terça-feira, 10 de junho de 2008

A raça está a crescer

  • NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu governo. O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.
    António Barreto, Público, 06/JAN/2008


A comunidade científica trata a Sociologia como se fosse uma religião porque os "sociólogos" com maior visibilidade nos meios de comunicação não se acanham de dizer os maiores disparates. Para quê induzir os leitores no erro de que se acusa a populaça se podemos afirmar com segurança que Sócrates é autoritário?

Enfim, quando se escreve para os jornais, apimentam-se os artigos com umas expressões
que deixam à margem o rigor sociológico. Eis mais um exemplo para o rol das anedotas:

  • A Miss Portugal 1990 tem 1,81 metros. Repito, um metro e oitenta e um centímetros! Outro feito do cavaquismo ocidental: a raça está a crescer...
    António Barreto, Público, 13 de Maio de 1990



Esta brilhante conclusão de que a raça está a crescer, partindo da altura da Miss Portugal é elucidativa do tipo da "Sociologia" de algibeira que se pratica em Portugal. Quanto à expressão "raça" no léxico de um sociólogo, diria que o erro é 1.000 vezes mais grave que no caso de Cavaco.

A Raça de Cavaco

Se um aluno do secundário escrever alguma coisa sobre a raça portuguesa, a questão é anulada. É um conceito que não existe!





O Doutor Cavaco Silva diz exactamente o mesmo, com o sorrisinho de ignorante, e a plebe bate palmas.



Muito bem Senhor Doutor. Mas comece por ser exigente consigo mesmo, estudando a História de Portugal, para evitar palermices deste calibre.

Uma explicação para esta anedota é que estará a pensar nas centenas de milhar de imigrantes como causa do desemprego, esquecendo os milhões de emigrantes espalhados por esse Mundo fora, as Comunidades Portuguesas.

O Presidente da República recuperou "terminologia racista e segregadora do Estado Novo", porque se conformou com os valores do Estado Novo e nem sequer se insurgiu contra a Guerra Colonial.

  • "Sou o único político vítima do fascismo em Portugal. Nenhum outro líder político esteve na Guerra Colonial". Cavaco Silva, Primeiro-Ministro, Notícias Magazine, 10 de Setembro de 1995.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O diferencial de preços da gasolina entre Portugal e Espanha é nulo, se forem considerados os preços sem os impostos



Decomposição dos custos associados ao preço retalhista na gasolina IO95

Fonte: Relatório da AdC, 02/06/2008

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"[A Autoridade da Concorrência] identificou indícios de correspondência razoável entre os preços praticados [nos combustíveis] e os custos da actividade".
Manuel Sebastião, presidente da AdC, no Parlamento, 03-06-2008


Troquemos por miúdos.

As duas refinarias existentes no país - Porto e Sines - são partilhadas pelas marcas no interesse exclusivo de servirem os consumidores. Nestas não há qualquer ineficiência, portanto o preço à saída das refinarias é determinado pelo mercado internacional, segundo a AdC.

A margem de armazenagem e transporte é a mínima necessária ao desenvolvimento da actividade. Idem relativamente à margem de venda do combustível a retalho.

Quase 60% da despesa que fazemos no abastecimento da gasolina vai directamente para os cofres do Estado, através do IVA e do ISP, mas dessa parte não podem culpar-se as empresas. O diferencial de preços da gasolina entre Portugal e Espanha é nulo, se forem considerados os preços sem os impostos. Isto é, a encomenda do Ministro da Economia caiu no colo do Primeiro-Ministro!

Os painéis nas auto-estradas com informação dos preços dos combustíveis e do gás de botija praticados pelos diferentes operadores, bem como a criação de um site institucional que irá permitir comparar preços dos combustíveis,
são um exemplo do melhor folclore Socratino (derivação de Sócrates sem tino, em desatino, sem destino...).

