quarta-feira, 16 de julho de 2008

Os ideais socialistas em Portugal


Depois de Mário Soares ter metido o socialismo na gaveta, os socialistas nem se entendem com o vocabulário, e continuam a dizer coisas patéticas.

As políticas de redistribuição do rendimento apenas se justificam para a sociedade chegar a uma distribuição do rendimento mais equitativa. Caso contrário não valeria a pena o Estado estar com o trabalho de cobrar impostos e atribuir subsídios.

Vem isto a propósito das declarações de Victor Constâncio, nas quais


Tradução. Os gestores e todos aqueles que já ganham bem acima da média podem continuar a aumentar-se. Quem vive dos salários deve continuar a assistir à degradação do poder de poder de compra, a bem da "Nação"!

Para chegar a este resultado não é necessário qualquer Governador no Banco de Portugal, nem qualquer Governo. Este é precisamente o resultado de uma relegação sistemática de qualquer política de "redistribuição dos rendimentos" para um plano muito secundário. Realmente a política de "redistribuição dos rendimentos" só aparece ao nível da retórica.

Definitivamente, o PS já deveria ter mudado de nome ao tempo.

Adenda
Aqui ao lado,
  • O Primeiro-Ministro espanhol, Rodrigues Zapatero, anunciou o congelamento de todos os altos cargos da administração do Estado.
    Fonte: Rádio Renascença.


Começando por limitar o seu próprio vencimento, Zapatero dá uma lição aos "socialistas" portugueses.

domingo, 13 de julho de 2008

Declaração


Sócrates não disse, mas poderia ter dito: ;)






Confesso que começo a ter pena do Primeiro-Ministro. Ele bem nos queria oferecer alguma coisa... o problema é que nunca imaginou chegar a esta fase do ciclo eleitoral com as mãos vazias.

sábado, 12 de julho de 2008

Para ensinar é necessário saber


Há coisas que me parecem tão simples, que nem perco tempo a pensar nelas. Para mim, é óbvio, que não se poderá ser um bom professor numa área disciplinar onde não se tenha formação académica de base.

O conhecimento encontra-se “arrumado” por ciências, que na escola dão lugar a disciplinas: Economia, Sociologia, Direito, etc. Não é por acaso que o conhecimento científico se encontra hoje compartimentado, fora da escola. O crescimento exponencial do conhecimento científico forçou à sua especialização em áreas bem definidas. Os autores são conhecidos na respectiva temática, as teorias e modelos explicativos dependem da abordagem científica. Os profissionais podem ser excelentes num ramo do saber, mas nulidades noutros aspectos. Por exemplo, nenhuma companhia seguradora se lembrará de contratar um excelente advogado para calcular o valor do prémios a solicitar aos segurados, pois isso seria a sua ruína.

Nas escolas temos um mundo à parte, onde todas as barbaridades são possíveis, porque as escolas não vão à falência. Eu próprio já dei aulas de Matemática e de Direito e de muito mais coisas que não devia ter dado. Estou farto de preparar programas, porque sou dos docentes relativamente mais jovens, isto é, pertenço ao grupo que fica com o que sobra depois dos colegas terem indicado as suas preferências por disciplinas, por anos, por turnos, etc. Até compreendo que o serviço docente seja distribuído exclusivamente tendo em consideração o tempo de serviço, apesar de dar origem a uma hierarquia acomodatícia em função da qual são escolhidas disciplinas. Tem a vantagem de ser um critério prático em termos administrativos, mas quando se pensa em avaliação do desempenho é de uma injustiça atroz.

A avaliação de desempenho deveria garantir a todos idênticas oportunidades para ser justa. Ora, um professor com muitos anos de serviço, que escolheu horário primeiro, e vai fazer o que sempre fez, teria obrigação de evidenciar um melhor desempenho que o seu colega mais novo, que fica com o que sobra, e por isso anda sempre a preparar níveis diferentes.

Especialmente para quem está for a do ensino, e não percebe tão bem as regras do “baile” a que me refiro acima, posso adiantar que até hoje, a Licenciatura em Economia já me permitiu leccionar o seguinte: Área Interdisciplinar, Comércio e Distribuição, Contabilidade, Direito, Economia Política, Introdução à Actividade Económica, Introdução à Economia, Introdução à Política, Introdução ao Desenvolvimento Económico e Social, Introdução ao Marketing, Introdução às Tecnologias da Informação, Matemática, Métodos Quantitativos, Noções de Administração Pública, Organização e Métodos, Psicossociologia, Relações Públicas e Sociologia.

Se eu pudesse teria leccionado sempre Economia. Nas outras disciplinas fico como que castrado, por não poder levar as últimas novidades, nem poder utilizar a linguagem que é própria da Economia, mas posso garantir que independentemente da disciplina, o quadro de referência e organização continua a ser o pensamento económico. O meu repertório de exemplos está centrado na Economia, portanto outras disciplinas nunca saem tão bem. Por maior que seja a preparação de uma disciplina em que não tenha formação, as aulas nunca têm o brilhantismo do improviso como nas de Economia.

Não caso único certamente. Estou absolutamente convencido desta regra geral: para ensinar é necessário saber. Ao longo da minha carreira tive várias vezes turmas do 11º ano de Economia. Quando as turmas tinham tido o 10º ano com colegas de Economia o meu trabalho prosseguia tranquilamente. Quando os alunos tinham apanhado alguém de Direito no 10º ano, era uma catástrofe: não sabiam Economia, tinham obtido classificações elevadíssimas e fazendo a média do 10º com 11º já estavam passados!

