segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

portugal needs partial debt renegotiation

Procurando do Google portugal needs partial debt renegotiation encontramos 140.000 resultados. É verdade que os media foram incompetentes, mas a história do economista da ONU traz-me à memória uma quadra de Aleixo:

Para a mentira ser segura
e atingir profundidade,
deve trazer à mistura
qualquer coisa de verdade...
(António Aleixo)

Todos foram levados porque a proposta até tem fundamento, reconhecendo que parcialmente, a dívida seria da responsabilidade da própria União Europeia, que nos está a cobrar juros agiotas.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Finalmente começamos a gostar de Miguel Relvas

Miguel Relvas inexplicavelmente não foi demitido. Toda a gente sabe que o homem está lá a mais, menos o primeiro-ministro, e finalmente parece ter-se iniciado um novo ciclo político, porque onde Miguel Relvas toca, estraga o negócio. Isto é, agora cada vez abre a boca sobre um negócio/candidato etc. ele perde. Podemos dizer que Miguel Relvas começou a trabalhar para a oposição. Depois do beijo de morte que deu a Fernando Seara, foi a vez do seu amigo Germán Efromovich falhar a compra da TAP.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Vitor Gaspar: Ao serviço de DEUS PAI-Credores

Quem governa Portugal? Quem governa a Grécia? Ambos os países pertencem à Área Euro e tem as linhas mestras da sua política económica definidas por um “programa de ajustamento estrutural” conduzido pela Troika. O objectivo destes programas é claro. Não se trata de “ajudar” a estruturar coisa alguma, mas apenas de assegurar financiamento para que não fiquem na impossibilidade de satisfazer o serviço da dívida que têm para com os credores.

Até aqui Portugal tem o seguido o caminho do “bom aluno”, com um Governo que sistematicamente se orgulha de “ir além da Troika”, precisamente porque acreditámos que assim nos tratariam melhor, em função do nosso “esforço”. Nessa perspectiva Juncker defendeu o "princípio de igualdade de tratamento" como aconselharia o mínimo bom senso, e o nosso Gasparzito confirmou o mesmo princípio, como quem exibe os resultados do seu trabalho.

Porém, rapidamente o super-ministro das finanças alemão (DEUS PAI-Credores) nos recordou que Portugal só beneficiará das condições concedidas à Grécia quando estiver igualmente destruído, isto é, “depois de um *perdão voluntário* de credores privados”.

Até chegarmos à situação da Grécia – o que acontecerá rapidamente em resultado dos juros agiotas – esta será apontada como “caso único” que o “bom aluno” não deverá seguir, e após a palavras de DEUS PAI-Credores, o nosso obediente Gasparzito desdisse o que havia afirmado na véspera, atribuindo as suas próprias palavras a uma "simplificação excessiva de assuntos complexos", "mal entendidos", etc.

Conclusão: Os portugueses apenas votaram num partido que chamou o Gasparzito para este serviço, mas ele sente-se como um simples funcionário de DEUS PAI-Credores, evocando os princípios que forem convenientes à sua narrativa.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Política porca

Os governantes vão tomando as decisões que lhes interessam enquanto a populaça é entretida a discutir pint*. Por exemplo, caiu o Carmo e a Trindade quando Passos falou da possibilidade de propinas no ensino secundário, que até já existem com valores simbólicos, e toda a gente vai discutindo parvoíces destas na vã tentativa de encontrar os célebres 4 mil milhões de euros, que correspondem a 2,4% do PIB de 2011, enquanto se deixam passar em claro as negociatas em curso nas privatizações, que representam 16,6% do PIB, um valor 7 vezes superior!

Já calculou quando ganharia se recebesse uma comissãozita de 2% pela venda do país ao desbarato?

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Lamento não conseguir usufruir do benefício de 250 € oferecido pelas Finanças

Exmo. Sr. Diretor-Geral das Finanças,

Lamento não conseguir usufruir do benefício de 250 € que tão generosamente me concede, pois o valor dos bens que teria de adquirir excede o meu vencimento líquido, que teria de ser superior a 26.739 €. Talvez atribuindo um benefício maior conseguisse combater mais eficazmente a economia paralela, pois os valores morais, como V/ Excelência reconhece, já não têm força suficiente para coagir os contribuintes a pagar os impostos.




