Um achado especial de uma amiga especialíssima...
segunda-feira, 21 de abril de 2008
domingo, 20 de abril de 2008
A escola para os animais

Havia uma vez uma escola para animais e as matérias da escola eram: correr, escalar, voar e nadar. Todos os animais estudavam todas as matérias. O pato era muito bom na natação, melhor inclusive que o seu professor, e era razoável a voar, mas um desastre em corrida. Por isso foi obrigado a deixar de lado as aulas de natação para ter aulas particulares de corrida depois da escola, o que fez com que ficasse “regular” em natação. Como “regular” é uma nota razoável ninguém se preocupou com isso a não ser o próprio pato.
O coelho era o primeiro da classe em corrida mas teve um esgotamento nervoso tendo que sair da escola por excesso de aulas de recuperação em natação.
O esquilo, por sua vez, era o líder em escaladas, mas nas aulas de voo tinha de começar do chão para cima em vez de voar do topo da árvore para baixo. Começou a ter dores musculares por excesso de esforço na descolagem e começou a ter notas regulares em escalada e insuficientes em corrida.
Os práticos cães de caça contrataram um professor particular quando as autoridades escolares se recusaram a incluir a escavação no currículo da escola.
No fim do ano, uma enguia anormal, que nadava razoavelmente bem, escalava e voava um pouco, foi a oradora da turma!
Qualquer semelhança com a escola pública não é pura coincidência.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
A concepção da criança e a violência juvenil
As modalidades de combate à violência juvenil dependem da concepção da criança de que partimos, e aqui temos duas possibilidades: (1) a criança como um selvagem, que compete à escola “educar”; (2) a criança bondosa, que através do processo de socialização, que em grande parte decorre na Escola, se pode transformar num “selvagem”.
Evidentemente que estas concepções são representações sociais simplificam largamente uma realidade muito mais complexa, multifacetada, heterogénea, aberta, que não se pode descrever nestas breves linhas. Apenas referi concepções da criança porque creio que ajudam a compreender o fenómeno da violência juvenil. Claro que nem as crianças nascem selvagens para que alguma Escola precise das “civilizar”, nem nascem anjinhos que se tenham inevitavelmente de perder em resultado do próprio processo de socialização.
O Reino Unido e Portugal estão a seguir políticas divergentes no combate à violência juvenil, como podem conferir no blogue http://pombaisonline.blogspot.com/2008/03/violncia-nas-escolas-o-que-se-faz.html
E nesta “Ciência” da Educação(?)... nem é preciso que a realidade portuguesa seja muito diferente da britânica... basta que as autoridades políticas tenham diferentes concepções.
Evidentemente que estas concepções são representações sociais simplificam largamente uma realidade muito mais complexa, multifacetada, heterogénea, aberta, que não se pode descrever nestas breves linhas. Apenas referi concepções da criança porque creio que ajudam a compreender o fenómeno da violência juvenil. Claro que nem as crianças nascem selvagens para que alguma Escola precise das “civilizar”, nem nascem anjinhos que se tenham inevitavelmente de perder em resultado do próprio processo de socialização.
O Reino Unido e Portugal estão a seguir políticas divergentes no combate à violência juvenil, como podem conferir no blogue http://pombaisonline.blogspot.com/2008/03/violncia-nas-escolas-o-que-se-faz.html
E nesta “Ciência” da Educação(?)... nem é preciso que a realidade portuguesa seja muito diferente da britânica... basta que as autoridades políticas tenham diferentes concepções.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Bardamerda para o entendimento!
Os professores não mudam de opinião de um dia para o outro. Os sindicalistas é que devem estar com vontade de ir passar as férias às Caraíbas, e por este ano querem dar o seu “trabalho” como cumprido.
É significativo que numa amostra tão pequena já se refiram tantas escolas a votar contra. Reparem que não estão a votar contra o procedimento simplificado adoptado este ano lectivo, mas contra o modelo chileno que o ME teima em impor em 2008/09. Portanto é abusivo afirmar que os
Teve razão Ana Benavente quando classificou este entendimento de "chantagem". Efectivamente...
