terça-feira, 28 de outubro de 2008

A falência da escola-depósito


  • O Conselho Executivo (CE) da Escola Básica 2, 3 de Santa Maria, em Beja, demitiu-se em bloco, «saturado» com vários casos de violência no estabelecimento de ensino, como agressões entre alunos e a funcionários, professores e pais.
    «Apresentámos a demissão, porque estamos cansados e saturados com vários casos de violência na escola, que deixaram de ser pontuais e passaram a ser frequentes», explicou hoje à agência Lusa a professora e presidente demissionária do CE da escola, Domingas Velez.
    Diário Digital, 27 de Outubro de 2008


Uma escola inclusiva não é um depósito de crianças!

Seria interessante estudar a relação entre a imposição de aulas de substituição sem sentido, violentas em si mesmas, e a generalização da violência nas escolas.

O governo dá novas oportunidades!


            
Queres ter relações sexuais,
Sem preocupações?
O governo dá preservativos!

Já tiveste relações,
Mas esqueceste o capacete ;)
O governo dá a pílula do dia seguinte!

Tiveste um azar do caraças,
Engravidaste?
O governo dá o aborto!

Não abortaste,
Tiveste um filho?
O governo dá o abono de família!

Não estás a trabalhar,
Estás desempregado?
O governo dá subsídio de desemprego!

Estás agarrado,
És viciado e não gostas de trabalhar?
O governo dá rendimento social de inserção!

Queres ser doutor?
Frequentas uma Universidade Pública?
O governo dá as propinas!

Não gostas de estudar?
Andas na Escola mas não aprendes nada?
O governo dá novas oportunidades!

És político?
Cumpriste dois mandatos (8 anos) na Assembleia da República?
O governo dá a reforma!

Trabalhas?
Estás tramado porque tens de pagar impostos por todos os outros,
E não te podes reformar, porque o teu trabalho é necessário à Nação!

Globalização da imoralidade


  • Trufas e caviar no jantar da cimeira do G8 sobre fome

    Os líderes das oito economias mais industrializadas do mundo (G8), reunidos numa cimeira no Japão, estão a causar espanto e repúdio na opinião pública internacional, após ter sido divulgada aos órgãos de comunicação social a ementa dos seus almoços de trabalho e jantares de gala.

    Reunidos sob o signo dos altos preços dos bens alimentares nos países desenvolvidos - e consequente apelo à poupança -, bem como da escassez de comida nos países mais pobres, os chefes de Estado e de Governo não se inibiram de experimentar 24 pratos, incluindo entradas e sobremesas, num jantar que terá custado, por cabeça, a módica quantia de 300 euros.
    Diário de Notícias, 10 de Julho de 2008



Algum destes senhores terá sido afectado pela crise financeira?

domingo, 26 de outubro de 2008

Avaliação de Desempenho – Lições do Mundo empresarial

  • A avaliação de desempenho procura um sentido de justiça na prestação do trabalho e na sua devida recompensa. Quando procuramos justiça pressupomos um julgamento, e um julgamento tem sempre uma certa subjectividade. Na prática a avaliação de desempenho vai depender das pessoas: do avaliado e do avaliador, e muitas vezes nessa interacção humana surgem muitos problemas.


  • A melhor avaliação de desempenho é aquela em que acreditamos e que tem bons resultados.





O Ministério da Educação tem uma dimensão grande demais para conhecer os seus funcionários, quanto mais para promover a sua avaliação. Por mais grelhas que inventem, deveriam saber que a avaliação será sempre subjectiva, e a melhor forma de a tratar é integrá-la no processo, em vez de a tentar ignorar. Mas o ME tem a obsessão industrial da objectividade, supondo possível medir professores com a mesma precisão dos parafusos, e então inventou uma embrulhada tão complexa que nem a consegue implementar.