Autoridade Tributária e Aduaneira No-reply-qsc@at.gov.pt
13:22 (1 hour ago)
to me

Assunto: Beneficie do incentivo fiscal à exigência de fatura

Exmo.(a) Senhor (a)

JOSE ******************** NETO
*********

A partir de 1 de janeiro próximo, pode beneficiar de uma dedução à coleta do IRS no montante correspondente a 5% do IVA pago em cada fatura, por qualquer membro do agregado familiar, com o limite global máximo de 250 Euros.

Para usufruir desse benefício, basta que exija a inclusão do seu número de identificação fiscal (NIF) nas faturas relativas às aquisições que efetuar. Os comerciantes são sempre obrigados a emitir faturas, mesmo nos casos em que o adquirente não as exija (com exceção dos comerciantes isentos de IVA).

Numa primeira fase encontram-se abrangidas apenas as prestações de serviços enquadradas nos seguintes setores de atividade:

i) Manutenção e reparação de veículos automóveis;
ii) Manutenção e reparação de motociclos, de peças e acessórios;
iii) Alojamento e similares;
iv) Restauração e similares;
v) Atividades de salões de cabeleireiro e institutos de beleza.

O sistema funciona de forma muito simples. Se exigir a colocação do seu NIF nas faturas, a AT atribui automaticamente o benefício.

Quando exige fatura, a AT garante o controlo e a segurança de que o IVA que nela pagou será entregue ao Estado.

Caso necessite de informação adicional, não hesite em contactar o nosso Centro de Atendimento Telefónico da AT (707 206 707), nos dias úteis das 08H30 às 19H30.

Com os melhores cumprimentos,

O Diretor-Geral,

José A. de Azevedo Pereira

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A política dos cortes salariais nos professores vai prosseguir

Foi hoje divulgado o estudo de um grupo do MEC que apurou o custo médio por turma. Observou também que na sua estrutura “grande parte dos custos (cerca de 85%) se referem a custos de docência”, identificando a rubrica onde Ministério deverá continuar a cortar.

Desde 2001 que os professores começaram por conhecer o aumento zero do vencimento – expressão então inventada por Manuela Ferreira Leite para designar o seu congelamento, sem o referir – e nos últimos tem sido pior, porque até têm cortado os vencimentos nominais.

O unanimismo do PS ao CDS em torno desta “receita para a crise” resulta da representação machista que têm dos professores como professoras, que apesar da sua elevada qualificação não deverão ganhar mais que os respectivos maridos!

Nem de propósito, também hoje o INE divulgou os resultados definitivos dos Censos 2011, destacando que a categoria de “formação de professores e ciências da educação” apenas tem significado para as mulheres! Portando podem continuar a cortar...





Voto no partido que entender que a sociedade precisa de rejuvenescer...



... promovendo uma maior dimensão das famílias, porque sem produtividade neste sector é o futuro dos portugueses como Nação que fica em jogo.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Greve Geral de 14 de Novembro de 2012

Apesar do caudal de "notícias" sobre o tema ainda não tinha deixado aqui qualquer registo. De facto a violência no final da manifestação ofuscou toda a jornada de luta.

Pergunto-me hoje se para neutralizar a “meia dúzia de profissionais da desordem”, como disse o ministro da Administração Interna Miguel Macedo, seria necessária uma carga policial.

Não tenho elementos, mas inclino-me para a tese de o acontecimento ter sido provocado por polícias infiltrados na manifestação, adoptando uma técnica já conhecida noutros países.



O Governo não tem legitimidade para classificar esta tese como teoria da conspiração, porque de facto desde que os casos Relvas se têm sucedido, e este se tem perpetuado como motivo de galhofa do país inteiro, todos os seus elementos ficaram contaminados pelo vírus, e há muito tempo que desistiram de governar. Ir "além da troika" ou ser mais merkeliano que a própria Angela Merkel apenas demonstra a ausência de qualquer ideia política.

Quem ganhou com a violência?

domingo, 11 de novembro de 2012

Apresentação de Portugal à Alemanha

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  • A ideia era que o filme, que tem como nome “Eu sou um berlinense” e que em cinco minutos retrata a realidade portuguesa desde o 25 de Abril, fosse exibido em locais públicos este fim-de-semana, antes da visita de Angela Merkel a Portugal. A proposta foi rejeitada mas agora no YouTube foi publicado em três versões (português, inglês e alemão) para que todos o possam ver. As visualizações, comentários e partilhas nas redes sociais já se multiplicam.
    PÚBLICO
Um excelente vídeo para levantar a moral que muitas vezes temos de rastos, produzido para receber a "rainha da Europa".

