o Twitter e o YouTube.

Este acontecimento é também relevante quando se pensa na censura. É que os largos milhares de tweets produzidos num dia por numerosos particulares, tal como os seus posts no Facebook não podem obviamente ser objecto de "controlo prévio".

Sem dúvida que as imagens se propagaram viralmente pela Internet graças ao YouTube. Neda ficará para a história da Internet como um ícone de vitória da comunicação social viral, feita pelo cidadão comum através das redes sociais.

sábado, 20 de junho de 2009

Já tenho idade para ter juízo

Os ministros mais contestados do Governo de Sócrates vão deixando as pastas livres. Depois de Sócrates já ter dado a entender que a Ministra da Educação não será convocada para o próximo Governo, Mário Lino seria outra saída óbvia.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O enunciado do exame de Biologia e Geologia mudou após a realização da prova!

Aqui está mais uma demonstração que para esta Ministra da Educação vale tudo.



  • O erro que constava na prova de Biologia e Geologia ontem realizada por cerca de 37 mil alunos foi apagado hoje pelo Ministério da Educação. Conforme o PÚBLICO noticia na sua edição de hoje, no enunciado do exame do 11º e 12º anos, numa legenda a um perfil de uma caldeira vulcânica, designava-se como epicentro ( ponto à superfície) o que de facto era o hipocentro ( a região profunda onde os sismos têm origem).
    (...)
    Nesta alteração à posteriori de um documento oficial, apagou-se o erro, substituindo-o pela designação correcta, de que resultou algo diferente da prova que foi ontem apresentada aos estudantes.
    Continuar a ler no PÚBLICO

Demitir a Ministra da Educação já antes que faça tarde!


Em entrevista à SIC, (EXPRESSO) José Sócrates apresentou-se num registo de cordeiro que será o tom da campanha para as legislativas, em contraponto à arrogância que até agora tem sido a sua imagem de marca.

Assinou a entrevista com a frase "Estou muito satisfeito comigo", quando a jornalista lhe sugeriu a autoavaliação do seu papel como primeiro-ministro.

A bipolarização da escolha entre o PS e PSD é outra das estratégias seguidas por José Sócrates que irá tirar proveito da falta de habilidade política de Manuela Ferreira Leite.

Como José Sócrates pretende continuar no poder, identificou o motivo da hemorragia de votos do PS e prontificou-se a sarar a ferida. Leiam com atenção:

  • "Se fosse hoje faríamos de forma diferente a avaliação dos professores: não teríamos apresentado um modelo tão exigente, tão complexo e burocrático".


Duma penada condena Milu, e quando lhe perguntam se esta integrará o novo Governo dá a entender que não, porque "Será um novo Governo, com novas responsabilidades", uma nova equipa, percebe-se nas entrelinhas.

Mas atenção, se Sócrates entende que já foram corrigidos os erros relativamente à avaliação do desempenho, então é para ficar tudo na mesma!

  • "Errámos ao propor uma avaliação tão exigente, tão complexa e tão burocrática. Corrigimos logo a seguir, mas o erro ficou feito". (SIC)


Os professores sabem como o "corrigimos logo a seguir" é propaganda. Portanto nada melhor que despedir também Sócrates nas legislativas!

O grande problema de Sócrates é que não sabe fazer nada fora do chão alcatifado de S. Bento. Por exemplo, não vai dar aulas de engenharia... porque a Universidade Independente já fechou ;)

Talvez Sócrates ainda se conseguisse manter no poder se seguisse este conselho: demitir a Ministra da Educação já antes que faça tarde! Neste contexto seria missão para o próximo ME desfazer os "erros que ficaram feitos" por Milu. Desenvolver uma nova política para a Educação.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"Amanhã" na Internet


Desde dia 7 que aqui se pode ler:

  • O escrutínio provisório em território nacional foi concluído. A totalidade dos resultados no estrangeiro só poderá ser conhecida amanhã.


