sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Apelo à desobediência civil dos professores


A blogoesfera está a constituir-se como veículo de mobilização dos professores pelos seus objectivos profissionais, independentemente dos sindicatos que tradicionalmente os representam. O apelo directo à resistência passiva é complementado pelo levantamento de questões referentes ao (à falta de) carácter de José Sócrates e pela associação da teimosia de Milu aos interesses estritamente eleitorais do Partido Socialista.


Remiro Marques sugere que todos os professores se recusem a ser avaliados, como receita para estoirar com a avaliação burocrática sem cometer ilegalidades.

Paulo Guinote toca na ferida de José Sócrates, retirando ao tema a sua carga política quando o transfere para as idiossincrasias pessoais, visto que se trata, neste momento, de um mero desforço pessoal, usando para isso o aparato do Estado. José Sócrates gosta de banqueiros, de empresários, do homo tecnologicus, mas arrepanha-se-lhe tudo se lhe falarem de um professor, daqueles normais, pessoa com qualificação superior que dedicou a sua vida profissional a transmitir conhecimentos aos mais jovens, de formas mais ou menos convencionais, que tem brio no seu trabalho, que quer que os seus alunos se esforcem, que gosta de ver esse trabalho retribuído com os resultados desses mesmos alunos, mas sem truques estatísticos, que não recebe trabalhos por fax tecnológico em papel timbrado. Um modelo de professor que parecerá anacrónico. Detestável mesmo. Que urge extinguir. Castigar. eliminar.

Matias Alves associa esta reforma do ensino aos interesses eleitorais do Partido Socialista. Observa em resposta à pergunta - Quem beneficia com a reforma? - que esta não será do interesse dos alunos, nem dos professores, nem dos pais, nem para a administração educativa, nem para a sociedade, nem mesmo para o ME.

O Ministério da Educação também responde na Internet, através do seu site. Destaco o esclarecimento mais fantástico, que de uma penada terminou com professores avaliadores, inventando a investidura de um estatuto específico:

Mito 6 - Os professores avaliam-se uns aos outros.
A avaliação de desempenho docente é feita no interior da cada escola, sendo avaliadores os membros do órgão executivo e os professores coordenadores de departamento, que exercem funções de chefias intermédias. Não se trata, pois, de pares que se avaliam uns aos outros, mas de professores mais experientes, investidos de um estatuto específico, que lhes foi conferido pelo exercício de um poder hierárquico ou pela nomeação na categoria de professor titular.

Evidentemente que está na rede a Proposta apresentada pela Plataforma Sindical ao ME rejeitada por Milu porque o tamanho conta ;) visto que “cabe, basicamente, numa folha A4”.

O que irá acontecer não sei. Mas pode-se afirmar desde já que este conflito laboral ficará para a história da blogoesfera como o primeiro onde teve uma importância determinante na formação da opinião pública.

O papel da blogoesfera neste conflito não pode ser menosprezado, uma vez que foram os blogues que forçaram os sindicatos a convocar apressadamente a manifestação de 8 de Novembro, como então expliquei.

Um comentário:

António da Cunha Duarte Justo disse...

Muito bem apresentada a questão!
O problema e´ que os professores obrigaram os sindicatos a aparecer. Fizeram-no, creio que menos por convição que por necessidade.
De resto, as nossas estruturas sindicais estão demasiadamente vinculadas ao poder agora em exerci´cio para poderem boicotar a avaliação. Ja´ agendaram outros assuntos para pro´ximas reuniões, o que significa que a rejeição da avaliação foi de facto, ja´ posta de lado.
Antonio Justo

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