Já saíram à rua mais de 10 mil professores
Isabel Leiria
Acesso à categoria de titular, avaliação e alterações à gestão escolar são alguns dos motivos na origem dos protestos desta semana
Ao longo de três anos de governo, a actual equipa do Ministério da Educação já enfrentou greves em época de exames nacionais, a maior manifestação de professores dos últimos 25 anos, vigílias à porta da 5 de Outubro, semanas de luta. Mas nunca como agora a contestação às políticas educativas foi tão intensa.
Numa semana, desde o protesto de sábado passado no Porto até ontem em Aveiro, mais de dez mil docentes saíram às ruas, em diferentes cidades, de acordo com as contas dos sindicatos, movimentos e polícia. E continuarão, a um ritmo quase diário, até 8 de Março, data da "marcha de indignação dos professores".
Inicialmente promovidos por sindicatos afectos à Fenprof (à excepção da concentração no Porto, convocada por SMS, mails e blogues, sem que se tenha tornado pública a sua origem), os protestos têm ganho dimensão com ajuda da promoção feita em páginas na Internet dedicadas à educação e ao "passa SMS" entre milhares de colegas que se sentem "atacados" como nunca. Vários manifestam-se pela primeira vez e muitos têm-se juntado em torno de movimentos cívicos que, em um mês, se transformaram em novos protagonistas da contestação.
Os movimentos
Movimento dos Professores em Luta, Movimento dos Professores Revoltados, Defende a Profissão, Em Defesa da Escola Pública são apenas alguns exemplos de grupos docentes à margem das organizações sindicais e que se assumem como apartidários. "Há um mal-estar social que não atinge apenas os professores. E a tensão que se vive nas escolas levou as pessoas a procurar formas de expor os seus receios. Daí a criação de movimentos cívicos por todo o lado", diz o professor de História Vitorino Guerra, um dos fundadores do movimento Em Defesa da Escola Pública. Na sua primeira reunião, em Leiria, contou com 160 docentes. Semanas depois juntaram-se oito centenas.
"Parecia-nos que as organizações sindicais não estavam a mobilizar-se, em termos de acções de luta, de forma eficaz e que a sua ligação às escolas estava um pouco suspensa. Foi isso que nos levou a criar um movimento paralelo e complementar dos sindicatos", explica Mário Machaqueiro, promotor da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino, que reúne vários movimentos cívicos.
Nas escolas têm sido vários os conselhos pedagógicos e executivos a aprovar declarações de repúdio, particularmente em relação à avaliação. Da esquerda à direita chovem críticas dos partidos a todos os diplomas que vão sendo aprovados. E nem as recentes palavras de elogio ao "esforço" da classe que se têm ouvido a José Sócrates e à ministra da Educação parecem já servir para apaziguar os ânimos.
Manuela Teixeira, a ex-dirigente que esteve 25 anos à frente da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, diz mesmo não se recordar de nenhum momento de contestação como o que se está a viver por estes dias (ver texto nestas páginas).
"Processo viciado"
Na opinião de Vitorino Guerra, o agravamento do mal-estar aconteceu com o concurso para professor titular (a mais alta categoria prevista no novo estatuto). "Geraram-se injustiças terríveis e a partir daí o processo ficou viciado." "O discurso é o do mérito. Mas não houve avaliação da qualidade da prática pedagógica, nem dos conhecimentos técnico-científicos", justifica. Como o concurso só valorizou o percurso dos professores nos últimos sete anos, tudo o que foi feito para trás não contou. E, como se realizou ao nível da escola, houve professores de escalões mais elevados e com pontuações superiores ultrapassados por outros. Alguns ficaram excluídos por um ponto, exemplifica este professor.
O decreto regulamentar da avaliação dos professores e o novo modelo de gestão escolar, aprovados já este ano, acabaram por se tornar na gota de água. Sobre a avaliação disparam-se críticas em várias direcções. Desde o calendário escolhido pelo ME - as escolas foram chamadas, a meio do 2.º período, a elaborar os instrumentos de medida da avaliação, a adaptar os documentos internos e a definir com os professores os objectivos para este ano lectivo e o próximo - aos critérios previstos. "O professor surge como o único responsável pelo sucesso dos alunos, como se não houvesse outras variáveis sócio-culturais e económicas", exemplifica Vitorino Guerra.
Sobre a gestão questiona-se a "democraticidade" de um sistema em que muitos poderes são concentrados num director, que escolhe os coordenadores dos departamentos e avalia os professores.
Mário Machaqueiro pergunta, por seu turno, por que razão se invoca a necessidade de reforçar as lideranças com este modelo de gestão, quando, de acordo com a Inspecção-Geral da Educação, 83 por cento de 100 escolas avaliadas merecem uma classificação de bom ou muito bom e 90 por cento obtiveram a mesma nota na organização e gestão.
Álvaro dos Santos, presidente do Conselho das Escolas, admite que a contestação é "inelutável", mas, pessoalmente, considera que alguma está a ser "empolada". Como presidente deste órgão consultivo garante que vai continuar a "fazer tudo para que as escolas tenham condições efectivas para fazer bem o seu trabalho".
16 de Fevereiro
Dezenas de pessoas, convocadas por SMS, manifestam-se à porta da sede do PS em Lisboa, quando Sócrates se reunia com docentes socialistas
23 de Fevereiro
Mais de dois mil juntam-se no Porto, Leiria e Caldas da Rainha
26 de Fevereiro
Três mil professores desfilam em Coimbra. Nos dias seguintes protestos em Viseu, Guarda e Castelo Branco juntaram mais de cinco mil
Plataforma espera mais de 25 mil em Lisboa
Sindicatos recorrem a Cavaco Silva
Perante o que considera ser um "quadro de grande instabilidade nas escolas" e a "panela de pressão" em que se transformou o sistema educativo, a plataforma sindical que reúne as dez organizações representativas da classe considera que é "fundamental, urgente e inadiável" a intervenção do Presidente da República. "Vamos pedir uma audiência ao Presidente da República, para que fique na posse de todos dados sobre o que se passa na Educação. Respeitaremos a sua decisão, mas queremos prestar todos os esclarecimentos", anunciou ontem Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof.
