terça-feira, 17 de maio de 2011

MoU: ondas de choque


  • Antes de mais quero avisar: vou citar-me: uma atitude pedante. Mas não resisto, apesar de considerar que o acordo internacional é (infelizmente) o melhor que nos poderia ter acontecido, neste momento.
    Primeiro, o acordo - o MoU(*) - com a troika - UE, BCE e FMI - foi o certificado internacional da nossa incompetência. Não nos soubemos governar, ou melhor, Sócrates levou-nos à bancarrota. Disse-o em tempo oportuno e repito-o.
    Depois, como este Governo não nos soube governar, passámos a protectorado da troika. Ver o controlo sobre o Governo português previsto no acordo é penoso para qualquer português com o mínimo de brio nacional. Mas já não havia alternativa.
    Como eu também já tinha dito e escrito, em terceiro lugar, quando o indígena se porta mal, uma dose de colonialismo é sempre bem-vinda: o MoU é um bom acto colonial. E foi bem-vindo, em particular pelos culpados da desgovernação, ou seja, por Sócrates, que até pode ganhar as eleições. Também já não havia alternativas, neste momento, ao protectorado.
    Mas, em quarto lugar, tudo isto é uma vergonha internacional para qualquer português que leia a imprensa estrangeira. Por exemplo, (agora não me vou citar) Wolfgang Munchau colunista regular do Financial Times, dizia na segunda-feira passada "... mas a gestão da crise por Portugal tem sido, e continua a ser, estarrecedora. José Sócrates, primeiro-ministro, escolheu atrasar o pedido de um pacote de salvação financeira até ao último minuto. O seu anúncio na semana passada foi um momento trágico-cómico da crise. Com o País no limiar da extinção financeira, ele exultou na televisão nacional que tinha assegurado um acordo melhor que o dos irlandeses e dos gregos. Adicionalmente, ele reclamou que o acordo não causaria grande dor. Quando os detalhes emergiram uns dias mais tarde, podíamos ver que nada disto era verdade. O pacote contém cortes selvagens nas despesas, congela os salários da função pública e pensões, aumenta impostos e prevê uma profunda recessão por dois anos." E acrescenta ainda: "Não podemos governar uma união monetária com gente como o Sr. Sócrates..." Para vergonha nacional, chega.
    Mas tudo isto era previsível há muito e, portanto, evitável. Em quinto lugar, vou citar o ministro das Finanças português a 9 Junho de 2005. Para não dizerem que são frases fora do contexto, sou forçado a fazer citações mais extensas. Foi aquando da apresentação do PEC 2005-09 (para cinco anos) na Assembleia da República.
    "A sustentabilidade das finanças públicas apenas significa que o que o Estado gasta tem de ser pago e, em última instância, com impostos. Isto é verdade em qualquer país, em qualquer momento e em qualquer regime. Por isso, acabou o tempo das hesitações e dos truques contabilísticos. (...)
    Quanto mais adiarmos a redução do défice, mais violenta e inevitável esta será. E estaríamos apenas a comprometer seriamente o futuro da economia e do Estado Social. (...)
    Com este Programa [PEC 2005-09] conseguiremos: Ganhar a credibilidade hoje em dúvida e esta ganha-se mostrando a todos que temos coragem para iniciar desde já a redução do défice, não concentrando o esforço no final da legislatura.
    Pelo contrário, o esforço de redução do défice deve ser centrado nos primeiros anos por três ordens de razões:
    - porque os compromissos internacionais assim o exigem;
    - porque as reformas estruturais do lado da despesa levam algum tempo a implementar e a produzir efeitos significativos;
    - e porque é preciso travar a dinâmica insustentável da dívida pública. (...)
    De facto, a dívida pública subiu de um mínimo de 53% do PIB em 2000 para um valor estimado de 67% em 2005.
    Se nada fosse feito para travar este crescimento, os mercados financeiros exigiriam um prémio de risco crescente para financiarem a República, o que agravaria ainda mais a dívida e os juros pagos pelas famílias e pelas empresas portuguesas."
    Resumindo, o então ministro -para quem não se lembre, era eu mesmo- avisou que adiar o ajustamento orçamental, como veio a acontecer, implicaria que o ajustamento seria necessariamente mais penoso; que o Estado social e a economia estariam em sério risco; que a sustentabilidade da dívida pública não seria assegurada e que os nossos credores iriam cobrar juros mais altos ao Estado e a todos nós. Se nada fosse feito. E foi muito pouco e a profecia confirmou-se.
    O PEC 2005-09 não foi finalizado, pois logo em 2008 começou a festa orçamental e em 2009 e 2010 foi o colapso anunciado. Estamos a viver as consequências da dinâmica insustentável da dívida pública, que passou dos tais 67% do PIB para ultrapassar os 90%.
    Neste contexto, o acordo - MoU - com a troika, dada a situação, é (infelizmente) o melhor que nos podia ter acontecido, porque toca muitas áreas da governação que, sem este choque externo, nunca seriam reformadas. Mas, obviamente, em três semanas apoiaram algumas opções que lhes venderam como milagreiras e confiam numa capacidade técnica da administração pública, que quase não existe. O exemplo da justiça é gritante: que os processos judiciais em atraso podem acabar em dois anos só eles é que podem acreditar, mas quem assinou, e se comprometeu com tal, devia saber mais e melhor. A não ser que não tenham intenção de cumprir. Não vai ser possível, pelo menos na justiça, nem que a vaca tussa. Contudo, acabaram as eólicas que estragaram a paisagem e encareceram a nossa electricidade, para citar um aspecto muito positivo. Globalmente estou mais optimista, mas também triste (e envergonhado).
    Luís Campos e Cunha, primeiro Ministro das Finanças (2005-03-12 a 2005-07-21) de José Sócrates
    Público, 13/05/2011

Também tenho vergonha de viver no meio de tantos ignorantes, que constroem o pântano por onde Sócrates faz slalom.

(*) MoU, de Memorandum of Understanding, Memorando de Entendimento com a troika.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

PREVISÃO PARA MAIO/11 COM BASE NO HISTÓRICO DA EUROSONDAGEM


O PSD vence com 37,72% contra 28,47% do PS. Para o CDS 9,82%, a CDU com 9,03% e o Bloco com 8,91%.

Foi apenas utilizada a função PREVISÃO da biblioteca do Excel aplicada aos dados do Barómetro da EuroSondagem.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A importância do exemplo

Sócrates cantou vitória com a simples enumeração enumeração de algumas medidas que não constam da proposta da troika, "porque era seu dever tranquilizar os portugueses". E de vitória em vitória - o Sócrates só tem vitórias! - vai afundando o país!

Depois de lido o Memorando da Troika, considero de louvar a Reforma da Justiça e o estímulo da concorrência nas telecomunicações. O documento indica os momentos em deverão ser executadas as medidas políticas, contrariamente ao PEC4 que se apresenta como um exercício descritivo da economia.

A filosofia do FMI é liberalizar a economia: menos despesas do Estado na saúde, na educação, nas autarquias,... contempla um vasto programa de privatizações, enuncia aumentos da carga fiscal sobre o trabalho em simultâneo com a redução da carga fiscal sobre as empresas, em prol da competitividade da economia... que se estimula liberalizando o mercado de trabalho, simplificando os despedimentos com a invenção de novas justas causas, redução das indemnizações do valor do subsídio de desemprego e do tempo durante o qual é pago... O Estado terá menos funcionários, e estes continuarão com os vencimentos congelados. Não está lá escrito, mas eu interpreto o congelamento de vencimentos como a negação da avaliação.

