Fica aqui arquivado o documento - Backup do Documento - assinado entre o ME e a FENPROF, que inventou o procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduzido aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação, quando obrigatória e desde que existisse oferta financiada nos termos legais.
ME e Sindicatos clamaram vitória, como se tivessem chegado a alguma coisa. Apenas compreendo que ambos os lados precisassem de salvar a face. O nome que deram ao documento indica bem que apenas se trata de uma declaração de princípios sobre banalidades.
Tendo em consideração esta "simplificação", o trabalho que eu tinha no tempo das "progressões automáticas" era estupidamente excessivo. Ver Relatório Crítico de Actividades - Julho de 1997.
É incrível como as pessoas mudam em função das situações e dos papéis que são chamados a desempenhar. Durão Barroso, passou de jovem maoísta eme-erre-pum-pum a servidor dos interesses americanos, e até descobriu a "utilidade" da Guerra contra o Iraque ;)
Milu, também passou pela escola eme-ele, tendo-se tornado recentemente o expoente máximo da defesa do neoliberalismo na educação. Ver testemunho do professor Raul Iturra e artigo sobre a agenda oculta para a educação.
O texto não representa nenhum acordo, porque o ME continua com a sua agenda, e os Sindicatos voltarão a exigir novas simplificações do DR nº 2/2008. Recorda-se que o Memorando o prevê a abertura de diversos "processos negociais". Neste sentido entenderam-se para uma breve trégua...
Portanto, neste caso, o título do PÚBLICO é enganador:
Paradoxalmente, a imagem transmitida para a opinião pública por ambas as partes é de satisfação com o "trabalho realizado". Só que as posições estavam (e continuam) extremadas... Seria a mesma coisa que no final de um jogo de futebol ganharam ambas as equipas ;)
Os Sindicatos já deixaram o aviso:
domingo, 13 de abril de 2008
sábado, 5 de abril de 2008
Discurso politico lunático
Os políticos utilizam as estatísticas para dizer o que lhes apetece, sem a menor preocupação de coerência entre as suas afirmações e os dados empíricos. Veja-se este exemplo.
Facto:
Comentário do político:
Cada povo tem os políticos que merece! Portugal tem lunáticos que fingem não ver os problemas para se desresponsabilizarem - NÃO É SUPOSTO HAVEREM ARMAS NAS ESCOLAS, E ESSA TAREFA NÃO COMPETE AOS DOCENTES - das suas funções.
Os relatórios e estudos também não servem de base às decisões políticas, nem se estabelece qualquer vínculo entre a realidade que retratam e os decisores políticos.
É assim que se compreendem as afirmações do Procurador Geral da República (PGR) sem qualquer repercussão prática:
O PGR "sabe" o que se passa pelos relatórios, mas não sente seu dever actuar para garantir a segurança... Afinal, nós, comuns mortais não deveríamos saber nada disto porque na opinião dos magistrados, a afirmação...
Lembrei-me da estratégia de uma turma do 7º ano, numa das últimas aulas de substituição. Quando lhes perguntei quantas negativas tinham tido no 2º período, quase nenhum aluno me soube responder. Achei estranho, mas depois fiquei esclarecido. É que não "tinham tido tempo" para ir ver a pauta ;) Aprenderam com os políticos da nossa praça a ignorar os factos para poderem dizer mais livremente os maiores disparates.
Facto:
- De acordo com as participações às forças de segurança, os números registados nos relatórios do Programa Escola Segura ao longo da última década permitem constatar ainda que o número de armas de fogo apreendidas no último ano lectivo (13) foi praticamente igual às armas apreendidas há precisamente dez anos (12). (...)
Comentário do político:
- (...) o secretário de Estado da Administração Interna, Rui Sá Gomes, disse que o número de armas apreendidas nas escolas não tem aumentado. "O número não aumentou, é um fenómeno normal, não houve evolução", disse, defendendo que o Programa Escola Segura é uma resposta "eficaz" ao problema.
