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segunda-feira, 3 de agosto de 2026
domingo, 2 de agosto de 2026
sábado, 1 de agosto de 2026
Palavras Cruzadas
Palavras Cruzadas de Economia A
Passe o rato nas quadrículas assinaladas a azul para ver a pista.
Horizontais
- L2 (C2-8): Toda a situação onde se confrontam as intenções de produção dos produtores - a «oferta» de um bem - e as solicitações de consumo dos consumidores - a «procura» de um bem, de que resulta o «preço de mercado» (preço de equilíbrio) para aquele bem.
- L4 (C8-10): Designação do conjunto de países que constituíam a UE, antes de 1993.
- L7 (C1-9): Consumo excessivo, sem critérios e compulsivo.
- L10 (C1-8): Rubrica da Balança de Pagamentos que agrega bens, serviços, rendimentos e transferências.
Verticais
- C2 (L2-9): Forma de mercado de concorrência imperfeita em que a oferta se encontra concentrada numa única empresa que tem total poder para determinar os preços.
- C4 (L1-5): Valor de um bem expresso numa unidade monetária.
- C7 (L6-8): Resultado final da actividade de produção das unidades produtivas residentes na economia, geralmente referido a um ano.
- C10 (L1-8): Bem cuja procura varia inversamente com o rendimento.
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Alterações Climáticas
Desafio Climático: Exercício de Correspondência
Relacione cada um dos 8 conceitos sobre as alterações climáticas com a sua definição correcta:
terça-feira, 28 de julho de 2026
O Progresso Digital da AT: Tão Avançado... Quando Cobra!
Vivemos na era da modernização administrativa. O Estado investe milhões na desmaterialização de processos, apregoa a transição digital a sete ventos e enche o peito para falar da «equivalência plena» entre o documento electrónico e o velhinho papel. A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) costuma ser a estrela da companhia neste circo tecnológico: para cobrar impostos, penhorar contas em milissegundos ou emitir notificações automáticas, o sistema é uma maravilha da informática digna da ficção científica.
Porém, a magia do bit e do byte esbarra numa parede de betão assim que o vector da transacção muda de direcção — ou seja, quando é o contribuinte a exercer um direito ou a pedir um benefício a que tem direito.
Enviei-lhes recentemente, através do próprio e-balcão, o Atestado Médico de Incapacidade Multiusos (AMIM) electrónico — um ficheiro PDF dotado de assinatura digital qualificada do presidente da junta médica e com código de verificação autêntico, passível de validação directa no site do SNS24. Juntei a declaração de início do processo num ficheiro ZIP. Tudo limpo, rastreável e ecologicamente correcto.
A resposta da AT é uma verdadeira obra-prima do surrealismo burocrático.
Informam, muito solenemente, que o e-balcão «não é o meio adequado» e exigem o envio por correio de... uma cópia autenticada do atestado para a Direcção de Serviços de Registo de Contribuintes, na Avenida João XXI. Ou seja: exige-se que um documento que nasceu digital, validado por criptografia de chave pública do próprio Estado, seja impresso em papel, levado a uma Junta de Freguesia ou Cartório para receber um carimbo a tinta, e depois metido num envelope com um selo.
É o apogeu da modernidade: a «digitalização» do Estado funciona tão bem que obriga o cidadão a converter dados binários em celulose, só para que um funcionário possa olhar para um carimbo físico e certificar que aquele ficheiro de computador era mesmo de verdade.
Como já adivinhava o desfecho deste teatro burocrático, não perdi tempo a esperar pela resposta do e-balcão: a papelada selada, carimbada e devidamente santificada pelo correio registado com aviso de recepção já seguiu viagem ontem.
Quanto a responder à AT no e-balcão? Nem vale a pena gastar teclado. O sistema não foi feito para dialogar, foi feito para dar ordens em diferido. O melhor mesmo é deixar o registo público para memória futura: a transição digital em Portugal é fantástica, desde que o papel nunca acabe.
terça-feira, 21 de julho de 2026
O Império do Item e a Humana Arte de Evitar o X,4
Ontem li no blogue Terrear, do sempre atento José Matias Alves (JMA), uma reflexão magnífica sobre a transformação do professor: deixámos de ser avaliadores de provas para passarmos a burocratas classificadores de N itens. O sistema, na sua obsessão de ser impecável nas planilhas de Excel, trocou a validade (saber se o aluno realmente percebe algo da matéria) pela fiabilidade (garantir que dois analfabetos funcionais dêem exactamente a mesma nota ao mesmo pedaço de frase). Aumenta-se o rigor, mas perde-se em justeza e justiça.
A coisa fez-me recuar no tempo. Na minha tese de mestrado em Sociologia, andei a espreitar os exames do 12.º ano do mítico ano de 2001, fixando-me em seis disciplinas para tentar decifrar a "mente professoral". E a distinção era clara: nas plurianuais (Português e Matemática), onde o drama durava três anos, os professores viram-se obrigados a "inventar" a avaliação de ciclo para evitar que uma média aritmética fria resultasse num fatídico 9. Nas anuais (Biologia, Química, Psicologia e IDES), a gestão era outra, mas o objectivo o mesmo: ninguém ficava preso na porta do exame sem poder jogar a sua última cartada.
