segunda-feira, 25 de abril de 2011

Otelo 37 anos depois: Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril



O 25 de Abril trouxe muitos sonhos. Viveram-se dias de entusiasmo loucos. A "Revolução Socialista/Popular" dirigiu-se em velocidade estonteante em direcção a Cuba após o 11 de Março de 1975 com a nacionalização de amplos sectores da actividade económica. Escassos 9 meses do PREC - Processo Revolucionário em Curso - terminam com o golpe militar de Ramalho Eanes a 25 de Novembro, ao qual se seguirá a "normalização democrática" com o país a solicitar a integração na então CEE em 1976 (por Mário Soares), como âncora de garantia da opção pelo modelo capitalista:

- (1) no plano económico, uma economia de mercado aberta ao exterior;

- (2) no plano político, um democracia representativa com eleições regulares.

Estes ingredientes não funcionaram numa cultura portuguesa fechada a clientelas.

Uma economia de mercado de mercado robusta só funciona com empresários empreendedores, enquanto por cá continuamos com a mentalidade corporativista. Os nossos empresários não são capazes de perspectivar o negócio da empresa para além do seu benefício pessoal, e então facilmente ficam absorvidos pelas amantes no respectivo apartamento.

Uma democracia representativa robusta caminharia no sentido da democracia directa, oferecendo possibilidades de expressão à generalidade da população, tirando partido da banalização das ferramentas da web2.0. Aquilo a que assistimos diariamente na TV são soundbytes enviados para criar entre os eleitores a ideia de que a culpa pela situação a que chegámos é do "outro".

Ninguém sonhou com isto!

Não sabemos se a receita de Cuba teria sido melhor, mas parece que aquela ilha só serve mesmo para passar férias. Os seus indicadores económicos e sociais não entusiasmam ninguém pelo modelo.

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