Saliente-se que o relatório se encontra orientado para defender os interesses das petrolíferas. Designadamente, quando afirma não ter identificado qualquer infracção à lei da concorrência, mas dá conta de um "paralelismo" nos aumentos simultâneos praticados pelas gasolineiras, e por não esclarecer como é que as marcas brancas conseguem ter preços mais baixos.

Enfim! A Galp aumenta o preço da gasolina, e logo no mesmo dia a BP e a Repsol aumentam os preços na mesma quantia... Mas temos que acreditar que não existe cartel, porque uns senhores, audesignados Autoridade da Concorrência estudaram o assunto... e concluíram que nós andamos todos enganados quando imaginamos que os preços são "combinados" entre os maiores players do mercado.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Pela Boca Morre o Peixe

Eis algumas frases extraídas do livro de João Pombeiro, para abrir o apetite. Trata-se da mais divertida viagem pela História recente (post 25/4/74) que li.
O livro é editado por A Esfera dos Livros.




Portugal é um oásis”. Jorge Braga de Macedo, Ministro das Finanças, Diário de Notícias, 28 de Setembro de 1992.

“Nunca esteve, de certeza absoluta, no espírito dos fundadores, a ideia de que, na Comunidade, os preservativos teriam de ter a mesma dimensão”. João de Deus Pinheiro, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Expresso, 4 de Julho de 1992

"É preciso continuar a sacar dinheiro à Europa". Mário Soares, Público, 18 de Maio de 1999.

Não tenho as qualidades que um primeiro-ministro deve ter. (…) Ministro é o meu limite”. José Sócrates, Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, DNA, 16 de Setembro de 2000.

“O problema dos políticos é que não têm projecto para o país. Eu em 48 horas acabava com este estado de coisas”. Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia, Sábado, 25 de Janeiro de 2007.

“A posição que aqui defendi […] é exactamente a da Igreja Católica. A Igreja Católica proíbe o aborto porque entende que quando se pratica o acto sexual é para se ver o nascimento de um filho”. João Morgado, Deputado do CDS, Expresso, 13 de Março de 1992.

sábado, 31 de maio de 2008

O automóvel eléctrico está aí!

Chego a casa, estaciono o carro na garagem, e ligo-o ao carregador como se fosse um telemóvel! Quando sair, desligo-o, e nunca preciso de ir ao posto de abastecimento!

A tecnologia já existe!
A Tesla Motors é uma associada da General Motors, portanto quanto a garantias está tudo dito.
Se virem o vídeo abaixo correm o risco de ficar a sonhar com a máquina ;)


99.000 € não está ao alcance de todos, mas já há propostas mais acessíveis como os Green Vehicles.


O rápido crescimento dos preços do petróleo que sofremos na pele, veio obrigar a repensar mais seriamente esta alternativa, começando a tornar-se frequentes notícias sobre veículos eléctricos.

  • O deputado socialista Jorge Seguro defendeu hoje incentivos para a instalação de fábricas e projectos de automóveis eléctricos, bem como para os consumidores que optem por este tipo de veículos, porque "há mais vida para além do petróleo". Lusa, 30 de Maio de 2008


  • Apesar das anunciadas intenções da Nissan de vender veículos eléctricos nos EUA e no Japão, no final de 2010, a marca já passou às experiências em campo. Recorde-se que em Fevereiro de 2007 a Nissan Motor Co. Ltd. entregou à empresa de rent-a-car Kanagawa Toshi Kotsu Ltd. a sua, então, mais recente versão do X-Trail FCV com pilha de combustível, para ser utilizado como parte da sua frota de aluguer com condutor. Foi a primeira vez que esta modalidade de rent-a-car foi disponibilizada. Saliente-se que a aliança Renault/Nissan irá, numa primeira fase, comercializar de forma massiva automóveis eléctricos na Dinamarca e em Israel, em 2011. LusoMotores, 29 de Maio de 2008


A mudança não se faz sem resistência. Fica aqui o link para um ficheiro recebido por mail, em denúncia dos obstáculos impostos pelos interesses económicos.
Tem sido "inteligente" a estratégia dos produtores, não vendendo, mas simplesmente alugando os automóveis eléctricos. Isso permite-lhes recuperar toda a frota pela simples não renovação dos contratos de aluguer, com a vantagem de então poderem destruir todos os carros de uma só só vez.
O site Don't Crush mostra a consciência dos indivíduos na Web, contra este estado das coisas.

