sexta-feira, 7 de agosto de 2009

BlogConf-2


O encontro com bloggers de Francisco Louçã não teve na blogoesfera o impacto da BlogConf anterior porque já não era novidade. Os bloggers levaram as questões preparadas, e Louçã respondeu-lhes directamente, poupando-os aos largos sermões propagandísticos que tinham aguentado com Sócrates.

Destaco para este post duas afirmações de Francisco Louçã extraídas das questões do Paulo Guinote.

  • Hoje há uma sobre-escolarização do trabalho escolar. No tempo de trabalho escolar há mais que as 40 horas de trabalho normal que são referência em Portugal. Isto não tem nenhum sentido.


  • Queremos um processo de avaliação que anule o que o Governo levou a cabo. Aliás, não é segredo para ninguém que próprio Governo não acredita nele, e portanto sucedem-se simplexes por uma única questão, salvar a honra do Convento, ou seja, Milu e José Sócrates.


O Twitter é utilizado com fins lúdicos


O apagão do Twitter comprovou que este software é utilizado com fins lúdicos, sendo o trabalho associado a outras aplicações. É uma dicotomia simplista, com a qual não concordo, mas resulta da leitura dos tweets que ilustram este post de Paulo Querido.


Richard Black Ahhh. Peace. Now I can get some work done! :)


Thales Santos
trabalhar eh uma opção :)


Thiago R. S. Rosa Erros no facebook, twitter fora. E o que será de mim? Vou ter que voltar a usar mIRC e ICQ?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Porque dá a avaliação de desempenho dos professores votos ao PS?


Merecendo a profissão docente mais confiança que as restantes, um conflito prolongado com os professores deveria traduzir-se num forte desaire eleitoral.

Porém, face aos números conhecidos, temos de concluir que a avaliação de desempenho dos docentes (ADD) dá votos ao PS. Perdem votos entre os professores, mas recuperam votos entre outros sectores da população.

Em resultado da popularidade da ADD, mais do mesmo é a proposta do PS para os professores, que estabeleceu como prioridade da política educativa a avaliação de desempenho dos docentes. Os professores bem que desejariam valorizar o trabalho e a profissão docente, mas quando lêem a propaganda do costume já sabem o que os espera:


  • Acompanhar e avaliar a aplicação do Estatuto da Carreira Docente, no quadro de processos negociais com as organizações representativas dos professores e educadores, valorizando princípios essenciais como a avaliação de desempenho, a valorização do mérito e a atribuição de maiores responsabilidades aos docentes mais qualificados.
    Programa do Partido Socialista



Isto é, o Governo está empenhado na cristalização da ADD. Os movimentos de professores já responderam unindo-se em torno do documento COMPROMISSO EDUCAÇÃO que deverá ser assinado com todas as forças políticas da oposição.

A avaliação de desempenho dos professores é apresentada como bandeira política no site do PS. Com a sobrecarga de trabalho que os docentes sentiram nestes últimos quatro anos, certamente nenhum votará no PS, mas terá de reconhecer-se que a escravidão destes é popular para os pais. A ADD faz parte do pacote onde também se inclui a escola a tempo inteiro, por exemplo. Esta medida é certamente a mais popular desta escola de "excelência" porque os professores cuidam dos rebentos até aos 18 anos, deixando aos papás mais tempo livre para se recriarem. Ora como a taxa de natalidade não aumentou, provavelmente terão aumentado as facadas no matrimónio ;) Eis a grande aspiração dos portugueses que o PS satisfaz: ignorantes, mas felizes.

sábado, 1 de agosto de 2009

HomeBanking - CaixaOnline


Utilizamos os serviços de HomeBanking por comodidade, e os bancos ganham com isso porque têm menores custos em pessoal. É mais cómodo porque podemos realizar as operações em pantufas, sem necessidade de ir para as filas dos balcões. Para aderirmos a qualquer serviço de HomeBanking temos que nos deslocar fisicamente a um balcão, mas essa demonstração de que somos "pessoas reais" nunca causou qualquer polémica.

Se já somos clientes, qual será a justificação para nos fazerem voltar ao balcão?



Se querem que se assine mais um contrato, poderiam enviar pelo correio, como fazem com outra papelada. Ainda por cima, a clausula 17ª indica que nos irão entregar na altura mais documentos que não teremos tempo para ler, mas a assinatura das Condições Gerais do Contrato de Intermediação Financeira significa que lemos e aceitámos tudo.

  • Cláusula 17ª – Informação prévia prestada ao Cliente
    O Cliente declara que, previamente à celebração do presente contrato, lhe foram entregues pela Caixa os documentos seguidamente identificados, com a indicação de que deveria proceder à sua leitura cuidadosa antes da celebração do contrato:
    a) Política de transmissão de ordens adoptada pela Caixa.
    b) Custos e encargos para o Cliente.
    c) Política de conflitos de interesses adoptada pela Caixa.
    d) Política da Caixa para a salvaguarda de instrumentos financeiros dos Clientes.
    e) Informação sobre o intermediário financeiro, serviços prestados e riscos de produtos.


