terça-feira, 8 de julho de 2008

Ministra da Educação reprovada com 8


Chega-se precisamente à classificação de 8,0 valores, se se converterem na escala de 0 a 20, as percentagens obtidas para a educação no estudo de opinião efectuado pela Eurosondagem, S.A. para o Expresso, SIC e Rádio Renascença, de 26 de Junho a 01 de Julho de 2008.

Parece legítimo concluir-se que a população sabe distinguir os resultados escolares fabricados para as estatísticas, da educação que é necessária.

NOTA
Calculou-se a média ponderada, utilizando os seguintes pesos: 20 - Muito Bom; 15 - Bom; 10 - Razoável; 5 - Mau; e 0 - Muito Mau.

Como a elasticidade da procura é rígida, a GALP repercute sobre os consumidores os aumentos de preço do Brent e encaixa a redução do IVA


A taxa normal do IVA desceu um ponto percentual. O preço pago pelos consumidores manteve-se. O Estado arrecadou menos impostos. A administração da Galp vai dizer-nos mais uma vez que se encontra exposta às regras da concorrência…


















Se o IVA tivesse subido, os preços subiriam automaticamente, mas quando deveriam descer, não descem. Porquê? Uma vez que neste mercado a procura é relativamente rígida, a GALP repercute sobre os consumidores todos os impactos negativos (aumento do preço do Brent no mercado internacional) e também consegue tirar partido de medidas que, em princípio, seriam agradáveis para o bolso dos consumidores.

Os preços resultam de uma relação de poderes
entre produtores e consumidores. O "Estado regulador" pode ser ultrapassado pelo mercado...

NOTA 1
A procura diz-se rígida porque, em resposta a um aumento dos preços, por falta de alternativas, haverá uma redução proporcionalmente muito menor no volume da procura.
A oferta da GALP é elástica, porque em resposta a uma variação dos preços, pode alterar mais do que proporcionalmente o volume da oferta, de forma a tirar o melhor partido da nova situação.


NOTA 2
Clicando sobre a imagem poderá ver o célebre vídeo da “menina do gás”.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

"É muito natural conduzir sem carta"


"É muito natural conduzir sem carta" - disse tranquilamente para as câmaras da SIC. Com certeza não é caso único. Conheço alguns que conduzem aqui na zona mas que não se aventuram a ir a Lisboa, com receio de alguma operação STOP.

E não tiram a carta de condução porquê? Não é por falta de dinheiro, nem por não saberem conduzir. Têm máquinas muito superiores ao meu carrito, e até fazem demonstrações de perícia dignas de um rally. O problema é outro.

O problema é que não conseguem interpretar as perguntas do exame escrito quando tentam tirar a carta de condução. O 9º ano até conseguiram facilmente com as "Novas Oportunidades", mas estão a precisar que este programa seja alargado às cartas de condução. Provavelmente até seria mesmo naquela área que faria sentido facilitar quem mostrasse ter "mãos".

Se lhes disser que é ilegal conduzir sem carta, já sei qual é a resposta pronta que recebo: há tanta gente a fazer tanta coisa ilegal e não lhes acontece nada!
Infelizmente é esta a mensagem que a televisão lhes leva, e que legitima a sua conduta.

Disse a SIC que "ainda há quem conduza sem carta de condução", sugerindo que esta seria uma situação típica do passado. Para verificar como é uma situação do presente basta pensar na pressão do fluxo migratório sobre as grandes cidades.

sábado, 5 de julho de 2008

A lógica do trabalho escolar na interpretação das estatísticas de exames


A explicação unanimemente partilhada pelo ME e pelos professores pode designar-se lei de ouro do trabalho: “só uma alteração de atitudes, métodos de trabalho, etc., garantiriam melhores resultados” (versão resumida das actas dos conselhos de turma no segundo período). Do seu ponto de vista MAIS TRABALHO deverá traduzir-se sempre por uma MAIOR CLASSIFICAÇÃO, e é esta gramática simplista que é utilizada na interpretação dos resultados escolares. Dá jeito utilizá-la, até porque se exclui à partida um trabalho diferenciado, de base mais formativa para corresponder às necessidades reais dos alunos.

A lei de ouro do trabalho é o quadro de referência geral para a interpretação de quaisquer resultados. Se a “lei” falhar inventam-se explicações alternativas.

