sábado, 4 de julho de 2009

Segundo o estudo da PJ o número de crianças vítimas de assédio sexual por ano é superior à população do país!


  • Se se falar “apenas” de assédio sexual de menores online – sem abuso físico, mas com referências explícitas a sexo, troca de fotos e vídeos com nudez, simulações de actos sexuais e exibições através de webcam - as cifras nacionais estimadas pela PJ sobem para 30 mil vítimas por dia, entre os 10 e os 15 anos. São 5% das crianças portuguesas nessa faixa etária.
    EXPRESSO


O título alarmista deste post baseia-se na operação de multiplicar:


30.000/dia x 365 = 10.950.000/ano
Maior que a População portuguesa (INE)


Contudo esta operação não é aplicável neste contexto, pois estaríamos a supor 30.000 novas vítimas por dia, o que não é o caso. Nesta área o mais frequente é a repetição dos abusos sobre a mesma vítima.

Independentemente da percentagem estimada, trata-se de um drama quando nos toca.



Acrescente-se que o EXPRESSO também revela dados do Crimes against Children Research Center (CCRC), segundo os quais apenas 1% dos adultos condenados por crimes contra crianças travaram conhecimento com a vítima on-line. Nada de alarmismos com a Internet, porque a maioria dos abusos provém dos familiares, vizinhos e "amigos"/conhecidos.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Mind this gap



Why don't look to Fins if they have better results?

Isto é um tweet ilustrado para Don Tapscott em resposta ao seu artigo Obama should look to Portugal on how to fix schools. Este gráfico está incluído no post Don Tapscott passou-se.

Fiquei muito ofendido com afirmações que foram feitas


  • "Excedi-me, pedi desculpa", afirmou Manuel Pinho, quando questionado pelos jornalistas sobre o que tinha acontecido minutos antes no plenário da Assembleia da República.

    O ministro explicou que o caso das minas de Aljustrel foi "muito difícil" e que se sentiu "ofendido" com as afirmações de ouviu.

    "Foi um caso muito difícil, foi um caso em que me envolvi muito, fiquei muito ofendido com afirmações que foram feitas", afirmou, salientando que o Governo "quer muito" resolver o caso das minas de Aljustrel.

    "Nós queremos muito resolver o caso das minas de Aljustrel, em Dezembro a situação era desesperada, foi resolvida. Felizmente, agora está lá o dobro do número de trabalhadores", enfatizou.
    SIC


É triste ver um ministro demitir-se por falta de comportamento. Supostamente são pagos para discutir política, mas o gesto evidencia falhas ao nível dos recursos verbais, e é sintomático do vazio político a que se chegou.



  • Eles não têm nada que fazer. Pelos vistos o Bernardino Soares insultou-o sobre a mulher ou sobre os mineiros de Aljustrel.

    Faz parte da cultura latina.

    É um gesto ordinário.

    Não têm stress nenhum. Têm um tédio enorme. São uns mongos que para ali estão eleitos através de uma lei eleitoral inadequada e não têm nada para fazer, de maneira que se insultam uns aos outros. Se se estivesse a debater o estado da Nação garanto-lhe que isto não acontecia.

    Há coisas muitíssimo mais graves, incluindo o primeiro-ministro.

    Maria Filomena Mónica



  • Por se encontrar num Parlamento, onde um deputado pode mandar outro "pró c...", Pinho deve ter pensado que um par de chifres não fazia importância nenhuma.

    Fernando Madrinha / EXPRESSO






@sirluso
Manuel Pinho ao pé do Tio Alberto João é um modelo de educação. Posso então concluir que o PS é mais educado que o PSD?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Don Tapscott passou-se


Lermos textos que sabemos não corresponderem à realidade não chega a ser novidade nenhuma. Entram directamente no grupo das anedotas e o assunto está arrumado.