Entendo que criticar a falta de formação científica é fácil demais. E como entretanto comecei a leccionar Sociologia, entendi que deveria fazer um Mestrado em Sociologia para me justificar como professor da disciplina.

Escrevi este post porque não entendo como o ME quer implementar o modelo de avaliação do desempenho assim. O meu grupo disciplinar (antigo 7º grupo), incluía economistas e advogados quando comecei a dar aulas (1984/85). Posteriormente entraram alguns sociólogos. O ano passado foi alargado aos contabilistas. Certamente não foi feita nenhuma avaliação do impacto desta alteração sobre a qualidade do ensino, mas este ano o ME alargou novamente o grupo. Agora inclui economistas, advogados, sociólogos, contabilistas, historiadores, filósofos, geógrafos, técnicos de sectariado, professores de moral e religião.

Isto quer dizer que de acordo com a lei, eu poderei adicionalmente vir a dar aulas de história, filosofia, geografia, etc. e todos estes meus colegas poderão leccionar Economia!



Que avaliação do desempenho quer o Ministério se não cria condições para que cada qual possa mostrar o que sabe?
Pior, quando cria situações que colocam à partida os professores mais jovens em circunstâncias muito mais desvantajosas. A criação deste mega-grupo foi apenas um atentado contra a avaliação do desempenho a que ME não se cansa de fazer propaganda. E neste caso a culpa não foi dos professores, nem das escolas, nem dos sindicatos, nem de mais ninguém. Mas se o ME quer o caos completo, sugiro que para o ano alargue o grupo disciplinar a todos os departamentos, pois seria mais simples recrutar os docentes para um DEPARTAMENTO ÚNICO. Então, independentemente da formação académica, qualquer professor poderia leccionar português, francês, inglês, alemão, latim, grego, história, filosofia, geografia, matemática, economia, sociologia, direito, contabilidade, etc.

Entenda senhora Ministra que esta proposta é para ser levada a sério. Os alunos poderiam não aprender quase nada, mas teriam certamente classificações mais elevadas! Não é isso que se pretende?

Adenda
Faltei a esta reunião. Nunca falto durante o ano lectivo, mas durante o período de semi-férias... Afinal a reunião de distribuição de horários não foi tão confusa quanto tinha imaginado. Participei apenas na reunião do 430 (economia, contabilidade, sociologia, direito). O mega-grupo a que me refiro acima funcionou "apenas" para efeito de recrutamento de professores. Mas mantenho as críticas, porque se é indiferente recrutar docentes de grupos tão díspares, certamente se entende que o seu perfil se adequa às mesmas necessidades...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Novo conceito da OCDE integra a necessidade de segurança, amor/relacionamento, auto-estima e auto-realização


Não estou a inventar. A proposta vem na última newsletter da OCDE. Propõe um novo indicador: o Realização Nacional Bruta apresentando um modelo próximo da pirâmide de Maslow. Os autores propõem coeficientes mais baixos para as necessidades mais básicas, e mais elevados para as superiores.



Curiosa também a barra amor/relacionamento. As relações amorosas são cada vez mais diversificadas, e é preciso reconhecer que independentemente do seu padrão o que importa é o resultado: a satisfação dos indivíduos.

Mas perguntarão por que razão vem a seríssima OCDE propor um indicador sobre o qual os valores sempre serão muito discutíveis? É que a lógica da OCDE é oposta à portuga. Lança indicadores para estimular o debate. Em Portugal quem calcula números, pretende defendê-los como se fossem realidades.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

Ministra da Educação reprovada com 8


Chega-se precisamente à classificação de 8,0 valores, se se converterem na escala de 0 a 20, as percentagens obtidas para a educação no estudo de opinião efectuado pela Eurosondagem, S.A. para o Expresso, SIC e Rádio Renascença, de 26 de Junho a 01 de Julho de 2008.

Parece legítimo concluir-se que a população sabe distinguir os resultados escolares fabricados para as estatísticas, da educação que é necessária.

NOTA
Calculou-se a média ponderada, utilizando os seguintes pesos: 20 - Muito Bom; 15 - Bom; 10 - Razoável; 5 - Mau; e 0 - Muito Mau.

Como a elasticidade da procura é rígida, a GALP repercute sobre os consumidores os aumentos de preço do Brent e encaixa a redução do IVA


A taxa normal do IVA desceu um ponto percentual. O preço pago pelos consumidores manteve-se. O Estado arrecadou menos impostos. A administração da Galp vai dizer-nos mais uma vez que se encontra exposta às regras da concorrência…


















Se o IVA tivesse subido, os preços subiriam automaticamente, mas quando deveriam descer, não descem. Porquê? Uma vez que neste mercado a procura é relativamente rígida, a GALP repercute sobre os consumidores todos os impactos negativos (aumento do preço do Brent no mercado internacional) e também consegue tirar partido de medidas que, em princípio, seriam agradáveis para o bolso dos consumidores.

Os preços resultam de uma relação de poderes
entre produtores e consumidores. O "Estado regulador" pode ser ultrapassado pelo mercado...

NOTA 1
A procura diz-se rígida porque, em resposta a um aumento dos preços, por falta de alternativas, haverá uma redução proporcionalmente muito menor no volume da procura.
A oferta da GALP é elástica, porque em resposta a uma variação dos preços, pode alterar mais do que proporcionalmente o volume da oferta, de forma a tirar o melhor partido da nova situação.


NOTA 2
Clicando sobre a imagem poderá ver o célebre vídeo da “menina do gás”.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...