Acalmem-se, jovens e inquilinos! A paciência acabou e a justiça social finalmente chegou ao mercado de arrendamento.
Com um Governo e uma maioria parlamentar que, entre eles, contam com um "modesto" património de 55,6 milhões de euros em imóveis, mais de 800 mil euros anuais em rendimentos prediais declarados e participações em dezenas de empresas do sector imobiliário, podemos ficar totalmente descansados: a reforma da lei da habitação está em mãos absolutamente insuspeitas e desinteressadas!
Com tanto conhecimento "de causa" e "no terreno", eis as medidas revolucionárias que certamente podemos esperar para resolver a crise das casas:
Aumentos de Renda Cívicos e Ilimitados: Afinal, limitar rendas é tão ultrapassado! O mercado livre precisa de respirar. Se a renda subir 300%, encare isso como um incentivo pedagógico para trabalhar mais horas ou procurar um segundo (ou terceiro) emprego.
Direitos dos Inquilinos? Um Luxo Desnecessário: Para quê tanta burocracia para despejar alguém ou ajustar preços? Menos direitos para quem vive na casa significa mais paz de espírito para quem cobra a renda ao fim do mês.
Isenções Fiscais para Quem Mais Precisa (os Senhorios, claro!): Nada como garantir que quem declara mais de 100 mil euros por ano em rendas tenha uma folguinha nos impostos. Afinal, ser proprietário de dezenas de imóveis exige um sacrifício enorme que devia ser recompensado pela pátria!
Ouvir as Ruas? Jamais! Como bem prometeu o Governo, o "grito das ruas" e as acampadas de jovens não vão perturbar este belo trabalho legislativo. Para quê ouvir quem procura casa quando se pode consultar pareceres de associações de proprietários onde os próprios líderes partidários são sócios?
Tudo pensado ao pormenor, com a máxima empatia de quem sabe perfeitamente o que é ter de escolher entre pagar a renda ou fazer compras no supermercado... ou talvez não! 🔑💸
Fonte: Público.
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