Só é pena o vídeo do PSD não referir que o Parlamento tem sido o centro da corrupção em Portugal... e portanto sem uma limpeza nesta área todos os esforços serão inglórios.

Também seria bom lembrar que com as taxas de juro impostas a Portugal e à Grécia a dívida só pode aumentar.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O jornalismo da média

As médias constituem a representação da realidade mais facilmente acessível aos ignorantes, que as interpretam automaticamente, dispensando-se de pensar na realidade que as origina. O Jornal de Negócios comparou as receitas fiscais e as grandes despesas do Estado Social para justificar futuros cortes na defesa e na educação, rubricas que em Portugal se encontram acima da média.

Compreende-se que a segurança fique acima da média em Portugal, visto que tem tantos generais que o Ministro da Defesa nem sabe quantos são, as aquisições de brinquedos de guerra envolvem volumosas verbas em luvas e os documentos se fazem desaparecer para ilibar os criminosos.

Também se compreende que a despesa em educação fique acima da média, visto que a gestão danosa dos edifícios escolares promovida pela Parque Escolar também contribui para este valor.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Não há dinheiro. Qual destas três palavras não percebeu?

Uma mentira repetida muitas vezes começa a tornar-se verdade. A frase de Vitor Gaspar terá sido utilizada em resposta a Álvaro Santos Pereira para colocar um ponto final sobre algumas propostas para dinamizar a Economia.

Imagina-se que o Ministro da Economia terá ficado sem resposta, porque é conivente com a política de redistribuição do rendimento a favor dos bancos que o Governo prossegue. O dinheiro anda por aí, e como já explicou Lains "há racionalidade nos actos que vão levar o País para um buraco: há muito dinheiro em jogo, qual destas cinco palavras não percebe?"

E Vitor Gaspar, ao tempo que se encontra na máquina do poder sabe muito bem o que está a fazer com os seus homens: Link 1 * Link 2 * Link 3

domingo, 28 de outubro de 2012

Metáforas – A linguagem vazia do debate público

A utilização de metáforas em economia é o que mais se escuta/lê na comunicação social. Particularmente os economistas adoram a linguagem da medicina. “As doses adicionais do mesmo medicamento vão tendo cada vez menor efeito”, “é preferível uma terapia gradual que uma terapia de choque, para evitar que o doente morra da cura”, “se o tratamento começar mais tarde, será mais doloroso”, “é preciso extirpar tumores”, “contrariar a obesidade mórbida do Estado”, “evitar as septicemias na economia”,... “é preciso cortar as gorduras do Estado”, etc. Na verdade são utilizadas muitas outras referências:

Um grego, um português e um irlandês vão a um bar tomar umas bebidas. A piada da coisa é que no fim da noite quem paga a conta é o alemão!

Portugal é como um avião com quatro motores, mas só um é que está a trabalhar!

Adam Smith recorreu à “mão invisível” para enfatizar a acção do mecanismo de preços, mas descreveu como este funcionaria. É fácil de perceber que a alegoria por si não explica nada, sendo necessário conhecer as leis da oferta e da procura.

Facilmente se percebe que as metáforas por si não explicam rigorosamente nada, sendo apenas utilizadas para produzir sound bits que as pessoas memorizem, e reinterpretem a seu belo prazer. Exemplo: Todos concordam com ao corte das gorduras do Estado, mas o Governo tem reduzido os vencimentos dos funcionários públicos – que ninguém imaginava como gordura antes das eleições – e tem deixado intocáveis as PPP, as fundações, as autarquias, as mordomias dos políticos, a renegociação dos juros a pagar à Troika,...

Escrevo este post para registar o último abuso escandaloso das metáforas:

  • Vítor Gaspar afirmou: "Como sabem, os corredores de maratona, em geral, não desistem ao 27.º quilómetro, desistem entre o 30.º e o 35.º quilómetro. Uma maratona torna-se cada vez mais difícil e os atletas têm os seus maiores desafios na fase final da maratona. É isso exactamente que acontece com um programa de ajustamento".
    http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=586757


É evidente que isto não explica nada. É como responder que não interessa chegar ao fim da maratona, se no final estamos todos mortos! Mas a verdade é que são estas tretas que ouvimos dos “economistas” no debate público. Desistiram de explicar Economia!