A regra que impõe ao Estado difere da que preconiza para a economia: que os salários subam em função da produtividade! Quer dizer que os trabalhadores têm de passar a fazer as contas como empresários, ie. não lhes basta fazer o cálculo como consumidores, exigindo aumentos salariais que compensem o poder de compra perdido com a inflação.

Não percebo porque não privatizam a RTP e RDP - correias de transmissão dos governos - nem porque deixam intocáveis os privilégios e mordomias dos políticos, que recebem pensões pornográficas ao fim de poucos anos. Já conheço a resposta: esses valores não são significativos em termos do PIB! Mas quando se trata de impor um programa de austeridade desta dimensão - que redistribui o rendimento ainda mais favoravelmente à banca e ao capital - seria necessário evidenciar valores morais.

Sócrates já sabemos que é o campeão da imoralidade. Começou com a Licenciatura ao Domingo...

Passos Coelho tem feito a sua carreira no PSD, licenciou-se aos 36 anos numa universidade ranhosa, e fez carreira com amigos do BPN liderados por Ângelo Correia, junto ao qual abriu o seu escritório (...)

Na troika temos três cabeças de cartaz portugueses:

Durão Barroso: "A Guerra do Iraque foi boa para eu chegar a Presidente da Comissão Europeia" (citado de cor).

Victor Constâncio. Este foi chamado para o BCE exactamente por não exercer as funções de regulação, como o BPN bem demonstrou.

No FMI-Europa temos o líder mais desejado do PSD: António Borges. Mas para este, fazer um interlúdio na sua carreira e vir governar o país ficar-lhe-ia demasiado oneroso. Exigiria um espírito de missão que já não se usa! E é por isso que o PSD já conheceu 5 líderes desde que Durão saiu, e o Sócrates parece continuar de pedra e cal.

Mas se o espírito de missão já não se usa, alguém tem legitimidade para me pedir para salvar o país pela n-ésima vez?

Enfim... a troika desenhou em 15 dias um programa que entrega directamente à banca 15 cêntimos por cada Euro que nos emprestam, e financiam esses insaciáveis com cortes nas despesas sociais e aumentos dos impostos que sobrecarregam a classe média, mas para Fernando Ulrich (BPI) foi obviamente um "um final feliz".

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Sócrates é o dono da avaliação de desempenho dos professores

O Tribunal Constitucional decidiu que o Parlamento não tem poder para alterar o modelo de avaliação do desempenho proposto pelo Governo, invocando a violação do princípio da separação de poderes. Atiraram serradura para os olhos com aspectos formais, obscurecendo as escolhas políticas:

  • Pelo exposto, o Tribunal Constitucional decide:
    a) Pronunciar-se no sentido da inconstitucionalidade das normas constantes dos artigos 1.º e 3.º do Decreto n.º 84/XI, da Assembleia da República, por violação do princípio da separação e interdependência dos órgãos de soberania, consagrado no n.º 1 do artigo 111.º da Constituição da República Portuguesa, com referência às alíneas c), d) e e) do artigo 199.º, todos da Constituição da República Portuguesa;

    b) Pronunciar-se pela inconstitucionalidade consequencial das restantes normas do mesmo Decreto n.º 84/XI, da Assembleia da República.
    http://www.tribunalconstitucional.pt/tc/acordaos/20110214.html

Muitas declarações de voto mostram que a interpretação das normas não foi unânime, mas a necessidade da avaliação como mecanismo de controlo financeiro terá justificado a decisão dos "conselheiros", IMHO.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Otelo 37 anos depois: Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril



O 25 de Abril trouxe muitos sonhos. Viveram-se dias de entusiasmo loucos. A "Revolução Socialista/Popular" dirigiu-se em velocidade estonteante em direcção a Cuba após o 11 de Março de 1975 com a nacionalização de amplos sectores da actividade económica. Escassos 9 meses do PREC - Processo Revolucionário em Curso - terminam com o golpe militar de Ramalho Eanes a 25 de Novembro, ao qual se seguirá a "normalização democrática" com o país a solicitar a integração na então CEE em 1976 (por Mário Soares), como âncora de garantia da opção pelo modelo capitalista:

- (1) no plano económico, uma economia de mercado aberta ao exterior;

- (2) no plano político, um democracia representativa com eleições regulares.

Estes ingredientes não funcionaram numa cultura portuguesa fechada a clientelas.

Uma economia de mercado de mercado robusta só funciona com empresários empreendedores, enquanto por cá continuamos com a mentalidade corporativista. Os nossos empresários não são capazes de perspectivar o negócio da empresa para além do seu benefício pessoal, e então facilmente ficam absorvidos pelas amantes no respectivo apartamento.

Uma democracia representativa robusta caminharia no sentido da democracia directa, oferecendo possibilidades de expressão à generalidade da população, tirando partido da banalização das ferramentas da web2.0. Aquilo a que assistimos diariamente na TV são soundbytes enviados para criar entre os eleitores a ideia de que a culpa pela situação a que chegámos é do "outro".

Ninguém sonhou com isto!

Não sabemos se a receita de Cuba teria sido melhor, mas parece que aquela ilha só serve mesmo para passar férias. Os seus indicadores económicos e sociais não entusiasmam ninguém pelo modelo.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

sábado, 16 de abril de 2011

Dias Loureiro não tem bens para penhorar


(...) porque:


Nenhum destes "senhores" vai preso por roubar. Todos os partidos protegem estas clientelas e consideram que a solução está no corte da despesa.

Mais que a crise financeira, o que está em crise é a moralidade.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um resgate não democrático

Em editorial com este título, o New York Times dá hoje razão à tese do empréstimo intercalar defendida por Cavaco, que não soube mostrar qualquer argumento depois de a troika UE/BCE/FMI o mandar calar. Mas o Jornal de Negócios apresenta Sócrates sorridente, como quem diz que as eleições estão no papo. Oxalá se enganem!

Eis o artigo do New York Times:


  • Portugal precisa de ajuda internacional para atender às obrigações da sua dívida Mas a insistência da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional de que o Governo Português de gestão se comprometa com um plano a longo prazo de austeridade fiscal e reforma económica em troca de um pacote de socorro é equivocada.

    O governo do primeiro-ministro, José Sócrates, caiu em Março, depois da oposição ter rejeitado o seu plano de austeridade para enfrentar a crise económica e está assegurando o Governo só até às eleições antecipadas, que estão agendadas para 05 de Junho. Não só faltaria legitimidade a todo o pacote de reforma saído do governo, como credibilidade junto aos investidores, quem iria imaginar o próximo governo não pode viver de acordo com o que será inevitavelmente muito mais doloroso.

    Ao invés de tentar bater o martelo num pacote definitivo, a União Europeia e o FMI devem dar a Portugal um empréstimo intercalar e esperar para negociar um acordo enquanto não houver um novo governo. Isso daria aos eleitores portugueses a oportunidade de votarem em propostas de cada um dos partidos para enfrentar a emergência.

    Entretanto, a Europa deve repensar suas “todas-dores-todo-o-tempo” na abordagem aos resgates. As condições impostas à Grécia e Irlanda estão sufocando o seu crescimento. Na quarta-feira, a Alemanha reconheceu que a Grécia pode ter que reestruturar a sua dívida - em vez de a pagar integralmente.

    Representantes da União Europeia e do FMI desembarcaram em Lisboa na terça-feira para negociar um plano de resgate deverá ser de 80 mil milhões de Euros. A fórmula, agora, é previsível: no fundo cortes orçamentais, cortes nos salários do sector público e aumentos de impostos. Também são susceptíveis de exigir que Portugal privatize empresas estatais e reforme a legislação laboral para tornar mais barato contratar e demitir trabalhadores.

