sábado, 8 de março de 2025

O excesso da “demanda” como causa da inflação

Na unidade 4 do 10º ano, Comércio e moeda, explica-se entre outros aspectos, que o excesso da procura é uma das causas da inflação:
  • “Por exemplo, suponhamos que na loja só resta um CD e que tu e todos os teus amigos o querem comprar. O vendedor irá provavelmente aumentar o preço do CD porque sabe que a procura é muita e que pode conseguir mais dinheiro por ele.” (Brochura do BCE)
Muitos professores desatinavam com a prática dos estudantes que consistia em confrontarem as suas informações com o Google, aspecto que nunca me perturbou, mas agora há um verdadeiro elefante dentro da sala, que não pode ser ignorado: os chatbots de IA. Como têm resposta para todas as perguntas, oferecem informações e entretenimento de forma mais rápida e atraente que qualquer professor, levando a que os alunos sintam cada aula como uma “seca” e deixem os professores a falar para as paredes.

Imaginem que explicaram o excesso da procura como causa da inflação, como têm explicado sempre, como vem em todas as obras de referência e em todos os manuais. Só que desta vez, no teste, todos os alunos da turma explicaram o excesso da “demanda”... e após confrontarem a turma com estas respostas ainda algum palerma observou:

- Mas professor, procura ou demanda não são a mesma coisa?

quarta-feira, 5 de março de 2025

Continuamos no pântano. É o que temos!

Em Portugal, a alternância tem sido entre o PS e o PSD.

Estamos numa fase em que nem o Governo é digno da aprovação de uma moção de confiança, nem a oposição deseja aprovar uma moção de censura. Ficam naquela langonhice… não entra nem sai de cima. Algo que Guterres celebrizou, chamando-lhe "pântano político".

terça-feira, 4 de março de 2025

O fato e a t-shirt

O fato, historicamente, é um símbolo de conformidade com normas sociais e profissionais. Ao usá-lo, o indivíduo demonstra que está ciente e disposto a seguir as regras do jogo, a se adequar a um determinado contexto, seja num casamento, num funeral, num emprego ou no circo da AR. O fato pode ser visto como uma espécie de armadura social, uma forma de representar um papel, seja ele o de profissional competente, de pessoa elegante e respeitável, ou de membro de um determinado grupo ou gangue.

A t-shirt, por outro lado, é uma peça de roupa muito mais pessoal e expressiva. Ela permite que o indivíduo mostre sua individualidade, seus gostos, suas preferências e até mesmo suas convicções, adequando-se a ambientes onde pode relaxar, ser ele mesmo, sem a necessidade de se preocupar com formalidades. A t-shirt expressa descontração, informalidade, conforto e autenticidade.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Estamos fartos da política com truques

Miguel Morgado expôs brilhantemente porque cresce o fosso entre os políticos e o interesse da população pela política.
Parece que as pessoas estão a ficar fartas da política com truques um pouco por todo o lado... e acabam por votar em quem não merece.
Trump e Putin são o expoente máximo da política com truques. Só são mais perigosos porque se encontram sentados nos arsenais nucleares.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Os amigos e os professores, fazem falta?!

E lá estava eu, um jovem curioso nos anos 80, diante de um desafio colorido que prometia levar-me à loucura: o cubo mágico. Meus pais, com a melhor das intenções, presentearam-me com aquele objeto misterioso, e eu, com a ingenuidade da idade, acreditei que seria capaz de decifrá-lo num piscar de olhos.

Puro engano! Passei a noite em claro, tentando inutilmente alinhar aquelas cores teimosas, mas o máximo que consegui foi embaralhar ainda mais o cubo. Desolado, recorri à sabedoria dos livros e adquiri um exemplar de mais de 100 páginas intitulado "Todos Podem Fazer o Cubo Mágico", mas perdi a paciência antes de o conseguir fazer.

Não podia desistir! Recorri a um amigo macanudo, daqueles que parecem ter todas as respostas para os enigmas da vida. Ele, com a paciência de um monge budista, ensinou-me um método para fazer o cubo mágico, e anotámos um esquema com as etapas a seguir.

Com a ajuda dessa cábula, passei a dominar o cubo mágico com maestria. Nas competições com amigos orgulhava-me de resolver o cubo em menos de 60 segundos. Era uma febre!

Naquela época, a informação disseminava-se pela rádio, tv, jornais e revistas, e pelo boca-a-boca. Não havia nenhum Google, nem ChatGPT! Cada interessado tinha seu próprio método para resolver o enigma. Eu, por exemplo, apeguei-me ao método que meu amigo macanudo me ensinou e não quis saber de outros.