Claro que o rigor varia com a tribo. As disciplinas de Matemática e Ciências Naturais (MCN) sempre foram notoriamente mais severas do que as de Humanidades e Ciências Sociais (HCS). Nas exactas, aceita-se com naturalidade uma discrepância brutal entre a nota da escola e a do exame. Os professores de ciências, antecipando o massacre habitual da prova nacional, até já davam a nota interna "com desconto para a queda". Era a prevenção da injustiça por via do amortecimento prévio.
Depois, havia o trabalho de campo nos exames. No início da carreira, os colegas mais velhos explicavam-me com pragmatismo o funcionamento do controlo institucional: ninguém iria rever os critérios das respostas de cada questão, mas uma falha na soma das cotações da prova seria detectada no imediato por qualquer auditoria administrativa. Daí o conselho cínico de que a caligrafia servia de filtro rápido para adivinhar a qualidade do texto e que o único erro proibido era o da máquina de calcular. Preferi sempre continuar a ler o que os alunos escreviam, mas adoptei uma regra de ouro preventiva: o X,4 não existia. Deixar um aluno num 9,4 ou num 13,4 era um convite à neuropatia do encarregado de educação e um íman de reapreciações. Nos problemas de cálculo — onde é manifestamente mais simples e elegante "descobrir" mais uma décima perdida na estrutura de um raciocínio —, espremia-se o critério até encontrar a justiça do X,5. Se não dava mesmo, a prova era reajustada para X,3 ou X,2. Uma classificação perigosa é que não podia lá ficar.
Quando os exames nacionais do secundário regressaram, lá por 1997, as perguntas de escolha múltipla eram um detalhe decorativo: 60 em 200 pontos. O resto era reflexão, discurso e raciocínio aberto. Hoje, em nome da adorada "fiabilidade", a estrutura foi devidamente higienizada: 140 em 200 pontos são questões fechadas. Ora, para classificar este tipo de questões em vez de estar a avaliar raciocínios articulados, francamente não vale a pena gastar o tempo nem o salário de um professor. Uma máquina de leitura óptica faz o serviço mais depressa e sem pedir café.
O verdadeiro drama da classificação por itens e da corrida à automação total não é o computador falhar na soma; é que, depois de somados os pontos pelo algoritmo, não resta um único ser humano no processo para introduzir um pingo de humanidade. Ninguém revê a prova globalmente, ninguém espreita o contexto, ninguém salva o coitado que ficou pendurado no X,4.
Resta-nos a esperança de que a Inteligência Artificial, quando tomar conta disto por completo, seja programada com um algoritmo de sensibilidade pedagógica que faça esse reajuste necessário à humanização dos exames. Se for bem treinada, talvez a IA aprenda a evitar o X,4 reintroduzindo a justiça professoral no processo de classificação dos exames. Mas como está, uma vez que os X,4 têm a possibilidade de pedir a reapreciação da prova, também se garante a justiça, com a vantagem de responsabilizar os estudantes pelo requerimento de que a prova seja classificada na sua globalidade.
P.S.: Entretanto, saiu esta notícia no Observador que ilustra perfeitamente o que escrevi acima: Segundo o ministro, existem 2.400 provas que têm 9,4 valores, pelo que é natural que os alunos, perante essa nota, peçam a reapreciação: “De facto, falta uma décima para terem aprovação”
Ler Mais – O Contexto Político da Cegueira Digital
A publicação do artigo acima não é fruto do acaso; é uma resposta directa à urgência do momento que o sistema educativo português atravessa. Numa altura em que o Ministério da Educação está sob fogo cruzado pelas falhas operacionais e logísticas na "revolução digital" da classificação dos exames — com servidores que falham, prazos que derrapam e o caos mediático na publicação das notas —, este texto cumpre uma função essencial: **muda o foco da eficiência do meio para a justeza do fim.**
Enquanto a discussão pública se perde na espuma dos dias sobre se as plataformas informáticas funcionam ou não, é crucial olharmos para o que acontece quando elas funcionam. A cegueira deste processo, tão bem sinalizada por Jorge Morais de Almeida (JMA), reside na eliminação total da sensibilidade pedagógica em prol de uma miragem de "neutralidade tecnológica".
A minha reflexão, ancorada na experiência e na investigação sociológica, procura demonstrar que a justiça da avaliação não se encontra na precisão matemática do algoritmo ou na atomização por itens isolados. Pelo contrário, as estratégias informais e de "justiça preventiva" que os professores sempre usaram — como o combate ético ao fatídico X,4 nas provas limiares ou o "desconto para a queda" inventado pelos professores de ciências — provam que a escola pública só tem sido inclusiva porque os docentes souberam actuar como amortecedores humanos da rigidez burocrática.