O caso é diferente quando se trata de um autor que conhecemos e respeitamos. Se o vemos pintar um quadro que não corresponde minimamente à realidade, quando publica um artigo com aspectos falsos, outros muito mal esclarecidos, não adianta que a lógica seja boa e até concordemos com ela. Parece que o Mundo inteiro desabou sob a nossa cabeça. Sabes Don, o teu artigo era tão patético que na imprensa portuguesa só PÚBLICO o referiu. Obviamente o Jugular - o blogue onde escreve a namorada do Sócrates - já copiou o teu artigo. Não devem ter percebido nenhum coisa, mas copiaram.

Certamente que Don Tapscott, antes de aconselhar Obama a olhar para Portugal, deveria ter feito uma investigação mais cuidadosa, e deveria ter ouvido as pessoas que conhecem o tema, como o Prof. António Dias de Figueiredo. (VIDEO)

Don, espero que tenhas acordado com os comentários críticos que recebeste dos professores portugueses. É certo que também recebeste um ou outro comentário favorável, designadamente dos vendedores de software ;)

De nada serve a Internet e os computadores se os alunos não adquirirem competências para se movimentar nela. A utilização das redes faz apelo aos recursos intelectuais clássicos, aqueles que “fazem a diferença” em numerosas tarefas escolares:
  • A lógica natural, a capacidade de meter em relação, de deduzir, de inferir, de compreender as etapas de um processo, de representar o Mundo e as suas mediações, estabilizar os métodos e adaptá-los caso a caso, inovar e procurar ajuda cautelosamente, etc.;
  • O conhecimento da escrita e um mínimo de leitura: apesar da presença da imagem e de todos os tipos de gráficos ajudando a localizar-se no monitor, é necessário ler rápida e constantemente para navegar na rede e de um modo geral utilizar a informática, porque as informações tomam frequentemente a forma de textos. Hoje, podemos certamente pedir ao computador para ler em voz alta um texto digitalizado, mas demorará muito mais tempo, não permitindo a pesquisa selectiva, o copiar-colar, a pesquisa rápida; a curto prazo, a leitura não encontrará um verdadeiro substituto no audiovisual; Bentotila (1996) mostra que a iletracia condena a muitas exclusões, entre as quais a informática, a qual dá acesso às informações, aos empregos, às capacidades, à comunicação;
  • A capacidade de descodificar as informações audiovisuais, é fortemente solicitada pela multiplicação das mensagens multimédia.


Uma prática regular de informática e de redes pode contribuir para reforçar estas três competências, mas não pode criá-las, nem faze-las mudar de um modo impressionante. Do mesmo modo que elas são constituídas, elas funcionam como os activos principais ou os handicaps maiores em relação à informática e à telemática.
Um professor experiente em informática, com todos os seus alunos acedendo sem dificuldades técnicas à rede, observa, face aos recursos do cibermundo, desigualdades tão fortes como aquelas que constata frente às tarefas escolares mais tradicionais.

Poderão as tecnologias desenhar qualquer outra hierarquia? É pouco provável. Sem dúvida, a dimensão tecnológica pode atrair certos alunos desencorajados frente a um jornal ou a um livro e, inversamente, desencorajar certos alunos com facilidade no trabalho de papel e lápis. Exceptuando estas nuances, a Internet colocará em evidência as mesmas desigualdades que uma experiência científica para concluir, um texto a resumir ou comentar, uma argumentação a construir, uma pesquisa para um projecto a conduzir. Para encontrar uma informação sobre a soja transgénica, na biblioteca como na Internet, é necessário ter uma ideia da engenharia genética, saber onde procurar, depois compreender, seleccionar e condensar as informações encontradas.

A tecnologia não faz desaparecer as desigualdades frente às tarefas intelectuais. Algumas vezes, ela reforça-a, na razão da relativa abstracção das informações numéricas.

Se o problema é tirar os jovens das ruas e integrá-los no sistema escolar, deverão promover-se pedagogias diferenciadas adequadas, mas nunca deverão demitir-se os professores das suas responsabilidades a pretexto da sacrossanta Internet, para a qual o Don reivindica o papel central:

  • Teachers facing a classroom of kids with laptops need to learn that they are no longer the expert in their domain; the Internet is.
  • O professor face a uma turma com computadores portáteis precisa de aprender que já não é o perito nos seu domínio: é a Internet.


