segunda-feira, 4 de maio de 2009

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domingo, 3 de maio de 2009

Medina Carreira critica a escola-depósito



Eis alguns extractos da entrevista:

  • O que vai derrotar a democracia de 76 é a economia.

    Estamos a viver acima das possibilidades, consumindo 111 € por cada 100 € de produção, agravando o endividamento.

    A escola é inclusiva se as pessoas estão lá para aprender. Se não estão aprender têm que ir para outro sítio…. Mete-se toda a gente num estádio de futebol a dar pontapés na bola! Mas na escola só pode estar quem queira aprender. O ensino em Portugal é uma intrujice cara e depois inverte-se isto. Vamos avaliar os professores, nem sei porque critério, no estado em que aquilo está parece-me que é uma tontice, mas não se avaliam os alunos. Isto tem pés e cabeça? Isto é de uma sociedade de gente com juízo?


O resto parece resumir-se a que o grande problema da democracia são os partidos, porque no nosso regime estes servem-se do Estado em vez de servir o país.

sábado, 2 de maio de 2009

Uma espécie de Jihad educacional


  • Por ser obrigatória, a escolaridade não é sinónimo de mais e melhor educação Sucedem coisas na Educação que nos remetem para o limbo das verdades absolutas e das guerras sagradas e sugerem uma espécie de Jihad educacional. Com uma diferença de monta: Maomé queria converter; Sócrates quer obrigar. Manter o maior número de almas na escola, quer queiram quer não, tornou-se mais fundamentalista que conseguir conversões ao islamismo. Com uma segunda diferença de monta: Maomé não escapou sem a concorrência de Cristo, Buda ou Vishnu; Sócrates está acompanhado por todos, do CDS ao Bloco, passando pelo PSD e PC, mais sindicatos, associações de pais e outras cortes. Até Louçã gritou aleluia na Assembleia da República. Um bingo politicamente correcto!

    Blasfemo, eu sou de opinião que obrigar os portugueses a permanecerem na escola até aos 18 anos é um rematado disparate. Eis alguns dos argumentos com que fundamento esta opinião:

    1. Vivemos tempos onde as leis e as práticas são cada vez menos democráticas. À bruta aqui, placidamente ali, o polvo socializante do Estado, em verdadeira deriva autoritária, vai-nos sufocando e controlando electronicamente. Os direitos do Estado são constantemente invocados para espezinhar, com a submissão generalizada duma sociedade abúlica, os direitos do cidadão. Serve tudo como argumento: a fuga ao fisco ou as normalizações comunitárias; a dificuldade de esterilizar as colheres de pau ou a bondade de respirar ar puro e fazer jogging ao domingo e feriados. Como pai, não aceito que o Estado decida por mim e pelos meus filhos a educação que eles prosseguem. Como cidadão, quero liberdade para trabalhar aos 16 anos, como, aliás, o próprio Código do Trabalho consigna. Deve o Estado garantir a todos que queiram e tenham capacidade para tal, sublinhe-se, a prossecução de estudos, sem entraves. Mas não deve o Estado impor a Escola a quem já pode ser responsabilizado por crime, sabe o que faz e quer ir trabalhar. Porque ao invés de ser compulsiva, a Educação deve ser tida como um direito. Chega de Estado que diz proteger-nos de tudo menos dele próprio e de uma certa geração política de que o primeiro-ministro é rematado exemplo.

    2. Ao argumento anterior, que é teórico, acrescem outros, de natureza prática. Os nove anos de ensino obrigatório, aprovados em 1986, demoraram 10 anos a transpor para a prática efectiva. Ainda hoje não são cumpridos na íntegra. Se teimarmos neste disparate e quisermos manter na Escola, à força e à pressa, quem lá não quer estar ou não tem capacidade para prosseguir estudos, acrescentaremos mais violência e mais indisciplina a um ambiente que já é grave. Tal medida, a não colher o primeiro argumento, pressuporia uma preparação que não foi feita (basta ver a ligeireza da ministra, que não há muito disse que a medida seria um erro, e agora afirma que não precisa nem de mais escolas nem de mais professores para receber os estimados 30.000 novos alunos). Pressuporia uma reformulação completa dos objectivos e das vias do ensino secundário, principalmente quanto ao ensino profissional que, como está, é um criminoso logro. Pressuporia a efectiva gratuidade do ensino, que está longe de estar cumprida no quadro dos 9 anos vigentes. Se uma das causas do actual abandono, que se aproxima dos 40 por cento, radica nesta variável, alguém de bom senso antecipa que a sociedade, com dois milhões de pobres e dois milhões de assistidos, mais de meio milhão de desempregados e PIB a cair aos trambolhões, pague para ficar com os filhos 12 anos sentados na Escola? Com outros salários, com outro nível de vida, talvez. Assim, obviamente não! E não me venham com a falácia das bolsas, que um Estado quase falido não vai pagar logo que passem as eleições. É só olhar para a história de 2005 a 2009 para perceber que estamos nas antípodas da seriedade e no terreno do mais rudimentar marketing político.