Sobre a "marcha da indignação", marcada para dia 8 de Março e que contará com o apoio de todos os sindicatos, da Associação Nacional dos Professores, estando aberta a todos os docentes, sublinhou Mário Nogueira, as expectativas são grandes. "Esperamos, no mínimo, tantos como os que estiveram na última manifestação [25 mil, em Outubro de 2006]. O largo fronteiriço à Assembleia da República seria demasiado pequeno", explicou ainda Mário Nogueira, justificando assim a alteração de percurso, que se iniciará no Marquês de Pombal e terminará na Praça do Rossio. "O primeiro-ministro vai perceber que a contestação às políticas do ME não são uma invenção dos sindicatos", disse.
Por considerar o momento actual "politicamente gravíssimo", Mário Nogueira entende que esta seria também a altura de marcar a reunião "há muito pedida" com José Sócrates, de forma a discutir "cara a cara" a resolução da situação. I.L.
Ontem o protesto foi em Aveiro
Maria José Santana
"Maria de Lurdes dá-me a tua camisola." O pedido estava escrito num dos vários cartazes exibidos pelos mais de 2000 professores que ontem à noite se manifestaram nas ruas de Aveiro. "No futebol toda a gente quer a camisola do seu ídolo. Como admiro muito a ministra, quero a camisola dela", explicava Teixeira Homem, o autor da irónica mensagem. Com mais de 30 anos de serviço na docência, este professor da Escola Secundária Jaime Magalhães Lima, em Esgueira, no concelho de Aveiro, garante ter realizado ontem a sua estreia em manifestações de protesto. "Porquê agora? Porque nenhum outro governo havia tratado tão mal os professores", asseverou.
Maria José Tavares, professora do primeiro ciclo, na Gafanha da Nazaré, em Ílhavo, também garantiu ser uma estreante em acções de protesto, apesar de já contar com 30 anos de serviço. "Estou contra tudo. É muito injusto ter já todo este tempo de serviço, estar com 52 anos, e saber que só saio aos 65 anos", relatou. À medida que vai falando, Maria José não consegue parar a enunciação dos motivos do seu descontentamento. "Vou ser avaliada por colegas que têm muito menos anos de serviço do que eu, que não têm prática nenhuma", apontou. Logo a seguir deixa o desabafo: "Obrigam-nos, agora, a preencher uma série de papelada, burocracias, e ficamos sem tempo para preparar as aulas. Eu tirei um curso para ensinar crianças e não para preencher papéis."
A manifestação que ontem tomou conta da principal artéria de Aveiro, e que foi convocada pela Fenprof, aconteceu uma semana depois de uma marcha de protesto de professores ter percorrido as ruas da cidade da ria, no âmbito de um movimento espontâneo, nascido na Escola Básica Integrada (EBI) de Eixo, no concelho de Aveiro. Há um mês, os docentes começaram a ir para esta escola vestidos de negro, em sinal de luto, e, rapidamente, passaram a sua luta para as ruas. Primeiro, com uma pequena concentração à porta da EBI de Eixo, no dia 14. Uma semana depois, e já com a participação de mais de uma centena de colegas de outras escolas da região - convocados por e-mail e SMS -, desfilaram ao longo da Avenida Dr. Lourenço Peixinho rumo ao Governo Civil, no mais completo silêncio e à luz das velas.
António Morais, responsável pelo movimento de docentes de Eixo, e autor de um manifesto e uma carta aberta a todos os professores, declarou ao PÚBLICO que, ontem, já estava a assinalar o 31.º dia de luto. E fez questão de deixar um aviso a José Sócrates: "Estes professores não são todos comunistas, nem sindicalistas e muito menos professorzecos." Já para a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, dirigiu a acusação de que está a fazer com que a educação fique "em cacos". "É muito boa a decidir, mas muitas vezes decide mal. Mas é péssima a motivar e seria uma péssima professora", referiu António Morais - uma declaração que foi fortemente aplaudida pelos manifestantes.
"Será muito difícil travar este movimento"
Reuniões pela madrugada fora. Plenários cheios. Greves "daquelas que fechavam escolas". Manifestações - a 18 de Novembro de 1988, por exemplo, saíram 20 mil à rua em Lisboa, nas contas da Fenprof. Os anos de 1988, 89 e 90 marcam um dos períodos de maior contestação da classe docente nas duas últimas décadas. A ex-sindicalista Manuela Teixeira recorda esse tempo em que dirigia a Federação Nacional dos Sindicatos de Educação (FNE) e em que o Estatuto da Carreira Docente proposto pelo então ministro da Educação Roberto Carneiro (Cavaco Silva era primeiro-ministro) desencadeou uma irritação geral. Mas, ao contrário do que se tem passado por estes dias, nessa altura os sindicatos tinham o monopólio da organização dos protestos. Hoje não é bem assim. E "será muito mais difícil travar este movimento" de contestação que está em curso, acredita.
Manuela Teixeira - que durante 25 anos esteve à frente da FNE e hoje se dedica ao ensino - justifica esta afirmação não só pelo número de professores que estão a manifestar-se todos os dias, como sobretudo pelas características dos protestos.
