Comendo sopa de letras Nuno Crato construiu a sua concepção da educação. Para si a criança é encarada como um futuro trabalhador. Portanto, os professores deverão treinar os alunos com as competências necessárias para que no futuro o seu trabalho seja mais eficaz. A verificação das aprendizagens faz-se no final do processo, sendo o exame a prova por excelência do sucesso.
O conceito de tarefa escolar entrou na pedagogia por transposição do conceito que Taylor criou para a indústria, onde as tarefas se encontram padronizadas. Estas são acompanhadas de instruções que as permitem executar com a máxima eficácia. Seguindo-as o sucesso é garantido. Reduzindo o aluno a um autómato, a justificação industrial apresenta a educação como um mero problema técnico. “O objectivo não é o saber, nem o saber-ser, mas uma série de saberes-fazer que a pedagogia por objectivos decompõe em sábias taxinomias, como o taylorismo tinha decomposto as tarefas industriais” (Derouet, 1992:106).
Milú foi amplamente contestada quando só quis introduzir a avaliação de desempenho, e Nuno Crato despede dezenas de milhares aparentemente sem grande contestação, por uma razão simples: dentro de cada professor vive um Crato, isto é, a maioria das nossas representações sobre a melhoria do sistema educativo fundamentam-se na justificação industrial que Crato engoliu de Taylor, objectivos pedagógicos, tarefas escolares, "linha de montagem"... e exames na linha proposta por Nuno Crato. Como em cada professor vive um Crato, é muito difícil contestá-lo, por mais miserável que seja o economicismo.
Quem puder pagar, colocará as suas flores num Colégio, ao cuidado de jardineiros (*) com menos crianças, e mais tempo para cada uma. Crato chamará a isto "liberdade de escolha" entre o ensino público e o ensino privado.
Quando os estudantes têm negativa, a explicação de Crato não poderia ser mais simples: "90% dos estudantes que tiram negativa, atiram o barro à parede".
Obrigadinho por não ler blogues, e não mudar de ideias. Fico satisfeito por ter um Ministro que atingiu a "excelência". Para quem fazia da divulgação da ciência uma das bandeiras, percebe-se bem que apenas queria substituir um "eduquês" por outro.
(*) Os jardineiros regam as flores, cuidando do ambiente à sua volta, mas não definem que estas tenham de crescer x% ao ano para atingir os objectivos. Da diversidade é surge o encanto do Jardim. A justificação industrial conduz à homogeneidade dos processos, alunos, produtos, exames.
Adenda
Todos sabem que a política seguida é meramente economicista, mas fica aqui um lembrete.
http://www.imf.org/external/pubs/ft/scr/2012/cr12179.pdf
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Princípio de Arquimedes
Segundo a lenda, o antigo matemático grego Arquimedes descobriu o princípio que o tornaria famoso, tomando banho:
- "Todo corpo mergulhado num fluido em repouso sofre, por parte do fluido, uma força vertical para cima, cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo".
Wikipédia
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Preço de 2 submarinos representa despesa superior ao Funcionamento do Estado durante 3 anos!
O preço de 2 submarinos, que já estão a meter a água, antes de serem lançados, é de 712 milhões de euros.
Segundo o Quadro IV.3.1. do OE 2012 a despesa de Funcionamento do Estado foi de 287,3 milhões de euros em 2011 e de 212,1 em 2012, de que resulta uma variação percentual de -26,2%. Admitindo que em 2013 prossegue a mesma política de redução do Estado, as despesas de funcionamento serão apenas de 156,5 milhões de euros. Quer dizer, em 2011, 2012 e 2013 (287,3 + 212,1 + 156,5 = 655,9) o Estado gasta menos que nos referidos submarinos.
