domingo, 25 de agosto de 2013

«O ideal até era que os salários descessem»

Finalmente, um corte na despesa de 225 mil euros livres de impostos.

Com a sua morte, adquiriu hoje prodigiosos elogios em todos os jornais/sites, mas se lerem os comentários verão que ninguém desculpa o fanatismo liberal de António Borges, um dos responsáveis e dos beneficiários pela crise financeira e pela situação em que Portugal se encontra.

Para António Borges os hedge funds dispensavam a sua regulamentação, alegando que eram transaccionados apenas por profissionais, detentores de conhecimento. Para a generalidade da malta, ignorante, a única solução, será submeter-se a salários cada vez mais baixos, concorrendo com os chineses.



Os adjectivos utilizados pelos jornalistas e pelos comentadores, diferem tanto que nem parecem referir-se à mesma pessoa! Os primeiros são politicamente correctos. Para os segundos poderia ter falecido em 2009.

sábado, 17 de agosto de 2013

Um Governo que impõe aos outros regras que não segue



As escolas do ensino básico e secundário registaram a maior redução de funcionários. Mas os gabinetes do Governo registaram o maior aumento ;)

Arco de Luz - Terreiro do Paço



O vídeo não tem qualidade cinematográfica, mas para testar o Smartphone está óptimo. O espectáculo levou muitas pessoas ao Terreiro do Paço, provocando o caos no trânsito. Talvez alguns bares tenham facturado mais nestas noites, mas a maioria parece-me não ter entrado em nenhum.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O PIB continua a cair, mas mais devagar

O INE publicou a estimativa rápida com um título e imagem bem elucidativos: Produto Interno Bruto diminuiu 2,0% em volume no 2º trimestre de 2013.



Porém, quem quer fazer propaganda à receita da Troika lê que “comparativamente com o trimestre anterior, o PIB aumentou 1,1% em volume”, simplesmente porque o PIB apesar de continuar a cair, caiu menos que no trimestre anterior.



No 1º trimestre de 2013 o PIB em volume (quantidade de bens produzidos) caiu a -4,1% ao ano, e no 2º trimestre caiu a uma velocidade menor: -2,0%. Comparativamente com o 2º trimestre de 2012 – em que a economia caía a -3,2% ao ano – no 2º trimestre de 2013 estima-se que a velocidade da queda se tenha reduzido em cerca de um ponto percentual, mas isto não é crescimento económico.

Podemos imaginar alguém a cair de um precipício, que entretanto abriu o para-quedas, começando a cair com maior suavidade, um efeito o INE associa ao calendário da Páscoa, a redução menos acentuada do Investimento e a uma aceleração expressiva das Exportações. Mas o Governo utilizou este ponto de inflexão ainda muito duvidosa para legitimar a política de austeridade e fazer a sua propaganda.

A Páscoa baralha as contas porque tem carácter sazonal. A redução menos acentuada do Investimento pode associar-se a um corte da procura interna que não foi tão longe quanto o Governo desejava devido à intervenção do Tribunal Constitucional. A aceleração das Exportações deve-se em grande parte à nova refinaria da Galp e ao crescimento económico dos principais parceiros... Nada disto depende da política do Governo, e muito provavelmente a economia sairia da recessão mais depressa sem governo nenhum.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Que podemos esperar do PS?



Custa a acreditar, que durante a noite foi erigida uma estátua numa cidade, mas neste país já tudo parece possível. Que seja o PS a homenagear padres fascistas, militantes do ELP e do MDLP, que nem contaram com o voto favorável do PSD e do CDS, é mesmo extraordinariamente revelador do PS que temos.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

MST: "O verbo evidenciar não existe"

Miguel Sousa Tavares, comentando as peripécias de Pais Jorge, afirmou que este inventou o verbo “evidenciar. Evidentemente, ficou registado para memória futura.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Governo BPN

Os gatunos da banca governam o país. É curioso observar que o montante da despesa pública que o Governo deseja cortar corresponde sensivelmente ao buraco do BPN: 4,6 mil milhões de Euros. E Rui Machete já é o segundo exemplar da quadrilha, depois de Franquelim Alves.


BPN omitido no currículo de novo ministro
A Bola
BPN omitido no currículo de novo ministro. Por Redação. A- A A+. O novo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, conta no currículo com uma passagem pelo Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios mas essa informação ...

Ligação de Machete ao BPN sem impacto, diz ex-MNE
Diário de Notícias - Lisboa
João Semedo considerou que a proximidade de Rui Machete ao grupo BPN/SLN "num momento em que as fraudes do BPN e SLN pesam tanto das contas públicas e no bolso de cada contribuinte" confere à escolha um estatuto de "muito mau gosto".

Governo Passos esquece BPN no currículo de Rui Machete
Notícias ao Minuto
O gabinete de Passos Coelho omitiu o BPN do currículo de Rui Machete. O DN aponta hoje que a passagem do novo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros pelo Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios, dona do Banco Português de ...

Gabinete de Passos omite BPN no currículo de Machete
Diário de Notícias - Lisboa
A passagem do novo ministro de Estado e dos Negócios Estangeiros pelo Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios, a proprietária do Banco Português de Negócios (BPN), de 2007 a 2009, não consta das "notas biográficas dos novos ministros", ...

Novo ministro dos Negócios Estrangeiros com fortes ligações ao ...
Público.pt
O novo Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, foi presidente ao longo de vários anos do Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a dona do Banco Português de Negócios (BPN), onde o Estado português injectou a ...