Uma possível explicação é que os media lhes dão escassos segundos para fazerem passar as suas ideias, e então têm que as simplificar. Mas o debate se limitar à reprodução de frases vazias, qual será a sua utilidade? E qual a legitimidade política dos eleitos num debate vazio de conteúdo?

sábado, 20 de outubro de 2012

Como a desigualdade de rendimentos prejudica as sociedades

Os economistas colocam sempre o crescimento do produto e do rendimento como condição necessária para o desenvolvimento, argumentando que antes de se distribuir a riqueza, esta terá que ser criada.

Richard G. Wilkinson argumenta que nos países desenvolvidos a riqueza criada já é suficiente, dependendo o nosso bem-estar do modo como esta se encontra repartida. Os gráficos abaixo mostram que não se verifica correlação entre o indicador da saúde e problemas sociais com o Rendimento Nacional Bruto per capita, mas que se verifica forte correlação daquele indicador com a inequidade(desigualdade) na repartição do rendimento.





No conjunto de países seleccionados, Portugal é mais pobre (menor Rendimento Nacional Bruto per capita) e aquele em que a esperança de vida é mais baixa (00:51);

Em cada país observar-se-ia que a esperança de vida aumenta com o nível de rendimento, porque os mais têm maior acesso aos cuidados de saúde (01:18);

Os países onde o rendimento se encontra pior distribuído são Singapura, EUA, Portugal e Reino Unido. O rendimento está mais equitativamente distribuído no Japão, Finlândia, Noruega e Suécia (02:32). No primeiro grupo a desigualdade de rendimentos duplica relativamente ao segundo, composto por democracias bem-sucedidas;

Verifica-se uma correlação positiva entre as desigualdades na repartição do rendimento e o índice de saúde e problemas sociais: esperança de vida, resultados dos alunos em matemática e literacia, taxa de mortalidade infantil, taxas de homicídio, proporção da população na prisão, taxas de natalidade na adolescência, níveis de confiança, obesidade, doenças mentais incluindo dependência de drogas e do álcool, e (ausência de) mobilidade social (03:07);

Observando os mesmos índices relativamente ao Produto Nacional Bruto per capita não se observa qualquer correlação (04:07);

O índice de bem-estar das crianças (calculado pela UNICEF) encontra-se inversamente correlacionado com a desigualdade na repartição do rendimento, isto é, os jovens têm pior bem-estar nas sociedades mais desiguais (04:45);

O índice de bem-estar das crianças não mostra qualquer correlação com o Rendimento Nacional per capita (04:58);

Estes dados sugerem que o bem-estar social nas nossas sociedades já não depende do Rendimento Nacional e do crescimento económico. Isso é muito importante em países mais pobres, mas não no mundo rico e desenvolvido. Mas as diferenças entre nós, e a posição que ocupamos relativamente aos outros, agora importam muito (05:12); Nos países onde o rendimento se encontra pior distribuído as pessoas confiam menos nas outras (05:36);

A percentagem das doenças mentais (indicador do OMS) é maior nos países com o rendimento pior distribuído (06:48);

As taxas de homicídio são mais elevadas nos estados dos EUA e províncias do Canadá onde o rendimento está pior distribuído (07:19);

A proporção da população na prisão é maior nos países com o rendimento está pior distribuído (07:35);

Os jovens abandonam o ensino secundário em maior proporção nos estados dos EUA onde a repartição do rendimento é mais desigual (08:07);

A mobilidade social é mais reduzida nos países com distribuição do rendimento menos equitativa. Será que os pais ricos têm filhos ricos, e os pais pobres têm filhos pobres? O rendimento dos pais é muito mais importante nos EUA, Reino Unido e Portugal que nos países escandinavos, onde a mobilidade social é mais efectiva. Os americanos que queiram viver o sonho americano devem emigrar para a Dinamarca! (08:19);

A Suécia e o Japão são países muito diferentes. Não importa como se consegue a maior igualdade, desde que se consiga obtê-la de algum modo (10:55);

Utilizando a taxa de mortalidade infantil, indicadores da educação ou da saúde, verifica-se que os benefícios da melhor repartição do rendimento não são extensivos apenas aos pobres, mas a todos os grupos sociais (11:25);

Os efeitos psicossociais da desigualdade, relacionados com sentimentos de superioridade e de inferioridade, de ser valorizado ou desvalorizado, respeitado ou desrespeitado. O sentimento de competição gerado pelo status guia o consumismo nas nossas sociedades, e leva também à insegurança do status. Preocupamo-nos mais com a forma como somos vistos pelos outros, se somos considerados atraentes, inteligentes, etc. Os juízos de avaliação social e o medo desses juízos, aumentam (12:50);