Cada povo tem os políticos que merece! Portugal tem lunáticos que fingem não ver os problemas para se desresponsabilizarem - NÃO É SUPOSTO HAVEREM ARMAS NAS ESCOLAS, E ESSA TAREFA NÃO COMPETE AOS DOCENTES - das suas funções.
Os relatórios e estudos também não servem de base às decisões políticas, nem se estabelece qualquer vínculo entre a realidade que retratam e os decisores políticos.
É assim que se compreendem as afirmações do Procurador Geral da República (PGR) sem qualquer repercussão prática:
- "(...) tenho elementos seguros de escolas em que os alunos vão armados com pistolas de 6,35mm ou mesmo de 9mm, para já não falar das facas que são às centenas. Vão de pistola para as aulas e isso desde os seis anos".
O PGR "sabe" o que se passa pelos relatórios, mas não sente seu dever actuar para garantir a segurança... Afinal, nós, comuns mortais não deveríamos saber nada disto porque na opinião dos magistrados, a afirmação...
- (...) pode lançar o pânico nas famílias dos estudantes.
Lembrei-me da estratégia de uma turma do 7º ano, numa das últimas aulas de substituição. Quando lhes perguntei quantas negativas tinham tido no 2º período, quase nenhum aluno me soube responder. Achei estranho, mas depois fiquei esclarecido. É que não "tinham tido tempo" para ir ver a pauta ;) Aprenderam com os políticos da nossa praça a ignorar os factos para poderem dizer mais livremente os maiores disparates.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
27% = 0 para Mariano Gago
Quando cheguei ontem à aula de Economia fui confrontado com a novidade:
- Então professor! Não há desemprego entre os licenciados! Foi o que o Ministro disse...
Sabiam que aquela novidade ia contra as minhas lições, porque o que sempre tinha dito até ali é que a licenciatura garante cada vez menos o emprego. Este post repõe a minha resposta num ambiente mais alargado.
O organismo oficial responsável pelas estatísticas em Portugal é o INE. O quadro abaixo reproduz o quadro que encontrará hoje quem seguir o este link.

Observando o quadro é fácil constatar que segundo os dados mais recentes, relativos ao quarto trimestre de 2007, entre os indivíduos com nível de escolaridade superior, que se encontram no grupo etário abaixo dos 24 anos a taxa de desemprego atinge os 27,4%. No grupo etário dos 25 aos 34 anos o desemprego é menor, mas 11,8% não são nada desprezíveis, sobretudo para as mulheres, cuja taxa de desemprego ultrapassa o dobro da homóloga masculina (14,5% para 7,1%).
Os estudantes de Economia conhecem o conceito de desemprego friccional: um desempregado não encontra imediatamente um novo empregador, assim como um estudante não encontra o emprego que deseja imediatamente depois de concluir o seu curso... mas os valores estimados pelo INE são demasiado elevados para interpretar o desemprego estrutural dos licenciados como se fosse friccional.
As habilitações académicas podem mesmo revelar-se um obstáculo ao emprego, porque na perspectiva dos “empresários” que temos apenas os custos aumentam quando contratam licenciados, mestres ou doutores... O vídeo abaixo mostra alguns casos paradigmáticos de desemprego estrutural.
Mariano Gago já aprendeu umas coisas com o “aluno exemplar” que foi José Sócrates!
- Então professor! Não há desemprego entre os licenciados! Foi o que o Ministro disse...
- O ministro da Ciência e Ensino Superior está convencido de que quase não há licenciados desempregados em Portugal...
Sabiam que aquela novidade ia contra as minhas lições, porque o que sempre tinha dito até ali é que a licenciatura garante cada vez menos o emprego. Este post repõe a minha resposta num ambiente mais alargado.
O organismo oficial responsável pelas estatísticas em Portugal é o INE. O quadro abaixo reproduz o quadro que encontrará hoje quem seguir o este link.

