Num post de dia 29 de Junho afirmei que Passos Coelho e toda a imprensa estariam a enrolar a opinião pública acerca do valor do défice orçamental divulgado pelo INE nesse dia. De facto o destaque do INE mostra o valor do défice orçamental para o 1º Trimestre de 2012 em 4,3% e toda a imprensa refere o valor de 7,9%. Este post destina-se a mostrar que os dois valores estão certos, resultando de conceitos diferentes.
O 4,3% indicado no destaque do INE, cuja imagem reproduzi no referido post, resulta do cálculo da percentagem do défice orçamental do ano terminado no 1º Trimestre de 2012, relativamente ao PIB desse mesmo ano.
O 7,9% resulta apenas dos valores do défice do 1º Trimestre de 2012 relativamente ao PIB. O INE não apresenta este resultado, mas os economistas podem calculá-lo a partir do anexo do INE. O valor do PIB encontra-se na Sheet S1 e valor da Capacidade/necessidade líquida de financiamento na Sheet S13. A imagem abaixo mostra os valores trimestrais e anuais do défice em percentagem do PIB.
Até serem conhecidos estes valores percebe-se porque o presidente do Deutche Bank tinha afirmado que Portugal estava no bom caminho, uma vez que o défice orçamental mostra uma evolução favorável, quer na perspectiva trimestral ou anual. Igualmente os dois indicadores permitem assinalar o fim de um ciclo em que austeridade rendeu, mas provavelmente encontrou os seus limites.
Fica aqui expressa a minha gratidão a todos os colegas da lista de mail que me ajudaram a resolver este imbróglio.
terça-feira, 3 de julho de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Alunos poderão escolher cursos mais práticos logo no 5º ano – Ministério da Educação antecipa início do ensino vocacional
Este título do EXRESSSO anunciou a última inovação de Nuno Crato, que confirma a germanização da política de ensino. Se o certificado de idoneidade apenas pode ser compreendido no âmbito das restrições financeiras impostas pela Troika, esta do ensino vocacional a partir dos 10 anos de idade é decalcada do sistema de ensino alemão, único na Europa a fazer a separação das vias de ensino tão cedo.
É fácil perceber que uma separação tão precoce entre “cursos práticos” e a “via ensino” nem permite que os alunos sintam se têm dificuldades a aprender Matemática, Português, Línguas, Ciências, etc. A notícia explica que “os cursos de ensino vocacional têm como objectivo garantir uma efectiva igualdade de oportunidades, consagrando alternativas mais adequadas, que preparem os jovens para a vida, dotando-os de ferramentas que lhes permitam enfrentar os desafios do mercado de trabalho”.
Se a escolaridade é obrigatória até aos 18 anos, qual é a profissão que necessita de 8 anos específicos de aprendizagem? Nenhuma. A única utilidade destes cursos é retirar os “alunos problemáticos” das turmas “normais”. Procura-se uma maior eficácia no ensino da elite, apesar da retórica da igualdade oportunidades.
Estes cursos serão frequentados por “opção dos alunos ou por sugestão da escola”, atendendo ao perfil de insucesso escolar, claro está! Certamente nenhum aluno optará livremente aos 10 nos pela condenação a uma vida de trabalho indiferenciado, mas deverá suceder o mesmo que na Alemanha onde as disciplinas mais problemáticas como a Matemática e as Ciências perdem importância na carga horária destes cursos (ver Eurydice).
O cinismo de Nuno Crato não tem limites quando afirma que, não se pretende que o aluno defina tão cedo o seu percurso escolar. “No final de cada ciclo de estudos – no 6º ou no 9º ano -, mediante a realização das provas ou exames previstos, os estudantes podem voltar a integrar o ensino básico geral”. Estão a brincar connosco! Vão para o ensino vocacional porque manifestaram dificuldades de aprendizagem, terão menor carga horária às disciplinas consideradas estruturantes/nobres... é evidente que seria um feito um aluno nestas circunstâncias regressar ao ensino normal.
É evidente que a escola deve fornecer uma educação comum igual a todos até determinado nível. Mais tarde, a especialização das profissões exige a ramificação do ensino. Não é possível definir com precisão até que idade deverá ir o ensino unificado, mas a criação de diferentes vias aos 10 anos de idade tem um significado claro: elitismo, segregação social e perpetuação da ignorância e das desigualdades. Da escola pública exige-se o inverso!
