terça-feira, 2 de dezembro de 2008

DIA 3 DE DEZEMBRO, EM SINTRA

Os professores do concelho de Sintra, partindo das suas escolas, vão reunir-se no dia 3 de Dezembro, na Av. Heliodoro Salgado, às 11.30h, numa concentração/desfile de protesto, com percurso até à Câmara Municipal de Sintra (tendo já confirmada uma audiência com o Presidente da Câmara), em defesa da Escola Pública e de um ensino de qualidade! Os professores de Sintra (a exemplo de milhares de colegas por todo o país) reafirmam a sua firmeza e determinação na luta contra este modelo de avaliação e este ECD, na luta contra toda a poluição legislativa emanada do ME e as suas manobras de diversão ou intimidação, venham elas embrulhadas em supostas simplificações (umas após outras, logo, sem qualquer credibilidade, apenas demonstrando a total falência deste modelo de avaliação), em ameaças veladas de processos disciplinares ou outras punições, ou através de tentativas desesperadas de desmobilização e divisão da classe docente.

Dia 3 daremos de novo a resposta!

JUNTOS VENCEREMOS!

MUP

Sem avaliação, que podem os professores fazer?


Para quem não saiba, nas Novas Oportunidades os professores (ditos formadores) das diversas áreas não têm o direito/dever de avaliar os alunos (ditos formandos), apesar de estarem com estes 4 ou 5 horas por semana! Essa competência cabe ao Mediador (uma espécie de Director de Turma) que reúne com a Turma uma vez por mês, numa sessão chamada PRA, Portefólio Reflexivo de Aprendizagem. É na área de PRA que faz a avaliação destes alunos... uma vez por mês... com base nos elementos fornecidos pelos colegas ;)

Assim se fabrica o sucesso das Novas Oportunidades, que desde Novembro de 2006 até Novembro de 2008 tem uma média de 4000 adultos certificados por mês...

Quantos qualificados?

A avaliação será feita depois "caso a caso" pelo mercado. Evidentemente! É por isso que a passagem a contrato - dos funcionários públicos que frequentaram as Novas Oportunidades - "não será uma medida universal", esclareceu Sócrates. (PÚBLICO)

O sonho se Sócrates!


Com um país parado, como o que se antevê para amanhã em resultado da greve dos professores, e com uma imprensa que não controla, designadamente em resultado da explosão de sites na Internet - visitem o http://www.premiosprecariedade.net/ e votem! - certamente que José Sócrates já teve o sonho do seu amigo Hugo Chavez "para pôr o pais na ordem" ;)

Chavez pede que partido prepare emenda para permitir sua reeleição ilimitada

A chatice é que Portugal é membro na União Europeia, que impõe a adopção das regras de uma democracia formal. Senão poderia sentar-se à mesa com Manuela Ferreira Leite, que até propôs a suspensão da democracia, para realizar as reformas!!! Realizaram-se em Portugal algumas reformas durante a ditadura? Ou tudo o que se fez deveremos agradecer à democracia?




Adenda

Na minha escola, a greve de 3 de Dezembro teve uma adesão superior a 80%, segundo Manuel Sanches.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A dualidade de Maria de Lurdes Rodrigues


É elucidativa esta breve passagem do sociólogo Manuel Villaverde Cabral sobre o exercício do poder pela Ministra da Educação.

  • "Não se pode ser 'autoritário' com os professores", fazer deles "o bode expiatório do insucesso escolar", ser "'liberal' com os alunos e completamente 'populista' com as chamadas famílias - que, de forma geral, não são capazes nem fazem qualquer esforço para apoiar os filhos no processo de aprendizagem -, quando toda a gente sabe que, em qualquer sociedade, os alunos só têm êxito quando os pais entram com a sua quota-parte de esforço!"
    Manuel Villaverde Cabral, PÚBLICO, 01/DEZ/2008

sábado, 29 de novembro de 2008

Uma selecção de posts de 2008


Num blogue publicam-se muitos textos. Com a aproximação de Dezembro pensei em seleccionar alguns posts do ano numa apresentação PowerPoint.






http://www.effectmatrix.com/PowerPoint-Video-Converter/Free-PowerPoint-Video-Converter.htm

Que legitimidade tem Sócrates para impor este modelo de avaliação só aos professores?


  • Sócrates reafirmou que não está disposto “a esperar mais 30 anos” até que seja aplicado um modelo de avaliação dos professores e garantiu que esta questão não deve ser vista como um problema meramente sectorial, mas como um assunto que deve envolver todo o Governo.
    PÚBLICO, 29/NOV/2008


O que tem muito mais de 30 anos é a lógica do trabalho não remunerado. Passo a explicar. Como a maior parte do corpo docente são professoras, na perspectiva machista dos "educadores" estas nunca deveriam ganhar mais que os respectivos maridos para não lhes disputar o poder. Os professores sempre ganharam mal, mas até à entrada em vigor do novo ECD sentiam-se compensados pelo tempo livre, que foi convertido em trabalho gratuito, que se encontra agora no centro da contestação.