Passagem do novo ministro pela SLN foi omitida do currículo
TVI24
Rui Machete, escolhido para ocupar o cargo de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, já trabalhou na SLN, sociedade gestora do BPN, mas essa passagem pela empresa foi omitida da sua biografia, enviada aos órgãos de comunicação social ...

Maria Luís Albuquerque ouvida na comissão de Orçamento sobre ...
RTP
A comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública quer ouvir a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, no âmbito da venda do BPN ao BIC até 31 de julho. A presença de Maria Luís Albuquerque naquela comissão foi requerida na ...

Passagem de Rui Machete pelo BPN omitida pelo Governo
Diário Digital
Novo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, a passagem de Rui Machete, de 73 anos, pelo Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios, a proprietária do Banco Português de Negócios (BPN), entre 2007 a 2009, foi omitida das «notas ...

Finanças pagaram 22 milhões de euros ao BIC
Económico
O Ministério das Finanças já pagou ao BIC 22 milhões de euros no âmbito do contrato de venda doBPN, que previa que o Estado pudesse ter suportar responsabilidades contingentes no montante máximo de 158 milhões de euros. "Até à presente data, ...

Governo: Escolha de Machete é ótima e ligação a BPN não tem ...
Visão
Lisboa, 24 jul (Lusa) - O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros António Monteiro considerou hoje que o novo titular da pasta é uma "solução ótima" e que as ligações de Rui Machete ao grupoBPN/SLN não vão afetar a sua imagem. "Acho que foi uma ...





quinta-feira, 11 de julho de 2013

Os cartões de Cavaco: PS, vermelho; CDS, amarelo; PSD, laranja

Os políticos têm hoje uma longa noite para se entender quando ao que Cavaco disse. Especialmente tendo em consideração as diversas interpretações das principais agências internacionais, parece que ninguém quer entender Cavaco.

A decisão apresentada constitui claramente um cartão vermelho ao PS, que já se manifestou contra a proposta de Cavaco. Não se dignam de apresentar qualquer justificação, bastando-lhes imaginar que a conversão das últimas sondagens em mandatos lhes seria favorável. Apenas desejam chegar ao poder, por desgaste da coligação CDS-PSD, mas não se espera do PS uma mudança de política, sabendo-se que nos Governos de Mário Soares o partido foi o rosto da austeridade.

O CDS levou cartão amarelo! Tinha ganho poder no interior da coligação à custa de manobras palacianas, pelo que Cavaco fez bem ao travar Portas. Se este só com uma pasta de cada vez já enrolou o país em tantos casos (desaparecimento de documentos, submarinos,...) então como super-ministro dificilmente se imagina até onde iria o seu poder destrutivo.

Claramente, o PSD é o partido beneficiado com a sua proposta. Com um “Governo de Salvação Nacional” PS-PSD-CDS, cuja primeira missão é realizar eleições, imediatamente depois de a Troika sair do país (!), Cavaco está a situar o PSD na pole position, porque anulará os ganhos da oposição (do PS, e mesmo do CDS!) resultantes do desgaste do Governo. Mais, vangloriar-se-ão de terem evitado um segundo resgate... porque facilmente reverterão igualmente como mérito seu a almofada do “programa cautelar”. Assim, o PSD será o partido em melhores condições nas eleições de Junho de 2014. Podemos dizer que o PSD teve um cartão laranja, porque afinal Cavaco é seu!

É triste viver em democracia, quando as alternativas se limitam ao PS e ao PSD...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Saiu Vítor Gaspar, entrou uma Gasparzeca

Passos Coelho disse que Maria Luís Albuquerque foi a primeira escolha, como se ainda pudesse escolher alguma coisa, e o cargo fosse desejado, agora, nestas circunstâncias, por muitos candidatos.

Como é óbvio, mentiu mais uma vez!

Segundo a carta de demissão de Vítor Gaspar, este já sai com oito meses de atraso. Passou-se com os acórdãos do Tribunal Constitucional e com a tonteira da TSU. Gaba-se te ter preservado a confiança dos credores, apesar de saber que estes exigem agora as mesmas taxas de juro – insuportáveis - que Sócrates pagava.

Logo agora que “as condições de financiamento do Tesouro e da economia portuguesa melhoraram significativamente”, e que “chegou uma nova fase: a fase do investimento”, não se percebe bem por que razão diz “não se sentir em condições de assegurar o sucesso do programa de ajustamento”.

Uma vez quer Vítor Gaspar recorda estar a “assumir plenamente as responsabilidades que lhe cabem” e que ironicamente afirma no final ser sua “firme convicção que com a sua saída contribuirá para reforçar a coesão da equipa governativa” só pode estar a sair por considerar traição a actividade de alguns colegas. Isto é, Vítor Gaspar seria um bom Ministro das Finanças, num país imaginário, onde pudesse impor todas as regras, sem qualquer constrangimento institucional, nem qualquer necessidade de negociar e justificar todos os vaipes que passassem pela cachola.

Mesmo assim, elogios fúnebres não lhe tem faltado:

"Uma surpresa muito desagradável" e "uma grande perda para o país", disse Miguel Beleza, representando certamente muitos que nele confiaram.

A polémica do (não) sabia nada de swaps aconselharia tudo excepto a promoção de uma eventual arguida. Mas tem a sua lógica... pois se prendessem os criminosos responsáveis pelo estado a que o país chegou, no Governo, na Assembleia, nos partidos, nas autarquias, nas empresas públicas, nas fundações... se a corrupção fosse eficazmente combatida, então é que o país recuperaria a confiança dos Empresários, do exterior e dos cidadãos. Continuando assim, Portugal aproximar-se-á a maior velocidade ainda, da Grécia.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Ideia para contornar os quatro feriados que o Governo extinguiu

Marquem Greve Geral que a malta alinha...