As greves
É certo que não há greves sucessivas - como as que os professores fizeram em alguns momentos nos últimos 20 anos. Em 1991, por exemplo, os professores decidiram faltar alternadamente às reuniões de avaliação (num dia só paravam os de Inglês, noutro os de Matemática e assim sucessivamente), para exigir os aumentos salariais que o Governo tinha prometido. E, em 1995 (era ministra Manuela Ferreira Leite), várias greves de docentes do ensino superior impediram que milhares de alunos fizessem provas específicas. Agora, diz Teixeira, "os professores ponderam 20 vezes antes de fazer uma greve, porque as greves mexem muito no bolso, os seus salários não têm sido aumentados e muitos têm cônjuges no desemprego."
O que não significa um movimento menos forte. "Dantes sentíamos revolta", diz. "Hoje, os professores sentem-se desrespeitados, há um sentimento de desespero." Mas há ainda um outro factor que distingue o momento que se vive: "O Governo teve a preocupação de dispersar os sindicatos, que foram quem sempre mobilizou a luta dos docentes" e quem assumiu o papel de interlocutor do executivo. Se, no passado, após um período de contestação, havia acordos entre ministério e sindicatos, os sócios destes últimos aceitavam o acordado. Agora, quando são grupos de docentes a, espontaneamente, marcar vigílias e marchas, "será muito mais difícil travar este movimento, porque o Governo não tem interlocutores". Andreia Sanches
1988 e 1989: Os professores recusam passar a receber menos do que os técnicos superiores da função pública, contestam o Estatuto da Carreira Docente e exigem uma gestão democrática das escolas. Há manifestações e greve. Roberto Carneiro é o ministro da Educação
1990: A prova de acesso ao 8.º escalão, último grau da carreira docente, gera grande contestação
1998: Sindicatos unem-se para reclamar nas ruas a redução da carreira docente para 25 anos. Marçal Grilo é o ministro da Educação
2000: Várias acções de luta alertam para o desemprego dos professores. O ano começa com a ocupação de centros
de emprego. Guilherme
d"Oliveira Martins é o ministro da Educação
2005: Federação Nacional da Educação (FNE) e Fenprof convocam quatro dias de greve aos exames nacionais do 9.º e 12.º anos. Contestam o congelamento das progressões automáticas e o aumento da idade da reforma
2006: A manifestação de professores do dia 5 de Outubro junta um número considerado recorde de docentes - 25 mil. Mais uma revisão do Estatuto da Carreira Docente está no centro da polémica. A avaliação dos professores é dos pontos mais contestados.
PS - Eu não teria copiado os textos se a política do jornal PÚBLICO fosse manter os artigos online, caso em que apenas faria os respectivos links.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Mais uma injustiça: Aos professores da Madeira não se aplicam quotas nem a carreira conhece diferentes categorias!
Incrível!
Que lógica tem isto? Alguém será capaz de explicar?
- De acordo com o Estatuto, não é exigida uma prova de avaliação de conhecimentos e competências para o ingresso na carreira, não há hierarquização da carreira em duas categorias (professor e professor titular) e não há quotas no escalão máximo (oitavo) da carreira docente (no Continente, foi estabelecido um limite de Professores Titulares por escola).
Correio da Manhã
Que lógica tem isto? Alguém será capaz de explicar?
26/Fev - Manifestação em Coimbra
O número considerável de participantes, com mais gente do que a própria organização previa, veio demonstrar o descontentamento pelas políticas educativas. Diário de Coimbra
Do meu ponto de vista é pena que a FENPROF se entretenha agora com a exigência do pagamento de uns trocos [Minuta do Requerimento], como se estas "aulas" tivessem sido um serviço prestado digno desse nome. Creio que a denúncia das aulas de substituição deveria continuar, porque o "trabalho" do professor nessas aulas continua a ser mesmo: tal como o cão pastor evita que o rebanho tresmalhe, o professor mantêm os alunos fechados na sala de aula, em prejuízo do seu convívio e da subutilização dos centros de recursos, bibliotecas mais sofisticadas que as que seus pais conheceram, porque equipadas com computadores e outros recursos multimédia.
A posição dos professores é ambígua neste aspecto, porque apesar de terem consciência da inutilidade pedagógica da tarefa, sempre sonharam obter por via judicial um acréscimo do vencimento do qual se encontram dependentes. Mas porque razão esse pagamento só será feito até Janeiro de 2007? Só porque entrou em vigor Estatuto da Carreira Docente que ente outras aberrações integrou as aulas de substituição na componente não lectiva???? Acho que os professores se deixam socratear facilmente ;)
Do meu ponto de vista é pena que a FENPROF se entretenha agora com a exigência do pagamento de uns trocos [Minuta do Requerimento], como se estas "aulas" tivessem sido um serviço prestado digno desse nome. Creio que a denúncia das aulas de substituição deveria continuar, porque o "trabalho" do professor nessas aulas continua a ser mesmo: tal como o cão pastor evita que o rebanho tresmalhe, o professor mantêm os alunos fechados na sala de aula, em prejuízo do seu convívio e da subutilização dos centros de recursos, bibliotecas mais sofisticadas que as que seus pais conheceram, porque equipadas com computadores e outros recursos multimédia.
A posição dos professores é ambígua neste aspecto, porque apesar de terem consciência da inutilidade pedagógica da tarefa, sempre sonharam obter por via judicial um acréscimo do vencimento do qual se encontram dependentes. Mas porque razão esse pagamento só será feito até Janeiro de 2007? Só porque entrou em vigor Estatuto da Carreira Docente que ente outras aberrações integrou as aulas de substituição na componente não lectiva???? Acho que os professores se deixam socratear facilmente ;)
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Os piores cegos são os que não querem ver
O processo de avaliação [de desempenho dos professores] "está em campo e continua dentro da normalidade", disse Maria de Lurdes Rodrigues. Ler mais?
Em que país vive esta sra?
Em que país vive esta sra?
