sábado, 3 de janeiro de 2009

MST: Os valores políticos e éticos nunca se podem esquecer!


Elogiei o artigo de sábado passado em que Miguel Sousa Tavares destacava a relevância dos princípios políticos e éticos. Hoje, meu caro MST, escrevo-lhe para lhe dizer que me traiu. Os valores políticos e éticos nunca se podem esquecer!

E MST esqueceu-os, oferecendo a Sócrates e a Milu excelentes epitáfios:

  • Sócrates
    Teve o mérito de ter tentado,
    Sozinho e contra todos,
    Reformar o que precisava de ser reformado.
    Assim, não podia vencer e não venceu.
  • Milu
    Vencida não por não ter razão,
    mas precisamente por a ter.


Quanto a Milu a única coisa certa é o princípio da avaliação, mas no processo de implementação do modelo de avaliação não acertou uma para amostra. Inventou um modelo impossível de adoptar, e persiste com o mesmo apesar dos simplexes. Usa o “mérito” dos professores no seu vocabulário, mas não consta que tenha sido uma docente brilhante para compreender o significado da expressão. Já demonstrou a inutilidade do seu modelo de avaliação, e simultaneamente a sua falta de carácter.

Deus me desculpe pela frontalidade, mas devia rebentar uma granada na boca de quem tem lata para elogiar o mérito de Sócrates, pouco tempo depois de ter colocado em causa a sua seriedade:

  • Nenhum aluno que tenha feito um curso ‘a sério’ numa Universidade ‘a sério’ teve, no ano de licenciatura, cinco cadeiras, das quais quatro dadas pelo mesmo professor; nenhum aluno se esqueceria do nome dos professores, para mais se só teve dois; nenhum aluno acreditaria que era possível ser membro do Governo e simultaneamente concluir uma licenciatura com aulas nocturnas e fazendo o ano com média de 17; nenhum aluno viu um professor dar-lhe as notas durante as férias de Agosto, e logo quatro no mesmo dia; nenhum aluno tem um certificado de curso passado durante as férias, num domingo, e assinado pelo reitor e pela filha, na qualidade de directora administrativa (típico de Universidade de vão de escada). A isto, basicamente, José Sócrates respondeu que são questões a que é alheio e cuja responsabilidade só pode ser imputada à Universidade. Mas há uma coisa a que ele não foi alheio, que foi a escolha desta Universidade para se licenciar. (Não posso referenciar por causa da política do EXPRESSO relativamente à descontinuação dos seus produtos)


MST, lembra-se de quem escreveu isto? O mérito de Sócrates é aplicar regras diferentes quando pensa em si ;) Este homem alguma vez terá legitimidade para propor e implementar alguma das reformas que a economia portuguesa exige?

Só fica uma dívida. Já terá sido MST contratado pelo Governo como assessor de imagem, ou outra coisa qualquer?

O Governo não tem legitimidade democrática para impor a sua política nas escolas, nem em sector de actividade nenhum, porque pulou a cerca. Não lhe basta a maioria absoluta no Parlamento, e ainda tem o Banco de Portugal liderado por um ex-Secretário-Geral do PS; o Tribunal de Contas é comandado por um homem do PS; a Autoridade para a Concorrência é dirigida por um parceiro de negócios do ministro da Economia; o ministro da Administração Interna é um ex-juiz do Tribunal Constitucional. Não é normal num regime democrático um só partido controlar a generalidade das instituições. Somos definitivamente um país terceiro-mundista, que aprecia as aldrabices de Sócrates, gosta de viver o farrabadó dos campeonatos quase ganhos, valoriza mais uns cêntimos antes das eleições. Simultaneamente adoramos exercitar a má língua observando as barracas de Sócrates, nem nos ralamos quando observamos os outros países a ultrapassarem Portugal em termos do PIB per capita, e já estamos habituados a apertar o cinto com as mais diversas justificações.

Integridade, carácter, exemplaridade... Tudo isto são palavrões a anos-luz de Sócrates e do país que temos.
Bem vistas as coisas, José Sócrates é simplesmente o político melhor adaptado às vigarices do país.



Adenda
Perante os esses de MST naturalmente que que compreendo todos os colegas que amavelmente me enviaram uma cópia do Equador.

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Retrato com 60+ anos