Feriados extintos pelo Governo Passos Coelho/Paulo Portas/Vitor Gaspar/Miguel Relvas ;)
  • Dois feriados civis:
    5 de Outubro, Implantação da República
    1 de Dezembro, Restauração da Independência
  • Dois feriados religiosos:
    Corpo de Deus, 60 dias após a Páscoa
    1 de Novembro, Todos os Santos
    Fonte.
Os sindicatos que desejem Greves Gerais com adesão acima dos 90% deverão assinalar estas datas.

E a produtividade? Ninguém demonstrou que a redução dos feriados tenha efeitos positivos sobre a produtividade. Na educação tem-se a percepção que os feriados contribuem para aliviar tensões e recarregar as baterias, sendo qualquer eventual perda de um destes dias rapidamente recuperada nos seguintes.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Everything is a Remix

Muitas vezes o que parece novo, não é senão uma adaptação do original. O que é interessante é que a "cópia" pode ganhar qualidades.

Canção do Mar - Amália Rodrigues
Canção do Mar - Dulce Pontes
Canção do Mar - ??????

Provavelmente já está (quase) tudo inventado... Because Everything is a Remix...

domingo, 23 de junho de 2013

Contributo para uma definição: Professorzecos

  • ...apesar de terem razão, perceberam que era injusta aquela greve... (0:45)
    MRS

A fraude e as irregularidades só são apontadas quando convém.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Portugal não tem impostos altos, tem serviços a menos

Comparando Portugal com os outros países da União Europeia, (EUROSTAT) é fácil concluir que não pagamos demasiados impostos directos (sobre o rendimento e a riqueza). Também se observa que o Estado não proporciona à sociedade um nível de serviços comparável com os seus parceiros, designadamente na Educação e na Saúde.

Impostos sobre o rendimento e a riqueza em percentagem do PIB
http://epp.eurostat.ec.europa.eu/guip/mapAction.do?mapMode=dynamic&indicator=tec00018_1

Camas de hospital por 100.000 habitantes
http://epp.eurostat.ec.europa.eu/guip/mapAction.do?mapMode=dynamic&indicator=tps00046

Abandono precoce de educação e formação
http://epp.eurostat.ec.europa.eu/guip/mapAction.do?mapMode=dynamic&indicator=tsdsc410_1

Toda a propaganda que se houve aponta para a redução da despesa e dos impostos por razões estritamente ideológicas. Fazem as médias que lhes convém… não importando os buracos da rede hospitalar, nem que grande parte da população abandone precocemente o sistema educativo.

Episódios do Crato, Teorias da Conspiração, Insanidade do Umbigo, etc.

Depois de o Colégio Arbitral ter decidido que não existem serviços mínimos na educação, e o Tribunal ter passado um atestado de incompetência ao Ministério da Educação, o Governo inventou uma nova forma de adiar o pagamento do subsídio de férias aos funcionários públicos.

No braço de ferro com os professores vale mesmo tudo, pois segundo os colegas de Português, o Governo premiou os alunos do 12º ano que fizeram o exame dia 17 (greve dos professores), com um exame mais simples que o apresentado aos do 9º ano!

Independente dos números de dia 17, a verdade é que a confusão está instalada e Ministério nunca poderá sair-se bem daqui. Para evitar que os professores repitam a façanha o Governo já prometeu mudar a lei da greve definindo o serviço de exames como serviços mínimos.

Como demasiados professores persistem, continuando a resistir às arbitrariedades do Governo com o prolongamento da greve às avaliações, acrescentou mais uma. Agora o Ministério da Educação e Ciência (MEC) deu/relembrou orientações às escolas que os sindicatos consideram ilegais.

O Governo já nos habituou de tal forma a ir mudando todos os dias as regras, que já nem espero qualquer reacção, mas creio que os professores apenas poderão recuperar a sua dignidade se conseguirem obrigar o Ministério a respeitar um enquadramento institucional minimamente estável.

Perante a gravidade do momento que vivemos, o Guinote e os seus seguidores divertiram-se imenso comentando os meus excessos de linguagem, por ter utilizado a expressão professorzecos, classificando automaticamente o meu post como um momento de insanidade. Certamente que o guru da blogoesfera professoral se passou ao desejar reclamar para si a legitimidade de definir qual é a linguagem correcta a utilizar pelos colegas, em momentos decisivos... enfim, também tem direito aos seus momentos de insanidade.

Já se sabe que a reflexão é perigosa, quando depois de interiorizarmos as injustiças, fazemos a sua denúncia pública. Se todos os professores expressassem o que sentem, do caleidoscópio dos seus relatos dificilmente emergiria um representante oficial... que “respeita” os seus colegas como este!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Concorda com a greve dos professores em dia de exames?

Pode dizer-se que a questão está formulada tendenciosamente, porque a referência imediata ao dia de exames terá levado mais algumas pessoas a dizer que não concordavam com a greve. Mesmo assim, dois em cada três espectadores mostraram-se a favor da greve.

Muitos comentadores de tudo é que foram menos inteligentes, como este, que:

- argumentou que o direito à greve dos professores representa um abuso, porque o direito ao ensino dos estudantes se encontra igualmente defendido na Constituição;

- acusou os professores de terem a intenção de prejudicar os alunos ao marcar a greve para um dia de exames;

- acusou os professores de estarem a matar o ensino público com a incerteza do dia de exame.

