quarta-feira, 25 de junho de 2008

Questões estúpidas em Economia?

Quanto à prova de Economia A (712),    (Backup) interrogo-me sobre a utilidade de questões como as que abaixo se mostram. Pretendem testar o quê? Não é estúpido fazer este tipo de perguntas?





Alguém precisa de estudar Economia para responder a estas questões?


Vale tudo para atingir o sucesso estatístico?


Querem mais sinais de facilitismo?

  • A ministra tinha prometido resultados e eles aí estão. Antes de abandonar o barco, e na iminência de naufrágio do "Titanic" das políticas educativas, o capitão manda lançar os botes à água gritando: "As estatísticas primeiro!".
    Jornal de Notícias, 25 de Junho de 2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

Interesse puro, exactamente o que move o debate em Matemática

Matemática é frequentemente referida como uma “ciência exacta” ou até ou uma “ciência pura”. Tanto ouvimos estes termos que os aceitamos, e depois ficamos chocados quando observamos qualquer confronto entre “matemáticos”, porque entendemos que se são “cientistas” deveriam ter opiniões semelhantes.

Escrevo este post a propósito da prova de Matemática A (635), ontem realizada. A APM elogiou a prova considerando o nível de dificuldade adequado. Por seu lado, a SPM criticou-a severamente, insurgindo-se contra a excessiva facilidade da prova.

Parecer da APM Parecer da APM (Backup)


Parecer da SPM Parecer da SPM (Backup)


Não podia ser de outro modo. A APM representa os professores do ensino secundário, e para estes qualquer habilidade que os alunos façam é fruto do seu árduo trabalho. A SPM representa os carolas do ensino superior, que gostariam de receber os alunos melhor preparados para terem menos trabalho.

Aqui está um belo exemplo em que os interesses profissionais ditam as justificações da argumentação. Portanto, para o ano que vem a cena vai repetir-se ;)

É curioso como ninguém presta atenção ao lugar que os actores ocupam para compreender as suas posições.

domingo, 22 de junho de 2008

EDP abusa do poder monopolista


Segundo o Diário de Notícias, a entidade reguladora da concorrência no mercado da electricidade – ERSE - mudou de opinião. Até aqui sempre tinha considerado que o risco de (não) cobrança teria que ser assumido pela EDP, mas agora entende que uma parcela da factura pode destinar-se a compensar a empresa do volume de negócios inferior a 0,3% que não conseguem cobrar.

Esta justificação apenas poderia ser apresentada por um monopolista,
que está a abusar do seu poder no mercado. Não passa pela cabeça do Belmiro de Azevedo obrigar-nos a pagar nem mais um cêntimo, porque alguns clientes pagam com cheque sem cobertura ou furtam nas suas lojas (Continente/Modelo). Ele já fixa os preços a contar com os riscos da actividade. Qualquer acréscimo posterior ao preço seria um convite para nos deslocarmos ao Pingo Doce ou a outro concorrente.

No caso da EDP os consumidores não têm alternativa senão pagar e calar, porque não podem deixar de consumir electricidade e não têm outro fornecedor. Porém, a lógica seguida pela EDP é perigosa. Se me fazem pagar a conta daqueles que ficaram a dever, então eu posso presumir que se ficar a dever alguém pagará a minha conta! Creio que a generalização desta lógica poderá aumentar os incobráveis para um volume muito acima dos 0,3%.

Neste caso o óptimo é inimigo do bom. A administração da EDP deve aprender a conviver com as imperfeições do negócio, ou corrigi-las pelo lado certo. Agora resolvê-las atirando para baixo, só porque os clientes se encontram numa situação de maior fragilidade é imoral.

Este assunto está em discussão pública aqui.

Este post foi enviado para o e-mail consultapublica@erse.pt



Proposta para os incobráveis da EDP caiu por não ter “receptividade necessária”

Dívidas na electricidade afinal não vão ser pagas por todos os consumidores

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A pujança do Euro

O Euro acaba de ultrapassar a barreira de 1,5 US$.
Assim, o Banco Central Europeu resolveu, para comemorar o facto, cunhar uma moeda especial de 2 euros, que assinala a pujança da moeda europeia ;)

Os irlandeses ainda não repararam que estão a estorvar o caminho?

Em 1999 (*), o Euro iniciou a sua caminhada abaixo de 1,2 US$.

Fonte: BCE.

Se comprimirmos a escala do gráfico até dá ideia que a evolução do Euro face ao Dólar tem sido suave. Ampliando a representação, sobressaem os momentos tumultuosos.

O não irlandês ao Tratado de Lisboa é o obstáculo do momento ao processo de integração europeia, mas não passa pela cabeça de ninguém, incluindo os irlandeses, colocar o processo de integração em causa,
nem isolar-se dele. Quando a Constituição Europeia levou o não em referendo da França e da Holanda creio que o choque foi muito maior. A Europa parou para pensar, e o que fez?

