Parece que encontrámos o segredo da imortalidade processual: a renúncia rotativa. O plano é de uma simplicidade brilhante e digna de um argumento de Hollywood (ou de uma comédia de costumes lusa).
A Dança das Cadeiras: Desde o final de 2025, os advogados de José Sócrates entram e saem do processo com a rapidez de quem atravessa uma porta giratória. Primeiro foi o "simulacro", depois a saúde, e agora o "não tive tempo para ler o dossier".
O "Speed Dating" Jurídico: Os novos defensores aceitam o fardo sabendo que o tribunal só dá 10 dias de estudo, mas — surpresa das surpresas! — desistem pouco depois porque... o tribunal só dá 10 dias de estudo. É um choque de realidade que ocorre com a pontualidade de um relógio suíço.
A Vitória pela "Cansada": Enquanto o tribunal nomeia defensores oficiosos (que o arguido rejeita com o desdém de quem devolve um prato frio num restaurante), o calendário avança. O objetivo não é o banco dos réus, é o calendário de 2026: onde as prescrições brilham como o pote de ouro ao fim do arco-íris.
O Labirinto Perfeito: No nosso sistema, o advogado é livre de sair, o arguido é livre de escolher e o processo é obrigado a parar. É o "xeque-mate" legal onde ninguém ganha, exceto o tempo.
A Solução na Prateleira: A Ministra da Justiça até quer multar estas "manobras", mas, como as leis não retroagem para salvar o que já está perdido, Sócrates poderá continuar a sua coleção de procurações revogadas até que o crime se apague por velhice.
Depois de 12 anos de investigação, acusação e instrução, o julgamento da Operação Marquês começou em Julho de 2025. As trocas de advogado já provocaram uma paragem de cerca de dois meses. O tribunal tenta correr, mas a defesa inventou o atrito infinito até à prescrição final. Sócrates é quem melhor conhece o processo e as normas da justiça portuguesa, pelo que se justificaria, ser nomeado como seu próprio advogado.

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