    A abordagem assume um aperto fiscal nítido nas finanças de Portugal, ignorando como uma queda drástica nos gastos do governo vai inviabilizar o crescimento de Portugal e reduzir suas capacidades de pagar dívidas. E isso é injusto, exigindo um sacrifício descomunal do povo Português para reembolsar aos credores de Portugal 100 cêntimos por cada Euro.

    Há tempo para obter este direito. Lisboa parece ter os fundos necessários para atender a um pagamento de serviço da dívida de 4,8 mil milhões de Euros com vencimento na sexta-feira. Embora não tenha o dinheiro para satisfazer um pagamento de 6,9 mil milhões de Euros em 15 de Junho, a União Europeia pode proporcionar financiamento a curto-prazo - com poucas restrições - até que um acordo definitivo poderia ser negociado com o novo governo. Esta é a melhor esperança de chegar a um acordo com o novo governo de Portugal e com os seus eleitores - e com confiança dos credores.

Estatísticas interessantes sobre a economia portuguesa

Perdidas por aí.

35,4 milhões de euros a voar


  • Quase 70 passageiros partiram hoje, ao final da tarde, rumo a Cabo Verde, a bordo do primeiro avião comercial a descolar do aeroporto de Beja, um Boeing da companhia cabo-verdiana TACV. (...)
    O aeroporto de Beja ainda não está certificado, nem a operar, tendo funcionado hoje para realizar um voo excecional, e encerrar logo depois.
    Segundo o Tribunal de Contas, o aeroporto de Beja custou quase 35,4 milhões de euros.

É nestas extravagâncias que voa o nosso dinheiro.

Mesmo com o país à beira da bancarrota não desistem de projectos loucos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Crescimento do PIB, 1900-2010

O gráfico abaixo ilustra o crescimento do PIB português, década a década, de 1900 a 2010, extraído de um vídeo apresentado por Madina Carreirra.


Porque é que Portugal não cresceu com a entrada de fundos estruturais nos anos 80 e 90, nem com o endividamento dos anos 2000?

"Ficar com o dinheiro alheio é não ser parvo", disse citando António Barreto. Enumerou muitos casos referidos na comunicação social - Freeport, Casa da Música, Portocale,... - para mostrar que em Portugal as obras nunca se fazem com os orçamentos previstos, os agentes políticos e os empresários não são responsabilizados pelas suas acções, e só por isso é que nenhum é preso.

Se o FMI tivesse tempo para investigar o esbanjamento de recursos ajudaria efectivamente o país. Como apenas têm pressa em recuperar os seus recursos irão cortar nas grandes rubricas (massa salarial e despesas sociais) contribuindo para uma maior desigualdade e imoralidade na repartição do rendimento.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Portugal’s Unnecessary Bailout


A UE e o FMI passaram-se com Portugal ou com os políticos portugueses?


  • O fundamento para a ajuda a PORTUGAL por causa das suas dívidas, por parte do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia na semana passada deve ser um aviso para as democracias em todo lugar.

    A crise que começou com o socorro da Grécia e da Irlanda no ano passado, tomou um rumo feio. No entanto, este terceiro pedido nacional de resgate não é realmente sobre a dívida. Portugal teve um forte desempenho económico em 1990 e estava a gerir a sua recuperação da recessão global melhor do que vários outros países na Europa, mas tem estado sob pressão injusta e arbitrária por parte dos negociantes de títulos, os especuladores e analistas de notação de crédito que, por miopia ou razões ideológicas, já conseguiram expulsar um governo democraticamente eleito e, potencialmente, amarrar as mãos do próximo.

    Se deixados sem regulamentação, estas forças de mercado ameaça eclipsar a capacidade dos governos democráticos - talvez até mesmo dos Estados Unidos - para fazer suas próprias escolhas sobre os impostos e gastos.

    dificuldades de Portugal certo se assemelham aos da Grécia e da Irlanda para os três países, a adoção do euro, uma década atrás, significava que eles tinham de ceder o controle sobre sua política monetária, e um súbito aumento nos prêmios de risco que os mercados de títulos atribuídos a sua dívida soberana foi o estopim para os pedidos de resgate.

    Mas na Grécia e na Irlanda, o veredicto dos mercados refletiu profunda e facilmente identificáveis ​​os problemas econômicos. crise em Portugal é completamente diferente, não havia uma verdadeira crise subjacente. As instituições econômicas e políticas em Portugal que alguns analistas financeiros vêem como irremediavelmente falhos tinha conseguido êxitos notáveis, antes que esta nação ibérica de 10 milhões foi submetido a sucessivas ondas de ataques de operadores de títulos.

    Mercado de contágio e rebaixamentos de classificação, começando quando a magnitude das dificuldades da Grécia à tona no início de 2010, tornaram-se uma profecia auto-realizável: elevando os custos de Portugal de contracção de empréstimos para níveis insustentáveis, as agências de rating a obrigou a procurar uma ajuda. O resgate tem os poderes de "resgate" para empurrar Portugal para uma política de austeridade impopulares que afectam os beneficiários de empréstimos estudantis, as pensões de reforma, a redução da pobreza e salários dos funcionários públicos de todos os tipos.

    A crise não é de Portugal está fazendo. Sua dívida acumulada está bem abaixo do nível de nações como a Itália que não tenham sido sujeitos a essas avaliações devastador. O seu défice orçamental inferior ao de vários outros países europeus e vem caindo rapidamente, como resultado dos esforços do governo.

    E quais as perspectivas de crescimento do país, que os analistas convencionais assume a ser triste? No primeiro trimestre de 2010, antes que os mercados empurrou as taxas de juros dos títulos Português para cima, o país teve uma das melhores taxas de recuperação económica na União Europeia. Em uma série de medidas - as ordens industriais, inovação empresarial, ensino médio realização e crescimento das exportações - Portugal tem acompanhado ou mesmo ultrapassado os seus vizinhos do sul e até mesmo da Europa Ocidental.

    Por que, então, tem uma dívida de Portugal foi despromovido e sua economia empurradas para a beira? Há duas explicações possíveis. Um é o cepticismo ideológico do modelo de Portugal de economia mista, com os seus empréstimos de apoio público para as pequenas empresas, ao lado de um pequeno número de grandes empresas estatais e um Estado social robusto. Os fundamentalistas do mercado detestam as intervenções keynesianas, nas áreas da política de habitação em Portugal - o que evitou uma bolha e preservou a disponibilidade de baixo custo, locação urbana - a sua assistência de renda para os pobres.

    A falta de perspectiva histórica é outra explicação. padrões de vida Português aumentado consideravelmente nos 25 anos após a revolução democrática de Abril de 1974. Em 1990 a produtividade do trabalho aumentou rapidamente, as empresas privadas aprofundou investimento de capital com a ajuda do governo e dos partidos, tanto do centro-direita e de centro-esquerda apoiada no aumento do gasto social. Ao final do século o país teve uma das menores taxas do desemprego na Europa.

    Com toda a franqueza, o otimismo da década de 1990 deu origem a desequilíbrios económicos e gastos excessivos; céticos do ponto de Portugal a sua saúde econômica relativa estagnação 2000-2006. Mesmo assim, pelo início da crise financeira mundial, em 2007, a economia voltou a crescer eo desemprego estava caindo. A recessão acabou com essa recuperação, o crescimento, mas foi retomado no segundo trimestre de 2009, mais cedo do que em outros países.