1 – Reformulou a Constituição Europeia e apresentou-a agora simplesmente como Tratado de Lisboa;

2 – Deitou fora a linguagem da proximidade relativamente aos cidadãos que conduzia à exigência de referendos. A Europa “lembrou-se” que nas democracias representativas compete aos políticos decidir em nome da população, exactamente o motivo porque são eleitos.

O que é que falhou? A grande falha foi não ter ocorrido a ninguém que a Irlanda realizaria o referendo por imperativos constitucionais, que deveriam ter sido revistos.

Recordo que em 1986, quando Portugal aderiu à CEE, éramos “uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na sua transformação numa sociedade sem classes”, de acordo com o art. 1º da Constituição da República Portuguesa (CRP) de 1976, após a revisão de 1982. Evidentemente que as referências à “transformação numa sociedade sem classes” ou à “construção de uma sociedade socialista”, abundantes na nossa CRP nunca passaram de música, dita programática pelos constitucionalistas. Ficámos melhor quando a CRP foi limpa dessas expressões patéticas, na revisão de 1989. Agora o art. 1º da CRP diz simplesmente o seguinte:

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.


Ficou melhor. Talvez os irlandeses precisem de rever a sua ;)

Diplomaticamente, Bruxelas reafirmou que haverá oportunidade de "ouvir com muita atenção" o que o primeiro-ministro irlandês Brian Cowen tem para dizer, para de seguida "trabalhar de perto com o governo irlandês".
Para bom entendedor meia palavra basta.

NOTA: (*) A moeda única europeia – o euro – surgiu em 1 de Janeiro de 1999. Porém, nos primeiros três anos, permaneceu uma moeda “virtual”, utilizada sobretudo por bancos e mercados financeiros. Para a maioria das pessoas, só se tornou uma moeda “real”, visível e tangível, em 1 de Janeiro de 2002, data em que entraram em circulação as notas e moedas de euro, que agora são uma realidade para mais de 300 milhões de pessoas na Europa. Ler mais

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O cancro não se trata com Ben-U-Ron’s

Todos os contribuintes irão pagar os Ben-U-Ron’s com que Sócrates anestesiou os camionistas, mas o preço do petróleo contínua a subir e o cancro mantém-se enquanto os combustíveis forem mais caros em Portugal do que Espanha, exclusivamente porque Sócrates nos obriga a pagar mais impostos. Isso nunca ele conseguirá explicar a ninguém, e se persistir em impor esta estupidez à lei da bastonada será o seu fim.

Não se pode crer convergir com a Europa numas áreas e não noutras. Sócrates só invoca a necessidade de convergência com a União Europeia quando lhe interessa! O ISP dá-lhe um jeitão para reduzir o défice orçamental, é certo. Mas Sócrates não pode ignorar que mesmo os analfabetos não estão dispostos a votar num Primeiro-Ministro que os faz atravessar a fronteira para atestar o depósito.

Com esta política dos Ben-U-Ron’s foi agora a vez dos transportadores e o caso não ficou resolvido. Virão os taxistas, os agricultores, os pescadores, e muitos mais com problemas específicos tentar sacar o seu quinhão. É uma política insustentável.

Entretanto as petrolíferas continuam a brincar connosco! A Galp sobe o preço da gasolina quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, e também sobe o preço da gasolina quando o preço do petróleo no mercado internacional desce! E ainda nos querem convencer que há concorrência no sector!

É inadmissível que não se procure a convergência de preços com Espanha nos combustíveis

O poder caiu na rua, já que o conteúdo das medidas que estão em cima da mesa e que serão agora apresentadas aos piquetes de greve.

O Governo ganhou este round visto que os camionistas desmobilizaram, mas Sócrates não pode continuar a afirmar que “não poremos em causa o interesse geral por qualquer interesse específico” porque a lei dos camiões permitiu ganhos relevantes para os manifestantes.

Numa economia de mercado os preços estabelecem-se na concorrência, e não resultam de nenhum conjunto complexo de regras como as estabelecidas. Por exemplo, não é por terem acordado que "o preço do transporte de mercadorias vai passar a estar indexado ao combustível" que isso sucederá. Se houver excesso de oferta dos transportadores, o mais provável é que estes não consigam fazer repercutir na totalidade o acréscimo dos custos sobre os clientes.

Se é verdade que a lei do camião rendeu as benesses descritas na imprensa económica, não é menos verdade que alguém irá suportar os seus custos.

Para já Sócrates livrou-se deste aperto, mas o cancro continua. O cancro continua porque é inadmissível que não se procure a convergência de preços com Espanha nos combustíveis, particularmente depois do estudo oficial que revela que o diferencial de preços da gasolina entre Portugal e Espanha é nulo, se forem considerados os preços sem os impostos. Chegar a esta convergência é que seria governar para os portugueses. Assim, Sócrates ofereceu uns doces aos transportadores à custa dos portugueses.

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...