É um site do Ministério da Justiça, portanto tem que ser actualizado ao seu ritmo ;)

sábado, 13 de junho de 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Vaidade


Clique sobre a imagem para ler o Yahoo! Respostas

Enche-nos o ego verificar que alguém que nem conhecemos seleccionou o nosso trabalho como a melhor explicação para uma matéria relativamente complexa.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O objectivo das Novas Oportunidades


O objectivo das Novas Oportunidades é alcançar um milhão de certificados em 2010. (PÚBLICO)

O país comprometeu-se a muito mais metas que o número de certificados, mas quando nos aproximamos de 2010 parece que só esse indicador é que vale.

Para memória, aqui fica a caixa do Relatório da OCDE - Economic Survey of Portugal 2006 - sobre as Novas Oportunidades.



Sócrates ter-se-à lembrado que os analfabetos certificados são importantes para evitar que o cartão amarelo das legislativas se transforme em vermelho nas legislativas. Ainda terá Luís Capucha tempo para acelerar a certificação de modo a impedir que esta derrota do PS/NO se repita?

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Afinal ganharam todos!


O PSD ganhou ao PS! O PS enfrentou a crise! Sócrates enfrentou as campanhas negras! O Bloco de Esquerda ganhou ao PC! O PC ganha sempre! O CDS venceu as empresas de sondagens que o davam como liquidado!

O país ganhou um novo quadro de referência política onde Sócrates começa a engolir a sua arrogância, demonstrado que não é invencível, por maior que seja a sua teia de aldrabices. Neste novo quadro político há uma maior fragmentação das cores partidárias: o PSD ganhou um novo fôlego com Paulo Rangel, a esquerda do PS teve um crescimento muito significativo, particularmente o Bloco de Esquerda, que é agora a terceira força partidária, e o CDS ainda elegeu deputados.

Agora Sócrates tentará vender a ideia de que é necessário assegurar a “governabilidade” do país para justificar a necessidade de concentração de votos no PS. Pela minha parte votarei da mesma maneira em Outubro, porque determinadas matérias que foram arrogantemente impostas precisam de ser revistas. Alô Milu! “Os votozinhos” (PÚBLICO) já foram contados. Percebeste o sinal?

Sócrates desvalorizou as europeias relativamente às legislativas, e transformou a derrota em ambição pela vitória numa declaração de malabarismo político:

  • O PS já teve muitas derrotas e muitas vitórias. Surgirá uma altura em que se avalie o Governo, que é daqui a uns meses. Nesta noite eleitoral, os resultados decepcionantes dão-nos mais vontade e determinação para o futuro. Estas derrotas dão ânimo para prepararmos com mais vontade e ambição as legislativas, que temos de vencer.
    IOL - Diário


Os professores certamente voltarão a dar-lhe ânimo ;) Seria interessante um estudo que procurasse acompanhar o efeito da sua mobilização sobre o resultado final do acto eleitoral, que terá contribuído para uma nova recomposição do espectro político.

domingo, 7 de junho de 2009

Eleições num país do Terceiro Mundo


O resultado final poderá ter mais nuances laranja ou rosa, mas será sempre a festa destas cores. As mesmas que têm desgovernado o país desde 1976. As mesmas que saíram ilesas do escândalo Lisboagate. 3.200 casas foram arbitrariamente atribuídas pela CML durante mais de 30 anos e o processo foi arquivado sem que nenhum dos presidentes de câmara que por lá passaram vissem a sua vidinha perturbada. (EXPRESSO)

As pessoas não estúpidas. Elas vêem as sacanices dos politicus, e ficam revoltadas por dentro quando os ouvem orgulhar-se destes feitos.

Imaginando que o país se afundava, todos sabemos que ninguém daria pela falta de Portugal na Europa. Certamente respirariam de alívio por se terem libertado do parceiro mais pobre, com o rendimento pior distribuído e com menor transparência (mais corrupção).

sábado, 6 de junho de 2009

Como os ignorantes agradecidos e os papás cagões são em muito maior número que os professores, o PS vencerá



O seu percurso académico foi tão irregular que forçou a Universidade a fechar!