    A política interna não são os culpados. O primeiro-ministro José Sócrates e os socialistas que regem mudou-se para reduzir o déficit, promovendo a competitividade e manter gastos sociais, a oposição insistiu que poderia fazer melhor e forçado a sair do Sr. Sócrates este mês, preparando o palco para novas eleições em junho. Este é o material da política normal, não é um sinal de desordem ou incompetência de alguns críticos de Portugal têm retratado lo.

    Europa poderia ter evitado esse resgate? O Banco Central Europeu poderia ter comprado títulos Português agressiva e partiu a última pânico. Regulamento da União Europeia e os Estados Unidos dos processos utilizados pelas agências de notação de avaliar a solvabilidade da dívida de um país é também essencial. Pela percepção que distorcem o mercado de estabilidade de Portugal, as agências de rating - cujo papel no fomento da crise das hipotecas subprime nos Estados Unidos tem sido amplamente documentado - prejudicaram tanto a sua recuperação econômica e sua liberdade política.

    No destino de Portugal encontra-se uma clara advertência para outros países, inclusive os Estados Unidos. revolução de Portugal de 1974, inaugurou uma onda de democratização que varreu o mundo. É bem possível que 2011 marcará o início de uma onda de invasão de democracia, mercados não regulamentados, com a Espanha, Itália ou a Bélgica como as próximas vítimas em potencial.

    Os americanos não teriam muito como ele, se as instituições internacionais procuraram para dizer Nova Iorque, ou de qualquer outro município norte-americano, para abandonar as leis de controle de aluguéis. Mas isso é precisamente o tipo de interferência agora atingem Portugal - tal como o fez a Irlanda ea Grécia, apesar de eles suportaram mais a responsabilidade por seu destino.

    Apenas os governos eleitos e os seus líderes podem garantir que esta crise não acaba por minar os processos democráticos. Até agora, eles parecem ter deixado tudo aos caprichos dos mercados de dívida e agências de rating.



    Robert M. Fishman, professor de sociologia na Universidade de Notre Dame, é co-editor de "O Ano do Euro:. Cultural, Social e Político de importação da moeda comum da Europa"

    Fonte: Portugal’s Unnecessary Bailout + Google Translate

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Como foi possível chegar à beira da bancarrota?

Ficará Portugal sem dinheiro para pagar aos investidores antes que o novo Governo tome posse?

Esta pergunta do THE WALL STREET JOURNAL revela porque o resgate do FMI se tornou inadiável. O Estado português, para continuar a honrar os seus compromissos, como pessoa de bem, não tem outra opção senão contrair um empréstimo.

Durante muitas décadas consumimos mais do que produzimos. A dívida pública ia aumentando, e rapidamente as agências de rating precipitaram os acontecimentos. Baixaram o rating da dívida soberana e o rating dos bancos portugueses. O Estado deixou de ter clientes interessados nos seus títulos, incluindo os bancos nacionais, sujeitos a testes de "stress" (resistência). Um país que não dispõe de recursos para fazer face às suas responsabilidades a curto prazo precisa de ajuda.

Os credores já disseram que não passam o cheque sem verem a conta, e já estabeleceram um programa económico a exigir ao país como contrapartida do empréstimo. A última linha do documento explicita que a sua preocupação não é Portugal, mas o futuro da zona Euro.

Convinha que tivessem o bom senso de não exigir que os problemas estruturais de décadas fiquem resolvidos até 2013 ou 2014, senão Portugal morrerá da cura, e não ficará em condições de lhes assegurar o retorno crédito...

sábado, 9 de abril de 2011

O cheiro do poder - a hipersensibilidade aos problemas dos banqueiros


Pessoal da área de influência do centrão (centro político do espectro partidário, PS/PSD) subscreveu Um Compromisso Nacional, obviamente para nos ajudar a sair da crise e oferecer esperança no futuro. Propõem um entendimento entre o Presidente da República, o Governo e os partidos... e se possível que reservem os lugares para estas "personalidades".

Que não vai em compromissos, já o mostrou José Sócrates, que formalizou o pedido de ajuda externa para o qual Teixeira dos Santos (seu ministro das finanças) sempre nos foi dizendo que este Governo não tinha competências, legitimidade ou credibilidade.

José Sócrates adiantou-se assim ao Presidente da República, que estava a trabalhar na hipótese de um empréstimo intercalar, com este nome porque seria integrado noutro maior a negociar futuramente pelo Governo que resultasse das eleições. Esta alteração estratégica de Sócrates retirou protagonismo ao PR que ficou a saber do pedido de ajuda externa pela comunicação social. É esta a cooperação entre os órgãos de soberania.

O que fez Sócrates considerar inadiável o pedido de ajuda externa foi a sua sensibilidade aos problemas dos banqueiros. Foi o presidente do BES, Ricardo Salgado, que lhe disse, o que os outros banqueiros logo confirmaram: O pedido de ajuda externa é urgentíssimo.

Serão os problemas dos banqueiros coincidentes com os problemas do país?

SIM, respondeu Sócrates e toda a classe política pensando no seu emprego.

NÃO, respondo eu como consumidor, designadamente utilizador de produtos bancários.

Eu não preciso de ser cliente de um banco português, preciso de um banco que não me cobre taxas pelo simples facto de ser seu cliente!

Se o vestuário, os alimentos, os automóveis, a energia não são portugueses, porquê insistir com os bancos?

Há uma estranha unanimidade em torno da austeridade para nos colocar na miséria enquanto os bancos irão ser alvo ainda de maior ajuda, tendo em vista a sua "capitalização"... E o que nos dirão depois quando um banco alemão comprar o BCP, um banco francês comprar a CGD, o Totta já é espanhol...

Vão matar Portugal para engordar a banca! E depois alguns megabancos globais poderão comprar os porquinhos.

  • Nesta campanha promocional como não há memória [austeridade/interesse nacional/FMI], em horário nobre televisivo durante toda a semana, dizem que não há mais lugar a dúvidas e que o tratamento de choque de um FMI a todo o vapor passa definitivamente a ser lei. A mensagem dos banqueiros era a de que perderam a paciência, mas a verdade é a de que perderam a vergonha. - José Manuel Pureza


segunda-feira, 4 de abril de 2011

A GALP a gozar connosco!

Depois de recentemente se ter levantado a questão de as gasolineiras poderem estar a cobrar 7 a 8 Euros a mais por litro de combustível, e dos esforços para negar as evidências, a GALP veio demonstrar que pode vender a gasolina a menos 10 cêntimos por litro!

Podem dizer que é promoção, marketing, o que for... A verdade é que continuam a vender com lucro, baixando 10 cêntimos por litro.

Apetece perguntar quanto estarão a roubar por litro.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nível de salários da Democracia idêntico ao pior do Estado Novo


1974 e 1975 constituem as grandes “irregularidades” na série da repartição funcional do rendimento. Em Maio de 1974 institui-se o primeiro salário mínimo em 3.300$00 beneficiando directamente centenas de milhar de trabalhadores e por arrasto, indirectamente, todos os outros viram os seus salários subir. Em 1975, com o PREC os salários continuaram a trajectória ascendente até ao 25 de Novembro. Ramalho Eanes foi o herói do golpe militar que então colocou termo a este “descalabro” e Mário Soares iniciou a “normalização” política ancorando o país à Europa capitalista com o pedido de adesão à CEE em 1976. Os salários começaram logo a descer porque os empresários portugueses não conhecem mais nenhuma fonte de competitividade além dos salários baixos.