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
23/Fev - Manifestação no Porto - Os motivos da indignação
A Manifestação no Porto foi convocada por sms's, e-mail's, blogues difundidos um pouco por toda a rede - uma originalidade - de modo que ninguém é capaz de identificar quem a convocou ;)
Como não foram respeitadas as formalidades previstas na lei, a manifestação foi ilegal. Iniciativas deste género deverão brevemente multiplicar-se noutras áreas devido à crescente penetração das tecnologias na vida das pessoas. Os legisladores devem ficar atentos ao fenómeno, para poderem adaptar a lei às novas circunstâncias.
Segundo o PÚBLICO, foram mais de 2.000 os professores que manifestaram no Porto contra a política educativa do Governo, à margem das suas estruturas representativas.
Para compreender os motivos da indignação, faça o download dos seguintes documentos:
Como não foram respeitadas as formalidades previstas na lei, a manifestação foi ilegal. Iniciativas deste género deverão brevemente multiplicar-se noutras áreas devido à crescente penetração das tecnologias na vida das pessoas. Os legisladores devem ficar atentos ao fenómeno, para poderem adaptar a lei às novas circunstâncias.
Segundo o PÚBLICO, foram mais de 2.000 os professores que manifestaram no Porto contra a política educativa do Governo, à margem das suas estruturas representativas.
Para compreender os motivos da indignação, faça o download dos seguintes documentos:
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Decreto Regulamentar nº 2/2008
Segue-se um esquema com a indicação das fases e do que importa considerar na avaliação individual dos docentes, segundo o Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Nova palavra no dicionário - Socratear
Proposta de entrada para o dicionário que me chegou por mail:
*SOCRATEAR .* [Do analfabeto SÓCRATES]: Verbo totalmente irregular de estranha conjugação. 1. Ocultar ou encobrir com astúcia e safadeza; disfarçar com a maior cara de pau e cinismo. 2. Não dar a perceber, apesar de ululantes e genuínas evidências; calar. 3. Fingir, simular inocência angelical. 4. Usar a dissimulação; proceder com fingimento, hipocrisia. 5. Ocultar-se, esconder-se, fugir da responsabilidade e às perguntas incómodas. 6. Atingir sempre o amigo ou inimigo mais próximo, sem dó nem piedade (antes ele do que eu). 7. Encobrir, disfarçar, negar sem olhar para as câmaras e nos olhos das pessoas. 8. Fraudar, iludir 9. Afirmar coisa que sabe ser contrária à verdade, acreditar que os fins justificam os meios. 10. Viajar com dinheiro público.
Duas socratenices:
- A Licenciatura na farinha amparo
- As casinhas de estilo abarracado
*SOCRATEAR .* [Do analfabeto SÓCRATES]: Verbo totalmente irregular de estranha conjugação. 1. Ocultar ou encobrir com astúcia e safadeza; disfarçar com a maior cara de pau e cinismo. 2. Não dar a perceber, apesar de ululantes e genuínas evidências; calar. 3. Fingir, simular inocência angelical. 4. Usar a dissimulação; proceder com fingimento, hipocrisia. 5. Ocultar-se, esconder-se, fugir da responsabilidade e às perguntas incómodas. 6. Atingir sempre o amigo ou inimigo mais próximo, sem dó nem piedade (antes ele do que eu). 7. Encobrir, disfarçar, negar sem olhar para as câmaras e nos olhos das pessoas. 8. Fraudar, iludir 9. Afirmar coisa que sabe ser contrária à verdade, acreditar que os fins justificam os meios. 10. Viajar com dinheiro público.
Duas socratenices:
- A Licenciatura na farinha amparo
- As casinhas de estilo abarracado
SEDES - Uma referência
Quando a anomia reina, é importante poder contar com referências sólidas. Fica neste post um breve destaque para a última tomada de posição da SEDES:
A SEDES "escreve" bem à distância do debate político, mas convém não esquecer que se encontram lá reunidos quase todos os ex-Ministros das Finanças, talvez com alguma sede...
Vivemos numa democracia semi-parlamentar, com Presidente e Governo de cores diferentes, mas entendem-se tão bem que o seu relacionamento já entrou no anedotário nacional.
Quem diria que Cavaco Silva um dia extrapolou a Lei de Gresham da economia monetária para a política? Ele bem insinuou, agora está a explicar como os maus políticos expulsam os bons.
A SEDES "escreve" bem à distância do debate político, mas convém não esquecer que se encontram lá reunidos quase todos os ex-Ministros das Finanças, talvez com alguma sede...
Vivemos numa democracia semi-parlamentar, com Presidente e Governo de cores diferentes, mas entendem-se tão bem que o seu relacionamento já entrou no anedotário nacional.
Quem diria que Cavaco Silva um dia extrapolou a Lei de Gresham da economia monetária para a política? Ele bem insinuou, agora está a explicar como os maus políticos expulsam os bons.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Uma pedra no sapato de Sócrates
Sócrates não tem legitimidade para impor a avaliação dos professores, porque qualquer um destes fez uma licenciatura a séria, enquanto a sua lhe saiu na farinha amparo. Atente-se na seguinte observação:
Explicando-me melhor. Tem legitimidade política porque o seu partido obteve o numero suficiente de votos. Não tem legitimidade moral porque o seu comportamento e as suas atitudes são largamente condenáveis e nada exemplares. Como as propostas do PS e do PSD dificilmente se distinguem, porque a política de fundo é a mesma, o carácter das pessoas tornou-se particularmente importante para avaliar as suas propostas. A sorte de Sócrates é que do lado da oposição também não se apresenta ninguém sem telhados de vidro.
- A avaliação do desempenho dos professores é a referência mais recente e persistente na demagogia do discurso de Sócrates. Com a arrogância que lhe conhecemos, tem falado dela com a mesma ligeireza com que projectou vivendas sobre estábulos ou prestou provas de licenciatura por fax.