Hoje em dia, com a internet e a inteligência artificial, tudo parece mais fácil. Basta digitar "como resolver o cubo mágico" no Google e pronto, temos acesso a milhares de tutoriais e vídeos explicativos. Mas será que essa facilidade toda não nos afasta um pouco da importância de ter um bom amigo ou um bom professor?

Dedico esta mensagem ao meu amigo macanudo Necas, operador da estação Bala, já no céu. Ele ensinou-me não apenas a resolver um quebra-cabeças, mas também a importância de ter alguém para nos guiar e nos ajudar a superar alguns dos desafios da vida.

Aos interessados, deixo aqui alguns esquemas para resolver o cubo mágico. Virem-se!

E você, já teve alguma experiência parecida? Compartilhe sua história nos comentários!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Repensando a Riqueza: Da Acumulação Ilimitada à Vida Boa

Já parou para pensar sobre o verdadeiro significado da riqueza? Aristóteles, há milhares de anos, já diferenciava a economia (uso da riqueza para a "Vida Boa") da crematística (busca pela riqueza em si). Será que essa distinção ainda é relevante hoje?

Em um mundo obcecado pelo crescimento económico, muitas vezes esquecemos que a riqueza é apenas um meio para um fim: o bem-estar humano. Mas será que mais riqueza significa necessariamente mais felicidade? Um estudo recente, baseado em dados de diversos países, revela uma relação complexa entre rendimento e bem-estar, mostrando que, acima de um certo ponto, o aumento da riqueza não se traduz em melhorias significativas na qualidade de vida.

Este artigo explora a fundo essa questão, revisitando as ideias de Aristóteles e trazendo para o debate as contribuições de economistas contemporâneos como Amartya Sen. Sen convida-nos a repensar a própria noção de prosperidade, indo além da simples acumulação de bens materiais e focando nas capacidades que as pessoas precisam desenvolver para alcançar uma vida plena e feliz.

Quer saber mais sobre como a riqueza pode contribuir (ou não) para a sua "Vida Boa"? Descubra como repensar seus valores e prioridades, e como buscar uma prosperidade mais autêntica e significativa.

Leia o artigo completo aqui e junte-se a nós nesta importante reflexão! [Link para o artigo]

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sábado, 4 de janeiro de 2025

Ilusões da juventude

Quando era estudante de Economia, acreditávamos que a compreensão se traduziria numa política melhor. Pensávamos que as pessoas com poder iriam ouvir os especialistas. E, se tivéssemos ideias melhores, poderíamos influenciar seriamente a política na direção certa. Neste momento, não tenho a certeza disso. O mesmo acontece em muitos campos. Há os cientistas do clima e os epidemiologistas que estão a arrancar cabelos. Não creio que o nosso problema seja não sabermos o que fazer. Acho que o problema é que as pessoas com poder real não se importam.

Disse Paul Krugman, em entrevista ao EXPRESSO (02/JAN/2025)

domingo, 25 de junho de 2023

O maior risco da inteligência artificial é não haver suficiente

Resumo do texto de PEDRO DOMINGOS, Licenciado no IST, Professor na UNIVERSIDADE DE WASHINGTON, autor de “A REVOLUÇÃO DO ALGORITMO MESTRE”, EXPRESSO, REVISTA E, 23/06/2023.

No texto, Pedro Domingos aborda os potenciais benefícios da inteligência artificial (IA) e enfatiza a importância de não se deixar levar pelo medo dos seus riscos, a fim de não perdermos a oportunidade única que ela nos proporciona.

Domingos destaca que os benefícios da IA são extraordinários e abrangem diversas áreas, como a cura de doenças, a gestão eficiente de cidades e do meio ambiente, a geração de riqueza e a realização de novas descobertas científicas. A capacidade da IA de processar grandes quantidades de dados e identificar padrões complexos pode levar a avanços significativos em campos como medicina, energia, transporte, entre outros.

O autor argumenta contra a visão apocalíptica de que a IA pode levar à extinção da humanidade, ressaltando que isso se baseia em pressupostos equivocados. Ele desmistifica a ideia de que os sistemas de IA possuem características humanas, como emoções, desejos e consciência. Na realidade, os algoritmos de IA são sequências de instruções programadas pelos humanos e executadas pelos computadores.

Domingos defende que o alarmismo em torno dos riscos da IA está focado principalmente nos algoritmos de aprendizagem automática, mas argumenta que esses sistemas são regidos por objetivos fixos estabelecidos por humanos. Eles procuram maximizar o envolvimento em redes sociais ou minimizar erros de previsão, por exemplo, e não têm a capacidade de evoluir de forma arbitrária para se tornarem malévolos.