Se somos clientes de HomeBanking deveríamos ter oportunidade de ler estes documentos no site do banco... tranquilamente.

terça-feira, 28 de julho de 2009

BlogConf


O Partido Socialista realizou uma ontem, dia 27, uma actividade propaganda inédita. Juntou José Sócrates com 20 bloggers para transmitir uma conferência em directo pela Internet, mas por alguns motivos técnicos essa parte falhou. Restou aos cibernautas irem acompanhando o que era dito pelo Twitter e irem vendo as fotografias que a Ana Martins ia tirando.

Paulo Querido construiu uma wiki como instrumento de organização do evento, que revela que este foi divulgado de dia 25 para dia 27. Aceitou a inscrição dos blogues por ordem de chegada, mas isso traduziu-se num claro predomínio dos blogues afectos ao PS, e no afastamento dos incómodos, apesar do blogue de campanha do PS destacar a pluralidade dos participantes. Sugiro ao Paulo Querido que numa próxima BlogConf preveja um mecanismo de quotas para abrir espaço à pluralidade de opiniões que temos na web. Com tantos bloggers especializados em desfazer Sócrates, choca que nenhum tivesse aproveitado esta oportunidade. Ou será que a estratégia dos processos já domesticou a blogoesfera? Contudo, a divulgação quase de um dia para o outro também foi curta, criando a ideia de que os 20 lugares terão sido preenchidos nuns mails enviados para os amigos.

O momento mais difícil para Sócrates terá sido a pergunta de Tiago Moreira Ramalho (PSD), em que este refere material recolhido no blogue de Paulo Guinote.



Eis o quadro utilizado pelo Tiago Ramalho:

Compreende-se o nervosismo de Sócrates porque estes números, apesar de serem oficiais, são falsos. Em 2008 só foram avaliados professores contratados, só se generalizando o sistema aos efectivos em 2009, conforme o andar da carruagem ;)


Foi uma BlogConf sem Blogue e sem Conferência, mas inaugurou uma nova modalidade de comunicação que interessa explorar não apenas com políticos, mas também com outras figuras públicas do meio artístico e cultural.

Adenda

Falando posteriormente com Paulo Querido, este esclareceu que divulgou a BlogConf simultaneamente por mail, no FaceBook e no Twitter. Este mecanismo terá conduzido os seus amigos a esgotarem rapidamente as 20 vagas previstas. Do ponto de vista de Paulo Querido a BlogConf "contava com críticos e até venenosos inimigos". Mas se o tema central das questões foi a Educação, como se compreende a ausência de algum professor no activo?


  • (...) a difusão em primeira mão pelos círculos próximos (distribuição viral, portanto) dava alguma garantia de não exclusão de blogs “emblemáticos”, ao mesmo tempo que não favorecia nenhum em particular e permitia aos mais interessados dos “não-emblemáticos” inscreverem-se.
    Blogue de Paulo Querido


Nesta passagem percebe-se que não terá sido simultaneamente por mail, no FaceBook e no Twitter. Na sua lógica justificou-se avisar primeiro por mail os denominados blogues emblemáticos. Não entendo é porque não terá incluído nesse grupo o blogue de Educação que está no Blogómetro ao lado do 31 da Armada, quando o assunto mais discutido na BlogConf, como era previsível, foi a Educação.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

"Na realidade, os professores não aceitam a avaliação", Milu dixit


Seguem-se alguns recortes da entrevista que Milu concedeu ontem ao DN.

  • Se fizer a contabilidade, tem 8 grandes greves, 7 grandes manifestações, 3 vigílias, 2 cordões humanos e 8 abaixo-assinados com 320 mil assinaturas. Bateu o recorde?

    Não fiz essas contas (...) São naturais estas reacções e podem-se explicar, mas não significa que aceitemos os pontos de vista. Creio que os conflitos são resultado da perplexidade e da incerteza de não se saber como vai ser.


A arrogância continua. Ela é que sabe o caminho, independentemente da quantidade de pessoas que manifeste a sua discordância.

(...)

  • O modelo de avaliação que quer implantar ainda não passou da versão simplificada?

    Sim, mas no essencial a sua estrutura de princípios não difere muito do modelo inicialmente proposto. Entendeu-se que há um caminho a percorrer mais lento do que inicialmente gostaria, mas não modifica a natureza do objectivo.


Isto quer dizer que o essencial são mesmo as quotas, porque entre os parâmetros do procedimento simplificado e o DR 2/2008 não há comparação possível em termos de trabalho exigido aos avaliados.

  • Mais lento porque os sindicatos dos professores não aceitam essas medidas?
    Sim. Na realidade, não aceitam a avaliação. Escudam-se por detrás dos argumentos de modelos deste ou daquele tipo de avaliação, mas o que acontece é mesmo a rejeição da avaliação.

  • Os professores recusam ser avaliados?
    Há uma rejeição que se pode exprimir através dos mais diversos argumentos. De que não é este o melhor modelo, que não é com estes professores, que não é na escola... É sempre assim porque, quando não estão de acordo, aí, todos os argumentos são válidos para contestar.

