domingo, 14 de outubro de 2012

Os votos em branco ou nulos e as abstenções deviam ser representados por lugares vazios no Parlamento

Nas últimas eleições para a Assembleia da República só participaram 5,5 dos 9,6 milhões de inscritos, fazendo das abstenções o “partido” com maior expressão, contudo foram eleitos deputados para 100% dos lugares na AR. Mesmo que apenas tivessem votado 500 mil eleitores o resultado seria o mesmo! Isto é, se as pessoas estiverem descontentes com o trabalho dos seus representantes, e resolverem não votar em nenhum – abstendo-se, votando em branco ou anulando o voto – isso, lamentavelmente, não tem quaisquer consequências.

Este sistema é injusto, porque em todas as actividades os vendedores precisam dos votos favoráveis dos compradores (em Euros) para que o negócio se efective, enquanto aos políticos bastará não terem menos votos que os seus concorrentes.

Desta forma, quem quiser expressar o seu desencanto não tem possibilidade de o fazer, estando mais que visto que o Parlamento não representa a população, pois cerca de metade dos eleitores nem votaram em nenhum dos eleitos! Uma lei eleitoral que traduzisse o afastamento dos cidadãos da vida política por lugares vazios, certamente introduziria maior competitividade na luta política, aproximando os deputados dos cidadãos e dignificando a actividade política.

Já sei que nenhum dos partidos acolherá esta ideia, mas escrevê-la aqui é a única forma de expressão que a democracia me oferece.

A guerra é demasiado séria para ser deixada aos generais

Nas manifestações de 15 e 29 de Setembro o povo saiu à rua e ficou claro que já ninguém acreditava na narrativa da austeridade, após sucessivos erros de estimativa, desvios colossais, necessidades de ganhar margem de manobra, etc. a artimanha de ganho de competitividade via TSU terá sido fatal.

Como o povo já não acredita que depois das políticas austeritárias melhores dias virão, os líderes internacionais perceberam que seria necessário desvincularem-se da política prosseguida para manterem a sua credibilidade.

As declarações mais surpreendentes foram de Christine Lagarde, dizendo que o FMI se tinha enganado na estimativa de um coeficiente central nos seus modelos:
  • Enquanto que nos modelos de projecção usados, se estimava que, por cada euro de cortes de despesa pública ou de agravamento de impostos se perdia 0,5 euros no PIB, a realidade mostrava que esse impacto (os chamados multiplicadores) é muito maior. Afinal, desde que começou a Grande Recessão, em 2008, o que os dados económicos mostram é que por cada euro de austeridade, o PIB está a perder um valor que se situa no intervalo entre 0,9 e 1,7 euros.
    PÚBLICO, 09.10.2012
Daqui concluiu que para a terapia ter sucesso, o veneno deverá continuar a ser administrado em menores doses para evitar o “risco de fadiga” ou durante mais tempo.

Abebe Selassie foi o primeiro a desvincular-se das medidas “além da Troika”, classificando a TSU como uma forma "criativa" do Governo resolver o problema do défice e da competitividade.

O oportunista Durão Barroso, que tem sido o nosso maior carrasco na exigência da austeridade, já empurrou a responsabilidade da política prosseguida para os Governos nacionais, dizendo que a Comissão Europeia só faz sugestões, que estes aceitam ou não.

Só falta mesmo o funcionário internacional Vitor Gaspar vir pedir desculpa pela violência orçamental a que tem submetido o país. Talvez não tome essa iniciativa, porque isso significaria abdicar da sua margem de lucro na venda do país a retalho, e uma traição aos amigos Borges e Cª. A emergência económica tem sido invocada para vender em saldo grandes empresas públicas, mas as pessoas já estão alertadas para os ganhos realizados nestas operações pelos intermediários.

O povo já deixou de ser um agente passivo da austeridade, e este Governo só ainda não caiu porque afinal a única oposição que tem é a do PSD.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Uma aplicação do Telemóvel na sala de aulas

Hoje fui surpreendido com uma utilização útil do Telemóvel. Enquanto explicava a uma aluna na sua carteira como preencher uma tabela inserindo fórmulas, ela gravou um vídeo com Telemóvel capturando a imagem do computador, e ficou com um tutorial do Excel ;)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Sexo, Mentiras e Internet

Terminou hoje a publicação do inquérito à sexualidade dos portugueses pelo Expresso.

Sendo os recursos digitais mais utilizados pelos jovens, o propósito explícito de encontrar parceiro sexual na Internet, observa-se mais na procura de relações ocasionais e por parte da Geração Viagra.

domingo, 30 de setembro de 2012

A ignorância de António Borges



Não se imagina que mais terá dito este senhor, além do sound bite, pois só isto ficou registado.

