quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Lembram-se do aumento zero da função pública?


Manuela Ferreira Leite foi Ministra das Finanças de Durão Barroso (2002/2004).
Este post foi escrito para recordar como o reinado de MFL mexeu nos nossos bolsos.

Em 2003 obteve um abrandamento das despesas públicas à custa do famoso aumento zero da função pública. O Relatório do Banco de Portugal (2003) explica que:

MFL continuou a obra iniciada em 2002:
  • As despesas com pessoal cresceram significativamente em 2002 (6.5 por cento), embora revelando uma desaceleração de 1.5 p.p. face ao valor de 2001.Para esta desaceleração contribuíram uma menor actualização da tabela salarial (...) (p. 94)
    http://www.bportugal.pt/publish/relatorio/antigos/rel_02_p.pdf
Em 2004 continuou a sua brilhante política:
Estou farto do trabalho adicional que a Milu nos tem dado, designadamente quando aprovou um ECD que legitimou a obrigatoriedade do trabalho gratuito através de indescritíveis aulas de substituição, da necessidade de repetir os testes quando os alunos faltam ou têm negativa… Ainda estou de férias, e já me imagino a passar-me com a sua insolência por saberem que nunca reprovam. O pior é que a "alternativa" também não me agrada. Terei que emigrar?

Adenda
Variação dos vencimentos médios dos trabalhadores da Administração Pública e dos preços – 2000/2007

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A história de Christian, o Leão



Amizade é... deixar o outro seguir o seu caminho.

Sou muito competitiva. Detesto perder! Prefiro fazer batota, a ter que perder!



Sócrates escolheu a mandatária ideal para a juventude do seu imaginário. Sem dúvida!

Foi pena ter dado a entrevista, porque surgia mais valorizada nas imagens e no YouTube!

O PS já a aconselhou a não dar mais entrevistas ;)



Piada que circula por mail:
Quem lhe descará o namorado? (Gonçalo Uva)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Risco moral: O "dilema" do banqueiro


  • Qual é a vantagem de aprender a fazer correctamente, quando fazer correctamente é complicado mas fazer errado não é nada complicado, e o salário é precisamente o mesmo?
    The adventures of Huckleberry Finn, Mark Twain (1884)


A expressão risco moral é originária da indústria seguradora. Os fornecedores de seguros de incêndio, em especial, constataram que os proprietários que estavam cobertos contra todos os riscos apresentavam uma tendência curiosa para sofrer incêndios graves - sobretudo quando, devido a alterações circunstanciais, o valor provável do seu imóvel diminuíra no mercado para um valor inferior ao coberto pelo seguro. Refere Krugman que em meados da década de 80, a cidade de Nova Iorque foi palco para uma série de proprietários "incendiários", que compravam edifícios a preço inflacionado a empresas fictícias detidas pelos próprios, recorrendo a esse preço para fazer um seguro avultado, e depois, por "casualidade", sofriam um incêndio.

Risco moral. Começou a utilizar-se esta expressão para referir qualquer situação em que uma pessoa toma uma decisão quanto aos riscos que está disposta a correr, enquanto outra assume esses mesmos riscos caso as coisas corram mal.

O dinheiro emprestado encerra em si mesmo a probabilidade de risco moral. O devedor pode amortizar os juros e o capital em divida dentro do prazo estipulado, ou pode falhar. Quando as pessoas depositam dinheiro num banco não pensam nisto, qualquer buraco lhes serve. Esta negligência oferece uma oportunidade tentadora a homens de negócios desprovidos de escrúpulos: basta abria um banco, assegurando-se que tenha um edifício impressionante e um nome apelativo; atrair avultados depósitos, remunerando-os com boas taxas de juro; depois, emprestar esse mesmo dinheiro a especuladores de alto risco, de preferência do seu círculo de amizades, ou talvez até a si próprio, por detrás de uma fachada diferente. Os depositantes não lhe irão fazer perguntas a respeito da qualidade dos seus investimentos, visto que sabem que estão sempre protegidos. O banqueiro tem um "dilema": se os investimentos lhe correrem bem fica rico; se correrem mal pode simplesmente virar costas e deixar que seja o Governo a reparar os estrados.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Big Brother: O busílis está no cruzamento dos dados


  • Tem um cartão de fidelidade do supermercado onde costuma fazer compras? Esse bocadinho de plástico que lhe pode valer descontos conta mais sobre a sua vida do que você gostaria.