Se retirarmos ao professor o seu papel de avaliador soberano e o transformarmos num mero operador de introdução de dados em grelhas de questões fechadas, matamos a validade do próprio exame. A crítica ao Ministro da Educação não deve ser apenas porque as plataformas informáticas vão "abaixo"; deve ser, fundamentalmente, porque a pedagogia e a humanidade da avaliação estão a ser sacrificadas no altar de uma engenharia tecnocrática que confunde rigor com mecanização.
sexta-feira, 26 de junho de 2026
O Milagre da Pirâmide: Como Transformar Privilégio em "Mérito"
Crescemos a ouvir dizer que a vida é uma corrida justa. Que o mercado é um árbitro cego e que, se trabalharmos muito, o topo da pirâmide espera-nos de braços abertos. É uma história lindíssima, daquelas que dão óptimos guiões de Hollywood e discursos inspiradores no LinkedIn. Pena é que, quando se abre a cortina da realidade, o cenário seja ligeiramente mais... hereditário.
Anda por aí a circular no Facebook um texto — abaixo incorporado — daqueles que põe o dedo na ferida e que irrita profundamente a malta que acha que o seu primeiro milhão de euros foi fruto de "acordar às cinco da manhã" (e não do generoso fundo fiduciário do papá). O autor da publicação explicava, e bem, que a nossa pirâmide social está avariada: transformou-se numa máquina onde quem nasce no topo compra o passe VIP para continuar no topo, e quem nasce na base fica condenado a ver o futuro por um canudo.
Se Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron fossem vivos e lessem este texto, provavelmente comentariam a publicação com um valente: "Nós bem avisámos em 1970, mas vocês preferiram continuar a acreditar no Pai Natal da Meritocracia!"
O Truque de Magia Favorito da Direita (e da Escola)
O texto expõe o grande truque de ilusionismo social da direita: convencer toda a gente de que quem está em cima merece e quem está em baixo falhou por pura preguiça. É o cúmulo da sofisticação ideológica. Mas Bourdieu e Passeron foram mais longe e explicaram como a engrenagem funciona no dia-a-dia, apontando o dedo ao maior cúmplice deste crime: o sistema de ensino.
A escola adora posar de santa e neutra. Diz que avalia todos por igual. Mas, na actualidade, ela funciona frequentemente como um exame de natação onde os filhos da burguesia entram de fato de banho e os filhos da classe trabalhadora entram com uma armadura de ferro medieval. Os primeiros herdaram em casa o "capital cultural" — os códigos, a linguagem, as viagens, os livros no armário. Os segundos herdaram a urgência de pagar a renda e a exaustão dos pais.
Quando a escola avalia os dois com a mesma régua, comete o que os sociólogos franceses chamavam de violência simbólica. Transforma uma vantagem à partida (privilégio) num prémio de chegada (mérito). E o pior? O aluno que reprova vai para casa a chorar, achando que a culpa é da sua falta de talento. O sistema não precisa de lhe bater; a própria vítima auto-exclui-se, reconhecendo a "justiça" da sua exclusão. Génio, não é?
A Raiva Desce, o Dinheiro Sobe
Mas a ironia do texto atinge o auge quando descreve a mecânica do populismo: quando as coisas apertam na base, a linha ideológica dominante raramente aponta para o topo; ensina a olhar para quem está ainda mais abaixo.
É o desespero do remediado a odiar o pobre, o pobre nacional a espumar de raiva contra o imigrante, o precário a revoltar-se contra quem recebe apoios sociais. Cria-se uma mini-pirâmide de miséria e preconceito no fundo do poço. Os dominados passam a policiar-se uns aos outros, enquanto os donos do topo assistem ao espectáculo de camarote, vendo o capital acumular-se. Como diz o texto: "a raiva desce na pirâmide [...] e, enquanto a raiva desce, o dinheiro sobe". Bourdieu chamaria a isto a eficácia perfeita da dominação interiorizada.
A Liberdade no Papel não Enche a Barriga
Terminamos com a grande pérola do texto: a desmontagem da "liberdade" abstracta. Dizer que um analfabeto, um sem-abrigo ou alguém preso a um salário de miséria é "livre" porque ninguém o proíbe por lei de comprar um iate, é de um cinismo atroz.
A liberdade real precisa de chão. Precisa de escola pública, de hospitais acessíveis e de direitos laborais que impeçam as pessoas de serem tratadas como meras linhas descartáveis numa folha de Excel.
A nossa economia não devia ser uma religião fundamentalista à qual sacrificamos as nossas vidas. Mas enquanto continuarmos a achar que a pirâmide social reflecte o esforço e não uma engrenagem fria de reprodução de privilégios, continuaremos a lamber as botas que nos esmagam.
Obrigado ao autor do post por resumir a Sociologia da Educação em poucos parágrafos. Bourdieu, onde quer que esteja, de certeza que fez um gosto na publicação.
Axioma da Aceleração Tecnológica
Se algo pode correr mal no desenvolvimento de uma superinteligência, correrá mal no instante exacto em que o modelo optimizar ...
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Quando estava na NOS, podia ver televisão no computador através do site https://nostv.pt , mas a DIGI não tem nenhuma aplicação para a web,...
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