terça-feira, 6 de abril de 2010

Educação para os meios de comunicação nas escolas e enquanto parte integrante da formação de professores


  • (...)

    18. Salienta que a educação para os meios de comunicação deve fazer parte integrante da educação formal, à qual todas as crianças têm acesso, assim como dos planos curriculares de todos os níveis de ensino;

    19. Reclama que a literacia mediática seja inscrita como nona competência essencial no quadro de referência europeu para a aprendizagem ao longo da vida, nos termos da Recomendação 2006/962/CE;

    20. Recomenda que a educação para os meios de comunicação seja tanto quanto possível orientada para a prática e relacionada com matérias do domínio económico, político, literário, social, artístico e das tecnologias da informação, sugerindo, como via a seguir, a criação de uma disciplina específica «Educação Mediática» e a adopção de uma abordagem transversal que estabeleça pontes com projectos extra-escolares;

    21. Recomenda aos estabelecimentos de ensino que promovam a criação de produtos mediáticos (no âmbito dos meios de comunicação impressos, dos meios audiovisuais e dos novos meios de comunicação) que envolvam alunos e professores, enquanto medida de formação prática em literacia mediática;

    22. Exorta a Comissão a incluir nos indicadores de literacia mediática que se propôs elaborar não só a qualidade do ensino mas também a formação do pessoal docente neste domínio;

    23. Verifica que, além dos aspectos pedagógicos e inerentes à política de educação, o apetrechamento técnico e o acesso às novas tecnologias também desempenham um papel essencial, e salienta a necessidade de melhorar sensivelmente a infra-estrutura escolar, a fim de permitir a todos os alunos o acesso a computadores, à Internet e ao correspondente ensino;

    24. Salienta a especial relevância que a educação para os meios de comunicação assume nos estabelecimentos de ensino especial, dada a importante função que, em muitos tipos de deficiência, os meios de comunicação desempenham na superação de problemas de comunicação;

    25. Recomenda que a formação de professores, em todos os níveis de ensino, comporte módulos obrigatórios de ensino de competências mediáticas, a fim de garantir uma formação intensiva, e requer, por conseguinte, às autoridades nacionais competentes que familiarizem os professores de todas as disciplinas e categorias de escolas com o emprego de meios audiovisuais didácticos e com os problemas da educação para os meios de comunicação;

    26. Frisa a necessidade de se proceder regularmente ao intercâmbio, entre Estados-Membros, de informações, de boas práticas e, no domínio da educação, de métodos pedagógicos;

    27. Insta a Comissão a incluir no programa que venha a suceder ao Programa MEDIA 2007 uma parte especificamente consagrada à promoção da literacia mediática, já que na actual versão aquele programa pouco contribui para fomentar a literacia mediática; subscreve, além disso, os esforços da Comissão no sentido de elaborar um novo programa denominado «Media Mundus», para apoiar a cooperação no domínio audiovisual; solicita que a literacia mediática assuma maior relevo noutros programas de apoio da UE, designadamente, nos programas «Aprendizagem ao longo da vida», eTwinning, «Internet mais segura» e no Fundo Social Europeu; Educação para os meios de comunicação destinada às pessoas idosas;

    28. Salienta que as actividades no domínio dos meios de comunicação social destinadas às pessoas idosas devem ser desenvolvidas nos seus locais de permanência e encontro, nomeadamente associações, lares de idosos e instituições de acolhimento e prestação de cuidados de assistência, residências e centros de dia, grupos de tempos livres e actividades de lazer, iniciativas ou grupos de seniores;

    29. Releva que as redes digitais oferecem, sobretudo às pessoas idosas, a possibilidade de participarem na vida quotidiana de uma forma comunicativa e de preservarem, tanto quanto possível, a sua autonomia;

    30. Assinala que há que ter em conta o quadro de vida e de experiência dos idosos e a sua relação específica com os meios de comunicação no âmbito da educação para os meios de comunicação que lhes seja ministrada.
    Fonte: Jornal Oficial da União Europeia, 16 de Dezembro de 2008


Será a Resolução do Parlamento Europeu sobre literacia mediática no mundo digital compatível com as acções de formação que se continuam a fazer, das quais resultam portefólios em papel?