Santana Castilho,PÚBLICO, 20/Fev/2008
Explicando-me melhor. Tem legitimidade política porque o seu partido obteve o numero suficiente de votos. Não tem legitimidade moral porque o seu comportamento e as suas atitudes são largamente condenáveis e nada exemplares. Como as propostas do PS e do PSD dificilmente se distinguem, porque a política de fundo é a mesma, o carácter das pessoas tornou-se particularmente importante para avaliar as suas propostas. A sorte de Sócrates é que do lado da oposição também não se apresenta ninguém sem telhados de vidro.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo
Depois de terem vomitado tantos diplomas imbecis, é fácil que o ME possa agora ceder nalguns pontos para a Ministra tentar salvar a sua face. Sócrates quer fazer da Maria de Lurdes uma bandeira do PS, mas esta não deixa de apresentar argumentos trapalhões, quando responde às perguntas. Eis um exemplo:
Outra técnica que aprendeu com o Mestre [Sócrates] consiste em não responder às perguntas, mudando de assunto, como se verifica no final da notícia "Trapalhada" na avaliação admitida pelo ministério.
Outra técnica que aprendeu com o Mestre [Sócrates] consiste em não responder às perguntas, mudando de assunto, como se verifica no final da notícia "Trapalhada" na avaliação admitida pelo ministério.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
23/Fev - 10:30 Caldas da Rainha - Movimento de Professores Revoltados
- No dia 23 DE FEVEREIRO (sábado) temos que ir todos às CALDAS DA RAINHA.
Vai-se realizar a Assembleia-Geral onde se vão discutir e aprovar os estatutos, o programa de acção e os corpos dirigentes de uma organização nacional de professores �
RESERVA JÁ O TEU LUGAR NO AUTOCARRO ENVIANDO UM E-MAIL COM OS TEUS DADOS ( NOME / EMAIL / ESCOLA / TELEMÓVEL) PARA O LOCAL DE SAÍDA (NORTE OU SUL).
Pelo que se pode ler no extracto o mail proveniente do Movimento de Professores Revoltados, este pretende criar uma "organização nacional de professores".
Irei ficar atento aos autocarros, porque se for criada uma nova estrutura nacional efectivamente representativa de muitos docentes, isso revelará o descrédito dos sindicatos e das actuais associações.
O local foi muito bem escolhido. As Caldas possuem exactamente o simbolismo necessário para a crítica do "eduquês" que nos deseduca.
Professores de Sintra...
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Sócrates apupado em manifestação de professores convocada por sms
Os tempos mudaram e os professores aprenderam com os hooligans as suas estratégias de mobilização, convocando de um dia para o outro, por sms...
e
Sócrates não decidiu ouvir as bases sobre a política da educação em curso, porque esse caminho seria demasiado perigoso. Preferiu seleccionar entre os militantes do seu partido, aqueles que estavam dispostos a ouvi-lo e a segui-lo como líder.. Outro truque de selecção está na dimensão da sala, pois com este tema seria possível encher uma sala de teatro ;) Aqueles mal comportados que dizem ter votado PS em Fevereiro de 2005 mas que não votariam PS agora não contam. Esta é a qualidade da nossa democracia. As avaliações pontuais que a caracterizam de quatro em quatro anos evidenciam as suas virtudes, mas simultaneamente, quando no ciclo político parece arrastar-se um "ditadorzeco" essa parece ser a sua maior limitação.
e
Sócrates não decidiu ouvir as bases sobre a política da educação em curso, porque esse caminho seria demasiado perigoso. Preferiu seleccionar entre os militantes do seu partido, aqueles que estavam dispostos a ouvi-lo e a segui-lo como líder.. Outro truque de selecção está na dimensão da sala, pois com este tema seria possível encher uma sala de teatro ;) Aqueles mal comportados que dizem ter votado PS em Fevereiro de 2005 mas que não votariam PS agora não contam. Esta é a qualidade da nossa democracia. As avaliações pontuais que a caracterizam de quatro em quatro anos evidenciam as suas virtudes, mas simultaneamente, quando no ciclo político parece arrastar-se um "ditadorzeco" essa parece ser a sua maior limitação.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
A Ministra da Educação pode ser avaliada pelo seu desempenho?
A Ministra da Educação pode ser avaliada pelo seu desempenho? Pelos vistos não. Atente-se na sua "brilhante" afirmação, com a qual começa a reconhecer o seu falhanço na implementação de um sistema de avaliação dos professores:
Vale a pena ler a entrevista completa, porque está recheada de anedotas. Segundo a Ministra a exclusão dos professores da presidência do Conselho Geral "foi uma solicitação das escolas para que não haja duas caras e dois rostos a representar a escola na sua dimensão mais pedagógica".
Mais uma. Alguém entende o que é um despacho da tutela "que nem sequer tinha carácter vinculativo forte"?
Se a deixassem eternamente culpabilizar os outros pelos seus insucessos, e continuar a inventar explicações completamente lunáticas, esta senhora bem poderia continuar a ser Ministra até cair da cadeira... Felizmente vivemos num país democrático, e o PS tem de começar a pensar no seu eleitorado...
- A avaliação será aquilo que os professores e as escolas quiserem que sejam. Ela é um mero instrumento indicativo para as escolas. Se o utilizarem bem, se o colocarem ao serviço da distinção e do reconhecimento do mérito poderá servir para isso. Se tiver reacções críticas, se as pessoas não quiserem ser avaliadas e não quiserem que os outros sejam avaliados não há nada a fazer: esta avaliação será igual à que anteriormente tínhamos. PÚBLICO, 12/FEV/08
Vale a pena ler a entrevista completa, porque está recheada de anedotas. Segundo a Ministra a exclusão dos professores da presidência do Conselho Geral "foi uma solicitação das escolas para que não haja duas caras e dois rostos a representar a escola na sua dimensão mais pedagógica".