Independentemente da polémica acerca das próprias provas, como o que conta são os resultados, não os meios, o Ministério da Educação enaltece a "melhoria" nos resultados da Matemática, "que se verifica pelo terceiro ano consecutivo", para elogiar o trabalho realizado, como se adivinhava. Lá está o Plano de Acção para a Matemática! Que o PMA apenas tenha contemplado alunos dos 7º, 8º e 9º anos, e os resultados em discussão se refiram ao 12º ano é um pormenor sem importância ;) que interessa omitir para não estragar a lógica da "lei de ouro" ;)

A aplicação desta lógica ao Português, cuja média desceu, resultou na extensão ao Ensino Secundário das dinâmicas do Plano Nacional de Leitura", porque médias a descer significam menos trabalho! Precisam de novos “contratos de leitura”!!

Pelos vistos os alunos do 12º ano “trabalharam” a Matemática, mas “não trabalharam” a Português, o que não tem muito sentido quando são os mesmos. E aqui o ME inventou uma justificação trapalhona: o exame de Português "é o que abrange o maior número de alunos, sendo realizado pela quase totalidade dos que terminam o ensino secundário em cursos científico-humanísticos", como se isto fosse alguma novidade. Foi exactamente com esse conjunto alargado de alunos que se calculou a média do ano anterior!

Alguém irá fazer rankings com estes números, que reduzirão as estórias e as polémicas do ano às seriações estatísticas.

Uma questão final. O ME fez batota nos exames?
Recorda-se apenas a publicação da Portaria 1322/2007 de 4 de Outubro, (Backup) em resultado da qual a matéria dos exames de Português e Matemática, em vez de englobar o 10º, 11º e 12º anos, foi reduzida apenas à leccionada no 12º.



Os Planos fazem parte da retórica para mandar estudar, por demais evidente face às "autorizações para esquecer".


Adenda
No parágrafo que transcrevo abaixo a Ministra da Educação referia-se aos resultados do 4º e do 6º ano, em Matemática, mas independentemente do nível de escolaridade, a validade da lei de ouro é irrefutável.

  • Nós acreditamos que com mais trabalho os alunos recuperam. Há milhares de alunos que começam com negativa e recuperam ao longo do ano. As explicações eram a forma como as famílias resolviam as aprendizagens: escola pública de manhã e privada à tarde. No caso específico da matemática, pedimos às escolas que organizassem a recuperação dos alunos no interior da própria escola. E não podemos desvalorizar o que as escolas fizeram nestes últimos dois anos sob o risco de desacreditar o próprio processo de aprendizagem. Eu acredito que trabalhando se aprende. Por isso, é preciso trabalhar mais.
    Maria de Lurdes Rodrigues ao EXPRESSO (Assinantes), em 05/Julho/2008


Também destaco o seguinte:




Adenda

Desde que inventaram a avaliação externa no 12º ano, em 1996/97, a minha escola sempre tem feito estatísticas de exames. Este ano entendeu que não valia a pena. Acho que a fabricação das classificações foi tão evidente que até dispensou a análise estatística.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Milionários desafiam a crise do crédito e enriquecem ainda mais

"O número de milionários de dólares cresceu no mundo cerca de 6%, no último ano, conduzido pelo crescimento explosivo das economias emergentes da Índia, China e Brasil", observa o World Wealth Report.

Entre os gráficos que acompanham o relatório atente-se no seguinte:


As regiões em que a riqueza cresceu mais rapidamente foram: América Latina, Médio Oriente, África e Ásia-Pacífico. Na Europa e na América do Norte registaram-se taxas de crescimento inferiores à média mundial, significando que as suas economias estão a perder importância no sistema mundial.

Estes números não permitem aos europeus continuarem com compaixão relativamente ao Terceiro Mundo, e vêem questionar o seu modelo social de mercado. Imagine-se como terão ficado escandalizados os ingleses ao lerem que “de acordo com as estimativas da Merrill Lynch, haverá mais milionários na China que na Grã-Bretanha no final do próximo ano”.

O não irlandês ao Tratado de Lisboa foi motivado por razões económicas
que ultrapassam a própria UE, como a globalização. A UE prosperou com a liberalização dos mercados que se constituía como o seu motor de desenvolvimento. Simultaneamente foi criando o Estado previdência, para tornar efectivo seu modelo social de mercado.

Agora a liberalização dos mercados ultrapassou a própria UE, porque obedece a lógicas de pura ganância.
Comprar ao preço mais baixo, vender ao preço mais alto, o que for possível, onde quer seja.

Carro eléctrico made in Entroncamento


Parceria entre o ISEL, a Autosil e uma empresa estrangeira aguardam subsídios no âmbito do QREN.
Faço votos que o carro português tenha melhor sorte que o computador português.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...