quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sociologia de cordel: Teoria do macho latino


Confesso que nunca me ocorreu escutar conversas na casa-de-banho. É uma zona privada que utilizamos para nos recompor, e eventuais conversas, sempre muito rápidas, não merecem qualquer significado especial, até que Filomena Mónica resolveu fazer “ciência” porque se treinou a espreitar para dentro do mundo dos outros e gosta de escutar conversas entre homens... Não resisti a fazer umas observações a um artigo tão interessante ;)

A meio da crónica diz que se quiser observar um macho latino terá de ir a Itália… mas no final parece querer fundar uma associação protectora da espécie.

  • Voltando ao princípio, gosto da ideia de "coutada", expressa na sentença judicial, porque ela remete para um espaço fechado, onde, por estarem em vias de extinção, os animais vivem semi-protegidos. O macho latino é, na minha opinião, o nosso lince da Malcata: claro que ainda existem sinais da sua actuação, mas, no fundo, já não são o que eram.
    http://aeiou.expresso.pt/o-macho-latino-segundo-maria-filomena-monica=f538499


Os homens já não os machos latinos que foram, mas as mulheres também mudaram. É interessante que tenha observado que a concepção da mulher como mãe já foi mais importante. Os homens que enviam satélites para o espaço também sabem que as actuais taxas de fecundidade já são insuficientes para assegurar a preservação das culturas. A concepção das mulheres como putas resulta de estas terem deixado de equacionar a sua vida familiar, encarando os homens como parceiros – mutáveis – nas suas relações.

Proponho ainda a reformulação da sua tese para a divisão qualitativa. Na minha humilde opinião ficaria melhor assim:

Há ainda outra divisão, esta qualitativa. Para a maioria dos homens, as mulheres dividir-se-iam entre as que, na cama, são boas e as que são más. Segundo eles, haveria um critério objectivo - o tamanho das mamas e das nádegas - que lhes permitiria separar umas das outras. As mulheres que sabem da arte com um, certamente demonstrarão idêntica sabedoria com outro que desejem. Adquire então particular importância a sua própria competência e, quando o fazem, contam quantas vezes conseguem penetrar a mulher na mesma noite.

O pensamento do macho latino é a preto e branco, enquanto o pensamento feminino tem toda a palete de cores e tonalidades. Num mundo multicolor, plural e complexo o tipo de raciocínio do macho latino já não permite explicar a realidade. Foi explorando este desajustamento do macho latino à actualidade, provocado pela complexificação do real que Filomena Mónica escreveu a sua crónica. Realmente os homens não querem só ter uma boazona na cama, mas também lhes dá jeito que contribua para o orçamento familiar com outro rendimento. Aí deixa de ter tanto tempo para ser mãe... e cada qual desembrulha-se do problema à sua maneira.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O novo papel dos professores


Ligam-se os computadores e o processo de ensino que centrava no professor, que o controlava plenamente, adquire outra dinâmica. Deixa de ser possível estabelecer o que cada aluno irá observar a seguir, cada qual seguirá o seu caminho, e o professor passa a organizador dar actividades, criador de ambientes de aprendizagem, mas deixa de ser a referência exclusiva do conhecimento.

Vem esta conversa a propósito do pânico provocado pela Internet em Silicon Valley, onde já utilizam filtros para bloquear o acesso ao YouTube e às Redes Sociais.

O bloqueio de uma distracção não resolve a questão dos alunos que não estão orientados para as tarefas, apenas os encoraja a encontrar outro local para se distraírem. O problema destes alunos não é um problema de tecnologia, é um problema de comportamento. Os professores deverão ajudar os alunos a aprender o necessário sobre as tarefas para que estes se apliquem, em vez de assumir que podem usar filtros para os controlar. Ao invés de bloquear sites de modo ad hoc, os professores devem promover a responsabilidade dos estudantes. Os melhores filtros numa sala de aula são as pessoas, tanto o pessoal docente, quanto os próprios alunos.

domingo, 4 de outubro de 2009

sábado, 3 de outubro de 2009

É invasivo mas é fixe


É invasivo mas é fixe, dizem os utilizadores da Diigo, uma ferramenta que lhes permite escrever notas que serão partilhadas com os restantes utilizadores da comunidade, sobre qualquer página na web.