Mais uma. Alguém entende o que é um despacho da tutela "que nem sequer tinha carácter vinculativo forte"?
Se a deixassem eternamente culpabilizar os outros pelos seus insucessos, e continuar a inventar explicações completamente lunáticas, esta senhora bem poderia continuar a ser Ministra até cair da cadeira... Felizmente vivemos num país democrático, e o PS tem de começar a pensar no seu eleitorado...
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Desafio lançado a Sócrates
Até Paulo Portas consegue ter razão no debate sobre educação:
Pedir a Sócrates para dar uma resposta honesta foi evidentemente uma rasteira não inocente, mas tem mérito proporcional à incapacidade de resposta do primeiro-ministro.
- "O senhor primeiro-ministro imagine que é professor, tem uma turma de 30 alunos, uma parte não sabe a matéria e não tem conhecimentos para passar. O que é que faz o senhor primeiro-ministro? Dá notas artificialmente ou defende a verdade escolar e pode ficar prejudicado?" Paulo Portas
Pedir a Sócrates para dar uma resposta honesta foi evidentemente uma rasteira não inocente, mas tem mérito proporcional à incapacidade de resposta do primeiro-ministro.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Gandas Oportunidades
Paródia a uma célebre "medida educativa" da tia Milu. Porque será que é impossível vermos o vídeo sem nos lembrarmos do Sócrates?
Transformações profundas no papel da escola subordinadas à agenda eleitoral do PS
O objectivo dos políticos quando estão na oposição é alcançarem o Governo. Quando estão no Governo pretendem manter-se em funções. É conhecida a forma como são geridos os ciclos de quatro anos: nos primeiros dois anos deverão ser feitas as reformas necessárias, apesar de dolorosas e impopulares, podendo mesmo entrar em confronto com os governados; nos dois anos seguintes distribuem-se “rebuçados”.
Sócrates desafiou em simultâneo amplos sectores da sociedade portuguesa, para dar uma falsa imagem de independência e eficácia. Uma falsa imagem porque o seu alvo nunca foi além da classe média: atacou pensionistas, funcionários públicos, professores, médicos e juízes. Não tocou nem tocará nos políticos, nem nos dirigentes da administração pública, nem no poder financeiro. Quando começou a governar a Socratelândia o país já era aquele que tinha salários mais baixos na Europa dos 15. Com as suas orientações para a função pública, que são tomadas como referencial pelo sector privado, a Socratelândia foi mais ao fundo ainda:
A educação é uma pasta conhecida como a “torradeira” porque os ministros se vão sucedendo na pasta sem que seja possível realizar alterações de fundo respeitando os ciclos eleitorais. Desde 1970, só seis ministros se mantiveram por um período superior a 2 anos: Veiga Simão (70/74), Vítor Crespo (80/82), Roberto Carneiro (87/91), Marçal Grilo (95/99), David Justino (02/04) e Maria de Lurdes Rodrigues (05/??). Esta é uma área onde os resultados das políticas de fundo nunca são observáveis a curto prazo. Mas a Ministra não se importa de fazer os seus planos e as suas regras independentemente dos professores até com batota à mistura para mostrar resultados dum ano para o outro, e a verdade é que a humilhação dos professores lhe tem servido para conquistar simpatizantes noutras franjas da população. Por exemplo, gostaria de a ter visto num carro do corso de Carnaval, tal como vi o Sócrates com o nariz do Pinóquio ou o Ministro das Finanças a segurar mealheiros/porcos/portugueses que tentavam escapar-lhe da quinta, etc....(Carnaval de Torres Vedras). Ao contrário da restante população, os professores estabelecem facilmente a relação entre os “despachos pela Internet” e a agenda e eleitoral do PS:
O pior é que já passaram os primeiros dois anos sem que se tenham realizado as verdadeiras alterações estruturais que a sociedade portuguesa exigiria. Por exemplo, independentemente dos despachos, os recursos mais utilizados no interior das salas de aula continuam a ser o quadro/giz e o manual escolar. Esta é a realidade do quotidiano escolar desde que eu era criança... Entretanto o país já passou por uma Revolução (PREC, 11/MAR/75 a 25/NOV/75), já se extinguiu a URSS, o Mundo passou a ter novas preocupações: alterações climáticas, terrorismo, subdesenvolvimento, SIDA,... Mas a escola parece viver à parte do Mundo, com uma inércia muito maior, e por maior que seja a velocidade dos despachos nada indica que seja alterada a situação nas salas de aula, mas apenas que seja criada mais burocracia.
Lembram-se da lição da banca? Há uns anos também viviam atulhados em papéis, sem computadores. O “problema” dos bancos é que têm mesmo que apresentar resultados! Como fizeram? Modernizaram-se. Reformaram compulsivamente os quadros que não lhes interessavam. Esta Ministra está a fazer o oposto na educação, transformando as escolas em hospícios, precisamente porque nunca será responsabilizada por não obter os “resultados” a que tanto se refere. Lamentavelmente, depois de perdidos os dois primeiros anos, nem haverá “rebuçados” para distribuir na Socratelândia onde a jangada continua a ser conduzida em direcção ao precipício. E as consequências desta política não são um azar do Sócrates nem da Ministra! Eles sabem que correm o risco de não renovar o contrato!
Mas que azar poderá ter um professor que não precisa de quadro/giz nem de manual escolar na sala de aula? Eu prefiro gastar o tempo a criar materiais para os alunos a fazer planificações que são copy/paste dos programas. Corro o risco de dar mau resultado, mas mantenho-me à margem desta paranóia colectiva.
