sábado, 13 de setembro de 2008

Fantasias estatísticas da educação e do sucesso escolar


O que medem os números? Querem impor-me realidades com as séries estatísticas? Escrevo este post para registar que o que sinto no terreno difere muito do mundo maravilhoso que os números do ME sugerem.

  • Os resultados escolares de 2007/2008 apresentam uma melhoria acentuada em todos os ciclos de ensino, consolidando o patamar já alcançado no ano lectivo anterior, indicam os dados provisórios apurados pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação relativos às taxas de retenção e de desistência. Os valores divulgados são os mais baixos dos últimos 12 anos. www.mim-edu.pt


Se houvesse uma melhoria acentuada do nível cognitivo em todos os ciclos de ensino, eu não poderia contar historietas, como a que decorreu esta semana numa turma do ensino secundário:

- Quanto dá 500 a dividir por 1.000?
- ... 100
- ... 500
- ... 1.000
- Na máquina dá 0,5!
- OK. A máquina está certa!

Naturalmente, todos os alunos desta turma contribuíram para o sucesso estatístico que o ME contabilizou!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Médicos chegam a receber 2500 euros por dia


  • Há médicos que ganham 2500 euros numa urgência de 24 horas num hospital público, quando contratados por empresas privadas. Alguns pertencem ao quadro da unidade de saúde, onde fazem o “banco” através da empresa.


Com a alteração do Estatuto da Carreira Docente o Governo reduziu o vencimento dos professores, visto que estes até passaram a dar aulas gratuitamente, absurdamente integradas na componente não lectiva. Como já pouparam uns trocos, podem pagar num dia a um médico, mais do que a um professor num mês...

A subcontratação é o caminho indicado para um Estado pequeno ficar mais caro e menos eficiente que um maior, maior barato e mais produtivo.

sábado, 6 de setembro de 2008

Gramática das Novas Oportunidades


Esta gramática é um guia para descodificação do vocabulário associado aos cursos EFA do Ensino Secundário, na perspectiva de quem vai leccionar STC, Sociedade, Tecnologia e Ciência. Uma espécie de cábula de um novato que agora entra nestas lides, e que não deverá ser tomada como referência por ninguém.

O mais importante para descodificar a retórica das Novas Oportunidades é ter presente os seus princípios orientadores, a sua filosofia. Os formandos – foi suprimida a expressão alunos do seu léxico - dirigem-se à escola porque "aprender compensa"... Presume-se que as pessoas já têm competências que a escola não lhes reconheceu, e cabe aos formadores – também é interdita a expressão professores - organizarem o ensino de modo a que o adulto revele as competências que se encontram ocultas em si.

“As situações de vida do adulto constituem o ponto de partida e motor da desocultação, evidenciação e validação das competências; elas constituem igualmente motor do desenvolvimento dos percursos formativos assentes em competências chave” (RCC, p. 25). Para conseguir este desiderato os formadores/facilitadores/organizadores jamais deverão pensar sequer na realização de qualquer teste. Esta técnica está interdita porque é incompatível com a estratégia de desocultação dos conhecimentos. Em alternativa serão utilizadas “abordagens auto-biográficas a trabalhar com os candidatos, a realização de exercícios de balanço de competências, a construção de portefólios reflexivos de aprendizagens, e o recurso a outras técnicas e estratégias de aproximação aos adultos e de desocultação das competências a evidenciar” (GO, p. 13).

O objectivo do programa Novas Oportunidades é certificar até 2010 um milhão de pessoas com o 9º ano de escolaridade, e 650.000 em cursos de dupla certificação ao nível do 12º ano (Relatório da OCDE, Junho de 2008, p. 136).


A distância social medida pela diferenciação dos saberes académicos é muito maior que aquela a que se chegará se medirem as diferentes tarefas que são capazes de executar, ou competências-chave.


Domínios de Referência para a acção:
DR1 – Contexto privado
DR2 – Contexto profissional
DR3 – Contexto institucional
DR4 – Contexto macro-estrutural


Dimensões das competências:
Social (sociedade)
Tecnológica ( tecnologia)
Científica (ciência)


Núcleos Geradores: 7 áreas transversais às diversas disciplinas:
1. Equipamentos - princípios de funcionamento
2. Sistemas ambientais
3. Saúde – comportamentos e instituições
4. Relações económicas
5. Redes de informação e comunicação
6. Modelos de urbanismo e mobilidade
7. Sociedade, tecnologia e ciência – fundamentos



Critérios de Evidência: Do cruzamento das três Dimensões das Competências (Sociedade, Tecnologia e Ciência) pelos quatro Domínios de Referência (Contexto privado, Contexto profissional, Contexto institucional e Contexto macro-estututal) resultam os Temas. Para cada Tema são propostos ao formando três objectivos com dificuldade crescente: Tipo I, II e III, que se designam Elementos de Complexidade.

Elementos de Complexidade:
· Tipo I... - Identificação
· Tipo II.. - Compreensão
· Tipo III. - Intervenção


Se identificou e compreendeu e já evidenciou aquisição de competências... Pode não lhe ter apetecido intervir ;)

Sendo a avaliação qualitativa, o formando pode obter o máximo de 84 “certos” quando conquistam um DR, por verificação dos critérios de evidência. Chega-se ao 84 no conjunto dos 7 Núcleos Geradores, desdobrados em 3 dimensões e 4 DR’s. 7 x 3 x 4 = 84. Para concluir o curso precisa de validar metade destes, ou seja, 42.

