quarta-feira, 25 de julho de 2018

É legítimo um professor ficar a ocupar uma vaga até aos 70 anos?

A idade normal de acesso à pensão por velhice encontra-se actualmente nos 66 anos, mas legalmente um professor poderá ocupar a vaga no quadro até aos 70. Aqui se explica porque podem, mas não devem.

Este texto foi pensado tendo em mente algum colega que manifeste interesse em continuar a ocupar a vaga na escola, para além da idade de acesso à aposentação sem penalizações, quando já atingiu o nível remuneratório mais elevado. Não está em causa o mérito do trabalho desenvolvido, mas se a escola abrir este precedente muitos outros poderão sentir-se tentados a seguir o exemplo, dificultando o rejuvenescimento dos quadros, um imperativo da profissão unanimemente aceite.

É oportuno recordar que muitos colegas têm ao longo de toda a carreira desfrutado do privilégio de escolher horários em primeiro lugar, mantendo-se relativamente abrigados das mutações que o ensino tem sofrido, pois permanecem dezenas de anos a fazer o mesmo, enquanto os mais jovens são forçados a adaptar-se às constantes novidades, introduzidas frequentemente sem qualquer estudo prévio, e substituídas sem avaliação.

Acresce que entendem ter chegado a uma posição que sabem confortável pelo mérito, esquecendo convenientemente o contexto histórico de desenvolvimento da profissão docente. Designadamente, aqui é importante sublinhar a rápida aceleração do ritmo de crescimento da procura escolar, posteriormente ao 25 de Abril, que forçou o sistema de ensino à abertura de centenas de escolas e de milhares de vagas nos quadros. Este movimento foi particularmente expressivo no ensino secundário, que saltou de apenas 40 mil alunos matriculados em 1973, para 477 mil em 1996, decrescendo até à crise financeira (conferido no PORDATA, em https://www.pordata.pt/Portugal/Alunos+matriculados+no+ensino+secund%C3%A1rio+total+e+por+modalidade+de+ensino-1042).

Assim, os baby boomers foram rapidamente absorvidos pelo sistema, em resultado do dinamismo da oferta escolar, beneficiando de um período de 23 anos em que a procura do ensino secundário cresceu, em média, a 11,4% ao ano. Enquanto estes foram ocupando lugares e exercendo cargos em vagas que encontraram vazias, simultaneamente encerraram as vagas aos professores que nasceram após os anos 60.

Quando os primeiros baby boomers atingiram a idade de reforma, o país vivia em austeridade, expressa no Programa de Assistência Económica e Financeira, com dolorosas restrições impostas às escolas, de tal modo severas que nenhum professor terá tido coragem para pensar em continuar a ocupar a vaga após atingida a idade de reforma. Apesar da propaganda política actualmente louvar o crescimento económico, a crise no emprego docente aconselha os que já beneficiaram extensivamente da explosão do ensino secundário, a serem mais contidos nas suas ambições. Mesmo que estas tenham enquadramento legal, dado o contexto, não serão sentidas como legítimas pelos colegas, e certamente iriam comprometer a tranquilidade que os professores aposentados merecem.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A Escola Gama Barros é a única do concelho que acrescenta valor à escolaridade dos pais

27 de Agosto de 2001 foi considerado “dia histórico” no editorial do jornal PÚBLICO, pela realização em Portugal de um trabalho semelhante ao que tinha sido novidade em França, em Setembro de 1980, com a publicação no Figaro Magazine de um estudo de Robert Ballion qualificado como “documento impublicável” (Derouet, 1992). Após vários requerimentos apresentados pela imprensa, a Comissão de Acesso aos Dados da Administração Pública obrigou a tutela a divulgar as classificações internas e externas dos alunos do 12º ano.