Se esta greve constitui um abuso dos professores porque suspende temporariamente um direito dos alunos, então gostaria que Miguel Sousa Tavares explicasse qual é a greve que não prejudica ninguém.

É evidente que a greve foi marcada para um dia de exames para ter maior impacto. Desta vez não teve oportunidade de observar que era à sexta-feira para começarem o fim-de-semana mais cedo.

Quanto à acusação de os professores estarem a matar a escola pública, gostaria de observar que faz parte da agenda ideológica liberal deste Governo matar todos os sectores de actividade que se encontrem na esfera do Estado, para os entregar a interesses privados. Tem sido assim em todos os sectores, mesmo naqueles que constituem monopólios naturais. O próximo sector serão os CORREIOS. Na educação, o Governo já propôs os co-pagamentos, decretou a perda do vínculo à função pública, e insistirá na convergência com o sector privado até fazer desaparecer o sector público.

Quando todo o ensino for privado, ficarão todos os alunos em igualdade de circunstâncias desde que disponham de recursos, cada vez mais inequitativamente distribuídos, por esta política que está a assassinar a classe média (Nicolau Santos)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A greve e o profissionalismo dos professores

Nuno Crato elogiou o profissionalismo dos professores que permitiram que 60% dos alunos do ensino público - e a totalidade dos estudantes do privado - tivessem realizado o seu exame de Português, hoje, 17 de Junho.

Gostaria de testemunhar, que contrariamente ao que disse o Ministro, só mesmo o desenquadramento da classe, terá permitido que alguns professorecos tivessem assegurado a realização das provas em condições deploráveis.

Na minha Escola foi assim:

Direcção: 100% em greve exceptuando o Director.

Secretariado: 100% em greve excepto uma professoreca.

Coadjuvantes: 100% em greve.

Suplentes: Evidentemente, nem pensar.

Professores do ENES: 100% em greve.

Vigilantes: Somente com os professores da nossa escola não haveriam vigilantes suficientes, mas entraram 8 professorecas do 1º ciclo, que passaram recentemente a fazer parte do Agrupamento. Mesmo assim, logo no início, excluíram todos os estudantes com necessidades educativas especiais, e os alunos de PLNM... mandando à fava os pergaminhos de escola multicultural.

Traíram a classe:

- professorecas próximas da reforma, que não serão afectadas por nada que se venha a passar;

- professorecas QZP’s que não têm a menor esperança de continuar na Escola;

- professorecas infofóbicas, incapazes de agarrar num rato;

- professorecas que nunca conseguiram levantar-se de manhã, faltando a todas reuniões marcadas para as 08:30;

- professorecas com pó a colegas que as ultrapassaram nos concursos;

- professorecas que têm argumentado precisar de um horário à noite, porque não suportarão os alunos do turno diurno;

- professorecos que vão à Escola fazer umas horas para complementar o salário que recebem no seu atelier...

Com estes, Nuno Crato ganhou esta batalha, mas não chegará a lado nenhum! Note-se que exceptuando o Director, todas as chefias da escola fizeram greve.

Mesmo assim, realizaram-se 100% das provas de Português, o suficiente para Nuno Crato cantar a sua vitória e continuar a humilhar os docentes.

Greve dia 17, mesmo com os sindicatos a milhas dos professores

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Santana Castilho implode Crato



  • Se me perguntaram se concordo com esta greve, respondo SIM.
  • Se me perguntarem se havia modo de a evitar, respondo HAVIA.
  • Se me perguntarem se concordo com o Presidente da República e três outros responsáveis políticos que falaram dos inconvenientes da greve, respondo NÃO.

terça-feira, 11 de junho de 2013

100% contra Crato, Passos e Gaspar

Lendo os números dos sindicatos observa-se que quase nenhum Conselho de Turma se realizou hoje, números de tal modo esmagadores que impressionam, mesmo sabendo-se que basta que falte um professor para que estes não se realizem. Para quem colocava dúvidas quanto à oportunidade desta greve a resposta está aí. Os professores consideraram oportuno realizar a greve às avaliações porque lhes sai mais barata (são menos descontados) e é mais produtiva (emperra a máquina dos exames).

Como não foi Nuno Crato que decidiu por sua iniciativa implodir a Escola Pública, apenas dá a cara pela área em nome de Passos e Gaspar, esta bombinha é sobretudo uma derrota do Governo, e daí que se lhe associem sectores exteriores à educação, como já mostraram os artistas. Aguardam-se manifestações de simpatia de outros quadrantes.

Também hoje, o Colégio Arbitral reiterou que as urgências são no Hospital (a greve dos professores não fica sujeita a serviços mínimos), lógica que já foi utilizada para explicar a ineficácia da requisição civil relativamente aos exames.

Finalmente o ano lectivo ficou interessante, com os professores darem um empurrão para este Governo cair. Seria bom que arrastasse consigo o palhaço, mas já estou a sonhar demais...

