segunda-feira, 2 de julho de 2012

Alunos poderão escolher cursos mais práticos logo no 5º ano – Ministério da Educação antecipa início do ensino vocacional

Este título do EXRESSSO anunciou a última inovação de Nuno Crato, que confirma a germanização da política de ensino. Se o certificado de idoneidade apenas pode ser compreendido no âmbito das restrições financeiras impostas pela Troika, esta do ensino vocacional a partir dos 10 anos de idade é decalcada do sistema de ensino alemão, único na Europa a fazer a separação das vias de ensino tão cedo.

É fácil perceber que uma separação tão precoce entre “cursos práticos” e a “via ensino” nem permite que os alunos sintam se têm dificuldades a aprender Matemática, Português, Línguas, Ciências, etc. A notícia explica que “os cursos de ensino vocacional têm como objectivo garantir uma efectiva igualdade de oportunidades, consagrando alternativas mais adequadas, que preparem os jovens para a vida, dotando-os de ferramentas que lhes permitam enfrentar os desafios do mercado de trabalho”.

Se a escolaridade é obrigatória até aos 18 anos, qual é a profissão que necessita de 8 anos específicos de aprendizagem? Nenhuma. A única utilidade destes cursos é retirar os “alunos problemáticos” das turmas “normais”. Procura-se uma maior eficácia no ensino da elite, apesar da retórica da igualdade oportunidades.

Estes cursos serão frequentados por “opção dos alunos ou por sugestão da escola”, atendendo ao perfil de insucesso escolar, claro está! Certamente nenhum aluno optará livremente aos 10 nos pela condenação a uma vida de trabalho indiferenciado, mas deverá suceder o mesmo que na Alemanha onde as disciplinas mais problemáticas como a Matemática e as Ciências perdem importância na carga horária destes cursos (ver Eurydice).

O cinismo de Nuno Crato não tem limites quando afirma que, não se pretende que o aluno defina tão cedo o seu percurso escolar. “No final de cada ciclo de estudos – no 6º ou no 9º ano -, mediante a realização das provas ou exames previstos, os estudantes podem voltar a integrar o ensino básico geral”. Estão a brincar connosco! Vão para o ensino vocacional porque manifestaram dificuldades de aprendizagem, terão menor carga horária às disciplinas consideradas estruturantes/nobres... é evidente que seria um feito um aluno nestas circunstâncias regressar ao ensino normal.

É evidente que a escola deve fornecer uma educação comum igual a todos até determinado nível. Mais tarde, a especialização das profissões exige a ramificação do ensino. Não é possível definir com precisão até que idade deverá ir o ensino unificado, mas a criação de diferentes vias aos 10 anos de idade tem um significado claro: elitismo, segregação social e perpetuação da ignorância e das desigualdades. Da escola pública exige-se o inverso!

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