Tem desmantelado o ensino publico:
- oferecendo aos jovens "Novas Oportunidades" imbecis que os afastam do estudo das áreas disciplinares. Que esta modalidade de ensino existisse para pessoas com mais de 40 anos até compreendia. Agora quando se permite que um jovem de 18 anos frequente um ensino sem disciplinas e sem classificações, isto é uma fraude que impede os alunos de aprenderem as ciências. Anulando o esforço do espaço escolar, criou um exército de imbecis que lhe agradecerão o canudo votando no PS amanhã;
- reduziu os professores a cães de guarda nas aulas de substituição, que foram encaixadas nos horários dos professores como serviço não lectivo para não ser remunerado. A preocupação da Ministra e dos papás com a Educação é nula, pois basta-lhes "encher" o horário dos alunos sem gastar um cêntimo! Esta medida agradou aos papás que precisam do serviço de babysitting dos professores, porque receiam que as crianças possam ser vítimas de bullying em escassos momentos de furo. Não se importam de lhes retirar uns momentos de convívio entre si, que são certamente das experiências mais enriquecedoras que a minha geração trouxe da escola secundária. Estes papás também votarão PS.
- os professores só votariam no PS se fossem masoquistas.

Como os ignorantes agradecidos e os papás cagões são em muito maior número que os professores, o PS vencerá. Fatal como o destino.

Adenda

Felizmente enganei-me e o PS perdeu estas eleições ;) Deixo abaixo a sondagem do EXPRESSO que também dava a vitória ao PS.



Clique na imagem para ler a sondagem no EXPRESSO.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Imagem de um país sem lei


  • A totalidade dos processos de fundos comunitários da Intervenção Operacional Ambiente do 2.º Quadro Comunitário de Apoio foi ilegalmente destruída em 2007, por decisão da Autoridade de Gestão do Programa Operacional do Ambiente. Entre os projectos cuja documentação foi eliminada encontra-se o da construção e concessão da Estação de Resíduos Sólidos Urbanos da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB), cuja adjudicação ao grupo HLC está no centro de um processo de corrupção que tem julgamento marcado para Outubro.

    Entre o material destruído contam-se os processos de candidatura aos financiamentos do Fundo de Coesão e a volumosa documentação relativa ao controlo da legalidade da contratação das empreitadas e fornecimentos e das despesas efectuadas no âmbito dos projectos aprovados. Em arquivo e à guarda do Instituto Financeiro do Desenvolvimento Regional (IFDR) ficaram apenas os relatórios que se prendem com a auditoria final e o encerramento da intervenção operacional. Esta documentação, que inclui uma auditoria realizada pela Inspecção-Geral de Finanças, reporta-se, porém, à globalidade do programa, não havendo qualquer detalhe sobre as centenas de projectos que dele faziam parte.

    No caso da Cova da Beira, o IFDR tem em seu poder toda a documentação relativa à segunda fase do projecto, iniciada em 2001, já no quadro do QCA III, mas não tem nada sobre a primeira fase - aquela que foi investigada durante uma década pela Polícia Judiciária e levou este ano à pronúncia por corrupção e branqueamento de capitais de António José Morais (o antigo professor de José Sócrates na Universidade Independente), da mulher e do empresário Horácio Luís de Carvalho, presidente do grupo HLC.
    Continuar a ler no PÚBLIBCO


Poderá um pais desenvolver-se sem respeitar a legalidade?


Se os problemas do défice orçamental, do défice da Balança de Pagamentos, da inflação, do desemprego também se resolvessem queimando papéis... eu votaria em Sócrates!

domingo, 31 de maio de 2009

30 de Maio: 80.000 a 50.000


  • Apesar do calor que se faz sentir este sábado por todo o país, milhares de professores juntaram-se em Lisboa para protestar contra as políticas do Governo. Eram 80 mil, segundo as contas dos sindicatos, 50 a 55 mil, segundo a polícia.
    Continuar a ler no IOL


O final do ano lectivo não é o melhor período para mobilizar os docentes. Realmente nada se fez, mas a Ministra vai poder dizer que avaliou alguns professores desportistas sem vergonha! Para o ano começa tudo de novo, mas todos estarão já bastante mais exaltados com a acumulação das injustiças.

sábado, 30 de maio de 2009

A 2ª derivada de Sócrates

Vídeo especialmente dedicado aos ex-colegas da FE.