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O governo faz dos estudantes escudos humanos contra os professores

Manuel Tiago refrescou a memória de Nuno Crato em alguns aspectos fundamentais:

  • Já temos pacto para a educação: Lei de Bases do Sistema Educativo e Constituição da República Portuguesa.
  • Como tem coragem para dizer moderno um sistema que propõe novas vias de ensino para crianças dos 11 aos 14 anos, refinando a reprodução social ao melhor estilo de Mussolini, na Itália dos anos 20?
  • O prejudica os estudantes não é a greve dos professores, mas o Governo que apresentou em Maio um conjunto de ataques à função pública e aos professores, sem dar espaço para que os professores possam reagir em qualquer outra ocasião, a não ser em cima das avaliações e dos exames dos estudantes. Dava-lhe jeito que marcassem acções de luta para as férias, ou para Setembro, depois de já estarem todos na rua?
  • O que é a componente lectiva? Quais são as actividades integradas na componente lectiva? Porque não diz isso? Aquelas actividades para onde empurrou os horários zero irão contar como componente lectiva? Este ano não contaram.
  • O horário da função pública era de 35 horas e constitui um retrocesso civilizacional que passe para 40 horas em qualquer actividade. Pior é se relativamente aos professores argumenta que isto apenas significa a consolidação de uma prática já existente nas escolas, fingindo ignorar que este alargamento vai lançar no desemprego mais uns milhares de professores... Nos últimos anos as suas políticas já lançaram no desemprego 30.000 docentes!
  • Não são os professores quer estão a utilizar os estudantes como reféns! O Governo é que fez da democracia refém e faz dos estudantes escudos humanos, porque ofende os professores e depois defende-se com os estudantes.
  • O que prejudica os estudantes é o ataque constante à Escola Pública (...)
  • É uma vergonha ser um Ministério fora da lei...
Nuno Crato prometeu implodir o Ministério da Educação, mas a sua política está desenhada para exterminar os professores, porque o efeito sobre o défice orçamental é muito maior, e a agenda ideológica de privatização da prestação de serviços públicos se sobrepõe a qualquer qualidade intelectual que levou os professores a conferirem-lhe o benefício da dúvida. Agora já ninguém tem dúvidas... chegou o momento de todos se organizarem e fazerem valer a força da sua união, como nesta escola.

A greve dos professores é mais que justa

Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que:
  • A greve dos professores é justificada porque os professores têm razão. Só quem não é professor é que pode pensar ser possível exigir 40 horas na escola aos professores, fora tudo o resto que têm que fazer. A proposta das 40 horas é uma coisa tonta para os professores, que não têm horário de funcionários públicos.
  • Os professores andam em mobilidade especial ao tempo.
Depois asneirou. Disse que a greve retira a razão aos professores, inventando que "não é proporcionada", “isto é, aquilo que está em causa deve ser proporcional aos sacrifícios que se impõem aos estudantes”, e então os professores deveriam adoptar “formas de luta simbólica”, apenas para que a população se apercebesse da injustiça de que estão a ser vítimas por parte deste Governo.

Marcelo Rebelo de Sousa só se esqueceu de pedir aos professores que acreditassem num milagre da Nossa Senhora Virgem Maria que poderia repor a dignidade que vêm perdendo desde Sócrates/Milu, que inventaram a “escola a tempo inteiro” sobrecarregando sempre os professorzecos com mais e mais trabalho, obra que Crato está a continuar. Os professores sabem bem que o busílis não está só nas 40 horas!

Porque será que José Sócrates - outro politicu comentador dos nossos tristes Domingos - ainda nem ouviu falar da greve de professores?

sábado, 8 de junho de 2013

Para pior já basta assim!


PS anedota

Contra o cartel nos combustíveis, nas comunicações, nas auto-estradas, ou comissões impostas aos clientes por toda a banca não se ouve o PS. O que os preocupa é monopólio do futebol.

Que legitimidade têm para se dizerem da oposição e quererem governar o país?

Vítor Gaspar: Afinal a quebra do investimento deve-se ao mau tempo ;)



... o comportamento do investimento é muito preocupante, sendo adversamente afectado pelas condições meteorológicas que prejudicaram a actividade da construção...

Conclusão: As negociações com a Troika não são solução. É preciso negociar com o S. Pedro.

sábado, 25 de maio de 2013

Neste momento não precisamos de mais austeridade

Este senhor o isolamento Vitor Gaspar. Se ele não tivesse recusado a pasta das finanças, nem teríamos conhecido o aluno de Wolfgang Schäuble.



Vitor Bento tem fé: "Que vamos sair deste crise, vamos! O que não é quando nem como".

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Barack Obama e Angela Merkel recebem 10% do salário de António Mexia

O “salário” de António Mexia permitiria pagar o salário mínimo a 532,6 pessoas, que ganhassem o salário mínimo nacional, que se encontra nos 485,00 € mensais.

Como é relativamente difícil imaginar um exército de mais de 500 pessoas, “menos produtivas” que um só homem, resolveu-se aprofundar a comparação com "senhores do Mundo". A conclusão é que Christine Lagarde, Julia Gillard, Mario Draghi, Barack Obama, Angela Merkel, Elio Di Rupo, Ban Ki-Moon, David Cameron, François Hollande, Sebastián Piñera, Vladimir Putin e Ben Bernanke, todos juntos...

... os 12, todos juntos receberam menos que o presidente da EDP.

Por exemplo, Ben Bernanke, Presidente da Reserva Federal dos EUA, recebeu apenas 5,2% do salário de António Mexia, apesar de ser o responsável pela emissão de moeda nos EUA! Não há nenhum critério, que com base na produtividade justifique o salário de Mexia!

Se quiserem dar a volta aos princípios da lógica, argumentando que os melhor remunerados são os mais produtivos, então contratem para a EDP Jamie Dimon ou George Soros, que valem respectivamente 4878 e 866 mexias!

