A escola tem sido a instituição mais resistente à mudança. Os alunos não sabem tocar piano nem falar francês, mas já se sentem mais familiarizados com as ferramentas digitais que muitos professores. Porque é que não são utilizadas estas ferramentas, e prevalecem sempre os manuais e os testes escritos?
Atenção! Não adianta mudar as tecnologias de ensino, sem adoptar metodologias de aprendizagem que as rentabilizem.
domingo, 17 de agosto de 2008
PhotoShop: A perfeição do Mundo digital

A fotografia revolucionou a nossa forma de observarmos o mundo, fazendo da imagem um documento. Observando a fotografia estávamos indirectamente a observar as “coisas”. O PhotoShop veio popularizar a manipulação das imagens, hoje particularmente significativa nas fotografias profissionais das mulheres, que assim ficam sem nenhuma celulite, nenhuma ruga, etc. É a perfeição do Mundo digital ao alcance dos humanos… Um dos sites onde podem ser observados os efeitos da manipulação de imagens é o photoshopbeforeandafter.
Um vídeo que ilustra o efeito PhotoShop foi visto mais de um milhão de vezes em dois meses!
As lições de PhotoShop no YouTube são abundantes.
sábado, 9 de agosto de 2008
Rigor e avaliação de professores

O ME tem feito muita propaganda com o pretenso rigor do sistema de avaliação de professores que propôs. Serão as escolas ilhas de rigor numa sociedade submersa na economia informal?
Esta questão recordou-me um texto que tinha lido na Professorinha, e que tomo a liberdade de transcrever. O ambiente em que vivemos é propício a este tipo de opiniões.
- Acho que há demasiada gente um pouco enganada sobre esta nova treta dos Bons, Muito Bons e Excelentes... Realmente há quem acredite que os Muito Bons e os Excelentes vão para os professores que o são?? Realmente há quem ache que isto das escolas verem as suas percentagens de Muito Bons e Excelentes aumentar se vai dever a um REAL melhoramento da qualidade de ensino?? Que os professores vão, de repente, passar a trabalhar melhor (como se andassem a trabalhar mal... enfim...)???
Realmente... se acreditam nisso andam muito enganados. Primeiro os Muito Bons e os Excelentes estão destinados aos amigos de quem avalia. E MAIS NADA... nem vale a pena discutir mais sobre esse assunto porque é isso mesmo que vai acontecer. E, mesmo que sobre algum Muito Bom... de certeza que não o vão dar a um professor contratado ou a uma professora como eu, praticamente em início de carreira. Vão dar a quem estiver perto de subir de escalão, claro está!!...
Não me venham com doutrinas ou teorias muito bonitas. Estamos em PORTUGAL, onde todos são experts em enganar o vizinho e onde a honestidade e o trabalho não são recompensados... A amizade e conluio... isso sim, é compensado... E infelizmente, não gosto de dar graxa... e por isso, bem me tenho lixado e vou continuar a lixar-me. Conforme um amigo me disse: "Tu vais chegar lá porque mereces lá chegar, apenas vais demorar mais tempo porque não vais usufruir das amizades e politiquices em que muita gente anda metida."
E com isto se resume o que irá acontecer com a avaliação... quer de docentes, quer das escolas.
Este ano, com a invenção do procedimento simplificado, foram todos os professores classificados com Bom. Que rigor foi este?
Os amigos referidos pela Professorinha são um perigo real, mas numa escola onde as estruturas pedagógicas funcionem está relativamente controlado. Neste modelo os avaliadores continuarão nas escolas, e a sua função só será prestigiada se convencerem os colegas da legitimidade dos seus juízos.
Na mesma lógica, a alternativa seria uma avaliação externa, cujas apreciações, eventualmente injustas, seriam muito mais difíceis de impugnar.
Não quer dizer que não existam outras hipóteses de avaliação dos professores, do meu ponto de vista bem mais práticas e objectivas, como o modelo finlandês.
Mais de 20% da produção não é contabilizada no PIB