sábado, 25 de outubro de 2008

Avaliação de Desempenho suspensa na Escola Secundária de Ferreira Dias, Cacém


ESCOLA SECUNDÁRIA DE FERREIRA DIAS
PEDIDO DE ESCLARECIMENTO AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
O Conselho Pedagógico e a Comissão de Coordenação da Avaliação de Desempenho (CCAD) da Escola Secundária com 3º ciclo de Ferreira Dias estão conscientes, desde o início, das muitas dificuldades inerentes à implementação e desenvolvimento deste modelo de avaliação de professores.
Neste sentido, preocuparam-se em dar cumprimento às funções que lhes foram atribuídas de forma a ultrapassar as principais dificuldades com seriedade e com o mínimo de consequências adversas para todos.
Entendeu-se que um processo de avaliação entre pares só teria sentido numa perspectiva formativa, desenvolvida com base no trabalho colaborativo.
Apurou-se a necessidade de formação prévia necessária à correcta aplicação deste modelo de avaliação. Até hoje, não foi dada resposta suficiente a esta necessidade, quer pela quantidade, quer pelas vertentes abordadas nas acções de formação realizadas.
Reconheceu-se, de forma clara, pela leitura e análise do Decreto Regulamentar nº 4/2008 de 5 de Fevereiro e do Decreto Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro a importância de seguir as recomendações do CCAP: «Os instrumentos de registo referidos no número anterior são elaborados e aprovados pelo conselho pedagógico dos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas tendo em conta as recomendações que forem formuladas pelo conselho científico para a avaliação de professores».
Todo o trabalho desenvolvido por estes órgãos teve em conta estas recomendações. Por exemplo, quando na Recomendação nº 2/CCAP/2008 de Julho de 2008, o CCAP recomenda que «o progresso dos resultados escolares dos alunos não seja objecto de aferição quantitativa», pensou-se, de imediato, suprimir os descritores referentes a este tema, na Dimensão B: «Melhoria dos resultados escolares dos alunos e redução das taxas de abandono escolar tendo em conta o contexto socioeducativo».
Averiguou-se a manifesta incompatibilidade entre as informações prestadas pelo Ministério da Educação e as orientações do CCAP.
Verificou-se, perante a reduzida informação da tutela, muito ruído na comunicação, não conseguindo estes órgãos perceber, na maior parte das vezes, o que é legal e o que não é, como por exemplo:
− a concretização legal da delegação de competências de avaliador;
− a negociação dos objectivos individuais entre avaliadores e avaliados;
− os procedimentos internos da escola versus a utilização uniforme de uma aplicação informática a todo o país.
Assim, pedem estes órgãos esclarecimento para as seguintes questões:
1. Qual é a legitimidade do CCAP?
2. Quais são as medidas que prevalecem? As recomendações do CCAP, como está referenciado no Decreto Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro, as directrizes do Ministério da Educação ou ainda de outros órgãos existentes como o Conselho de Escolas, directrizes também elas contraditórias?
3. Deve retirar-se da Dimensão B o Domínio B1 «Melhoria dos resultados escolares dos alunos - contributo do docente e cumprimento dos respectivos objectivos individuais» com todas as implicações daí decorrentes?
4. Sendo os elementos dos órgãos acima citados docentes e não juristas, pedem a confirmação da data a ter em conta para a produção de efeito da alteração na Lei do Orçamento para 2009, no que concerne a não obrigatoriedade de publicação em Diário da República da delegação de competências de professor avaliador.
5. A existência de uma aplicação informática igual para todo o país não contraria algum trabalho já desenvolvido pela Comissão e pelo Conselho Pedagógico, quando definiram e aprovaram procedimentos próprios para a escola como, por exemplo, a calendarização do processo e os instrumentos de registo?
6. Como conduzir o processo de negociação dos objectivos individuais? Entrevista? Outros procedimentos?
7. Tendo surgido várias informações não oficiais referindo a hipótese de simplificar procedimentos como, por exemplo, alterações nas fichas/anexos do Ministério da Educação (permitindo a agregação de itens), como fica todo o trabalho já realizado na escola e que foi feito no sentido de estarem definidas as regras no início do processo?
Tendo em conta as implicações dos esclarecimentos no trabalho a desenvolver pela Comissão, bem como na aplicação do próprio modelo da avaliação de desempenho de professores, solicita-se resposta urgente.
O Conselho Pedagógico e a Comissão de Coordenação da Avaliação de Desempenho, até verem esclarecidas as questões efectuadas em resposta a este pedido, consideram mais prudente suspender todos os procedimentos referentes à avaliação de docentes. Seria uma actuação irresponsável avançar com este processo sem esclarecer os seus pressupostos e regras, condição necessária à clarificação dos procedimentos que devem presidir à avaliação.
Conselho Pedagógico reunido em 21 de Outubro de 2008



PS
Esta notícia chegou por mail a circular na Internet que solicitava a sua divulgação.

Pais estúpidos




  • A exibição de um filme com conteúdos sexuais numa aula de Religião e Moral levou os pais de um aluno da escola Joaquim de Carvalho, na Figueira da Foz, a anular a inscrição na disciplina e a fazer uma participação à Direcção Regional de Educação Centro (DREC).
    EXPRESSO, 24 de Outubro de 2008


Agora que os papás até dispõem de um formulário na Internet para apresentar queixinhas ao Ministério deve estar a começar um novo festival.

Neste caso têm evidentemente nenhuma razão. Deveriam agradecer o trabalho que o professor teve a seleccionar um filme que alerta para comportamentos perigosos e descontrolados associados às práticas sexuais da juventude.

Depreende-se da notícia que os pais nem falaram com o docente, nem com nenhum órgão da Escola antes de apresentarem a participação ao ME. Se mantiverem com o seu filho uma atitude semelhante à que revelaram para com o professor - arrogante distanciamento frio - estarão a preparar muito bem o seu petiz para ser um dos contemplados a entrar nas estatísticas da SIDA. É incrível como no mundo de hoje ainda temos pais que pensam que a melhor forma de proteger as crianças é não as alertar para os perigos que correm.