  • Motivos para a aderir às Greves. Não fazer greve significa concordar com:

    a) Coordenação de Departamento não remunerada;
    b) Aulas de apoio não remuneradas;
    c) Aulas de substituição não remuneradas;
    d) Direcção de Instalações não remunerada;
    e) Desenvolver actividades extracurriculares não remuneradas;
    f) Visitas de estudo não remuneradas;
    g) Reuniões fora de horas não remuneradas;
    h) Reuniões à noite, fora de horas;
    i) Ficar fechado na Escola horas sem fim, sem condições de trabalho, em vez de estar em casa a preparar as aulas;
    j) Estar na Escola à espera que um colega falte, como se os colegas cumpridores fossem os responsáveis pelos colegas faltistas (apontem uma outra profissão onde se passe o mesmo).
    k) Que a Sra. Ministra obrigue a trabalhar mais horas e o agradecimento passe apenas por um obrigado cínico no Parlamento;
    l) Que um colega de outra disciplina assista às nossas aulas;
    m) Que as notas dos alunos que não querem estudar te impeçam de progredir na carreira;
    n) Com o congelamento dos vencimentos e progressão na carreira;
    o) Que a maternidade, morte de um familiar próximo te impeça de progredir na carreira;
    p) Com o Estatuto do Aluno;
    q) Com a diminuição da autoridade dos PROFESSORES;
    r) Com os insultos e agressões por parte de alguns alunos e respectivos Encarregados de Educação;
    s) Com a destruição da Escola Pública;
    t) Com a divisão da carreira em duas: titular e não titular colocando Professores contra Professores;
    u) Com as cotas na progressão;
    v) Com os critérios que levaram à escolha dos professores titulares;
    w) Com o péssimo ambiente de trabalho que se está a instalar nas Escolas;
    x) Com o fim dos destacamentos;
    y) Com os concursos por três anos;
    z) Com o trabalho excessivo.
    aa) Com a permanência na Escola de 40 horas;
    bb) Que os Professores se substituam aos Pais e que os Pais só sirvam para procriar;
    cc) Que Professores tenham 10 Turmas, mais de 250 alunos e 1500 testes para corrigir por ano, para não falar dos trabalhos;
    dd) Que políticos aldrabões continuem a enriquecer com o trabalho alheio;
    ee) -------------------------------------------------------

    in DIA 3 - MENSAGEM QUE CIRCULA

Disparates da "Formação em Avaliação"


Há quem trate a avaliação de desempenho como uma "ciência", mas obviamente que não deixa por isso de inventar. Quando a solução proposta é manifestamente desadequada do contexto, então surge a contestação fundamentada. Foi o caso, na secundária de Camões ou Rainha D. Amélia, em Lisboa.

  • Dúvidas de que o modelo era “confuso e injusto” nunca teve Isabel le Gué. Mas a presidente do conselho executivo da secundária Rainha D. Amélia, em Coimbra, tentou aplicá-lo nos últimos meses na sua escola... até chegar à conclusão de que era inaplicável. Nesta escola, dita elitista e pouco contestatária, a lei era para cumprir e havia que simplificar. Os professores entregaram os objectivos individuais e até realizaram aulas assistidas. Porém, há 10 dias, na sequência de reuniões de departamento e da moção aprovada em assembleia geral, a escola suspendeu todos os procedimentos relacionados com a avaliação. E enviou um ofício a informar a tutela da decisão. “com a consciência de que as consequências são individuais”.

    O “copo já estava cheio”(com o novo estatuto da carreira docente e a divisão da carreira em titulares e não-titulares) e a avaliação parecia ser a gota de água. Mas o verdadeiro transbordar aconteceu quando os professores avaliadores foram a acções de formação dadas pelo Ministério em que lhes disseram, por exemplo, que para um professor ter ‘Muito Bom’ não bastava que os alunos realizassem trabalhos para expor na escola, mas que era necessário quantificar o número e a satisfação dos visitantes da comunidade. “Quando a lei é complexa e ambígua dá margem para o disparate”, sublinha esta professora com 22 anos de ensino. Ou seja, o ridículo e o grave acontecem e não é sempre “porque as escolas complicam”, como acusou a ministra da Educação.

    Nesta escola, como na de Camões (cujos professores em reunião geral, no dia 5, aprovaram uma moção apelando à suspensão do processo), a maioria dos contactados pelo Expresso não são sindicalizados e as primeiras manifestações em que participaram na vida foram a de 8 de Março e as de Novembro.
    EXPRESSO (Assinatura) 29/Nov/2008

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...