A ausência de rigor não é um problema da educação. É um problema estrutural que afecta a sociedade portuguesa, cujo desenvolvimento se encontra comprometido pelo amplo peso da economia informal.
Para quem tivesse dúvidas, se Portugal é um país europeu ou do terceiro mundo, os dados sobre a importância da economia informal estão aí. A fonte não poderia ser mais segura: o Banco de Portugal. O estudo (Julho de 2008) foi realizado pela COTEC PORTUGAL, Associação Empresarial para a Inovação.
Sugerem a dinamização da factura electrónica, para atingir três objectivos: o combate à evasão fiscal, o aumento da produtividade das empresas e das entidades públicas e privadas, e a geração de novos mercados. Para o efeito o Estado deveria tornar obrigatório o depósito de documentos legais numa plataforma online central, bem como promover a obrigatoriedade da factura electrónica entre todas as empresas e/ou os organismos públicos.
Para continuar a ler mais clique aqui.
Da apresentação retirei o gráfico referente ao peso da informalidade nas economias, que nos deixa de rastos em comparação com os países "civilizados". Não quero discutir esta expressão, mas não considero Espanha e Itália como paradigmas. Como poderão prosperar os mais eficientes num ambiente dominado pelos chicos espertos?

Cada vez que você contrata um canalizador que lhe presta o serviço sem passar factura, está a preterir um trabalhador honesto que apenas poderá ficar menos competitivo por cumprir as suas obrigações fiscais. Fazendo essa escolha, não só estará a sacanear o Estado, mas a comprometer o desenvolvimento dos que não precisam de subterfúgios para se afirmarem no mercado. Lembre-se disto!
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Rigor???

- A treta educativa de que somos todos iguais e temos todos os mesmos direitos
Bristol. Inglaterra, cidade de médias dimensões, chuva, uma escola cheia de miúdos, cerca de mil, e quatro escolas estrangeiras de visita: Espanha, Portugal, Noruega e Lituânia. Seria mais uma experiência profissional, uma das muitas que já integrei, e não mereceria lugar no jornal se não tivesse vivido momentos que me fazem pensar para além do profissional.
Fiquei impressionada com o rigor, com a formalidade, da escola que visitei. Os alunos, miúdos entre os dez e os dezassete anos, usam uniforme, cumprem horário - não há campainha -, são castigados e premiados, cumprem regras e são educados para o reconhecimento da autoridade e o respeito pela hierarquia. aqueles miúdos não precisam de toques estridentes de campainha para saberem que devem dirigir-se para as aulas, não arrumam os seus materiais em algazarra, ao som irritante da dita cuja. Desde pequenos aprendem a regular-se pelos seus relógios e, para eles, é normal e correcto que assim seja. Estes miúdos e professores têm aulas apenas de 60 minutos, entram às 8h30m e saem sempre às 14h40m. Estes alunos e professores têm tempo para viver para além da escola: para ler, brincar, estudar, conviver, fazer desporto, etc. No entanto, estes miúdos não têm mais insucesso que os portugueses e, pelo contrário, de forma geral, mostram muito maior domínio das competências básicas! Então, parece-me, está provado que o sistema português, que abusa do tempo passado na sala de aula e minimiza o rigor, está completamente errado! Um professor inglês, surpreso face ao tempo que os nossos alunos passam na escola e face à duração das aulas, mostrou-se um artigo científico onde se prova que, para além dos 60 minutos, a capacidade de concentração e trabalho de qualquer criança e/ ou jovem é nula!! Perante esta situação, eu, que há muito desconfio do sistema português, fiquei angustiada. será que a equipa ministerial, as várias desde há muitos anos, não conhecem outras realidades, não fazem estudos, não comparam metodologias e sucessos, não lêem revistas científicas, não estudam as mais recentes filosofias e psicologias da aprendizagem?!! E, para além disso, como pode a UE, a tal União de proximidades, de objectivos comuns, aceitar regras tão profundamente diferentes entre os diferentes estados-membros? Porque dos cinco países presentes Portugal é o único com aulas de 90 minutos (e 135! BARBARIDADE!), o único em que os alunos passam tantas horas na escola, o único em que ainda vigora a treta educativa de que somos todos iguais e temos todos os mesmos direitos! Em Inglaterra, os miúdos crescem aprendendo e compreendendo que o Professor é detentor de sabedoria, de poder conferido por um estatuto profissional, que deve ser respeitado e obedecido. Os mais pequenos, miúdos de onze anos, com o seu uniforme de calças pretas e azul-turquesa, respeitam até o seu delegado de turma que, para se distinguir do todo da turma, usa... gravata! Quando me contaram, sorri. Achei que era mais uma loucura exagerada dos ingleses. Mas, agora, vivi a experiência, observei os miúdos e, sinceramente, lamentei a triste realidade do meu país...
Um país sem regras, um lugar onde vale tudo, um espaço onde os limites são confusos, não pode funcionar! Mais uma vez, como já outras vezes me aconteceu, dei comigo a pensar o que é que, de facto e com efeitos visíveis, foi feito, em termos de educação cívica e cultural, desde 1974 até hoje. A resposta, para não ser pessimista e porque acabei de chegar cheia de esperanças, é que quase nada. Porque não se pode educar sem regras, sem impor limites, sem definir hierarquias e sem fomentar a autonomia!
Bom, eu não queria viver nada em Inglaterra. Não gosto da chuva contínua, dos edifícios tristes nem da língua grosseira. Mas invejo o modelo educativo que eles praticam! Invejo um povo que não tem medo de dizer que é diferente ser-se professor ou aluno, que não receia ser apelidado de fascista, apenas por estabelecer e fazer cumprir regras. esta gente, os ingleses de hoje, descendem de quem viveu a guerra e reconstruiu um país. Será que a nós nos falta, ainda, a experiência da guerra? Terror, já nós conhecemos...
Maria Luísa Moreira
Professora
O texto foi publicado dia 24 de Janeiro de 2008. Chegou-me num .jpg por mail, mas não é possível identificar o respectivo Jornal, embora uma pesquisa na Internet tenha revelado que este artigo já esteve nos servidores da VEJA. Mantive os sublinhados da autora.
Agradeço o trabalho de digitação do Cantinho da Educação.
Nos países com sistemas educativos que funcionam bem, todos se vão rir do prémio dos 500 euros inventado pelo ME. Os bons estudantes consideram a sua educação como um investimento a longo prazo, mas um Ministério sem perspectivas de futuro só poderia criar jackpots anuais. Portugal deixou de ser o "bom aluno" da União Europeia, para se tornar a anedota da União.
Prémio de mérito socrático: 5.000 euros