Note-se que mesmo que em 2013 o Estado realize despesas de Funcionamento equivalentes às de 2012 os 2 submarinos continuariam a ser suficientes, isto é:
287,3 + 212,1 + 212,1 = 711,5 < 712
As contas são grosseiras, porque não se considerou a inflação, mas permitem dar uma ideia da velocidade a que o país caminha para o precipício, quando até o Ministério da Educação deixou de ser pessoa de bem.
Os Barracuda já não cumprem as suas funções? Ou a compra dos submarinos é útil para uma série de aventesmas?
Segundo o Quadro IV.3.1. do OE 2012 a despesa de Funcionamento do Estado foi de 287,3 milhões de euros em 2011 e de 212,1 em 2012, de que resulta uma variação percentual de -26,2%. Admitindo que em 2013 prossegue a mesma política de redução do Estado, as despesas de funcionamento serão apenas de 156,5 milhões de euros. Quer dizer, em 2011, 2012 e 2013 (287,3 + 212,1 + 156,5 = 655,9) o Estado gasta menos que nos referidos submarinos.
Note-se que mesmo que em 2013 o Estado realize despesas de Funcionamento equivalentes às de 2012 os 2 submarinos continuariam a ser suficientes, isto é:
287,3 + 212,1 + 212,1 = 711,5 < 712
As contas são grosseiras, porque não se considerou a inflação, mas permitem dar uma ideia da velocidade a que o país caminha para o precipício, quando até o Ministério da Educação deixou de ser pessoa de bem.
Os Barracuda já não cumprem as suas funções? Ou a compra dos submarinos é útil para uma série de aventesmas?
Freitas do Amaral sugere imposto especial para vencimentos elevados
Freitas do Amaral sugeriu a criação de um imposto especial para vencimentos acima dos 10 ou 15 mil euros por mês, para evitar que Portugal caia na situação da Grécia, e por questões éticas se cumpra o princípio de "dos que podem contribuírem para os mais precisam".
Regista-se com agrado esta proposta, à qual se poderiam somar muitas outras, aguardando com alguma esperança que não falte imaginação para tributar os rendimentos do capital ao Congresso Democratico das Alternativas.
Dúvidas: Será que Freitas do Amaral ganha menos de 15.000 euros/mês só porque tem remuneração variável em função dos pareceres? Ou o coração cristão é mais sensível que socialista?
Regista-se com agrado esta proposta, à qual se poderiam somar muitas outras, aguardando com alguma esperança que não falte imaginação para tributar os rendimentos do capital ao Congresso Democratico das Alternativas.
Dúvidas: Será que Freitas do Amaral ganha menos de 15.000 euros/mês só porque tem remuneração variável em função dos pareceres? Ou o coração cristão é mais sensível que socialista?
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Insucesso escolar, qualidade e equidade na educação e desenvolvimento económico
- A redução do fracasso escolar é positiva, tanto para a sociedade como para os indivíduos. Também pode contribuir para o crescimento económico e o desenvolvimento social. Na verdade, os sistemas de ensino com melhor desempenho entre os países da OCDE são aqueles que combinam qualidade e equidade. Equidade, na área da educação, significa que circunstâncias pessoais ou sociais como o género, a origem étnica ou o meio familiar não representam nenhum obstáculo para a realização do potencial educacional (equidade) e que todos os indivíduos atingem pelo menos um nível mínimo básico de formação (inclusão). Nesses sistemas educacionais, a vasta maioria dos alunos tem a possibilidade de atingir altos níveis de formação, independentemente das respectivas circunstâncias pessoais e sócio-económicas.
Equidade e Qualidade na Educação. Apoio às escolas e aos alunos desfavorecidos, OCDE, 2012.
domingo, 2 de setembro de 2012
Os políticos portugueses têm liberdade para se corromper
- 1. Cândida Almeida reconhece que Sócrates tem uma vida acima das suas possibilidades;
- 2. Cândida Almeida diz que nada pode fazer;
- 3. Cândida Almeida explicou que os políticos portugueses não corruptos;
- 4. O problema é que os plebeus não dominam o código penal, o código de processo penal, etc. e falam à toa em “crimes afins” como a fraude fiscal ou o tráfico de influência.