Posso mesmo afirmar que na minha escola, o sentimento generalizado entre os colegas com os quais falei era de espanto. Ninguém esperava que os Sindicatos chegassem a um compromisso com ME neste momento do calendário escolar. Aliviar a Milu da avaliação de 7.000 professores este ano, para recomeçar em Setembro com o modelo que parametriza todo o processo educativo, para tornar cada docente num valor comparável através de escalas de equivalência previamente concebidas para a redução despesa pública com a educação, só porque é considerado excessivo o défice orçamental, no quadro da União Europeia... bardamerda para o entendimento! Porque não uma Assembleia da República apenas com 100 deputados (como propôs António José Saraiva) e com menos mordomias?
É significativo que numa amostra tão pequena já se refiram tantas escolas a votar contra. Reparem que não estão a votar contra o procedimento simplificado adoptado este ano lectivo, mas contra o modelo chileno que o ME teima em impor em 2008/09. Portanto é abusivo afirmar que os
- Professores aprovam por "esmagadora maioria" acordo com Ministério da Educação
Teve razão Ana Benavente quando classificou este entendimento de "chantagem". Efectivamente...
- ...“quando escolas afirmam que não têm condições para fazer a avaliação este ano”, dizer aos professores contratados que “no próximo ano não serão colocados”, é “ameaçar com o desemprego”. “Isto é uma forma de chantagem”.
Posso mesmo afirmar que na minha escola, o sentimento generalizado entre os colegas com os quais falei era de espanto. Ninguém esperava que os Sindicatos chegassem a um compromisso com ME neste momento do calendário escolar. Aliviar a Milu da avaliação de 7.000 professores este ano, para recomeçar em Setembro com o modelo que parametriza todo o processo educativo, para tornar cada docente num valor comparável através de escalas de equivalência previamente concebidas para a redução despesa pública com a educação, só porque é considerado excessivo o défice orçamental, no quadro da União Europeia... bardamerda para o entendimento! Porque não uma Assembleia da República apenas com 100 deputados (como propôs António José Saraiva) e com menos mordomias?
domingo, 13 de abril de 2008
Memorando de Entendimento
Fica aqui arquivado o documento - Backup do Documento - assinado entre o ME e a FENPROF, que inventou o procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduzido aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação, quando obrigatória e desde que existisse oferta financiada nos termos legais.
ME e Sindicatos clamaram vitória, como se tivessem chegado a alguma coisa. Apenas compreendo que ambos os lados precisassem de salvar a face. O nome que deram ao documento indica bem que apenas se trata de uma declaração de princípios sobre banalidades.
Tendo em consideração esta "simplificação", o trabalho que eu tinha no tempo das "progressões automáticas" era estupidamente excessivo. Ver Relatório Crítico de Actividades - Julho de 1997.
É incrível como as pessoas mudam em função das situações e dos papéis que são chamados a desempenhar. Durão Barroso, passou de jovem maoísta eme-erre-pum-pum a servidor dos interesses americanos, e até descobriu a "utilidade" da Guerra contra o Iraque ;)
Milu, também passou pela escola eme-ele, tendo-se tornado recentemente o expoente máximo da defesa do neoliberalismo na educação. Ver testemunho do professor Raul Iturra e artigo sobre a agenda oculta para a educação.
O texto não representa nenhum acordo, porque o ME continua com a sua agenda, e os Sindicatos voltarão a exigir novas simplificações do DR nº 2/2008. Recorda-se que o Memorando o prevê a abertura de diversos "processos negociais". Neste sentido entenderam-se para uma breve trégua...
Portanto, neste caso, o título do PÚBLICO é enganador:
Paradoxalmente, a imagem transmitida para a opinião pública por ambas as partes é de satisfação com o "trabalho realizado". Só que as posições estavam (e continuam) extremadas... Seria a mesma coisa que no final de um jogo de futebol ganharam ambas as equipas ;)
Os Sindicatos já deixaram o aviso:
ME e Sindicatos clamaram vitória, como se tivessem chegado a alguma coisa. Apenas compreendo que ambos os lados precisassem de salvar a face. O nome que deram ao documento indica bem que apenas se trata de uma declaração de princípios sobre banalidades.
Tendo em consideração esta "simplificação", o trabalho que eu tinha no tempo das "progressões automáticas" era estupidamente excessivo. Ver Relatório Crítico de Actividades - Julho de 1997.
