quinta-feira, 19 de julho de 2012

Incoerências

Passámos o ano lectivo a exigir trabalho, e no final... os sindicatos ficaram a rir-se, como se fossem necessários para aceitar a proposta de Nuno Crato: "a possibilidade dos professores sem horários e contratados serem colocados nas escolas, em atividades que fazem parte de um pacote de medidas para o sucesso e prevenção do abandono escolar."

Tomar isto como vitória significa aceitar todas as anteriores medidas que levaram a esta catástrofe dos horários. O que mais me revolta é que no meio disto tudo a avaliação não passa de discurso, e as mudanças que estão a ser feitas são totalmente alheias às qualificações e ao investimento dos professores, criando numerosas situações de injustiça.

Foi uma mentira à Relvas, sob pressão... Mas mesmo que fosse verdade, seria inaceitável por numerosas razões:

  • a) As Vigílias são em Defesa da Educação, do Serviço Público da Educação em geral e da Escola Pública em Particular;

    b) Queremos a suspensão / revogação / alteração de todas as medidas que vão prejudicar os alunos, nomeadamente os que estão em situações de insucesso e / ou de abandono escolar: extinção de cursos (CEF, PIEF, Profissionais, etc..), Estudo Acompanhado, Formação Cívica, horas de apoio, aumento do número de alunos por turma,...

    c) Estamos também contra uma organização curricular que reduz o currículo, que contraria o espírito da Lei de Bases, que torna redutor todo o percurso escolar dos alunos. Recusamos a centralidade da disciplina A, ou da Disciplina B. O currículo não se pode reduzir a conteúdos;

    d) Achamos também que não se faz mais escola, com menos professores e por isso o despedimento gratuito de Professores contratados vai empobrecer a Escola Pública;

    e) A situação em que o MEC colocou os docentes dos quadros, obrigando milhares a concorrer a DACL é completamente gratuita e destituída de sentido. É uma medida sem qualquer tipo de eficácia que vai colocar em causa o arranque do próximo ano letivo;

    f) Por fim, exigimos que de imediato o MEC faça chegar às escolas instruções que permitam preparar com dignidade o próximo ano.

    Os promotores

    http://www.facebook.com/groups/303825439982/

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Vigília da Educação já está em marcha!

A Milú conseguiu unir os professores em célebres manifestações de 100.000/200.000 contra a avaliação. Não faço ideia de quantos, porque na altura eu até entendia que devia ser instituído um regime de avaliação sério, e encontrava-me na minha fase de anjinho, acreditando que o que vinha premiaria mais o mérito que a mera seriação por idade.

Entretanto as exigências financeiras obrigaram ainda o próprio José Sócrates a decretar o congelamento das progressões e promoções, acabando de vez com a propaganda da avaliação.

Com Passos Coelho e a música da Troika os professores têm aceite Nuno Crato, pelo currículo de aparente sabichão, porque estão habituados a esperar que um bom professor de Matemática tenha “cabecinha” para muito mais, e como era crítico do “eduquês” e professor até foi recebido algum carinho.

Com a música da Troika tornou-se "natural" a tese que há uma linha que separa os efectivos dos contratados, e portanto não voltar a contratar estes nem seria despedi-los.

Na passada 6ª-feira os Directores tiveram que enviar para o ministério a lista com os DACL – Docentes com Ausência de Componente Lectiva – e feitas as contas a nível nacional descobriu-se que além dos contratados, também 1 em cada 3 efectivos ficarão sem horário. Umas escolas foram encerradas na voracidade dos mega-agrupamentos, outras encontram-se de luto porque perderam muitos quadros.

De um dia para o outro os professores aperceberam-se que as célebres "gorduras do Estado" são a classe docente. Afinal em vez de implodir o Ministério, o ministro arrasa todos os professores, perseguindo objectivos meramente financeiros. Elevando o défice orçamental a objectivo único, a Escola Pública pode muito bem ser quase encerrada, isto é, reduzida ao mínimo, a funcionar com uns quantos professores proletarizados, pagos ao preço da uva mijona.

Os sindicados – quer a FENPROF, quer a FNE – têm andado a dormir, e entretanto foram ultrapassados pelos professores que se organizaram espontaneamente pelo Facebook.

Perante a onda que cresce nas redes sociais o Ministro já veio dizer que há emprego para todos, num plano de combate ao insucesso escolar. Só cairá nesta palermice quem quiser, porque é impossível prolongar a permanência dos alunos na Escola só para os professores terem horário!

Por exemplo, esta palermice é contraditória com outra: "90% dos estudantes que tiram negativa, atiram o barro à parede". Em Sociologia chamamos a isto representações, que os actores invocam parra defenderem as ideias que lhes convém.

Se os dirigentes sindicais pudessem ser despedidos, sem possibilidade de regressar às escolas nos próximos 5 anos (período de nojo) poupavam-se uns euros.

Só há uma solução: VIGÍLIA PELA EDUCAÇÃO! Hoje!

domingo, 15 de julho de 2012

Difícil é fazer o Ensino Secundário!

Difícil é fazer o Ensino Secundário, terminando com média para escolher o pare curso/estabelecimento que se deseja!

Até ao final do Ensino Secundário há aulas a sério, reprova-se por faltas ou pela classificação. Há exames que são vigiados por professores desconhecidos e classificados por um júri de exames. Há uma vigilância apertada, e uma aluna que transpôs para o nosso país um esquema divulgado pela SIC numa reportagem sobre os Estados Unidos, saiu-se mal. Fez-se substituir nas provas de exame de Matemática, Biologia e Geologia A e Física e Química A, mas segundo a notícia do PÚBLICO a aluna encontra-se com as classificações suspensas, e certamente as provas realizadas pela substituta deverão ser anuladas. Este é o país digno que funciona.