O autor destaca ainda que a IA pode contribuir para combater a desinformação online, detectando e filtrando conteúdos falsos. Embora existam preocupações sobre a manipulação humana por meio da IA, Domingos argumenta que os humanos são mais capazes de manipular os sistemas de IA do que o contrário. Ele afirma que a inteligência humana e a capacidade de discernimento são fundamentais na detecção e resposta à desinformação.

Quanto aos enviesamentos e discriminação associados à IA, Domingos aponta que muitas vezes ocorre confusão entre correlação e causalidade. Ele argumenta que as diferenças de resultados em sistemas de IA podem refletir realidades sociais e não necessariamente enviesamentos. Ele defende que a IA oferece uma oportunidade única para combater esses enviesamentos e discriminações, uma vez que os algoritmos não possuem predisposições relacionadas a sexo, raça ou outros fatores.

O autor aborda ainda a questão da privacidade, destacando que a publicidade direcionada proporcionada pela IA não é prejudicial aos utilizadores, mas sim um benefício para todos os envolvidos. Ele argumenta que a publicidade direcionada permite que os utilizadores desfrutem de serviços valiosos sem custos diretos, enquanto as empresas obtêm receitas por meio dos anunciantes.

Em suma, Pedro Domingos defende que a IA possui uma série de benefícios extraordinários em diversas áreas da sociedade. Ele destaca a importância de compreendermos corretamente as características e limitações da IA, a fim de aproveitar suas vantagens sem cair no medo irracional de seus riscos.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

A desresponsabilização geral

Miguel Esteves Cardoso, escreveu hoje do Público, um artigo onde responsabiliza as redes sociais pelo estado a que chegámos, como se o “estruturalismo dos anos 60” fosse melhor. Cumpre-me defender as redes sociais como conquista de Abril.

A liberdade conquistada em Abril permite-me escolher o que leio, mas infelizmente não consigo mudar quase mais nada.

Em 1960 as elites viviam tranquilas, dos escribas aos professores particulares, dos médicos para os ricos aos políticos que nem precisavam de ser vigaristas...

Cerca de metade da população nem sabia ler, a escolaridade obrigatória ia até à 4ª classe na letra da lei, mas muitas crianças abandonavam a escola antes de completar esses quatro anos, devido a factores como pobreza, falta de rede escolar e desigualdade social.

Em 1960, a assistência médica em Portugal abrangia apenas uma parte limitada da população. A maioria dos serviços de saúde era prestada pelo Estado, mas o acesso aos cuidados de saúde era bastante limitado, especialmente para as pessoas que viviam em áreas rurais e para as famílias mais pobres. Na época, a maioria das pessoas em Portugal dependia de médicos privados ou de instituições de caridade para obter assistência médica.

A taxa de natalidade era elevada, porque cada mulher em idade fértil tinha em média 4,5 filhos! Mas muitas crianças morriam, pois a taxa de mortalidade infantil era de cerca de 75 mortes por 1000 nados-vivos. Mas estes valores são apenas médias, porque nas famílias mais pobres nasciam e morriam muitos mais. A assistência médica no parto era um luxo reservado aos privilegiados, os outros podiam morrer ou ficar fodidos para o resto da vida.

Agora, com as redes sociais é uma chatice! Sabe-se quantos kms as grávidas fazem por as maternidades encerrarem. Os médicos podem ser incomodados por negligência. Os professores têm que aguentar as crianças até aos 18 anos, que os pais depositaram nas escolas, para fazerem a sua vida. Os escritores não conseguem vender livros, porque todos escrevem. Vemos, ouvimos e lemos. Sabemos que pelo Índice de Percepção da Corrupção de 2022, Portugal com 62 pontos, ficou no 33º lugar num ranking de 180 países. Está bem no fundo da UE, junto a Israel, Coreia do Sul, Lituânia, Botsuana e Cabo Verde. Bela companhia!

Os políticos não são incomodados. Mesmo os criminosos, contam com tribunais desenhados para arrastar os processos sine die.

Os partidos que nos tem governado, vão alternando entre si a condução da mesma política, mas nenhum eleitor se sente responsabilizado por irmos sendo levados para o abismo.

O meu 25 de Abril seria o caminhar para uma sociedade onde deixassem de existir “azares sociais”, mas o agravamento das desigualdades indica que estamos a ir no sentido oposto.