Estas notas só ficam visíveis para quem utiliza a ferramenta. Esta ferramenta também dá jeito para sublinhar os sites como se dispuséssemos de um marcador.

Viagem pelo Universo



Este vídeo é espectacular, mas fica a milhas dos novos HD que não consigo incorporar aqui. Para experimentar a adrenalina destes clique aqui, ou aqui.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Legislativas 2009 – Sou professor! Não votei no PS!


1. Se a abstenção fosse um partido teria ganho as eleições. Em cada 10 eleitores, 4 não se identificam com nenhum dos partidos concorrentes, o que é um indicador da falta de qualidade da democracia.

2. O PS perdeu a maioria absoluta. Creio que José Sócrates não irá optar por nenhuma coligação. Tentará um governo PS minoritário com acordos pontuais.

3. Os Orçamentos do PS só passarão com acordos à direita (PS+CDS, PS+PSD ou PS+PSD+CDS).

4. Nas “questões fracturantes” o PS precisa da esquerda, incluindo o PC. Os votos da CDU e do BE são necessários para uma maioria de esquerda, necessariamente PS+BE+CDU.

5. A direita sem o PS continua inofensiva (PSD + CDS = 99 deputados).

6. O PSD foi o grande perdedor destas eleições, porque foi o único partido da oposição que não beneficiou da hemorragia de votos sofrida pelo PS. Isso deve-se a MFL que aspirou a ser PM sem fazer comícios. Certamente já concluiu que deverá procurar outro emprego.

7. O PS ganhou as eleições porque o PSD nem fez campanha. Se em vez do Pacheco Pereira ficar na retaguarda a interpretar os disparates de MFL, tivesse sido ele próprio o candidato, certamente o PSD teria tido outro resultado.

8. A hemorragia que afectou o PS não se deve ao mérito especial dos outros partidos, que cresceram todos salvo as abéculas do PSD. Um factor determinante da nova correlação de forças no parlamento foi o trabalho dos professores. Sócrates deveria recordar-se que estes promoveram a campanha "Sou professor! Não voto PS!", que conduziu a esta dispersão dos sufrágios. Estes partidos subscreveram um Compromisso Educação que poderão agora honrar, colocando termo aos principais disparates de Milu.


Fonte: EXPRESSO.

Se José Sócrates insistir nas políticas da educação que lhe deram este cartão amarelo, bastará que o PSD encontre um líder - MFL foi simplesmente Presidente, com autoridade estatutária. Um líder tem autoridade muito superior! - e que o PR convoque eleições antecipadas para que o PSD lhe tome o poder. Quererá Sócrates correr esse risco?

sábado, 26 de setembro de 2009

Para que a plebe saiba e se recorde


Não são claros os objectivos políticos. Contudo é cada vez mais claro que os políticos têm dois objectivos:

1. Atingir o poder;

2. Uma vez no poder, o objectivo é manterem-se no poder.


Já é António Barreto que acusa Sócrates de ditador, e contudo ele desgovernará o país mais quatro anos (Sondagem Intercampus/PÚBLICO/TVI/RCP).

Se tivessem objectivos políticos, certamente o desenvolvimento do país teria prioridade máxima. Não é sério falar em promover a competitividade das empresas quando se permite que uma larga maioria destas fundamente as suas vantagens concorrenciais na batotice. A evasão fiscal é uma das faces mais visíveis da desigualdade na repartição do rendimento. Os trabalhadores pagam IRS mas 64% das empresas não contribuíram em um cêntimo para o IRC (conferência anual da revista "Exame", por Nicolau Santos). Assim nos continuaremos a destacar como o país da zona Euro onde o rendimento se encontra se encontra pior distribuído (conferir coeficientes de Gini).

Estas políticas "socialistas" resumem-se ao compadrio que nenhuma economia suporta. Vocês sabem que as denúncias publicadas, por exemplo, no post "para que a plebe saiba", são verdadeiras. O país assim não tem futuro. E não se passam?

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...