quinta-feira, 18 de março de 2010

Nativos Digitais vs Imigrantes Digitais

Em que medida os problemas das escolas resultam do choque de culturas entre os nativos digitais e os imigrantes digitais?

Estes termos são de Marc Prensky. Refere por nativos digitais aqueles que nasceram após 1980, imersos em televisão, jogos, Internet, telemóveis, e que em razão dessa vivência consideram a tecnologia como a sua estratégia natural de desenvolvimento.

Aqueles que nasceram na Galáxia Guttenberg, no mundo do papel, estão a adaptar-se às tecnologias - lamento, mas já não são "novas" - por mera estratégia de sobrevivência profissional. São os imigrantes digitais.

O blogue do nativo são as redes sociais, onde retrata as suas emoções num diário partilhado com os amigos. O imigrante transformou o blogue numa ferramenta intelectual.

Para os nativos a Web é uma nova plataforma de encontro entre a oferta e procura no mercado de emprego, no mercado de bens e serviços, nos encontros de amigos ou de relações amorosas. Os imigrantes desperdiçam muitas oportunidades na Web.

Os nativos gostam de partilhar, trocar, obter, expressar a sua personalidade... criar... encontrar-se.... coleccionar... Os imigrantes vivem como ilhas isoladas.

Os nativos utilizam sistemas de avaliação da informação que lhes permitem seleccionar mais rapidamente a informação relevante. Os imigrantes queixam-se do volume excessivo de "informação".

As Webcams são utilizadas pelos nativos para partilhar... enquanto os imigrantes as utilizam para monitorar.

Como em todos os imigrantes, também nestes podemos observar uma pronúncia mais acentuada ao seu Planeta. Alguns exemplos anedóticos do ponto de vista dos nativos consistem:
- na impressão de e-mails, antes de responder;
- na impressão de textos antes de os editar ou simplesmente para os ler;
- na memorização de telemóveis;
- na memorização de endereços de e-mail ou da web;
- nas listas em papel com endereços da web, de e-mail ou de telemóveis.












Fonte: http://www.scribd.com/doc/9196803/Estudantes-Nativos-Digitais-Tabela

Trabalho de MDS


Bibliografia

Digital Natives, Digital Immigrants

The Emerging Online Life of the Digital Native

José Trocas-Te

A voz em OFF anunciou: E agora vai usar da palavra o primeiro-ministro, José Trocas-Te.



E não é que continuou a cerimónia impávido e sereno?

domingo, 14 de março de 2010

Deus Internet!


Há uma famosa banda desenhada sobre a Internet: representa um cão em frente ao computador. A legenda diz: “O que é óptimo na Internet, é que ninguém pode saber que és um cão”. A palavra “dog” (cão) se for lida ao contrário significa “God” (Deus)!

Outra história que a relação de Deus com a tecnologia me recorda é aquela em que teólogo perguntou a um super-computador muito potente:

- Deus existe?

O super-computador respondeu que não tinha poder suficiente, em termos de capacidade de processamento, para poder responder àquela pergunta. Pediu para ser ligado a outros super-computadores do mundo, mas mesmo assim o seu poder continuava insuficiente. Por isso, o super-computador foi ligado às principais redes militares e universitárias mundo, depois foi ligado às redes das empresas e a todos os computadores pessoais de secretária ou portáteis, aos telemóveis, aos computadores instalados nos automóveis, aos relógios digitais, aos VCR’s, frigoríficos, microondas,..

O teólogo perguntou novamente ao super-computador:

- Deus existe?

E o computador respondeu:

- Sim, agora já existe!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Professores e estudantes do séc. XXI

Encalhei nestes vídeos a surfar pela web, num momento em participava numa discussão sobre os prós e os contras da tecnologia, particularmente das tecnologias da informação.






O que me custa compreender é como ainda se discute tecnologia. Melhor, compreendo. Apenas se discute a tecnologia porque ela não foi integrada no quotidiano escolar.

terça-feira, 9 de março de 2010

O telemóvel é o objecto que mais mudou os nossos hábitos sociais

Aproveito o facto de o colega CJ se ter referido ao telemóvel para contrariar a tese da “injecção de informação”, argumentando que não vivemos em nenhuma sociedade da informação, mas sim na SOCIEDADE DO TELEMÓVEL! Assim, o autor de TECNOGNOSE terá construído “mapas imaginários” contra os excessos de uma imaginária “sociedade da informação”.

A hierarquia de necessidades que o colega terá desenhado foi certamente a Pirâmide de Maslow.

Na base da pirâmide estão as necessidades fisiológicas – onde se inclui o sexo -, a segurança e o amor/relacionamento. É para estas necessidades que o telemóvel serve, como mais abaixo ficará claro.

No nosso caso particular, como professores, todos temos uns colegas que muito dificilmente encontramos precisamente porque não utilizam a Internet. Esses são exactamente os que mais gostam de nos ligar! Os telemóveis até já têm Internet, mas são o instrumento ideal para não a utilizar!