    3. O que os outros fizeram deve servir-nos para aprender e integrar o nosso processo de decisão. Não temos que inventar a roda, mas não temos que decidir porque os outros fizeram. Chega de servilismos à Europa e à OCDE. Aqui, devemos fazer em cada momento o que é adequado à nossa realidade e à nossa cultura. Mas, sobretudo, não mintam. Quem disse que a maioria dos países da Europa já mantém os jovens na escola até aos 18 anos? Na Europa a 27 só é assim em cinco países (Alemanha, Polónia, Bélgica, Holanda e Hungria). Os outros 22 libertam os jovens da obrigatoriedade do ensino aos 16 anos, ou antes. A Áustria, a Dinamarca, a Suécia e a Finlândia, que não são propriamente atrasados, pertencem a esse grupo e têm uma escolaridade obrigatória de nove anos.

    Por ser obrigatória, a escolaridade não é sinónimo de mais e melhor educação. Se o interesse for percepcionado e o desejo de aprender for efectivo, não é necessária a obrigatoriedade. Os jovens procurarão livremente mais formação. Mas tal não acontecerá enquanto os longos percursos de escolaridade desembocarem no desemprego ou servirem, tão-só, para alimentar os call centers, que acolhem actualmente 50 mil licenciados ou universitários, a 500 euros de salário, mês sim, mês não.

    In PÚBLICO, 29/04/2009, Santana Castilho



Imagine-se o que vem a caminho:

1. - Trabalhar com 18 anos será considerado exploração de menores;

2. - Aos 18 anos não deverão poder responder pelos seus actos, para terem uma boa desculpa nos casos de violência escolar;

3. - Enfim, aos 18 anos estarão aptos a votar porque já viram toda a pornochanchada.

Quanto custa o computador portátil? [Magalhães]


A política tinha como objectivo ajudar os mais carenciados, mas como teve apenas como objecto o computador, este tornou-se inútil... Ou melhor, adquiriu interesse para ser vendido no mercado, traduzindo-se então numa mais-valia não esperada.

Segundo o EXPRESSO (de hoje, 02/Maio/2009) o Magalhães encontra-se à venda na Feira da Ladra a 140 €.

Foi um dos cenários que eu tinha previsto numa aula de Economia, quando apresentei o precário do Magalhães como exemplo de formação dos preços em economia mista (combina elementos característicos das economias de mercado e das economias de direcção central):

  • O custo depende das condições económicas das famílias, que se reflecte nos escalões da Acção Social Escolar (ASE) dos alunos:
    - gratuito para os alunos do escalão A da ASE;
    - 20 Euros para os alunos do escalão B da ASE;
    - 50 Euros para os alunos não abrangidos pela ASE.
    Comente a lógica implícita no preço estabelecido para o computador Magalhães pelo Governo, justificando a economia portuguesa como economia mista.


É o modelo português de chegar ao computador de 100 USD ;)

Formação Online


Decorre de 23 a 31 de Maio um conjunto de actividades de formação em ferramentas Web 2.0 organizadas pela ABED (Brasil) cujo Programa está acessível aqui. Também tem interesse para os portugueses, porque as actividades são realizadas online, tornando-se indiferente estar em Portugal ou no Brasil. Os professores crédito-dependentes não precisam de ler mais nada, porque obviamente estas actividades não se encontram reconhecidas pelo apartado de Braga.

