terça-feira, 9 de outubro de 2007

Foi uma desgraça mesmo!



Mário Soares não teve papas na língua a comentar o resultado das eleições directas no maior partido da oposição.

O ex-Presidente da República definiu a vitória de Luís Filipe Menezes como "uma desgraça".

"Aquilo que sucedeu é uma coisa que não nos agrada", disse Mário Soares em declarações à rádio TSF.

O antigo governante advertiu ainda, que é necessário que exista uma oposição forte. "Um Governo precisa de uma oposição forte e estruturada, porque senão pode dizer que não há alternativas e que pode fazer o que quiser".

Fonte: http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/129760


Logo a seguir à eleição de Luís Filipe Menezes, José Sócrates preparou uma visita à Covilhã revelando-se ao seu melhor nível pidesco. Eis o comunicado do Sindicato dos Professores da Região Centro (FENPROF):



VISITA DE SÓCRATES À COVILHÁ PREPARADA DA PIOR FORMA:

POLÍCIA LEVA MATERIAL DE INFORMAÇÃO DA SEDE DO SPRC NA COVILHÃ

Hoje, 8 de Outubro, dois polícias “à civil”, entraram na sede do SPRC na Covilhã e, na ausência de qualquer dirigente, por se encontrarem em actividade sindical, levaram consigo dois documentos de informação. Apesar de nunca vista, em 25 anos do SPRC e 33 de democracia, esta acção de características pidescas, a que um agente designou de rotina, assume contornos repugnantes e deploráveis, e constitui uma clara violação dos direitos, liberdades e garantias e das instituições democráticas.

O Sindicato dos Professores da Região Centro apela a todos os cidadãos para que não se deixem intimidar e aos professores para que participem em todas as acções de contestação a esta política e a este rumo de ataque ao regime democrático que o governo e o primeiro ministro entenderam tomar, a começar pelo Cordão Humano que se realiza amanhã na Covilhã, junto à Escola Secundária Frei Heitor Pinto, a partir das 14H30, organizado por diversos Sindicatos.

Para o SPRC é evidente que esta iniciativa da polícia não está desligada das declarações recentes do primeiro-ministro, cujo discurso, de teor absolutamente antidemocrático, faria corar os governantes mais à direita que passaram pelo poder no pós-25 de Abril.

Sabendo-se que as forças de segurança não agem sem comando e muito menos sem a direcção do poder político, o SPRC responsabiliza o governo por esta atitude intimidatória, autoritária e violadora dos mais elementares direitos democráticos e da liberdade do Povo Português.

A Direcção do SPRC decidiu apresentar queixa sobre esta violação dos direitos democráticos ao senhor Presidente da República, à Assembleia da República, à Provedoria de Justiça, à Procuradoria-Geral da República e entregar a análise deste acto de autoritarismo e totalitarismo aos seus advogados para que preparem a apresentação de uma queixa contra o governo português no Tribunal Europeu.

Entretanto, na sequência da situação a que foram sujeitos dirigentes sindicais de diversas organizações do distrito, designadamente o coordenador do SPRC, ontem, em Montemor-o-Velho, a Direcção do SPRC decidiu apresentar queixa-crime no Ministério Público daquela localidade contra o responsável local da GNR, o que será concretizado na próxima sexta-feira.

08.10.2007

A Direcção

Fonte: http://www.sprc.pt/paginas/Novidades/novidades_policiapaisana.html


"O fascismo da actual fase da modernidade é liquefeito. Como um gás, está em toda parte. Não precisa ser assumido para funcionar, estando adaptado às exigências do tempo presente. Existe nas práticas de governo e, em outros exemplos, em simples actos de burocratas e outros agentes do poder público. Não precisa de um livro de cabeceira, como o ‘Minha Luta’ de Hitler. Está diluído nas concepções que os meios de comunicação fazem circular".
Fonte: http://www.galizacig.com/actualidade/200611/cm_fascismos_liquidos.htm

Por exemplo, da banalidade que os professores faltam a alguns tempos lectivos, passou-se à imposição de actividades de substituição como se de um passe de magia se tratasse. Não foi preciso cuidar da existência de materiais para as ditas actividades, e criaram-se efectivas prisões de substituição, porque aulas não são, como afirmaram as associações de professores no documento em que manifestam a sua oposição ao novo Estatuto da Carreira Docente.

Se alguém avaliasse as ditas actividades de substituição certamente que concluiria o seguinte:
- os professores ficam muito mais desgastados nas aulas de substituição que nas da componente lectiva, porque nas primeiras nunca sabem o que vão encontrar, e têm a sua autoridade professoral substancialmente diminuída;
- os alunos estão a ali a perder tempo, enquanto lhes negam oportunidades de convívio entre si. Mais, habituam-se a um clima de burburinho que terá um efeito negativo se for transposto para as aulas comuns;
- os papás ficam mais tranquilos quando sabem que os pequenos estão à guarda de um professor. Porém, se as escolas já têm controlo electrónico de entradas e saídas, este já é suficiente para se saber se o aluno se encontra ou não no interior do espaço escolar das tantas às tantas. Numa escola decente, o seu recinto oferecerá garantias análogas a uma sala de aulas.

Gostava que os opinion makers favoráveis às aulas de substituição experimentassem ficar 45 minutos no meio de 25 putos do 7º ou 8º ano, coloridos, falando crioulo entre si. Sem autoridade para lhes impor um conteúdo programático, e para posteriormente os avaliar, por que motivo os catraios ficarão sossegados a ouvir contar anedotas quando o zapping pelos canais é muito mais divertido?

Somem-se a isto, vencimentos congelados desde 2001, mudanças de escalão idem, idade de reforma a subir, tarefas burocráticas cada vez mais exigentes, clima político da América latina com a retórica europeia. Porquê América latina? Se os 24 ministros da Educação que tivemos desde Abril de 1974 tivessem poderes de tutela sobre os sinais de trânsito, o sinal de sentido proibido, que todos conhecemos, já teria outra forma e hoje talvez fosse, e com uma fundamentação muito razoável, um quadrado vermelho, enquanto o rectângulo branco, horizontal, talvez já estivesse na vertical. Como foi usual no Ministério da Educação, esta última "reforma da sinalética" seria a vigésima quarta proposta dos últimos 33 anos e todas defendidas a peito pelos seus titulares.

Maria de Lourdes Rodrigues sente-se legitimada para ir inventando novas tarefas para os docentes, e para lhes cortar os célebres "direitos adquiridos" porque age em nome do mérito, e invoca a nobre tarefa de elevar os níveis de escolaridade para patamares europeus. A "missão" que se sente a cumprir, associada à pretensa justiça de uma espécie de fado "verdadeiramente inevitável" permitem-lhe todos os atropelos.

No sector da educação, a desgraça ainda mal terminou as férias de Verão...


José Sócrates foi recebido na Covilhã por um cordão humano de protesto.

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