A última fase do Estado Novo, após o início da Guerra Colonial (1961), em resultado da escassez de trabalho que provocou em muitas profissões acabou por elevar os salários. Por isso, se porventura Salazar regressasse teria motivos para sorrir:

- Em Democracia ainda pagam menos do que no tempo do Marcelo Caetano!

PS
Observando as barras referentes a 1987, 1991, 1995, 2002, 2005 e 2009 verificarão que os rendimentos do factor trabalho subiram nestes anos. Isto é, desde que Portugal aderiu à CEE os rendimentos do trabalho têm subido em todos os anos em que houve eleições legislativas, excepto em 1999. Depois de comprados os votos aos papalvos, os rendimentos descem. Isto é Democracia!

Demonstração do esgotamento do modelo económico por Medina Carreira

Medina Carreira foi ouvido a propósito de cenários de evolução da dívida pública na sala do Senado.



A crise da dívida projectou o seu nome para a praça pública, com muitos resistentes as seus discurso pesado a darem-lhe agora razão. Porém, quando no "Plano Inclinado" de 12.02.2011 teve a ousadia de relacionar a dívida pública com os partidos e a democracia...


... até Mário Crespo se passou, e esta foi a última emissão do programa:



Medina Carreira também foi substituído no "Sol".

Esteve bem Henrique Neto, sublinhando que a democracia não se esgota nas finanças públicas, mas que será necessário considerar um amplo conjunto de factores adicionais.

O que se estranha é que um profissional como Mário Crespo coloque termo a um programa só por resistência mental a gráficos que lhe sugerem relações que ninguém defendeu.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Abel Mateus quer um tacho nos combustíveis


Enquanto foi presidente da Autoridade da Concorrência (AdC) (até 2008) não acusou o ramo de obter lucros anormais. Agora opinou que “É possível reduzir sete a oito cêntimos por litro” nos preços dos combustíveis, sem que se tenham registado quaisquer alterações significativas neste mercado.

Certamente terá razão, porque os preços na bomba de gasolina sobem sempre, mesmo quando descem no mercado internacional. Mas isto tanto sucede agora como acontecia durante o seu mandato.

Fica-lhe mal é só fazer a “revelação” agora, depois de ter passado 5 anos sentado na presidência no organismo regulador que agora crítica.

Também concordo com a sua crítica ao funcionamento da AdC:


Mas afinal quais são as suas atribuições para falar agora da proposta de 2004 e em nome do actual presidente da AdC?

Certamente que quando Abel Mateus propõe a criação de um regulador específico para o sector, é no mínimo o último economista que poderá ser chamado para estas funções, depois das provas que deu de protecção ao oligopólio das gasolineiras.


Adenda
Manuel Sebastião, presidente da AdC, quase que lia um manual de Microeconomia para nos nos sugerir que o mercado dos combustíveis está a funcionar bem! Para ele, acredito que sim.

Tirem-nos deste filme

Comentário ao artigo de Helena Garrido com o mesmo título:

  • SÓCRATES JÁ TINHA COLOCADO TERMO À AVALIAÇÃO
    Não sei se Sócrates errou ou premeditou o termo da avaliação de desempenho, mas desde que em Dezembro de 2010 congelou vencimentos e promoções, terminaram na prática quase todos os procedimentos para avaliação de professores, por falta de incentivo financeiro. Mantiveram-se uns resquícios de tarefas, porque os avaliadores não puderam demitir-se das suas funções, e por pressão de concursos sobre os contratados… MAS TIRANDO ISSO, SÓCRATES JÁ TINHA COLOCADO TERMO À AVALIAÇÃO POR MOTIVOS ORÇAMENTAIS. Pela tua crónica se vê que a única razão para obrigar os professores anualmente a um retrato em dezenas de descritores é inviabilizar a sua progressão, parra evitar o agravamento do défice orçamental.
    Sei que temos o “defeito” de ser muitos, mas de fores intelectualmente honesta reconhecerás que este país tem uma casta que se apodera do rendimento sem trabalhar. Sabes que todos os indicadores da repartição do rendimento colocam Portugal na cauda da Europa, e o problema se tem agravado com estes desGovernos. Este fenómeno constitui um obstáculo ao desenvolvimento do país e portanto se o NEGÓCIOS tratasse destas matérias prestaria um excelente serviço ao país. Observar que todos os analistas “económicos” são insensíveis ao domínio “social” é que me faz viver num filme de terror.
    Ao menos o Miguel Sousa Tavares tinha reconhecido que nenhum Governo tem legitimidade para estabelecer o IVA a 6% para o golfe enquanto corta pensões de 200 euros!

terça-feira, 29 de março de 2011

A austeridade é uma política para impor uma repartição do rendimento (ainda) mais inequitativa

Para quem dúvidas tiver acerca dos efeitos da austeridade sobre a repartição do rendimento encontrei um excelente post.

Para onde foi o teu dinheiro no ano do sufoco (2010).

Os lucros da EDP sobem 5,4% para 1.079 milhões de euros,


Fonte: http://classepolitica.blogspot.com/

Nota: A ausência de título na mensagem não permite que se faça link directo.

sábado, 26 de março de 2011

Sócrates passou-se! Abriu alguma janela para o desenvolvimento?


Nunca pensei que a oposição fosse tão longe, sem o mínimo de consciência do interesse nacional... o mínimo de respeito pelo país, de forma a recusar qualquer negociação, qualquer conversa, qualquer compromisso. Isso não me ocorreu.

Até parece que com ele o país estava a ganhar posições nos ratings ;)


Depois de ouvir e ler políticos, comentadores profissionais e blogues só posso concluir que Sócrates se passou. Segundo Passos Coelho foi aberta uma “janela de oportunidade” para uma política de verdade. A sua vantagem é ser considerado mais sério, porque está a ser cauteloso nas suas afirmações. Mas Henrique Monteiro recordou que desde a sua eleição para a liderança do PSD que promete apresentar um programa detalhado para a governação, mais tarde… e até agora não apresentou nada de concreto, pois a agenda do PS tem-lhe servido bem. Daniel Bessa pensa que poderá ter sido inaugurado um novo ciclo se os políticos começarem a falar verdade. Nicolau Santos parece já ter saudades de Sócrates quando afirma que não foi derrubado por motivos racionais mas pelo ódio. Sousa Tavares reconhece que Sócrates foi fraco com os fortes, e forte contra os fracos, referindo o cúmulo da taxa reduzida de 6% de IVA para o golfe em contraste com o corte de pensões de 200 euros e vencimentos de 1500. Este episódio terá ditado para si a queda do Governo.

Quase todos os analistas apontam como cedência do PSD ao eleitoralismo o termo da avaliação de desempenho de professores segundo o modelo de Milu, porque “interrompeu um processo que estava em curso”. A Ministra Isabel Alçada repetiu a palavra “interrompeu” 10 vezes em dois minutos numa entrevista à RTP1. Quem terminou de vez com a avaliação foi Sócrates em Dezembro de 2010, quando por motivos estritamente orçamentais – sempre só esses – estabeleceu o congelamento dos vencimentos e das progressões. Neste aspecto todos os comentadores manifestam desconhecer o quotidiano escolar, preenchendo as suas lacunas informativas com uma carga ideológica que os transforma em “fala-barato” da educação.

Todos são unânimes em que o Estado deve honrar as dívidas que acumulou com a nacionalização de BPN’s. Desde modo podem os depositantes colocar o dinheiro em qualquer buraco, e os administradores dos bancos seguir políticas arriscadas, que no final os contribuintes e os funcionários pagam a conta.

