Pascal dizia que acreditar em Deus é o único investimento com risco zero e retorno infinito, se Deus realmente existir, mas uma perda de tempo se Ele não existir. Os ateus sentirão uma perda infinita caso Deus exista, ou ganharam a sua liberdade caso Deus não exista.
Então, porque é que tanta gente prefere ser ateia ou agnóstica, desperdiçando o ganho infinito, e sujeitando-se a uma perda infinita? Não seria mais lógico optar pelo "conforto da fé" para ser feliz?
A resposta está na diferença entre a calculadora (S2) e o instinto (S1):
O Sistema 1 não se compra: Daniel Kahneman ensinou-nos que não decidimos o que acreditamos com lógica fria (Sistema 2). Se a sua intuição diz que não há provas, você não consegue "forçar" o seu cérebro a ter fé só porque o prémio é grande. Seria como tentar convencer-se de que um vinho de 2€ é um topo de gama: o paladar não mente.
O Preço da Autonomia: Para muitos, o "custo" de acreditar não é zero. É abdicar da liberdade intelectual e da coerência. Preferem ser ateus honestos do que crentes por interesse.
Aversão à Dissonância: Viver uma mentira calculada gera stress. No final do dia, a felicidade não vem de uma apólice de seguro contra o inferno, mas sim da honestidade de caminhar de acordo com o que se pensa.
Pascal fez a conta, mas esqueceu-se de que o ser humano prefere estar "errado" com a sua verdade do que "certo" por conveniência.

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