Don, sff. visita mais umas escolas e verás que fora do Hi5 e do MySpace os alunos nem sabem onde clicar! Este problema é particularmente grave com aqueles que queres tirar das ruas. São precisamente esses os que mais precisam do professor. Falaram 25 anos de experiência.

Sabes Don, não se pode ser perito em tudo! Para perceberes como funcionam as escolas, em vez de transpores os princípios da wikieconomia para educação, ainda por cima afectada pela paixão dos portáteis - as paixões são sempre irracionais - seria melhor que percebesses o entendimento professoral do quotidiano escolar, porque são os professores que definem as actividades a realizar nas escolas. O poder da Internet está no link ;)

  • A capacidade humana para gerar novas ideias e conhecimentos é a fonte da arte, da ciência, da inovação e do desenvolvimento económico. Sem ela, os indivíduos, as indústrias e as sociedades estagnam. (WIkinomics, 2006) Olá ;)




Se fosse eu a aconselhar Obama, dir-lhe-ia para consultar as estatísticas de PISA e ler o livro How Fins Learn Mathemathics and Science.



segunda-feira, 29 de junho de 2009

Medina Carreira: É a Economia estúpidos!



Medina Carreira foi um dos subscritores da reavialiação dos investimentos públicos, apresentado no post abaixo. Defende que o Estado deve criar um quadro normativo e promover a qualificação séria dos recursos humanos de modo que as empresas portuguesas possam exportar.

domingo, 28 de junho de 2009

Reavaliação do Investimento Público


O modelo de crescimento de Sócrates está posto em causa. Pretendia em simultâneo sustentar as empresas portuguesas, criar emprego e dotar o país de modernas infra-estruturas. Segundo MST, "na verdade, são três mentiras em um: as empresas portuguesas são parceiros menores de grandes consórcios internacionais, onde os espanhóis lideram quase sempre e a banca é que fica com a fatia de leão dos negócios que os contribuintes pagam; o emprego é aproveitado pelo submercado de trabalho dos brasileiros, africanos, romenos e moldavos, que, finda a empreitada, se vão embora; e temos modernos hospitais abandonados por falta de doentes, de médicos e de viabilidade, escolas encerradas porque não há alunos no interior, auto-estradas fabulosas e despovoadas como apenas vi no Novo México ou no Arizona".

Na mesma linha, foi lançado um Fórum de Discussão destinado a promover a reavaliação dos investimentos públicos. O documento apresenta um retrato negro da economia portuguesa:

  • Na última década a economia portuguesa teve o pior desempenho relativo dos últimos oitenta anos, o que a fez divergir das economias da União Europeia. O empobrecimento relativo do País vem criando uma situação de mal-estar social, estagnação dos níveis de vida e aumento do desemprego.
    É imperativo encontrar soluções, começando por compreender a componente estrutural da nossa crise, para além das actuais dificuldades conjunturais internacionais.
    O peso do investimento na economia portuguesa em proporção ao rendimento nacional tem sido elevado, mas o seu impacto no produto (eficiência marginal do capital) tem apresentado, desde 1999, uma tendência decrescente relativamente à UE.
    Continuar a ler o documento


Subscrevem o documento alguns nomes com crédito académico na Economia, entre outros que adquiriram apenas notoriedade na política: Álvaro Nascimento, Álvaro Santos Pereira, Arlindo Cunha, Augusto Mateus, Carlos Pereira da Silva, Daniel Bessa, Diogo Lucena, Eduardo Catroga, Fátima Barros, Francisco Sarsfield Cabral, Henrique Medina Carreira, Henrique Neto, João Duque, João Salgueiro, José Pedro Barosa, José Silva Lopes, José Soares da Fonseca, Luís Campos e Cunha, Luís Miguel Beleza, Luís Mira Amaral, Manuel Avelino de Jesus, Manuel Jacinto Nunes, Miguel Cadilhe, Pedro Santa Clara, Rui Moreira, Sérgio Rebelo, Vitor Bento e Alexandre Patrício Gouveia.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...