Compreende-se que seja difícil explicitar argumentos a favor da TSU, e chamar ignorantes a todos os que discordem desta medida de política é um sinal revelador de extrema fraqueza. Se a medida fosse realmente inteligente, deveria ser possível explicá-la em termos que fosse entendida.

Assim, António Borges, pede a Passos Coelho que o coloque no lote dos ministros a remodelar urgentemente, ao lado de Miguel Relvas, Victor Gaspar e Nuno Crato…

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Passos Coelho já teve melhores dias

Portugal só aparece nas colunas do Financial Times quando cheira a esturro. Após a manifestação dia 15 descreveram para o mundo financeiro o que viram. Dizem que após uma reacção pública furiosa contra austeridade adicional, Passos Coelho terá maiores dificuldades em convencer os trabalhadores de que serão necessários mais cortes na despesa e mais aumentos dos impostos.

Porém o FT não gasta uma palavra para caracterizar a inequidade na distribuição dos sacrifícios, nem questiona moralmente a redução de custos das empresas via TSU, compensados pelo agravamento da mesma para os trabalhadores. A perspectiva estritamente financeira do fenómeno é mesmo muito restritiva da sua compreensão.

domingo, 23 de setembro de 2012

Quanta austeridade é demais?

O The Economist faz a pergunta e sugere que nas últimas semanas encontrámos um ponto de inflexão. Passos Coelho terá descoberto que o limite para as políticas de austeridade também existe em Portugal com manifestações pacíficas, e não apenas nos países em que os protestos são violentos.
  • Quinze dias é muito tempo na crise do euro. Em duas curtas semanas Portugal deixou de ser um aluno modelo, elogiado em Bruxelas e Frankfurt pela firmeza com o programa de ajustamento, passando a um exemplo de advertência sobre os perigos enfrentados pelos governos que tentam levar a austeridade para além da tolerância dos eleitores a longo sofrimento.

sábado, 22 de setembro de 2012

O Conselho de Estado não responde a provocações da rua

Depois de 8 horas de reunião, certamente que os conselheiros apenas pensavam em como sair de lá vivos. O comunicado no site do Presidente ignora completamente a manifestação que decorreu em simultâneo no exterior do Palácio da S. Bento, como se fosse marciano:
  • (... Propaganda, como se alguma vez tivessem pensado na Europa ...)
  • 6) O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única.
  • 7) O Conselho de Estado foi igualmente informado de que foram ultrapassadas as dificuldades que poderiam afectar a solidez da coligação partidária que apoia o Governo.
  • 8) O Conselho de Estado não responde a provocações da rua.

Manif 21/SET/2012 - Acordai!

Com a mesma motivação de dia 15, repetiu-se agora em simultâneo com uma reunião do Conselho de Estado, mais uma manifestação contra a política de austeridade.

Fica para memória futura um dos seus melhores momentos.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Luís Aguiar-Conraria et al

Trabalho econométrico concluiu que é de esperar da medida proposta pelo Governo, exactamente o efeito oposto ao defendido, isto é, é de esperar um aumento do peso do desemprego de longa duração no desemprego total.

domingo, 16 de setembro de 2012

TSUnami político

Abençoado 15 de Setembro. Finalmente as pessoas descarregaram na rua alguma angústia, acreditaram que poderiam mudar alguma coisa, o governo ficou quase em mero exercício de funções de gestão. As pessoas gastaram mais dinheiro neste fim-de-semana, sorriram mais, ficaram mais felizes.

Dia 7 de Setembro Passos Coelho abusou do estado de graça inventando uma desvalorização fiscal da qual até Abebe Selassie aponta reservas.
Nem o patronato agradeceu a transferência de capital proposta, alegando que o aumento da TSU suportado pelos trabalhadores, reduz o seu poder de compra e o consumo.

Até aqui quando o Governo anunciava austeridade, a população aceitava porque acreditava que a mesma tinha alguma finalidade. A redução dos salários dos funcionários públicos, congelados pela primeira vez em 2001, foi aceite como legítima depois de muita propaganda criando a ideia de que se iriam cortar as “gorduras do Estado”.

Na realidade as “gorduras do Estado” continuam como estavam, ou até se têm multiplicado, constituindo um verdadeiro Estado paralelo que alimenta as clientelas dos partidos, e portando estes não as podem destruir.

Constituem grandes Estados dentro do Estado, as administrações regionais e autarquias locais, onde muito dinheiro é esbanjado, sem que nada tenha mudado.

As parcerias público privadas diz-se que têm os contratos blindados, e portanto não podem mudar, quando os trabalhadores ao tempo que perderam a noção dos “direitos adquiridos”.

Depois de tanto barulho em torno de centenas de fundações, o Governo apenas propõe a extinção de 40, e como 21 dependem das autarquias já se sabe que nada lhes irá acontecer.