Já que são tão puritanos, apaguem também a história do filme que está aqui! ;)

Outro aspecto "inovador" deste caso é descontextualização da participação. Se o problema era com aquela turma, naquela escola, porque é que não terão utilizado o Director de Turma que todas as semanas está lá precisamente para receber os encarregados de educação?
Devem estar tão seguros de si - ou sem nada para perder - que querem dar uma lição aos professores!

O formulário na Internet para os papás apresentarem queixinhas permitirá que estes casos se multipliquem futuramente. Quando no discurso o ME apela à participação dos pais nas escolas, este mecanismo afasta os encarregados de educação das escolas, porque promove a descontextualização da sua participação. Neste caso, acredito que se os pais tivessem conversado com o professor, este tê-los-ia convencido das vantagens da turma ter visto KIDS, e os papás ficariam-lhe-iam gratos em vez de participarem de si.

Acontece que no momento actual, o ME vive em confronto com os professores, e não pode desprezar nenhuma arma, nem mesmo os pais estúpidos!

sábado, 11 de outubro de 2008

A descontextualização da avaliação do desempenho docente


Qual é a lógica que conduz o ME a pedir-me que defina objectivos individuais? Se o ensino não fosse entendido como um bem que deve ser provido pelo Estado, se estivesse sujeito às regras do mercado livre poucas famílias poderiam pagar os ordenados dos professores, e não se teria assistido à massificação do Ensino.

Felizmente o Estado providencia a escolaridade à população, pagando os respectivos vencimentos aos professores. Os professores são profissionais como os outros, isto é, exercem a sua profissão a troco do vencimento. Estão proletarizados. Precisam daquela importância para adquirem os bens que consomem. E quando o poder de compra é baixo, os seus objectivos aproximam-se da simples sobrevivência.

A esmagadora maioria dos docentes diz estar na profissão por “gostar de dar aulas”, mas como comprova a debandada maciça que agora se regista, até estão dispostos a perder algum dinheiro para não voltarem a colocar os pés na escola.

Quando ME pede para os docentes definirem objectivos individuais – quando o objectivo é receber o vencimento, mas não se pode dizer isso – entra-se no reino do faz de conta. Por exemplo, relativamente aos resultados escolares, é suposto que o professor fixe uma meta do tipo a média dos seus alunos aumentar 0,5 valores relativamente ao ano anterior. Bem pode cumprir porque é ele que “dá as notas”! Mas que interesse tem isso? Ao esforçar-se por cumprir os “seus” objectivos; o docente pode sentir necessidade de rever todas as notas anteriormente atribuídas, e de propor uma nova distribuição, eventualmente menos justa, porque enviesada pelos “seus” objectivos.

Mais, no meu caso, durante 10 anos em que fui responsável por níveis do 12º ano, com exame final (Sociologia e/ou IDES), só não levei a exame uma aluna que desatinou comigo (O Conselho de Turma votou o 10, mas em exame reprovou porque obteve o 6 que eu lhe tinha proposto). Este ano lectivo a esmagadora maioria dos alunos que tenho são “formandos” dos EFA’s que estão passados à partida. Que sentido faz ir agora definir objectivos de melhoria dos resultados escolares, quando os “formandos” nem têm classificações, se com os alunos do 12º ano tinha obtido 100% de sucesso?

A avaliação de desempenho tem como objectivo seleccionar os docentes que alcançarão o Muito Bom e o Excelente. Tal como os alunos tem classificações que dependem dos critérios estabelecidos e do humor do professor, os docentes aperceberam-se de que a avaliação não é uma ciência exacta quando visualizaram a sua carreira ameaçada pelo arbítrio dos parâmetros definidos ou de um qualquer avaliador. As grelhas são o elemento mais importante do processo de avaliação, porque agregando uma miríade absurda de parâmetros não mensuráveis, mas pontuáveis, realizam a magia de objectivar num número a classificação de cada professor.

À lógica da selecção acresce agora a necessidade de controlo à rédea curta, com receio que a avaliação de desempenho descambe novamente num procedimento simplificado. Não contesto que ME queira controlar o serviço dos professores, o que até lhe compete fazer, tarefa da qual se tem demitido. Mas como não tem profissionais para tornar efectiva a inspecção, nem irá ter tão cedo, inventou uma aplicação informática que lhe permitirá a completa descontextualização da avaliação de desempenho professores das próprias escolas. Com essa base de dados, o ME saberá exactamente em cada momento do tempo quem está a cumprir e o lugar exacto onde a escola se localiza.

A autonomia das escolas e as lideranças fortes ficam para uma próxima oportunidade.

Obrigar-me a preencher uma grelha padronizada será violentar a minha individualidade.

Eu ficarei satisfeito se conseguir:
  • Manter os alunos ocupados todas as aulas com tarefas novas, permitindo-me o exercício da autoridade sem necessidade de "dar chazadas";
  • Manter o nível de aprovação dos alunos nos 100%;
  • Promover a utilização educativa da Internet e o trabalho colaborativo.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...