    O cartão está em seu nome e tem agregada a sua morada e provavelmente outros dados pessoais. Mas não é tudo: numa base de dados algures (a incerteza deste algures é relevante) estão listadas todas as compras que você fez sempre que apresentou esse cartão. Ou seja, conta até coisas que você considera privadas.

    Se tem a mania da comida saudável, se enche a despensa de comida de plástico ou legumes e produtos dietéticos, se bebe álcool e que tipo de álcool (se é mais amigo das cervejinhas ou do uísque), se usa preservativos ou lubrificantes íntimos, se tem bebés ou crianças a seu cargo, se há lá em casa problemas de incontinência urinária, até mesmo se começou a praticar desporto, se vai de férias ou se fez mudanças em casa. Tudo isso pode ser inferido do seu historial de consumo apenas no supermercado. Os cartões de fidelidade existem também para lhe "tirar a fotografia" e conhecê-lo melhor. Às vezes, bem de mais.

  • EXPRESSO


Não é o registo da informação que nos retira privacidade, mas sim o seu cruzamento. E as pessoas tem a noção disto. Foi exactamente por os consumidores desejarem proteger a sua privacidade, separando o supermercado das instituições de crédito que o Banco Universo fracassou em 2000, quando a SONAE tentou alargar o seu negócio ao sector bancário. Deste fracasso restam hoje os Cartões Universo, geridos pelo BPI após a aquisição da marca que foi extinta.

Explicando melhor, não é grave que se encontrem registadas as mais diversas informações a nosso respeito em locais diferentes. Enquanto o SMAS conhecer o nosso consumo de água, a EDP ode electricidade, o ISP o de Internet, os supermercados e as lojas de moda conheceram as nossas preferências de consumo, os bancos souberem se honramos os nossos compromissos, a administração fiscal conhecer o valor do nosso património e o montante dos nossos impostos, a via verde souber por onde passamos, a companhia de telemóveis souber para que números ligamos... tudo bem!

A nossa privacidade desaparece completamente se alguém relacionar os diversos dados, obtendo um filme completo da nossa vida. É a isso que chama cruzamento de dados, e não é difícil, tendo em consideração que qualquer entidade que nos presta serviços tem certamente o número do nosso bilhete de identidade e o número de identificação fiscal, estes podem ser utilizados para relacionar facilmente todos os outros dados.

O novo Cartão do Cidadão agrupa num só suporte físico os actuais bilhetes de identidade, cartões de contribuinte, de utente do serviço nacional de saúde, de beneficiário da segurança social e de eleitor. O pretexto é a simplificação, mas sem qualquer garantia tecnológica de separação dos dados, está a promover-se a sua centralização, violando na prática o ponto 5. do artº 35º da Constituição da República Portuguesa que estipula expressamente que "é proibida a atribuição de um número nacional único aos cidadãos", precisamente para evitar a possibilidade de cruzamento de dados.

As pessoas não são estúpidas nem estão condenadas a revelar-se ao Big Brother. Este pode ser fintado com diversos cartões de fidelidade, vários cartões de crédito, alguns números de telemóvel, quantos perfis nas redes sociais quisermos... Por que motivo hei-de ter receio do Google se só encontra a informação que desejo fornecer-lhe? Relacionar o Google e as redes sociais com Big Brother parece-me alarmista, porque estes só divulgam a informação que os particulares tornaram pública ;)

A passividade dos indivíduos perante a violação dos seus direitos pelo Estado, na caso do Cartão do Cidadão, só se percebe por a população se encontrar a viver uma fase de encantamento com as tecnologias que Sócrates tem utilizado como técnica de propaganda.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Folksonomia


É impossível manter uma lista actualizada com todos os sites interessantes, porque não temos tempo para ver todas as novidades que o ciberespaço nos reserva. Daí a popularidade da folksonomia ou social bopkmarking. Por outras palavras, podemos colocar os nossos bookmarks/favoritos na web e partilhá-lhos com outras pessoas. Os grupos do diigo são talvez dos mais conhecidos, e navegar pelas tags clouds de alguns destes grupos é utilizar o trabalho gratuito de muitas pessoas. Eis algumas bookmarks sobre Web 2.0 e tecnologia educativa.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...