Sócrates desafiou em simultâneo amplos sectores da sociedade portuguesa, para dar uma falsa imagem de independência e eficácia. Uma falsa imagem porque o seu alvo nunca foi além da classe média: atacou pensionistas, funcionários públicos, professores, médicos e juízes. Não tocou nem tocará nos políticos, nem nos dirigentes da administração pública, nem no poder financeiro. Quando começou a governar a Socratelândia o país já era aquele que tinha salários mais baixos na Europa dos 15. Com as suas orientações para a função pública, que são tomadas como referencial pelo sector privado, a Socratelândia foi mais ao fundo ainda:
A educação é uma pasta conhecida como a “torradeira” porque os ministros se vão sucedendo na pasta sem que seja possível realizar alterações de fundo respeitando os ciclos eleitorais. Desde 1970, só seis ministros se mantiveram por um período superior a 2 anos: Veiga Simão (70/74), Vítor Crespo (80/82), Roberto Carneiro (87/91), Marçal Grilo (95/99), David Justino (02/04) e Maria de Lurdes Rodrigues (05/??). Esta é uma área onde os resultados das políticas de fundo nunca são observáveis a curto prazo. Mas a Ministra não se importa de fazer os seus planos e as suas regras independentemente dos professores até com batota à mistura para mostrar resultados dum ano para o outro, e a verdade é que a humilhação dos professores lhe tem servido para conquistar simpatizantes noutras franjas da população. Por exemplo, gostaria de a ter visto num carro do corso de Carnaval, tal como vi o Sócrates com o nariz do Pinóquio ou o Ministro das Finanças a segurar mealheiros/porcos/portugueses que tentavam escapar-lhe da quinta, etc....(Carnaval de Torres Vedras). Ao contrário da restante população, os professores estabelecem facilmente a relação entre os “despachos pela Internet” e a agenda e eleitoral do PS:
O pior é que já passaram os primeiros dois anos sem que se tenham realizado as verdadeiras alterações estruturais que a sociedade portuguesa exigiria. Por exemplo, independentemente dos despachos, os recursos mais utilizados no interior das salas de aula continuam a ser o quadro/giz e o manual escolar. Esta é a realidade do quotidiano escolar desde que eu era criança... Entretanto o país já passou por uma Revolução (PREC, 11/MAR/75 a 25/NOV/75), já se extinguiu a URSS, o Mundo passou a ter novas preocupações: alterações climáticas, terrorismo, subdesenvolvimento, SIDA,... Mas a escola parece viver à parte do Mundo, com uma inércia muito maior, e por maior que seja a velocidade dos despachos nada indica que seja alterada a situação nas salas de aula, mas apenas que seja criada mais burocracia.
Lembram-se da lição da banca? Há uns anos também viviam atulhados em papéis, sem computadores. O “problema” dos bancos é que têm mesmo que apresentar resultados! Como fizeram? Modernizaram-se. Reformaram compulsivamente os quadros que não lhes interessavam. Esta Ministra está a fazer o oposto na educação, transformando as escolas em hospícios, precisamente porque nunca será responsabilizada por não obter os “resultados” a que tanto se refere. Lamentavelmente, depois de perdidos os dois primeiros anos, nem haverá “rebuçados” para distribuir na Socratelândia onde a jangada continua a ser conduzida em direcção ao precipício. E as consequências desta política não são um azar do Sócrates nem da Ministra! Eles sabem que correm o risco de não renovar o contrato!
Mas que azar poderá ter um professor que não precisa de quadro/giz nem de manual escolar na sala de aula? Eu prefiro gastar o tempo a criar materiais para os alunos a fazer planificações que são copy/paste dos programas. Corro o risco de dar mau resultado, mas mantenho-me à margem desta paranóia colectiva.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Os professores na blogoesfera
Para um Movimento Cívico Independente.
Tomando como referência João Barroso, perante a mudança os professores têm três atitudes possíveis:
Talvez estes professores/blogueres estejam em circunstâncias para dignificar o estatuto social dos professores, que entretanto passaram a ser mesquinhos funcionários públicos, cumpridores zelosos das letrinhas publicadas no Diário da República, e agora nos sites da Internet! Evidentemente que a sua afirmação, a sua dignificação enquanto professores passa hoje por demonstrarem que a utilidade da blogoesfera e da web não se limita a um instrumento de mobilização num momento difícil das suas carreiras profissionais, mas deveriam fazer parte integrante do seu quotidiano escolar. Gostaria que mostrassem isso. Se fosse tão fácil como assinar uma petição ;) Eu já subscrevi o APELO PARA UMA DISCUSSÃO PÚBLICA ALARGADA DO MODELO DE GESTÃO DAS ESCOLAS PÚBLICAS.
- Aconteceu ontem, na Margem Sul, este encontro informal de professores e bloguistas que se revelam independentes de qualquer afiliação partidária e de qualquer sindicato, enquanto mentores deste movimento. A uni-los uma vontade comum: dar voz formal aos seus desencantos quanto aos atropelos cometidos no processo conhecido como Avaliação de Desempenho na carreira docente (AD) e apresentar medidas alternativas viáveis e conducentes a uma dignificação da carreira e a um verdadeiro sucesso educativo para os alunos.
Segundo o manifesto distribuído na sessão, os professores estão a atravessar o momento mais negro da sua vida profissional desde o 25 de Abril... A um sentimento de enorme frustração soma-se hoje a insegurança quanto ao futuro profissional, uma insegurança decorrente de todos os mecanismos de fragilização da carreira e de instabilidade de emprego que o governo actual tem vindo a introduzir.