Observando o quadro é fácil constatar que segundo os dados mais recentes, relativos ao quarto trimestre de 2007, entre os indivíduos com nível de escolaridade superior, que se encontram no grupo etário abaixo dos 24 anos a taxa de desemprego atinge os 27,4%. No grupo etário dos 25 aos 34 anos o desemprego é menor, mas 11,8% não são nada desprezíveis, sobretudo para as mulheres, cuja taxa de desemprego ultrapassa o dobro da homóloga masculina (14,5% para 7,1%).
Os estudantes de Economia conhecem o conceito de desemprego friccional: um desempregado não encontra imediatamente um novo empregador, assim como um estudante não encontra o emprego que deseja imediatamente depois de concluir o seu curso... mas os valores estimados pelo INE são demasiado elevados para interpretar o desemprego estrutural dos licenciados como se fosse friccional.
As habilitações académicas podem mesmo revelar-se um obstáculo ao emprego, porque na perspectiva dos “empresários” que temos apenas os custos aumentam quando contratam licenciados, mestres ou doutores... O vídeo abaixo mostra alguns casos paradigmáticos de desemprego estrutural.
Mariano Gago já aprendeu umas coisas com o “aluno exemplar” que foi José Sócrates!
sexta-feira, 28 de março de 2008
Estatísticas da SIDA e sucesso escolar
Como compreender esta anedota?
Resta saber em que condições foram inquiridos os estudantes. No final de alguma festa, após três ou quatro shots teriam uma certa propensão a garantir à inquiridora que o preservativo é dispensável, e até para lhe demonstrarem...
Se outros indicadores vierem confirmar este inquérito, teremos de concluir que o 12º ano não garante realmente nada, nem que o individuo seja capaz de proteger a sua saúde de riscos reais.
- Um em cada dez estudantes universitários de Coimbra acredita que a pílula anticoncepcional protege da infecção por VIH/sida, segundo um inquérito realizado pela investigadora Aliete Cunha-Oliveira, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
PÚBLICO
Resta saber em que condições foram inquiridos os estudantes. No final de alguma festa, após três ou quatro shots teriam uma certa propensão a garantir à inquiridora que o preservativo é dispensável, e até para lhe demonstrarem...
Se outros indicadores vierem confirmar este inquérito, teremos de concluir que o 12º ano não garante realmente nada, nem que o individuo seja capaz de proteger a sua saúde de riscos reais.
quarta-feira, 26 de março de 2008
O critério da avaliação de professores
O critério da avaliação de professores consiste na redução de despesa pública independentemente da forma como venha a ser realizada a dita "avaliação de desempenho".
Portanto cada escola poderá continuar à sua maneira, porque o que realmente interessa é justificar o congelamento da larga maioria que não progredirá, porque a convergência com a União Europeia obriga o Estado português a ser menos generoso para com os seus funcionários.
Fonte: http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/3499C15E-A66E-4BE2-B7BD-326060082699/0/Produtividade_quadros.pdf
Os professores têm o azar de ser muitos, e daí o seu peso na factura do Estado. Os políticos não são tantos, mas têm um peso relativo muito maior. Será possível continuar a proletarizar os professores enquanto se garantem maiores privilégios aos políticos? (Ver assistentes individuais)
- Maria de Lurdes Rodrigues assegura que «tudo se resolverá» e que «a avaliação não está adiada e não está suspensa». A ministra admite, porém que haja uma «simplificação do processo», que pode passar, em algumas escolas, por não haver aulas observadas e por uma alteração dos prazos.
SOL
Portanto cada escola poderá continuar à sua maneira, porque o que realmente interessa é justificar o congelamento da larga maioria que não progredirá, porque a convergência com a União Europeia obriga o Estado português a ser menos generoso para com os seus funcionários.