JP, o homem não é só aldrabão! É ignorante! Um engenheiro que não sabe Matemática do 12º ;)

Fonte: Fiscorno.

domingo, 24 de maio de 2009

Marinho Pinto vs Manuela Moura Guedes

O mau jornalismo de MMG foi objecto de diversão no Twitter. A entrevista completa pode ver-se aqui e aqui.

No fim da peixeirada ficou a saber-se que a malta não gosta de Manuela Moura Guedes.

A TVI apagou o vídeo do seu site, mas neste momento já existirão numerosas cópias do mesmo espalhadas pela Internet. E se alguém lembrar de o editar com legendas em inglês teremos um videoclipe de sucesso na aldeia global ;)

A Internet está a fiscalizar o 4º poder! Funciona ainda como novo espaço de desenvolvimento da concorrência entre os media.

Mapeando o Progresso, Construindo Visões, Melhorando a Vida


3º Fórum Mundial da OCDE sobre a Estatística, o Conhecimento e as Políticas, de 27-30 de Outubro de 2009

A Estatística, o Conhecimento e as Políticas são os três vectores que se encontram representados no logótipo deste fórum da OCDE. A estatística como objecto de debate público entre especialistas que conhecem os números como representações, ao invés da populaça que os toma como “realidades”.

Início da mensagem da Secretário-Geral da OCDE:
  • A actual crise económica está a afectar directamente a vida de milhões de pessoas. Foi dito que "as estatísticas são as pessoas com as lágrimas lavados", e por trás dos valores relativos às taxas de desemprego e falência reside a realidade humana da crise. A crise económica é um grave desafio, e um que - juntamente com o ambiente, energia e crises alimentares - a OCDE está a trabalhar para resolver. Mas a crise constitui também uma oportunidade: uma oportunidade para repensar o que significa progresso e construir a mais forte e mais inclusiva visões para o futuro das nossas sociedades. Os cidadãos estão procurando líderes credíveis que sejam capazes de construir novas visões para melhorar a vida das pessoas de uma forma sustentável e que reconhecem o desafio de responsabilização. Precisamos de líderes que estão dispostos a envolver toda a sociedade, numa avaliação séria do ponto de que partimos, do pé em que estamos e para onde estamos a caminhar. Neste contexto, o papel da informação estatística na tomada de decisão é mais importante do que nunca, como ferramenta para ajudar todas as sociedades do mundo a conceber os seus objectivos futuros e direcções.


Site oecdworldforum2009

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Europa Pra Que Te Quero


Os meus alunos do curso profissional tiveram oportunidade de conversar com os candidatos ao Parlamento Europeu. Foi o chat possível dada a sua bagagem. Inicialmente dispararam algumas perguntas que já levavam engatadas, mas como não percebiam as respostas dos políticos, não conseguiam ripostar e só lhes restava disparar uma nova pergunta.

Fiz um post especial para esta aula centrado na perpetuação da pobreza em Portugal, apontando o cavaquismo como uma grande oportunidade perdida.

O chat entre os alunos e os candidatos ficou online aqui.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Finanças emitiram cheque de um cêntimo



Justifica-se a emissão de cheques para quantias inferiores ao seu custo?

Precisam de dar uma imagem de exactidão e rigor que o sistema definitivamente não tem?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Os meus alunos não andam a brincar na Internet! Fazem tudo em papel!


  • Os meus alunos não andam a brincar na Internet! - como com outros colegas - Fazem tudo em papel!


Ouvi esta indirecta numa reunião que tive hoje. Prefiro responder por aqui porque já desisti de querer convencer toda a gente das minhas ideias.

Se para a estimada colega, saber escrever no Word consiste em utilizar os 10 dedos sem mexer as mãos, e a eficiência se mede pelo número de batimentos - como aprendemos quando utilizávamos máquinas de escrever - imagino que deverá aprender a utilizar o rato antes de se aventurar pela Internet.

sábado, 9 de maio de 2009

Dá Deus pão a quem não tem dentes!