O clima começa a ser favorável a opiniões como as que se debateram: os órgãos de comunicação social parecem estar a acordar para os problemas que a classe tem vindo a enfrentar. E, na verdade, os problemas e as ilegalidades constantes em todo este processo são tantos, que urge chamar a atenção da opinião pública, já que é uma escola pública que defendemos. Não podemos aceitar o regresso ao velho far-west, em que a lei que prevalecia era a lei da bala, balas essas sob a forma de mails, e de despachos, e de normativos que se sobrepõem aos Decretos-Lei, que os contradizem (muitas vezes) e que os violam (outras tantas).
http://talvezpeninsula.blogspot.com/2008/01/para-um-movimento-civico-independente.html
Tomando como referência João Barroso, perante a mudança os professores têm três atitudes possíveis:
- Uns (1) constroem muralhas porque vêem nesses ventos uma ameaça à sua situação; (2) outros constroem moinhos porque vêem nas mudanças o vento que alimenta as pás do moinho e que permite fabricar qualquer coisa; e há sempre aqueles que se limitam a (3) esconder a cabeça na areia. Ora eu acho que nos tempos de hoje os professores têm de fazer as três coisas ao mesmo tempo. JOÃO BARROSO
Talvez estes professores/blogueres estejam em circunstâncias para dignificar o estatuto social dos professores, que entretanto passaram a ser mesquinhos funcionários públicos, cumpridores zelosos das letrinhas publicadas no Diário da República, e agora nos sites da Internet! Evidentemente que a sua afirmação, a sua dignificação enquanto professores passa hoje por demonstrarem que a utilidade da blogoesfera e da web não se limita a um instrumento de mobilização num momento difícil das suas carreiras profissionais, mas deveriam fazer parte integrante do seu quotidiano escolar. Gostaria que mostrassem isso. Se fosse tão fácil como assinar uma petição ;) Eu já subscrevi o APELO PARA UMA DISCUSSÃO PÚBLICA ALARGADA DO MODELO DE GESTÃO DAS ESCOLAS PÚBLICAS.
Qualidade do ensino
Como orientação central da sua filosofia educativa para assegurar a "qualidade de ensino", o ME condiciona a avaliação do desempenho dos professores ao sucesso escolar dos educandos. Qualquer pessoa com dois dedos de testa conclui facilmente do efeito perverso desta política. A curto prazo poderá melhorar rapidamente os índices de literacia, mas a longo prazo acentua o nivelamento por baixo.
Gostaria de observar que se cansam os professores a fazer planificações, registos e toda a espécie de trabalho improdutivo, tendo como exclusiva finalidade a sua própria avaliação, como refere Fátima Inácio Gomes:
Entretanto, o que seria importante, colocar os professores a produzir materiais adequados aos seus alunos, não faz parte das grelhas! Que avaliação é esta?
Porque não aproveita o ME a oportunidade para pedir aos professores que coloquem online os recursos para uma unidade lectiva? E também seria necessário abandonar a filosofia do secretismo - actualmente cada vez que se visita um Moodle só dá para ler os títulos, porque todos os pretensos conteúdos se encontram "protegidos" por password - para a da partilha livre e aberta. Isso seria fazer trabalho de professor, adaptado às novas exigências tecnológicas, e ainda mais, seria mudar uma cultura profissional no sentido certo: impor a partilha e o diálogo no trabalho com os colegas.
Pois é! Lá ficava o negócio das editoras abalado ;) A Ministra não tem qualquer respeito pelos "professorzecos", mas não tem coragem para enfrentar os lobbys das Editoras, cujo negócio não poderá ser beliscado.
Gostaria de observar que se cansam os professores a fazer planificações, registos e toda a espécie de trabalho improdutivo, tendo como exclusiva finalidade a sua própria avaliação, como refere Fátima Inácio Gomes:
Entretanto, o que seria importante, colocar os professores a produzir materiais adequados aos seus alunos, não faz parte das grelhas! Que avaliação é esta?
Porque não aproveita o ME a oportunidade para pedir aos professores que coloquem online os recursos para uma unidade lectiva? E também seria necessário abandonar a filosofia do secretismo - actualmente cada vez que se visita um Moodle só dá para ler os títulos, porque todos os pretensos conteúdos se encontram "protegidos" por password - para a da partilha livre e aberta. Isso seria fazer trabalho de professor, adaptado às novas exigências tecnológicas, e ainda mais, seria mudar uma cultura profissional no sentido certo: impor a partilha e o diálogo no trabalho com os colegas.
Pois é! Lá ficava o negócio das editoras abalado ;) A Ministra não tem qualquer respeito pelos "professorzecos", mas não tem coragem para enfrentar os lobbys das Editoras, cujo negócio não poderá ser beliscado.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Na Socratelândia 21=1
O ECD prevê que o processo de avaliação dos professores seja coordenado por Conselho Científico para Avaliação composto por 21 individualidades, mas como estamos numa conjuntura difícil, para reduzir o défice orçamental, em Socratelândia os poderes do Conselho foram delegados num super-presidente:
Estamos entregues à bicharada.
A tia Milu faz leis que não se digna cumprir, e foi poupada pela remodelação.
Sabe-se que Sócrates assinou projectos realizados por colegas, mas isso até é "natural".
Falta a presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores perceber o esquema, e começar a atribuir projectos em regime de out-sourcing. Desde modo conseguirá realizar sozinha as tarefas dos 21 membros inicialmente previstos, demonstrando que 1=21!
Estamos entregues à bicharada.
A tia Milu faz leis que não se digna cumprir, e foi poupada pela remodelação.
Sabe-se que Sócrates assinou projectos realizados por colegas, mas isso até é "natural".
Falta a presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores perceber o esquema, e começar a atribuir projectos em regime de out-sourcing. Desde modo conseguirá realizar sozinha as tarefas dos 21 membros inicialmente previstos, demonstrando que 1=21!
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