As tarefas que incluíam a ameaça da avaliação social revelaram-se mais stressantes. Ameaças à autoestima ou ao status social, em que outros podem julgar negativamente o nosso desempenho (14:00);

A correlação, só por si, não prova causalidade, mas parece demonstrado um stress crónico associado às disparidades sociais (15:33);

A mensagem a reter, é esta: podemos melhorar a qualidade real da vida humana através da redução das diferenças de rendimento entre nós. De repente, temos controlo sobre o bem-estar psicossocial de sociedades inteiras, e isso é excitante (16:26).

domingo, 14 de outubro de 2012

Os votos em branco ou nulos e as abstenções deviam ser representados por lugares vazios no Parlamento

Nas últimas eleições para a Assembleia da República só participaram 5,5 dos 9,6 milhões de inscritos, fazendo das abstenções o “partido” com maior expressão, contudo foram eleitos deputados para 100% dos lugares na AR. Mesmo que apenas tivessem votado 500 mil eleitores o resultado seria o mesmo! Isto é, se as pessoas estiverem descontentes com o trabalho dos seus representantes, e resolverem não votar em nenhum – abstendo-se, votando em branco ou anulando o voto – isso, lamentavelmente, não tem quaisquer consequências.

Este sistema é injusto, porque em todas as actividades os vendedores precisam dos votos favoráveis dos compradores (em Euros) para que o negócio se efective, enquanto aos políticos bastará não terem menos votos que os seus concorrentes.

Desta forma, quem quiser expressar o seu desencanto não tem possibilidade de o fazer, estando mais que visto que o Parlamento não representa a população, pois cerca de metade dos eleitores nem votaram em nenhum dos eleitos! Uma lei eleitoral que traduzisse o afastamento dos cidadãos da vida política por lugares vazios, certamente introduziria maior competitividade na luta política, aproximando os deputados dos cidadãos e dignificando a actividade política.

Já sei que nenhum dos partidos acolherá esta ideia, mas escrevê-la aqui é a única forma de expressão que a democracia me oferece.

A guerra é demasiado séria para ser deixada aos generais

Nas manifestações de 15 e 29 de Setembro o povo saiu à rua e ficou claro que já ninguém acreditava na narrativa da austeridade, após sucessivos erros de estimativa, desvios colossais, necessidades de ganhar margem de manobra, etc. a artimanha de ganho de competitividade via TSU terá sido fatal.

Como o povo já não acredita que depois das políticas austeritárias melhores dias virão, os líderes internacionais perceberam que seria necessário desvincularem-se da política prosseguida para manterem a sua credibilidade.

As declarações mais surpreendentes foram de Christine Lagarde, dizendo que o FMI se tinha enganado na estimativa de um coeficiente central nos seus modelos:
  • Enquanto que nos modelos de projecção usados, se estimava que, por cada euro de cortes de despesa pública ou de agravamento de impostos se perdia 0,5 euros no PIB, a realidade mostrava que esse impacto (os chamados multiplicadores) é muito maior. Afinal, desde que começou a Grande Recessão, em 2008, o que os dados económicos mostram é que por cada euro de austeridade, o PIB está a perder um valor que se situa no intervalo entre 0,9 e 1,7 euros.
    PÚBLICO, 09.10.2012
Daqui concluiu que para a terapia ter sucesso, o veneno deverá continuar a ser administrado em menores doses para evitar o “risco de fadiga” ou durante mais tempo.

Abebe Selassie foi o primeiro a desvincular-se das medidas “além da Troika”, classificando a TSU como uma forma "criativa" do Governo resolver o problema do défice e da competitividade.

O oportunista Durão Barroso, que tem sido o nosso maior carrasco na exigência da austeridade, já empurrou a responsabilidade da política prosseguida para os Governos nacionais, dizendo que a Comissão Europeia só faz sugestões, que estes aceitam ou não.

Só falta mesmo o funcionário internacional Vitor Gaspar vir pedir desculpa pela violência orçamental a que tem submetido o país. Talvez não tome essa iniciativa, porque isso significaria abdicar da sua margem de lucro na venda do país a retalho, e uma traição aos amigos Borges e Cª. A emergência económica tem sido invocada para vender em saldo grandes empresas públicas, mas as pessoas já estão alertadas para os ganhos realizados nestas operações pelos intermediários.

O povo já deixou de ser um agente passivo da austeridade, e este Governo só ainda não caiu porque afinal a única oposição que tem é a do PSD.
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