sexta-feira, 7 de março de 2008

Intimidação

  • A Direcção Nacional da PSP deu orientações a todos os comandos da PSP do país para que obtenham dados relacionados com o número estimado de pessoas que vão deslocar-se amanhã a Lisboa para a manifestação de professores, número de autocarros envolvidos no transporte e horários previstos de chegada. Uma "recolha de dados" que, segundo um comunicado enviado às redacções, visa "apenas e somente garantir a segurança dos manifestantes" e "facilitar a liberdade de circulação", mas que os sindicatos consideram "completamente inaceitável".
    Jornal de Notícias


Salazar Outrora Caiu. Regressou Agora Transformado Em Sócrates!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Já vale contratar palhaços para falarem publicamente contra os professores?

O oportunismo dos representantes dos pais (CONFAP) também fica mal à Ministra que não olha a meios para ter argumentos contra os professores. A documentação do caso num blogue é clara.

Porque não terá a CONFAP associados, que paguem as suas quotas? É deste modo que funcionam associações de professores, assegurando a sua independência. Resultado: como expressam os anseios dos seus associados podem ser ignoradas ou afastadas do debate pelo Ministério em momentos cruciais.

A CONFAP recebe dinheiro para quê? Também faz estudos de "eduquês"? Precisam de pagar viagens, almoços, estadias nos Hotéis? Que credibilidade tem a sua voz? Expressam-se para defender os pais ou para justificar o subsídio?

O Ministério que nos obrigou a viver nas escolas com um estrangulamento financeiro sistemático - que chega ao racionamento do giz e do papel higiénico - deveria explicar aos contribuintes como justifica este financiamento. Já vale contratar palhaços para falarem publicamente contra os professores?

terça-feira, 4 de março de 2008

É Licenciado? Fala Inglês? Tem conhecimentos de Informática?

Quanto vale uma cunha?


Empresário: Bom dia Sr. Eng., há quanto tempo??!!!
Ministro: Olha, olha, está tudo bem?!
Empresário: Eh pá, mais ou menos, tenho o meu filho desempregado tu é que eras homem para me desenrascar o miúdo.
Ministro: E que habilitações ele tem?!
Empresário: Tem o 12.º completo.
Ministro: O que ele sabe fazer?!
Empresário: Nada, sabe ir para a Discoteca e deitar-se às tantas da manhã!
Ministro: Posso arranjar-lhe um lugar como Assessor, fica a ganhar cerca de 4000, agrada-te?!
Empresário: Isso é muito dinheiro, com a cabeça que ele tem era uma desgraça não arranjas algo com um ordenado mais baixo?!
Ministro: Sim, um lugar de Secretario já se ganha 3000 !...
Empresário: Ainda é muito dinheiro, não tens nada volta dos 500/600 ???
Ministro: Eh pá, isso não, para esse ordenado tem de ser Licenciado, falar Inglês e dominar Informática!!!...

PS - Anedota recebida por mail.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Maria de Lurdes Rodrigues está a suicidar-se

  • Sobre o processo da avaliação a ministra esclarece que, apesar das dificuldades, há escolas que têm "muito trabalho feito e algumas começam já na próxima semana com a observação das aulas".
    PÚBLICO


Algum professor levará a sério as palavras da Ministra? O Decreto Regulamentar nº 2/2008 obrigava à assistência a uma aula de cada professor durante o 2º período. Neste preciso momento faltam duas semanas para as férias começarem. Os instrumentos de avaliação não foram aprovados. Mesmo que se esquecessem as providências cautelares que suspenderam o processo de avaliação, que aulas desejaria Ministra que fossem observadas? Na última semana entregam-se os testes e faz-se a sua correcção. Outra aula é gasta com a auto-avaliação dos alunos. A última semana de cada período é sempre atípica, e nunca deveria ser considerada para recolher informações sobre qualquer professor, senhora Ministra! Os professores sabem isto, e o que disse só a descredibiliza mais ainda, reforçando a "União Nacional". Isto é, MLR, ao continuar a dizer disparates está a suicidar-se.