Ninguém disse que se estão a exigir os esforços de austeridade sempre aos mesmos, nem que Portugal é o país da zona Euro onde:
- é maior o risco de pobreza e privação material;



- a repartição do rendimento é a mais desigual: podem observar o rácio de rendimentos entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres, ou outras medidas como o índice de Gini ou a parte do Rendimento Nacional que cabe ao Trabalho;
- exactamente por o rendimento estar mal distribuído, esse factor condiciona o desenvolvimento do país;
- para a insustentabilidade da segurança social estão a contribuir muitos reformados-activos milionários com menos de 65 anos de idade;
- a crise está a redistribuir o rendimento de modo cada ver mais inequitativo. Acho bem que o Socialismo tenha sido metido na gaveta, mas uma repartição mais justa do rendimento é precisamente um dos factores que distingue um país com uma social-democracia sólida de um país do Terceiro Mundo;
- a corrupção em Portugal apresenta níveis que nos aproximam de regimes ditatoriais;
- o sistema de justiça constitui a negação prática da mesma.

Nada disto seria suficientemente para a demissão do Governo. Sócrates estava a fazer todo o “trabalho” bem feito, garantem a UE, a Alemanha, a OCDE e o FMI. Mas passou-se… porque não informou a família dos seus esforços ;)

Passos Coelho agradeceu-lhe e propõe-se emagrecer o Estado. Cortar despesas. Acho que tem muito onde cortar começando pela frota do Governo, da AR, e outros privilégios de políticos e administradores públicos. Circulam listas enormes de institutos e fundações que não têm funções produtivas. Haverá coragem?

Veremos se quando Sócrates se passou com Passos, abriu ao país alguma janela de oportunidade para o desenvolvimento.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O esgotamento do modelo PS/PSD

Nenhum Governo pode perpetuar-se aprovando trimestralmente um novo PEC. A multiplicação dos PEC's deriva das estimativas irrealistas do crescimento e das receitas públicas. Com medidas recessivas, como o corte das despesas públicas e aumento de impostos, num período de crise na actividade económica, o resultado só pode ser agravamento da recessão. Logo, os impostos não aumentam conforme o previsto, porque a economia também não cresce... Como o Governo se encontra obcecado com o défice orçamental, depois de verificar que as metas não foram atingidas sente necessidade de apresentar um novo PEC. Cada novo PEC significa mais cortes nas despesas sociais e de investimento e um nível mais elevado da carga fiscal. Por este caminho apenas se podem esperar mais falências, mais desemprego, uma recessão cada vez mais profunda.

Escrevi modelo PS/PSD porque apesar do PSD ter reprovado o PEC4 a 23 de Março, sempre tem agradecido ao PS a política que tem sido seguida. São partidos que não se distinguem ideologicamente. Preconizam as mesmas soluções, embora possam apresentar uma cor diferente, como o vinho pode ser branco ou tinto ;)

Veja-se coo o PS e o PSD são iguais.



Se o PSD ganhar as eleições, Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, já obteve de Passos Coelho a garantia de este iria cumprir as metas do PEC de Sócrates... Em entrevista à SIC confirmou ter as mesmas metas (défice), mas afirmou ter um caminho diferente, para se distinguir do PS. Gostaria de poder acreditar nisso.

Finalmente!

Depois de chumbarem o PEC4 os partidos da oposição decidiram agendar a revogação da avaliação de desempenho dos professores, única causa em que este Governo se tinha mantido determinado... Sorry! Obstinado por motivos orçamentais ;)



A campanha eleitoral começou.



É de aceitação voluntária pelos interessados, em vez de se impor a todos;

Só se fazem as continhas no ano em se muda de escalão;

Deixou de pedir a farsa dos "objectivos individuais", perguntando a cada um qual o seu contributo para os objectivos da escola;

Envolve na avaliação a IGE e as associações científicas, credibilizando o processo e apagando focos de tensão entre pares.

Sem dúvida que será mais facilmente aceite.

Política, um jogo de rapazolas movidos por interesses mesquinhos



  • Gostava de poder acreditar que as próximas eleições fazem uma limpeza dos rapazolas. Mas não vão limpar muita coisa porque as pessoas são as mesmas, e não creio que tenham aprendido. A maneira como se anunciam firmes para a lide, parece que estão a entrar numa Praça de Touros....

quinta-feira, 24 de março de 2011

Finalmente Sócrates despediu-se!



Culpou toda a gente pela sua saída. Vai-se vitimizar para tentar regressar com legitimidade redobrada. Não sei se conseguirá. Ou ele ou Passos Coelho sairão de cena após as próximas eleições.

O FMI é dramatizado para passar as culpas ao adversário, porque é muito difícil que sob a batuta do FMI se siga uma política pior que os PEC's trimestrais apresentados em Bruxelas e Frankfurt. E ninguém acredita no aval europeu das políticas sem a aprovação do FMI. Basta de hipocrisia porque o FMI já dita as regras para a nossa economia ao tempo...  numa crise em  que os principais bancos têm lucros anormalmente confortáveis.

Recordam-se as melhores de Sócrates, e deixa-se link para o seu dossiê.




Uma ajudinha de Angela Merkel:

  • "Portugal apresentou um programa muito corajoso para os anos 2011, 2012, 2013. Era apropriado. Lamento profundamente que não tenha sido aprovado pelo parlamento [português]". (vídeo)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Roménia, Portugal e Islândia são os países com mais reformados no mercado de trabalho

Observando as taxas de actividade por grupo etário, conclui-se que em Portugal, na Roménia e na Islândia o grupo dos 65+ anos tem uma actividade muito superior à dos restantes países.


Os números da Roménia poderão explicar-lhe como reminiscência de uma ditadura comunista.

A Islãndia é o paraíso dos reformados na Europa ocidental, por algum motivo que de momento não consigo explicar.

Em Portugal são os boys a governarem-se à custa do povo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Miguel Sousa Tavares fala do que não sabe

Miguel Sousa Tavares fala do que não sabe, e no último sábado (no EXPRESSO) atribui aos correctores de exames o quíntuplo do que têm recebido. O assunto pode ter sido referido com maldade porque o ME inventou novas regras para remuneração deste serviço, utilizando a gratuitidade do trabalho da componente não lectiva do ECD como nova modalidade de "não pagamento"... para corrigir o défice orçamental mais uma vez à custa dos professores!

Esteve bem Paulo Guinote, quando lhe respondeu:

  • (...) vejam lá a minha ingenuidade, estava convencido de que isso [verificar factos que se usam para acusar terceiros] fazia parte das tarefas de um articulista, as quais ele desempenharia com o brio de quem quer saber que o resultado do seu trabalho ao longo de umas horas não passa de uma deturpação da verdade.

Alterações climáticas


via chartsbin.com

Já não restam dúvidas entre a comunidade científica de que as alterações climáticas da Terra se devem ao padrão consumista da sociedade pós-industrial. As catástrofes climáticas são cada vez mais frequentes e afectam um número cada vez maior de pessoas.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento dedicou-lhe o Relatório de 2007/08, mas com a urgência da crise financeira de 2008 os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio foram esquecidos e todas as hipóteses de compromisso a nível global tem falhado: Rio de Janeiro, Quioto, Copenhaga...

A expressão Tsunami entrou para o vocabulário dos media em 2004, com a tragédia da Indonésia...


Em 2011 é apenas mais um vídeo sobre o Japão...


Alguém aprendeu alguma coisa?

Ligações

domingo, 20 de março de 2011

sábado, 19 de março de 2011

A crise política é o jogo da culpa


A democracia deveria ser repensada urgentemente, porque se suportamos os custos do seu funcionamento deveria ter algum valor acrescentado. Lendo o artigo de Helena Garrido ficamos com a sensação que a política é um jogo que só serve para os actores se culparem uns aos outros, agravando mais ainda os custos da crise económica.