Depois de ler a notícia do Público, fiquei com vontade de instituir também um prémio de mérito escolar socrático. Para o efeito já constitui uma reserva no montante do prémio, de 5.000 euros, que será atribuído ao aluno do ensino secundário que comprove ter terminado o 12º ano cumulativamente nas seguintes circunstâncias:
- 1 - Iniciou todos os exames 10 minutos depois da hora;
- 2 - Abandonou sempre a sala 10 minutos antes do toque de saída;
- 3 - Não conhece os colegas;
- 4 - Não conhece os professores;
- 5 - Tem certificado de habitações passado num domingo;
- 6 - Encerrou a escola.
Caso se apresentem vários candidatos, o desempate realizar-se-á por entrevista, que avaliará a verosimilhança da encenação.
As escolas secundárias já têm instituídos mecanismos para destacar os alunos com melhores resultados escolares, através dos Quadros de Honra. Ao nível do ensino superior, diversas instituições reconhecem o mérito escolar através de bolsas de estudo. Os trabalhadores-estudantes sabem como o êxito escolar é importante para continuarem a usufruir das mesmas regalias. O reconhecimento pela família e pelos amigos também tem um valor incalculável. Mesmo assim a investigação tem mostrado que a fonte de motivação mais consistente com o investimento a longo prazo é o puro interesse intelectual.
O prémio proposto pelo ME é uma medida errada porque:
1. Privilegia a componente instrumental em detrimento da intelectual;
2. Nem ao nível da componente instrumental chega a ter efeito, porque numa escola com 1.000 alunos só dois serão premiados;
3. Socialmente é injusta, porque provavelmente premiará quem menos necessita;
4. O dinheiro que não custa a ganhar, também não custa a gastar, abrindo aos jovens as janelas dos vícios... Seria muito mais inteligente conceder-lhes uma bolsa de estudo que lhes fosse pagando propinas, livros, etc. no curso superior.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Os preços das telecomunicações em Portugal são dos mais elevados no seio da OCDE

No último relatório da OCDE sobre Portugal (2008), a figura 3.15 mostra dois rankings das tarifas telefónicas: um para os telefones fixos; outro para os telemóveis. Indicam a despesa nestes, expressa em dólares, distinguindo três níveis de consumo: baixo, médio e elevado.
Nos 31 países seleccionados pela OCDE, só 4 apresentam preços mais elevados que Portugal nos telefones fixos, e 5 nos telefones móveis.


Fonte: OCDE, http://dx.doi.org/10.1787/343224218077
O nosso país tem das chamadas mais caras da OCDE. Se se pretende incrementar a produtividade, devia-se fomentar a concorrência nas telecomunicações. A separação do negócio do cabo do negócio do cobre foi insuficiente para alterar a posição dominante da PT. A OCDE também considera excessiva a presença da PT Multimédia, que se eclipsou na ZON! Mudou o nome, mas o que o país precisa é de preços mais baixos.
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