Entre as ferramentas da Web 2.0 há uma lista enorme de serviços com interesse:
  • Animação (GoAnimate,...)
  • Apresentação (Slideshare, Zohoshow, Prezi, Voicethread,...)
  • Colaboração (Wikispaces, PBWiki, Gdocs,...)
  • Comunicação (Twitter, FriendFeed,...)
  • Construção de comunidades online (Ning,....)
  • Criação multimédia (Animoto, Slideshare, Picturetrail, Slide, ImageLoop,...)
  • Georeferenciação (Google Earth, UMapper,...)
  • Legendagem (BubblePly, Overstream,...)
  • Mapas de Ideias (Bubbl’us,...)
  • Partilha de fotos (Picasa, Flickr)
  • Partilha de vídeos (Youtube, Vimeo, Fliggo,...)
  • Posters (Glogster,...)
  • Programação (Scratch,...)
  • Publicação e partilha de documentos (Scribd, Issuu, Titatok....)
  • Socialbookmarking (Diigo, Delicious,...)
  • Websites pesoais ou profissionais (Google Sites, Webnode,...)


O Orkut como ferramenta é que nunca seria apresentado em nenhum país ocidental... Trata-se claramente de uma especificidade da cultura brasileira, em detrimento das redes sociais modernas, como o Facebook.

Inscrições

Xutos e Pontapés - Sem Eira nem Beira



A música como fenómeno de expressão da resistência passiva está clara na popularidade de videoclips como este.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Tribunal suspende orientação ME sobre objectivos individuais


Os tribunais confirmaram que aqueles mails com os quais o Ministério da Educação nos pretendia convencer a preencher a célebre aplicação informática com os objectivos individuais eram puro SPAM. Nem objectivos individuais fazia sentido entregar, disse o tribunal, ferindo de morte o modelo de avaliação do desempenho proposto pelo DR 2/2008, cuja perspectiva industrial assenta na definição prévia dos objectivos.

Olá Vital Moreira! Pelos vistos a questão está muito longe de ter ficado encerrada ;)

  • Artigo do Diário Digital

    O Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra decretou a suspensão das orientações do Ministério da Educação para os Conselhos Executivos das Escolas imporem objectivos individuais se os professores os não apresentassem.

    O tribunal atendeu a providência cautelar apresentada pelo Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC), à qual se seguirá agora a acção administrativa especial a declarar nulo o acto.

    Luís Lobo, dirigente da Fenprof e do SPRC, adiantou à agência que o tribunal não atendeu uma invocação de interesse público apresentada pelo Ministério da Educação para impedir que decretasse a providência cautelar, e consequente suspensão das orientações.

    Para Mário Nogueira, líder da Fenprof, esta decisão tem um carácter simbólico, pois vem condenar um “ministério que não olha a meios para impor regras”, algumas vezes em violação da lei e da Constituição da República.

    “Agora o tribunal condena o Ministério da Educação a abster-se de dar as orientações, que são de constitucionalidade duvidosa, o que é uma prática quando lhes dá jeito”, observou.

    Segundo o dirigente, que vaticina outras condenações do ministério, nunca os professores apresentaram tantas acções em tribunal como com este ministério, seja invocando irregularidades na colocação, ou na gestão das escolas.

    Para Mário Nogueira e Luís Lobo, esta decisão vem reforçar a necessidade de alterar ainda este ano o modelo de avaliação dos docentes, “dar razão à luta dos professores”, e mesmo “reacender a contestação”.

    Com as orientações, agora suspensas, segundo os dirigentes, o Ministério da Educação quis impor que os objectivos individuais dos professores fossem de entrega obrigatória.

    “Tendo sido decretada definitivamente esta providência cautelar, fica ultrapassada a possibilidade de serem criadas situações de desigualdade, decorrentes de decisões tomadas de forma arbitrária, que permitiam que alguns presidentes de Conselhos Executivos recusassem avaliar os docentes por estes não terem proposto os seus objectivos individuais”, refere a Fenprof em comunicado.

    Acrescenta que “parece, também, caírem por terra as ameaças do Ministério da Educação quanto a eventuais penalizações desses professores”, ameaças que considera terem sido “feitas à margem de qualquer fundamentação legal”.

    “Não fomos notificados ainda”, declarou à agência Lusa o assessor de imprensa da ministra da Educação, quando confrontado com a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra divulgada pela Fenprof.

    Diário Digital / Lusa 01/Maio/2009

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...