As empresas públicas continuam a ser utilizadas para dar emprego à malta do partido. O último exemplo foi a RTP, que recebeu como administrador um amigo do Relvas que tinha experiência no sector das cervejas e negócios em Angola.

Mesmo que anuncie algumas medidas avulsas de tributação sobre os ricos, este Governo perdeu a legitimidade para Governar porque os governantes:

- mentem;

- não dão o exemplo, deixando a austeridade apenas para o povo;

- demonstraram que a austeridade não têm nenhuma finalidade legítima;

- promoveram a maior redistribuição do rendimento a favor do capital sem nenhum desígnio nacional;

- são responsáveis pelo crescimento da economia paralela. Se não fosse esta já corresponder a 1/4 do PIB o défice orçamental seria bem menor.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O Método Ser Bom Aluno, ‘Bora Lá?‎

Estão a aproximar-se as apresentações, e para não repetir sempre o mesmo, este ano irei experimentar estas dicas do Jorge:

  • Para quê ser Bom Aluno?

    Se conseguires ser um Bom Aluno — e continuares a sê-lo ao longo dos anos — o que é que acontecerá? Bem, arriscas-te a ter um dia um melhor emprego, a ganhar mais dinheiro, a seres reconhecido pelos outros, a virem pedir-te conselhos, no fundo ganhas o respeito dos outros. No entanto, isto tudo, dirás, ainda vem longe, mas e agora?

    No imediato começam-te a levar mais a sério, não é? De facto, faz parte do teu processo de crescimento tomares decisões cada vez com menos orientação do exterior (o mesmo é dizer dos teus pais) e responsabilizares-te por elas. Ora se conseguires ser Bom Aluno tudo isto torna-se mais fácil, os teus pais aborrecem-te menos a “molécula” e como tal terás mais liberdade de acção. Queres ir a uma festa com os amigos, o argumento de “não, porque tens de estudar” deixa de fazer sentido.

    Pondo as coisas ainda de forma mais simples: tens dois modelos que podes escolher. O primeiro é o Modelo Ya Fixe que é um modelo convergente na medida que vai ao encontro dos teus objectivos:

    Estudas mais »»» melhoras os resultados »»» A família aborrece-te menos »»» Tens mais liberdade »»» divertes-te mais

    O segundo é o Modelo Tass Mal que é divergente pois afasta-te cada vez mais do lazer:

    Estudas pouco »»» maus resultados »»» a família aborrece-te »»» começam a “controlar-te” mais »»» obrigam-te a estudar e cortam-te as saídas »»» divertes-te menos

    Não é necessário perguntar-te qual é o teu preferido, pois não?

José Gomes Ferreira rebentou Ministro Vitor Gaspar

Os trabalhadores pagam impostos porque o Estado dispõe de um aparelho de coacção eficaz

Relativamente ao capital, Vitor Gaspar faz um apelo à sua consciência patriótica.

  • O mercado só funciona bem em condições de concorrência e transparência. Em situações de monopólio ou de concorrência limitada é necessário utilizar regulamentação efectiva (VG TEÓRICO).

    É crucial efectivamente que os produtores de bens e serviços não transacionáveis, protegidos da concorrência, tenham a capacidade e a consciência para diminuir os preços, transmitindo aos consumidores a poupança que obtiveram através da redução da TSU. O facto de me ter colocado essa questão e de a estarmos a discutir em público contribui decisivamente para que esse padrão venha a ser observado (VG TÓTÓ). (11:00)

    O esforço e sacrifício estão rigorosamente distribuídos por todos. A razão porque vale a pena apostarmos neste ajustamento é precisamente porque é a maneira de sermos capazes de proteger os mais pobres, os mais desfavorecidos e os mais vulneráveis (VG PROPAGANDA). (16:00)
O jornalista da SIC, José Gomes Ferreira, não lhe deu tréguas e apontou uma forte incongruência aos 17:00 minutos:

António Borges tem um pagamento em falta de 25.000 euros. Verá a sua contribuição agravada?

Exposto à imoralidade da situação, VG argumentou "desconhecer os detalhes"... o que naturalmente não repara os danos morais provocados por um colaborador tão próximo, que tanto admira.

sábado, 8 de setembro de 2012

Gostava de ter escrito esta

Não leves a mal; tiro-te um mês do teu salário para o dar ao teu patrão. É para criar emprego. Estás a ver?

Ladrões de Biciletas

A malta não gostou de confirmar que vão sempre aos bolsos dos mesmos - quanto aos rendimentos do capital Passos Coelho apenas fez uma referência breve, dando-lhes realmente um bónus -, e a Troika que a até aqui tem sido recebida com alguma simpatia passou a ser alvo de campanhas de protesto como esta. Já estão marcadas manifestações para dia 15, mas isto pelo Facebook é tudo muito rápido e nunca se sabe como fica.
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