União Nacional contra Maria de Lurdes Rodrigues


Não vou perder-me nos motivos que os professores têm para se mostrar indignados com a actuação da Ministra da Educação, apesar de pessoalmente ter até motivos adicionais aos que têm sido apontados. Não vale a pena bater mais numa senhora que já está a cair. Porém, importa reflectir sobre os motivos que terão levado à formação desta estranha “União Nacional” contra a Ministra, que inclui todos os sindicatos e partidos – incluindo sectores do PS – bem como uma serie de movimentos “espontâneos”. Como explicar esta unanimidade dos docentes que agora despertou, e que antes estava adormecida? Que bicho lhes mordeu que os pôs a mexer? Estão a maltratar o Deixa-Andar?

Evidentemente que o motivo que desencadeou a cadeia de manifestações que actualmente se vive foi o Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, que estipula como deverá decorrer o processo de avaliação dos professores. Em muitos pontos a Ministra falhou ou não foi hábil num processo delicado, onde as novidades iam surgindo de dia para dia, num trabalho feito em cima do joelho e ao sabor da inspiração de cada dia, oferecendo pretexto a uma assinalável indignação legítima dos professores. Eu tomo a liberdade de me incluir neste conjunto.

Agora quando vejo nos TeleJornais a “União Nacional” contra a Ministra, lembro-me de muitas coisas, ainda de forma desestruturada, mas que gostaria de deixar aqui registadas:

1. Cavaco Silva, enquanto professor de Economia Pública explicava no início dos anos 80 que os professores não precisavam de ser bem remunerados porque eram “professoras”, e se ganhassem melhor poriam em causa o poder dos maridos;

2. Os Licenciados foram aceitando salários mais baixos enquanto docentes, relativamente a outras profissões, porque dispunham de outras regalias, designadamente a ausência de um chefe para aturar e um horário de 22 horas lectivas semanais.

3. As escolas aceitaram todos os Licenciados desempregues até ao dia em que ficaram com as suas vagas preenchidas. A partir do momento em que ficaram "cheias", a sociedade portuguesa começou a conhecer o fenómeno de desemprego entre os Licenciados. A geração que encheu as escolas nunca conheceu o desemprego, mas isso não significa que seja mais competente, apenas teve a vantagem de viver noutra conjuntura económica e social, mas não o reconhece, e luta por direitos adquiridos que são uma miragem para os jovens.

4. Muitos professores colocados nas escolas, conseguem ter tempo para uma segunda actividade, o que é plenamente aceite pelos colegas por “a escola pagar mal”. Evidentemente que nunca têm tempo para ler um mal nem a Web. Alguns terão tido a primeira experiência com a Internet no Concurso para Professores Titulares...

5. A Ministra inventou a estupidez das aulas de substituição, nas quais se transformam os professores em cães de guarda para evitar que o rebanho se tresmalhe. Compreendo que queira segurança nas escolas e poupar dinheiro ao Ministério. Não compreendo que roube aos jovens tempo de convívio e que deixe subtilizados os centros de recursos que actualmente equipam as escolas.
A escola a tempo inteiro agrada às famílias que querem ter os filhos à guarda dos professores, mas traduz-se na sobrecarga destes, sem proveitos para os alunos.

6. A Ministra impôs uma sobrecarga de trabalho a todos, provavelmente na esperança de que aqueles que têm duplo ou triplo emprego abandonassem a escola. Não teve coragem para impedir as acumulações pelo simples controlo das declarações de IRS, e agora ouvirá os seus assobios no momento da saída.

7. A Ministra provavelmente mudou mais a escola em 3 anos que os seus colegas em 30. Tinha ideias fortes e incontestáveis: 1) a necessidade de criação de uma hierarquia; 2) a necessidade de avaliação dos docentes. Estes dois pontos podem parecer pouco, mas representam uma alteração radical da vida das escolas.
Recordo-me no primeiro ano em me foram distribuídas tarefas na escola, as despachei o mais rapidamente que pude. Então deram-me mais trabalho, e fui avisado que se fosse demasiado rápido levaria uma nova dose. Assim me ensinaram que o trabalho na escola “não é para ser feito, é para ir fazendo”. Foi assim que me socializaram no funcionalismo, que nivela todos os professores e obviamente detesta a avaliação. É este espírito que eu vejo na “União Nacional”.