PS. - 1. Foram utilizados os dados do site http://www.meusalario.org/, consultado hoje.
2.Considerou-se irrelevante o facto de os 3,1 milhões de euros, referidos pela imprensa, dizerem respeito a anos anteriores.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A China na Internet

Regista-se um crescimento explosivo dos utilizadores de Internet na China, cujo número já é equivalente aos americanos (US) e europeus (UE) juntos!

Os principais serviços que nós conhecemos no ocidente, têm a sua "tradução" num serviço chinês equivalente.

Estes serviços resultarão de obstáculos à circulação da informação (ilegítimos) ou de diferenças culturais?

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Paul Krugman responsabiliza a UE e o BCE pela crise política portuguesa

BCE/CE só intervêm ou prometem intervir quando o Euro está ameaçado. Entretanto já criaram expectativas de criação dos eurobonds, que resolveriam a crise portuguesa, que se encontra no volume da dívida (acumulada) e não tanto do défice que tem sido alvo preferencial das notícias nestes dias. Krugman escreveu um texto responsabilizando a UE e o BCE pela crise política portuguesa:
  • Em resposta da Comissão Europeia à crise política portuguesa, a Comissão elogia a determinação do Governo em impor a austeridade não importando o que os tribunais dizem, porque a austeridade está a produzir "o crescimento da confiança dos investidores em Portugal".

quarta-feira, 20 de março de 2013

PSD criou a geração mais precária em Portugal


  • Vá lá dizer ao seu pai, ao seu médico, ao seu professor, aos pensionistas que recebem 300 euros/mês, aos trabalhadores com 50 anos que ganham 485 euros/mês, salário mínimo nacional, que a culpa da precariedade dos seus filhos e dos seus netos é deles! Foram eles que viveram acima das suas possibilidades! Tenha vergonha na cara!

Se a banca é apoiada tem que ter obrigações


  • Nenhum outro sector, que não o bancário, foi apoiado pelo Estado com dinheiro dos contribuintes. Utilizou-se o argumento que era necessário apoiar o sector bancário para financiar a economia, portanto é o momento de olhar para a economia, o emprego e o crédito. O crédito concedido às pequenas empresas – as geradoras de emprego – tem vindo a decrescer em Portugal. Não pode continuar um apoio tão sustentado à banca sem esta ter obrigações quanto à economia.

segunda-feira, 18 de março de 2013

A Europa perdeu num dia a confiança construída em décadas

Que a Europa nunca teve uma liderança política responsável pelo seu destino já sabíamos há muito tempo. Por isso mesmo, deram emprego ao Durão Barroso, que não tem nem representa nenhuma ideia de Europa.

A crise financeira veio colocar a nu a falta de estratégia da UE, pois enquanto os Estados Unidos e Japão já ultrapassaram a crise, a Europa vive no marasmo, vendo as economias emergentes a adquirir maior importância.

O BCE, com receio da inflação tem imposto uma política monetária restritiva, e vendido a ideia que os países precisam da confiança dos mercados. Só pode ter enlouquecido quando decidiu resolver o resgate de Chipre - uma economia com 1 milhão de pessoas, que representa apenas 0,02% do PIB europeu - com uma solução que deitou por terra todo o esforço que vinha sendo feito pela afirmação do Euro. Um assalto a todos os depositantes.

A partir deste momento os depositantes de qualquer país da União jamais acreditarão que os seus depósitos estão em segurança, sendo fácil imaginar uma sangria de capitais. Não é concebível que alguém conseguisse minar o Euro de uma forma tão eficaz. E tinha sido fácil evitar o pânico, estabelecendo uma taxa ligeiramente superior para o escalão acima dos 100.000 euros, que facilmente obteria a mesma receita, poupando os trabalhadores, os pensionistas e a população em geral. Se o problema estava na lavagem de dinheiro pelos russos, que fizessem a pesca à linha, em vez de lançar a rede sobre toda a gente.

Imaginem que Vitor Gaspar se lembra de anunciar que Portugal não seguirá o caminho do Chipre. Bastará que ele comece a falar para o pânico se instalar. Quando terminar de falar, já ninguém acreditará no que ele disse. Mesmo que fique calado o pânico já se instalou, e todos receiam que ele decida resolver de vez o problema da dívida pública recorrendo aos depósitos dos particulares.

sábado, 16 de março de 2013

Erros de previsão num país do imaginário Gapar/Troyka



Em 2011, as suas previsões nem admitiram que a aplicação daquele Memorando tivesse qualquer efeito recessivo sobre o PIB. A variação negativa atenuava-se em 2012, e a partir de 2013 o país já teria entrado numa rota de crescimento. Por isso a taxa de desemprego nunca ultrapassaria os 13/14% e o défice orçamental decresceria rapidamente.
Agora, o PIB já vai pelo terceiro ano consecutivo com crescimento negativo, a taxa de desemprego ultrapassa os 188% e o défice orçamental agravou-se em vez de cair.

O pior é que tudo isto continuam a ser apenas previsões de Gaspar/Troyka para um Portugal por si imaginado, que certamente se encontra muito distante do país real, isto é, nada garante que não se verifiquem 4, 5 ou mais anos com o PIB em queda, e tudo o resto pior que o agora previsto.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

"Refundação" do Estado: 4 mil milhões de euros

Talvez seja esclarecedor procurar a origem das expressões "Refundação" do Estado e 4 mil milhões de euros. Entraram no debate público na edição do EXPRESSO de 3 de Novembro de 2012. O número foi lançado como meta atingir sem qualquer estudo prévio. A notícia refere que o peso do Estado em Portugal é inferior à média da OCDE, mas na lógica prudencial deste Governo - que facilmente adivinha que os indicadores económicos serão piores que os que utilizou nas suas estimativas - o número foi lançado como objectivo a atingir a todo o custo, logo se veria como e para quê.