  • (...) os presidentes executivos (CEO) das empresas cotadas no índice PSI (antigo PSI20) viram as suas remunerações aumentar 47%. Já o vencimento médio bruto anual dos trabalhadores recuou 0,7% no mesmo período. Contas feitas, entre 2012 e 2022 o fosso salarial (pay gap) entre as remunerações dos CEO das empresas cotadas e o vencimento médio bruto anual dos funcionários que empregam acentuou-se. Se em 2012 os líderes destas empresas ganhavam, em média, 20 vezes mais do que os seus trabalhadores, no ano passado auferiram 36 vezes mais. E há mesmo casos em que o salário de 186 trabalhadores não chega para pagar o do seu CEO.
    EXPRESSO (Assinantes), 14 de Abril de 2023.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Notas de 3 de Janeiro

Quando cheguei à escola, informei-me da greve junto a três colegas que estavam na paragem do autocarro. “Greve! Qual greve? Na nossa escola ninguém está em greve”, disseram.

Já na sala professores, os colegas sabiam da greve, mas reservariam a sua participação para outros dias em que a sua falta fosse mais sentida, ou justificavam a sua estratégia. Por exemplo, quem tenha sempre a mesma turma ao primeiro tempo, não deve faltar sempre a esses alunos.

Todos sabemos que as três palavras “não há dinheiro” são a verdadeira política de repartição do Governo e dos anteriores. Esta política de rendimentos está a ser ajudada pela inflação, porque quando os preços sobem mais que os salários, o poder de compra do trabalho cai, em benefício dos lucros, agravando a iniquidade. Mais ainda, os escândalos desta maioria absoluta só vieram dar-nos mais razão.

Havia uma vez uma tartaruga que estava sendo aquecida numa panela. A tartaruga estava muito cansada e confortável na água quente, então decidiu ficar onde estava e deixar-se aquecer. Enquanto isso, a panela começou a ferver cada vez mais e quando a tartaruga se deu conta de que estava em perigo, tentou sair da panela, mas era tarde demais. Foi cozida porque se deixou ficar na panela por muito tempo e não tomou medidas para evitar o perigo.

Eu optimista, acredito que cada um encontrará a sua forma de participar na luta, que num contexto de fragilização do Governo, poderá ser vitoriosa. Eu pessimista (...) Confesso que já não sei bem o que fazer, mas certamente que é importante preservar a saúde física e mental.

domingo, 12 de junho de 2022

#Ser_responsável – Uma leitura de Mark Manson's 3 Rules for Life

Responsabilidade pessoal É dar o passo 'radical' para a responsabilidade total (100%) por tudo o que vemos, sentimos, pensamos e fazemos. A partir dessa crença fundamental, recuperamos nosso poder e plantamos as sementes da nossa própria transformação, maturidade e, finalmente, liberdade interior.

Aceitação radical. É quando paramos de lutar contra a realidade, deixando de responder com comportamentos impulsivos ou destrutivos quando as coisas não estão correndo do modo dessejado, e deixamos de lado a amargura que só nos pode manter presos num ciclo de sofrimento.

Responsabilidade pelo desenvolvimento. Aprender a melhorar e ser mais maduro começa com o conhecimento do que realmente valorizamos. Ser adulto significa manter seus valores, mesmo quando não são populares ou não nos beneficiam.

domingo, 25 de abril de 2021

Isto é gozar com quem trabalha, Sócrates by RAP

RAP, Ricardo Araújo Pereira, explicou no Domingo, 18/Abril, como José Sóccrates e o sistema têm gozado connosco. Esta publicação é a minha forma de celebrar o 25/4, enquanto aguardo pelo episódio desta noite.



Adenta
A versão alargada foi removida do Youtube, porque violava os direitos de autor ;) Sorry!

segunda-feira, 12 de abril de 2021

O contributo dos banqueiros para a economia

Porque é que a Justiça defende os poderosos?

O Sócrates era um rapaz de recados ao serviço dos poderosos, e no fim da estória ainda irá para trás das grades. Mas os poderosos safaram-se todos. Designadamente Ricardo salgado, o dono disto tudo (DDT), que logo após a “saída limpa” em 2014, nos fez recuar imediatamente ao défice de 2011,... desgraçando por muitos anos a nossa vida, sai quase incólume, apenas pronunciado por um crime de abuso do poder.

A Justiça encontra-se ao serviço da sociedade e da economia. Alguém já explicou que o contributo dos banqueiros para a economia e muito maior que o dos ciclistas, e dos pés-descalços, por maioria de razão.



Nos países ricos, a justiça funciona de outra maneira. São outras sociedades, outras economias. Aqui, no fundo da Europa ocidental, é o que temos.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...