segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Internet e reflexão colectiva

Alguns mails espalham-se muito rapidamente pela Internet, são publicados na blogosfera, e então são levados para o debate público pelos opinion makers, pelos jornalistas, etc. Deste modo, a banalização da Internet amplia efectivamente os direitos dos cidadãos, pela via da sua liberdade de expressão, mas temos umas lapas apegadas à rocha com tal ignomínia e uma oposição tão apagada, que se a sociedade civil não emergir, o país não abandonará a cauda da Europa.

A este propósito, o exemplo do “engenheiro” José Sócrates é bem elucidativo, pois apesar das aldrabices evidentes que todos conhecemos pela comunicação social, amplamente difundidas pela blogosfera, ainda se sentiu legitimado para processar o autor DoPortugalProfundo... Perdeu-se a vergonha! Além disso foi estúpido, porque continuou a lançar mais lenha na fogueira que o irá queimar... Num país onde a moral tivesse algum significado político, já teria sido demitido, mas com a “nova Lei de Gresham”, reformulada por Cavaco, nada disto tem relevância para as funções públicas que desempenha. Aguentem!

No caso do “engenheiro”, não fosse a Internet, e o tema nunca teria sido abordado pela imprensa. Pode ser que a circulação de mails e publicação de posts sobre o TGV, a Ota, etc. contribuam para a abertura do debate que de outra maneira não se realizaria na sociedade portuguesa.

Enfim, acho que basta o bom senso para publicar o seguinte texto que me chegou por mail, e que constitui um excelente exemplo no novo tipo de intervenção no debate público proporcionado pela Internet.


Travar para pensar




Linhas de TGV existentes


Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dei comigo num comboio que só se diferenciava dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.
Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza . A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constróem aeroportos em cima de pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do País. Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um). Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.
CABE AO GOVERNO REFLECTIR.
CABE À OPOSIÇÃO CONTRAPOR.
CABE AOS CIDADÃOS MANIFESTAREM-SE!!!
CABE À TUA CONSCIÊNCIA REENCAMINHAR OU DEIXAR FICAR.




Um fenómeno paralelo, são os textos publicados na web, assinados, dos quais são posteriormente difundidas muitas cópias por mail:

Valter Lemos nunca participou em debates parlamentares, nunca demonstrou possuir uma ideia sobre Educação (...)



Afinal se o outro se fez engenheiro, por que razão este não se poderá fazer Doutor?

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