É incrível como as pessoas mudam em função das situações e dos papéis que são chamados a desempenhar. Durão Barroso, passou de jovem maoísta eme-erre-pum-pum a servidor dos interesses americanos, e até descobriu a "utilidade" da Guerra contra o Iraque ;)
Milu, também passou pela escola eme-ele, tendo-se tornado recentemente o expoente máximo da defesa do neoliberalismo na educação. Ver testemunho do professor Raul Iturra e artigo sobre a agenda oculta para a educação.
O texto não representa nenhum acordo, porque o ME continua com a sua agenda, e os Sindicatos voltarão a exigir novas simplificações do DR nº 2/2008. Recorda-se que o Memorando o prevê a abertura de diversos "processos negociais". Neste sentido entenderam-se para uma breve trégua...
Portanto, neste caso, o título do PÚBLICO é enganador:
Paradoxalmente, a imagem transmitida para a opinião pública por ambas as partes é de satisfação com o "trabalho realizado". Só que as posições estavam (e continuam) extremadas... Seria a mesma coisa que no final de um jogo de futebol ganharam ambas as equipas ;)
Os Sindicatos já deixaram o aviso:
sábado, 5 de abril de 2008
Discurso politico lunático
Os políticos utilizam as estatísticas para dizer o que lhes apetece, sem a menor preocupação de coerência entre as suas afirmações e os dados empíricos. Veja-se este exemplo.
Facto:
Comentário do político:
Cada povo tem os políticos que merece! Portugal tem lunáticos que fingem não ver os problemas para se desresponsabilizarem - NÃO É SUPOSTO HAVEREM ARMAS NAS ESCOLAS, E ESSA TAREFA NÃO COMPETE AOS DOCENTES - das suas funções.
Os relatórios e estudos também não servem de base às decisões políticas, nem se estabelece qualquer vínculo entre a realidade que retratam e os decisores políticos.
É assim que se compreendem as afirmações do Procurador Geral da República (PGR) sem qualquer repercussão prática:
O PGR "sabe" o que se passa pelos relatórios, mas não sente seu dever actuar para garantir a segurança... Afinal, nós, comuns mortais não deveríamos saber nada disto porque na opinião dos magistrados, a afirmação...
Lembrei-me da estratégia de uma turma do 7º ano, numa das últimas aulas de substituição. Quando lhes perguntei quantas negativas tinham tido no 2º período, quase nenhum aluno me soube responder. Achei estranho, mas depois fiquei esclarecido. É que não "tinham tido tempo" para ir ver a pauta ;) Aprenderam com os políticos da nossa praça a ignorar os factos para poderem dizer mais livremente os maiores disparates.
Facto:
- De acordo com as participações às forças de segurança, os números registados nos relatórios do Programa Escola Segura ao longo da última década permitem constatar ainda que o número de armas de fogo apreendidas no último ano lectivo (13) foi praticamente igual às armas apreendidas há precisamente dez anos (12). (...)
Comentário do político:
- (...) o secretário de Estado da Administração Interna, Rui Sá Gomes, disse que o número de armas apreendidas nas escolas não tem aumentado. "O número não aumentou, é um fenómeno normal, não houve evolução", disse, defendendo que o Programa Escola Segura é uma resposta "eficaz" ao problema.
Cada povo tem os políticos que merece! Portugal tem lunáticos que fingem não ver os problemas para se desresponsabilizarem - NÃO É SUPOSTO HAVEREM ARMAS NAS ESCOLAS, E ESSA TAREFA NÃO COMPETE AOS DOCENTES - das suas funções.
Os relatórios e estudos também não servem de base às decisões políticas, nem se estabelece qualquer vínculo entre a realidade que retratam e os decisores políticos.
É assim que se compreendem as afirmações do Procurador Geral da República (PGR) sem qualquer repercussão prática:
- "(...) tenho elementos seguros de escolas em que os alunos vão armados com pistolas de 6,35mm ou mesmo de 9mm, para já não falar das facas que são às centenas. Vão de pistola para as aulas e isso desde os seis anos".
O PGR "sabe" o que se passa pelos relatórios, mas não sente seu dever actuar para garantir a segurança... Afinal, nós, comuns mortais não deveríamos saber nada disto porque na opinião dos magistrados, a afirmação...