Uma vez que o PÚBLICO recebeu a informação em bruto, e o Ministério da Educação sublinhou que não era política sua elaborar rankings, houve que proceder ao tratamento dos mais de 460 mil resultados dos exames nacionais do 12º ano de acordo com critérios simples, claros e, na medida do possível, justos. O PÚBLICO considerou justa a ordenação das escolas pela média obtida em exame pelos alunos internos. A lógica implícita é que uma vez que as provas de exame são as mesmas, os seus resultados são directamente comparáveis, desde que o número de alunos seja suficientemente significativo. Esta cientificidade é no mínimo duvidosa, e já que os dados teriam de ser publicados, no ano lectivo seguinte o ME encomendou um estudo para a sua divulgação. Assim, em 2001/02 a imprensa não construiu qualquer ranking de escolas, limitando-se a publicar e discutir a proposta de seriação apresentada pelo ME.

Para realizar a proposta de seriação das escolas o ME encomendou o trabalho a uma equipa da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da UNL, dirigida pelo professor Sérgio Grácio. Este estudo pretendia ordenar as escolas pela parte da classificação dependente do trabalho efectivamente realizado nas mesmas, referido como contributo das escolas. Admitia-se que outra parte muito significativa das classificações é determinada pelo ambiente socioeconómico em que a escola vive, e uma vez que é determinada por condições exteriores à escola não deve reflectir-se na sua seriação. É uma ideia interessante, só que estas componentes não são independentes, e não há matemática estatística que permita distingui-las.

Grácio construiu o conceito de classificações esperadas (CES), que seriam as classificações que teriam sido obtidas nos exames em cada uma das escolas, em resultado exclusivo das condições exteriores. A diferença entre as classificações observadas em exame (CEX) e classificações esperadas (CES) permitia calcular o contributo das escolas (CEX-CES). A seriação das escolas realizou-se por ordenação decrescente deste. Naturalmente, o conceito de classificações esperadas foi violentamente criticado, porque parte do princípio que os maus resultados podem ser atribuídos a condições socioeconómicas desfavoráveis e os bons a condições mais propícias, criando uma engenharia que penaliza os bons resultados de umas escolas, e desconta os maus resultados de outras. Nunca mais se estudou o contributo das escolas, mas desde então que me questiono em que medida as médias das classificações reflectem as habilitações dos pais.

Para evitar a discussão dos contextos socioeconómicos limito-me a observar o concelho de Sintra. A tabela abaixo foi extraída do Ranking das Escolas do EXPRESSO, conjugando as (1) médias de exame com a (4) escolaridade dos pais e calculando o (5) Valor Acrescentado pela escola como a diferença (1)-(4). Deste indicador se conclui que a Escola Gama Barros é a única do concelho que acrescenta valor à escolaridade dos pais, pois nas restantes o seu valor é negativo.



Pode criticar-se esta análise pelo simplismo, ou até por erros crassos, porque a média de exame e a escolaridade dos pais se encontram em escalas diferentes, pelo que não deveria construir-se um indicador deste modo. Porém, a correlação entre estas variáveis salta à vista: as médias mais elevadas (baixas) são obtidas pelos alunos das escolas onde os pais têm mais (menos) anos de escolaridade. Como a ordem de grandeza das variáveis utilizadas é semelhante, creio que o erro se pode desculpar, porque o que perde em sofisticação estatística ganha-se na compreensão do processo de cálculo, também ele simples, claro, e na medida do possível, justo.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A Escola necessita urgentemente de uma actualização

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Aos 0,7% mais ricos, pertence 45,9% da riqueza mundial



Fonte: Global Wealth Report 2017

sábado, 20 de maio de 2017

Porque é que deves estudar Economia?

sexta-feira, 12 de maio de 2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Dívida

Não se pode resolver o problema da dívida sem conhecer a sua história. Os falhanços dos economistas já são anedota porque se prendem a modelos matemáticos - como os simuladores utilizados pelos estudantes de Doutoramento - sem explorar os contextos que conduziram à criação do monstro.



segunda-feira, 27 de março de 2017

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...