Localizar o Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua em Braga não terá sido o primeiro passo para a sua desacreditação? É que para a maioria dos professores deste país nunca passarão de um apartado.

Utilização da Internet em Portugal

A utilização da Internet pelas empresas em Portugal apresenta indicadores que nos colocam ao nível dos países em desenvolvimento. Os parceiros que tomamos como referência na União Europeia apresentam uma utilização mais intensiva da Internet.

Fonte: Information Economy Report 2007-2008.

Em termos de penetração dos telemóveis já Portugal é dos países "mais avançados" ;)
Para nós, as tecnologias estão a manifestar-se na sociedade do telemóvel.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Nativos Digitais vs Imigrantes Digitais

Em que medida os problemas das escolas resultam do choque de culturas entre os nativos digitais e os imigrantes digitais?

Estes termos são de Marc Prensky. Refere por nativos digitais aqueles que nasceram após 1980, imersos em televisão, jogos, Internet, telemóveis, e que em razão dessa vivência consideram a tecnologia como a sua estratégia natural de desenvolvimento.

Aqueles que nasceram na Galáxia Guttenberg, no mundo do papel, estão a adaptar-se às tecnologias - lamento, mas já não são "novas" - por mera estratégia de sobrevivência profissional. São os imigrantes digitais.

O blogue do nativo são as redes sociais, onde retrata as suas emoções num diário partilhado com os amigos. O imigrante transformou o blogue numa ferramenta intelectual.

Para os nativos a Web é uma nova plataforma de encontro entre a oferta e procura no mercado de emprego, no mercado de bens e serviços, nos encontros de amigos ou de relações amorosas. Os imigrantes desperdiçam muitas oportunidades na Web.

Os nativos gostam de partilhar, trocar, obter, expressar a sua personalidade... criar... encontrar-se.... coleccionar... Os imigrantes vivem como ilhas isoladas.

Os nativos utilizam sistemas de avaliação da informação que lhes permitem seleccionar mais rapidamente a informação relevante. Os imigrantes queixam-se do volume excessivo de "informação".

As Webcams são utilizadas pelos nativos para partilhar... enquanto os imigrantes as utilizam para monitorar.

Como em todos os imigrantes, também nestes podemos observar uma pronúncia mais acentuada ao seu Planeta. Alguns exemplos anedóticos do ponto de vista dos nativos consistem:
- na impressão de e-mails, antes de responder;
- na impressão de textos antes de os editar ou simplesmente para os ler;
- na memorização de telemóveis;
- na memorização de endereços de e-mail ou da web;
- nas listas em papel com endereços da web, de e-mail ou de telemóveis.












Fonte: http://www.scribd.com/doc/9196803/Estudantes-Nativos-Digitais-Tabela

Trabalho de MDS


Bibliografia

Digital Natives, Digital Immigrants

The Emerging Online Life of the Digital Native

José Trocas-Te

A voz em OFF anunciou: E agora vai usar da palavra o primeiro-ministro, José Trocas-Te.



E não é que continuou a cerimónia impávido e sereno?

domingo, 14 de março de 2010

Deus Internet!


Há uma famosa banda desenhada sobre a Internet: representa um cão em frente ao computador. A legenda diz: “O que é óptimo na Internet, é que ninguém pode saber que és um cão”. A palavra “dog” (cão) se for lida ao contrário significa “God” (Deus)!

Outra história que a relação de Deus com a tecnologia me recorda é aquela em que teólogo perguntou a um super-computador muito potente:

- Deus existe?

O super-computador respondeu que não tinha poder suficiente, em termos de capacidade de processamento, para poder responder àquela pergunta. Pediu para ser ligado a outros super-computadores do mundo, mas mesmo assim o seu poder continuava insuficiente. Por isso, o super-computador foi ligado às principais redes militares e universitárias mundo, depois foi ligado às redes das empresas e a todos os computadores pessoais de secretária ou portáteis, aos telemóveis, aos computadores instalados nos automóveis, aos relógios digitais, aos VCR’s, frigoríficos, microondas,..

O teólogo perguntou novamente ao super-computador:

- Deus existe?