É fácil perceber que uma separação tão precoce entre “cursos práticos” e a “via ensino” nem permite que os alunos sintam se têm dificuldades a aprender Matemática, Português, Línguas, Ciências, etc. A notícia explica que “os cursos de ensino vocacional têm como objectivo garantir uma efectiva igualdade de oportunidades, consagrando alternativas mais adequadas, que preparem os jovens para a vida, dotando-os de ferramentas que lhes permitam enfrentar os desafios do mercado de trabalho”.
Se a escolaridade é obrigatória até aos 18 anos, qual é a profissão que necessita de 8 anos específicos de aprendizagem? Nenhuma. A única utilidade destes cursos é retirar os “alunos problemáticos” das turmas “normais”. Procura-se uma maior eficácia no ensino da elite, apesar da retórica da igualdade oportunidades.
Estes cursos serão frequentados por “opção dos alunos ou por sugestão da escola”, atendendo ao perfil de insucesso escolar, claro está! Certamente nenhum aluno optará livremente aos 10 nos pela condenação a uma vida de trabalho indiferenciado, mas deverá suceder o mesmo que na Alemanha onde as disciplinas mais problemáticas como a Matemática e as Ciências perdem importância na carga horária destes cursos (ver Eurydice).
O cinismo de Nuno Crato não tem limites quando afirma que, não se pretende que o aluno defina tão cedo o seu percurso escolar. “No final de cada ciclo de estudos – no 6º ou no 9º ano -, mediante a realização das provas ou exames previstos, os estudantes podem voltar a integrar o ensino básico geral”. Estão a brincar connosco! Vão para o ensino vocacional porque manifestaram dificuldades de aprendizagem, terão menor carga horária às disciplinas consideradas estruturantes/nobres... é evidente que seria um feito um aluno nestas circunstâncias regressar ao ensino normal.
É evidente que a escola deve fornecer uma educação comum igual a todos até determinado nível. Mais tarde, a especialização das profissões exige a ramificação do ensino. Não é possível definir com precisão até que idade deverá ir o ensino unificado, mas a criação de diferentes vias aos 10 anos de idade tem um significado claro: elitismo, segregação social e perpetuação da ignorância e das desigualdades. Da escola pública exige-se o inverso!
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Se Passos Coelho e a imprensa trocarem o défice orçamental pelo crescimento das exportações alguém dá por isso?
O Jornal de Negócios refere que no dia em que dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) apontam que o défice orçamental no primeiro trimestre se agravou para 7,9% do PIB, ficando acima da meta de 4,5% prevista para o final do ano, Pedro Passos Coelho comentou que "não há novidades quanto a perdas" e considerou que as contas nacionais até trazem a "boa notícia": o processo de transformação da economia portuguesa, mais direccionada para as exportações, em marcha, e de as necessidade de financiamento externo do país já não serem tão pronunciadas.
Quem se der ao trabalho de confirmar os dados no site do INE observará que o défice orçamental estimado em percentagem no PIB para o primeiro trimestre de 2012 foi de 4,3%, uma redução brutal visto que em 2011 era de 9,4%.
Fonte: Necessidade de financiamento da economia diminui. Poupança das famílias aumenta. - 1.º Trimestre de 2012, p. 4, 29/Junho/2012, INE. --- Backup
Presumivelmente o Primeiro-Ministro e Jornal de Negócios foram buscar o 7,9 ao crescimento em volume das exportações de bens e serviços que constam do Boletim Mensal de Estatística - Maio de 2012. Fazendo essa troca o Primeiro-Ministro terá ganho inspiração para as “boas notícias” que refere no jornal.
Fonte: Boletim Mensal de Estatística - Maio de 2012, p. 14, INE. --- Backup
Se lerem os valores com maior atenção, concluirão que já foi atingido um défice orçamental de 4,3% do PIB, isto é, melhor do que os 4,5% impostos pela Troika na quarta avaliação... Portanto é tempo de deixar o país respirar. Por favor, deixem as pessoas e as empresas trabalhar, em vez de persistirem na loucura da austeridade!
O mais interessante é que toda imprensa foi enrolada. Ouvem-se uns aos outros!
Ler ERRATA
Quem se der ao trabalho de confirmar os dados no site do INE observará que o défice orçamental estimado em percentagem no PIB para o primeiro trimestre de 2012 foi de 4,3%, uma redução brutal visto que em 2011 era de 9,4%.
