sábado, 25 de julho de 2009

A web é para ler


O Magalhães é um brinquedo inútil. Não tem leitor de CD/DVD que permita instalar novo software e isso faz toda a diferença. Não é computador porque não podemos alterar as suas funções. Ponto final.

António Barreto toma o Magalhães para criticar a tecnologia.

  • Da maneira como o Governo aposta na informática, sem qualquer espécie de visão crítica das coisas, se gastasse um quinto do que gasta, em tempo e em recursos, coma leitura, talvez houvesse em Portugal um bocadinho mais de progresso. O Magalhães, nesse sentido, é o maior assassino da leitura em Portugal. Chegou-se ao ponto de criticar aquilo a que chamaram «cultura livresca». O que é terrível. É a condenação do livro. Quando o livro é a melhor maneira de transmitir cultura. Ainda é a melhor maneira. A coroa de todo este novo aparelho ideológico que está a governar a escola portuguesa – e noutras partes do mundo – é o Magalhães. Ele foi transformado numa espécie de bezerro de ouro da nova ciência e de uma nova cultura, que, em certo sentido, é a destruição da leitura.

    Entrevista de António Barreto


Sabe-se que a melhor maneira de fazermos alguma coisa é aquela como aprendemos! Posso garantir que é muito mais cómodo ler os "Retratos da Semana" na web que no jornal em papel. O texto em formato digital pode ser editado, cortamos o que não nos interessa e adicionamos o que faz falta. Levamos uma ideia daqui, colamos acolá, e recombinamos o trabalho n vezes, como nunca faria alguém condicionado pelos limites do papel. Não será isto "adaptar o tipo de livro à pessoa em causa"?

A web é para ler. Os estratos sociais letrados procuram informação diversa sobre dietas, viagens, saúde, parceiros e concorrrentes profissionais, software, finanças, pagamento de impostos, realizam aplicações financeiras, fazem compras e até trabalham... Quem não sabe ler vê os bonecos, e temos as crianças dos estratos sociais mais baixos a utilizarem predominantemente o Hi5 e o MSN, porque se encontram limitadas cognitivamente.

É errado colocar a web em oposição à leitura porque os seus conteúdos só têm utilidade ser forem lidos. Mesmo os sites que prestam serviços através da web não serão utilizados decentemente se os seus tutoriais e instruções (FAQ's) não forem lidos.

As crianças que têm aulas de Português utilizando livros de leitura geralmente exercitam pouco a escrita, e daí o descalabro nos testes a todas as disciplinas. As que editam um blogue têm de ler, compreender e expressar-se por escrito! Isto é muito mais que ler.

Os direitos de autor é que constituem um obstáculo ao desenvolvimento da leitura. Por exemplo, os docentes universitários têm acesso à B-ON, podendo ler milhares de obras de autores conceituados no mundo académico, mas os restantes professores e população em geral não têm acesso a este espólio. Porquê?

Felizmente já não precisamos de cansar a vista a ler as letras miudinhas da Análise Social, cujos artigos estão online. É muito mais simples mudar a fonte do texto no computador que ser forçado a mudar de óculos. Felizmente as outras revistas também já perceberam que têm de estar na web para ser lidas, e graças à Internet podemos usufruir de salas mais espaçosas.



Na hora do adeus a Sócrates e Milu

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Quem têm jeito para o Direito e para a política precisa de ter jeito para a Matemática?


Pode explicar-se a uma criança que 1/5 é maior que 1/6 facilmente. Basta perguntar-lhe se prefere 1/5 ou 1/6 da pizza...

Daí que se tenha transformado em anedota na Internet (ver documento) a decisão do 8º Juízo Cível da Comarca de Lisboa, que atendendo aos argumentos apresentados pelo executado, alegando ficar em situação de grave carência económica, determinou proceder à redução da penhora do vencimento executado, de 1/6 para 1/5. !!!!!

Este não foi um simples erro com fracções. O erro inviabilizou o cumprimento da própria decisão por óbvia falta de lógica. Como é os tribunais querem ser respeitados?

Igualmente anedóticas são as explicações de José Sócrates e de Milu cada vez que tropeçam nos números. Com licenciaturas da farinha amparo ou dos cursos nocturnos não há Plano para a Matemática que os salve.




  • O alargamento da oferta dos cursos profissionais é importante porque os alunos têm menores taxas de abandono e de insucesso escolar.

    Sócrates dixit.


Eu pensava que os cursos profissionais eram necessários para fornecer ao mercada mão-de-obra com formação intermédia. Abandonam menos a escola e têm maior sucesso escolar porque os professores repetem as provas dos módulos até os petizes obterem aprovação ;) Mas desde que descobriram que na auto-estrada dos EFA (isto é, Novas Oportunidades) nem têm que fazer testes, alguns já preferem esta opção. O problema dos alunos que "optam" pelos cursos profissionais também é a falta de jeito para a Matemática ;)

Devo ter escrito mesmo apenas para actualizar o blogue. Não será possível ter jeito para o Direito e para a política sem ter jeito para a Matemática? ;)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Luli Radfahrer - Para que serve uma monocotiledônea? (nerds, mídias sociais e a escola do século 21)



A ideia básica da educação é estabelecer critério. Pode parecer óbvio, mas não é.

Quem adora a tecnologia tem uma doença chamada tecnofilia. Quem odeia a tecnologia tem uma doença chamada tecnofobia. Os dois são umas bestas.