E o computador respondeu:

- Sim, agora já existe!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Professores e estudantes do séc. XXI

Encalhei nestes vídeos a surfar pela web, num momento em participava numa discussão sobre os prós e os contras da tecnologia, particularmente das tecnologias da informação.






O que me custa compreender é como ainda se discute tecnologia. Melhor, compreendo. Apenas se discute a tecnologia porque ela não foi integrada no quotidiano escolar.

terça-feira, 9 de março de 2010

O telemóvel é o objecto que mais mudou os nossos hábitos sociais

Aproveito o facto de o colega CJ se ter referido ao telemóvel para contrariar a tese da “injecção de informação”, argumentando que não vivemos em nenhuma sociedade da informação, mas sim na SOCIEDADE DO TELEMÓVEL! Assim, o autor de TECNOGNOSE terá construído “mapas imaginários” contra os excessos de uma imaginária “sociedade da informação”.

A hierarquia de necessidades que o colega terá desenhado foi certamente a Pirâmide de Maslow.

Na base da pirâmide estão as necessidades fisiológicas – onde se inclui o sexo -, a segurança e o amor/relacionamento. É para estas necessidades que o telemóvel serve, como mais abaixo ficará claro.

No nosso caso particular, como professores, todos temos uns colegas que muito dificilmente encontramos precisamente porque não utilizam a Internet. Esses são exactamente os que mais gostam de nos ligar! Os telemóveis até já têm Internet, mas são o instrumento ideal para não a utilizar!

O telemóvel é o objecto que mais mudou os nossos hábitos sociais desde que existe. Não é o computador, nem a Internet, nem o cabo, é o telemóvel. E continua a mudar sem darmos muito por isso, porque a mudança se faz de forma desigual, quer no que muda, quer em quem muda. Dito de outra maneira, muda certas coisas nos jovens e muda outras nos adultos e os seus efeitos estão longe de ter terminado ou sequer de se saber até que ponto de transformação vão.

Os jovens têm num telemóvel muito do seu mundo: telefones dos amigos, telefone dos namorados, passwords, fotografias, mensagens, vídeos, agenda pessoal, um brinquedo que além de fotografar e filmar também serve como despertador, rádio, hi-fi de bolso ou calculadora.

Os adultos dão aos filhos e aos idosos telemóveis com números gravados nas memórias e recomendam-lhes uma utilização parcimoniosa: “em caso de emergência é só carregares aqui e nunca estarás sozinho”. Para os adultos o telemóvel é o instrumento de controlo perfeito dos filhos, dos idosos e dos pares. O telemóvel oferece a sensação de estar em simultâneo com toda a gente, mesmo que não esteja com ninguém.

Um telemóvel desligado é motivo de desconfiança. Têm de estar ligados 24/24 horas e se suceder receber uma SMS ou uma chamada inoportuna da namorada enquanto estamos com a mulher o caldo fica logo entornado, como no filme Enough, de Jennifer Lopez, http://www.youtube.com/watch?v=pNAdBSxZ9XQ . Se recusarmos dar o número de telemóvel ou somos mal educados ou não somos sociáveis porque não ficamos disponíveis.

Ligar é ter poder para decidir quando o outro deverá responder. Se não atendeu terá de arranjar uma justificação. Este é o jogo dos amantes, das relações patrão/empregado, etc. Na verdade a esmagadora maioria das chamadas de telemóvel não tem qualquer objecto ou necessidade de ser feita, ninguém as faria num mundo de telefones fixos, que não seja pelo controlo, pelas inseguranças, pela solidão. São estas as necessidades “básicas” que justificam a presença quase universal dos telemóveis desde as crianças até aos velhos, as chamadas a qualquer hora do dia, em qualquer sítio, do cinema à sala de aulas, resultado do complexo jogo de interacções sociais que ele permite, sem as quais já não sabemos viver. Vivemos num mundo muito diferente e cada vez mais diferente.

Se a dita “Sociedade da Informação” não passa parra a generalidade das pessoas da SOCCIEDADE DO TELEMÓVEL, Erik Davis falhou o alvo quando criticou os excessos da primeira.


NOTA:
As minhas referências sobre a SOCCIEDADE DO TELEMÓVEL encontram-se aqui.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...