Fonte: Necessidade de financiamento da economia diminui. Poupança das famílias aumenta. - 1.º Trimestre de 2012, p. 4, 29/Junho/2012, INE. --- Backup
Presumivelmente o Primeiro-Ministro e Jornal de Negócios foram buscar o 7,9 ao crescimento em volume das exportações de bens e serviços que constam do Boletim Mensal de Estatística - Maio de 2012. Fazendo essa troca o Primeiro-Ministro terá ganho inspiração para as “boas notícias” que refere no jornal.
Fonte: Boletim Mensal de Estatística - Maio de 2012, p. 14, INE. --- Backup
Se lerem os valores com maior atenção, concluirão que já foi atingido um défice orçamental de 4,3% do PIB, isto é, melhor do que os 4,5% impostos pela Troika na quarta avaliação... Portanto é tempo de deixar o país respirar. Por favor, deixem as pessoas e as empresas trabalhar, em vez de persistirem na loucura da austeridade!
O mais interessante é que toda imprensa foi enrolada. Ouvem-se uns aos outros!
Ler ERRATA
quinta-feira, 28 de junho de 2012
A sociedade beneficia com a partilha de informação?
Se perguntassem a George Siemens ele responderia que aprendemos conectando nós ou fontes de informação. Eu observarei que não guardar este vídeo no blogue, numa lista, ou noutra ferramenta qualquer que me permita agregar a informação ao meu ambiente de aprendizagem, um dia poderia querer voltar a utilizá-lo, mas não o encontraria. Portanto não escrevo o blogue para “partilhar” informação, mas sim para organizar a minha!
Curiosamente, utilizando as ferramentas da Web é mais simples e divertido partilhar com os outros o que organizamos para nós!
Evidentemente que o lixo que não compreendemos não é informação. Precisamos de aprender a criar filtros para separar rapidamente o que não interessa. Nenhum de nós é especialista em vinhos, lâmpadas, mecânica e produtos financeiros; mas todos compramos vinhos, lâmpadas, cuidamos do automóvel e temos dinheiro no banco. Não sendo especialista em vinhos, uma boa decisão é comprar o que os outros compram, seguindo os amigos! Esse princípio também se aplica na Web ;)
quarta-feira, 27 de junho de 2012
O que a Alemanha tem ganho com o Euro?
Desde 2002 que a Alemanha tem acumulado excedentes na sua Balança Corrente:

Fonte: http://www.tradingeconomics.com/germany/current-account
Este excedente apenas é comparável ao da Arábia Saudita, que é o maior produtor e exportador de petróleo, ou com o da China, cuja população tem uma dimensão 17 vezes maior, e trabalha sem direitos sociais:

Fonte: The World FactBook
Perante estes números parece evidente que Alemanha é a primeira interessada no Euro, mas têm surgido muitos comentários a dizer o oposto.
Enquanto não tivermos relações comerciais com os extra-terrestres, os excedentes de uns correspondem necessariamente aos défices dos outros. Da intensificação das relações comerciais no Mercado Interno Único (Europeu), saíram vitoriosos a Alemanha e os países vizinhos desta sem pretensões para afirmação como potências: Holanda, Suécia, Dinamarca, Áustria, Finlândia e Luxemburgo.

Fonte: http://epp.eurostat.ec.europa.eu/statistics_explained/index.php/Balance_of_payment_statistics
Portugal tem o azar de estar afastado da locomotiva por duas composições: Espanha e França. Sendo um país periférico, nunca poderá tirar tanto benefício do Mercado Comum, mas mais grave ainda é continuarmos a exportar Sol, azeite e cortiça (produtos baratos) em vez de exportar automóveis, electrodomésticos e equipamentos industriais (produtos caros). Só será possível produzir e vender produtos caros, incorporando nos mesmos mais trabalho e tecnologia, desenvolvendo a indústria e a estrutura da economia.
A assistência financeira só pode comprar tempo, mas não aborda as causas da crise. É como um analgésico. Se não forem tomadas as célebres medidas estruturais para garantir que se vai curar a doença, ficará pior cada vez que o efeito desaparece. Gaspar continua a insistir no défice como objectivo único, mas tem a seu lado Relvas que transformou o Continente em 308 Madeiras! Respeita as big four das PPP, etc.