O telemóvel é o objecto que mais mudou os nossos hábitos sociais desde que existe. Não é o computador, nem a Internet, nem o cabo, é o telemóvel. E continua a mudar sem darmos muito por isso, porque a mudança se faz de forma desigual, quer no que muda, quer em quem muda. Dito de outra maneira, muda certas coisas nos jovens e muda outras nos adultos e os seus efeitos estão longe de ter terminado ou sequer de se saber até que ponto de transformação vão.

Os jovens têm num telemóvel muito do seu mundo: telefones dos amigos, telefone dos namorados, passwords, fotografias, mensagens, vídeos, agenda pessoal, um brinquedo que além de fotografar e filmar também serve como despertador, rádio, hi-fi de bolso ou calculadora.

Os adultos dão aos filhos e aos idosos telemóveis com números gravados nas memórias e recomendam-lhes uma utilização parcimoniosa: “em caso de emergência é só carregares aqui e nunca estarás sozinho”. Para os adultos o telemóvel é o instrumento de controlo perfeito dos filhos, dos idosos e dos pares. O telemóvel oferece a sensação de estar em simultâneo com toda a gente, mesmo que não esteja com ninguém.

Um telemóvel desligado é motivo de desconfiança. Têm de estar ligados 24/24 horas e se suceder receber uma SMS ou uma chamada inoportuna da namorada enquanto estamos com a mulher o caldo fica logo entornado, como no filme Enough, de Jennifer Lopez, http://www.youtube.com/watch?v=pNAdBSxZ9XQ . Se recusarmos dar o número de telemóvel ou somos mal educados ou não somos sociáveis porque não ficamos disponíveis.

Ligar é ter poder para decidir quando o outro deverá responder. Se não atendeu terá de arranjar uma justificação. Este é o jogo dos amantes, das relações patrão/empregado, etc. Na verdade a esmagadora maioria das chamadas de telemóvel não tem qualquer objecto ou necessidade de ser feita, ninguém as faria num mundo de telefones fixos, que não seja pelo controlo, pelas inseguranças, pela solidão. São estas as necessidades “básicas” que justificam a presença quase universal dos telemóveis desde as crianças até aos velhos, as chamadas a qualquer hora do dia, em qualquer sítio, do cinema à sala de aulas, resultado do complexo jogo de interacções sociais que ele permite, sem as quais já não sabemos viver. Vivemos num mundo muito diferente e cada vez mais diferente.

Se a dita “Sociedade da Informação” não passa parra a generalidade das pessoas da SOCCIEDADE DO TELEMÓVEL, Erik Davis falhou o alvo quando criticou os excessos da primeira.


NOTA:
As minhas referências sobre a SOCCIEDADE DO TELEMÓVEL encontram-se aqui.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Para que servem os pais?


A Confap quer transformar as escolas em colégios internos. Pediu agora a extensão de horário de 8 para 12 horas, mas certamente a lógica da escola-depósito não ficará por aqui, e o Ministério da Educação compreende imediatamente que os papás não podem "perder tempo" com as crianças.

A possibilidade de as escolas do 1.º ciclo do ensino básico funcionarem 12 horas por dia, entre as sete da manhã e as sete da tarde, posta esta semana em cima da mesa pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), está longe de gerar consensos. A filosofia é adequar o horário das escolas públicas às jornadas de trabalho dos pais, libertando-os da necessidade de recorrer aos ATL (Actividades de Tempos Livres) que, ainda por cima, saem muito caros. De caminho, procura-se pôr a escola pública a funcionar numa lógica de centro escolar, capaz de oferecer terreno seguro para a brincadeira e para aprendizagens alternativas.

Para os porta-vozes da Confap a escola-armazém "tem que obedecer à regra dos três D's: descansar, divertir e desenvolver", defende Lucília Salgado. Um tempo que "seja de aprendizagem mas com características lúdicas e sem stress escolar".
Em defesa deste modelo recordam que "imensa gente frequentou colégios internos, portanto muito mais longe da família, e não me parece que isso lhes tenha tirado capacidade de imaginação ou autonomia". (Fórum Confap)

Contra este modelo manifestou-se Daniel Sampaio, afirmando que "é fundamental a vinculação de uma criança a um adulto seguro e disponível, não fazendo sentido aceitar que esse desígnio possa alguma vez ser bem substituído por uma instituição como a escola, por melhor que ela seja". (Ler artigo)

Sobre este tema é oportuno recordar o artigo de Joaquim Azevedo, E24: a grande solução para a educação.

  • De facto, a E24 é a grande solução social do futuro. Famílias não haverá (e para que é que deveria haver, se os pais não ligam nada aos filhos e os filhos aos pais, se as famílias se fazem e desfazem ao ritmo dos bonecos de neve), os empregos serão cada vez mais precários, incertos e mal pagos (e para quê ser diferente se podemos agora combinar dois e três turnos?) (...)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ordenamento do Território? Que é isso?

Creio que a generalidade das pessoas encara as políticas de Ordenamento do Território como uma chatice a contornar. Se a Madeira tivesse marcado uma mudança de atitude, então nem tudo se teria perdido. Segue-se um vídeo que recorda uma reportagem que passou na TV dois anos antes da tragédia.



Com aqueles palhaços que dizem que "há males que vêm por bem" porque ficaram in love agora quanto à lei das finanças locais, não vamos a lado nenhum.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...