Será possível repetir a "façanha"?

Quem matou o automóvel eléctrico? Eis a 1ª parte de 11 de um excelente documentário no YouTube.



Para aprofundamento do tema convém ler o relatório da WWF.




  • Os sectores petrolífero e dos transportes encontram-se inextricavelmente ligados. Para sustermos qualquer mudança das alterações climáticas reversíveis, da destruição dos ecossistemas essenciais e das tensões geopolíticas, esta ligação tem de ser desfeita pela transição para um paradigma de transporte que é extremamente eficiente e simultaneamente compatível com a renovação sustentada da energia do futuro.
    PLLUGED IN – The End Of The Oil Age


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Em português, podem ler-se notícias interessantes no site da ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DO VEÍCULO ELÉCTRICO.

Eis um veículo eléctrico português, desenvolvido pela Escola Superior de Tecnologia, de Viseu. Com 1 € faz 100 kms. Fantástico!



PS - Volkswagen reconhece que o futuro pertence ao automóvel eléctrico

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A construção estatística das crises económicas

Em grande parte a referência quotidiana às crises económicas resulta da afirmação do jornalismo como novo produto de consumo. O ardina que vendia jornais no meu bairro apregoava sempre “Olha o desastre!”, mesmo que os jornais nesse dia não fizessem referência nenhum. Era a sua técnica de marketing. Os jornalistas de economia precisam de anunciar, descrever, falar de crises, porque a sua profissão vive delas.

Trata-se de um trabalho que pode ser feito com maior ou menor seriedade, mas o mundo dos blogues obriga também o círculo relativamente fechado dos especialistas a abrirem-se a outros olhares. Vêm isto a propósito de um post que chama a atenção para um aspecto – o 4º trimestre de 2008 teve mais 3 dias úteis que em 2007 - que terá passado despercebido entre a generalidade dos analistas, tornando as estatísticas portuguesas incomparáveis com as da União Europeia, só porque o INE não adopta a mesma metodologia dos seus congéneres, invocando a complexidade do processo.

Fonte: Síntese Económica de Conjuntura - Mensal - Abril de 2008

"Não haverão países "pobres" - só países ignorantes. E o mesmo será verdade para os indivíduos, as empresas, as indústrias e todos os tipos de organizações", disse Peter Drucker.

O que confere validade às estatísticas não é cada indicador calculado isoladamente, mas a rede de equivalência que se estabelece entre os diversos indicadores da rede estatística. Descoberta uma falha, os autores do post colocam naturalmente em causa todo o sistema: o INE, os jornais, designadamente os especializados, os economistas profissionais, a oposição, o Governo...

Concluem que...




Concordo.

7 anos depois, José Sócrates foi condenado

Fica registado.

  • O primeiro-ministro José Sócrates foi condenado, na semana passada, pelo Tribunal da Relação de Lisboa, a pagar 10 mil euros por danos não patrimoniais causados ao jornalista do "Público" José António Cerejo.
    Em Março de 2001, José Sócrates, então ministro do Ambiente, escreveu uma carta publicada no Público em que acusava o jornalista de ser "leviano e incompetente" e acusando-o de servir "propósitos estranhos à actividade de jornalista".
    EXPRESSO, 21/MAIO/2008

O Regresso do Morto-Vivo (ou como a IA me obrigou a trabalhar na reforma)

 Quem me conhece sabe que, no ano passado, arrumei definitivamente os manuais, fechei o giz no armário e decretei a merecida a...