Assim a austeridade não tem sentido, e à medida que a repartição do rendimento é cada vez mais inequitativa, a política económica perde moralidade. A única forma de dar os parabéns a Vitor Gaspar é felicitá-lo por estar a "governar" para os alemães, que afirmam que "Portugal está no bom caminho". “Até agora, o país tem cumprido as suas obrigações”, suspendendo os subsídios de férias e 13.º mês, vendendo ao desbarato o escasso tecido produtivo através das privatizações e encontra-se em curso uma reforma laboral que nos aproximará da China... Assim os alemães terão - talvez, se não matarem a economia - garantias de que receberão todo o crédito concedido. Mas se chamarem a isto "governar": cortar salários, vender empresas e aumentar impostos... suponho que o país viveria melhor sem Governo!

Fonte: http://www.tradingeconomics.com/germany/current-account
Este excedente apenas é comparável ao da Arábia Saudita, que é o maior produtor e exportador de petróleo, ou com o da China, cuja população tem uma dimensão 17 vezes maior, e trabalha sem direitos sociais:

Fonte: The World FactBook
Perante estes números parece evidente que Alemanha é a primeira interessada no Euro, mas têm surgido muitos comentários a dizer o oposto.
Enquanto não tivermos relações comerciais com os extra-terrestres, os excedentes de uns correspondem necessariamente aos défices dos outros. Da intensificação das relações comerciais no Mercado Interno Único (Europeu), saíram vitoriosos a Alemanha e os países vizinhos desta sem pretensões para afirmação como potências: Holanda, Suécia, Dinamarca, Áustria, Finlândia e Luxemburgo.

Fonte: http://epp.eurostat.ec.europa.eu/statistics_explained/index.php/Balance_of_payment_statistics
Portugal tem o azar de estar afastado da locomotiva por duas composições: Espanha e França. Sendo um país periférico, nunca poderá tirar tanto benefício do Mercado Comum, mas mais grave ainda é continuarmos a exportar Sol, azeite e cortiça (produtos baratos) em vez de exportar automóveis, electrodomésticos e equipamentos industriais (produtos caros). Só será possível produzir e vender produtos caros, incorporando nos mesmos mais trabalho e tecnologia, desenvolvendo a indústria e a estrutura da economia.
A assistência financeira só pode comprar tempo, mas não aborda as causas da crise. É como um analgésico. Se não forem tomadas as célebres medidas estruturais para garantir que se vai curar a doença, ficará pior cada vez que o efeito desaparece. Gaspar continua a insistir no défice como objectivo único, mas tem a seu lado Relvas que transformou o Continente em 308 Madeiras! Respeita as big four das PPP, etc.
Assim a austeridade não tem sentido, e à medida que a repartição do rendimento é cada vez mais inequitativa, a política económica perde moralidade. A única forma de dar os parabéns a Vitor Gaspar é felicitá-lo por estar a "governar" para os alemães, que afirmam que "Portugal está no bom caminho". “Até agora, o país tem cumprido as suas obrigações”, suspendendo os subsídios de férias e 13.º mês, vendendo ao desbarato o escasso tecido produtivo através das privatizações e encontra-se em curso uma reforma laboral que nos aproximará da China... Assim os alemães terão - talvez, se não matarem a economia - garantias de que receberão todo o crédito concedido. Mas se chamarem a isto "governar": cortar salários, vender empresas e aumentar impostos... suponho que o país viveria melhor sem Governo!
terça-feira, 26 de junho de 2012
Comam depressa que o Presidente Obama está a chegar e os talheres têm que ser recolhidos antes!
Sorriso bem aberto o desta funcionária DA Administração Obama. O casa era realmente anedótico. Se era um problema de segurança deveriam ter tido a sensibilidade de agir sem que a população percebesse a sua acção. Poderiam ter utilizado talheres de plástico!
Garfos e facas podem ser utilizados como armas, portanto antes de Obama discursar devem ser recolhidos. Quer dizer que cada um dos convidados é um potencial assassino!
É esta a imagem dos latinos na América! O resultado do trabalho dos Serviços Secretos deu nisto: esta funcionária saltou para a Internet, com o seu minuto de glória! Quanto a Obama, sabe-se lá o que terá dito!
Garfos e facas podem ser utilizados como armas, portanto antes de Obama discursar devem ser recolhidos. Quer dizer que cada um dos convidados é um potencial assassino!
É esta a imagem dos latinos na América! O resultado do trabalho dos Serviços Secretos deu nisto: esta funcionária saltou para a Internet, com o seu minuto de glória! Quanto a Obama, sabe-se lá o que terá dito!
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