- Hoje, os professores têm que lidar não só com alguns saberes, como era no passado, mas também com a tecnologia e com a complexidade social, o que não existia no passado. Isto é, quando todos os alunos vão para a escola, de todos os grupos sociais, dos mais pobres aos mais ricos, de todas as raças e todas as etnias, quando toda essa gente está dentro da escola e quando se consegue cumprir, de algum modo, esse desígnio histórico da escola para todos, ao mesmo tempo, também, a escola atinge uma enorme complexidade que não existia no passado. Hoje em dia é, certamente, mais complexo e mais difícil ser professor do que era há 50 anos, do que era há 60 anos ou há 70 anos. Esta complexidade acentua-se, ainda, pelo fato de a própria sociedade ter, por vezes, dificuldade em saber para que ela quer a escola. A escola foi um factor de produção de uma cidadania nacional, foi um factor de promoção social durante muito tempo e agora deixou de ser. E a própria sociedade tem, por vezes, dificuldade em ter uma clareza, uma coerência sobre quais devem ser os objectivos da escola. E essa incerteza, muitas vezes, transforma o professor num profissional que vive numa situação amargurada, que vive numa situação difícil e complicada pela complexidade do seu trabalho, que é maior do que no passado. Mas isso acontece, também, por essa incerteza de fins e de objectivos que existe hoje em dia na sociedade.
António Nóvoa
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Hoje em dia é, certamente, mais complexo e mais difícil ser professor do que era
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
O Dossiê Sócrates

O autor do blogue http://doportugalprofundo.blogspot.com/ reuniu os posts sobre o caso da Licenciatura de Sócrates num livro, e publicou-o mesmo agora, no momento oportuno ;)
Como o livro está disponível para download gratuito no Lulu e o autor recomenda aos seus leitores que obtenham a sua cópia na versão digital gratuita antes que seja tarde, resolvi guardar a minha cópia de segurança aqui.
Certamente que este livro não esgotará!
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Lembram-se do aumento zero da função pública?

Manuela Ferreira Leite foi Ministra das Finanças de Durão Barroso (2002/2004).
Este post foi escrito para recordar como o reinado de MFL mexeu nos nossos bolsos.
Em 2003 obteve um abrandamento das despesas públicas à custa do famoso aumento zero da função pública. O Relatório do Banco de Portugal (2003) explica que:
- Na origem do abrandamento da despesa pública esteve a contenção na actualização da tabela salarial, com um aumento de 1.5 por cento dos salários abaixo de 1000 euros e o congelamento dos restantes. (p. 105)
http://www.bportugal.pt/publish/relatorio/antigos/rel_03_p.pdf
- As despesas com pessoal cresceram significativamente em 2002 (6.5 por cento), embora revelando uma desaceleração de 1.5 p.p. face ao valor de 2001.Para esta desaceleração contribuíram uma menor actualização da tabela salarial (...) (p. 94)
http://www.bportugal.pt/publish/relatorio/antigos/rel_02_p.pdf
- Os salários superiores a 1021 euros não foram actualizados e os restantes foram aumentados em 2 por cento. (p. 100)
http://www.bportugal.pt/publish/relatorio/antigos/rel_04_p.pdf
Adenda
Variação dos vencimentos médios dos trabalhadores da Administração Pública e dos preços – 2000/2007
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Sou muito competitiva. Detesto perder! Prefiro fazer batota, a ter que perder!
Sócrates escolheu a mandatária ideal para a juventude do seu imaginário. Sem dúvida!
Foi pena ter dado a entrevista, porque surgia mais valorizada nas imagens e no YouTube!
O PS já a aconselhou a não dar mais entrevistas ;)
Piada que circula por mail:
Quem lhe descará o namorado? (Gonçalo Uva)
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Risco moral: O "dilema" do banqueiro

- Qual é a vantagem de aprender a fazer correctamente, quando fazer correctamente é complicado mas fazer errado não é nada complicado, e o salário é precisamente o mesmo?
The adventures of Huckleberry Finn, Mark Twain (1884)
A expressão risco moral é originária da indústria seguradora. Os fornecedores de seguros de incêndio, em especial, constataram que os proprietários que estavam cobertos contra todos os riscos apresentavam uma tendência curiosa para sofrer incêndios graves - sobretudo quando, devido a alterações circunstanciais, o valor provável do seu imóvel diminuíra no mercado para um valor inferior ao coberto pelo seguro. Refere Krugman que em meados da década de 80, a cidade de Nova Iorque foi palco para uma série de proprietários "incendiários", que compravam edifícios a preço inflacionado a empresas fictícias detidas pelos próprios, recorrendo a esse preço para fazer um seguro avultado, e depois, por "casualidade", sofriam um incêndio.
Risco moral. Começou a utilizar-se esta expressão para referir qualquer situação em que uma pessoa toma uma decisão quanto aos riscos que está disposta a correr, enquanto outra assume esses mesmos riscos caso as coisas corram mal.
O dinheiro emprestado encerra em si mesmo a probabilidade de risco moral. O devedor pode amortizar os juros e o capital em divida dentro do prazo estipulado, ou pode falhar. Quando as pessoas depositam dinheiro num banco não pensam nisto, qualquer buraco lhes serve. Esta negligência oferece uma oportunidade tentadora a homens de negócios desprovidos de escrúpulos: basta abria um banco, assegurando-se que tenha um edifício impressionante e um nome apelativo; atrair avultados depósitos, remunerando-os com boas taxas de juro; depois, emprestar esse mesmo dinheiro a especuladores de alto risco, de preferência do seu círculo de amizades, ou talvez até a si próprio, por detrás de uma fachada diferente. Os depositantes não lhe irão fazer perguntas a respeito da qualidade dos seus investimentos, visto que sabem que estão sempre protegidos. O banqueiro tem um "dilema": se os investimentos lhe correrem bem fica rico; se correrem mal pode simplesmente virar costas e deixar que seja o Governo a reparar os estrados.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Big Brother: O busílis está no cruzamento dos dados