Não reconhecemos o valor daquilo que é gratuito. O ensino obrigatório desvaloriza-se com a sua extensão e gratuitidade, mas para vivermos numa sociedade livre precisamos de um Universo mais educado. No entanto vai-se frequentemente longe demais quando se pretende responsabilizar a Escola por tudo o que corre mal na sociedade.

Quando hoje li no EXPRESSO que as escolas irão distribuir preservativos aos alunos do 10º ano, ultrapassando as funções dos serviços de saúde, recordei-me da utilidade que os meninos lhe dão em África ;)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Como fazer uma Tag Cloud no Blogger?


Como neste blogue escrevo sobre muitos temas a lista de tópicos estava demasiado extensa e tornava incómoda a navegação porque as pessoas se perdiam ao descer ao longo da barra lateral, portanto estava mesmo a precisar de uma Tag Cloud. Procurei durante muito tempo, mas finalmente encontrei uma solução muito boa e escrevi este post para partilhar o link com quem o quiser seguir ;)

Os melhores 30 segundos

Selecção de imagens para a primeira experiência no animoto. A versão gratuita apenas faz clips de vídeo até 30 segundos, pelo que o resto da história ficou cortada ;)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O Sócrates só não está desempregado porque não é Licenciado

Eis um tweet eficaz para expressar o desencanto dos jovens com os políticus e o seu desespero pelo facto de as Licenciaturas terem deixado de assegurar emprego. Recebi a imagem num mail que referia como sua origem a Queima das Fitas de 2009, em Coimbra.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O termómetro de Nuno Crato


Para Nuno Crato em primeiro lugar é preciso seriedade na avaliação dos alunos. Disse que em Portugal não há exames, porque os que se fazem a Português e Matemática não são comparáveis, porque todos os anos mudam os critérios de avaliação, variam os conteúdos e até o tempo de duração da prova. Ninguém sabe comparar um 14 com um 10 de cinco anos atrás.

O problema para Nuno Crato está na produção de estatísticas pelo Ministério da Educação, que não fiáveis, visto que é parte interessada. A sua solução para a educação assenta nos seguintes pontos:

- Generalização dos exames;

- Atribuir uma maior ênfase aos conteúdos em detrimento dos processos;

- Ter um organismo independente do Ministério da Educação a organizar os exames e a produzir as estatísticas.

Então Nuno Crato poderia utilizar o seu termómetro para avaliar professores sem o incómodo de sair do seu gabinete. Seria simples, explicou-se assim:

Os professores devem ser avaliados com base em quê? Com base nos resultados, do valor acrescido aos seus alunos.

Um professor que pegue numa turma que vem com média de 15 e que ao fim de dois anos entregue essa turma com média de 13, é muito pior professor que aquele que pega numa turma com média de 10 e ao fim de dois a faça subir para 12. Mas como é que isto pode ser feito? Através dos exames nacionais.

Gostaria de ter a fezada que o Nuno Crato tem na fiabilidade dos exames nacionais ;)



Eu gostaria de recordar que quando se faziam exames no 12º ano, os professores se queixavam de não terem tempo para fazer o tipo de trabalho que deviam, pois se utilizassem as aulas a “formatar” os alunos para exame, estes obteriam melhores resultados. Como consequência desta argumentação nunca se exploraram as funções programáveis das calculadoras, por exemplo. Hoje as folhas de cálculo estão tão acessíveis que já não vale a pena pensar nas máquinas de calcular, mas seria uma pena expulsar os computadores da sala de aulas só para obter melhores resultados nos exames, e aplicar aritmética de merceeiro na avaliação de professores.

Segundo a "teoria do valor acrescido" é indiferente levar uma turma de 10 para 12 ou 13 para 15! De 17 para 19 também é a mesma coisa, são igualmente 2 valores de diferença! Qualquer professor sente que estas situações são diferentes, porque também na educação os rendimentos são decrescentes à escala, utilizando o jargão dos economistas.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

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O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...