  • Numa forma dura e crua, pode dizer-se que Portugal está já a ser governado a partir de Bruxelas e Frankfurt. E que já está tudo preparado para o Governo fazer o pedido formal de ajuda financeira à Europa e ao FMI.

    Factos são factos. O resto, a dita crise política, é o jogo da culpa. O Governo, pelo que disse ou pelo que não fez, quer tirar de cima de si a culpa do pedido de ajuda financeira. Um jogo que nos vai sair caro, que vai exigir ainda mais medidas de austeridade.
    Helena Garrido / Jornal de Negócios / 18/MAR/2011

Infelizmente, se lhe perguntasse quem deveria dar a cara pela administração do país, imagino que HG me responderia Sócrates. Realmente este é tão "brilhante" que não rivaliza com ele qualquer adversário credível, e segue uma política tão "consensual" que parecem não existir alternativas.

sábado, 12 de março de 2011

Sócrates ignora toda a sociedade

Sócrates ignora toda a sociedade, os sinais das manifestações de professores e da "geração à rasca", o discurso de tomada de posse do Presidente da República, os líderes dos restantes partidos, os parceiros sociais... e do alto da sua cadeira diz a toda a malta: tomem lá o PEC4 e vão-se...

O FMI não veio, mas que mais poderia o FMI inventar?

Vale cortar em tudo, menos nos gabinetes de Sócrates e amigos politicus que chupam este país.








Mas irão continuar a votar em Sócrates porque o problema de fundo da sociedade portuguesa é reduzida produtividade e o correspondente subdesenvolvimento. É evidente que Sócrates também tem culpa nestes problemas, quando cria em seu redor um exército de boys e promove políticas pouco transparentes na afectação de obras públicas, delapida as finanças públicas em brinquedos de guerra e num sistema judicial que só serve aos juízes...

Só que até aos anos 90 os licenciados iam encontrando lugares nas escolas, e agora já não encontram vaga porque os quadros estão preenchidos...

Os bons emigraram... os restantes manifestaram-se, porque invejamos os padrões de consumo dos países desenvolvidos, mas continuamos com a estrutura económica de um país que nunca se industrializou.

Valeu o dia pela catarse colectiva, como prova a diversidade de slogans:

- "Senhor Presidente, em nome dos pobres, dos jovens, dos idosos e da nação, dissolva o Parlamento!";
- "Sócrates cabrão, aceita a demissão";
- "Nunca pagámos tanto por tão pouco";
- "Economia é a tua tia";
- "Com a precaridade não há liberdade";
- "Revolução dos (es)cravos";
- "Deixa passar, deixa passar, que o mundo vai mudar";
- "Todos à rasca homens e animais";
- "Eu não votei na Merkel". (Jornal de Negócios)

Criticar é simples. Que soluções terão? Não vi nada de novo no seu Facebook!

terça-feira, 8 de março de 2011

É proibido expressar opinião contra a avaliação do desempenho


Ser honesto dá direito a despedimento.

Parece evidente a todos que tem apenas uma turma, hora e meia por semana, "só enganando a administração pode corresponder a um modelo que avalia quatro dimensões da actividade dos professores segundo 39 indicadores e 72 descritores. Por isso, apelei a uma reflexão sobre o sistema de avaliação - era isso que se pedia no abaixo-assinado".

Neste país, onde os políticos assumem as "qualidades" (papéis) que lhes apetece em função do que querem dizer, a sinceridade do coordenador da DREC valeu-lhe o despedimento.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O trabalho de casa do Pato Donald


  • (...) primeiros dados da execução orçamental referentes a Fevereiro, mês em que, pela primeira vez em quinze anos, a despesa pública primária (sem juros) terá descido, 3,6%.

    Estes números serão esta tarde levados em primeira mão por José Sócrates a Ângela Merkel para demonstrar à chanceler alemã que Portugal está a fazer o “trabalho de casa”.
    Negócios, 02/MAR/2011

Reduzindo os vencimentos dos funcionários que trabalham no Estado e aumentando os impostos a pagar por todos é fácil reduzir o défice, mas o trabalho de casa não foi feito, foi aldrabado.

Dicas para o trabalho de casa:

- colocar a percentagem de generais e almeirantes em linha com países de dimensão semelhante. O último número do EXPRESSO revela que somos o país do Mundo com mais comandantes por soldado, a gastarem dinheiro em "brinquedos" caros (aviões, submarinos,...);

- controlar o endividamento das autarquias (ver Alandroal);

- eliminar os institutos e fundações públicas inúteis (servem para empregar a clientela);

- rever as remunerações dos gestores públicos, absolutamente escandalosas;

- rever as parcerias público-privadas, pois estas são a prazo desastrosas para o Estado, quer nas estradas, nos hospitais ou nas escolas;

- enterrar de vez a discussão sobre investimentos megalómanos, como o TGV ou um novo Aeroporto.

Não vou continuar a lista porque só estes items já constituíram um trabalho de casa EXCELENTE.

Resultado do encontro: Ângela Merkel elogiou os «corajosos» esforços portugueses, no que toca a medidas de austeridade e lembrou que «nunca disse que Portugal precisava de recorrer ao Fundo» Europeu, (Agência Financeira, 02/MAR/2011) Assim ficou Sócrates com a taça de ter "salvo" o país do FMI... mas já estamos a pagar a sua política, com a ameaça de esta prosseguir numa dosagem ainda mais forte, a confirmarem-se as previsões da Agência Financeira, pois:


  • Mas, em troca da cedência, a Alemanha deverá impor condições: mais austeridade e mais reformas estruturais, as mesmas que constam do seu Pacote para a Competitividade. E José Sócrates já percebeu que «não há almoços grátis» e já começou a preparar a opinião pública para a inevitabilidade de serem precisas mais medidas.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Manifesto pela Criatividade e Colaboração no uso da Web 2.0 nas Escolas Portuguesas


Imagine um documento escrito colaborativamente por docentes do Ensino Básico e Secundário e outros agentes do sistema educativo português (Nível Básico, Secundário e Superior), assim como investigadores e outros interessados em criar um documento de referência para o uso criativo e colaborativo de ferramentas da designada Web 2.0 no contexto educativo actual.

Pare de imaginar. O documento está a ser construído aqui.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Deolinda - Parva que sou!




Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

O êxito desta canção surpreendeu autores e interpretes. É referida este fim-de-semana em toda a imprensa, e tem sido republicada nos blogues e nas redes sociais. Conquistou imediatamente o público porque a juventude e amplos sectores dos adultos mais jovens se identificam com a letra, já considerada de intervenção. O grande problema de agora é que a Revolução já está feita! Mind This Gap mostra que quem  estudou pode votar com os pés.

As despesas de produção de papelada representam mais de 14% do previsto para a Educação

Se houvessem regras simples em educação, as escolas seriam suficientes. Assim, multiplicam-se estruturas designadas no Orçamento de Estado de 2011 como SERVIÇOS GERAIS DE APOIO, ESTUDOS, COORDENAÇÃO E COOPERAÇÃO, cujo funcionamento representa mais de 14% das despesas previstas em Educação, enquanto os tão propalados INVESTIMENTOS nem chegam aos 2%.
Fonte: Lei do Orçamento de Estado para 2011, pp. 78


Com estas prioridades é fácil perceber porque é que todos os dias as escolas recebem "orientações" novas, numa catadupa que provocou um ambiente tal, que já não ninguém sabe se aquilo que é válido hoje continuará a ser amanhã.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Demonstrando a insanidade do modelo de avaliação de desempenho pelo absurdo

Muitos colegas preocupam-se legitimamente com taxas de sucesso do alunos, que depois são perversamente utilizadas para avaliar o trabalho dos professores.