Classe AB utiliza a Internet para trabalho, classe CD utiliza a Internet para entretenimento (...) porque não têm conteúdos.

A ideia do mais ou menos desenvolve-se na web semântica, dando expressão à realidade prulicolorida, subvertendo a ditadura do pensamento booleano do SIM ou NÃO.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cristalização da avaliação do desempenho docente


O ME publicou um post onde invoca várias razões para justificar o trabalho que fez no âmbito da avaliação do desempenho dos professores, e concluir que o que deve fazer agora é “prorrogar a vigência do actual regime transitório”, pois será necessário “um período transitório de consolidação da experiência em curso”.

O núcleo central do modelo economicista surge legitimado pela OCDE (1) e apresentado como temporário em duas linhas muito breves: “O estudo da OCDE apoia ainda expressamente a manutenção de quotas para as classificações superiores até à plena maturidade de uma cultura de avaliação”: Este aspecto que nunca poderá ser aceite pelos professores, será a alavanca da contestação.

Porém, outros aspectos são elucidativos da cristalização do modelo de avaliação, como os denominados “pontos fortes”, que já raramente são discutidos. Escolhi três desses aspectos para este post:

1. Retórica: É um sistema integral, que incide sobre a generalidade dos aspectos do trabalho dos docentes.

Na verdade os aspectos considerados são os mais fáceis de objectivar (observar, contar). O trabalho que faz a diferença entre os docentes, o trabalho criativo, não é observado sistematicamente.

2. Retórica: Inclui uma componente de avaliação por pares mais qualificados.

A partir de determinado momento, particularmente nos departamentos mais heterogéneos, os professores terão simplesmente qualificações diferentes, não sendo possível para os melhores a avaliação por pares mais qualificados.

3. Retórica: Estabelece a observação de aulas como factor fundamental para a avaliação da vertente pedagógica e do desenvolvimento profissional.

O que os avaliadores têm estado a observar em duas ou três aulas é a reacção das turmas e dos professores à sua presença. Uma observação séria exigiria a sua integração no grupo, e para contribuírem para o desenvolvimento profissional dos docentes deveriam ser capazes de lhes sugerir novas estratégias de inovação pedagógica.

A melhor fonte de cristalização é a prática. Daí que o maior brilharete do ME esteja neste parágrafo:

“A avaliação é hoje um dado adquirido em todas as escolas. Foi organizada por milhares de professores avaliadores que desenvolveram competências em procedimentos de avaliação. Participaram no processo de avaliação mais de 100.000 professores que entregaram os seus objectivos e que obterão a sua classificação até ao final do presente ano”.

Não temos elementos para confirmar os 100.000 professores, mas não há dúvida que se trata de propaganda porque se a referência contínua a ser o modelo “puro”, o DR 2/2008, que abortou sem nunca ter sido adoptado em qualquer escola, a estatística refere-se ao procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduzido aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação. Os elementos fáceis de contar ;)

A repetição da retórica, vezes sem conta, vai tornando aceitáveis uma série de coisas que anteriormente pareceriam estranhas. Este post foi escrito para que a retórica não torne indiscutível o que foi decidido arbitrariamente, discutindo racionalmente alguns aspectos que já pareciam aceitáveis a muitos.



Adenda




(1) O post do ME refere-se a estudos da OCDE e da Deloitte, mas curiosamente nunca apresenta links para os mesmos. Isto é, pede-nos simplesmente que acreditemos na sua interpretação. Precisavam de umas aulas minhas ;)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Registo de destaque no INTERATIC 2.0


O INTERATIC 2.0 é uma rede social que neste momento já ultrapassou os 1.000 professores interessados em aprender/partilhar o conhecimento com os colegas através da Internet. Este post destina-se a registar o destaque na página de abertura de um dos meus comentários:

  • Em destaque:
    "Não há mecanismos que permitam o reconhecimento do investimento na auto-formação. Mesmo quem tenha tido 18 créditos por equivalência de um Mestrado tem de continuar a frequentar as acções da tanga ao ritmo de 1 crédito por ano para o mercado continuar a funcionar. Eu nem exigiria ao ME um grande investimento, porque as ferramentas estão na Web, mas que abrissem os olhos aos trabalhos que também estão na Web." Prof. José Neto

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Google Chrome Operating System


Foi anunciado no Blogue Oficial do Google o Google Chrome OS, a designação do sistema operativo da Google que constitui a mais séria ameaça à hegemonia da MicroSoft.

O sistema começará por ficar disponível nos notebooks, mas a partir de 2010 devera ficar disponível para a generalidade dos consumidores, a tempo de rivalizar com o novo produto que a MicroSoft nos quer vender, o Windows 7.

Curioso o argumento da Google. Para as pessoas que vivem na web, o Google Chrome OS é uma tentativa de pensar como os sistemas operativos deveriam ser. Isto é, com o sistema operativo da Google funcionarão melhor as aplicações da Web ;) Este argumento faz lembrar o que o a MicroSoft utilizou para derrotar o Netscape. Então a MicroSoft disse-nos que o browser (navegador) deveria ser integrado no sistema operativo para funcionar melhor ;) O que nunca esperou foi que um motor de pesquisa se tornasse um browser concorrente, e agora quisesse fazer o seu próprio sistema operativo.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...