Há muito que se sabia que o crescimento das despesas acima das receitas públicas e do PIB teria que ser travado, mas o debate está inquinado porque se olha somente para as rubricas com maior peso no orçamento, permitindo imoralmente que as que têm menor importância numérica fiquem excluídas do corte na despesa, independentemente da sua utilidade social.



Também não se compreende a oportunidade deste corte cego quando o BCE resolveu assumir novas funções, traduzindo-se para Portugal num regresso fácil aos mercados, e num perdão da dívida com um valor muito superior aos tais 4 mil milhões...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Retrato estatístico da educação em Portugal com os dados da OCDE

Num momento em que as estatísticas apresentadas nos relatórios do FMI, estão a ditar a “verdade” sobre a educação para justificar cortes nesta rubrica por razões estritamente financeiras e orçamentais, será oportuno um retrato alternativo, que se apresenta partindo dos dados mais recentes da OCDE - Education at a Glance 2011: OECD Indicators e 2012 -, uma instituição internacional onde o número de países participantes constitui a melhor garantia de independência. Estas estatísticas não foram encomendadas pelo Governo!

Comecemos por um “detalhe” importante: As taxas de escolarização em Portugal foram recentemente inflacionadas pelo fenómeno das “Novas Oportunidades”. Descontando o efeito dessa oferta de diplomas, Portugal é dos países com menor escolarização a nível do ensino secundário. Isto é, temos muitos alunos a que o ensino ainda não chegou, contrariamente ao propalado “excesso de Professores”.



O FMI não gostou de observar que o custo por aluno em Portugal aumentou mais que nos outros países de 2000 a 2010. Expliquem lá a esses senhores que os salários nem subiram, se considerarem que o trabalho dos professores na escola aumentou, sem ser pago: a componente dita não lectiva que acaba como se fosse lectiva nas aulas de substituição e em muitas outras tarefas. Como se observa na parte de baixo do Gráfico B7.5 o custo dos professores por estudante aumentou em resultado da redução dos alunos por turma. É que as turmas das NOVAS OPORTUNIDADES tinham apenas 15 alunos!


Fonte: http://www.oecd.org/edu/EAG%202012_e-book_EN_200912.pdf p. 302

Se quisermos desenvolver o país, precisamos de recursos humanos qualificados. Os países mais desenvolvidos gastam mais recursos com os estudantes, que serão mais produtivos, contribuindo para um maior volume do PIB per capita. Observa-se uma baixa despesa com os estudantes em países subdesenvolvidos, naturalmente com reduzido PIB per capita. Isto é, os gastos em educação são um bom investimento.



É bom que se recorde disto. Por isso repito a ideia igualmente com os dados correspondentes ao nível de ensino secundário (para detalhes sobre os níveis de ensino consulte o Glossário do EUROSTAT).



Um dos problemas da economia portuguesa provém da reduzida despesa em educação, em percentagem do PIB, que se encontra abaixo da média dos países da OCDE.



Observando a despesa por estudante a conclusão é a mesma: Portugal encontra-se abaixo da média da OCDE.



Antes da reforma curricular de Nuno Crato, que aumentou o número de alunos por turma, em Portugal observavam-se números semelhantes aos de muitos outros países.



Não poderão apelidar este retrato de corporativista, porque recordo que contrariamente ao que quase todos pensam, mais aulas não significam necessariamente melhor aproveitamento... Não se verificou qualquer correlação entre as horas de aprendizagem em ciências e os resultados dos estudantes!



Finalmente veja-se a tal ideia de que os professores serão privilegiados, porque ganharão bem demais. Antes dos cortes nos vencimentos, em 2009, o gráfico até mostra os salários máximos ligeiramente acima da média da OCDE. Mas se tivermos em conta que em Portugal serão necessários 35 anos para atingir o salário máximo - perto da idade de reforma -, enquanto na OCDE a média é de 24 anos, voltaremos a ficar abaixo da média, até mesmo sem contar com os cortes...



No sistema remuneratório é que deveriam copiar o exemplo alemão ;) não na vergonhosa selecção a partir dos 13 anos.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Justificações do FMI para a erradicação do ensino público

Os funcionários públicos em Portugal recebem salários 10% acima da média dos outros países europeus. Esta diferença é maior no sector da educação, que também emprega mais pessoas, mas com piores resultados.
Os funcionários públicos trabalham 35 horas por semana, o horário mais reduzido entre os países da OCDE.
Fonte: http://www.imf.org/external/pubs/ft/scr/2013/cr1318.pdf

A realidade depende dos óculos que utilizamos. Nem vou gastar tempo com contra-argumentos, limitando-me a sugerir a leitura de alguém certamente insuspeito de defender os professores.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Chagou a Lei da Selva

No último andar já não acendem as luzes nem abrem as janelas desde a semana passada!





Indícios de abandono permitem entrada na casa sem autorização judicial, lê-se no Negócios. Não sei o que a lei considera "indícios de abandono", mas numa interpretação de português comum, meros indícios permitem avançar a todo o gás, para além de toda a dúvida razoável, com grande possibilidade de os factos se terem passado de modo diverso daquele para que apontam os indícios probatórios.