- (...) pode lançar o pânico nas famílias dos estudantes.
Lembrei-me da estratégia de uma turma do 7º ano, numa das últimas aulas de substituição. Quando lhes perguntei quantas negativas tinham tido no 2º período, quase nenhum aluno me soube responder. Achei estranho, mas depois fiquei esclarecido. É que não "tinham tido tempo" para ir ver a pauta ;) Aprenderam com os políticos da nossa praça a ignorar os factos para poderem dizer mais livremente os maiores disparates.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
27% = 0 para Mariano Gago
Quando cheguei ontem à aula de Economia fui confrontado com a novidade:
- Então professor! Não há desemprego entre os licenciados! Foi o que o Ministro disse...
Sabiam que aquela novidade ia contra as minhas lições, porque o que sempre tinha dito até ali é que a licenciatura garante cada vez menos o emprego. Este post repõe a minha resposta num ambiente mais alargado.
O organismo oficial responsável pelas estatísticas em Portugal é o INE. O quadro abaixo reproduz o quadro que encontrará hoje quem seguir o este link.

Observando o quadro é fácil constatar que segundo os dados mais recentes, relativos ao quarto trimestre de 2007, entre os indivíduos com nível de escolaridade superior, que se encontram no grupo etário abaixo dos 24 anos a taxa de desemprego atinge os 27,4%. No grupo etário dos 25 aos 34 anos o desemprego é menor, mas 11,8% não são nada desprezíveis, sobretudo para as mulheres, cuja taxa de desemprego ultrapassa o dobro da homóloga masculina (14,5% para 7,1%).
Os estudantes de Economia conhecem o conceito de desemprego friccional: um desempregado não encontra imediatamente um novo empregador, assim como um estudante não encontra o emprego que deseja imediatamente depois de concluir o seu curso... mas os valores estimados pelo INE são demasiado elevados para interpretar o desemprego estrutural dos licenciados como se fosse friccional.
As habilitações académicas podem mesmo revelar-se um obstáculo ao emprego, porque na perspectiva dos “empresários” que temos apenas os custos aumentam quando contratam licenciados, mestres ou doutores... O vídeo abaixo mostra alguns casos paradigmáticos de desemprego estrutural.
Mariano Gago já aprendeu umas coisas com o “aluno exemplar” que foi José Sócrates!
- Então professor! Não há desemprego entre os licenciados! Foi o que o Ministro disse...
- O ministro da Ciência e Ensino Superior está convencido de que quase não há licenciados desempregados em Portugal...
Sabiam que aquela novidade ia contra as minhas lições, porque o que sempre tinha dito até ali é que a licenciatura garante cada vez menos o emprego. Este post repõe a minha resposta num ambiente mais alargado.
O organismo oficial responsável pelas estatísticas em Portugal é o INE. O quadro abaixo reproduz o quadro que encontrará hoje quem seguir o este link.

Observando o quadro é fácil constatar que segundo os dados mais recentes, relativos ao quarto trimestre de 2007, entre os indivíduos com nível de escolaridade superior, que se encontram no grupo etário abaixo dos 24 anos a taxa de desemprego atinge os 27,4%. No grupo etário dos 25 aos 34 anos o desemprego é menor, mas 11,8% não são nada desprezíveis, sobretudo para as mulheres, cuja taxa de desemprego ultrapassa o dobro da homóloga masculina (14,5% para 7,1%).
Os estudantes de Economia conhecem o conceito de desemprego friccional: um desempregado não encontra imediatamente um novo empregador, assim como um estudante não encontra o emprego que deseja imediatamente depois de concluir o seu curso... mas os valores estimados pelo INE são demasiado elevados para interpretar o desemprego estrutural dos licenciados como se fosse friccional.
As habilitações académicas podem mesmo revelar-se um obstáculo ao emprego, porque na perspectiva dos “empresários” que temos apenas os custos aumentam quando contratam licenciados, mestres ou doutores... O vídeo abaixo mostra alguns casos paradigmáticos de desemprego estrutural.
Mariano Gago já aprendeu umas coisas com o “aluno exemplar” que foi José Sócrates!
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