8. A Ministra precisava de um Primeiro-Ministro que a apoiasse contra as corporações profissionais, mas Sócrates não tem legitimidade para isso. Afinal ele nem concluiu a Licenciatura, e pelo menos do ponto de vista académico, importantíssimo para os professores, Sócrates está uns pontos abaixo deles. E como o seu objectivo prioritário é manter-se na chefia do Governo, certamente que sacrificará Maria de Lurdes Rodrigues, (2005-2008).

9. Um aspecto positivo da indignação manifestada é a comparação que os professores fazem entre os seus vencimentos e os de outros servidores de Estado muito melhor remunerados, como os políticos e os juízes. A Internet possibilita hoje o acesso à lista mensal dos aposentados e reformados, logo à entrada do site da Caixa Geral de Aposentações, tornando as desigualdades na repartição do rendimento ilegítimas mais difíceis de suportar, mais intoleráveis. E Portugal tem indicadores vergonhosos segundo os parâmetros europeus quando se observa a distribuição do rendimento, problema que não é acessório quando se debate a educação. As questões andam certamente correlacionadas, porque maior rendimento significa sempre maior liberdade de escolha, e procura-se sempre a qualidade, também na educação.

domingo, 2 de março de 2008

"Perdi os professores, mas ganhei a população"




  • Os alunos portugueses desistiram e chumbaram menos no último ano lectivo em todos os ciclos do ensino básico e no ensino secundário com os números a mostrarem uma diminuição de quase 20 por cento, segundo anunciou o Ministério da Educação.

    (...)

    Quem já mostrou satisfação por estes números foi a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que considerou "notável" a diminuição em quase 20 por cento da taxa de chumbos e retenções no último ano lectivo, atribuindo este resultado ao trabalho desenvolvido pelos professores e pelas escolas.
    RTP


Porém, talvez os elogios da ministra ao trabalho dos professores já tenham vindo tarde demais.

Em vésperas da hiper-mega-super-manifestação marcada para dia 8 estes comentários da Ministra são música para os ouvidos dos professores, que se recordam bem de outro tipo de afirmações:


"Perdi os professores, mas ganhei a população", disse em 20/NOV/2006, e jamais será esquecida.

Dentro do PS, a corrida para a sua cadeira já começou:
  • "Desde o início que nunca houve, da parte desta equipa ministerial, um diálogo construtivo. Acho que este modo muito autoritário e muito seco que a ministra tem adoptado não tem condições porque não se pode governar contra as pessoas". Ana Benavente
    Jornal de Notícias

sábado, 1 de março de 2008

O problema de fundo e o ruído na avaliação dos professores

As manifestações são apenas ruído gerado pelo problema de fundo: a avaliação dos professores. Em termos teóricos são concebíveis dois modelos: a) avaliação interna; b) avaliação externa.

O regime proposto assemelha-se a uma avaliação interna, visto que cada professor será avaliado pelos seus pares. Evidentemente que neste caso a proximidade entre o avaliador e o avaliado pode ser grande. Geralmente este aspecto é apontado como inconveniente porque se crê na avaliação “objectiva” e “imparcial” que exige que o avaliador esteja a milhas do avaliado… Preferencialmente, seria como nos exames, o anonimato asseguraria a independência! Pensamos assim porque estamos viciados neste padrão de pensamento.

A alternativa a este modelo é o ME designar um júri externo – imaginemos professores universitários – que cai de pára-quedas um dia na escola para avaliar os professores, faz o seu trabalho e desaparece. Por nos desconhecerem é que seriam “objectivos” e “independentes”? Creio que não. O seu poder seria certamente mais arbitrário porque não responderiam perante ninguém.

No modelo proposto ainda tenho algum controlo sobre os avaliadores, porque os conheço, e eles não podem tomar decisões arbitrárias porque vão continuar nas escolas, precisam de manter a sua consciência tranquila e quererão usufruir do reconhecimento da comunidade escolar, o que apenas conseguirão com decisões justas.

Foram cometidos muitos atropelos, e estão a ser impostas muitas coisas que não fazem sentido, mas convém que na base do modelo de avaliação dos professores continuem os seus pares, contrariamente a muita opinião publicada.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...