Não há programas. O mais próximo desse conceito é o Referencial de Competências-Chave.   Backup

Eis os Temas de STC:


No Ensino Secundário todas as UFCD são de 50 horas. Devem ficar completas após 67 tempos de 45 minutos (33 com um professor, 34 com outro).

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A Escada Social Tecnográfica


JOSH BERNOFF é um dos mais citados analistas americanos na área das tecnologias da informação. Josh tem sido analista de mercado e é actualmente vice-presidente da Forrester Research.

Criou a segmentação Tecnográfica, com a qual visa uma compreensão mais profunda das pessoas, como usam a tecnologia, e como esta afecta os negócios.

A sua classificação foi construída para analisar o consumo, mas não resisto a copia-la para aqui, e cada qual será responsável pelas suas extrapolações.





Na sua metáfora da escada descreve seis níveis de familiaridade com as tecnologias:

  • Criativos: publicam conteúdos sociais. Escrevem blogues, fazem o upload de vídeos, música ou textos.
  • Críticos: respondem aos conteúdos dos outros. Postam nas revistas, nos comentários dos blogues, participam nos fóruns e editam artigos wiki.
  • Coleccionadores: organizam conteúdos para si próprios ou outros utilizando feeds RSS, tags, e votando em sites como o Digg.com.
  • Membros: ligam-se a redes sociais como o MySpace e o FaceBook. Em Portugal tem maior expressão o Hi5.
  • Espectadores: consomem conteúdos sociais, incluindo blogues, vídeos, podcasts, fóruns ou revistas.
  • Inactivos: nem criam nem consomem conteúdos sociais de qualquer tipo.


JOSH BERNOFF explica a sua metáfora da escada numa apresentação, do blogue que escreve em parceria com CHARLENE LI.

Qual o peso relativo das categorias acima apresentadas? Como variam por grupos etários? Como variam por géneros? Para responder questões destas utilize o Profile Tool.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

PIB per capita na UE-27

Possivelmente o aprofundamento da integração europeia está a desenvolver-se à custa das três grandes potências fundadoras: França, Alemanha e Itália. Observem-se os valores referentes ao Produto Interno Bruto per capita na União Europeia a 27 em 2008 comparativamente a 1997. Pouco mais de uma década foi suficiente para estes três países passarem do 4º quintil para o 3º quintil.


Fonte: EUROSTAT. Opções.

Portugal está colorido da mesma cor que Estónia, Lituânia, República Checa, Eslováquia e Hungria. Pior que nós estão Letónia, Polónia, Roménia, Bulgária, a antiga república jugoslava da Macedónia e a Turquia.


Fonte: EUROSTAT.

A estrutura de 2008 assemelha-se à de 1997 caracterizando-se pela relativa estabilidade. Neste período, a Irlanda melhorou a sua posição relativa.

sábado, 23 de agosto de 2008

Basta ficar aprovado a Educação Física para passar de ano!


Não estou a inventar. Vou copiar o início do artigo do EXPRESSO.

  • Luís, 15 anos, já mudou várias vezes de escola e chumbou a oito das nove disciplinas curriculares do 6º ano de escolaridade. Só passou a educação física. Apesar deste resultado, passou para o 7º ano e está inscrito noutra escola vizinha. Aconteceu na EBI 2,3 Vasco Santana, em Odivelas, e não é caso único no país.
    EXPRESSO/Assinatura


Este aluno só ficou aprovado em Educação Física e mesmo assim transitou de ano. Que excelente exemplo!

Há justificações para tudo! Naturalmente que não são consensuais.


Como se compatibilizam exemplos destes com o discurso do trabalho?

Recordo a lei de ouro do trabalho escolar: MAIS TRABALHO deverá traduzir-se sempre por uma MAIOR CLASSIFICAÇÃO.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Magalhães! O computador português :)


Foi com um grande alarido mediático que os três canais de TV anunciaram o grande investimento de Sócrates na Educação, através do "Magalhães", apresentado como computador português.

Para os menos atentos ficou o efeito imediato da propaganda.

Entretanto essas notícias já foram apagadas dos respectivos sites online, e o que podemos continuar a ler é a clara demonstração de que o jornalismo online, fazendo o trabalho de investigação necessário, deu uma brilhante lição ao tradicional.

  • Foi anunciado como o primeiro computador português, mas não é bem assim. O Magalhães é originalmente o Classmate PC, produto concebido pela Intel no sector dos NetBooks, que surge em reacção ao OLPC XO-1, que foi idealizado por Nicholas Negroponte.

    Será, no fundo, um computador montado em Portugal, mais propriamente pela empresa JP Sá Couto, em Matosinhos. Tirando o nome, o logótipo e a capa exterior, tudo o resto é idêntico ao produto que a Intel tem estado a vender em várias partes do mundo desde 2006. Aliás, esta é já a segunda versão do produto. IOL/Diário


Afinal trata-se apenas da concorrência da Intel ao PC de 100 dólares de Nicholas Negroponte.



A Igreja queixou-se deste sketch, sem sucesso, à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...