Despejar imediatamente, e só posteriormente ser obrigado a provar alguma coisa é uma autêntica Lei da Selva. Adeus Estado de Direito. Quem pode, phode.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Porque é que pagamos impostos?

Soares dos Santos explicou hoje no EXPRESSO: "A maior parte das pessoas não quer ter problemas com ninguém".
Quer dizer, não significa que estejam convencidos da necessidade de contribuir para o bem-estar comum, mas apenas para evitarem chatices para si. Brilhante moralidade!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A “lógica” do FMI para a educação

O FMI publicou o relatório RETHINKING THE STATE—SELECTED EXPENDITURE REFORM OPTIONS, com graves implicações para Portugal e para o sistema educativo em Portugal. Baseado em médias aritméticas propõe a destruição do ensino público, porque é mais caro e obtém piores resultados que as escolas privadas! Descobriram a pólvora!

Pelas contas do FMI, apesar da redução dos salários a despesa pública tem aumentado, portanto será necessário reduzir mais os salários. As barras dos famosos Consumos Intermédios (gorduras do Estado) nem se vêem!

Os professores são grupo de privilegiados porque os salários em 2005-2010 subiram mais em Portugal que nos outros países.

A despesa com os professores está acima da média dos restantes países.

Os portugueses trabalham menos, e então quando observamos os professores, destes nem vale a pena falar!

Os portugueses têm piores resultados nos testes de PISA.

O sistema tem professores a mais porque o rácio alunos por professor é menor em Portugal.

Conclusão: Como os alunos das escolas privadas têm melhores resultados, e o custo por aluno é mais baixo, será necessário despedir 50.000 a 60.000 professores do ensino público. Para motivar os melhores professores, e que estes passem para as escolas privadas implementar-se-á a mobilidade especial e a avaliação online.

Estás mobilizado para outro 15 de Setembro?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

portugal needs partial debt renegotiation

Procurando do Google portugal needs partial debt renegotiation encontramos 140.000 resultados. É verdade que os media foram incompetentes, mas a história do economista da ONU traz-me à memória uma quadra de Aleixo:

Para a mentira ser segura
e atingir profundidade,
deve trazer à mistura
qualquer coisa de verdade...
(António Aleixo)

Todos foram levados porque a proposta até tem fundamento, reconhecendo que parcialmente, a dívida seria da responsabilidade da própria União Europeia, que nos está a cobrar juros agiotas.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Finalmente começamos a gostar de Miguel Relvas

Miguel Relvas inexplicavelmente não foi demitido. Toda a gente sabe que o homem está lá a mais, menos o primeiro-ministro, e finalmente parece ter-se iniciado um novo ciclo político, porque onde Miguel Relvas toca, estraga o negócio. Isto é, agora cada vez abre a boca sobre um negócio/candidato etc. ele perde. Podemos dizer que Miguel Relvas começou a trabalhar para a oposição. Depois do beijo de morte que deu a Fernando Seara, foi a vez do seu amigo Germán Efromovich falhar a compra da TAP.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Vitor Gaspar: Ao serviço de DEUS PAI-Credores

Quem governa Portugal? Quem governa a Grécia? Ambos os países pertencem à Área Euro e tem as linhas mestras da sua política económica definidas por um “programa de ajustamento estrutural” conduzido pela Troika. O objectivo destes programas é claro. Não se trata de “ajudar” a estruturar coisa alguma, mas apenas de assegurar financiamento para que não fiquem na impossibilidade de satisfazer o serviço da dívida que têm para com os credores.

Até aqui Portugal tem o seguido o caminho do “bom aluno”, com um Governo que sistematicamente se orgulha de “ir além da Troika”, precisamente porque acreditámos que assim nos tratariam melhor, em função do nosso “esforço”. Nessa perspectiva Juncker defendeu o "princípio de igualdade de tratamento" como aconselharia o mínimo bom senso, e o nosso Gasparzito confirmou o mesmo princípio, como quem exibe os resultados do seu trabalho.

Porém, rapidamente o super-ministro das finanças alemão (DEUS PAI-Credores) nos recordou que Portugal só beneficiará das condições concedidas à Grécia quando estiver igualmente destruído, isto é, “depois de um *perdão voluntário* de credores privados”.

Até chegarmos à situação da Grécia – o que acontecerá rapidamente em resultado dos juros agiotas – esta será apontada como “caso único” que o “bom aluno” não deverá seguir, e após a palavras de DEUS PAI-Credores, o nosso obediente Gasparzito desdisse o que havia afirmado na véspera, atribuindo as suas próprias palavras a uma "simplificação excessiva de assuntos complexos", "mal entendidos", etc.

Conclusão: Os portugueses apenas votaram num partido que chamou o Gasparzito para este serviço, mas ele sente-se como um simples funcionário de DEUS PAI-Credores, evocando os princípios que forem convenientes à sua narrativa.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Política porca

Os governantes vão tomando as decisões que lhes interessam enquanto a populaça é entretida a discutir pint*. Por exemplo, caiu o Carmo e a Trindade quando Passos falou da possibilidade de propinas no ensino secundário, que até já existem com valores simbólicos, e toda a gente vai discutindo parvoíces destas na vã tentativa de encontrar os célebres 4 mil milhões de euros, que correspondem a 2,4% do PIB de 2011, enquanto se deixam passar em claro as negociatas em curso nas privatizações, que representam 16,6% do PIB, um valor 7 vezes superior!

Já calculou quando ganharia se recebesse uma comissãozita de 2% pela venda do país ao desbarato?

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...