O Ministro Relvas tem entre o seu currículo tantas trapalhadas, que a conclusão da Licenciatura até foi a mentira menos grave para os cofres do Estado, mas contínua de pedra e cal, como se nada tivesse acontecido. Uma vez que ninguém se demite no Governo Português, significa que todos aceitam como legítima a sua conduta, isto é, temos um Governo de Relvas!

Vivemos num país onde a Lei, a Moralidade, o Trabalho, o Sacrifício, apenas existem de facto para a casta inferior... Para a casta superior estes valores não passam de retórica.

sábado, 14 de julho de 2012

O Estado sacador

O PSD fez campanha com o slogan “menos Estado, melhor Estado”, mas bem pode descrever-se por “maior saque ao contribuinte, piores serviços ao cidadão”.

Que lógica tem os condutores iniciarem a revalidação da carta de condução aos 25/30 anos, escassos anos após a mudança da lei que baixou esta idade para os 40/50 anos, conforme as categorias, em 2008?

A revalidação poderá ser feita através do site do IMTT, com 10% de desconto, mas tem uma taxa de 30 Euros! Em Fiscalidade aprende-se que as taxas correspondem a "serviços prestados" pelo Estado, como por exemplo as propinas na Universidade. Quando pagamos porque sim - IRS, IVA, ISP, etc. - dizem-se impostos. Há ainda sanções (multas), mas não faz sentido sancionar a idade!

O PÚBLICO refere que para os condutores mais jovens, “a revalidação é meramente administrativa”, isto é, confirma que é mesmo uma forma encapotada de imposto para sacar mais uns Euros ao pessoal.

E vão cobrar eficientemente - online - quase sem funcionários.

Entretanto muitas cartas estarão há mais de um ano por fabricar, suponho...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Indecente Miguel Relvas

Foto do seu processo na Assembleia da República.

Indecente a tramitação especial do caso:

Explicou Júlio Pedrosa, ministro da Educação de António Guterres. No caso de Miguel Relvas foram atribuídos 160 créditos ao molho, sem especificar as funções desempenhadas e a sua duração. Muito menos o resto do processo.

Indecente amiguismo:

Indecente o comportamento da Lusófona que inventa regras para dificultar o acesso dos jornalistas aos dossiers:

Só em países africanos é que os jornalistas têm "não assuntos" como este, mas convém que não o deixem nem se intimidem com a privatização da RTP, porque precisamos de atingir um estágio de desenvolvimento superior, necessariamente mais transparente e equitativo.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Pelos critérios da Suécia metade dos deputados portugueses seriam presos. A corrupção no parlamento é causa da crise

Paulo Morais, ex-vice-presidente da CM do Porto e vice-presidente da ONG "Transparência e Integridade”. Um vídeo onde Paulo Morais refere que os mesmos abelhinhas que fazem as leis, dão pareceres sobre as normas que produziram e intervém em processos judiciais violando o princípio da separação de poderes.

Também refere que trabalham no Parlamento á tarde e nos Grupos económicos de manhã... mas ninguém fala nisto, como se Portugal fosse um país africano.

Propõe soluções para a crise que passam pela transparência na política. Apresenta-se abaixo uma síntese do que devem conferir no vídeo.



Cá vai a síntese:

O Parlamento tem sido o centro da corrupção em Portugal.O Parlamento tem sido o centro da corrupção em Portugal.

O Parlamento é uma grande central de negócios, não passa disso.

Quando as pessoas vêem os deputados no Parlamento, estão a ver um escritório em open space, porque eles estão a utilizar aqueles computadores para tratarem de assuntos dos seus próprios escritórios.

Não é admissível que um deputado simultaneamente deva lealdade ao eleitorado que o elegeu e à empresa que lhe paga, porque há aqui um conflito de interesses.

Mas a promiscuidade não é só no Parlamento. Nos órgãos do Banco de Portugal têm assento pessoas da banca privada. Que lógica tem os fiscalizados participarem das decisões/estratégias do pretenso fiscalizador?

A legislação padece de três defeitos:
- Tem muitas regras para ninguém perceber nada;
- Tem muitas excepções para proteger os amigos;
- E pior que tudo, na área da actividade económica, a lei confere um enorme poder discricionário a quem a aplica. O poder discricionário é a fonte de toda a corrupção.

Os grandes escritórios de advogados conseguem fazer em Portugal algo que só tem paralelo em África:
- Produzem a legislação e ganham dinheiro com isso;
- Depois passam a vida a dar pareceres para explicar a legislação que eles próprios fizeram mal;
- Numa terceira fase representam clientes dirimindo interesses nos Tribunais, violando o princípio da separação de poderes.

O poder judicial em Portugal não funciona.

Nós temos uma crise que deriva directamente da corrupção. A divida pública em larga medida decorre das parcerias público-privadas, derrapagens nas obras públicas, maus negócios para o estado, etc…. Mesmo a dívida privada tem origem na corrupção, porque no 70% do valor da dívida privada no início da crise resultava de especulação imobiliária.

soluções desde que se aumente a transparência, através de portais online que conhecer fornecedores do Estado, rendimentos dos titulares de cargos públicos, simplificação legislativa, actuação dos Tribunais e sobretudo o Estado começar a recuperar os activos que lhe são roubados pela via da corrupção.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...