  • É da opinião que os sindicatos são contra porque os docentes evitam ser avaliados?
    Não diria isso, porque acho que muitos professores querem ser avaliados e a prova é que houve uma grande adesão mas também há muito receio neste processo. E aqui os bons professores podiam ser um motor de mudança, porque não há nenhuma razão para um bom professor ter medo da avaliação. Os bons professores não podem ter medo nem misturar-se no ruído que apela à indiferenciação e a considerar que todos são iguais. Houve cem mil professores sujeitos à avaliação este ano e é por aqui que o terreno tem de ser conquistado, a bem das escolas e dos próprios professores. Há uma parte significativa de professores que tem medo da consequência.


Preto no branco, na perspectiva de Milu, os professores não aceitam ser avaliados. Quem não sabe o que se passa pode ser levado. O que sucedeu foi que alguns dos professores prepararam duas ou três aulas diferentes das normais para o espectáculo da avaliação. A observação do desempenho dos docentes deveria ser representativa do seu trabalho, e só assim seria justa.

Agora os oportunistas que se valeram da chance proporcionada pelo procedimento simplificado são utilizados pelo ME para tentar legitimar o processo e amedrontar os docentes. Estes coleguinhas que andaram a brincar ao faz de conta com a sua avaliação são agora o melhor argumento que Milu tem para defender a cristalização da avaliação do desempenho.

Não interessa à propagando do ME, mas em abono da verdade deve dizer-se que a larga maioria dos docentes foi avaliada apenas administrativamente, não se distinguindo o procedimento simplificado do anterior DR 11/98, excepto no caso daqueles que pretendiam classificações acima de Bom.

O procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduz-se aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação. Este não decorre de qualquer concepção da educação ou da avaliação... É apenas o resultado da relação de forças entre os agentes.

sábado, 25 de julho de 2009

A web é para ler


O Magalhães é um brinquedo inútil. Não tem leitor de CD/DVD que permita instalar novo software e isso faz toda a diferença. Não é computador porque não podemos alterar as suas funções. Ponto final.

António Barreto toma o Magalhães para criticar a tecnologia.

  • Da maneira como o Governo aposta na informática, sem qualquer espécie de visão crítica das coisas, se gastasse um quinto do que gasta, em tempo e em recursos, coma leitura, talvez houvesse em Portugal um bocadinho mais de progresso. O Magalhães, nesse sentido, é o maior assassino da leitura em Portugal. Chegou-se ao ponto de criticar aquilo a que chamaram «cultura livresca». O que é terrível. É a condenação do livro. Quando o livro é a melhor maneira de transmitir cultura. Ainda é a melhor maneira. A coroa de todo este novo aparelho ideológico que está a governar a escola portuguesa – e noutras partes do mundo – é o Magalhães. Ele foi transformado numa espécie de bezerro de ouro da nova ciência e de uma nova cultura, que, em certo sentido, é a destruição da leitura.

    Entrevista de António Barreto


Sabe-se que a melhor maneira de fazermos alguma coisa é aquela como aprendemos! Posso garantir que é muito mais cómodo ler os "Retratos da Semana" na web que no jornal em papel. O texto em formato digital pode ser editado, cortamos o que não nos interessa e adicionamos o que faz falta. Levamos uma ideia daqui, colamos acolá, e recombinamos o trabalho n vezes, como nunca faria alguém condicionado pelos limites do papel. Não será isto "adaptar o tipo de livro à pessoa em causa"?

A web é para ler. Os estratos sociais letrados procuram informação diversa sobre dietas, viagens, saúde, parceiros e concorrrentes profissionais, software, finanças, pagamento de impostos, realizam aplicações financeiras, fazem compras e até trabalham... Quem não sabe ler vê os bonecos, e temos as crianças dos estratos sociais mais baixos a utilizarem predominantemente o Hi5 e o MSN, porque se encontram limitadas cognitivamente.

É errado colocar a web em oposição à leitura porque os seus conteúdos só têm utilidade ser forem lidos. Mesmo os sites que prestam serviços através da web não serão utilizados decentemente se os seus tutoriais e instruções (FAQ's) não forem lidos.

As crianças que têm aulas de Português utilizando livros de leitura geralmente exercitam pouco a escrita, e daí o descalabro nos testes a todas as disciplinas. As que editam um blogue têm de ler, compreender e expressar-se por escrito! Isto é muito mais que ler.

Os direitos de autor é que constituem um obstáculo ao desenvolvimento da leitura. Por exemplo, os docentes universitários têm acesso à B-ON, podendo ler milhares de obras de autores conceituados no mundo académico, mas os restantes professores e população em geral não têm acesso a este espólio. Porquê?

Felizmente já não precisamos de cansar a vista a ler as letras miudinhas da Análise Social, cujos artigos estão online. É muito mais simples mudar a fonte do texto no computador que ser forçado a mudar de óculos. Felizmente as outras revistas também já perceberam que têm de estar na web para ser lidas, e graças à Internet podemos usufruir de salas mais espaçosas.



O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...