Fonte: http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/3499C15E-A66E-4BE2-B7BD-326060082699/0/Produtividade_quadros.pdfOs professores têm o azar de ser muitos, e daí o seu peso na factura do Estado. Os políticos não são tantos, mas têm um peso relativo muito maior. Será possível continuar a proletarizar os professores enquanto se garantem maiores privilégios aos políticos? (Ver assistentes individuais)
domingo, 23 de março de 2008
Avaliação dos professores - José Pedro Gomes
Eis um dos "cromos" da TSF mais populares entre os professores.
sábado, 22 de março de 2008
Um Mundo de pecadores
Os sete pecados mortais tradicionais - gula, luxúria, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça – foram actualizadas pela Igreja Católica com mais seis, tendo em mente os novos problemas das sociedades. Escolheram os seguintes: aborto, poluição do ambiente, disparidades na repartição da riqueza, tráfico de droga, pedofilia e experiências de manipulação genética.
Diário de Notícias
É pena que a Igreja não tenha aproveitado o momento de reflexão para actualizar a sua posição relativamente ao aborto, pois certamente já não viverá neste Mundo nenhuma fiel que exclua o recurso a quaisquer meios contraceptivos, como a Igreja insiste em enfatizar:
Com esta insistência, a Igreja demonstra não acreditar na sua capacidade evangelizadora para conseguir o número suficiente de crentes, precisando desesperadamente que os seus fiéis caiam na ratoeira do sexo para se multiplicarem.
A Igreja criou um Universo de prescrições à parte do Mundo. Não pode permitir a utilização de preservativos, úteis para evitar a transmissão de doenças, porque condena imediatamente o indivíduo à luxúria, o pecado capital (principal), que para a Igreja se transforma em ira quando insatisfeita, e sendo o grande Demónio conduz o Homem a todo o mal: prostituição, sodomia, pornografia, incesto, masturbação, pedofilia, avareza, gula, preguiça, etc.
Diário de Notícias
É pena que a Igreja não tenha aproveitado o momento de reflexão para actualizar a sua posição relativamente ao aborto, pois certamente já não viverá neste Mundo nenhuma fiel que exclua o recurso a quaisquer meios contraceptivos, como a Igreja insiste em enfatizar:
- Quanto aos «meios» para actuar a procriação responsável, há que se excluir como moralmente ilícitos tanto a esterilização como o aborto. Este último, em particular, é um abominável delito e constitui sempre uma desordem moral particularmente grave; longe de ser um direito, é antes um triste fenómeno que contribui gravemente para a difusão de uma mentalidade contra a vida, ameaçando perigosamente uma convivência social justa e democrática.
É igualmente de excluir o recurso aos meios contraceptivos nas suas diversas formas: tal rejeição tem o seu fundamento numa concepção correcta e integral da pessoa e da sexualidade humana e tem o valor de uma instância moral em defesa da verdadeira humanização dos povos. As mesmas razões de ordem antropológica justificam, pelo contrário, como lícito o recurso à abstinência periódica nos períodos de fertilidade feminina. Rejeitar a contracepção e recorrer aos métodos naturais de regulação da fertilidade significa modelar as relações interpessoais entre os cônjuges com base no respeito recíproco e no total acolhimento, com reflexos positivos também para a realização de uma ordem social mais humana.
COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA
Com esta insistência, a Igreja demonstra não acreditar na sua capacidade evangelizadora para conseguir o número suficiente de crentes, precisando desesperadamente que os seus fiéis caiam na ratoeira do sexo para se multiplicarem.
A Igreja criou um Universo de prescrições à parte do Mundo. Não pode permitir a utilização de preservativos, úteis para evitar a transmissão de doenças, porque condena imediatamente o indivíduo à luxúria, o pecado capital (principal), que para a Igreja se transforma em ira quando insatisfeita, e sendo o grande Demónio conduz o Homem a todo o mal: prostituição, sodomia, pornografia, incesto, masturbação, pedofilia, avareza, gula, preguiça, etc.
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