- Tem um cartão de fidelidade do supermercado onde costuma fazer compras? Esse bocadinho de plástico que lhe pode valer descontos conta mais sobre a sua vida do que você gostaria.
O cartão está em seu nome e tem agregada a sua morada e provavelmente outros dados pessoais. Mas não é tudo: numa base de dados algures (a incerteza deste algures é relevante) estão listadas todas as compras que você fez sempre que apresentou esse cartão. Ou seja, conta até coisas que você considera privadas.
Se tem a mania da comida saudável, se enche a despensa de comida de plástico ou legumes e produtos dietéticos, se bebe álcool e que tipo de álcool (se é mais amigo das cervejinhas ou do uísque), se usa preservativos ou lubrificantes íntimos, se tem bebés ou crianças a seu cargo, se há lá em casa problemas de incontinência urinária, até mesmo se começou a praticar desporto, se vai de férias ou se fez mudanças em casa. Tudo isso pode ser inferido do seu historial de consumo apenas no supermercado. Os cartões de fidelidade existem também para lhe "tirar a fotografia" e conhecê-lo melhor. Às vezes, bem de mais.
EXPRESSO
Não é o registo da informação que nos retira privacidade, mas sim o seu cruzamento. E as pessoas tem a noção disto. Foi exactamente por os consumidores desejarem proteger a sua privacidade, separando o supermercado das instituições de crédito que o Banco Universo fracassou em 2000, quando a SONAE tentou alargar o seu negócio ao sector bancário. Deste fracasso restam hoje os Cartões Universo, geridos pelo BPI após a aquisição da marca que foi extinta.
Explicando melhor, não é grave que se encontrem registadas as mais diversas informações a nosso respeito em locais diferentes. Enquanto o SMAS conhecer o nosso consumo de água, a EDP ode electricidade, o ISP o de Internet, os supermercados e as lojas de moda conheceram as nossas preferências de consumo, os bancos souberem se honramos os nossos compromissos, a administração fiscal conhecer o valor do nosso património e o montante dos nossos impostos, a via verde souber por onde passamos, a companhia de telemóveis souber para que números ligamos... tudo bem!
A nossa privacidade desaparece completamente se alguém relacionar os diversos dados, obtendo um filme completo da nossa vida. É a isso que chama cruzamento de dados, e não é difícil, tendo em consideração que qualquer entidade que nos presta serviços tem certamente o número do nosso bilhete de identidade e o número de identificação fiscal, estes podem ser utilizados para relacionar facilmente todos os outros dados.
O novo Cartão do Cidadão agrupa num só suporte físico os actuais bilhetes de identidade, cartões de contribuinte, de utente do serviço nacional de saúde, de beneficiário da segurança social e de eleitor. O pretexto é a simplificação, mas sem qualquer garantia tecnológica de separação dos dados, está a promover-se a sua centralização, violando na prática o ponto 5. do artº 35º da Constituição da República Portuguesa que estipula expressamente que "é proibida a atribuição de um número nacional único aos cidadãos", precisamente para evitar a possibilidade de cruzamento de dados.
As pessoas não são estúpidas nem estão condenadas a revelar-se ao Big Brother. Este pode ser fintado com diversos cartões de fidelidade, vários cartões de crédito, alguns números de telemóvel, quantos perfis nas redes sociais quisermos... Por que motivo hei-de ter receio do Google se só encontra a informação que desejo fornecer-lhe? Relacionar o Google e as redes sociais com Big Brother parece-me alarmista, porque estes só divulgam a informação que os particulares tornaram pública ;)
A passividade dos indivíduos perante a violação dos seus direitos pelo Estado, na caso do Cartão do Cidadão, só se percebe por a população se encontrar a viver uma fase de encantamento com as tecnologias que Sócrates tem utilizado como técnica de propaganda.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)
Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...
-
Quando estava na NOS, podia ver televisão no computador através do site https://nostv.pt , mas a DIGI não tem nenhuma aplicação para a web,...
-
Hoje, enquanto me sentava no meu banco de jardim habitual, observando o mundo a passar – e, claro, a espreitar um pouco o que acontece no me...
-
O “salário” de António Mexia permitiria pagar o salário mínimo a 532,6 pessoas, que ganhassem o salário mínimo nacional, que se encontra no...