Para os Relvas/Sócrates/Dias Loureiros/Armando Varas/............. se multiplicarem como cogumelos?
Quando conduzimos o o automóvel não precisamos de saber mecânica para chegarmos onde queremos. A Justiça também devia ser transparente no seu funcionamento, de modo que as pessoas pudessem contar com ela. As pessoas, povo, não a máfia que enriquece à sua custa.
sábado, 1 de setembro de 2012
Troika troca – Democracia suspensa para o trabalho, Capital com rendas garantidas
- A ‘troika' está a avaliar "suavizar" a meta de 4,5% do défice orçamental prevista para este ano. O termo é utilizado por fonte governamental ao Diário Económico, ao confirmar que a flexibilização está na agenda da quinta avaliação ao programa de ajustamento. As autoridades internacionais poderão dar o aval a que o défice fique ligeiramente acima dos 5% com o argumento de que Portugal garantiu uma redução do défice externo além da programada.
http://economico.sapo.pt/noticias/troika-aceita-defice-acima-de-5-para-este-ano_150739.html
O último relatório da OCDE fazia rasgados elogios a Portugal, e aconselhava a manutenção da política económica, deixando funcionar os estabilizadores automáticos. A Troika, disse o mesmo, mas com uma linguagem que faz dos economistas uma espécie de fala baratos. Tinham definido um plano rigoroso e ambicioso para redução do défice orçamental... o modelo subestimou a previsão deste défice... mas como também subestimaram a redução do défice externo, faz de conta que bateu tudo certo, e a Economia continua a ser uma ciência!
A cortar salários, aumentar impostos, cortar subsídios, fechar serviços, despedir pessoal – 46.000 e tal professores, no maior despedimento colectivo de sempre de que ninguém fala. Obrigado Borges/RTP/Relvas/fdp! – obviamente que reduziram o consumo e as importações, - e o défice externo - mais do que esperavam.
As fundações, as PPP, as autarquias, os rendimentos do capital permanecem intocáveis. Vê-se o preço da gasolina baixar em França, mas em Portugal temos de encher a barriga a gulosos que desfrutam que rendas anormais resultantes do domínio do mercado… Nas auto-estradas, telecomunicações, pontes, etc. é o mesmo. Um modelo ideal para alargar à RTP! Na estrutura da economia portuguesa a Troika não mexe, só estão orientados ideologicamente para REDUZIR O ESTADO.
Se é para esta m* podem ser um pouco mais ambiciosos e ELIMINAR O ESTADO. Exactamente, na sua componente política! O próximo Programa de Ajustamento Estrutural seria melhor sucedido se negociassem directamente com a banca em vez de o Gaspar reunir com os banqueiros para levar os recados à Troika. Bem vistas as coisas, o país tem a dimensão de uma região alemã, e poderia ser governado directamente de lá, poupando-se a despesa com o Governo, a Assembleia da República, o Presidente da República e toda esta palhaçada da democracia. Manuela Ferreira Leite teve "coragem" para pedir a suspensão da Democracia durante 6 meses, mas só o que tem conhecido é alternância entre a máfia do PS e da PSD! Democracia, como poder do povo não se sabe o que é.
Não estou a brincar. Até mesmo a banca portuguesa apenas continuará a existir enquanto um Deutsche Bank não a comprar. E para cobrarem taxas só pelos movimentos do dinheiro, podem vir bancos mais eficientes (que cobrem menos). O resgate português poderia ter sido menos oneroso se não tivéssemos bancos portugueses!
E com António Borges - ameaça eterna de líder do PSD - sempre a dar conselhos, sem nunca ninguém ter votado nele, que são religiosamente seguidos, a Democracia já se encontra suspensa ao tempo... O desemprego nunca tinha sido tão elevado (caladinhos ou levam no focinho), mas para os rendimentos do capital nunca o clima foi tão bom!
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