Santana Castilho desenvolveu a analogia avaliando os juízes pelos criminosos recuperados e imaginado-os a fixar objectivos do tipo: número de arguidos a julgar, percentagem a condenar e contingente a inocentar.  Também os médicos suportariam a verificação de todos os diagnósticos, todas as estratégias terapêuticas e todas as prescrições feitas a todos os doentes e fixariam objectivos.

Este artigo é muito mais abrangente, pois para observar que Cavaco Silva só abriu a boca quando a escola privada foi beliscada, sumariando o processo de destruição da escola pública a que este tem dado o seu aval.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cavaco venceu com apenas 23% dos sufrágios

A política nunca foi tão desinteressante quanto nestas eleições. Que interesse poderíamos ter em votar sabendo que Sócrates, embora apoiasse formalmente Manuel Alegre numa coligação contra-natura com o Bloco de Esquerda, certamente preferia a vitória de Cavaco?

Porquê? Cavaco é fixe para Sócrates por duas razões: 1. No primeiro mandato não vetou nenhum diploma, e no segundo deverá seguir sensivelmente o mesmo padrão; 2. Estando um Presidente do PSD em Belém mais facilmente ele vence as legislativas, porque o eleitorado aplica a teoria da separação dos poderes pelas duas cores: rosa e laranja.

Até o modernaço Cartão do Cidadão me ajudou, mas desta vez venci as eleições, porque me senti bastante confortável ao lado da imensa maioria sem pachorra para votar em eleições que não oferecem nenhuma alternativa.

Já agora convém retirar destas eleições a vitória do Facebook, pois a imprensa tradicional sempre promoveu "os dois principais candidatos", mas se o Partido Comunista tivesse oferecido os seus votos a Fernando Nobre teria sido este o segundo.

Como apenas votaram 4.489.904 votantes, correspondendo a 46,6% dos inscritos (9.629.630), se calcular a percentagem de votos de Cavaco (2.230.104) relativamente aos inscritos, este obteve 23%!!! Com esta percentagem, se frequentasse o ensino unificado estaria reprovado ;)

Fonte: http://www.presidenciais.mj.pt/

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Inventaram uma Taxa de Redução da Remuneração


Verifiquei hoje o recibo de Janeiro e comparei-o com o Dezembro. Confirmo que vieram ao bolso, mas fizeram a contabilidade sem reduzir o vencimento base, como estava previsto no Orçamento de Estado, e anunciado como mudança para sempre.

Em contrapartida inventaram uma taxa não prevista no Orçamento, que li como Taxa de Redução da Remuneração (no recibo tenho as abreviaturas "Taxa de Red. Rem.") que é equivalente à diferença percentual entre o vencimento base e o vencimento processado. (Exemplo de recibo disponível online)

Na opinião pública tinham-se levantado dúvidas quanto à legitimidade e à legalidade da redução dos vencimentos, e o Governo criou uma nova ilegalidade inventando esta taxa.

Porém, a mensagem não é má de todo. Deixa a esperança de que, quando passarem os piores momentos para os cofres do Estado - problema que até se resolvia depressa se não fosse a cáfila de protegidos - poderíamos receber o que nos estão agora a descontar, e pagarem com os respectivos juros, como fizeram com o 13º mês (subsídio de Natal) em 1984.

Já vivi o suficiente para ser chamado a salvar financeiramente o país por duas vezes, mas os problemas estruturais mantêm-se, e num país de corruptos todo o esforço exigido a quem trabalha é inglório.

Domingo poderei votar:

  • (1) no monstro responsável pela subida vertiginosa do défice orçamental, e pela década em que Portugal desbaratou os fundos comunitários somente para construir autoestradas. Como Presidente da República tem apoiado toda a política financeira deste desGoverno;
  • (2) no poeta que vive no Parlamento desde 1975 sem nunca ter feito qualquer lei, e que é apoiado por este desGoverno;
  • (3) em branco, anular o voto, ou votar em nulidades. Chama-se a isto "democracia".

sábado, 15 de janeiro de 2011

Cavaco ganhou com uma folga miserável para um presidente em exercício


Nenhum presidente em exercício foi forçado uma segunda volta para obter expressivamente o seu segundo mandato. Cavaco Silva considerou que a sondagem do EXPRESSO/SIC/RR não lhe oferecia uma margem de conforto suficiente e lembrou-se então que os funcionários públicos também votam:

  • Estou nesta campanha para falar a todos os portugueses: empresários e trabalhadores, comerciantes e agricultores, pescadores, funcionários públicos, que tão duramente foram atingidos nesta crise, enquanto outros com maiores rendimentos e que não foram chamados a dar o seu contributo.
    Cavaco Silva, A Bola, 14-01-2011

É puro eleitoralismo, pois quanto o Governo diz mata o Presidente sempre tem respondido esfola. É o único PR que nunca travou um acto legislativo do Governo (conferir Ricardo Costa, EXPRESSO), e certamente que a redução dos vencimentos dos funcionários públicos foi um dos seus brilhantes conselhos.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ministério da Educação quer suspender todos os projectos nas escolas


O Governo enlouqueceu de vez!

Para arruinar as escolas desta maneira, é preferível que chame o FMI. Pode ser que então se descubram outras possibilidades de equilibrar o Orçamento, como:

- criar um imposto especial a suportar pela banca, principal responsável pela crise financeira. Sócrates falou muito genericamente sobre o tema, mas logo o esqueceu assim que o lobby da banca abriu a boca;

- cortar as pensões milionárias;

- reduzir os institutos públicos;

- rever os regimes de excepção vergonhosos que foram inventados para empurrar o "esforço patriótico da recuperação da Nação" para os professores;

- reduzir o número de políticos e assessores na AR, Ministros e Secretários de Estado no Governo;

- não permite o endividamento das autarquias, como o Alandroal;

- Querem mais sugestões? Contratem-me ;)

Agora isto será a morte das escolas! Lá foi toda a retórica da autonomia...

  • "Qualquer atribuição de horas a agrupamentos ou escolas não agrupadas para dinamização de projectos, ainda que aprovados por serviços do Ministério da Educação, extingue-se com a entrada em vigor do presente despacho, carecendo de nova autorização do membro do Governo responsável pela área da Educação", lê-se na proposta de despacho de organização do ano lectivo (2011/2012) que o ME enviou a sindicatos e associações.
    Jornal de Notícias, 11/1/11

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Palhaços a mais no Banco de Portugal


Fica registado para memória futura:

Comentando a possibilidade de recurso ao FMI para estabilização da economia portuguesa, Teodora Cardoso, Administradora do Banco de Portugal, afirmou: "É mais fácil se tivermos um apoio externo, desde logo porque isso permite que o ajustamento não seja tão abrupto, mas feito sozinho, para os mercados acreditarem nele, teria que ser brutal".

A afirmação acima só é bronca porque o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, pouco antes, tinha dito exactamente o inverso: "Eu disse e repito, os portugueses resolvem os problemas e têm capacidade para resolver os problemas por si, até me demonstrarem o contrário".

Fonte: Jornal de Negócios, 10 Janeiro 2011

O FMI fica desde já avisado que o Banco de Portugal tem Governadores e Administradores a mais, pois ninguém entende uma instituição destas a falar a várias vozes.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...